05/06/2016

Verdades que o egoísmo esconde - 3

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É mais saudável ocupar-se dos outros que unicamente de si mesmo.


Fonte: REVISTA SER PERSONA

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Doutrina – 165

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

O homem


69. Como é que, no homem, a alma e o corpo formam uma unidade?


A pessoa humana é um ser ao mesmo tempo corpóreo e espiritual. O espírito e a matéria, no homem, formam uma única natureza. Esta unidade é tão profunda que, graças ao princípio espiritual que é a alma, o corpo, que é material, se torna um corpo humano e vivo e participa na dignidade de imagem de Deus.

Não te apoquentes por verem as tuas faltas

Quanto mais me exaltarem, meu Jesus, humilha-me mais no meu coração, fazendo-me saber o que tenho sido e o que serei, se Tu me deixares. (Caminho, 591)

Não te esqueças de que és... o depósito do lixo. – Por isso, se porventura o Jardineiro – divino lança mão de ti, e te esfrega e te limpa... e te enche de magníficas flores..., nem o aroma nem a cor que embelezam a tua fealdade devem pôr-te orgulhoso.
– Humilha-te; não sabes que és o caixote do lixo? (Caminho, 592)

Quando te vires como és, há-de parecer-te natural que te desprezem. (Caminho, 593)

Não és humilde quando te humilhas, mas quando te humilham e o aceitas por Cristo. (Caminho, 594)

Não te apoquentes por verem as tuas faltas. A ofensa a Deus e a desedificação que podes ocasionar, isso é que te deve doer.


– De resto, que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de seres nada, porque assim Jesus tem que pôr tudo em ti. (Caminho, 596)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo Comum

Evangelho: Lc 7, 11-17

11 No dia seguinte foi para uma cidade, chamada Naim. Iam com Ele os Seus discípulos e muito povo. 12 Quando chegou perto da porta da cidade, eis que era levado a sepultar um defunto, filho único de uma viúva; e ia com ela muita gente da cidade. 13 Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: «Não chores». 14 Aproximou-Se, tocou no caixão, e os que o levavam pararam. Então disse: «Jovem, Eu te ordeno, levanta-te». 15 E o que tinha estado morto sentou-se, e começou a falar. Depois, Jesus, entregou-o à sua mãe. 16 Todos ficaram possuídos de temor e glorificavam a Deus, dizendo: «Um grande profeta apareceu entre nós, e Deus visitou o Seu povo». 17 Esta opinião a respeito d'Ele espalhou-se por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Comentário:

Também a nós o Senhor nos diz constantemente:

‘Levanta-te; estás aí na vera do caminho à espera que venham ter contigo quando deverias ser tu a procurar os teus irmãos para lhes prestares a assistência que possam precisar´.

Quantas pessoas esperam por nós?

Talvez para algo sem grande importância: uma palavra amiga, um gesto de solidariedade, um sorriso de compreensão.

Como podemos saber – e fazer o que o Senhor espera de nós – se não nos movemos – levantamos – saímos do nosso torpor e comodismo e nos “fazemos ao caminho” da vida como seres humanos solidários e atentos ao nosso próximo?

(ama, comentário sobre Lc 7, 11-17, 2016.04.11)

Leitura espiritual




INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO PRIMEIRO

"Creio em Jesus Cristo seu Filho Unigénito, Nosso Senhor".

IV. Caminhos da Cristologia

2. Cristologia e Soteriologia

Do ponto assim alcançado torna-se visível o entrelaçamento de uma antítese criada pela história, antítese aliás bastante aparentada com a que acabamos de analisar. No correr da evolução histórica da fé em Cristo destacou-se sempre mais o que se costumou chamar "cristologia" e "soteriologia". Cristologia seria a doutrina do ser de Jesus, que foi isolada sempre mais como uma excepção teológica, transformando-se em objecto de especulacção sobre algo estranho, incompreensível e limitado exclusivamente a Jesus. Soteriologia seria o estudo da salvação: tendo tratado da charada ontológica, isto é como homem e Deus poderiam ser um só em Jesus, perguntaram-se, completamente separados do problema, o que Jesus fez e de que maneira o efeito de sua acção nos alcança. A separação de ambas as questões, a colocação de pessoa e obra como objeto de considerações e tratados separados, teve como consequência tornarem-se ambos incompreensíveis e irrealizáveis. Basta examinar um pouco os tratados de dogmática para constatar quão complicadas se tornaram as teorias sobre ambos, por ter-se olvidado que só poderiam ser compreendidos quando juntos. Lembro apenas a forma sob a qual a doutrina da salvação geralmente se apresenta na consciência cristã. Baseia-se na chamada teoria da satisfação desenvolvida por Anselmo de Cantuária no limiar da Idade Média, e que determinou com exclusividade crescente a consciência ocidental. Vista na sua forma clássica, não apresenta aspecto unilateral, mas considerada na forma grosseira criada posteriormente pela consciência geral, ela assume feição de um mecanismo cruel que se nos afigura mais e mais irrealizável.
Anselmo de Cantuária (mais ou menos de 1033 a 1109) tinha em mente deduzir a obra de Cristo através de razões necessárias (rationibus necessariis), mostrando de maneira irrefutável que essa obra se devia realizar exactamente como se realizou. O seu pensamento poderia ser reduzido às seguintes grandes linhas: pelo pecado do homem, cometido contra Deus, foi infinitamente ferida a ordem da justiça e Deus ofendido infinitamente. Por detrás disso esconde-se a ideia de que a medida da ofensa deve ser avaliada pelo ofendido; outras são as consequências da ofensa a um mendigo e outras a um chefe de estado. O peso da ofensa varia de acordo com o que foi atingido. Sendo Deus o infinito, também a ofensa a ele infligida pelo pecado tem um peso infinito. O direito assim violado deve ser restaurado, porque Deus é o Deus da ordem e da justiça, é aliás a própria justiça. Ora, de acordo com o tamanho da ofensa, impõe-se uma reparação infinita. Para tanto o homem não é capaz. Tem capacidade de ofender infinitamente (para o que a sua força é bastante), mas não é capaz de oferecer uma reparação infinita: o que ele, o finito, oferecer, será sempre apenas finito. A sua capacidade destruidora ultrapassa o seu poder criativo. Portanto, permanecerá uma distância infinita entre todas as reparações que o homem tentar e a grandeza de sua culpa, distância que ele jamais conseguirá vencer: qualquer gesto de reparação somente lhe revelará a impossibilidade de fechar o abismo que ele mesmo rasgou.

Então, a ordem deverá ficar para sempre destruída, o homem eternamente encerrado no abismo de sua culpa? Neste ponto Anselmo avança para a figura de Cristo. Eis a sua resposta: o próprio Deus apaga a injustiça, não (como ele poderia fazer) por meio de uma simples anistia incapaz de sobrepujar por dentro o crime cometido, mas fazendo com que o infinito se torne homem e, como homem, pertencente à raça dos pecadores e, no entanto, possuidor da infinita capacidade de reparação, que está ausente no simples homem, preste ele a necessária reparação. Assim a redenção dá-se totalmente por graça e, simultaneamente, como restauração do direito. Anselmo acreditava assim ter respondido à difícil questão "cur Deus homo?", questão sobre o "por que" da encarnação e da cruz. O seu ponto de vista imprimiu um cunho decisivo ao segundo milénio da cristandade ocidental a qual se tornou convencida de que Cristo devia morrer na cruz para reparar a infinita ofensa do pecado e restaurar assim a ordem abalada.

Não se deve negar que a teoria anselmiana reúne decisivos pontos de vista bíblicos e humanos; quem a examinar com certa paciência, se convencerá disto mais facilmente. Neste sentido, enquanto tentativa de reunir todos os elementos da revelação bíblica numa grande síntese, profunda e sistemática, continuará merecendo respeito. Será difícil perceber que, apesar de todos os recursos filosóficos e jurídicos postos aqui em acção, permanece como linha mestra aquela verdade expressa na Bíblia pela palavrinha "para", com a qual o livro sagrado manifesta que, como homens, não só vivemos imediatamente de Deus, mas uns dos outros e, finalmente, daquele único que viveu para todos? E quem não veria que, no esquema da teoria da satisfação, continua clara a linha do pensamento bíblico da eleição, para a qual a escolha não representa um privilégio do eleito, mas a vocação para existir para os outros? E o chamamento para aquele "para", ao qual o homem serenamente se deixa levar, cessando de agarrar-se, e ousando o salto para fora de si mesmo, rumo ao infinito, pelo qual, e só por ele, conseguirá encontrar-se. Mas, mesmo concedendo tudo isto, não se poderá negar que o sistema jurídico construído por Anselmo, perfeitamente lógico em seu aspecto divino-humano, distorce as perspectivas e pode mergulhar a imagem de Deus numa luz sinistra, graças à sua lógica de ferro. Ainda teremos de voltar a este ponto, quando tratarmos do sentido da cruz. Por ora, basta lembrar que a situação se apresentará de modo todo diverso, se, em vez da separação na obra e pessoa de Jesus, se tornar visível que em Jesus Cristo não se trata de uma acção separada dele, de um acto que Deus deve exigir por estar pessoalmente comprometido com a ordem; que não se trata – para falar com Gabriel Marcel – do ter da humanidade, mas do seu ser. E como se tornará outro o panorama, se apelarmos para expressão paulina que nos ensina a compreender a Cristo como o "último homem" (eschatos Adam: 1Cor 15,45) – como o homem definitivo a conduzir a humanidade ao seu futuro, que consiste em ser, não homem apenas, mas um com Deus.

3. Cristo, "o último Homem”.

Atingimos aqui o ponto em que podemos tentar uma síntese do que temos em mente com a confissão: "Creio em Jesus Cristo, Filho unigénito de Deus, nosso Senhor". Após tudo o que se disse até aqui, eis o que se poderia dizer em primeiro lugar: Fé cristã crê em Jesus de Nazaré enquanto o homem exemplar – assim poderia reproduzir-se objectivamente a expressão paulina "o último homem" há pouco citada. Mas, justamente como o exemplar, como o protótipo, Cristo ultrapassa o limite do "ser-homem", assim e só deste modo ele realmente é o homem exemplar. Pois o homem está dentro de si tanto menos, quanto mais está no outro. Volta a si somente afastando-se de si. Só pelo outro e pelo existir no outro ele chega a si.

O que vale, finalmente, em último e mais profundo sentido. Se o outro for apenas alguém, pode transformar-se em auto-perdição do homem. Em última análise, o homem está sintonizado para o outro, para o realmente outro, para Deus; está em si tanto mais, quanto mais estiver no completamente outro, em Deus. Portanto, ele é todo ele mesmo, se cessar de estar em si, de fechar-se em si, de afirmar-se a si, se tornar a pura abertura para Deus. Dito ainda de outro modo: o homem chega a si, ultrapassando-se a si. Ora Jesus Cristo é o homem que se ultrapassou a si e que assim chegou completamente a si.

O Rubicão da encarnação é transposto primeiramente pela passagem do animal para o Logos, da mera vida para o espírito. Da "argila" formou-se o homem no momento em que um ser não somente "estava ali", mas estava aberto para o todo, superando a mera presença e a satisfação de suas necessidades. Ora, este passo pelo qual, pela primeira vez, Logos, razão, espírito penetrou neste mundo, somente alcança a sua plena realizacção, quando o próprio Logos, a razão criadora total, e o homem se entrelaçam. A completa hominização do homem supõe a hominização de Deus; somente por meio dela foi transposto definitivamente o Rubicão do "animalesco" para o "lógico", sendo levado à sua máxima possibilidade aquele começo que irrompeu quando, pela primeira vez, um ser de pó e argila, olhando para além de si e do seu mundo ambiente, foi capaz de dizer "tu" a Deus. A abertura para o todo, para o ilimitado, perfaz o homem. O homem é homem pelo facto de chegar infinitamente para além de si, e, por conseguinte, é tanto mais homem quanto menos for fechado, limitado em si. Portanto – repitamo-lo – é homem ao máximo, e mais, o verdadeiro homem, aquele que for o mais "ilimitado", que não somente toque o infinito – o Infinito! – mas que seja um com ele: Jesus Cristo. Nele a meta da hominização foi verdadeiramente alcançada.

Há, porém, ainda um segundo elemento a considerar. Até agora tentamos compreender, a partir da ideia do "homem exemplar", aquela primeira ultrapassagem fundamental do que é próprio, a qual a fé conhece como determinativa para a figura de Jesus, a saber, a que reúne, nele, o ser-homem com o ser-Deus, em uma unidade. Contudo, já aí ressoava uma ulterior ultrapassagem. Sendo Jesus o homem exemplar, no qual se revela plenamente a verdadeira figura do homem, e com ele a ideia de Deus, não pode, em tal caso, estar destinado a figurar como excepção absoluta, como uma curiosidade, em que Deus nos demonstra o que é possível. Em tal caso, a sua existência interessa à humanidade inteira. O Novo Testamento torna-o reconhecível, chamando-o de "Adão"; na Bíblia o termo exprime a unidade da natureza inteira do homem, de forma que se fala do conceito bíblico de uma "personalidade corporativa". Ora, Jesus ser chamado "Adão" denota que está destinado a concentrar em si a natureza inteira de Adão. O que significa: aquela realidade, hoje em grande parte inconcebível para nós, que Paulo denomina de "Corpo de Cristo", representa um postulado interno dessa existência que não pode permanecer como excepção, mas deve atrair e "concentrar em si" a humanidade inteira (cfr. Jo 12,32).

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)





04/06/2016

Verdades que o egoísmo esconde - 2

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Qualquer pessoa é mais valiosa que todas as coisas, possessões ou pertences.

Fonte: REVISTA SER PERSONA

(Revisão da versão portuguesa por ama)

Doutrina – 164

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

O homem

68. Porque é que os homens constituem uma unidade?


Todos os homens formam a unidade do género humano, graças à sua comum origem em Deus. Para além disso, Deus criou «a partir de um só homem todo o género humano» (Act 17,26). Todos têm também um único Salvador e todos são chamados a partilhar a eterna felicidade de Deus.

Sereno no meio das preocupações

Se, por teres o olhar fixo em Deus, souberes manter-te sereno no meio das preocupações; se aprenderes a esquecer as ninharias, os rancores e as invejas; pouparás muitas energias, que te fazem falta para trabalhar com eficácia, em serviço dos homens. (Sulco, 856)

Luta contra as asperezas do teu carácter, contra os teus egoísmos, contra o teu comodismo, contra as tuas antipatias... Além de que temos de ser corredentores, o prémio que receberás (pensa bem nisso!) estará em relação directíssima com a sementeira que tiveres feito. (Sulco, 863)

Tarefa do cristão: afogar o mal em abundância de bem. Nada de fazer campanhas negativas, nem de ser anti-nada. Pelo contrário: viver de afirmação, cheios de optimismo, com juventude, alegria e paz; olhar para todos com compreensão: os que seguem Cristo e os que O abandonam ou não O conhecem.

Compreensão, porém, não significa abstencionismo, nem indiferença, mas actividade. (Sulco, 864)


Paradoxo: desde que me decidi a seguir o conselho do salmo – "Lança sobre o Senhor as tuas preocupações, e Ele te sustentará", cada dia tenho menos preocupações na cabeça... E ao mesmo tempo, com o devido trabalho, resolve-se tudo com mais clareza! (Sulco, 873)

Evangelho, comentário, L. espiritual


Tempo Comum

Evangelho: Lc 2, 41-51

41 Seus pais iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. 42 Quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém segundo o costume daquela festa, 43 acabados os dias que ela durava, quando voltaram, o Menino ficou em Jerusalém, sem que os Seus pais o advertissem. 44 Julgando que Ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e depois procuraram-no entre os parentes e conhecidos. 45 Não O encontrando, voltaram a Jerusalém à procura d'Ele. 46 Aconteceu que, três dias depois, encontraram-no no templo sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. 47 E todos os que O ouviam estavam maravilhados da Sua sabedoria e das Suas respostas. 48 Quando O viram, admiraram-se. E Sua mãe disse-lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Eis que Teu pai e eu Te procurávamos cheios de aflição». 49 Ele disse-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de Meu Pai?». 50 Eles, porém, não entenderam o que lhes disse. 51 Depois desceu com eles e foi para Nazaré; e era-lhes submisso. A Sua mãe conservava todas estas coisas no seu coração.

Comentário:

Este trecho do Evangelho escolhido pela Liturgia para o dia de hoje, festa do Imaculado Coração de Maria, fala-nos exactamente do coração e dos sentimentos que nele ser albergam.

Neste caso, um coração de Mãe, da própria Mãe de Deus.

As aflições e as alegrias, o que se entende e que não se compreende muito bem, tudo a Senhora guarda no seu coração. Fá-lo não por receio de esquecer mas exactamente para meditar e ter bem presente tudo quanto a seu Filho respeita.

Aprendamos dela a guardar no nosso coração aquilo que verdadeiramente interessa à nossa alma, à compreensão dos mistérios da nossa Fé.

(ama, comentário sobre Lc 2  41-51 2014.06.08, festa do Imaculado Coração de Maria)

Leitura espiritual



INTRODUÇÃO AO CRISTIANISMO

"Creio em Deus" – Hoje

SEGUNDA PARTE

JESUS CRISTO

CAPÍTULO PRIMEIRO

"Creio em Jesus Cristo seu Filho Unigénito, Nosso Senhor".

III. Jesus Cristo – verdadeiro Deus e verdadeiro Homem

3. O direito do dogma cristológico

a)   A terminologia bíblica e sua relação com o dogma.

β) "O Filho",

O Evangelho de João colocou no centro de sua imagem de Jesus essa auto-denominacção que nos Sinópticos se nos depara só em poucos lugares (no quadro da formação dos discípulos); o que corresponde à tendência fundamental desse Evangelho de orientar os seus pontos de gravidade de preferência para o interior. A autodenominacção de Jesus como "Filho" torna-se o fio condutor da descrição do Senhor; simultaneamente desdobra-se o sentido da palavra no seu raio de alcance através do ritmo do Evangelho. O mais importante já foi dito sobre o assunto, nas considerações sobre a doutrina trinitária; portanto, bastará agora apresentar algumas indicações que relembrem o que se disse.

João não encara o desenvolvimento de Jesus como Filho no sentido de uma auto-promoção que Jesus tivesse feito, mas como expressão da completa relatividade da sua existência. Situar Jesus totalmente sob essa categoria é o mesmo que interpretar-lhe a existência de maneira completamente relativa, que nada mais é do que "existir de" e "existir para" e, precisamente nesta relatividade total, identificar-se com o absoluto. Neste ponto o título "Filho" cobre-se com o sentido de "o Verbo" (palavra) e de "o enviado". E, ao descrever o Senhor com as palavras de Isaías "eu o sou", João quer manifestar o mesmo pensamento, a total unidade com o "eu o sou" resultante da doação completa. O âmago dessa cristologia do Filho, em João, e cuja base já foi indicada nos Sinóticos e, através deles, no Jesus histórico (Abba), está exactamente no que inicialmente se nos tornou claro como ponto de partida para toda a cristologia: na identidade de obra e existência, de acção e pessoa, na total assimilação da pessoa à sua obra e na completa identidade do agir com a mesma pessoa que não se reserva nada, doando-se toda na sua obra.

Neste sentido é possível avançar a afirmação de que em João nos deparamos com uma "ontologização", uma volta ao ser atrás do fenómeno do mero acontecimento. Não se fala mais exclusivamente da actividade, da acção, da fala e da doutrina de Jesus, mas simplesmente se constata que, no fundo, sua doutrina é ele próprio. Ele, na sua totalidade, é Filho, palavra, mensagem; sua acção toca o fundo da existência, identificando-se com ela. E existe algo de típico nessa unidade de ser e agir. Nessa radicalização da declaração, na inclusão de ontológico, para quem for capaz de compreender e perceber os nexos e os bastidores, não existe nenhuma renúncia do anterior, sobretudo nenhuma cristologia triunfalista e glorificadora, em lugar de uma cristologia de serviço que, por exemplo, não fosse capaz de saber o que fazer com o homem-servo crucificado, reinventando em seu lugar um mito ontológico de Deus. Pelo contrário, quem tiver compreendido correctamente o processo há-de ver que só agora o que dito anteriormente é entendido em toda a sua profundeza. O ser-servo não se interpreta como uma acção por trás da qual a pessoa de Jesus continua de pé, mas é mergulhado na existência total de Jesus, de modo que sua própria existência é serviço. E exactamente porque essa existência inteira é serviço, ela é filiação. E assim, a inversão cristã dos valores alcança a meta, tornando plenamente claro que quem se entrega completamente ao serviço dos outros, ao total altruísmo e ao despojamento, é verdadeiro homem, o homem do futuro, o ponto de junção entre homem e Deus.

Agora pode-se dar o próximo passo: o sentido dos dogmas de Nicéia e Calcedónia torna-se claro, pois eles nada mais tencionaram do que declarar a identidade de serviço e existência em que se revela o conteúdo total da relação "Abba – Filho". Aquelas formulações dogmáticas não se situam no prolongamento de ideias míticas de geração. Quem tal supõe, apenas demonstra não ter uma ideia nem de Calcedónia nem da real importância da ontologia, nem das declarações míticas que se lhes opõem. Aquelas declarações não se desenvolveram a partir de ideias míticas de engendramento, mas do testemunho de João, que, por sua vez, representa simplesmente o prolongamento dos diálogos de Jesus com o Pai e da existência de Jesus para os homens até à culminância de sua entrega na cruz.

Prosseguindo dentro do mesmo contexto, não é difícil perceber que a "antologia" do quarto Evangelho e das antigas profissões de fé inclui um actualismo muito mais radical do que tudo que hoje se apresenta sob a etiqueta de actualismo. Contento-me com um exemplo, uma formulação de Bultmann quanto ao problema da filiação divina de Jesus: "Assim como a ekklesia, a comunidade escatológica, só é autêntica ekklesia enquanto acontecimento, assim também o ser-Senhor, a divindade de Cristo, não passa jamais de um acontecimento". Nesta forma de actualismo a verdadeira existência do homem Jesus conserva-se estaticamente por detrás do acontecimento da divindade e do ser-Senhor como a existência de um homem qualquer, sem ser tocada por este acontecimento e somente como o ponto ocasional de incandescência, em que ela se realiza, tornando-se, facto, para alguém, pela audição da palavra, o encontro actual com Deus. E assim como a existência de Jesus se conserva estática por trás do acontecimento, assim também a existência do homem só pode ser atingida pelo divino sempre na faixa do acontecível ocasional. Também aqui o encontro com Deus se efectua no respectivo instante do acontecimento, ficando a existência preservada dele. Tenho a impressão de ver presente, em tal teologia, uma espécie de desespero em face do que existe, que não permite esperar que o mesmo ser possa participar do acto, ou tornar-se acto.
A cristologia de João e dos símbolos vai muito além no seu radicalismo, ao reconhecer o próprio ser como acto, dizendo: Jesus é a sua obra. E por trás disto não se encontra um homem, Jesus, com o qual nada propriamente tenha acontecido. A sua existência é pura actualitas do "de" e "para". Exactamente no facto de não ser mais separável da sua actualitas, esta existência coincide com Deus, sendo ao mesmo tempo o homem exemplar, o homem do futuro através do qual se revela o quanto o homem ainda é o ser futuro, ausente; o quão pouco ainda começou a ser ele próprio. Compreendido isto, torna-se evidente por que Fenomenologia e análises existenciais, por úteis que sejam, não podem bastar para a Cristologia. Elas não descem bastante fundo porque deixam intacto o domínio da existência propriamente dita.

IV. Caminhos da Cristologia

1. Teologia da Encarnação e da Cruz

Os esclarecimentos até aqui alcançados abrem caminho às teses fundamentais da Cristologia ainda não abordadas. Na história da fé cristã, na reflexão sobre Jesus, desenvolveram-se duas linhas, nascendo uma da outra: a teologia da Encarnação, que nasceu do pensamento grego, dominando na tradição católica do Oriente e do Ocidente, e a teologia da cruz que, vinculada a Paulo e às formas mais antigas da fé cristã, irrompeu decididamente no pensamento da Reforma. A primeira fala do ser e gira em torno do facto de um homem ser Deus, com o que, simultaneamente, Deus é homem; este facto espantoso torna-se-lhe o elemento decisivo. Todos os demais acontecimentos posteriores empalidecem diante deste acontecimento da identidade de homem e Deus, da encarnação de Deus. Face a isto o resto não pode passar de secundário. O entrelaçar de Deus e homem surge como o realmente decisivo, o salvífico, como o lídimo futuro do homem, para o qual, finalmente, todas as linhas devem convergir.

A teologia da cruz, ao contrário, não quer deter-se em semelhante ontologia; em vez disto, fala do acontecimento; segue o testemunho inicial que ainda não indagava sobre o ser, mas sobre o agir de Deus na cruz e na ressurreição, que venceu a morte, e comprovou Jesus como o Senhor e a esperança da humanidade. Dos respectivos pontos de partida resulta a tendência diferenciada: a Teologia da encarnação tende a uma visão estática e otimista. O pecado do homem facilmente toma a feição de uma etapa de passagem, de importância bastante secundária. O decisivo não é o homem no pecado, a ser curado: o que é decisivo ultrapassa em muito a uma tal reparação do passado e, se coloca no rumo do entrecruzar-se de homem e Deus. Em contraposição, a teologia da Cruz conduz a uma concepção dinâmico-atuante, cosmo-crítica do cristianismo, que compreende o facto somente como ruptura, descontínua e sempre a reaparecer, na auto-segurança e na auto-certeza do homem e das suas instituições, inclusive da Igreja.

Quem, de algum modo, conservar diante dos olhos estas duas grandes formas cristãs de auto-compreensão, não se sentirá tentado a sínteses simplificadoras. Em ambas as formas estruturais básicas, teologia da Encarnação e da Cruz, estão delineadas polaridades as quais não se podem omitir, com vistas a uma simples síntese, sem que se perca o que ambas têm de decisivo; devem continuar presentes como polaridades que se corrigem mutuamente e somente permanecendo em sua relação mútua e que apontam para o conjunto. Contudo, através das nossas considerações deveria transparecer algo assim como a unidade última de ambos os movimentos, unidade que tornasse a ambos possíveis como polaridade, e impedisse que se dissolvessem como antíteses. Constatamos com efeito que o ser de Cristo (teologia de encarnação!) é actualitas, é saída de si, êxodo; não é um ser a repousar em si, mas o acto do ser enviado, da filiação, do serviço. E vice-versa: esse agir não é mero agir, mas ser; desce às raízes do ser e identifica-se com ele. Esse ser é êxodo, transformação. Portanto, uma teologia do ser e da encarnação bem compreendida forçosamente desembocará na teologia da cruz, tornando-se uma com ela; vice-versa, uma teologia da cruz, que avalie totalmente a sua dimensão, forçosamente se tornará teologia do Filho e do ser.

(cont)

joseph ratzinger, Tübingen, verão de 1967.

(Revisão da versão portuguesa por ama)






03/06/2016

Comparar Papas?

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Por vezes alguns textos ou intervenções sobre o Papa Francisco, parecem sub-repticiamente e às vezes até declaradamente, querer fazer comparações com outros Papas, sobretudo os seus antecessores mais directos.

Passe a desproporção da comparação, faz-me lembrar um pouco o “endeusamento” da Mãe do Céu, face ao seu Filho Jesus Cristo, ao próprio Deus, que alguns "praticam".
Parece-me sempre ouvir, (no coração, claro), a Virgem Maria, protestando, indignando-se, com tal modo de a venerar, pois Ela em tudo apenas quer apontar sempre para Cristo.

Confusa a comparação com as duas situações?

Talvez, mas onde quero chegar é que se alguém perguntasse ao Papa Francisco se tudo o que ele faz e diz é para ser “melhor” ou até para “criticar” os seus antecessores, tenho a certeza, a absoluta convicção, de que a sua indignação seria total, e ele diria sem margem para dúvidas que é apenas e só um continuador, no tempo, (outro tempo), e no espaço, (outro espaço), de tudo o que os «Pedros» ao longo do tempo foram fazendo na e em Igreja, iluminados pelo Espírito Santo.

Que coisa tão comezinha nos atinge na nossa humanidade, o querer comparar o que não é comparável, o querer colocar em confronto pessoas que afinal apenas têm e vivem o mesmo extraordinário objectivo: Ser de Cristo, para com Cristo, em Cristo e para Cristo, “mandatados” por Cristo, iluminados pelo Espírito Santo, cheios do infinito amor do Pai, serem Igreja de Cristo.

Todo o seu objectivo e toda a sua acção é continuar, é unir, é comungar, é ser realmente Igreja, e toda e qualquer interpretação que se queira dar das suas palavras, das suas acções, agora e anteriormente, que queira fazer comparações com o antes e o agora, que seja vista como crítica ou posição contrária ao “antes”, que divida, enfim, em vez de unir, é realmente uma “ofensa” à sua entrega em Igreja a Deus.

Procuremos antes ouvir, aprender, reflectir, discernir e seguir o que Francisco nos diz, porque mesmo sendo ele a dizê-lo, é sempre Pedro, Paulo, João Paulo, Bento e todos os outros Sucessores de Pedro que o dizem, para glória de Deus e salvação dos homens.


Marinha Grande, 2 de Junho de 2016
Joaquim Mexia Alves
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Sagrado Coração de Jesus

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Sagrado Coração de Jesus

No teu infinito amor o Teu Sagrado Coração estremece constantemente pelos homens Teus irmãos.

Coração doce e compassivo;
Coração que ama sem peso nem medida;
Coração que é refúgio seguro nas tormentas e dificuldades da vida;
Coração aberto pela lança soldado e que nunca mais deixou de emanar o sangue que vivifica a água que sacia.

Coração amoroso de Jesus dai-me um coração igual ao Vosso.

(ama, reflexões, 03.06.2016)

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma tradição muito antiga.

Em casa dos meus Pais, como era costume em famílias cristãs, um quadro votivo ao Sagrado Coração ocupava lugar proeminente, normalmente na sala de família.

Sempre adornado com uma pequena jarra com flores frescas substituídas todas as semanas era para todos os da casa uma referência de suma importância como que a lembrar que aquela casa era Sua pertença e estava sob a Sua protecção.
Ainda hoje lá está e sempre que por ali passo não deixo de dizer-lhe – como a minha querida Mãe me ensinou em criança – Sagrado Coração de Jesus fazei que o meu coração seja igual ao Vosso.
São costumes antigos!
Pois são, mas deveriam ser de sempre!


(ama, comentário sobre Lc 15, 3-7, 2016.04.02)