12/08/2014

Pratica a caridade sem limites

Ama e pratica a caridade, sem limites e sem discriminações, porque é a virtude que caracteriza os discípulos do Mestre. Contudo essa caridade não pode levar-te – deixaria de ser virtude – a amortecer a fé, a tirar as arestas que a definem, a dulcificá-la até convertê-la, como alguns pretendem, em algo amorfo, que não tem a força e o poder de Deus. (Forja, 456)

O Senhor tomou a iniciativa, vindo ao nosso encontro. Deu-nos o exemplo para nos pormos com Ele ao serviço dos outros, para – gosto de repetir – pormos generosamente o nosso coração a servir de alcatifa, de modo que os outros caminhem suavemente e a sua luta resulte para eles mais amável. Devemos comportar-nos assim, porque somos filhos do mesmo Pai, que não hesitou em entregar-nos o seu Filho muito amado.

Não somos nós que construímos a caridade; é ela que nos invade com a graça de Deus: porque Ele nos amou primeiro. Convém que nos empapemos bem desta verdade formosíssima: se podemos amar a Deus é porque fomos amados por Deus. Tu e eu estamos em condições de derramar carinho sobre os que nos rodeiam, porque nascemos para a fé pelo amor do Pai. Pedi com ousadia ao Senhor este tesouro, esta virtude sobrenatural da caridade, para a exercitardes até ao último pormenor.


Nós, os cristãos, não temos sabido muitas vezes corresponder a esse dom; algumas vezes temo-lo rebaixado como se se limitasse a uma esmola dada sem alma, friamente; outras vezes temo-lo reduzido a uma atitude de beneficência mais ou menos convencional. Exprimia bem esta aberração a queixa resignada de uma doente: Aqui, tratam-me com caridade, mas a minha mãe cuidava de mim com carinho. O amor que nasce do Coração de Cristo não pode dar lugar a este tipo de distinções. (Amigos de Deus, nn. 228–229)

Temas para meditar 203


Vida humana


Ainda que a vida do homem se pareça, em muitos aspectos, com a vida animal, é evidente que apresenta diferenças profundíssimas. A sua conduta não obedece sempre a um estímulo externo, como afirmam, por exemplo, alguns psicólogos conductistas. Isto sucede nos animais, mas não no homem que pode pensar e querer livremente: quer dizer, que tem uma actividade interior que transcende o ambiente que o rodeia e com a qual adquire consciência do seu próprio eu.
Esta actividade interior, deve-se a que o homem não é só matéria dotada de vida - como pretende o materialismo mas a possuir uma alma espiritual que, certamente, não se pode ver, porque é invisível, mas que existe realmente e informa todo o corpo. Nela residem a inteligência e a vontade.
Por ser espiritual, a alma humana, não pode dividir-se nem corromper-se: é imortal. Pelo contrário, o corpo, por ser material, pode corromper-se e deixar de ser um corpo humano. Quando isto sucede, sobrevém a morte, que é a separação da alma do corpo, mas não morre todo o homem, pois a alma continua vivendo, separada temporalmente do corpo. Esta verdade fundamental sobre o homem - a imortalidade da sua alma - é-nos revelada pela fé, e, de alguma maneira, é intuída por muitos homens, que experimentam no mais fundo do seu ser, a aspiração de viver sempre, de uma vida eterna.
De qualquer modo, o corpo é também parte essencial do homem, contrariamente ao que afirmarão certos espiritualismos.
Na vida presente, a alma entende e quer sempre em união com o corpo, porque ambos, enquanto estão unidos, formam uma única substância, concretamente, para exercitar o entendimento espiritual, a alma utiliza os sentidos, o cérebro, etc.
Não obstante, esta união íntima não deve levar a confundir o que é próprio da alma espiritual com os órgãos corporais que utiliza (por ex. não é o mesmo, evidentemente, a inteligência e o cérebro)
A alma de cada homem é criada directamente por Deus, que a une ao corpo engendrado pelos pais. Não procede das almas destes, as quais, por serem espirituais, não podem dividir-se. Tão pouco procede de matéria por evolução pois é espírito.
Da espiritualidade da alma deriva a liberdade do homem, que faz com que a Vida Humana, a partir do uso da razão, não esteja regido só por leis físicas ou biológicas, mas também pela lei moral que assinala o modo pelo qual o homem deve comportar-se para proceder bem e alcançar a sua própria perfeição e felicidade.
Também pela espiritualidade da alma, o homem é a «imagem de Deus» (Gen. 1, 26) pois «Deus é espírito» (Job. 4, 24) Nisto radica a dignidade humana, por isto o homem não é algo mas alguém, não é uma simples coisa, mas uma pessoa sujeito a direitos fundamentais. (a vida, liberdade, etc.)
Quando não se reconhece a liberdade espiritual do homem - como sucede onde existe o materialismo teórico ou prático - é explicável que, com frequência, tão pouco se reconheçam os direitos humanos, ou que se aceitem como uma simples declaração convencional, como se não fundamentassem na mesma natureza humana, ou então se respeitem só quando e se for conveniente.

Curso Básico de Formação Cristã

Bento VXI – Pensamentos espirituais 11


Uma liberdade plural



A liberdade humana é sempre uma liberdade compartilhada, um conjunto de liberdades. Apenas numa harmonia ordenada das liberdades, que desvenda a cada um o âmbito da sua própria liberdade, é possível gerir uma liberdade comum.





(BENTO XVI, Homilia da Missa de Pentecostes 2005.05.15)

Diálogos apostólicos


Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.





Antes de partires para férias, ainda temos este tempo para falar um pouco mais sobre o assunto:

‘Vão todos assistir àquele espectáculo participar naquela festa – ou evento, como agora se diz - e, desafiam-te para também ires.
É normal e bom que acompanhes e confraternizes com os teus amigos.
Mas…sabes bem de que espectáculo se trata?

Se resolveste – e muito bem – não acompanhar os teus amigos à tal festa ou espectáculo, não precisas de inventar desculpas.
Diz claramente que não vais porque – tendo-te informado previamente - não achas o evento adequado a pessoas que são, de facto, cristãs.
Ficaram a olhar para ti?
E depois!
Talvez algum desses teus amigos siga o teu exemplo.
Pois…fizeste o melhor apostolado que se pode fazer: o do exemplo.

‘Apostolado em férias?’ Perguntas surpreendido…

‘Oh homem! Então qual é a dúvida?
Acaso deixas de fazer o que costumas só porque estás na praia?
Mas… Deus Nosso Senhor não vê o que fazes, estejas onde estiveres?

Por acaso combinaram um passeio para Domingo.
Muito bem, um passeio é algo óptimo e muito bom para conviver.
Mas…também combinaste com os outros a participação na Santa Missa?
Olha que é teu dever fazê-lo porque, pode ser que algum se não lembre dessa obrigação.

Meu caro, eu só respondo ao que me perguntas… não te dou conselhos!
Na praia estás de fato de banho, não estás com um hábito de monge que, de resto, não és.
Porta-te com naturalidade e lembra-te que os olhos dos que te conhecem bem estarão postos em ti.

Está bem! Acabámos as nossas conversas sobre férias.
Quando voltares me dirás o que te aprouver.
Ah! E…não tenhas receio…vai correr tudo bem.

E… já sabes… contas comigo SEMPRE, mas e sobretudo, conta com Nossa Senhora para te ajudar nalgum momento mais difícil.’

Tratado da lei 82

Questão 106: Da lei do Evangelho, chamada nova, em si mesma considerada.

Art. 4 — Se a lei nova há-de durar até o fim do mundo.

O quarto discute-se assim. — Parece que a lei nova não há-de durar até o fim do mundo.

1. — Pois, como diz o Apóstolo (1 Cor 13, 10), quando vier o que é perfeito, abolido será o que é em parte. Ora, a lei nova é em parte, conforme diz o mesmo (1 cor 13, 9): Em parte conhecemos e em parte profetizamos. Logo, a lei nova deve ser abolida, sucedendo-lhe um estado mais perfeito.

2. Demais. — O Senhor prometeu aos seus discípulos (Jo 16, 13), com o advento do Espírito Santo Paráclito, o conhecimento de toda a verdade. Ora, a Igreja ainda não conhece toda a verdade, no regime do Novo Testamento. Logo, devemos esperar outro estado, em que toda a verdade será manifestada pelo Espírito Santo.

3. Demais. — Assim como o Pai difere o Filho e o Filho do Pai, assim o Espírito Santo, do Pai e do Filho. Ora, houve um estado conveniente à pessoa do Pai, i. é, o do regime da lei antiga, em que os homens punham o fito na geração. Semelhantemente, há outro estado conveniente à pessoa do Filho, i. é, o estado da lei nova, em que dominam os clérigos, que buscam a sabedoria, apropriada ao Filho. Logo, haverá um terceiro estado, o do Espírito Santo, em que dominarão os varões espirituais.

4. Demais. — O Senhor diz (Mt 24, 14): Será pregado este Evangelho do reino por todo o mundo, e então chegará o fim. Ora, o Evangelho de Cristo, já há tanto tempo é pregado por todo o mundo, e contudo ainda não chegou o fim. Logo, o Evangelho de Cristo não é o Evangelho do reino, mas há de haver outro Evangelho, o do Espírito Santo, que será como que outra lei.

Mas, em contrário, diz o Senhor (Mt 24, 34): Digo-vos que não passará esta geração, sem que se cumpram todas estas coisas, o que Crisóstomo entende da geração dos fiéis de Cristo. Logo, o estado dos fiéis de Cristo permanecerá até a consumação dos séculos.

O estado do mundo pode variar de dois modos. — Primeiro, pela diversidade das leis. E assim, ao regime actual da lei nova não sucederá nenhum outro estado. Pois, o regime da lei nova sucedeu ao da lei antiga, como sucede o mais perfeito ao menos perfeito. Ora, nenhum estado da vida presente pode ser mais perfeito que o da lei nova. Porque nada pode ser mais próximo do fim último do que aquilo que leva imediatamente para ele. Mas é isso o que faz a lei nova. Donde o dizer o Apóstolo (Heb 10, 19-22): Portanto, irmãos, tendo confiança de entrar no santuário pelo sangue de Cristo, cheguemo-nos ao caminho novo, que ele nos abriu. Donde, não pode haver na vida presente nenhum estado mais perfeito do que o da lei nova, porque há tanto maior perfeição quanto mais proximidade houver do fim último. — De outro modo, o estado dos homens pode variar conforme eles se comportam mais ou menos perfeitamente, em relação a uma mesma lei. E assim, o regime da lei antiga mudou frequentemente, pois, ora, as leis eram optimamente guardadas, ora, absolutamente abandonadas. Assim como também o regime da lei nova se diversifica pelos diversos lugares, tempos e pessoas, enquanto a graça do Espírito Santo é mais ou menos perfeitamente aproveitada. Donde, não se deve esperar nenhum estado futuro em que a graça do Espírito Santo seja aproveitada mais perfeitamente do que até agora o foi, e sobretudo, pelos Apóstolos, que receberam as primícias do Espírito, i. é, com prioridade no tempo e mais abundantemente que os outros, como diz o Glosa.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Segundo Dionísio, tríplice é o estado dos homens: primeiro, o da lei antiga, segundo o da lei nova, terceiro, o que virá, não nesta vida, mas na futura, i. é, na pátria celeste. Ora, assim como o primeiro estado foi figurado e imperfeito, em relação ao do Evangelho, assim, o actual é figurado e imperfeito, em relação ao da pátria celeste, que, quando chegar, abolirá aquele, conforme a Escritura (1 Cor 13, 12): Agora vemos como por um espelho, em enigmas, mas então face a face.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Como diz Agostinho, Montano e Priscila afirmavam, que a promessa do Senhor, de dar o Espírito Santo, não se cumpriu nos Apóstolos, mas neles. E semelhantemente, os Maniqueus, que se cumpriu em Maniqueu, que diziam ser o Espírito Paráclito. Por isso uns e outros não admitiam os Actos dos Apóstolos, onde está manifesto, que a promessa se cumpriu nos Apóstolos. Assim o Senhor repetidamente o prometeu (At 1, 5): vós sereis batizados no Espírito Santo, não muito depois destes dias, que se completaram, como se lê no mesmo livro. Mas essas pretensões se excluem pelo que diz o Evangelho (Jo 7, 39): Ainda o Espírito Santo não fora dado, por não ter sido ainda glorificado Jesus. Donde se dá a entender, que, logo depois de Jesus glorificado, na ressurreição e na ascensão, foi dado o Espírito Santo. Ora, o Espírito Santo ensinou aos Apóstolos todas as verdades necessárias à salvação, a saber, relativas ao que devemos saber e praticar. Mas não lhes ensinou sobre todos os acontecimentos futuros, pois isso não lhes importava saber, conforme diz a Escritura (At 1, 7): Não é da vossa conta saber os tempos nem momentos, que o Padre reservou ao seu poder.

RESPOSTA À TERCEIRA. — A lei antiga, era, não só do Pai, mas também do Filho, porque Cristo estava figurado nelas. Por isso, diz o Senhor (Jo 5, 46): Se vós crêsseis a Moisés, certamente me creríeis também a mim, porque ele escreveu de mim. Semelhantemente, também a lei nova não é somente de Cristo, mas ainda do Espírito Santo, conforme aquilo (Rm 8, 2): A lei do Espírito de vida em Jesus Cristo, etc. Por onde, não devemos esperar outra vida, além da do Espírito Santo.

RESPOSTA À QUARTA. — Cristo disse, logo no princípio da pregação evangélica (Mt 4, 17): Está próximo o reino dos céus. Logo, é estultíssimo dizer que o Evangelho de Cristo não é o Evangelho do reino celeste. Mas, a pregação do Evangelho de Cristo pode entender-se de dois modos. — Primeiro, quanto à divulgação do conhecimento de Cristo. E então, o Evangelho foi pregado em todo o mundo, ainda no tempo dos Apóstolos, como Crisóstomo diz. E sendo assim, o que se acrescenta — E então chegará o fim — entende-se da destruição de Jerusalém, da qual, no caso, literalmente se falava. — De outro modo, a predicação do Evangelho em toda a terra pode ser entendida como quando produzir o seu efeito pleno, de maneira que a Igreja se estabeleça em todas as nações. E neste sentido, como diz Agostinho, o Evangelho ainda não foi pregado em toda a terra, mas, quando o tiver sido, chegará o fim do mundo.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evang.; Coment.; Leit. Esp. (Magistério - Ratzinguer)

Tempo comum XIX Semana

Evangelho: Mt 18, 1-5. 10. 12-14

1 Naquela mesma ocasião aproximaram-se de Jesus os discípulos, dizendo: «Quem é o maior no Reino dos Céus?». 2 Jesus, chamando uma criança, pô-la no meio deles 3 e disse: «Na verdade vos digo que, se não vos converterdes e vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. 4 Aquele, pois, que se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos Céus. 5 E quem receber em Meu nome uma criança como esta, é a Mim que recebe.
10 Vede, não desprezeis um só destes pequeninos, pois vos declaro que os seus anjos nos céus vêem incessantemente a face de Meu Pai que está nos céus. 12 «Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, porventura não deixa as outras noventa e nove no monte, e vai em busca daquela que se extraviou? 13 E, se acontecer encontrá-la, digo-vos em verdade que se alegra mais por esta, do que pelas noventa e nove que não se extraviaram. 14 Assim, não é a vontade de vosso Pai que está nos céus que pereça um só destes pequeninos.

Comentário:

Para uma esmagadora maioria da humanidade, a criança merece uma atenção e carinho especiais.
Mesmo o coração mais empedernido se deixa “tocar” pelas suas candura e fragilidade.

Ao mesmo tempo, choca-se e sente revolta pelo mal – às vezes terrivelmente soez – que alguns lhes infligem.

Na verdade, talvez não queiram atingir directamente as crianças mas, sim, aqueles que as amam.

Como não sentirá o Senhor essas violências e desmandos que atingem os Seus predilectos?

(ama, comentário sobre Mt 18, 1-5; 10. 11-14, 2014.05.26)

Leitura espiritual



Magistério

cardeal joseph ratzinger

Algumas perguntas pessoais

…/4

A consciência "infalível". 2

O que mais me chocava nessa afirmação não era a ideia de uma consciência equivocada concedida pelo próprio Deus para poder salvar os homens mediante esse estratagema, isto é, a ideia de uma ofuscação enviada por Deus para a salvação de alguns. O que me perturbava era a ideia de que a fé fosse uma carga insuportável que só naturezas fortes poderiam suportar, quase um castigo ou, em todo o caso, uma exigência difícil de cumprir. A fé não facilitaria a salvação, antes a dificultaria. Livre seria aquele que não carregasse com a necessidade de crer e de se dobrar ao jugo da moral que decorre da fé da Igreja Católica. A consciência errónea, que permitiria uma vida mais leve e mostraria um caminho mais humano, seria a verdadeira graça, o caminho normal da salvação. A falsidade e o afastamento da verdade seriam melhores para o homem do que a verdade.

O homem não seria libertado pela verdade, mas deveria ser libertado dela. A morada do homem seria mais a obscuridade do que a luz, e a fé não seria um dom benéfico do bom Deus, mas uma fatalidade.

Porém, se as coisas fossem assim, como poderia surgir a alegria da fé? Como poderia surgir a coragem de transmiti-la aos outros? Não seria melhor deixá-los em paz e mantê-los distantes dela? Foram ideias como essa que paralisaram, cada vez com mais força, atarefa evangelizadora. Quem encara a fé como uma carga pesada ou como uma exigência moral excessiva não pode convidar outras pessoas a abraçá-la. Preferirá deixá-los na suposta liberdade da sua boa consciência. [...]
O que inicialmente me estarreceu no argumento mencionado foi, sobretudo, a caricatura da fé que me pareceu haver nele. Mas, numa segunda consideração, pareceu-me igualmente falso o conceito de consciência que pressupunha. A consciência errónea protege o homem das exigências da verdade e o salva: assim soava o argumento. A consciência não aparecia aí como uma janela que abre ao homem o panorama da verdade comum que nos sustenta a todos, tornando possível que sejamos uma comunidade de vontade e de responsabilidade apoiada na comunidade do conhecimento.

Nesse argumento, a consciência também não era a abertura do homem ao fundamento que o sustenta nem a força que lhe permite perceber o supremo e o essencial. Tratava-se antes de uma espécie de invólucro protector da subjectividade [...] que não dá acesso à estrada salvadora da verdade, a qual ou não existe ou é exigente demais; e convertia-se assim em justificação da subjectividade, que não se quer ver questionada, e do conformismo social que deve possibilitar a convivência como valor médio entre as diversas subjectividades. Desapareciam assim o dever de buscar a verdade e as dúvidas quanto às atitudes e costumes dominantes: bastariam o conhecimento adquirido individualmente e a adaptação aos outros. Reduzia-se o homem às convicções mais superficiais, e, quanto menor a sua profundidade, melhor para ele. [...].

Pouco depois, num debate entre um grupo de colegas sobre a força justificadora da consciência errónea, alguém objectou contra essa tese que, se fosse universalmente válida, estariam justificados - e deveríamos procurá-los no céu - os membros das SS que cometeram os seus crimes com um conhecimento fanatizado e plena segurança de consciência. [...] Não haveria a menor dúvida de que Hitler e os seus cúmplices, que estavam profundamente convencidos do que faziam, não podiam ter agido de outra forma. Apesar do horror objetivo das suas ações, teriam agido de maneira moralmente recta do ponto de vista subjectivo. Como seguiam a sua consciência, embora esta os tivesse guiado erroneamente, deveríamos reconhecer que as suas ações eram morais para eles; não poderíamos duvidar, em suma, da salvação eterna das suas almas.

A partir dessa conversa, passei a ter absoluta certeza de que há algum erro na teoria sobre a força justificadora da consciência subjetiva; em outras palavras, que um conceito de consciência que conduz a semelhantes resultados é falso. A firme convicção subjectiva e a segurança e falta de escrúpulos que dela derivam não tiram a culpa do homem. Quase trinta anos depois, lendo o psicólogo Albert Görres, descobri, resumida em poucas palavras, a ideia que então tentava penosamente reduzir a conceitos e cujo desenvolvimento forma o núcleo das nossas reflexões. Görres indica que o sentimento de culpabilidade, a capacidade de sentir culpa, pertence de forma essencial ao património anímico do homem. O sentimento de culpa, que rompe a falsa tranquilidade da consciência [...], é um sinal tão necessário para o homem como a dor corporal, que permite conhecer a alteração das funções vitais normais. Quem não é capaz de sentir culpa está espiritualmente doente, é um "cadáver vivente, uma máscara do caráter", como diz Görres. [i] "Os animais e os monstros, entre outros, não têm sentimentos de culpa. Talvez Hitler, Himmler ou Stalin também não os tivessem. Com certeza, os chefões da máfia também carecem deles. Mas é bem possível que, na verdade, os cadáveres dos seus «eus» estejam ocultos no sótão, junto com os sentimentos de culpa rejeitados... Todos os homens necessitam de um sentimento de culpa" [ii].

Além do mais, uma rápida incursão na Sagrada Escritura poderia ter evitado esses diagnósticos e as teorias da justificação pela consciência errónea. No Salmo 19, 13 encontramos uma proposição eternamente digna de reflexão: "Quem será capaz de reconhecer os seus deslizes? / Limpa-me, [Senhor,] dos [pecados] que me são ocultos".

Isso não é um "objectivismo vetero-testamentário", mas profunda sabedoria humana: negar-se a ver a culpa ou fazer emudecer a consciência em tantos assuntos é uma doença da alma mais perigosa que a culpa reconhecida como culpa. Aquele que é incapaz de perceber que matar é pecado cai mais baixo do que aquele que reconhece a ignomínia da sua ação, pois está muito mais distante da verdade e da conversão.

Não é em vão que, diante de Jesus, o orgulhoso aparece como alguém verdadeiramente perdido. O facto de o publicano, com todos os seus pecados indiscutíveis, parecer mais justo diante de Deus que o fariseu, com todas as suas obras verdadeiramente boas (Lc 18, 9-14), não significa que os pecados do publicano não sejam pecados nem que não sejam boas as obras boas. [...] O fundamento desse juízo paradoxal de Deus revela-se precisamente a partir do nosso problema: o fariseu não sabe que também tem pecados.


Está inteiramente quite com a sua consciência. Mas o silêncio da consciência torna-o impermeável a Deus e aos homens, ao passo que o grito da consciência que aflora no publicano torna-o capaz da verdade e do amor. Jesus pode actuar nos pecadores porque não se fazem inacessíveis às mudanças que Deus espera deles - de nós - escondendo-se atrás do biombo da sua consciência errónea. Mas não pode actuar nos "justos", que não sentem necessidade nem de perdão nem de conversão; a sua consciência, que os escusa, não acolhe nem o perdão nem a conversão.

Voltamos a encontrar esta mesma ideia, ainda que exposta de outro modo, em Paulo, que nos diz que os gentios, quando guiados pela razão natural, sem Lei, cumprem os preceitos da Lei (Rom 2, 1-16). Toda a teoria da salvação pela ignorância fracassa diante desses versículos: no homem, existe a presença inegável da verdade, da verdade do Criador, que se oferece também por escrito na revelação da História Sagrada. O homem pode ver a verdade de Deus no fundo do seu ser criatural. É culpado se não a vê. Só deixa de vê-la quando não quer vê-la, ou seja, porque não quer vê-la. Essa vontade negativa que impede o conhecimento é culpa. Que o farol não brilhe é consequência de um afastamento voluntário do olhar daquilo que não queremos ver.

Nesta fase das nossas reflexões, é possível tirar as primeiras consequências para responder à pergunta sobre o que é a consciência. Agora já podemos dizer: não é possível identificar a consciência humana com a autoconsciência do eu, com a certeza subjectiva de si e do seu comportamento moral. Essa consciência pode ser às vezes um mero reflexo do meio social e das opiniões difundidas nele. Outras vezes, pode estar relacionada com uma pobreza autocrítica, com não ouvir suficientemente a profundidade da alma.

O que se deu no Leste Europeu após a derrocada dos sistemas marxistas confirma este diagnóstico. Os espíritos mais lúcidos e despertos dos povos libertados falam de um imenso abandono moral, produzido por muitos anos de degradação espiritual, e de um embotamento do sentido moral cuja perda -com os perigos que acarreta - pesa muito mais que os danos económicos que a ideologia produziu.

O novo patriarca de Moscovo pôs energicamente em evidência este aspecto, no começo da sua actividade, no verão de 1990: as faculdades perceptivas dos homens que vivem num sistema de engano turvam-se inevitavelmente. A sociedade perde a capacidade de misericórdia e os sentimentos humanos desaparecem: [...] "Temos de conduzir de novo a humanidade para os valores morais eternos", isto é, desenvolver de novo o ouvido quase extinto para escutar o conselho de Deus no coração do homem. O erro, a consciência errónea, só são cómodos num primeiro momento. Depois, o emudecimento da consciência converte-se em desumanização do mundo e em perigo mortal, se não se reage contra ele.

Por outras palavras: a identificação da consciência com o conhecimento superficial e a redução do homem à subjetividade não libertam, mas escravizam. Fazem-nos completamente dependentes das opiniões dominantes e rebaixam dia após dia o nível dessas mesmas opiniões dominantes. Aquele que iguala a consciência à convicção superficial identifica-a com uma segurança aparentemente racional, tecida de fatuidade, conformismo e negligência. A consciência degrada-se à condição de mecanismo de escusa, em vez de representar a transparência do sujeito para refletir o divino, e, como consequência, degrada-se também a dignidade e a grandeza do homem. A redução da consciência à segurança subjectiva significa a supressão da verdade. Quando o salmista, antecipando a visão de Isaías sobre o pecado e a justiça, pede a Deus que o liberte dos pecados que lhe estão ocultos, chama a atenção para o seguinte facto: deve-se, sem dúvida, seguir a consciência errónea, mas a supressão da verdade que a precede, e que agora se vinga, é a verdadeira culpa, que adormece o homem numa falsa segurança e por fim o deixa só num deserto inóspito [iii].

O respeito humano, traição da própria consciência. O Juiz do mundo, que um dia voltará para nos julgar a todos nós, está ali, aniquilado, insultado e inerme diante do juiz terreno. Pilatos não é um monstro de maldade. Sabe que esse condenado é inocente, e procura um modo de libertá-lo. Mas o seu coração está dividido. E, por fim, faz prevalecer a sua posição, a si mesmo, acima do direito. Também os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de maldade. Muitos deles, no dia de Pentecostes, sentir-se-ão emocionados até o fundo do coração (At 2, 37) quando Pedro lhes disser: a Jesus do Nazaré, homem acreditado por Deus junto de vós \...\ vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa (At 2, 22-23). Naquele momento, porém, sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e tal como os outros gritam. E assim a justiça é espezinhada pela covardia, pela pusilanimidade, pelo medo do diktat da mentalidade predominante. A voz subtil da consciência fica sufocada pelos gritos da multidão. A indecisão, o respeito humano dão força ao mal [iv].

Falsas promessas. Cristo diz: Guardai-vos dos falsos profetas que vêm a vós sob disfarce de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis.

Parece uma advertência contra as seitas e heresias.

É uma interpretação possível. Mas também é uma advertência contra qualquer regra fácil. Jesus previne-nos contra os "curandeiros do espírito". Diz que a nossa norma deve ser perguntarmo-nos: "Como vive essa pessoa? Quem é na realidade? Que frutos produzem ele e o seu círculo? Analise isso e verá a que conduz".

Essa norma prática, ditada por Cristo à vista das circunstâncias do momento em que viveu, projecta-se sobre a História. Pensemos nos pregadores da salvação do século passado, quer se trate de Hitler ou dos pregadores marxistas; todos vieram e disseram: "Trazemo-vos a justiça". No princípio, pareciam mansas ovelhas, mas acabaram sendo grandes destruidores. Mas [a norma prática dos frutos] também diz respeito aos numerosos pequenos pregadores que nos dizem: "Eu tenho a chave! Age assim e em pouco tempo conseguirás a felicidade, a riqueza, o êxito".

William Shakespeare, evidentemente um católico, viveu com intensidade a roda da existência. Como bom pedagogo, no fim ofereceu uma recomendação, algo assim como a essência do seu conhecimento mundano: "Compra tempo divino, vende horas do triste tempo terrenal". São palavras sábias, como as que se esperam de um grande homem. O tempo mais bem aproveitado é aquele que se transforma em algo duradouro: é o tempo que recebemos de Deus e a Ele devolvemos. O tempo que é pura transição desmorona e se transforma em mera caducidade [v].

Formar a consciência. Certamente a fé cristã vai além daquilo que a pura razão é capaz de reconhecer, mas faz parte das suas convicções fundamentais que Cristo é o Logos, quer dizer, a razão criadora de Deus da qual procede o mundo e que se reflete na nossa racionalidade. O apóstolo Paulo, que falou com tanta ênfase da novidade e da unicidade do cristianismo, destacou ao mesmo tempo que o preceito moral registado na Sagrada Escritura coincide com aquele que "está inscrito nos nossos corações, segundo o testemunho da nossa consciência" (Rom 2, 15). É verdade que, com frequência, esta voz do nosso coração, a consciência, é sufocada pelos ruídos secundários da nossa vida.

A consciência pode, por assim dizer, tornar-se cega. Precisamos assistir às "aulas de recuperação" da fé, que voltam a despertá-la e assim tornam novamente perceptível a voz do Criador em nós, suas criaturas [vi].

A regra de ouro. O Sermão da Montanha não corresponde necessariamente às ideias tradicionais. Opõe-se até às nossas definições de sorte, grandeza, poder, êxito ou justiça.

E, no seu final, oferece aos ouvintes um resumo, quase que uma lei das leis, a "regra de ouro" da vida. Diz assim: "Portanto, tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; porque esta é a Lei e os Profetas".

A regra de ouro já existia antes de Cristo, embora formulada de maneira negativa: "Não faças a ninguém o que não queres que te façam". Jesus supera-a com uma formulação positiva que, como é lógico, é muito mais exigente.

Na minha opinião, o que assombra pela sua grandiosidade é que se deixam de lado as comparações - quem fez o quê, quando, como, a quem -; que a pessoa já não se perde em distinções, mas compreende a missão essencial que lhe foi confiada: abrir bem os olhos, abrir o coração e encontrar as possibilidades criativas do bem. Já não se trata de perguntar o que é que eu quero, mas de transpor para os outros o meu querer. E esta entrega autêntica, com toda a sua fantasia criativa, com todas as possibilidades que abre diante de nós, está recolhida numa regra muito prática, para que não fique reduzida a um sonho idealista qualquer. [vii]

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





Notas:
[i] A. Görres, "Schuld und Schuldgefuhle", em Internationale katoliscke Zeitschrift "Communio", 13 (1948), pág. 434
[ii] Ibid., pág. 142
[iii] Verdad, valores, poder, págs. 40-55
[iv] Via-sacra no Coliseu, Primeira estação: meditação. Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, Roma, 14.04.2005
[v] La fe, de tejas abajo
[vi] Entrevista a Jaime Antúnez Aldunate
[vii] Entrevista a Jaime Antúnez Aldunate

11/08/2014

S. Pedro e S. Paulo, apóstolos

Ânimo! Tu... podes. – Vês o que fez a graça de Deus com aquele Pedro dorminhoco negador e cobarde...; com aquele Paulo perseguidor, odiento e pertinaz? (Caminho, 483)

Pedro diz-Lhe: "Senhor, Tu lavares-me os pés, a mim?!". Responde Jesus: "O que Eu faço, não o compreendes agora; entendê-lo-ás depois". Insiste Pedro: "Tu nunca me lavarás os pés!". Replicou Jesus: "Se Eu não te lavar, não terás parte coMigo". Simão Pedro rende-se: "Senhor, não só os pés, mas também as mãos e a cabeça!".

Ao chamamento a uma entrega total, completa, sem vacilações, muitas vezes opomos uma falsa modéstia como a de Pedro... Oxalá fôssemos também homens de coração, como o Apóstolo! Pedro não admite que ninguém ame Jesus mais do que ele. Esse amor leva-o a reagir assim: – Aqui estou! Lava-me as mãos, a cabeça, os pés! Purifica-me de todo, que eu quero entregar-me a Ti sem reservas! (Sulco, 266)


"Pesa sobre mim a solicitude por todas as igrejas", escrevia S. Paulo; e este suspiro do Apóstolo recorda a todos os cristãos – também a ti! – a responsabilidade de pôr aos pés da Esposa de Jesus Cristo, da Igreja Santa, o que somos e o que podemos, amando-a muito fielmente, mesmo à custa da bens, da honra e da vida. (Forja, 584)

Temas para meditar 202



Santa Missa

O Santo Sacrifício da Missa está gravado no que de mais profundo tem a vida de cada um dos homens: a vida do pai, da mãe, da criança, do ancião, do rapaz e da rapariga, do professor e do estudante, do homem culto e do homem simples, da religiosa e do sacerdote. De cada um sem excepção. Eis aqui que a vida do homem se enxerta, mediante a Eucaristia, no mistério do Deus vivo. 

(são joão Paulo II, Homília no fecho do XX Congresso Eucarístico Nacional de Itália, 1983.05.23)

Tratado da lei 81

Questão 106: Da lei do Evangelho, chamada nova, em si mesma considerada.

Art. 3 — Se a lei nova devia ter sido dada desde o princípio do mundo.

[Supra, q. 96, a. 5, ad 2].

O Terceiro discute-se assim. — Parece que a lei nova devia ter sido dada desde o princípio do mundo.

1. — Pois, não há para com Deus acepção de pessoas, como diz a Escritura (Rm 2, 11). Ora, todos os homens pecaram e necessitam da glória de Deus, segundo o Apóstolo (Rm 3, 23). Logo, a lei do Evangelho devia ter sido dada desde o princípio do mundo, para que socorresse a todos.

2. Demais. — Tanto em lugares como em tempos diversos os homens são diversos. Ora, Deus, que quer que todos os homens se salvem, mandou fosse o Evangelho pregado em todos os lugares, como está claro na Escritura (1 Tm 2, 4). Logo, a lei do Evangelho devia ter existido em todos os tempos, e portanto, dada desde o princípio do mundo.

3. Demais. — A salvação espiritual, sendo eterna, é mais necessária ao homem que a saúde corpórea, que é temporal. Ora, Deus desde o princípio do mundo, providenciou sobre o necessário à saúde do corpo submetendo ao homem todos os seres, por causa dele criados, como se lê na Escritura (Gn 1, 26-29). Logo, também a lei nova necessária por excelência à salvação espiritual, devia ter sido dada aos homens desde o princípio do mundo.

Mas, em contrário, diz o Apóstolo (1 Cor 15, 46): Não primeiro o que é espiritual, senão o que é animal. Ora, a lei nova é por excelência espiritual. Logo, não devia ter sido dada desde o princípio do mundo.

Pode-se dar tríplice razão de não ter sido a lei nova dada desde o princípio do mundo. — A primeira é que, como já dissemos (a. 1), a lei nova consiste principalmente na graça do Espírito Santo, que não devia ser dada abundantemente, antes de ter sido o género humano livrado do pecado, depois de consumada a redenção de Cristo. Por isso, diz a Escritura (Jo 7, 39): Ainda o Espírito Santo não fora dado, por não ter sido ainda glorificado Jesus. E esta razão o Apóstolo a assinala manifestamente, quando acrescenta, depois de ter tratado da lei do Espírito Santo (Rm 8, 2 ss): Enviando Deus a seu filho em semelhança de carne de pecado, ainda do pecado condenou ao pecado na carne, para que a justificação da lei se cumprisse em nós.

A segunda razão pode ser tirada da perfeição da lei nova. Pois nada alcança imediatamente, desde a origem, um estado perfeito; se não depois de uma certa ordem sucessiva no tempo. Assim, primeiro somos crianças, e depois homem. E esta razão o Apóstolo a assinala, quando diz (Gl 3, 24-25): A lei nos serviu de pedagogo, que nos conduziu a Cristo, para sermos justificados pela fé; mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo do pedagogo.

A terceira se funda em ser a lei nova a lei da graça. Donde, era primeiro necessário fosse o homem abandonado a si mesmo, no regime da lei antiga, para que, caindo no pecado e conhecendo a sua fraqueza, reconhecesse a necessidade da graça. E nesta razão toca o Apóstolo, quando diz (Rm 5, 20): Sobreveio a lei para que abundasse o pecado, mas onde abundou o pecado, superabundou a graça.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — O género humano mereceu, por causa do seu primeiro pai, ser privado do auxílio da graça. E assim, este não é dado a uns, por justiça, e o é a outros, por graça, como diz Agostinho. Donde, Deus não faz acepção de pessoas, por não ter desde o princípio do mundo proposto a todos a lei da graça, que devia ser proposta na ordem devida.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A diversidade dos lugares não faz variar a diversidade dos estados do género humano, que varia conforme a sucessão dos tempos. Por isso, a lei nova é proposta para todos os lugares, mas não, para todos os tempos. Embora em todos existissem certos homens pertencentes ao Novo Testamento, como já dissemos (a. 1, ad 3).

RESPOSTA À TERCEIRA. — O que respeita à saúde do corpo serve ao homem, em virtude da natureza, que não é destruída pelo pecado. Ao passo que o atinente à saúde espiritual se ordena para a graça, que se perde pelo pecado. Portanto, os casos não são idênticos.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.


Evang.; Coment.; Leit. Esp. (Magistério - Ratzinguer)

Tempo comum XIX Semana

Evangelho: Mt 17, 22-27

22 Enquanto andavam pela Galileia, Jesus disse-lhes: «O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, 23 eles Lhe darão a morte, e ressuscitará ao terceiro dia». Eles entristeceram-se em extremo. 24 Quando entraram em Cafarnaum, chegaram-se a Pedro os que recebiam a didracma, e disseram-lhe: «Vosso Mestre não paga a didracma?». 25 Ele respondeu-lhes: «Sim». Quando Pedro entrou em casa, Jesus adiantou-Se, dizendo: «Que te parece, Simão? De quem recebem os reis da terra o tributo ou o imposto? De seus filhos, ou dos estranhos?». 26 Ele respondeu: «Dos estranhos». Disse-lhe Jesus: «Logo os filhos estão isentos. 27 Todavia, para que não os escandalizemos, vai ao mar e lança o anzol, e o primeiro peixe que vier, toma-o e, abrindo-lhe a boca, acharás dentro um estáter. Toma-o, e dá-lho por Mim e por ti»

Comentário:

A um espírito “retorcido” alegraria, talvez, que pagar impostos desta forma é fácil!
A verdade é que quem assim pensa não estaria disposto a pagá-los mesmo que tivesse a possibilidade de fazer como Cristo.
Porque, o que interessa verdadeiramente, á a justiça e, esta, fica ferida se não se cumpre uma obrigação.
Note-se que, nem a alegação de que o imposto pode ser injusto iliba do seu pagamento. Tal como aqui se constata, Jesus Cristo paga um imposto que, na verdade, não se Lhe aplica.

(ama, comentário sobre Mt 17, 22-27, 2013.08.13)

Leitura espiritual



Magistério

cardeal joseph ratzinger

Algumas perguntas pessoais

…/3


Moral cristã versus originalidade pessoal.

Antes, as pessoas queriam simplesmente ser alguém "como se deve" e ter assegurada, até certo ponto, a sua existência.

Parece-me indiscutível que, nesta nossa sociedade tão complexa, a vida se tornou muito mais complexa ainda, se é que isto é possível. No entanto, não devemos lançar tudo pela borda fora e considerar que quase já não existem constantes. Pensemos, por exemplo, nos dez Mandamentos, que, apesar de se dirigirem sempre de novo a cada geração e a cada indivíduo, contêm uma mensagem clara e imutável.

Seria preciso repetir que o cristianismo não se desvanece no indeterminado, perdendo a sua expressividade. O cristianismo tem um perfil que, por um lado, é suficientemente amplo para permitir o desenvolvimento da originalidade, mas por outro também determina as normas que possibilitam esse desenvolvimento. Num mundo tão intrincado e complexo [como o nosso], é preciso apostar mais nas grandes constantes do discurso divino, para continuar a encontrar a diretriz fundamental. Porque, quando não se actua assim, a criatividade niilista do indivíduo muito em breve se converte num mimetismo que se submete às normas gerais e só age segundo os ditames da época e das suas possibilidades.

Abandonar a mensagem específica da fé não nos torna mais originais, e sim cada vez mais padronizados - e padronizados pelo nível mais baixo - segundo as modas da época.

Podemos perceber esta tendência para a uniformidade na vida moderna. Por isso, na minha opinião, hoje é mais importante que nunca ver que as constantes da Revelação e da fé são marcos do caminho que me fornecem os pontos de apoio para chegar mais alto, e ao mesmo tempo me trazem luz para desenvolver o meu destino completamente pessoal [i]24.

A moral, dom recíproco de Deus e do homem.

A teologia moral cristã nunca é simplesmente ética da lei; mas também supera o âmbito de uma ética das virtudes. A teologia moral cristã é ética do diálogo, porque o agir moral do homem se desenvolve a partir do encontro com Deus; portanto, nunca é apenas um agir próprio, autárquico e autónomo, puro desempenho humano, mas resposta ao dom de amor, e assim um ver-se inserido na dinâmica do amor, do próprio Deus, o único que realmente liberta o homem e o eleva ao seu verdadeiro nível. O agir moral, por conseguinte, nunca é apenas uma realização própria, e também nunca é apenas algo "inoculado" de fora. O verdadeiro agir moral é totalmente dom e é, ao mesmo tempo, um agir totalmente nosso: precisamente aquilo que lhe é próprio se manifesta apenas no dom de amor, e, por outro lado, o dom não despoja o homem de si mesmo, mas o reconduz a si mesmo [ii].


A consciência e a vida correcta


Entre as preocupações do cardeal Ratzinger e agora Papa Bento XVI, possivelmente a maior é a do relativismo intelectual e moral. O núcleo desse tema gira em torno da questão da consciência e da sua necessária formação segundo a verdade, isto é, segundo valores absolutos e universalmente válidos; por isso, dedicamos aqui um espaço maior a ela.

Consciência.

A unidade do homem tem um órgão: a consciência. Foi uma ousadia de São Paulo afirmar que todos os homens têm a capacidade de escutar a sua consciência, separando assim a questão da salvação da questão do conhecimento e da observância da Torah, e situando-a no terreno da comum exigência interior em que o Deus único fala e diz a cada um o que é verdadeiramente essencial na Lei: Quando os gentios, que não têm lei, cumprem naturalmente as prescrições da lei, sem ter lei são lei para si mesmos, demonstrando que têm a realidade dessa lei escrita no seu coração, segundo o testemunho da sua consciência... (Rom 2, 14 e segs.). Paulo não diz: "Se os gentios se mantiverem firmes na sua religião, isso é bom diante do juízo de Deus". Pelo contrário, ele condena grande parte das práticas religiosas do seu tempo. Remete para outra fonte, para aquela que todos trazem escrita no coração, para o único bem do único Deus.

Neste ponto enfrentam-se hoje dois conceitos contrários de consciência, que na maioria das vezes simplesmente se intrometem um no outro. Para Paulo, a consciência é o órgão da transparência do único Deus em todos os homens, que são um só homem. Mas, actualmente, a consciência aparece como expressão do carácter absoluto do sujeito, acima do qual não poderia haver, no campo moral, nenhuma instância superior. O bem como tal não seria cognoscível. O Deus único não seria cognoscível. No que diz respeito à moral e à religião, a última instância seria o sujeito [...].

Assim, o conceito moderno de consciência equivale à canonização do relativismo, da impossibilidade de haver normas morais e religiosas comuns, ao passo que, pelo contrário, para Paulo e para a tradição cristã, a consciência sempre foi a garantia da unidade do ser humano e da cognoscibilidade de Deus, e portanto da obrigatoriedade comum de um mesmo e único bem. O facto de em todos os tempos ter havido e haver santos pagãos baseia-se em que em todos os lugares e em todos os tempos – embora muitas vezes com grande esforço e apenas parcialmente - a voz do coração era perceptível; a To-rah de Deus se nos fazia perceptível como obrigação dentro de nós mesmos, no nosso ser criatural, e desse modo tornava possível que superássemos a mera subjetividade na relação de uns com os outros e na relação com Deus. E isto é a salvação [iii].

Consciência e verdade.

A vida e a obra do Cardeal Newman poderiam ser realmente definidas como um extraordinário e extenso comentário ao problema da consciência [...]. Quem não se recorda [...] da famosa frase acerca da consciência na carta que dirigiu ao duque de Norfolk? Diz assim: "Se tivesse de brindar pela religião, o que é altamente improvável, fá-lo-ia pelo Papa. Mas em primeiro lugar pela consciência. Só depois o faria pelo Papa" [iv]. Newman queria que a sua resposta fosse uma adesão clara ao Papado em face da contestação de Gladstone, mas também queria que fosse, em face das formas erróneas do "ultramontanismo", uma interpretação do  Papado que só pode ser concebido adequadamente quando visto de forma conjunta com o primado da consciência, não como oposto a ela, mas como algo que a funda e lhe dá garantia. É difícil para o homem moderno, que pensa sempre na subjetividade como oposta à autoridade, entender este problema. Para ele, a consciência está do lado da subjectividade e é expressão da liberdade do sujeito, enquanto a autoridade aparece como urna limitação, e até como uma ameaça e negação, para essa liberdade. É preciso aprofundar mais em tudo isto para entender de novo a perspectiva em que essa oposição não é válida.

O conceito central de que Newman se serve para unir autoridade e subjetividade é o da verdade. Não tenho reparos em dizer que a verdade é a ideia central da sua luta espiritual. A consciência ocupa para ele um lugar central porque a verdade está no centro. Dito de outra maneira: em Newman, a importância do conceito de consciência está unida à excelência do conceito de verdade [...]. A presença constante da ideia de consciência não significa para ele a defesa, no século XIX e em contraposição à neo-escolástica "objectivista", de uma filosofia ou uma teologia da subjetividade. O sujeito merece, a seu ver, uma atenção como não havia despertado talvez desde Santo Agostinho. Mas é uma atenção na linha de Santo Agostinho, não na da filosofia subjectivista da modernidade. Ao ser elevado ao cardinalato, Newman confessou que toda a sua vida tinha sido uma luta contra o liberalismo. Poderíamos acrescentar: e também contra o subjetivismo cristão tal como o encontrou no movimento evangélico do seu tempo, e que constituiu o primeiro degrau de um caminho de conversão que
duraria toda a sua vida.

A consciência não significa para Newman a norma do sujeito em oposição às exigências da autoridade num mundo sem verdade [...], mas, antes, a presença clara e imperiosa da voz da verdade no sujeito. A consciência é a anulação da mera subjetividade no ponto em que se tangenciam a intimidade do homem e a verdade de Deus. São significativos os versos que escreveu na Sicília em 1833: "Eu amava o meu próprio caminho. Agora Te peço, ilumina-me para Te seguir" [v]. A conversão ao catolicismo não foi para Newman uma questão de gosto pessoal ou uma necessidade anímica subjetiva. Já em 1844, no umbral de sua conversão, referia-se ao tema com estas palavras: "Ninguém pode ter uma opinião mais desfavorável que eu sobre a situação actual dos católicos" [vi].

Mas importava-lhe mais obedecer à verdade, mesmo contra o seu próprio sentir, que seguir o seu gosto, os vínculos de amizade e os caminhos trilhados.

Parece-me muito significativo que ele tenha sublinhado a prioridade da verdade sobre o bem na hierarquia das virtudes [...]. Homem de consciência é aquele que não compra tolerância, bem-estar, êxito, reputação e aprovação públicas renunciando à verdade.

Nisso Newman coincide com outra grande testemunha britânica da consciência, com Thomas More, para quem a consciência nunca foi expressão de uma vontade obstinada nem de um heroísmo caprichoso. Thomas More contava-se a si mesmo entre os mártires timoratos, e dizia que só depois de muitos atrasos e inumeráveis questionamentos tinha conseguido levar a sua alma a obedecer à consciência, a essa obediência à verdade que deve estar acima das instâncias sociais e dos gostos pessoais. Aparecem então dois critérios para distinguir a presença de uma verdadeira voz da consciência: que não coincida com os desejos e gostos próprios, nem, por outro lado, com o que é mais benéfico para a sociedade, com o consenso do grupo ou as exigências do poder político ou social.

Chegados a este ponto, parece natural lançar um olhar sobre os problemas da nossa época. O indivíduo não deve trair a verdade reconhecida pela sua consciência para comprar o progresso e o bem-estar. A sua humanidade não o permite. Mas aqui tocamos o ponto verdadeiramente crítico da modernidade: o conceito de verdade foi praticamente abandonado e substituído pelo de progresso. O progresso "é" a verdade.

Mas, com essa aparente elevação, esse conceito de progresso desmente-se e anula-se a si próprio, pois quando não há uma direção, o mesmo movimento tanto pode ser progressivo como retrógrado. É assim que a teoria da relatividade formulada por Einstein vê o cosmos físico. Mas penso que também descreve com acerto a situação do cosmos espiritual do nosso tempo. A teoria da relatividade estabelece que não há nenhum sistema de referência fixo; cabe a nós considerar um ponto qualquer como referência e a partir dele tentar medir a totalidade, pois só assim poderemos obter resultados; da mesma maneira que escolhemos um, poderíamos ter escolhido qualquer outro.

O que se diz a respeito do cosmos físico reflecte também a segunda inversão "copernicana" que se deu na nossa relação fundamental com a realidade: a verdade, o absoluto, o ponto de referência do pensamento deixou de ser evidente. Por isso, já não há - tampouco do ponto de vista espiritual - nem Norte nem Sul. Não há direção num mundo sem pontos de referência fixos. O que consideramos direção não assenta numa medida verdadeira, mas numa decisão nossa e, em última análise, no ponto de vista da nossa utilidade pessoal. Em semelhante contexto "relativista", a ética teleológica ou consequencialista converte-se numa ética niilista, mesmo que não o percebamos. Numa cosmovisão como essa, aquilo a que chamamos "consciência" é, considerada em profundidade, apenas um modo de dissimular que não há autêntica consciência, isto é, unidade de conhecimento e verdade. Cada um cria os seus próprios critérios, e, nessa situação de relatividade geral, ninguém pode ajudar os outros, e menos ainda dar-lhes instruções.

Agora se compreende a enorme radicalidade do debate ético actual, cujo centro é a consciência. Penso que o paralelismo mais aproximado na história das ideias é a controvérsia entre Sócrates e Platão, por um lado, e os sofistas, por outro, na qual se confrontam duas atitudes fundamentais: a confiança na capacidade humana de atingir a verdade e uma visão do mundo na qual o homem cria os seus próprios critérios de verdade.

O motivo pelo qual Sócrates, um pagão, se converteu em certo sentido num profeta de Jesus Cristo é, a meu ver, essa questão primordial: a sua disposição de acolher a verdade foi o que permitiu ao modo de fazer filosofia inspirado na sua figura o privilégio de ser de algum modo um elemento da História Sagrada, e o que fez dele um recipiente idóneo do Logos cristão, cuja finalidade é a libertação pela verdade e para a verdade. Se separarmos a luta de Sócrates das contingências históricas do seu momento, perceberemos rapidamente com que intensidade esse embate está presente - com outros argumentos e nomes - nos assuntos da polémica do presente. [...]

Tal como ocorria com os sofistas, em muitos lugares já não se pergunta o que um homem qualquer pensa. Basta-nos dispor de uma ideia sobre o seu modo de pensar para incluí-lo na categoria formal conveniente: conservador, reacionário, fundamentalista, progressista ou revolucionário. A inclusão num esquema formal torna desnecessária qualquer explicação do seu pensamento. Algo parecido, mas reforçado, se observa na arte. O que expressa é indiferente: pode glorificar Deus ou o diabo. O único critério é que seja formalmente conhecido.

Com isto, chegamos ao verdadeiro núcleo do nosso assunto. Quando os conteúdos não contam e a pura fraseologia assume o comando, o poder converte-se em critério supremo, isto é, transforma-se em categoria - revolucionária ou reacionária - dona de tudo. Esta é a forma perversa de semelhança com Deus de que fala o relato do pecado original. O caminho do mero poder e da pura força é a imitação de um ídolo, não a realização da imagem de Deus. O traço essencial do homem enquanto homem não é perguntar pelo poder, mas pelo dever, e abrir-se à voz da verdade e suas exigências.

Esta é, a meu ver, a trama definitiva da luta de Sócrates. Também é o argumento mais profundo do testemunho dos mártires: os mártires manifestam a capacidade de verdade do homem como limite de qualquer poder e como garantia da sua semelhança com Deus. É assim que os mártires se constituem nas grandes testemunhas da consciência, da capacidade outorgada ao homem de perceber o dever acima do poder e de começar o progresso verdadeiro e a ascensão efectiva [vii].

A consciência "infalível".

A consciência é apresentada [hoje] como o baluarte da liberdade em face das constrições da existência causadas pela autoridade. [...] Deste modo, a moral da consciência e a moral da autoridade parecem enfrentar-se como duas morais contrapostas em luta recíproca. A liberdade do cristão ficaria a salvo graças ao postulado original da tradição moral: a consciência é a norma suprema que o homem deve seguir sempre, mesmo quando vai contra a autoridade. Quando a autoridade, neste caso o Magistério da Igreja, fala sobre problemas de moral, estará apenas apresentando um subsídio para a consciência poder decidir, e esta sempre reservará para si mesma a última palavra [...]. Esta concepção da consciência como última instância é recolhida por alguns autores na fórmula "a consciência é infalível". [...]

Por um lado, é inquestionável que devemos sempre seguir o veredicto evidente da consciência, ou pelo menos não o infringir com as nossas ações. Mas é muito diferente sustentar que o ditame da consciência, ou aquilo que consideramos como tal, sempre está certo, sempre é infalível. Semelhante afirmação seria o mesmo que dizer que não há verdade alguma, ao menos em matéria de moral e religião, isto é, justamente no âmbito que é o fundamento constitutivo da nossa existência. Como os juízos da consciência se contradizem uns aos outros, só haveria uma "verdade do sujeito" [...].

A pergunta pela consciência transporta-nos, na prática, para o domínio essencial do problema moral e para a interrogação acerca da existência do homem. Não gostaria de pôr estes problemas em forma de considerações estritamente conceptuais e, por conseguinte, completamente abstractas, mas preferiria avançar de modo narrativo.

Primeiramente, contarei a história da minha relação pessoal com este problema. Ele pôs-se pela primeira vez com toda a sua urgência no começo da minha actividade académica.

Um colega meu mais velho [...] expressou durante uma disputa a opinião de que devíamos dar graças a Deus por conceder a muitos homens a possibilidade de se fazerem não-crentes seguindo a sua consciência; se lhes abríssemos os olhos e eles se fizessem crentes, não seriam capazes de suportar neste nosso mundo o peso da fé e das suas obrigações morais. Mas, como todos seguiram de boa-fé um caminho diferente, poderiam alcançar a salvação.

(cont.)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] La fe, de tejas abajo
[ii] Actualidad doctrinal del Catecismo de Ia lglesia católica, em revista Humanitas, Santiago de Chile, 2005, n. 36.
[iii] Fe, verdad y cultura. Reflexiones a propósito de Ia Encíclica Fides et ratio. Primeiro Congresso Internacional da Faculdade San Dámaso de Teologia, Madrid, 16.02.2000
[iv] Letter to Norfolk, pág. 261
[v] Do conhecido poema Lead, kindly light
[vi] Correspondence of J.H. Newman with J, Kebk and Others, págs. 351 e 364
[vii] "Se quiseres a paz, respeita a consciência de cada um. Consciência e verdade", em Wahrheit, Werte, Machí. Prufsteine der pluralistischen Gesellschaft, Herder, Friburgo, 1993; trad. esp. Verdad, valores, poder, Piedras de toque de Ia sociedad pluralista, Rialp, Madrid, 2000, págs. 56-64