08/05/2015

Agenda NUNC COEPI para 08 de Maio





O que pode ver hoje em NUNC COEPI







S. Josemaria - vídeo - A Virgem Maria
AMA - Meditações de Maio - 2015
A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 12-17, Ernesto Juliá Diaz
Cart. (Javier Echevarría), Javier Echevarría, Santíssima Virgem
A novidade em cristo, Jesus Cristo e a Igreja, P O'Callaghan
Agenda para Sexta-Feira

São Josemaria fala da Virgem Maria (Vídeo)


Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana V da Páscoa

Evangelho: Jo 15 12-17

12 «O Meu preceito é este: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos.14 Vós sois Meus amigos se fizerdes o que vos mando.15 Não mais vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu Pai. 16 Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi, e vos destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes a Meu Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda. 17 Isto vos mando: Amai-vos uns aos outros.

Comentário:

Continua a liturgia a fazer-nos pensar no amor.

Parece lógico.

O amor é o  sentimento mais profundo e determinante na vida humana e é exclusivo do homem. Nenhum outro ser vivo é capaz de amar.
O amor vem  directamente do coração entendendo este como a origem de todos os sentimentos e virtudes.
É no coração que o Espírito Santo insinua o que precisamos para cumprir o mandato de Cristo.

(ama, comentário sobre Jo 15, 12-17 2014.05.23)


Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



XI. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

…/24

E esta é a missão do Dom de Fortaleza.
Dizemos que o Dom de Fortaleza actua, particularmente, sobre a memória do homem.
Na memória entendida como a faculdade que permite ao homem viver a sua «temporalidade”, o seu percurso histórico no tempo, sem deixar de ser consciente de que um dia a sua «temporalidade” se converterá em «eternidade”.
A memória de cada homem está aberta ao seu passado, ilumina o seu presente e prepara a vinda do futuro.
Permite-lhe viver no presente, suportando os sobressaltos da perspectiva do futuro e sem se ater aos abismos do passado.
O Dom de Fortaleza sustém a Esperança, e ancora-a em Deus, mantendo-a aberta à perspectiva da Vida Eterna e, ao mesmo tempo, impede que as dificuldades da vida cristã no presente do tempo provoquem a desesperança, o desânimo, ante a grandeza da chamada sobrenatural que Deus nos faz e ante a consciência da nossa fragilidade e da nossa debilidade.
Este Dom dá vigor ao espírito em momentos dramáticos, como poderá ser a proximidade do martírio, e nos instantes mais difíceis da vida quotidiana, que reclamam um comportamento heroico para ser fiéis aos princípios da Fé e da Moral cristã, para suportar com serenidade ofensas e injustiças recebidas ao fazer o bem.
E é uma ajuda muito especial para perseverar na procura de Deus, sendo constante todos os dias, em qualquer estado em que o crente se possa encontrar e ante qualquer situação que tenha de abordar.

São Paulo, uma vez mais, exprime a acção deste Dom com palavras inequívocas: «Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos?, como diz a Escritura: “Por tua causa somos levados à morte diariamente, somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”. Mas em todas estas coisas vencemos com facilidade graças àquele que nos amou. Porque estou convencido que nem a morte, nem os anjos, nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, Nosso Senhor. [i]
Os restantes Dons, de Piedade e de Temor de Deus, tornam possível que a vida divina entre a caudais na alma do crente.
De certo modo a acção de conversão a Deus que o Espírito Santo leva a cabo no espírito da criatura com os dons até agora considerados, é o preâmbulo para a conversão definitiva – deificação, divinização, endeusamento – que se origina com a presença da Piedade e do Temor de Deus.

O Dom de Piedade vivifica a Caridade e o Espírito Santo abre ao crente os caminhos para se adentrar na própria fonte de todo o amor com confiança e abandono: a relação intra-trinitária do Pai com o Filho no Espírito Santo.

A acção destes dons torna possível o apagamento da petição de S. Paulo: «Por isso dobro os meus joelhos ante o Pai, de quem toma nome toda a família no Céu e na terra, para que vos conceda, segundo a riqueza da sua glória, que sejais vigorosamente fortalecidos pela acção do Espírito no homem interior, que Cristo habite pela Fé nos vossos corações, para que, arreigados e cimentados no amor, podais compreender com todos os santos qual é a largura e o comprimento, a altura a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo o conhecimento, para que sejais repletos de toda a Plenitude de Deus» [ii]

A plenitude da graça recebida permite-nos vislumbrar a riqueza contida na breve frase de São Paulo, tão repetida por estudiosos e pregadores na sua primeira parte, e tão esquecida no final conclusivo, onde realmente se encontra o seu significado pleno: «a piedade é útil para tudo, pois tem a promessa da vida, a presente e a futura».[iii]
Com efeito, estas palavras resumem de certo modo a realização dos planos de Deus nas suas criaturas.
A vida que nos foi dada na primeira criação, a vida presente num corpo mortal, é o campo em que Deus enterra a semente da Graça.
Só na piedade é possível este germinar; porque a piedade do homem deixa as mãos de Deus livres para realizar a sua obra de redenção.
A piedade abre o caminho para o enxerto do Amor de Deus no homem.
No desenvolvimento dessa nova seiva no seu espírito o homem encontra a graça necessária para conseguir viver o «mandamento maior da Lei»: «Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e toda a tua mente»[iv]
«Onde abundou o pecado, superabundou a Graça»[v]
Com o Dom de Piedade, o Espírito Santo que já concedeu a luz da inteligência, fé e firmeza a fortaleza-esperança, enche o coração do homem de um amor que lhe permite descobrir-se querido e amado por Deus.
No calor desse amor, o coração humano liberta-se de qualquer dureza que lhe impede a liberdade e plenitude no seu actuar; e fortalecesse-se no caminho da sua conversão; e vive com um certa ternura as suas relações com Deus e em Deus, também com o próximo, em plenitude de confiança e de abandono.
Esse sentido profundo de ternura em relação com Deus leva o crente a descobrir em profundidade o verdadeiro significado da sua filiação divina; a gozar de «participar da natureza divina», sendo filho de Deus e inclusive a gozar da alegria de Deus de ser Pai de cada uma das suas criaturas.
O Dom de Piedade transforma realmente o espírito do homem e dá-lhe a capacidade de pôr em prática o mandamento novo do Senhor: «Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros.
Como Eu vos amei, assim também vos ameis vós uns aos outros.
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos tendes amor uns aos outros». [vi]
Convertido por este Dom de Piedade o cristão encontra-se com capacidade e com forças para perdoar, para ser compreensivo, para se sacrificar pelos outros; numa palavra, para amr o próximo como Cristo o ama.
«O temor de Yahvé é o princípio da sabedoria»[vii]
E a mesma afirmação, como uma certa transposição na ordem dos termos, encontramo-la pouco depois: «Começo de Sabedoria é o temor de Yahvé, e a ciência do santo é inteligência».[viii]
No livro de Job diz-nos o mesmo: «Olha, o temor do Senhor é a Sabedoria, fugir do mal, a inteligência»[ix]
SE a Piedade nos enche de amor e vida, o Temor de Deus parece unir-nos ainda mais à fonte de vida e de amor que é Deus:
«O Temor de Yahvé é praça-forte, os seus filhos terão nele refúgio. O Temor de Yahvé é fonte de vida, para se afastar das armadilhas da morte»[x]

Porque recolhemos esta série de citações?

O Dom de Temor de Deus, que alguns autores não distinguem do Dom de Piedade é difundido de muitas maneiras diferentes.
Está muito disseminada a opinião dos que consideram o Temor de Deus como um amoroso temor filial que leva o cristão a não ofender a Deus, a amá-lo como Pai.
Outra opinião vê este Dom como um imenso respeito para com a Majestade divina, que leva a um desejo ardente de se conformar até aos mínimos detalhes com a vontade de Deus Pai.

Sem deixar de considerar dentro das características do Dom de Temor de Deus os dois aspectos antes assinalados, parece-nos possível encontrar outro significado, que reflecte com mais clareza a grandeza do Dom.
Com efeito se se considera o Temor de Deus o princípio d Sabedoria e se é chamado «bem-aventurado o homem que teme a Deus»,[xi] parece possível entender este Dom como o cumulo do amor a Deus que o espírito do homem pode albergar.
O Espírito Santo levaria a cabo a conversão definitiva do homem em filho de Deus, pela acção deste Dom.

E isto por um duplo efeito do Dom.
Em primeiro lugar, concede ao homem o desejo de sofrer por amor e em união com Cristo crucificado, pelas ofensas que Deus recebe de todas as criaturas.
Em segundo lugar, torna possível que o homem se una de tal forma ao sacrifício redentor de Cristo, que se configura com o Redentor também no «fazer-se pecado».
«Em nome de Cristo vos suplicamos: reconciliai-vos com Deus! A quem não conheceu pecado, fê-lo pecado por nós para que viéssemos a ser justiça de Deus nele»[xii]

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] Rom 8, 35-39
[ii] Ef 3, 14-19
[iii] 1 Tm 4, 8
[iv] Mt 22, 37
[v] Rom 5, 20
[vi] Jo 13, 38
[vii] Pr 1, 7
[viii] Pr 9, 10
[ix] Job 28, 28
[x] Pr 14, 26-27
[xi] Sal 3, 1
[xii] 2 Cor 5, 21

Meditações de Maio 8

Salve Rainha

Mãe de misericórdia
Vida e doçura
Esperança nossa
A vós bradamos
Degredados filhos de Eva
A vós suspiramos
Gemendo e chorando


  1. Lágrimas e gemidos dos teus filhos violentados e perseguidos em tantos lugares. 

  2. Deixa que o teu coração nos acolha e console.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015

Temas para meditar - 441

Santíssima Virgem

Com o seu exemplo e com as suas palavras, São Josemaria ensinou-nos a recorrer à Santíssima Virgem a todo o momento, para manifestar o nosso carinho e a nossa confiança na sua mediação materna. (...)

Cuidemos com devoção terna e forte a recitação do Santo Rosário, (…)

Esmeremo-nos na contemplação dos mistérios, em consonância com as sugestões do Santo Padre, que nos exorta a recordar Cristo, a compreendê-Lo, a configurar-nos com Ele, a rogar-Lhe e a anunciá-Lo aos outros, sempre por Maria e com Maria.[i] 

(javier echevarría, carta aos fiéis e cooperadores do Opus Dei por ocasião dos 25 anos do pontificado de João Paulo II)



[i] cfr. são joão paulo ii, Carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, 16-10-2002, nr. 13-17

Cristo e a Igreja - 66

A novidade em Cristo


…/1

Deus fez-se homem para nos dar a vida eterna, mas também para nos fazer felizes na vida terrena. Este ensaio é uma reflexão sobre as implicações que tem para o cristão a vinda de Cristo à Terra.
O sentido de novidade recorre todo o Evangelho, desde a Anunciação à Virgem Maria até à Ressurreição do Senhor.
O Novo Testamento fala em mil modos diversos de um novo começo para a humanidade.
A própria palavra “evangelho” quer dizer exactamente isso: a “boa notícia”. Desde o começo do seu ministério público, Cristo anuncia abertamente o cumprimento dos tempos e a vinda do Reino de Deus: cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está a chegar; convertei-vos e acreditai no Evangelho. [i]

(cont)

(p. o'callaghan, CRISTO, 5 de Diciembre de 2008, trad. ama)





[i] Mc 1, 15.

07/05/2015

NUNC COEPI 2015.05.07







O que pode ver hoje em NUNC COEPI



Se alguém não luta... - São Josemaria – Textos

Meditações de Maio 7 - AMA - Meditações de Maio – 2015

Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão) - A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 9-11, Ernesto Juliá Diaz

Reflectindo - 78 - AMA - Reflectindo – Pureza

Temas para meditar - 440 - A Virgem Maria (Thomas de Saint Laurent), Santíssima Virgem, Thomas de Saint Laurent


Pequena agenda do cristão - Agenda Quinta-Feira

Se alguém não luta...

A alegria é um bem cristão, que possuímos enquanto lutarmos, porque é consequência da paz. A paz é fruto de ter vencido a guerra, e a vida do homem sobre a terra, lemos na Escritura Santa, é luta. (Forja, 105)

A tradição da Igreja sempre se referiu aos cristãos como milites Christi, soldados de Cristo; soldados que dão serenidade aos outros enquanto combatem continuamente contra as suas próprias más inclinações. Às vezes, por falta de sentido sobrenatural, por uma descrença prática, não querem compreender de forma alguma como milícia a vida na Terra. Insinuam maliciosamente que, se nos consideramos milites Christi, há o perigo de utilizarmos a fé para fins temporais de violência, de sedições. Esse modo de pensar é um triste e pouco lógico simplismo, que costuma andar unido ao comodismo e à cobardia.

Nada há de mais estranho à fé católica do que o fanatismo. Este conduz a estranhas confusões, com os mais diversos matizes, entre o que é profano e o que é espiritual. Tal perigo não existe, se a luta se entende como Cristo no-la ensinou, isto é, como guerra de cada um consigo mesmo, como esforço sempre renovado por amar mais a Deus, por desterrar o egoísmo, por servir todos os homens. Renunciar a esta contenda, seja com que desculpa for, é declarar-se de antemão derrotado, aniquilado, sem fé, com a alma caída e dissipada em complacências mesquinhas.


Para o cristão, o combate espiritual diante de Deus e de todos os irmãos na fé é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se alguém não luta, está a trair Jesus Cristo e todo o Corpo Místico, que é a Igreja. (Cristo que passa, 74)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Evangelho, comentário L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana V da Páscoa

Evangelho: Jo 15 9-11

9 Como o Pai Me amou, assim Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. 10 Se observardes os Meus preceitos, permanecereis no Meu amor, como Eu observei os preceitos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. 11 Disse-vos estas coisas, para que a Minha alegria esteja em vós e para que a vossa alegria seja completa.

Comentário:

São João é o Evangelista do Amor.

Sim, Amor com maiúscula porque nos fala do Supremo e Total Amor que é Jesus Cristo Nosso Senhor.

Foi exclusivamente por amor que veio ao mundo fazendo-se igual a nós em tudo menos no pecado.

De facto, o pecado é incompatível com o amor  e, este, só é verdadeiro quando é igual ao de Cristo.
As relações entre Deus e os homens podem resumir-se numa palavra: amor!

(ama, comentário sobre Jo 15, 9-11, 2014.05.22)


Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



XI. OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

…/23

«Os Sete Dons do Espírito Santo são: sabedoria, inteligência ou entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus. Pertencem em plenitude a Cristo, Filho de David “[i].[ii]
Que virtudes aperfeiçoam e completa cada dom?

As opiniões são variadas e, na realidade, não afectam o fundo da questão; porque de facto poder-se-ia afirmar, simplesmente, que todos os Dons influem na Fé, na Esperança e na Caridade.

E esse influxo somar-se-ia à corrente de influência que já se dá entre as três virtudes.
Para facilitar, todavia, a compreensão do processo de gestação e de desenvolvimento da pessoa cristã, expomos a nossa própria opinião sobre a inter-relação dos Dons do Espírito Santo e das Virtudes teologais.
Podemos dizer que dos sete Dons os primeiros são quatro: Sabedoria, Entendimento, Ciência e Conselho fazem referência directa à inteligência e preparam-na para se ir abrindo mais e mais, mais e mais à Verdade, à comunicação da sabedoria de Deus.
De certo modo, estes dons tornam possível e dirigem o desenvolvimento da Fé e, sob a luz da Fé, a inteligência humana vai penetrando no mistério do ser de Deus e do actuar de Deus.
O dom de Fortaleza faz referência à memória e, abrindo a memória, já iluminada pela luza da Fé, a vida eterna e a possibilidade de alcançá-la, sustenta e fortifica o homem na Esperança.
Os dons de Piedade e de temor de Deus relacionam-se directamente com a vontade humana, também enriquecida com as verdades que a inteligência crente introduz na pessoa e modelam a caridade, segundo o coração de Deus, segundo o coração de Cristo, para que o cristão alcance amar a Deus e os homens com e no próprio coração de Cristo.
As palavras da Escritura, referidas directamente a Cristo, também se podem aplicar a cada «nova criatura em Cristo”; porque o Espírito Santo deseja fazer morada em todos e em cada um dos crentes: «E brotará uma vara do tronco de Jessé e rebentará das suas raízes um varão. Sobre ele repousará o espírito de Yahvé, espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de piedade, e estará cheio de espírito de temor do Senhor”.[iii]
Que transformações se originam no homem sob a influência dos Dons?
Respondemos a esta pergunta mudando a ordem tradicional em que é costume enumera-los e referimo-nos a eles segundo a distribuição a que acabamos de aludir: sabedoria, entendimento, ciência e conselho; fortaleza; piedade e temor de Deus.
Deixaremos para o capítulo sobre os Frutos do Espírito Santo a análise mais detalhada dos efeitos da acção dos Dons no processo de conversão do cristão na «nova criatura”.
O Dom de Sabedoria é uma participação especial da inteligência humana no conhecimento misterioso e sumo, que é próprio de Deus, e que a Deus e refere.

De certo modo, ao fazer-nos partícipes da «natureza divina”, Deus predispõe-nos para que participemos também, e sempre segundo as nossas limitações pelo facto de ser criaturas que nunca nos abandonam, dos mistérios insondáveis do seun próprio Ser. Da riqueza da sua Verdade.
O conhecimento do Ser-Existir de Deus, fruto do dom da Sabedoria, é um saber impregnado pela caridade, graças ao qual, a alma adquire familiaridade, uma certa co-naturalidade, com as coisas divinas e deleita-se nelas. Saboreia-as. Deleita-se na sua contemplação.
O verdadeiro sábio, além de conhecer o viver e o actuar de Deus, tem deles uma certa experiência e vive-os.
«Provai e vede como o Senhor é bom; venturoso o varão que a Ele se acolhe”.[iv]
Este dom também outorga à inteligência humana uma capacidade especial para julgar os acontecimentos da natureza, os factos da história desde uma perspectiva que o aproxima do modo como Deus os contempla.
O Dom de Entendimento ou de Inteligência impulsiona a inteligência humana, e fortalece a Fé, para conhecer mais detalhadamente, com maior profundidade e maior plenitude, a verdade revelada.
Mediante este dom, o Espírito Santo, que «perscruta as profundidades de Deus”,[v] comunica ao crente uma centelha dessa capacidade de penetração nas realidades que o cercam, que lhe abre o coração à percepção gozosa do destino amoroso de Deus, a revelar o verdadeiro rosto de Cristo, muito especialmente ajudando a compreender as sua actuações e a s suas palavras recolhidas nos Evangelhos.
O Senhor já tinha adiantado a actuação deste Dom, ao anunciar a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos: «Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não podeis entende-las agora.
Quando vier Aquele, o Espírito da verdade vos guiará até à verdade completa”.[vi]
E as suas palavras soam como o cumprimento daquela promessa de Yahvé a David: «Dar-te-ei inteligência e mostrar-te-ei o caminho que hás-de seguir; fixos em ti os olhos serei o teu conselheiro”.[vii]
Se os dons de Sabedoria e Inteligência enformam a actuação da Fé-Inteligência do homem para descobrir e gozar da vida de Deus em Si própria, e da compreensão do Amor de Deus encerrado na vida terrena de Jesus Cristo, o Dom de Ciência dá-nos a conhecer a mente de Deus ao criar o mundo e ao criar o homem; e, ao mesmo tempo, permite que o homem descubra o verdadeiro valor das criaturas em relação com o Criador.
Com este dom, o homem entende directamente a dependência essencial que tudo o criado tem com o seu Criador e descobre o sentido teológico do criado, ao apreciar a ordem, as leis e a liberdade com que Deus corou a criação do universo, dos animais e das plantas e do homem.
O Dom de Ciência permite que o homem contemple a criação como o que realmente é: manifestação da verdadeira e real, e ao mesmo tempo limitada, da verdade, da beleza, do amor infinito que é Deus, e, como consequência dessa contemplação, sente-se compelido a a traduzir a descoberta em louvores, em oração, em acções de graças ao Criador.
«Se, vãos por natureza, todos os homens que ignoraram Deus e não foram capazes de conhecer pelos bens visíveis Aquele que è nem atendendo às obras, reconheceram o Artífice… pois pelas grandeza e pela beleza das criaturas pode chegar-se claramente ao conhecimento do seu Criador”.[viii]
Dentro e no conjunto da criação, o homem tem outorgado um lugar privilegiado de cooperador do próprio Deus.
E já lhe foi concedido no paraíso, quando recebeu o encargo de cuidar do jardim e de trabalhar nele, além do convite a multiplicar-se e a encher a terra.

Com o Dom de Ciência, o ser humano pode desenvolver essa cooperação nas obras de Deus, segundo a mente e o querer de Deus.

O Dom de Conselho torna possível que o homem se situe nesse lugar proeminente e coopere com Deus em relação aos encargos recebidos.
O Espírito Santo, através do Dom de Conselho, ilumina a consciência do homem nas opções da vida diária, e guia a alma para a luz da verdade de Deus sobre ele próprio.
A consciência converte-se assim em reflexo claro da verdadeira luz de Deus e torna possível ao homem ver melhor o que há-de fazer em qualquer circunstância do seu viver, por muito difícil e intrincada que a decisão se apresente.
«O conselho no coração do homem é água profunda, o homem inteligente saberá obtê-la”.[ix]
O Dom de Conselho ilumina a inteligência do homem de Fé para descobrir os planos de Deus sobre ele.
Ajuda-o a discernir a sua própria vocação e a entender a Vontade de Deus no meio das circunstâncias do seu viver, ao mesmo tempo que o orienta na escolha dos caminhos mais adequados para prosseguir na sua conversão a Deus e chegar a amá-lo «com todo o coração, com toda a mente”.
Uma vez assente a verdade de Deus na mente, o cristão pode descobrir-se deslumbrado pela riqueza divina que encontrou em si mesmo.
Deu-se nele a conversão de que São Paulo fala na sua primeira Carta aos Coríntios: «O homem natural não capta as coisas do espírito de Deus; são para ele, desperdício.
E não as pode entender, poi só o Espírito as pode julgar.
Ao invés, o homem espiritual julga tudo; e a ele ninguém o pode julgar.
Porque quem conheceu o pensamento do Senhor para o instruir?
Mas nós possuímos os pensamentos de Cristo”.[x]
Ante esta luz de Deus, e na contemplação da grandeza do Criador e da própria limitação da criatura, a conversão do homem em cristão só é possível na Esperança.

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[i] cfr. Is 11, 1-2
[ii] Catecismo, n. 1831
[iii] Is 11, 1-3
[iv] Sal 33, 9
[v] 1 Co 2, 10
[vi] Jo 16, 12-13
[vii] Sal 32, 8
[viii] Sb 13, 1 e 5
[ix] Pr 20, 5
[x] 1 Cor 2, 14,-16