30/03/2021

Pequena agenda do cristão

   Pequena agenda do cristão - Terça-Feira

 

TeRÇa-Feira

Pequena agenda do cristão 

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Aplicação no trabalho.

Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.

Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.

Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


Orações sugeridas:

Salmo II

Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient. 
Quare fremerunt gentes et populi meditati sunt inania?
Astiterum reges terrae et principes convenerunt in unum adversus Dominum et adversus christum eius.
Dirumpamus vincula eorum et proiciamos a nobis iugum ipsorum.
Qui habitabit in caelis, irridebit eos, Dominus subsanabit eos.
Ego autem constitui regem meum super sion montem sanctum meum.
Praedicabo decretum eius Dominus dixit ad me: filius meus es tu; ego hodie genui te.
Postula a me, et dabo tibi gentes hereditatem tuam et possessionem tuam terminos terrae.
Reges eos in virga ferrea et tamquam vas figuli confringes eos.
Et nunc, reges, intelegite, erudimini, qui indicatis terram.
Servite Domino in timore et exultate ei cum tremore.
Apprehendite disciplinam ne quando irascatur et pereatis via, cum exarcerit in brevi ira eius.
Beati omnes qui confident in eo.
Gloria Patri...
Regnum eius regnum sempiternum est et omnes reges servient et obedient.
Oremus:
Omnipotens et sempiterne Deus qui in dilecto Filio Tuo universorum rege omnia instaurare voluisti concede propitius ut cunctae familiae gentium pecati vulnere disgregatae eius suavissimo subdantur imperio: Qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum.

Exame Pessoal

Sabes Senhor, qual é, talvez a minha maior fraqueza? É pensar em demasiado mim, nos meus problemas, nas minhas tristezas, naquilo que me acontece e no que gostaria me acontecesse. Nas voltas e reviravoltas que dou sobre mim mesmo, sobre a minha vida.
E os outros? Sim, os outros que rezam por mim, que se interessam por mim, que têm paciência para comigo, que me desculpam as minhas faltas e as minhas fraquezas, que estão sempre prontos a ouvir-me a atender-me, que não se importam de esperar que eu os compense pelo bem que me fazem, que não me pressionam para que pague o que me emprestam, que não me criticam nem julgam com a severidade que mereço.
Ajuda-me Senhor, a ser, pelo menos reconhecido e a devolver o bem que recebo e, além disso a não julgar, a não emitir opinião, critica ou conceito, vendo nos outros, a maior parte das vezes, os defeitos e fraquezas que eu próprio possuo.

Senhor, ajuda-me a pensar nos outros em vez de estar aqui, mergulhado nos meus problemas, girando à volta de mim mesmo, concentrado apenas no que me diz respeito. Os outros! Todos os outros. Os que conheço, de quem sou amigo ou familiar e aqueles que me são desconhecidos. São Teus filhos como eu, logo, todos são meus irmãos. Se somos irmãos somos também herdeiros, convém, portanto que me preocupe com aqueles que vão partilhar a herança comigo.

Noverim me

Oh Deus que me conheces perfeitamente tal como sou, ajuda-me a conhecer-me a mim mesmo, para que possa combater com eficácia os enormes defeitos do meu carácter, em particular...
Chamaste-me, Senhor, pelo meu nome e eu aqui estou: com as minhas misérias, as minhas debilidades, com palavras maiores que os actos, intenções mais vastas que as obras e desejos que ultrapassam a vontade.
Porque não sou nada, não valho nada, não sei nada e não posso nada, entrego-me totalmente nas Tuas mãos para que, por intercessão de minha Mãe, Maria Santíssima, de São José, meu Pai e Senhor, do Anjo da Minha Guarda e de São Josemaria, possa adquirir um espírito de luta perseverante.
   
Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo o que me afaste de Ti.
Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo o que me aproxime de Ti
Meu Senhor e meu Deus, desapega-me de mim mesmo, para que eu me dê todo a ti.
Eu sei que podeis tudo e que, para Vós, nenhum projecto é impossível.
Faz-me santo, meu Deus, ainda que seja à força.

Nada te perturbe / nada te atemorize Tudo passa / Deus não muda A paciência tudo alcança / Quem a Deus tem Nada falta / só Deus basta. (Santa Teresa de Jesus)

29/03/2021

Pequena agenda do cristão

    


SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Leitura Espiritual Mar 29

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XIV, 15-35



 

Parábola da grande ceia

15 Ouvindo isto, um dos convidados disse-lhe: «Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!» 16 Ele respondeu-lhe: «Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. 17 À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: ‘Vinde, já está tudo pronto.’ 18 Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: ‘Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.’ 19 Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.’ 20 E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso ir.’ 21 O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: ‘Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.’ 22 O servo voltou e disse-lhe: ‘Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.’ 23 E o senhor disse ao servo: ‘Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.’ 24 Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»

 

Necessidade da abnegação

 25 Seguiam com ele grandes multidões; e Jesus, voltando-se para elas, disse-lhes: 26 «Se alguém vem ter comigo e não me tem mais amor que ao seu pai, à sua mãe, à sua esposa, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo. 28 Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a despesa e ver se tem com que a concluir? 29 Não suceda que, depois de assentar os alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, 30 dizendo: ‘Este homem começou a construir e não pôde acabar.’ 31 Ou qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro para examinar se lhe é possível com dez mil homens opor-se àquele que vem contra ele com vinte mil? 32 Se não pode, estando o outro ainda longe, manda-lhe embaixadores a pedir a paz. 33 Assim, qualquer de vós, que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo.» 34 «Coisa boa é o sal; mas, se perder o seu sabor, com que há-de ele temperar-se? 35 Não serve nem para a terra, nem para a estrumeira: deita-se fora. Quem tem ouvidos para ouvir, oiça!»

 

Texto




 

Enquanto se desenrola o processo contra Jesus ante o Sinédrio tem lugar a cena mais triste a vida de Pedro.

Ele, que tinha deixado tudo para seguir Jesus, presenciado tantos prodigíos recebera tantas mostras de afecto, agora… nega-O rotundamente.

Sente-se como que encurralado, tem medo e com juramento nega conhecer Jesus.[1]

Ao ler esta passagem do Evangelho escrito por São Marcos e sabendo que este tinha sido discípulo do Príncipe do Apóstolos, espanta-nos que este tenha querido que o Evangelista mencionasse expressamente e com detalhes a triste ocorrência.

Fica-nos esta lição de extrema humildade do Apóstolo que quer que conste para sempre este seu momento de fraqueza e de traição.

 

Para nós, pessoas comuns que não temos nem a grandeza de espírito nem o amor por Cristo que Pedro revela, somos como que chamados a considerar a nossa “posição” de cristãos no meio da sociedade em que vivemos.

 

Somos, comportamo-nos sempre como devemos… ou, por vezes, preferimos escamotear a verdade, escondendo ou tentando mascarar as nossa convicções a nossa Fé?

Não será comum para a maior parte de nós que a nossa vida corra risco por causa da Fé que professamos, mas sem dúvida que, ao longo da vida, vamos encontrando inimigos dessa Fé e, pior, dispostos a segregar quem a segue indefectívelmente. Sim… por vezes talvez nos seja pedido algo heróico em que, desprezando os incómodos, as troças, as exlusões torpes, nos atenhamos firmemente aos nossos princípios e valores que nos conferiu o Baptismo?

 

Mas, talvez, o mais importante em ter em conta seja fugir dessas situações ou companhias em que tal possa acontecer.

Não por cobardia mas por prudência, cautela.

Somos como somos, seres humanos com virtudes, sem dúvida, mas, também, com defeitos e fraquezas.

Ter coragem não é enfrentar os perigos mas sim, ter capacidade de os evitar.

A verdadeira coragem reside em evitar o diálogo com o maligno, considerar a tentação.

 

Reconhecendo o pouco que somos, recorramos à Nossa Mãe do Céu à sua ajuda e protecção e ao Anjo da Nossa Guarda que nos guie com mão segura.

 



[1] Cr. Mc XIV, 66-67

Reflexão na Semana Santa



A Igreja começa hoje a celebrar a Semana Santa, também chamada SEMANA MAIOR.

Será uma semana onde os cristãos terão presentes de modo especial os acontecimentos que mais directamente se prendem com a Salvação e Redenção humanas levadas a cabo por Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nestes dias iremos passo a passo reviver esses momentos deixando-nos invadir pelas provas amor de Cristo.

Muitas vezes há-de custar-nos aceitar os factos, as violências inauditas, o rancor asqueroso, a ínsidia e traição, as mentiras e invenções, os testemunhos deturpados, a indignidade e falta de respeito pela integridade de um ser humano.

Iremos tomar consciência de que o Senhor não Se poupou a nada, numa entrega total, submissa para dar cabal cumprimento à Vontade de Deus Pai.

Sim… poderá parecer-nos excessivo, evitável mas, teremos de concluir que a gravidade do pecado é de tal ordem que a sua remissão só pode concretizar-se pelo perdão do Ofendido.

E, assim, por uma vez que será definitiva, o Ofendido entrega-Se nas mãos dos ofensores para que sofrendo e oferecendo a Sua vida, apague para sempre a mancha da ofensa.

Com esta “conclusão” bem arraigada na nossa alma, tomamos o firme propósito de não voltar a ofender tão Excelente Senhor; sabendo, embora, que somos fracos, volúveis e inseguros, pediremos ajuda à Sua Santíssima Mãe que nos guarde e guie para que o consigamos. 


Ano de São José

 


Mestre de vida interior

Ama muito São José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais O amou, depois da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus. (São Josemaria, Forja, 554)

Pequena agenda do cristão

 

 

SeGUNDa-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

28/03/2021

São Josemaria – Textos

 


Eu confio em Ti, sei que és meu Pai

Jesus ora no horto: Pater mi (Mt XXVI, 39), Abba, Pater (Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por companheiro de caminho o sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha filiação, porque me trata como ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei gemer e chorar sozinho no meu Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo O meu nada, subirá ao Senhor um grito saído do íntimo da minha alma: Pater mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via Sacra, 1ª Estação, n. 1)

Por motivos que não vem a propósito referir – mas que são bem conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a vida tem-me levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho saboreado a alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me purificar, para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base o seu amor e a minha humilhação. Por isso, desejo agora insistir na necessidade de nos renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão facilmente nos amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e ao mesmo tempo mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus. (Amigos de Deus, 143)

Leitura Espiritual Mar 28

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc XIII, 31-35; Lc XIV, 1-14

 

Jesus e Herodes

31 Naquela altura aproximaram-se dele alguns fariseus, que lhe disseram: «Vai-te embora, sai daqui, porque Herodes quer matar-te.» 32 Respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Agora estou a expulsar demónios e a realizar curas, hoje e amanhã; ao terceiro dia, atinjo o meu termo. 33 Mas hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, porque não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém.»

 

Censuras a Jerusalém

34 «Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes Eu quis juntar os teus filhos, como a galinha junta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste! 35 Agora, ficará deserta a vossa casa. Eu vo-lo digo: Não me vereis até chegar o dia em que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor!»

 

Cura de um hidrópico

XIV 1 Tendo entrado, a um sábado, em casa de um dos principais fariseus para comer uma refeição, todos o observavam. 2 Achava-se ali, diante dele, um hidrópico. 3 Jesus, dirigindo a palavra aos doutores da Lei e fariseus, disse-lhes: «É permitido ou não curar ao sábado?» 4 Mas eles ficaram calados. Tomando-o, então, pela mão, curou-o e mandou-o embora. 5 Depois, disse-lhes: «Qual de vós, se o seu filho ou o seu boi cair a um poço, 6 não o irá logo retirar em dia de sábado?» E a isto não puderam replicar.

 

O último lugar

7 Observando como os convidados escolhiam os primeiros lugares, disse-lhes esta parábola: 8 «Quando fores convidado para um banquete, não ocupes o primeiro lugar; não suceda que tenha sido convidado alguém mais digno do que tu, 9 venha o que vos convidou, a ti e ao outro, e te diga: ‘Cede o teu lugar a este.’ Ficarias envergonhado e passarias a ocupar o último lugar. 10 Mas, quando fores convidado, senta-te no último lugar; e assim, quando vier o que te convidou, há-de dizer-te: ‘Amigo, vem mais para cima.’ Então, isto será uma honra para ti, aos olhos de todos os que estiverem contigo à mesa. 11 Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado.»

 

Caridade

12 Disse, depois, a quem o tinha convidado: «Quando deres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos; não vão eles também convidar-te, por sua vez, e assim retribuir-te. 13 Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. 14 E serás feliz por eles não terem com que te retribuir; ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos.»

 

Texto


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE

JOÃO PAULO II

PARA A QUARESMA DE 1994

 

Amados Irmãos e Irmãs em Cristo

 

1. A Quaresma é o tempo favorável, concedido pelo Senhor, para renovar a nossa caminhada de conversão e fortificar em nós a fé, a esperança e a caridade, para entrar na Aliança querida por Deus e para conhecer um tempo de graça e reconciliação.

 

«A família está ao serviço da caridade, a caridade está ao serviço da família». Com um tal tema, escolhido para este ano, quereria convidar todos os cristãos a transformarem a sua existência e a modificarem os seus comportamentos, para serem fermento que faz crescer no seio da família humana a caridade e a solidariedade, valores essenciais da vida social e da vida cristã.

 

2. Em primeiro lugar, que as famílias tomem consciência da sua missão na Igreja e no mundo! E na oração pessoal e comunitária que recebem o Espírito Santo que, nelas e por elas, vem fazer novas todas as coisas e que abre o coração dos fiéis â dimensão universal. Saciando-se na fonte do amor, cada um tornar-se-á capaz de transmitir este amor na sua vida e nas suas obras. A oração une-nos em Cristo, fazendo assim todos os homens irmãos.

 

A família é o lugar primeiro e privilegiado da educação e do exercício da vida fraterna, da caridade e da solidariedade, em suas múltiplas formas. No relacionamento familiar, aprende-se a atenção, o acolhimento e o respeito do outro, que sempre deve poder encontrar o lugar que lhe pertence. Depois, a vida em comum é um convite à partilha, que permite sair do próprio egoísmo. Aprendendo a partilhar e a dar, descobre-se a alegria imensa que nos traz a comunhão dos bens. Com delicadeza, os pais procurarão despertar nos filhos, pelo seu exemplo e o seu ensino, o sentido da solidariedade. Desde a infância, cada um é chamado também a fazer a experiência da abstinência e do jejum, a fim de forjar o seu carácter e dominar os seus instintos, em especial o da posse exclusiva para si mesmo. Aquilo que se aprende na vida familiar permanece ao longo de toda a existência.

 

3. Nestes tempos particularmente difíceis que o nosso mundo atravessa, oxalá as famílias, a exemplo de Maria que se apressou a ir visitar sua prima Isabel, se tornem próximas dos seus irmãos em necessidade e os tenham presentes na sua oração! Como o Senhor, que toma os homens ao seu cuidado, devemos poder dizer: «Voltei os Meus olhos para o meu povo, e o seu clamor chegou até Mim» (1 Sam 9,16); deste modo, não poderemos permanecer surdos aos seus apelos. Porque a pobreza de um número sempre crescente de irmãos nossos aniquila-lhes a sua dignidade de pessoas e desfigura a humanidade inteira; constitui uma injúria clamorosa ao dever de solidariedade e de justiça.

 

4. Hoje, a nossa atenção deve concentrar-se especialmente sobre os sofrimentos e as pobrezas familiares. Com efeito, um grande número de famílias atingiram o limiar da pobreza, não possuindo sequer o mínimo necessário para se alimentar e nutrir os seus filhos, para permitir a estes últimos terem um crescimento físico e psíquico normal e seguirem uma escolaridade regular e válida. Algumas não têm os meios para se alojarem decentemente. O desemprego alastra cada vez mais, aumentando em proporções consideráveis o empobrecimento de faixas inteiras da população. Mulheres há que se vêem obrigadas a prover sozinhas às necessidades dos seus filhos e a educá-los, o que leva muitas vezes os jovens a divagarem pelas ruas, refugiando-se na droga, no abuso do álcool ou na violência. Constata-se actualmente um crescimento dos casais e das famílias a braços com provações psicológicas e de relacionamento. As dificuldades sociais contribuem às vezes para a desintegração do núcleo familiar. Com muita frequência, o filho nascituro não é aceite. Em alguns países, os menores são submetidos a condições desumanas ou vergonhosamente explorados. As pessoas de idade e as diminuídas, porque economicamente não rentáveis, são deixadas numa extrema solidão e sentem-se inúteis. Por pertencerem a outras raças, culturas, religiões, famílias vêem-se rejeitadas na terra onde se tinham estabelecido.

 

5. Face a tais flagelos, que atingem o conjunto do planeta, não podemos calar nem permanecer inactivos, pois ferem a família, célula básica da sociedade e da Igreja. Somos chamados a domina-los. Os cristãos e os homens de boa vontade têm o dever de apoiar as famílias em dificuldade, dando-lhes os meios espirituais e materiais para sair das situações frequentemente trágicas que acabamos de evocar.

 

Neste tempo da Quaresma, portanto, convido antes de mais à partilha com as famílias mais pobres, para que possam desempenhar, particularmente com os filhos, as responsabilidades que lhes competem. Ninguém pode ser rejeitado em nome da sua diferença, da sua debilidade ou da sua pobreza. Pelo contrário, as diversidades são riquezas para a construção comum. É a Cristo, que nos damos sempre que nos dedicamos aos pobres, porque eles «revestiram o rosto do nosso Salvador» e «são os preferidos de Deus» (S. Gregório de Nissa, O amor dos pobres). A fé exige a partilha com os semelhantes. A solidariedade material é uma expressão essencial e primária da caridade fraterna: é ela que dá a cada um os meios para subsistir e organizar a sua vida.

 

A terra e as suas riquezas pertencem a todos. «A fecundidade de toda a terra deve tornar-se fertilidade para todos» (S. Ambrósio de Milão, De Nabuthe VII, 33). Nas horas dolorosas que vivemos, não basta, sem dúvida, tomar do supérfluo, mas sim transformar os comportamentos e os modos de consumo, a fim de cortar do próprio necessário e de olhar apenas ao essencial, para que todos possam viver com dignidade. Façamos jejuar os nossos desejos por vezes imoderados no possuir, a fim de oferecer ao nosso próximo o que radicalmente lhe falta. O jejum dos ricos deve tornar-se o alimento dos pobres (cf. S. Leão Magno, Homilia 20 sobre o jejum).

 

6. De modo particular, chamo a atenção das comunidades diocesanas e paroquiais para a necessidade de encontrar meios práticos para ir em socorro das famílias carenciadas. Sei que numerosos sínodos diocesanos tomaram já providências nesse sentido. Também a pastoral familiar deve poder jogar um papel de primeiro plano. Além disso, os cristãos, nos organismos civis em que participam, apelarão insistentemente a este cuidado e a este dever imperioso de ajudar as famílias mais débeis. Dirijo-me ainda aos governantes das nações para que encontrem, à escala do seu país e do conjunto planetário, os meios para fazer cessar a espiral de pobreza e endividamento das famílias. A Igreja deseja que, nas políticas económicas, os dirigentes e os chefes de empresa tomem consciência das mudanças a operar e das suas obrigações, para que as famílias não dependam unicamente das ajudas que lhes são concedidas, mas que o trabalho dos seus membros lhes possa fornecer os meios de subsistência.

 

7. A comunidade cristã acolhe com alegria a iniciativa das Nações Unidas de fazer de 1994 um Ano Internacional da Família, e por todo o lado onde lhe é possível, de bom grado ela dá o seu contributo especifico.

 

Hoje não fechemos o nosso coração, mas escutemos a voz do Senhor e a dos nossos irmãos, os homens!

 

Possam as acções de caridade realizadas no decurso desta Quaresma, pelas famílias e para as famílias, proporcionarem a cada um a alegria profunda e abrirem os corações a Cristo ressuscitado, «o Primogénito de muitos irmãos» (Rm 8,29)! A todos aqueles que responderão a este apelo do Senhor, concedo de bom grado a minha Bênção Apostólica.

 

Vaticano, 3 de Setembro de 1993.

 

IOANNES PAULUS PP. II

 

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Sacramentos

 


3. Sacramentos da fé e da salvação

 

Cristo enviou os Apóstolos para que, «em seu nome, pregassem a todas as nações a conversão para o perdão dos pecados» (Lc 24, 47). «Fazei discípulos de todas as nações, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). A missão de batizar, portanto a missão sacramental, está implicada na missão de evangelizar; porque o sacramento é preparado pela Palavra de Deus e pela fé, que é assentimento a esta Palavra.

Os sacramentos estão ordenados à santificação dos homens, à edificação do corpo de Cristo e, por fim, a prestar culto a Deus; como sinais, têm também a função de instruir. Não só supõem a fé, mas também a alimentam, fortificam e exprimem por meio de palavras e coisas, razão pela qual se chamam “sacramentos da fé”.

A fé da Igreja é anterior à fé do fiel, que é chamado a aderir a ela. Quando a Igreja celebra os sacramentos, confessa a fé recebida dos Apóstolos. Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam. Eles são eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que batiza, é Ele que age nos sacramentos para comunicar a graça que o sacramento significa.

Os sacramentos actuam ex opere operato (segundo o Concílio de Trento: “pelo próprio facto de a ação ser executada”), quer dizer, em virtude da obra salvífica de Cristo, realizada uma vez por todas. Segue-se daí que “o sacramento não é realizado pela justiça do homem que o dá ou que o recebe, mas pelo poder de Deus”.[1] Por conseguinte, desde que um sacramento seja celebrado conforme a intenção da Igreja, o poder de Cristo e do Seu Espírito age nele e por ele, independentemente da santidade pessoal do ministro. No entanto, os frutos dos sacramentos dependem também das disposições de quem os recebe.

A Igreja afirma que, para os crentes, os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação. A «graça sacramental» é a graça do Espírito Santo dada por Cristo e própria de cada sacramento. O Espírito cura e transforma aqueles que O recebem, conformando-os com o Filho de Deus. O fruto da vida sacramental é que o Espírito de adoção deifique os fiéis, unindo-os vitalmente ao Filho único, o Salvador.

O fruto da vida sacramental é, ao mesmo tempo, pessoal e eclesial. Por um lado, este fruto é, para todo o fiel, viver para Deus em Cristo Jesus; por outro, é para a Igreja crescimento na caridade e na sua missão de testemunho.[2]



[1] São Tomás de Aquino, S. Th., 3, q. 68, a. 8, c.

[2] Cfr. Catecismo da Igreja Católica nn. 1122-1134