27/05/2015

O que pode ver em NUN COEPI em 27 de Maio

São Josemaria – Vídeo

AMA - Meditações de Maio - 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 10 32-45, Ernesto Juliá Diaz

JMA (diálogos com o meu eu)


Agenda Quarta-Feira

São José Maria em Madrid (vídeo)


Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum VIII Semanas

Evangelho: Mc 10 32-45

32 Iam em viagem para subir a Jerusalém; Jesus ia diante deles. E iam perturbados e seguiam-n'O com medo. Tomando novamente à parte os doze, começou a dizer-lhes o que tinha de Lhe acontecer: 33 «Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes e aos escribas; eles O condenarão à morte e O entregarão aos gentios; 34 e O escarnecerão, Lhe cuspirão, O açoitarão, e Lhe tirarão a vida. Mas ao terceiro dia ressuscitará». 35 Então aproximaram-se d'Ele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo: «Mestre, queremos que nos concedas o que Te vamos pedir». 36 Ele disse-lhes: «Que quereis que vos conceda?». 37 Eles responderam: «Concede-nos que, na Tua glória, um de nós se sente à Tua direita e outro à Tua esquerda». 38 Mas Jesus disse-lhes: «Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que Eu vou beber, ou ser baptizados no baptismo com que Eu vou ser baptizado?». 39 Eles disseram-Lhe: «Podemos». Jesus disse-lhes: «Efectivamente haveis de beber o cálice que Eu vou beber e haveis de ser baptizados com o baptismo com que Eu vou ser baptizado; 40 mas, quanto a estardes sentados à Minha direita ou à Minha esquerda, não pertence a Mim concedê-lo, mas é para aqueles para quem está preparado». 41 Ouvindo isto, os dez começaram a indignar-se com Tiago e João. 42 Mas Jesus, chamando-os, disse-lhes: «Vós sabeis que aqueles que são reconhecidos como chefes das nações as dominam e que os seus príncipes têm poder sobre elas. 43 Porém, entre vós não deve ser assim, mas o que quiser ser o maior, será o vosso servo, 44 e o que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. 45 Porque também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida para redenção de todos».

Comentário:

Os dois discípulos compreendem perfeitamente que o fim está próximo e apressam-se a garantir o seu próprio futuro.
Isto é reprovável?
Sinceramente penso que não, bem pelo contrário mostram uma confiante intimidade com o Mestre e, ao mesmo tempo, uma simplicidade pessoal tão grandes que não pode deixar de comover-nos.
Querem os primeiros lugares e é o que pedem, ou anseiam por estar o mais perto possível de Cristo — mesmo a Seu lado — e é o que solicitam?

(ama, comentário sobre Mc 10, 32-45, 2013.05.29)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/3
       


o pai nosso


        Examinemos brevemente a riqueza que o Pai-nosso contém e a o mesmo tempo recordamos – entre outros – os comentários a esta oração se Santo Agostinho, de Orígenes, de Bento XVI, e os nn. 2777-2865 do Catecismo para os que desejem apreciar a verdade de pensamento ilimitada, de luzes, de sentidos, que as palavras do Pai-nosso provocaram e continuarão provocando até ao final dos tempos.

        Pai.

– Desde o começo da oração Cristo abre o espírito do homem à realidade de Deus que é Pai.
O homem dirige-se como filho a Deus desde o primeiro instante, reafirma ante si próprio a sua condição constitutiva cristã: ser filho de Deus em Cristo Jesus e goza em saber que Deus é seu Pai.
A oração do cristão é uma oração filial.

        Não estamos ante uma realidade impessoal que se pudesse denominar o «absoluto», o «ser supremo», «o eterno», «o infinito», ainda que esses termos filosóficos também se apliquem e com propriedade a Deus.
Com maior razão não nos apresentamos ante um símbolo – inventado por nós – das nossas aspirações mais recônditas.
Ao rezar o homem encontra-se com Deus Pai.

        Portanto não nos dirigimos a um ser estranho, inalcançável pelas limitadas forças humanas.
Um ser que nos contempla desde a lonjura da sua Omnipotência e que não tem nem procura estabelecer vinculação directa com os homens.

        São Paulo sabe muito bem a Quem dirige o seu coração e a sua inteligência, e pode assim escrever aos de Éfeso:
«Por isso dobro os meus joelhos ante o Pai de quem procede toda a paternidade no céu e na terra» [1].

        «A primeira palavra da Oração do Senhor é uma bên.ção de adoração antes de ser uma imploração.
Porque a Glória de Deus é que nós O reconheçamos como Pai, Deus verdadeiro.
Damos-lhe graças por nos ter revelado o Seu Nome, por nos ter concedido acreditar nele e por ter sido habitados pela Sua presença» [2].

        Nosso.

– Reafirmada a relação paterno-filial que cada criatura tem com Deus e que dá origem à sua capacidade para se dirigir a Deus com confiança, Nosso Senhor Jesus Cristo convida-nos a rezar dizendo: «Pai Nosso».
Porquê Pai Nosso e não Meu Pai?
Cristo quer dizer-nos que Ele reza em nós e connosco.

        Ao despedir-se dos Apóstolos sublinha a diferença com eles: «Vou para meu Pai e vosso Pai».
Agora, ao convidar-nos a orar, a sua Humanidade vincula-se com cada homem.
Mais, «é significativo que Lucas ponha o Pai-nosso em relação com a oração pessoal do próprio Jesus.
Ele torna-nos partícipes da sua própria oração, introduz-nos no diálogo interior do Amor trinitário, por assim dizer, eleva as nossas necessidades humanas até ao coração de Deus» [3].

        E esse orar ao Pai, com Cristo e em Cristo, transforma-nos.
Ratzinger acrescenta:
«Isto também significa que as palavras do Pai-nosso indicam a via para a oração interior, são orientações fundamentais para a nossa existência, pretendem conformar-nos à imagem do Filho» [4].

        E, ao mesmo tempo, assinala-nos que digamos: Pai-nosso, para que descubramos na paternidade de Deus a realidade e o significado da fraternidade entre nós, entre todos os homens.

        Somente a paternidade de Deus pode chegar a originar e estabelecer um profundo sentido de fraternidade entre os homens.
É no coração de Deus, no coração de Cristo, onde nós homens alcançamos amar a todos como Cristo os ama, a superar os ódios, os rancores, todas as causas de divisão entre nós originadas pelo pecado.

        O irmão do filho pródigo teria vencido o seu rancor e inveja para com o seu irmão se tivesse sabido ler o coração do seu pai, cheio de misericórdia e de amor.
Isto mesmo vivemos nós cristãos ao rezar o Pai-nosso.

        Que estás nos céus.

- A proximidade de Deus como Pai não excluía separação e certa distância da Divindade com respeito à suas criaturas.
Um distanciamento que Deus Pai, Filho e Espírito Santo colmataram vindo o Filho viver com o homem e que, ao mesmo tempo, o homem consciente de ser procurado por Deus não deve esquecer em nenhum momento.

        Cristo fala-nos em primeiro lugar – Pai Nosso -, da proximidade de Deus para que o coração do homem não se acobarde nem se atemorize e consiga dirigir-se a Deus Pai confiadamente em qualquer circunstância da sua vida.

        A consciência da proximidade-distanciamento de Deus e do abismo ontológico e vital que nos separa dele vivida na segurança do seu amor, da sua paternidade, facilita-nos reviver a consciência de ser criatura; consciência agradecida que aprecia com clareza os dons recebidos e a possibilidade de conhecer Deus no absoluto da sua transcendência.

        Santificado seja o teu nome.

        - Até este momento a oração foi um olhar que o homem dirige a Deus.

        Nesta petição Cristo convida-nos a que roguemos ao Pai que o desígnio de nos tornar partícipes da sua Santidade triunfe plenamente em nós e cheguemos a ser: «santos e imaculados na Sua presença, por amor» [5].
Deus dá-nos da sua «Glória», transmite-a a nós e o homem acolhe-a gozando na santificação do nome de Deus que se converte assim em verdadeira luz do mundo.

        A petição também comporta que mediante o trabalho e a acção dos homens o nome de Deus seja louvado, reconhecido e adorado por todos os homens e por toda a criação.

        Desta forma o homem dá toda a glória a Deus sem, por outros lado, esquecer que ao pedir a santificação do nome de Deus estamos a pedir a santificação do homem que tem lugar quando o homem acolhe gozosamente os dons que Deus lhe dá e recebendo esses dons partilha com Deus o gozo de Deus em dar.

        Venha a nós o teu Reino.

        - A petição do cristão que reza pela vinda do Reino tem um duplo sentido.
«Na Oração do Senhor trata-se principalmente da vinda final do Reino de Deus por meio do retorno de Cristo.
Mas esse desejo não distrai a Igreja da sua missão neste mundo antes a compromete.
Porque desde o Pentecostes a vinda do Reino é obra do Espírito do Senhor a fim de santificar todas as coisas levando à plenitude a sua obra no mundo» [6].

        Portanto esta petição é um clamor ao Pai para que o Reinado de Cristo em toda a criação seja uma realidade definitiva e efectiva no final dos tempos e, ao mesmo tempo, para que esse Reinado seja eficaz e real hoje e agora no coração e na vida dos cristãos que vivem «na verdade e a vida em santidade e a graça, na justiça, no amor e na paz», pela acção da Graça, do Espírito Santo, nas suas almas.
«A vocação do homem para a vida eterna não suprime antes reforça o seu dever de pôr em prática as energias e os meios recebidos do Criador para servir neste mundo a justiça e a paz» [7].

        Insistimos: esta é a glória de Deus tornar-nos partícipes da sua alegria e da sua paz.

       

       


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Ef 3, 15
[2] Catecismo, n. 2781
[3] Joseph Ratzinger, Jesús de Nazaret, o.c., p. 166
[4] Ibidem
[5] Ef 1, 4
[6] Catecismo, n. 2818
[7] Catecismo, n. 2820

Diálogos com o meu EU (15)

Sentes o vento?

Qual vento?

O vento que perdoa o pecado e afasta culpa, que retira o rancor e traz a serenidade, que acaba com a guerra e constrói a paz, que afasta o ódio e traz o amor, que mostra a Cruz e te faz crer na Ressurreição, que te dá conhecer o Pai e o Filho e te conduz à salvação!

Ah, esse vento! Esse vento é o Espírito Santo!

Marinha Grande, 18 de Maio de 2013
Joaquim Mexia Alves

.

Meditações de Maio 27

Lembro-me daquela senhora que a minha querida Mãe levou uma vez a Fátima.
Quando no regresso lhe perguntou se tinha gostado, ouviu a resposta:

‘Sabe… eu sou judia e portanto não conheço as vossas orações à Virgem Maria e, na “Capelinha” só me lembrei do hino de Fátima e, então, repeti vezes sem conto:
Avé Maria; Avé Maria; Avé Maria!

Acha que fiz bem’?

A minha Mãe respondeu: ‘Posso assegurar-lhe que Nossa Senhora gostou muito, mesmo muito da sua oração’!



(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

26/05/2015

O que pode ver em NUN COEPI em 30 de Maio

S. Josemaria - vídeo - Ter o amor de Deus

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 11 27-33, Ernesto Juliá Diaz

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 27- Art 5,São Tomás de Aquino


Agenda Sábado

O que pode ver em NUN COEPI em 26 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015


A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 10 28-31, Ernesto Juliá Diaz

Bento XVI - Pensamentos espirituais

Suma Teológica - Tratado da Vida de Cristo - Quest 27- Art 4,São Tomás de Aquino


Agenda Terça-Feira

Ressurreição

Ressuscitou! – Jesus ressuscitou. Não está no sepulcro. A Vida pôde mais do que a morte. Apareceu a Sua Mãe Santíssima. – Apareceu a Maria de Magdala, que está louca de amor. – E a Pedro e aos demais Apóstolos. – E a ti e a mim, que somos Seus discípulos e mais loucos do que Madalena! Que coisas Lhe dissemos!

Que nunca morramos pelo pecado; que seja eterna a nossa ressurreição espiritual. – E, antes de terminar a dezena, beijaste as chagas dos Seus pés... e eu, mais atrevido, – por ser mais criança – pus os meus lábios no Seu lado aberto. (Santo Rosário, 1º mistério de glória)

O dia do triunfo de Nosso Senhor, da sua Ressurreição, é definitivo. Onde estão os soldados que a autoridade tinha posto? Onde estão os selos que tinham colocado sobre a pedra de sepulcro? Onde estão os que condenaram o Mestre? Onde estão os que crucificaram Jesus?... Ante a sua vitória, produz-se a grande fuga dos pobres miseráveis. Enche-te de esperança: Jesus Cristo vence sempre. (Forja, 660)

Instaurare omnia in Christo, é o lema que S. Paulo dá aos cristãos de Éfeso: dar forma a tudo segundo o espírito de Jesus; colocar Cristo na entranha de todas as coisas: Si exaltatus fuero a terra, omnia traham ad meipsum: quando Eu for levantado sobre a terra, tudo atrairei a mim. Cristo, com a sua Encarnação, com a sua vida de trabalho em Nazaré, com a sua pregação e os seus milagres por terras da Judeia e da Galileia, com a sua morte na Cruz, com a sua Ressurreição, é o centro da Criação, Primogénito e Senhor de toda a criatura.

A nossa missão de cristãos é proclamar essa Realeza de Cristo; anunciá-la com a nossa palavra e com as nossas obras. O Senhor quer os seus em todas as encruzilhadas da Terra. A alguns, chama-os ao deserto, desentendidos das inquietações da sociedade humana, para recordarem aos outros homens, com o seu testemunho, que Deus existe. Encomenda a outros o ministério sacerdotal. À grande maioria, o Senhor quere-a no mundo, no meio das ocupações terrenas. Estes cristãos, portanto, devem levar Cristo a todos os ambientes em que se desenvolve o trabalho humano: à fábrica, ao laboratório, ao trabalho do campo, à oficina do artesão, às ruas das grandes cidades e às veredas da montanha.


Gosto de recordar a este propósito o episódio da conversa de Cristo com os discípulos de Emaús. Jesus caminha junto daqueles dois homens que perderam quase toda a esperança, de modo que a vida começa a parecer-lhes sem sentido. Compreende a sua dor, penetra nos seus corações, comunica-lhes algo da vida que Nele habita. Quando, ao chegar àquela aldeia, Jesus faz menção de seguir para diante, os dois discípulos retêm-No e quase O forçam a ficar com eles. Reconhecem-No depois ao partir o pão: – O Senhor, exclamam, esteve connosco! Então disseram um para o outro: Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração dentro de nós enquanto nos falava no caminho e nos explicava as Escrituras? Cada cristão deve tornar Cristo presente entre os homens; deve viver de tal maneira que todos com quem contacte sintam o bonus odor Christi, o bom odor de Cristo, deve actuar de forma que, através das acções do discípulo, se possa descobrir o rosto do Mestre. (Cristo que passa, 105)

Meditações de Maio 26



Quero falar-te como um filho pequeno, tão pequenino que tenhas de me levar ao colo.

E como não sei ainda falar muito bem balbucio apenas:

‘Mãe… minha querida Mãe’!





(ama, meditações de Maio, 2015)

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum VIII Semana

São Filipe de Néri

Evangelho: Mc 10 28-31

28 Pedro começou a dizer-lhe: «Eis que deixámos tudo e Te seguimos». 29 Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado a casa, os irmãos, as irmãs, o pai, a mãe, os filhos, ou as terras, por causa de Mim e do Evangelho, 30 que não receba o cêntuplo, mesmo nesta vida, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, e terras, juntamente com as perseguições, e no tempo futuro a vida eterna. 31 Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros».

Comentário:

O que neste trecho de São Marcos se fala é de prioridades na vida de cada um. Ter bem definido o que é de realmente importante e o que sendo-o aparentemente, é de facto acessório.

O que verdadeiramente deve interessar a cada ser humano é atingir o objectivo para o qual foi criado: a visão eterna da Face de Deus.

E não há outro caminho: seguir Jesus e fazê-lo com as condições que Ele próprio declara como necessárias e indispensáveis.

(ama, comentário sobre Mc 10, 28-31, 2014.03.04)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/2
       
2 - No contexto da resposta está implícita a consciência do homem da sua dependência de Deus.
Sendo criatura o homem sabe-se dependente de Deus, humana e sobrenaturalmente.
É uma dependência plenamente assumida e aceite e mais… agradecida.
A aceitação dessa dependência manifesta as raízes profundas da Esperança.

        «O Espírito Santo ensina-nos a celebrar a Liturgia esperando o regresso de Cristo, educa-nos para orar na esperança.
Inversamente, a oração da Igreja e a oração pessoal alimentam em nós a esperança.
Muito particularmente os salmos (…) ensinam-nos a fixar a nossa esperança em Deus» [1].

Nessa dependência de Deus e no viver a esperança o homem descobre a realidade da redenção e abre o seu espírito para receber a Graça.

        Nesta perspectiva o homem ora como criatura e como cristão filho de Deus em Cristo.

3 - A oração a aceitação do diálogo com Deus é impossível sem a caridade.
Ninguém confia nem se confia nem espera em alguém a quem não ama.
A oração é em si mesma um profundo acto de Caridade.

        Um acto de Caridade no qual reconhecemos Deus como Pai e o viver essa dependência converte a oração numa resposta filial à chamada paterna que Deus nos dirige sempre.

        «A esperança não falha porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» [2].

5 - A oração formada na vida litúrgica retira tudo do amor com que somos amados em Cristo e que nos permite responder amando como Ele nos amou.
O amor é a fonte da oração: quem bebe dela alcança o cume da oração» [3].

        Engendrada na Fé, aberta à Esperança e vivida na Caridade a oração do cristão é possível e a sua necessidade cresce na medida em que tomamos consciência actual da «participação da natureza divina» pela qual fomos enxertados em Cristo.

        Além disso, elevar o coração a Deus, filial, humilde e confiadamente, o simples facto de orar é também o caminho para descobrir com mais e mais profundidade a realidade de nos sabermos e sermos filhos de Deus.
Também porque ao orar pomos em prática o mandamento novo que Jesus Cristo nos deu de amar-nos uns aos outros como Ele nos amou.

        «’Se conhecesses o dom de Deus’ [4].
A maravilha da oração revela-se precisamente ali, junto do poço onde vamos buscar a nossa água: ali Cristo vai ao encontro de todo o ser humano, é o primeiro a procurar-nos e o que nos pede de beber: Jesus tem sede, a sua petição chega das profundidades de Deus que nos procura.
Saibamo-lo ou não, a oração é o encontro da sede de Deus e da sede do homem.
Deus tem sede que o homem tenha sede dele [5].[6]

        A sede de Deus e a sede do homem encontram-se numa conversação indefinível que resiste a qualquer tentativa de estruturação de forma definitiva e de uma vez por todas, não obstante as classificações e divisões que se podem fazer e que veremos brevemente mais adiante.
Uma conversação que pode versar sobre qualquer assunto humano e divino: o homem anseia conhecer Deus e Deus goza-se recebendo do homem a confidência sobre tudo o que o preocupa e interessa.

        Para alimentar esta sede e descobrir mais profundamente a sede de Deus, a leitura da Sagrada Escritura – palavra de Deus na história dos homens - é e sempre foi um alimento necessário para o espírito do cristão.

        Como de exemplo da variedade e amplitude dos modos de que a oração se pode revestir recolhemos estes parágrafos:

        «Escreveste-me: ‘orar é falar com Deus’. Mas de quê? – De quê?     Dele, de ti, alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias… fraquezas!: e acções de graças e petições: e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-lo e conhecer-te: relacionar-se [7] com Ele!» [8].

        São João Paulo II recorda: «A oração pode definir-se de muitas maneiras. Mas o mais frequente é chamá-la um colóquio, uma conversa, um entreter-se com Deus. Ao conversar com alguém não falamos somente mas também escutamos. Portanto a oração é também um escutar. Consiste em pôr-se a escutar a voz interior da graça. A escutar a chamada» [9].

        E São Josemaria Escrivá escreve: «Quando se quer de verdade desafogar o coração, se somos francos e simples, procuraremos o conselho de pessoas que nos amam, que nos entendem (…). Comecemos a conduzir-nos com Deus assim seguros de que Ele nos escuta e nos responde, e atendê-lo-emos e abriremos a nossa consciência a uma conversação humilde para Lhe referir confiadamente tudo quanto palpita na nossa cabeça e no nosso coração: alegrias, tristezas, esperanças, dissabores, êxitos, fracassos e até os mais pequenos detalhes do nosso dia. Porque comprovaremos que tudo o que é nosso interessa ao nosso Pai Celestial» [10].

        A oração vivida assim torna possível que o cristão descubra Cristo, Deus, no seu coração, em tudo o que o rodeia, em qualquer acontecimento que suceda à sua volta ou na história do mundo a chegará a viver «contemplando» Deus como fruto de se saber e se descobrir «filho de Deus».

        «A nossa condição de filhos de Deus levar-nos-á a ter espírito contemplativo no meio de todas as actividades humanas – luz, sal e levedura, pela oração, pela mortificação, pela cultura religiosa e profissional – tornando realidade este programa: quanto mais dentro do mundo estejamos tanto mais temos de ser de Deus» [11].


o pai nosso

        Ao ser solicitado pelos Apóstolos para que os ensinasse a orar, Jesus Cristo, depois de lhes recomendar que não falassem muito, porque «o vosso Pai sabe o que necessitais antes de lho pedirdes», disse-lhes:
«Vós, pois, orai assim: Pai Nosso que estás nos céus, santificado seja o teu Nome, venha o teu Reino; faça-se a tua Vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai-nos as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal» [12].

        Nunca sublinharemos bastante a importância do Pai-nosso sendo um ensinamento tão directo do Filho de Deus feito homem.

        São Tomás escreve:
«A oração dominical é a mais perfeita das orações (…). Nela não só pedimos tudo quanto podemos desejar com rectidão, como além disso, segundo a ordem que convém desejar. De modo que esta oração não só nos ensina a pedir como também forma toda a nossa afectividade» [13].

        Séculos antes Santo Agostinho tinha escrito:
Todas as outras palavras que digamos e as que o fervor precedente formula até adquirir clara consciência já que logo as considera para crescer, não dizem outra coisa mas sim o que se contém na oração dominical se  a rezamos bem e apropriadamente».
«Percorrei todas as orações que há nas Escrituras e não creio que possais encontrar algo que não esteja incluído na oração dominical» [14].

        Toda a oração que o homem dirige a Deus vem a ser, na realidade, como um Pai-nosso e ao mesmo tempo, o Pai-nosso encerra tudo quanto o homem pode pedir, considerar, adorar na oração a Deus.

        No Pai-nosso contêm-se os dois grandes sentidos da oração: primeiro, a chamada que Deus nos dirige e segundo, a procura de Deus que o homem prossegue em resposta à chamada.

        No Pai-nosso, na realidade, o homem pede a Deus que toda a nova vida que Cristo nos dá com a Graça se enxerte nele e assim comece a ser uma verdadeira «nova criatura».

        O Catecismo recorda:
«O Sermão da Montanha é doutrina de vida, a Oração dominical é oração mas em ambas o Espírito do Senhor dá nova forma aos nossos desejos, esses movimentos interiores que animam a nossa vida.
Jesus ensina-nos esta vida nova por meio das suas palavras e ensina-nos a pedi-la por meio da oração. Da rectidão da nossa oração dependerá a da nossa vida nele» [15].


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Catecismo, n. 2657
[2] Ro 5, 5
[3] Catecismo, n. 2658
[4] Jo 4, 10
[5] Santo Agostinho, quaest. 64, 4
[6] Catecismo, n. 2560
[7] Nota do autor do Blogue: Parece-me ser a tradução mais adequada do castelhano: tratarle.
[8] São Josemaria Escrivá, Caminho, 91
[9] São João Paulo II, audiencia, 8-XI-2005
[10] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, 245
[11] São Josemaria Escrivá, Forja, 740
[12] Mt 6, 9-13
[13] São Tomás de Aquino, Suma de Teologia, 2-2. 83. 9
[14] Santo Agostinho, Carta 130, a Proba, 12, 22
[15] Catecismo, n. 2764