18/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 18 de Maio


São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 16 20-33, Ernesto Juliá Diaz


Agenda Segunda-Feira


Ele é bom..., e Ele ama-te

Penas? Contradições por aquele acontecimento ou outro qualquer?... Não vês que é o que o teu Pai-Deus que o quer..., e Ele é bom..., e Ele ama-te – a ti só! – mais que todas as mães do mundo juntas podem amar os seus filhos? (Forja, 929)

Mas não esqueçamos que estar com Jesus é seguramente encontrar-se com a sua Cruz. Quando nos abandonamos nas mãos de Deus, é frequente que Ele permita que saboreemos a dor, a solidão, as contradições, as calúnias, as difamações, os escárnios, por dentro e por fora: porque quer conformar-nos à Sua imagem e semelhança e permite também que nos chamem loucos e que nos tomem por néscios.

É a altura de amar a mortificação passiva que vem – oculta, ou descarada e insolente – quando não a esperamos. Chegam a ferir as ovelhas com as pedras que deviam atirar-se aos lobos: quem segue Cristo experimenta na própria carne que aqueles que o deviam amar se comportam com ele de uma maneira que vai da desconfiança à hostilidade, da suspeita ao ódio. Olham-no com receio, como um mentiroso, porque não acreditam que possa haver relação pessoal com Deus, vida interior; em contrapartida, com o ateu e com o indiferente, geralmente rebeldes e desavergonhados, desfazem-se em amabilidades e compreensão.

E talvez Nosso Senhor permita que o Seu discípulo se veja atacado com a arma, que nunca é honrosa para aquele que a empunha, das injúrias pessoais; com lugares comuns, fruto tendencioso e delituoso de uma propaganda massificada e mentirosa... Porque o bom gosto e a cortesia não são coisas muito comuns.


Assim vai Jesus esculpindo as almas dos Seus, sem deixar de lhes dar interiormente serenidade e alegria, porque eles entendem muito bem que – com cem mentiras juntas – os demónios não são capazes de fazer uma verdade: e grava nas suas vidas a convicção de que só se sentirão bem quando renunciarem à comodidade. (Amigos de Deus, 301)

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Evangelho, comentário, L. Espiritual



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Jo 16 29-33

29 Os Seus discípulos disseram-Lhe: «Eis que agora falas claramente e não usas nenhuma parábola. 30 Agora conhecemos que sabes tudo e que não é necessário que alguém Te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus». 31 Jesus respondeu-lhes: «Credes agora?». 32 «Eis que vem a hora, e já chegou, em que sereis espalhados cada um para seu lado e em que Me deixareis só; mas Eu não estou só, porque o Pai está comigo. 33 Disse-vos estas coisas para que tenhais paz em Mim. Haveis de ter aflições no mundo; mas tende confiança, Eu venci o mundo».

Comentário:

Qual dos presentes terá dito estas palavras?
Alguém entre os que ouviam  Jesus, compreendeu finalmente o Seu discurso.
Porquê só alguns e não todos?


O mistério da graça assenta  fundamentalmente nesta verdade: ela é dispensada por Deus como a quem e quando quer. Pode, com segurança, afirmar-se que o único possível mérito humano residirá na honestidade do desejo em possui-la e na veemência e perseverança com que a pede.

O seu desejo por compreender estará alicerçado na vontade de, compreendendo, poder amar mais e, assim, estar mais capaz de cumprir a Vontade de a Deus.


(ama, comentário sobre Jo16, 29-33 2014.06.01)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv -o espírito das bem-aventuranças

…/4

       
o sentido de cada bem-aventurança

        Nesta Bem-Aventurança ([1]) ressalta conjuntamente a harmonia da acção da Fé, da Esperança e da Caridade porque a paz é fruto da fé na Ressurreição e a esperança na vida eterna que a Ressurreição anuncia.
E da caridade que vence todo o pecado e reconcilia o céu e a terra no coração de Cristo com Deus Pai.

        A oitava Bem-Aventurança «os que padecem perseguição por sede de justiça porque deles é o reino dos céus» é considerada como a consumação e perfeição das outras sete e decerto modo pode unir-se-lhe sem forçar o seu significado a promessa dirigida aos que são caluniados e injuriados além de perseguidos.

        Nela manifesta-se o sofrer, o morrer e o ressuscitar de Cristo para nos libertar do pecado e ao redimir-nos devolver a Deus «toda a honra e toda a glória» e assim cumprir «toda a justiça» como Ele mesmo recordou a João Baptista: «Mas Jesus respondeu-lhe: deixa-me por agora pois convém que cumpramos toda a justiça» ([2]).

        Os que sofrem perseguição pela justiça e unem os seus sofrimentos ao padecer e ressurreição de Cristo ed os que inclusive chegam ao martírio na confissão da sua Fé são verdadeiramente bem-aventurados.

        Nem sempre se apresentam ao cristão oportunidades de dar testemunho da sua Fé em Cristo Jesus e do seu amor a Deus com o oferecimento da própria vida.
       
        Em troca são muito frequentes as situações nas quais afirmar a Fé pública e notoriamente significa actuar contra as tendências algo generalizadas no vier comum dos homens numas e noutras sociedades.

        Estas pessoas também estão contempladas no âmbito desta Bem-Aventurança.
Ainda que a sua actuação seja com naturalidade e simplicidade o seu cariz cristão chocará com o ambiente e poderá causar não poucos prejuízos ao próprio e à sua família.

        Nos Actos dos Apóstolos encontramos um claro exemplo destes bem-aventurados.
O Sinédrio põe no cárcere alguns apóstolos e discípulos, açoitam-nos e depois de libertarem mandam-lhes que não falem mais de Jesus Cristo: «Eles foram-se embora da presença do Sinédrio contentes porque tinham sido dignos de padecer ultrajes pelo nome de Jesus e no Templo e nas casas não cessavam diariamente ensinar e anunciar Cristo Jesus» ([3]).


***

        Em conformidade com o que vimos até agora poemos sublinhar que cada uma das Bem-Aventuranças é fruto da acção conjunta da Fé, da Esperança e da Caridade que estão sempre presentes no actuar de um crente entrelaçadas harmoniosamente com predomínio de uma ou de outra segundo os casos.

        E ao mesmo tempo «o bom aroma de Cristo» escondido em cada Bem-Aventurança impregna toda a actuação do cristão e confere-lhe um esplendor que torna presente nele o próprio Cristo.
O pacífico dá a conhecer Jesus Cristo «manso e humilde de coração) que jamais «quebra a cana rachada».
O pobre de espírito no seu clamor a Deus Pai sustém na esperança a quem chora e ensina-lhe os caminhos divinos da consolação.
A acção do Espírito Santo na alma do «limpo de coração» torna possível que em todas as suas obras apareça o bater do coração de Cristo que quer «quen todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade».

        De forma paralela e apreciando em todo o seu valor a riqueza de horizontes a tradição que vincula um Dom do Espírito Santo a uma Bem-Aventurança, pensamos que se pode afirmar que todos os dons fecundam conjuntamente todo o actuar do cristão e fazem-no iluminando, desde o mais íntimo do homem, e segundo o objecto e as circunstâncias do acto e a intenção de quem actua, a inteligência da Fé, a memória da Esperança, a vontade amorosa da Caridade e assim se cumpre a união com Cristo que tem lugar quando «se vive a Verdade na Caridade» ([4]).

xv os frutos do espírito santo

        Já recordámos que ao convite que Cristo nos faz para nos convertermos o homem corresponde com a abertura do seu espírito para chegar a ser «nova criatura no Senhor».

        O cristão é um homem que sem deixar nunca de ser homem, de ser plenamente humano, se converte em filhos de Deus e vive já de um modo também divino a sua natural vida humana.

        «Eu vos asseguro: se não vos converterdes e fazer-vos crianças não entrareis no Reino dos Céus» [5].
O cristão faz no seu espírito eco destas palavras do Senhor seguindo a sugestão do Apóstolo: «Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus» [6].

        A nova vida do cristão estar «vivo para Deus em Cristo Jesus» manifesta-se como já vimos em capítulos anteriores na conduta externa com uma série de actos que reflectem a fé, a esperança e a caridade e que são inspirados e levados a cabo no espírito das Bem-Aventuranças.
E nessa conversão sem limites do homem também se expressa que nunca se conclui totalmente para ser cristão em todos os actos do seu viver.

        O natural e o sobrenatural no homem ao ser pessoa e filho de Deus, não são realidades separadas que originam actuações em paralelo dentro do homem.
Unidas no eu, que podemos chamar o acto de ser de cada ser humano, até conseguir que o homem natural criado para a vida sobrenatural, enxertado em Cristo, desenvolva no seu viver natural a semente e a seiva do seu viver sobrenatural, do seu viver cristão como «filho de Deus em Cristo Jesus».

        Neste processo a natureza humana do homem vai-se transformando sem nunca deixar de ser o que é até que Cristo real e verdadeiramente viva nele.
E o cristã descobre-se verdadeiramente « filho de Deus» e mebro do seu «povo sacerdotal» [7].

        Então tem lugar a manifestação do cristão que paulatinamente, natural e sobrenaturalmente se despoja do homem velho e se reveste do homem novo.
Ou melhor se reveste do homem novo ao mesmo tempo que se despoja do homem velho.
São Paulo é explícito: «Eu vos digo, pois, e vos conjuro no Senhor a que já não vivais como vivem os gentios (…), fostes ensinados conforme a verdade de Jesus, no que respeita à vossa vida interior, a despojar-vos do homem velho que se corrompe seguindo a sedução das concupiscências, a renovar o espírito da vossa mente e a revestir-vos do homem novo, criado segundo Deus na justiça e santidade da verdade» [8].

        No homem, na pessoa humana, todo o actuar segue o seu ser e procede do seu ser e, ao mesmo tempo, ao actuar para fora e para dentro de si próprio o ser do homem, a pessoa, vai-se modificando, mudando, convertendo-se moral e práticamente, sem por isso perder a sua única identidade metafísica que também adquire novas dimensões.

        O final deste processo de interacção acontence quando cumprida a conversão do homem que lhe permite afirmar como São Paulo: «Cristo vive em mim».

        Quando se pode afirmar que a vida de um homem manifesta o seu ser cristão, o seu ser filho de Deus em Cristo?

        Numa frase simples e breve podemos dizer: quando os seus actos reflectem que a acção dos Dons do Espírito Santo no seu espírito está fazendo surgir nele os seus frutos; frutos do enxerto na natureza humana da Graça sobrenatural.

        «Os frutos do Espírito Santo são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna» [9].

        Os Frutos do Espírito Santo na nossa alma são a manifestação mais clara de que o Reino de Deus já está em nós e que a Graça na qual fomos enxertados em Cristo, na sua acção de nos salvar, nos transforma.
Não só nos transforma para nos salvar para a vida eterna mas também os frutos da salvação reflectem-se na nossa conversão já nesta vida.

        Com efeito.
É interessante verificar que São Paulo faz a enunciação destes frutos depois de falar da liberdade «para a qual Cristo nos libertou» [10]; liberdade na qual Deus leva a cabo a «nova criação» e liberdade na qual o homem aceita de Deus o ser nova criatura.

        Ao afirmar que «contra estes frutos não há lei» o Apóstolo faz-nos compreender que os Frutos são a manifestação do enraizamento na alma do cristão dessa nova vida em Cristo.
Vida contra a qual já nenhuma lei tem força por«que a caridade perfeita expulsa o temor» [11], e ao mesmo tempo essa vida abre sempre o espírito à Graça que Deus derrama nos nossos corações porque ‘« a lei do espírito que dá a vida em Cristo Jesus o libertou da lei do pecado e da morte» [12].


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Bem-aventurados os pacíficos
[2] Mt 3, 15
[3] Act 5, 40-43
[4] Ef 4, 15
[5] Mt 18, 3
[6] Ro 6, 11
[7] 1 P 2, 4-9
[8] Ef 4, 17-34
[9] Catecismo, n. 1832
[10] Ga 5, 1
[11] 1 Jo 4, 18
[12] Ro 8, 2

Meditações de Maio 18

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida e doçura, Esperança nossa, A vós bradamos, Degredados filhos de Eva, A vós suspiramos, Gemendo e chorando, Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, E depois deste desterro, Mostrai-nos Jesus, Bendito fruto do vosso ventre, Ó clemente, Ó piedosa, Ó doce,

Sempre Virgem Maria.

Ajuda-nos a conservar o coração puro e o olhar límpido para podermos amar com amor total e ver a tua imagem bem nítida e clara.



(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Pequena agenda do cristão


SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça ‘boa cara’, que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

17/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em17 de Maio



São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 16 15-20, Ernesto Juliá Diaz


Agenda Domingo


O perigo é a rotina

"Nonne cor nostrum ardens erat in nobis, dum loqueretur in via?". – Não é verdade que sentíamos abrasar-se-nos o coração, quando nos falava caminho? Se és apóstolo, estas palavras dos discípulos de Emaús deviam sair espontaneamente dos lábios dos teus companheiros de profissão, depois de te encontrarem a ti no caminho da vida. (Caminho, 917)

Agrada-me falar de caminho, porque somos caminhantes, dirigimo-nos para a casa do Céu, para a nossa Pátria. Mas reparemos que um caminho, mesmo que um ou outro trecho apresente dificuldades especiais, mesmo que alguma vez nos obrigue a passar a vau um rio ou a atravessar um pequeno bosque quase impenetrável, habitualmente é simples, sem surpresas. O perigo é a rotina: supor que nisto, no que temos de fazer em cada instante, não está Deus, porque é tão simples, tão vulgar!

Iam os dois discípulos para Emaús. O seu caminhar era normal, como o de tantas outras pessoas que transitavam por aquelas paragens. E aí, com naturalidade, aparece-lhes Jesus e vai com eles, com uma conversa que diminui a fadiga. Imagi-no a cena: já bem adiantada a tarde. Sopra uma brisa suave. De um lado e de outro, campos semeados de trigo já crescido e as velhas oliveiras com os ramos prateados pela luz indecisa...

Jesus, no caminho! Senhor, que grande és Tu sempre! Mas comoves-me quando te rebaixas para nos acompanhares, para nos procurares na nossa lida diária. Senhor, concede-nos a ingenuidade de espírito, o olhar limpo, a mente clara, que permitem entender-Te, quando vens sem nenhum sinal externo da Tua glória.

Termina o trajecto ao chegar à aldeia e aqueles dois que – sem o saberem – tinham sido feridos no fundo do coração pela palavra e pelo amor do Deus feito homem, têm pena de que Ele se vá embora. Porque Jesus despede-se como quem vai para mais longe. Nosso Senhor nunca se impõe. Quer que O chamemos livremente, desde que entrevimos a pureza do Amor que nos meteu na alma. (Amigos de Deus, nn. 313–314)


Evabelho, comentário, L. Espiritual



Semana VII da Páscoa

Evangelho: Mc 16 15-20

15 E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. 16 Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. 17 Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, 18 pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados». 19 O Senhor, depois de assim lhes ter falado, elevou-Se ao céu e foi sentar-Se à direita do Pai. 20 Eles, tendo partido, pregaram por toda a parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os milagres que a acompanhavam.

Comentário:

Em muitas das chamadas “igrejas” que proliferam um pouco por toda a parte, uma das práticas correntes para atrair e fidelizar prosélitos é precisamente o recurso a esses “milagres” que o Senhor promete aos que O seguem e levam a Sua Palavra aos outros.
Como se sabe, tais “milagres” não passam de mistificações mais ou menos grosseiras porque ninguém tem esse poder senão aqueles a quem o Senhor o concede.
Os milagres são feitos por Jesus Cristo que se serve dos homens por Si escolhidos como instrumentos para os realizar.
Não é possível, pois, operar milagres sejam quais forem, em proveito próprio e, muito menos, se O Senhor está ausente ou é abusivamente evocado seja por quem for.

(ama, comentário sobre Mc 16, 15-18, 2013.04.25)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv -o espírito das bem-aventuranças

…/3

       
o sentido de cada bem-aventurança

        Quem são bem-aventurados ao chorar?
Formulamos assim a pergunta porque parece óbvio que nem todo o pranto entra na Bem-Aventurança.
Com efeito participam desta promessa os que padecem tristeza e choram pelo pecado próprio e pelo dos outros que, ao viver com Cristo, «fazer-se pecado» nunca lhes é totalmente alheio.
Os que se doem pelo afastamento de Deus pelos pecadores e por todo o mal contra Deus que se vive na terra, contra os homens e contra si próprios que têm de suportar nas suas vidas sem poder impedir que aconteça nem estar em condições de remediar as suas consequências.

        Cristo deu-nos um exemplo claro desta Bem-Aventurança com o seu choro sobre Jerusalém: «ao aproximar-se e ver a cidade chorou sobre ela dizendo: ‘Se também tu conhecesses neste dia a mensagem de paz!’. Mas agora está oculto aos teus olhos» [1].

        No pranto ante o mal podemos vislumbrar a acção da Esperança.
O pranto destes bem-aventurados anuncia a aurora da Ressurreição.

        Quem são os Mansos?
Talvez que esta Bem-Aventurança seja uma das que com mais frequência se interpreta com sentido restrictivo e limitado, quase como um simples não irar-se ante o mal.
Se o próprio Senhor nos aconselha que aprendamos dele que é «manso e humilde de coração», necessariamente está a indicar-nos o alcance e a profundidade espiritual da mansidão que não pode, portanto, a manter a calma e a resignação em momentos difíceis.

        A mansidão é a disposição com que Jesus Cristo leva a cabo a redenção do mundo carregando no seu coração com todo o pecado dos homens e assim viver derrota do pecado, o triunfo sobre a morte em comunhão com todos os redimidos.
Cristo é manso no seu nascimento, é manso na sua vida pública, vive a mansidão no abandono da cruz e manifesta definitivo sentido sobrenatural da mansidão na sua paciência e compreensão com os discípulos de Emaús, com Pedro, com Madalena.

        São mansos, por conseguinte, os que suportam com serenidade o mal que os rodeia e não desistem de fazer o bem, os que desejam vencer o mal com a abundância do bem [2], os que cedem ante a maldade, ante a injustiça sem por isso deixar de defender a Verdade e os seus direitos se fosse o caso.
Os mansos nunca devolvem o mal com o mal, afastam do seu coração qualquer sentimento de vingança e rezam pela conversão dos pecadores, dos inimigos, dos que os perseguem, dos que os maltratam.

        Cristo apresenta-se-nos como manso, entre outras passagens do Evangelho, ao aceitar ser tentado pelo demónio [3]; ao recordar a Tiago e a João que a vingança e o castigo não são o caminho para convencer ninguém [4], ao curar a orelha que Pedro no Jardim das Oliveiras cortou com a espada [5].

        Nesta Bem-Aventurança comprovamos a virtude da Caridade e da Esperança que tornam possível que o homem não desista de fazer o bem convencido que o mal, o pecado, não é nunca a última palavra.
Caridade e Esperança que tornam possível  o martírio, acto por excelência da mansidão.

        Quem são os que têm fome e sede de Justiça?
Os que ama a Deus – bem imutável e eterno – sobre todas as coisas e desejam que eles e todos os homens deem glória a Deus em todas as sua acções.
Os que se alegram com a conversão dos pecadores, os que gozam quando o nome de Deus é louvado, querido e venerado porque sabem que essa é a verdadeira justiça e que a criatura adquire a sua verdadeira dignidade em dar «glória a Deus».

        Cristo expressou a sua «fome e sede de justiça», entre outros momentos, ao recordar aos Apóstolos que «vim trazer fogo (o fogo prefigura o Espírito Santo) à terra e quero que ateie» [6].
Ao actuar movido «pelo zelo da casa do Pai» e expulsar do templo os mercadores [7].
Ao prometer-nos que: «oque pedirdes em meu nome Eu o farei para que o Pai seja glorificado no Filho» [8].

        Esta Bem-Aventurança manifesta claramente a acção da Caridade na alma do cristão, Caridade que leva a amar a Deus sobre todas as coisas e a alegrar-se em que Cristo seja reconhecido como Filho de Deus feito homem e ver que os homens caminham na verdade: «Alegrar-me-ei muito ao encontrar entre os teus filhosn os que vivem segundo a verdade» [9].

        A quais se pode chamar misericordiosos?
Aos que têm o seu coração na miséria moral, física e espiritual do outros, os compassivos, os que compreendem as debilidades e fraquezas do próximo e o ajudam a superá-las.
São misericordiosos os que amam verdadeiramente os seus irmãos com o coração e no coração de Cristo e não descriminam ninguém, não julgam ninguém, não deixam de rezar por ninguém e oferecem a sua vida por todos sem esperar nada em troca.

        Cristo, ao perdoar a mulher adúltera, dá-nos um vivo exemplo do seu coração misericordioso.
Uma vez que a mulher admite o seu pecado Cristo não a condena: deixa-a ir-se embora e incita-a para que não volte a pecar [10].

        Cristo oferece-nos o supremo acto de misericórdia ao pedir ao Pai pelos que o crucificam, por cada um de n´s: «Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem» [11].

        Esta Bem-Aventurança assinala um dos mais altos graus da Caridade - juntamente com o martírio – que o homem pode alcançar na terra.
O misericordioso realiza em Cristo esse mistério do amor de Deus que São Paulo revela nos últimos versículos do seu canto à Caridade: «A Caridade (…) tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» [12].

        Quem são os limpos de coração?
Os que convencidos da afirmação de São Paulo: «Deus faz concorrer todas as coisas para o bem dos que o amam» [13], vêm a acção de Deus Pai em todos os acontecimentos da sua vida.
Nunca pensam mal das actuações dos outros sem por isso desejar descobrir a injustiça e o mal real e objectivo que podem levar a cabo e procuram salvar a intenção de todas as pessoas até que se reconheça claramente a sua acção.

        Estão de tal forma unidos ao querer e ao olhar de Deus que o seu coração limpo é como um espelho que reflecte a luz do olhar de Deus sobre o mundo.
Sofrem pelas ofensas que à sua volta, em toda a terra, se fazem a Deus e anseiam amar a Deus pelos que não O amam.
E fazem-nos de tal forma que nada os apoquenta.
São Marcos refere-se aos limpos de coração ao concluir o seu Evangelho: «Aos que acreditarem acompanhá-los-ão estes sinais: em meu nome expulsarão os demónios, falarão novas línguas, pegarão serpentes com as mãos e se beberem veneno não lhes fará mal, porão as mãos sobre os doentes e curá-los-ão» [14].

        Cristo sublinha a importância desta Bem-Aventurança quando nos recomenda: «procurai, pois, primeiro o reino e a sua justiça, e todas estas coisas (refere-se ao comer, ao beber, ao vestir, ou seja, à necessidades normais do viver) dar-se-vos-ão por acréscimo» [15].

        HNesta Bem-Aventurança a acção da Fé e da Caridade apoiam-se e engrandecem-se mutuamente.
A Fé limpa a inteligência, a Caridade purifica o coração.
E o coração e a inteligência tornam possível que o crente, em alma e corpo, nas suas actuações e nas suas palavras, seja um resplendor da luz do Céu.

        Quais merecem ser considerados pacíficos?
Os que ordenam todos os movimentos da sua alma segundo o querer de Deus, se esforçam em viver segundo a Vontade conhecida de Deus e submetem o seu coração à Verdade recebida de Deus.
Os que não põem outra resistência à acção do Espírito Santo neles que a sua fragilidade humana e, então, o Espírito Santo cura a fragilidade.

        Pacíficos no seu interior e «construtores de paz» em todas as relações com os homens.
Os pacíficos sendo semeadores de paz são um testemunho vivo da paz que Cristo dá, fruto da reconciliação obtida na Cruz.
«Deus houve por bem fazer residir em Cristo toda a Plenitude e reconciliara por ele e para ele todas as coisas opacificando mediante o sangue da sua Cruz o que existe na terra e nos céus» [16].

        Cristo antes da sua morte dirigiu-se assim aos Apóstolos: «A paz vos deixo a minha paz vos dou não como o mundo a dá, eu vo-la dou» [17], e ao apresentar-se perante eles depois da Ressurreição ofereceu-lhe de novo a paz: «A paz esteja convosco» [18].



(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)







[1] Lc 19, 41
[2] Cfr Rm 12, 21
[3] Cfr. Mt 4, 1-11
[4] Cfr Lc 9, 52-56
[5] Cfr. Jo 18, 10-11
[6] Lc 12, 49
[7] Cfr. Jo 2, 17
[8] Jo 14, 13
[9] 2 Jo 4
[10] Cfr. Jo 8, 3-11
[11] Lc 23, 34
[12] 1 Cor 13, 6
[13] Rm 8, 28
[14] Lc 16, 17-18
[15] Mt 6, 33
[16] Col 1, 20
[17] Jo 14, 27
[18] Lc 24, 36