26/12/2021

Publicações em Dezembro 26



Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, insiste na paz interior de quem tem por missão difundir a Sua Palavra.

Ninguém pode conseguir o que for se não estiver em paz consigo próprio e, esta, só se alcança quando se está absolutamente seguro de que o que se faz é bem feito, com o empenho total e a disponibilidade absoluta que Cristo pede aos Seus pastores.

Homens santos, autênticos, de altar, que ponham no seu trabalho de pastores de almas estritamente o que a Igreja manda, sem acrescentar da sua lavra o que for.

A Santa Igreja é de Cristo, sua Cabeça, a Doutrina é a Doutrina de Cristo e, o modo de a aplicar é seguindo com obediência e fidelidade estritas o que manda o Magistério.

Senhor, eu julgo precisar dessas coisas todas: o oiro, a prata, o vestido, o alforge o calçado… Agarrado a tudo isto e, a tudo o mais que a minha pobre humanidade me ata, mal me sobra “cabeça” para me entregar ao que de mim esperas; e, porque esperas de mim tais coisas como se, eu, fosse alguém em que merecesse a pena confiar? Tu não me conheces, Senhor! Não sabes das minhas fraquezas, do pouco que sou! Ah!... Mas, Tu, sabes mais, esta é a verdade, e se me escolhes é porque eu terei capacidade de para corresponder. Ajuda-me, Senhor, a não defraudar a Tua confiança em mim.

Serviam! (servirei). Despido de coisas supérfluas, nu de roupagens excessivas e atavios desnecessários, lanço-me à tarefa que me ordenas, meto ombros aos encargos que me entregas sem me deter a considerar as minhas misérias, o pouco que sou, o nada que valho; se o fizesse, ficaria parado, aturdido pela grandeza da tarefa para os meus fraquíssimos recursos. Não! Se me escolhes é porque me encontras préstimo; se me chamas é porque desejas que corresponda.

Por isso e sem mais Te digo: Ecce ego quia vocasti me! (heis-me aqui porque me chamaste)

Não obstante ser um costume daqueles tempos - desejar a paz - e, ainda hoje ser comum sobretudo no Oriente, perdeu-se o sentido profundo do seu verdadeiro significado.

Desejar a paz é a melhor coisa que podemos querer para alguém, querer a paz deveria ser o desejo de qualquer ser humano.   Não esqueçamos, porém, que a paz pessoal, a paz de espírito é o bem mais precioso que podemos ambicionar porque não é possível propagar a paz à nossa volta - como é dever de todo o cristão - se nós próprios não a tivermos em nós.

Fala-se constantemente de paz, justamente por ela não estar, como deveria, instalada no mundo. A paz verdadeira, a única que nos deve interessar, é a paz de Cristo. A paz que os homens almejam não é a conseguida com a imposição, à força quer seja à mesa de negociações quer alcançada no campo de batalha. Para ter paz é preciso, antes de mais, estar pronto, disponível para ceder sem hesitação naquilo que, em nós, não passa de capricho ou teimosia. Enquanto o não fizermos é inútil perseguir a paz porque, não a tendo em nós mesmos, jamais a alcançaremos.

 

Não vamos fazer apostolado carregados - por assim dizer – com inúmeras virtudes, bens, poderes. Vamos como simples cristãos confiados que o Senhor porá o que nos faltar, que, talvez seja muito, para nós, mas, para Ele, nada representa. Não esqueçamos nunca que o apostolado é um trabalho pessoal que devemos fazer, sempre em nome de Jesus Cristo e nunca nos preocupemos com a possibilidade de “não estarmos à altura da tarefa”. Ele, conhece-nos intimamente – melhor que nós próprios nos conhecemos – e, se nos incita a ser apóstolos é porque, na Sua Infinita Sabedoria, quer que o façamos.

Mal fora se o apostolado estivesse reservado só aos sábios e dotados de inúmeras virtudes, não teríamos, a maior parte de nós, lugar nessa tarefa. Não esqueçamos que tudo começou com uns simples doze homens, de escassa cultura e com inúmeros defeitos e debilidades e, no entanto, o que fizeram ficou para sempre, ficará para sempre!

Em síntese o que o Senhor nos recomenda é critério na ordem do nosso amor, das nossas prioridades. Sempre e em qualquer circunstância, o que interessa é termos Deus em primeiro lugar e observar as condições para O seguir.

Jesus Cristo não poupa os avisos sobre as dificuldades que, os que O seguirem, hão-de encontrar. Dificuldades e obstáculos de toda a ordem muitas vezes parecendo impossíveis de superar, e, de facto, são-no para nós que nada podemos, mas, Ele não nos faltará nunca para que possamos. Este Senhor, Todo-Poderoso, promete uma recompensa por um simples copo de água dado em Seu Nome! Vale apena, pois, perseverar e lutar sem descanso com confiança absoluta naquele que tudo pode.

 São Mateus deixa claro o tema que é por demais importante para que os cristãos tenham bem claro o que Ele pede aos que O seguem ou, desejam segui-Lo. Não esconde nem “emoldura” a verdade, bem ao contrário, mostra as dificuldades e obstáculos que os que optarem por esse caminho, hão-de encontrar, mas, a verdade, é que nunca faltaram – nem faltarão jamais - homens e mulheres de todas as raças e condições sociais, que optarão por esse caminho e – atenção – não necessariamente retirados do mundo, nos claustros de um convento. Na vida corrente, podemos encontrar a cada passo pessoas que vivem no mundo, mas “não são do mundo” porque tudo quanto fazem é para honrar e dar glória Deus. São estes “alicerces” em que se apoia a santidade da Igreja de Jesus Cristo, em que nos apoiamos todos os cristãos, que nos servem de exemplo a seguir, nos animam e são, de certo modo, a garantia de que é possível viver como Deus quer que vivamos.

A vida de um cristão é uma vida de luta. Em primeiro lugar consigo próprio no esforço contínuo de fazer a vontade de Deus. Para alguns esta luta reveste-se de particular dificuldade e, até, violência sobretudo para os que vivem em ambientes adversos onde a prática da fé requer heroicidade denodada.

Temos todos a obrigação de ajudar estes muitos irmãos nossos rezando por eles e com a oferta de algum sacrifício ou privação.

Temer o demónio? Parece que é esta a recomendação de Jesus, tal como Evangelista escreve, mas o que na verdade quer dizer é que devemos ter cuidado com as tentações que quando menos esperamos ele insinua no nosso espírito. Já o dissemos e repetimos com absoluta segurança: o demónio não tem qualquer poder sobre nós a menos que nós próprios lho outorguemos. Nem devemos ter medo das tentações porque o Senhor prometeu que jamais consentiria que fossemos tentados além das nossas forças.   Uma coisa é ter medo, outra, completamente diferente, é ter cuidado e cautela redobrados sobretudo naquelas situações ou circunstâncias em que podemos estar mais frágeis ou pouco vigilantes. No Pai-Nosso, Jesus Cristo ensinou-nos que não devemos pedir não ser tentados, mas sim força, ânimo e ajuda para não cairmos na tentação. Ah! E sabemos muito bem que quanto mais progredimos na nossa união com Cristo mais o demónio se encarniçará contra nós, por isso, tenhamos especial cuidado na vigilância e unidade de vida e, assim, estaremos a salvo.

Sem dúvida que a forma mais eficaz de não cair em tentação é evitar decididamente e sem delongas as ocasiões e circunstâncias que, bem sabemos, são propícias para que ocorram.

Mais vale prevenir…

 

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Opus Dei

Evangelho/Biblia

Santa Sé

Religión en Libertad

 

 

 

25/12/2021

Publicações em Dezembro 25



A minha modesta hospedaria está no fim de  numa pequena cidade chamada Belém.

Olhava aquele vai-vem de gente e muitos me pediam hospedagem que eu tinha de recusar por não ter acomodações. Um jovem casal aproximou-se, ela  em visível estado de adiantada gravidez sentada num burrico que o marido conduzia pela arreata.

Ele disse-me que traziam já três dias de viagem e que a jovem mãe estava exausta, precisando urgentemente de um lugar para repousar. Contristado tive de recusar. Quando já se tinham afastado uns metros lembrei-me de um pequeno estábulo que possuia a pouca distância onde guardava palha e sementes para o gado e recolhia um burrico e uma vaca, chamei-os e disse-lhes que, em último recurso, poderiam acoitar-se ali,  pelo menos por essa noite, ao que muito agradecidos aceitaram de imediato.

A noite caía rapidamente e como aquilo não tinha condições nenhumas para albergar gente fui com eles. Acendi uma candeia para iluminar o pobre ambiente, afastei os dois animais - uma vaca e um burrico - para o fundo do estábulo, revirei a palha no chão e coloquei uma bilha com água, arrastei  - não sei porquê - a pequena manjedoura para o centro e coloquei-lhe um pouco de palha fresca. Pendurei a candeia numa trave e despedi-me desejando boa noite e dizendo que se fosse preciso alguma coisa bastava chamarem-me. Invadia-me uma estranha sensação de alegria talvez por achar que tinha feito algo bom... muito bom.

Mal tinha adormecido acordei sobressaltado. Parecia-me ouvir um ruído de cânticos, exclamações de alegria, uma agitação extraordinária.

Fui à porta e vi a noite como que iluminada por luz iridiscente, estrelas dançando no céu; do pequeno estábulo irradiava uma luz que cegava tudo à volta, corriam pastores para o estábulo cantando e dançando numa excitação irreprimível e, atrás vinha muitas mais pessoas, não sabia de onde, todos no mesmo estado de alma. O pequeno estábulo depressa ficou imerso num mar de gente, inundado de luz, mergulhado em cânticos. No céu coros de seres celestes dançavam de alegria.

Na verdade, confesso, não senti medo, sou um Judeu crente e sei muito bem que O Nosso Deus Se manifesta como entende, mas fiquei curioso e por isso fui ao estábulo ver o que se passava.

Não tenho palavras suficientes para descrever o que vi... no meio do estábulo, na pequena manjedoura estava um Menino acabado de nascer, envolto em paninhos pela jovem Mãe, como era costume naquele tempo, e à sua volta os pastores e as outras pessoas - que não cessavam de chegar - levantavam as mãos ao céu com exclamações de louvor, cânticos de alegria, outros com o rosto por terra em adoração.

Perguntei a um pastor o que se passava e ele disse-me: 'Quando ao princípio da noite estavamos nos campos guardando os rebanhos, apareceu-nos um Anjo no Céu que nos disse: Levantai-vos e vão a Belém porque nasceu-vos O Salvador; encontrareis estes sinais... um Menino deitado numa manjedoura acompanhado da Sua Mãe e, nós viemos e encontramos tal qual o Anjo nos disse'.

Eu, também, meio tonto, entrei no estábulo e... encontrei tal qual como descreviam.

Deixei-me ficar extasiado com todo o espectáculo. Sem dar por isso caí de joelhos em frente da pequenina manjedoura e fiquei a olhar para Aquele Menino que Seria, como diziam os Anjos, O Salvador?

No meu estábulo?

Mas o Salvador anunciado pelos Profetas seria Alguém excepcional, de uma grandeza e esplendor extraordinários e, Aquele Menino era um menino como outro qualquer sem nenhum sinal de grandeza ou fora do comum! Mas, perguntei-me... e se fosse? Quem era eu para avaliar ou julgar como deveria ser o Salvador anunciado? Por isso, como disse, caí de joelhos e levantando as mãos ao Céu disse: 'Sê bem vindo Menino, recebo-Te como o maior dom que alguma vez poderia ter imaginado receber'.

Não posso afirmar mas pareceu-me que me sorriu. A Sua Mãe sim, sorriu-me abertamente com um misto de alegria e gratidão. Aquela Jovem Mãe estava-me agradecida!

Ia chegando cada vez mais gente e eu resolvi afastar-me para lhes dar lugar e também para me recolher a ponderar o que deveria fazer.

Logo de manhãzinha voltei ao estábulo e, nessa altura a multidão de pessoas já era incontável. Voltei para casa. Entretanto as multidões tinham partido de Belém e arredores e eu resolvi: vou compor a minha casa, converter duas habitações numa só, mobilá-la o melhor possível e vou trazer o Casal e o Menino para aqui.

Com a ajuda de parentes e amigos foi o que fiz e a meio da tarde a Jovem Mãe e o Seu Filho estavam numa habitação condigna e José instalado noutra habitação com um pequeno catre onde descansar. Nada de "luxos" porque não tinha posses para tal, mas o melhor que consegui arranjar. Pelas minhas contas conjecturava que, pelo menos, estariam ali instalados por Oito Dias, os necessários para a as cerimónias da Apresentação no Templo e a Purificação da Mãe tal como a Lei estabelecia. Só posso descrever aqueles Oito Dias como "alucinantes", não paravam de chegar pessoas de todos os lados, gente humilde e outros de posição social, que queriam ver o Menino e a Sua Mãe. Os meus amigos e vizinhos ajudavam-me como podiam, recebendo as pessoas, dando indicações preciosas, respondendo como podiam á catadupa de perguntas. Pensei, então, quanto são indispensáveis os verdadeiros amigos.

Passados dois ou três dias já me tinha inteirado sobre os meus "Hóspedes", tinham vindo das montanhas da Judeia para se recencearem em Belém e, mal chegados a Jovem sentiu que era chegada a hora de dar à luz. O que aconteceu como já contei, vou apenas referir o que se seguiu.

Os oito dias previstos passaram num ápice e sempre com autênticas multidões à volta da minha casa.

Na manhã do oitavo dia acompahei o Casal e o Filho ao Templo para cumprir os preceitos. Como não possuiam bens de nota levavam duas rolas para oferecer.

No templo não havia quem não conhecesse aquele santo homem chamado Simeão. Logo que entrámos no Pórtico, Simeão levantou-se, tomou o Menino nos braços e rompeu num cântico que a "História da Salvação" regista em detalhe. Todos ficámos assombrados, em particular a Mãe do Menino e José.

Foi uma espantosa alegria ouvir o que aquele Santo Ancião dizia levantando O Menino nos braços. Penso sinceramente que não houve ninguém que não se sentisse "tocado" por aquela cena entranhável. Talvez que, se fosse hoje, haveria uma festa, levariam em ombros aquela Família, cantando, louvando a Deus, exultando de alegria. Mas, não houve nada disso, a Jovem Mãe recolheu o menino nos braços e terminadas as cerimónias montou o burrico com o Filho no colo e deixou-se conduzir pelo Marido de volta à minha casa.

Cinco dias depois acordei sobressaltado, uma luz estranha, intensa poisava sobre a minha humilde casa. Muitos se deram conta e vieram ver o que se passava. Um cortejo de três Dignitários sumptuosamente vestidos, acompanhados dos seus séquitos parava à minha porta dizendo que vinham de muito longe, do Oriente, para ver e adorar o Rei dos Reis que a estrela lhes indicara como estando ali. Pondo-se de joelhos abriram os seus cofres e depositaram aos pés do Menino grandes quantidades de Oiro, Incenso e Mirra,depois... retiraram-se para as suas terras.

24/12/2021

Publicações em Dezembro 24



Natal

 

Na véspera do Natal tomam vulto as memórias de outros tempos em que, estes dias que antecedem uma Festa especialíssima, eram como que um “frenesim” de tarefas que se impunham: construir o Presépio, considerar as ementas para as refeições, comprar os “presentes” para os mais pequenos, para os outros todos da família, grande ou pequena, enfim…

Agora, neste ano de 2021 que vivemos, tudo parece um pouco “esfumado”, incerto…

Mas, temos de pensar e ter bem presente, que o Natal é a Festa do Nascimento de Jesus e que, Ele é que deve merecer todo o nosso reparo e atenção.

Tudo o resto… sim… faz parte da nossa humanidade mas, o que realmente interessa é prepararmos o nosso espírito para O receber condignamente com a alegria e esperança que o Seu Nascimento nos deve trazer.

 

Príncipe da Paz

 

A escassos dias do Natal  é notória uma mudança ou alteração no comportamento das pessoas.

Há mais rostos sorridentes, troca de cumprimentos, afabilidade no trato.

Sobretudo, parece-me haver mais condescendência e menos juízos críticos com os outros.

Neste momento sociedades inteiras, a portuguesa também, atravessam  momentos de confronto, de irredutibilidade nas opiniões e conceitos,  extremando reivindicações e tentando por todos os meios fazer valer o que acham de  seu direito.

Esquecem todos os outros que são afectados por vezes gravemente nas suas vidas.

Vem aí o Príncipe da Paz!

Como precisamos d'Ele!

A paz não é só a ausência de conflitos armados mas, principalmente a paz nas Almas e nos corações das pessoas.

Ah!

Mas está só é possível se houver paz interior no coração de cada um.

Nesta expectativa do Natal que se aproxima vejo-me envolvido em recordações, memórias - algumas "excessivamente" gráficas - e procuro extrair algo como que síntese e concreto.

Nos anos Oitenta e nos quase 10 que se seguiram, as minhas noites de Natal foram passadas em minha casa com as minhas Filhas e um ou três amigos, o "Natal familiar" minha querida Mãe, os meus Irmãos e Família eram uma recordação dolorosa.

Este "impasse" teve origem em diferenças de opinião, critérios pessoais tudo coisas que avaliadas não tinham valor nenhum.

O que fica e guardo, é a maravilha do bem concrecto que O Senhor extraíu deste mal aparente: esses 10 Natais uniram-nos, a Fernandinha e eu, e as nossas Filhas de tal forma que, ainda hoje passados tantos anos, são as memórias que prevalecem.

Humildemente confesso que aqueles 10 anos de separação esquisita se devem à minha falta de humildade porque se tivesse cedido ao que me era solicitado - agora não interessa o quê - tal não se teria verificado.

Não interessa a minha "razão", que estou convencido que a tinha e que os acontecimentos posteriores vieram confirmar, mas porque não considerei as razões que os outros teriam.

O "EU" dominou em detrimento do "NÓS".

 

Uma vez mais, Senhor Jesus, se comemora o Teu Nascimento na gruta de Belém.

A Tua humanização real e verdadeira como qualquer comum mortal.

Não Te contentasTe em amar perdidamente estes homens que se esquecem tantas vezes do Teu amor e, não ficando apenas por esse esquecimento, ainda Te ofendem negando a Tua realidade.

Não Te bastava todos os bens, a Terra inteira posta à disposição dos homens para que a gozem e dela usufruam, todas as maravilhas que criasTe, todas as belezas que a cada momento descobrimos nos mais pequenos detalhes de tudo quanto nos rodeia. Não, Senhor, não te bastavam todas estas coisas, quisesTe ainda ir mais longe, tomar a forma e o corpo humanos, Tu, Deus, Senhor absoluto de tudo, quisesTe nascer como qualquer vulgar filho Teu, no meio das dores do parto, no choque abrupto com o meio ambiente e, ainda por cima, quase despercebido de toda a humanidade.

Não fora os pastores e aqueles sábios que de longe vieram adorarTe e Tu, meu Senhor, nascerias sozinho na companhia apenas da Tua Santíssima Mãe e do maravilhoso e santo Pai Adoptivo.

Bem sei que os Anjos do Céu, os Teus Anjos, não poderem resistir e vieram adorarTe, ali, no Teu berço improvisado.

Bem sei que toda uma legião de homens bons e justos aguardavam ansiosamente o Teu nascimento e depois a Tua morte para poderem entrar no gozo pleno do Céu, estavam estáticos e maravilhados olhando para a cena encantadora e singela de um Deus omnipotente a tronar-Se Homem Verdadeiro.

Sim, sei isso tudo, mas,  a minha imaginação defeituosa leva-me a ter uma inveja enorme e uma pena profunda de ainda não existir naquele momento e não estar naquele local para Te adorar, para Te embalar com os meus cânticos, para simplesmente Te mirar admirado e contrito.

Inveja e pena, não tenho infelizmente outras palavras para descrever o que sinto, porque se me tivesse sido dada tal ventura, estou certo que teria merecido o Céu e a Ventura Eterna.

Porque estou convencido que nenhum daqueles homens simples que acorreram ao chamamento dos anjos estará noutro sitio que não no Céu pois só a Tua presença é suficiente e bastante para santificar um homem.

Pena, porque seria um homem simples, com uma vida simples e sem grandes preocupações nem grandes sonhos disparatados e impossíveis e, na sua grande maioria, sem interesse nenhum.

Seria já feliz na Terra e seria, com certeza, muito feliz no Céu.

Tu, assim não o quisesTe, ou melhor, Tu quisesTe que eu nascesse muito depois e tivesse muito mais coisas que aqueles pastores, muito mais bens, mais cultura mais preocupações intelectuais, talvez mais capacidades humanas e, sem duvida nenhuma, muito mais responsabilidades porque muito mais me foi dado.

Não estou, Senhor, descontente com a minha situação e por não ter usufruído dessa graça extraordinária de Te adorar em Belém. Estou descontente, isso sim, comigo mesmo e com o que tenho feito e deixado de fazer para merecer todos os dons e benefícios de acima falo.

Do rendimento que tenho dado a tudo quanto me desTe e comulasTe.

Os avanços e recuos da minha vida, os esquecimentos, os comodismos, a falta de perseverança, o orgulho tonto e desmedido em coisas que não são minhas mas que Te pertencem inteiramente.

A pena que tenho e o desgosto que sinto pelas inúmeras ofensas da minha vida passada e presente.

Assisti indiferente ao Teu sofrimento e Morte na Cruz.

Não me comoveram as Tuas feridas, as Tuas dores e o certo é que, muitas delas, eram de minha responsabilidade pessoal minhas e Tu as acarregasTe por mim.

Por isso, Senhor, por isso Tu não me quisesTe em Belém quando nascesTe; eu não sou digno, não seria digno, de tal graça.

Contento-me, pois, meu Menino Jesus, em olhar-Te de longe no Teu berço e pedirTe com fervor que é também contrição e adoração profundas, que não Te esqueças deste pobre irmão Teu, nascido depois de Ti, e que me dês a graça de poder adorarTe por toda a vida que me restar, louvarTe no Teu Nascimento que amanhã se comemora, de forma a poder merecer a Tua morte na Cruz e obter a salvação eterna da minha alma.

Só isso realmente me interessa.

Bendito sejas Senhor Jesus, pela Tua Natividade e benditos sejam todos os homens que Te receberam no Teu Presépio.

Considerações em Dezembro 24


 

Natal

 

Na véspera do Natal tomam vulto as memórias de outros tempos em que, estes dias que antecedem uma Festa especialíssima, eram como que um “frenesim” de tarefas que se impunham: construir o Presépio, considerar as ementas para as refeições, comprar os “presentes” para os mais pequenos, para os outros todos da família, grande ou pequena, enfim…

Agora, neste ano de 2021 que vivemos, tudo parece um pouco “esfumado”, incerto…

Mas, temos de pensar e ter bem presente, que o Natal é a Festa do Nascimento de Jesus e que, Ele é que deve merecer todo o nosso reparo e atenção.

Tudo o resto… sim… faz parte da nossa humanidade mas, o que realmente interessa é prepararmos o nosso espírito para O receber condignamente com a alegria e esperança que o Seu Nascimento nos deve trazer.

 

Príncipe da Paz

 

A escassos dias do Natal  é notória uma mudança ou alteração no comportamento das pessoas.

Há mais rostos sorridentes, troca de cumprimentos, afabilidade no trato.

Sobretudo, parece-me haver mais condescendência e menos juízos críticos para com os outros.

Neste momento, sociedades inteiras, a portuguesa também, atravessam  momentos de confronto, de irredutibilidade nas opiniões e conceitos,  extremando reivindicações e tentando por todos os meios fazer valer o que acham de  seu direito.

Esquecem todos os outros que são afectados por vezes gravemente nas suas vidas.

Vem aí o Príncipe da Paz!

Como precisamos d'Ele!

A paz não é só a ausência de conflitos armados mas, principalmente a paz nas Almas e nos corações das pessoas.

Ah!

Mas está só é possível se houver paz interior no coração de cada um.

Nesta expectativa do Natal que se aproxima vejo-me envolvido em recordações, memórias - algumas "excessivamente" gráficas - e procuro extrair algo como que síntese e concreto.

Nos anos Oitenta e nos quase 10 que se seguiram, as minhas noites de Natal foram passadas em minha casa com as minhas Filhas e um ou três amigos, o "Natal familiar" minha querida Mãe, os meus Irmãos e Família eram uma recordação dolorosa.

Este "impasse" teve origem em diferenças de opinião, critérios pessoais tudo coisas que avaliadas não tinham valor nenhum.

O que fica e guardo, é a maravilha do bem concrecto que O Senhor extraíu deste mal aparente: esses 10 Natais uniram-nos, a Fernandinha e eu, e as nossas Filhas de tal forma que, ainda hoje passados tantos anos, são as memórias que prevalecem.

Humildemente confesso que aqueles 10 anos de separação esquisita se devem à minha falta de humildade porque se tivesse cedido ao que me era solicitado - agora não interessa o quê - tal não se teria verificado.

Não interessa a minha "razão", que estou convencido que a tinha e que os acontecimentos posteriores vieram confirmar, mas porque não considerei as razões que os outros teriam.

O "EU" dominou em detrimento do "NÓS".

23/12/2021

Publicações em Dezembro 23

 


A hipocrisia é um defeito terrível que Jesus Cristo veementemente condena como com frequência os Evangelhos referem.

Pretender que nos tomem por alguém que não somos, aparentar virtudes que não possuímos, dizer que não sabemos o que realmente conhecemos enfim, deturpar, enganar, fingir são próprios de alguém detestável em quem não se pode confiar o que for.

Amiúde somos levados a julgar, ou pelo menos, avaliar, as atitudes e comportamentos dos outros.

Seria muito útil para nós pensar que esses outros terão a mesma atitude connosco e tal deveria levar-nos a uma conduta irrepreensível.

O são critério deve estar sempre presente quando se trata de falar de Deus aos outros.

É contraproducente falar de Deus e de coisas santas - «as vossas pérolas» - a pessoas que ou não sabem ou não têm qualquer interesse em saber e, nalguns casos – bastantes infelizmente – as perguntas que possam fazer têm como intenção encontrar argumentos de discussão e desafio.

Porque que, se de facto quer ouvir para entender e saber deve estar disposto desde logo a assumir as dificuldades, obstáculos e eventuais renúncias que o seguimento de Cristo implica.

Transportar a cruz de cada dia será sempre difícil pela «porta estreita» por isso mesmo muitos preferem usar o caminho largo e fácil onde não são necessários nem esforços ou sacrifícios.

A prudência é uma virtude que devemos pedir com insistência sobretudo quando se trata de responder a questões que, de algum modo, tenham a ver com a nossa Santa Religião Cristã.

Já referimos algumas vezes que nem todas as perguntas merecem resposta porque feitas com espírito malévolo e intencionalmente crítico.

Ser prudentes no que dizemos e também no que escrevemos e, em caso de dúvida, pedir conselho.

Sim, algumas vezes o que escrevemos pode ou não ser adequado ou pela forma poderá ser deficientemente interpretado.

Nós, cristãos, não somos mestres em coisa nenhuma, «um só é o Nosso Mestre» (cfr. Mt 2 3-8) como muito bem frisou Jesus Cristo.

Faz parte da condição humana o exercer quase que de forma automática pensamentos, obras e opiniões sobre os outros que se cruzam na nossa vida.

Nem sempre, evidentemente, sob o aspecto da crítica e reprovação, também o fazemos para louvar e de alguma forma sublinhar algo que achamos bem e até invejamos.

Pois seja qual for a intenção devemos abster-nos porque em caso algum fomos constituídos juízes..

A hipocrisia merece de Jesus Cristo veemente repúdio e, os Evangelhos, relatam várias ocasiões em que esse repúdio constitui uma acusação claríssima.

De facto, o hipócrita age como um actor, fingindo o que não é, oferecendo o que não tem, aconselhando o que não pratica.

A hipocrisia pode espalhar-se como uma praga sobretudo quando se quer alguma coisa ou atingir um fim seja de que maneira for.

Ninguém pode dar o que não tem ou aconselhar o que não sabe.

Ser verdadeiro e honesto quer no procedimento quer nas intenções é o que deve caracterizar o cristão. Este, além de merecer crédito no que diz, tem de convencer pelo exemplo do que faz.

 

Solidez da Fé

 

Temos de encarar - seriamente - a solidez da nossa fé.

Acreditamos porque é nossa convicção, séria, intelectualmente honesta, ou "porque sim", é tradição de família, algo que consideramos desde crianças?

Não há alternativa: ou se verifica a primeira ou, então, a fé que julgamos ter não resistirá aos embates e vicissitudes que a vida nos trará.

Pedir, pedir... parece ser esta a atitude da criatura em relação ao seu Criador. E não é nem demais nem ousadia porque foi O próprio Jesus Cristo Quem nos instruiu para que o fizéssemos e, mais, pedíssemos perseverantemente, sem descanso.

De que precisamos? De tudo, absolutamente porque por nós mesmos não podemos nada.

Não tenhamos medo de pedir ou receio de pedirmos demais.

O Senhor sabe muito bem o que realmente nos faz falta e, na Sua Infinita Sabedoria nos dará o que entender que realmente precisamos.

Por vezes na nossa vida surgem momentos em que estas palavras de Jesus Cristo nos levantam algumas dúvidas.

Com efeito aquilo que vimos pedindo há tanto tempo parece não ser atendido como se o Senhor estivesse desinteressado.

Pensemos bem: será que na verdade não nos concede o que pedimos?

Talvez o faça de outra forma e não exactamente como pedimos como, por exemplo, a cura de uma doença persistente que nos aflige.

Podemos, é verdade, continuar na mesma situação e essa cura não surgir, mas, consideremos, se não recebemos graça para suportar a doença, se os méritos que possamos obter com o nosso sofrimento não serão “aplicados” onde ou em quem esteja mais necessitado, se, no fim e ao cabo, a nossa doença não é caminho da nossa salvação?

 

Construir, construir…

 

É a tarefa de todos os homens que foi dada pelo Criador.

O quê e como?

Pois, com critério e empenho para que a construção seja não só estável como duradoura.

E verdade, estamos de passagem, mas as nossas obras ficarão como testemunho dessa passagem.

O Senhor contemplará o que construirmos e, se achar digno, habitará na nossa morada.

Guardar a fé como um Tesouro, Pérolas Preciosas, é um dever de qualquer cristão, como guardião fiel e Depósito Seguro das verdades reveladas por Cristo Nosso Senhor.

A nossa Santa religião tem de ser preservada dos que a combatem usando por vezes as próprias fraquezas dos que deviam protegê-la e actuando, por isso mesmo, com eficácia.

Tenhamos a coragem e desassombro necessários para mantermos com firmeza as nossas convicções alicerçadas nas verdades da nossa Santa Fé.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Passamos pela vida curta ou longa em permanente actividade de construtores.

Fazemos pontes entre uns e outros tentando unir o que por qualquer motivo se separou, pomos de pé leis e regras para reger a sociedade; fazemos o que muitos recusam por apatia vergonha ou outro motivo qualquer e sobretudo construímos passo a passo uma vida que desejamos exemplar não nos poupando a esforços ou por vezes sacrifícios.

Bom... tudo  isto é, deve ser o ideal da vida de um cristão.

Mas se não nos apoiarmos na oração constante e perseverante tudo isso carecerá da solidez indispensável para resistir aos vendavais e tormentas que constantemente o demónio levanta contra nós.

O poder da Fé converte quem a possui em alguém indestrutível, como que imune às vicissitudes e perigos que podem deparar-se nesta vida.

Com a confiança em Deus que a Fé consolida, o homem nunca será vencido no seu caminhar para Deus.

Com a sua vida bem assente nas bases da verdadeira fé, pode estar seguro que cumpre o necessário para alcançar a vida eterna, ou seja, como o Senhor afirma: «entrará no Reino do Céu, (…) aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu».

 

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