20/07/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em Jul 20

O que pode ver em NUNC COEPI em Jul 20

São Josemaria – Textos

AMA - Reflectindo – Saudades

AMA - Comentários ao Evangelho Mt 12 38-42, Amigos de Deus (S. Josemaria), São Josemaria Escrivá

Aborto, Defesa da vida


Agenda Segunda-Feira

Defesa da vida

Questões sobre o aborto

…/5

A sociedade tem, pois, tomado consciência de que, perante determinados males, é preciso intervir legalmente para salvaguardar direitos humanos elementares.
Se este caminho da justiça é considerado um avanço na vida dos povos, pois visa proteger seres indefesos, por que razão no caso do aborto se pretende que a lei abandone um âmbito onde o desfecho termina com a morte de um inocente e uma menor sensibilidade perante o carácter único da vida humana?
Não seria o momento de pensar seriamente no estatuto jurídico do embrião?

Apenas um factor de “curiosidade”: na Encíclica sobre o Evangelho da vida, João Paulo II chamava a atenção para o facto de que, com este argumento, se pretende uma autonomia total da consciência para abortar, ao mesmo tempo que se exige aos legisladores e políticos a abdicação da sua consciência que deve submeter-se sem reservas ao que a maioria aprove.

Contradições à volta da consciência...

Em resumo, pretender que o aborto deva ficar reduzido a uma questão de moral privada não corresponde ao modo como se lida com assuntos até de menor alcance social.
A expressão soa bem aos ouvidos, porque sem dúvida apela à responsabilidade, mas é incompleta: o aborto é uma questão de consciência pessoal, mas tem uma gigantesca dimensão social. Há muita gente que, sensatamente, prefere viver numa sociedade em que se protegem os mais fracos.


Fonte: ALETEIA, p. joão paulo pimentel

Evangelho, comentário, L. Espiritual



Tempo comum XVI Semana


Evangelho: Mt 12, 38-42

38 Então replicaram-Lhe alguns dos escribas e fariseus, dizendo: «Mestre, nós desejávamos ver algum prodígio Teu». 39 Ele respondeu-lhes: «Esta geração má e adúltera pede um prodígio, mas não lhe será dado outro prodígio senão o prodígio do profeta Jonas. 40 Porque, assim como Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra. 41 Os habitantes de Nínive se levantarão no dia do juízo contra esta geração, e a condenarão, porque se converteram com a pregação de Jonas. Ora aqui está Quem é mais do que Jonas. 42 A rainha do Meio-Dia levantar-se-á no dia do juízo contra esta geração e a condenará, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora aqui está Quem é mais do que Salomão.

Comentário:

Não pode haver maior clareza nas palavras de Jesus:

Ele, a Misericórdia Infinita anuncia a condenação da geração do Seu tempo.

Não a condena, Ele, mas anuncia-lhes que se condenam a eles próprios se persistirem naquela cegueira voluntária.

E o que vale para os homens daquele tempo vale para todos os homens de todos os tempos!

(AMA, comentário sobre Mt 12, 38-42, 2010.07.20)



Leitura espiritual



São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

151
        
Os paus pintados de vermelho

Ficaram bem gravados na minha cabeça de menino aqueles sinais que, nas montanhas da minha terra, colocavam nas bermas dos caminhos.
Chamaram-me a atenção uns paus altos, geralmente pintados de vermelho.
Explicaram-me então que, quando a neve cai e cobre os caminhos, sementeiras e pastos, bosques, rochedos e barrancos, essas estacas saltam à vista como pontos de referência seguros.
E assim toda a gente sabe sempre por onde vai o caminho.

Na vida interior acontece uma coisa parecida.
Há primaveras e verões, mas também chegam os invernos, dias sem sol e noites órfãs de lua.
Não podemos permitir que a intimidade com Jesus Cristo dependa do nosso estado de espírito ou das mudanças do nosso carácter.
Essas atitudes são sinal de egoísmo, de comodismo e, evidentemente, não se coadunam com o amor.

Por isso, nos momentos de nevão e de borrasca, algumas práticas de piedade sólidas, nada sentimentais, bem arreigadas e ajustadas às circunstâncias próprias de cada um, serão como os tais paus pintados de vermelho, que continuam a marcar-nos o rumo, até que o Senhor decida que brilhe de novo o sol, se derreta o gelo e o coração volte a vibrar, inflamado com um fogo que, na realidade, nunca esteve apagado - foi apenas um rescaldo oculto pela cinza de uma temporada de provação, de menos empenho ou de reduzido sacrifício.

152
         
Não oculto que, ao longo destes anos, houve quem viesse ter comigo e me dissesse, compungido pela dor: Padre, não sei o que se passa comigo, sinto--me cansado e frio; a minha piedade, que dantes era tão segura e simples, parece-me uma comédia...
Pois aos que passam por essa situação e a todos vós respondo: uma comédia?
Magnífico!
O Senhor está a brincar connosco como um pai com os filhos.

Lê-se na Escritura: Iudens in orbe terrarum, que Ele brinca em toda a superfície da terra.
Mas Deus não nos abandona, porque imediatamente acrescenta: deliciæ meæ esse cum filiis hominum, a minha delícia é estar com os filhos dos homens.
O Senhor brinca connosco.
E quando nos parecer que estamos a representar uma comédia, por nos sentirmos gelados e apáticos, quando estivermos aborrecidos e sem vontade de fazer nada, quando nos custar cumprir o nosso dever e alcançar as metas espirituais que nos tínhamos proposto, é altura de pensar que Deus brinca connosco e espera então que saibamos representar a nossa comédia com galhardia.

Não me importo de vos contar que, em algumas ocasiões, o Senhor me concedeu muitas graças, mas que geralmente vou a contrapelo.
Prossigo o meu plano de vida, não porque me agrade, mas porque devo fazê-lo por Amor.
Mas, Padre, pode-se representar uma comédia diante de Deus?
Não será uma hipocrisia?
Não te inquietes, pois chegou para ti o momento de entrares numa comédia humana que tem um espectador divino.
Persevera, pois o Pai, o Filho e o Espírito Santo assistem a essa tua comédia.
Faz tudo por amor de Deus, para lhe agradar, mesmo que te custe.

Que bonito é ser jogral de Deus!
Como é belo representar essa comédia por Amor, com sacrifício, sem nenhuma satisfação pessoal, para agradar ao nosso Pai Deus, que brinca connosco!
Põe-te diante do Senhor e diz-lhe confiadamente: não me apetece nada fazer isto, mas oferecê-lo-ei por Ti.
E ocupa-te a sério desse trabalho, ainda que penses que é uma comédia.
Abençoada comédia!
Garanto-te que não se trata de hipocrisia, porque os hipócritas, para os seus fingimentos, necessitam de público.
Pelo contrário, os espectadores desta nossa comédia, deixa-me repetir-to, são o Pai, o Filho e o Espírito Santo; a Virgem Santíssima, S. José e todos os Anjos e Santos do Céu.
Na nossa vida interior não há outro espectáculo senão esse: é Cristo que passa quasi in occulto, ocultamente.

153
        
Iubilate Deo.
Exsultate Deo adiutori nostro.
Louvai a Deus.
Exultai de alegria no Senhor, nossa única ajuda.
Jesus, quem não compreende isto, não conhece nada de amores, nem de pecados, nem mesmo de misérias!
Eu sou um pobre homem e entendo de pecados, de amores e de misérias.
Sabeis o que é elevar-se até ao coração de Deus?
Compreendeis o que é uma alma pôr-se diante do Senhor, abrir-lhe o coração e contar-lhe as suas queixas?
Eu queixo-me, por exemplo, quando leva para junto d'Ele gente nova, que ainda o poderia servir e amar muitos anos na terra, porque não consigo compreender isso.
Mas são gemidos de confiança, pois sei que, se me afastasse dos braços de Deus, logo a seguir tropeçaria.
Por isso, acrescento imediatamente, devagar, enquanto aceito os desígnios do Céu: faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. Amen. Amen.

Este é o modo de proceder que nos ensina o Evangelho, a habilidade mais santa e a fonte de eficácia no apostolado; este é o manancial do nosso amor e da nossa paz de filhos de Deus, a via pela qual podemos transmitir aos homens carinho e serenidade.
Só assim conseguiremos acabar os nossos dias no Amor, tendo santificado o nosso trabalho, procurando aí a felicidade escondida das coisas de Deus.
Conduzir-nos-emos com a santa desvergonha das crianças e rejeitaremos a vergonha - a hipocrisia - dos adultos, que receiam voltar para o Pai, depois do fracasso de uma queda.

Termino com a saudação do Senhor que se lê hoje no Santo Evangelho: pax vobis!
A paz seja convosco...
E encheram-se de alegria os discípulos, ao ver o Senhor, esse Senhor que nos acompanha até ao Pai.

154
        
Aqui estamos, consummati in unum, em unidade de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo de conversa com o Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes nas suas mãos.
Diante de Jesus Sacramentado - como gosto de fazer um acto de fé explícita na presença real do Senhor na Eucaristia! - fomentai nos vossos corações o desejo de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que chegue a todos os lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde houver alguém gastando a sua existência ao serviço de Deus e das almas.
Com efeito, graças à inefável realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários - cooperadores, diz S. João - na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor.

É lógico que pensemos no nosso modo de imitar o Mestre; que nos detenhamos a reflectir sobre isso, para aprendermos directamente da vida do Senhor algumas das virtudes que devem resplandecer na nossa conduta, se aspiramos deveras a estender o reinado de Cristo.

155
         
A prudência, virtude necessária

Na passagem do Evangelho de S. Mateus da missa de hoje, lemos: tunc abeuntes pharisæi, consilium inierunt ut caperent eum in sermone, reuniram-se os fariseus a fim de combinarem entre si como poderiam apanhar Jesus nas suas palavras.
Não esqueçais que este sistema, próprio dos hipócritas, continua a ser táctica corrente no nosso tempo.
Julgo que a erva má dos fariseus nunca se extinguirá do mundo; tem gozado sempre de uma prodigiosa fecundidade.
Talvez o Senhor permita que ela cresça para nos tornar prudentes, a nós, seus filhos, porque a virtude da prudência é imprescindível para quem quer que tenha de dar critério, de fortalecer, de corrigir, de animar, de alentar os outros.
Aliás, qualquer cristão deve actuar em relação aos que o rodeiam precisamente assim, como apóstolo, aproveitando as circunstâncias do seu trabalho quotidiano.

Levanto neste momento o coração a Deus e peço, por mediação da Virgem Santíssima - que está na Igreja, mas sobre a Igreja: entre Cristo e a Igreja, para proteger, reinar e ser Mãe dos homens, como o é de Jesus, Senhor Nosso-; peço que conceda a prudência a todos nós, mas especialmente àqueles que, metidos na torrente circulatória da sociedade, desejam trabalhar por Deus.
Realmente, convém-nos aprender a ser prudentes.

156
         
Continua o episódio evangélico: e enviaram discípulos seus (dos fariseus) juntamente com alguns herodianos, que lhe disseram: Mestre.... vede com que intenção retorcida lhe chamam Mestre; fingem-se admiradores e amigos, dão-lhe um tratamento reservado à autoridade de quem se espera receber ensinamentos.
Magister, scimus quia verax es, sabemos que és verdadeiro...
Que astúcia tão infame!
Já vistes maior duplicidade?
Andai por este mundo com cuidado.
Não sejais desconfiados; mas deveis sentir sobre os vossos ombros - recordando a imagem do Bom Pastor que aparece nas catacumbas - o peso dessa ovelha, que não é uma alma apenas, mas a Igreja inteira, a Humanidade inteira.

Ao mesmo tempo que aceitais com brio esta responsabilidade, haveis de ser audazes e haveis de ser prudentes para defender e proclamar os direitos de Deus.
E então, pela integridade do vosso comportamento, muitos vos considerarão e vos chamarão mestres, sem vós o pretenderdes, pois não procuramos a glória terrena.
Mas não estranheis se, entre tantos que se aproximam de vós, se infiltrarem alguns que só pretendem adular-vos.
Gravai nas vossas almas o que me tendes ouvido repetidas vezes: nem as calúnias, nem as murmurações, nem os respeitos humanos, nem o que dirão, nem muito menos os louvores hipócritas nos hão-de impedir jamais de cumprir o nosso dever.

(cont)



Reflectindo - 95

Saudades


Parece que só a língua portuguesa tem esta palavra única para significar a vontade, o desejo de voltar a viver algo que se viveu num passado, rever uma pessoa que está afastada, enfim, sentir a falta de algo ou alguém que naturalmente guardamos na memória como algo bom de que gostámos.

Noutros idiomas para exprimir este sentimento tem de usar-se uma frase composta. Realmente, em português as coisas são mais simples.
E exactamente por ser simples, descrever o sentimento que representa pode ser complexo e difícil.

Por isso mesmo quase sempre se usa a palavra sem acrescentar nada mais porque ela já diz tudo quanto precisamos para descrever um estado de alma.

A saudade pode ser algo condicionante e esmagador sendo necessário exercer um controlo sério para que não tome demasiado vulto ou atinja níveis emocionais que terão sempre uma consequência: o mergulhar na tristeza., desesperança, abandono.

Depois, se não se actua a tempo, vem a auto-comiseração, o sentir-se o centro e único protagonista digno de toda a atenção, carinho, solidariedade.

Tende-se assim, em plano perigosamente inclinado, para o amor-próprio e, finalmente o orgulho.

Não se conclui que a saudade seja um defeito, de modo nenhum, mas pode converter um sentimento nobre numa sujeição pessoal torpe e sem mérito.

É aqui principalmente que se deve redobrar a atenção de forma a impedir a que esse sentimento atinja proporções grandes demais para o equilíbrio emocional da pessoa.


(cont)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



19/07/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em Jul 19

O que pode ver em NUNC COEPI em Jul 19

São Josemaria – Textos

D. Javier Echevarria

AMA - Comentários ao Evangelho Mc 6 30-34, Amigos de Deus (S. Josemaria), São Josemaria Escrivá

Aborto, Defesa da vida


Agenda Domingo

Pequena agenda do cristão



DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé.

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Defesa da vida

Questões sobre o aborto

…/4


Uma questão adicional.

A sociedade tem vindo a aumentar a sensibilidade para intervenções legais que, noutros tempos, eram consideradas alheias ao seu âmbito de actuação.

Por exemplo, a nível social, é cada vez mais unânime que a ingerência humanitária nalguns Estados é legítima e até moralmente obrigatória sob determinadas condições.

A soberania de um Estado - a sua consciência colectiva - não é necessariamente um valor intocável.

Também a nível familiar também é cada vez mais perceptível que há casos de violência doméstica, que ocorrem entre quatro paredes, onde a lei deve intervir.

O âmbito familiar não é absolutamente inviolável.


(cont)

Evangelho, comentário, L. Espiritual



Tempo comum XVI Semana


Evangelho: Mc 6, 30-34

30 Tendo os Apóstolos voltado a Jesus, contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado, 31 e Ele disse-lhes: «Vinde à parte, a um lugar solitário, e descansai um pouco». Porque eram muitos os que iam e vinham e nem sequer tinham tempo para comer. 32 Entrando, pois, numa barca, retiraram-se à parte, a um lugar solitário. 33 Porém, viram-nos partir, e muitos perceberam para onde iam e acorreram lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram primeiro que eles. 34 Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor, e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Comentário:


Espanta, ainda hoje, depois de ter ouvido, lido e meditado tantas vezes estas cenas do Evangelho, espanta, dizia, constatar como naquele tempo as pessoas já corriam atrás de Cristo.
Então, mal O conheciam e a fama das Suas obras extraordinárias e a esperança de serem curadas dos seus males eram o motivo principal que as arrastava.

E, hoje?

Os motivos são os mesmos e, também, a ânsia de encontrar refúgio, paz, consolo, caminho, verdade e vida atrai as pessoas.

(ama, comentário sobre Mc 6, 30-34, 2012.07.22)


Leitura espiritual



São Josemaria Escrivá

Amigos de Deus

  
146
        
Piedade, intimidade de filhos

A piedade que nasce da filiação divina é uma atitude profunda da alma, que acaba por informar toda a existência: está presente em todos os pensamentos, em todos os desejos, em todos os afectos.
Não tendes visto como, nas famílias, os filhos, mesmo sem repararem, imitam os pais: repetem os seus gestos, seguem os seus costumes, se parecem com eles em tantos modos de comportar-se?

Pois o mesmo acontece na conduta de um bom filho de Deus.
Chega-se também, sem se saber como nem por que caminho, a esse endeusamento maravilhoso que nos ajuda a olhar os acontecimentos com o relevo sobrenatural da fé; amam-se todos os homens como o nosso Pai do Céu os ama e - isto é o que mais importa - consegue-se um brio novo no esforço quotidiano para nos aproximarmos do Senhor.
As misérias não têm importância, insisto, porque aí estão ao nosso lado os braços amorosos do nosso Pai Deus para nos levantar.

Se reparardes bem, é muito diferente a queda de uma criança e a queda de uma pessoa crescida.
Para as crianças, uma queda, em geral, não tem importância; tropeçam com tanta frequência!
E se começam a chorar, o pai lembra-lhes: os homens não choram. Assim se encerra o incidente com o empenho do miúdo por contentar o seu pai.

Vede, pelo contrário, o que acontece quando um homem adulto perde o equilíbrio e cai no chão.
Se não fosse por compaixão, provocaria hilaridade, riso.
Mas, além disso, a queda talvez tenha consequências graves e, num ancião, pode mesmo produzir uma fractura irreparável.
Na vida interior, a todos nos convém ser quasi modo geniti infantes, como esses miuditos que parecem de borracha, que se divertem até com os seus trambolhões, porque imediatamente se põem de pé e continuam com as suas correrias e também porque não lhes falta, quando é precisa, a consolação dos pais.

Se procurarmos portar-nos como eles, os tropeções e os fracassos - aliás inevitáveis - na vida interior, nunca se transformarão em amargura.
Reagiremos com dor, mas sem desânimo, e com um sorriso que brota, como a água límpida, da alegria da nossa condição de filhos desse Amor, dessa grandeza, dessa sabedoria infinita, dessa misericórdia, que é o nosso Pai.
Aprendi durante os meus anos de serviço ao Senhor a ser filho pequeno de Deus.
E isto vos peço: que sejais quasi modo geniti infantes, meninos que desejam a palavra de Deus, o pão de Deus, o alimento de Deus, a fortaleza de Deus para se comportarem de agora em diante, como homens cristãos.

147
         
Que sejais, espiritualmente, muito crianças!
Quanto mais, melhor.
Di-lo a experiência deste sacerdote que teve de se levantar muitas vezes, ao longo destes trinta e seis anos (que longos e ao mesmo tempo, que curtos me parecem!) em que tem procurado cumprir uma Vontade precisa de Deus.
Houve uma coisa que sempre me ajudou: ser sempre criança e meter-me continuamente no regaço de minha Mãe e no Coração de Cristo, meu Senhor.

As grandes quedas, as que causam destroços sérios na alma, e às vezes com resultados quase irremediáveis, procedem sempre da soberba de nos crermos adultos, auto-suficientes.
Nesses casos, torna-se predominante na pessoa uma espécie de incapacidade de pedir ajuda a quem a pode dar: não só a Deus, mas também ao amigo ou ao sacerdote.
E aquela pobre alma, isolada na sua desgraça, afunda-se na desorientação e no descaminho.

Peçamos a Deus, agora mesmo, que nunca permita que nos sintamos satisfeitos, que aumente sempre em nós a ânsia do seu auxílio, da sua Palavra, do seu Pão, do seu consolo, da sua fortaleza: rationabile, sine dolo lac concupiscite.
Fomentai a fome, a aspiração de ser como crianças. Convencei-vos de que é a melhor forma de vencer a soberba.
Persuadi-vos de que é o único remédio para que a nossa maneira de actuar seja boa, grande, divina.
Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e vos tornardes como meninos, não entrareis no reino dos céus.

148
        
Vêm-me de novo à memória as recordações da minha juventude.
Que demonstração de fé!
Ainda julgo ouvir o cantar litúrgico, respirar o aroma do incenso, ver milhares de milhares de homens, cada um com um grande círio, como que simbolizando a sua miséria, mas com coração de meninos: como crianças que talvez não se atrevam a levantar os olhos para a cara do pai.
Reconhece e compreende que má e amarga coisa é para ti o teres abandonado o Senhor teu Deus.
Renovemos a firme decisão de nunca nos afastarmos do Senhor por causa dos interesses terrenos. Façamos crescer a sede de Deus, com propósitos concretos para a nossa vida: como crianças que reconhecem a sua indigência e procuram e chamam incessantemente o Pai.

Mas volto àquilo que antes estava a comentar.
Precisamos de aprender a portar-nos como crianças, precisamos de aprender a ser filhos de Deus.
E, simultaneamente, ir transmitindo aos outros essa mentalidade que, no meio das naturais fraquezas, nos tornará fortes na fé, fecundos nas obras, seguros no caminho, de tal forma que, seja qual for a espécie de erro que possamos cometer, mesmo o mais desagradável, nunca hesitaremos em reagir e em voltar ao caminho da nossa filiação divina, que nos leva aos braços abertos e expectantes do nosso Pai, Deus.

Qual de vós não se lembra dos braços de seu pai?
Provavelmente não seriam tão carinhosos, tão meigos e delicados como os da mãe.
Mas aqueles braços robustos, fortes, apertavam-nos com calor e com segurança.
Senhor, obrigado por esses braços duros!
Obrigado por essas mãos fortes!
Obrigado por esse coração terno e firme!
E ia agradecer-Te também os meus erros!
Mas isso não, porque não os queres!
No entanto, compreende-los, desculpa-los, perdoa-los.

Esta é a sabedoria que Deus espera que vivamos nas relações com Ele, verdadeira manifestação de ciência matemática: reconhecer que somos um zero à esquerda...
Mas o nosso Pai Deus ama-nos a cada um de nós, tal como somos! Eu, que não passo de um pobre homem, gosto de cada um de vós tal como sois; imaginai como será o Amor de Deus, se lutarmos, se nos empenharmos em viver de acordo com a nossa consciência bem formada.

149
         
Plano de vida

Ao examinarmos como é e como devia ser a nossa piedade, em que pontos determinados devia melhorar a nossa relação pessoal com Deus, se me entendestes, afastareis a tentação de imaginar façanhas insuperáveis, porque tereis descoberto que o Senhor se contenta com que lhe ofereçamos pequenas provas de amor em cada momento.

Procura cingir-te a um plano de vida com constância: alguns minutos de oração mental; a assistência à Santa Missa, diária, se te é possível, e a Comunhão frequente; o recurso regular ao Santo Sacramento do Perdão, ainda que a tua consciência não te acuse de qualquer pecado mortal; a visita a Jesus no Sacrário; a recitação e a contemplação dos mistérios do terço e tantas outras práticas excelentes que conheces ou podes aprender.


Mas estas práticas não se deverão transformar em normas rígidas ou em compartimentos estanques.
Indicam um itinerário flexível, acomodado à tua condição de homem que vive no meio da rua, com um trabalho profissional intenso e com deveres e relações sociais que não podes descuidar, porque é nessas ocupações que prossegue o teu encontro com Deus.
O teu plano de vida há-de ser como uma luva de borracha que se adapta perfeitamente à mão de quem a usa.

Não te esqueças também de que o que é importante não é fazer muitas coisas; limita-te com generosidade àquelas que possas cumprir no dia-a-dia, quer te apeteça quer não.
Essas práticas conduzir-te-ão, quase sem reparares, à oração contemplativa.
Brotarão da tua alma mais actos de amor, jaculatórias, acções de graças, actos de desagravo, comunhões espirituais.
E tudo isto, enquanto te ocupas das tuas obrigações: ao pegar no telefone, ao subir para um meio de transporte, ao fechar ou abrir uma porta, ao passar diante de uma igreja, ao começar um novo trabalho, ao executá-lo e ao concluí-lo.
Referirás tudo ao teu Pai Deus.

150
         
Descansai na filiação divina.
Deus é um Pai cheio de ternura, de amor infinito.
Chama-lhe Pai muitas vezes durante o dia e diz-lhe - a sós, na intimidade do teu coração - que o amas, que o adoras, que sentes o orgulho e a força de seres seu filho.
Tudo isto pressupõe um autêntico programa de vida interior, que é preciso canalizar através das tuas relações de piedade com Deus - poucas, mas constantes, insisto - que te permitirão adquirir os sentimentos e as maneiras de um bom filho.

Devo prevenir-te, no entanto, contra o perigo da rotina - verdadeiro sepulcro da piedade - a qual se apresenta frequentemente disfarçada com ambições de realizar ou empreender gestas importantes, enquanto se descuida comodamente a devida ocupação quotidiana.
Quando notares essas insinuações, põe-te diante do Senhor com sinceridade.
Pensa se não te terás aborrecido de lutar sempre nas mesmas coisas, porque na realidade não estavas à procura de Deus.
Vê se não terá decaído a tua perseverança fiel no trabalho, por falta de generosidade, de espírito de sacrifício.
Nesse caso, as tuas normas de piedade, as pequenas mortificações, a actividade apostólica que não produz fruto imediato parecem-te tremendamente estéreis.
Estamos vazios e talvez comecemos a sonhar com novos planos, para calar a voz do nosso Pai do Céu, que exige de nós uma lealdade total. E, com um pesadelo de grandezas na alma, lançamos no esquecimento a realidade mais certa, o caminho que sem dúvida nos conduz direitos à santidade.
Aí temos um sinal evidente de que perdemos o ponto de vista sobrenatural, a convicção de que somos meninos pequenos, a persuasão de que o nosso Pai fará em nós maravilhas, se recomeçarmos com humildade.

(cont)