07/03/2021

Pequena agenda do cristão - Domingo

  


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)





























06/03/2021

Leitura Espiritual Mar 06

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc IV, 33-44; V, 1-11

 

Jesus liberta um possesso do demónio

33 Encontrava-se na sinagoga um homem que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz: 34 «Ah! Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem Tu és: o Santo de Deus!» 35 Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe fazer mal algum. 36 Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» 37 A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.

 

Jesus cura a sogra de Pedro e outros doentes

38 Deixando a sinagoga, Jesus entrou em casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto dele em seu favor. 39 Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a; ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo as mãos a cada um deles, curava-os. 41 Também de muitos saíam demónios, que gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.

 

Jesus prega em várias cidades

42 Ao romper do dia, saiu e retirou-se para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele, tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas. 43 Mas Ele disse-lhes: «Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.» 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

 

Pesca milagrosa

V 1  E aconteceu que, apertando-o a multidäo, para ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2  E viu dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3  E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco a multidão. 4  E, quando acabou de falar, disse a Simão: Faz-te ao mar alto, e lançai a rede para pescar. 5  E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob a tua palavra, lançarei a rede. 6  E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7  E fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique. 8  E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor, afasta-te de mim, que sou um homem pecador. 9  Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam, por causa da pesca que haviam feito. 10  E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens. 11  E, levando os barcos para terra, deixaram tudo, e seguiram-nO.

 

Textos



Como o “ter” modifica a pessoa.

Muitas vezes somos levados a pensar que se estivéssemos no lugar de alguém que tem determinada posição social, a nossa atitude seria bem diferente.

Não tenho, na verdade, tanta certeza que assim seja.

Adiantando, estabeleço, desde já, que a posse - seja de um bem material, espiritual ou outro, o cargo ou posição social que se desempenha ou ocupa - condiciona e, de certa forma, “formata” o comportamento das pessoas.

Parece indiscutível que são deploráveis os resultados das acções irresponsáveis praticadas por quem tem responsabilidades.

Há muitíssimos anos, ouvi sem querer uma conversa ao telefone em que alguém contestava uma proposta que outro lhe fazia para ocupar um determinado lugar público: 'Mas, dizia, eu não tenho categoria para desempenhar esse lugar'!

Na altura - teria os meus dezoito anos - não entendi porque a pessoa em questão acabou por aceitar o tal lugar onde acabaria por permanecer doze anos mas, depois, fiquei a saber que o argumento que o convencera fora: 'Basta que o meu amigo seja igual a si mesmo'!

Igual a si mesmo!

Esta frase que ouvi desde que me conheço traduz uma profundidade que, confesso, levei muito tempo a alcançar.

Entendi a amplitude do seu significado, quando a contrapus com as palavras de Cristo: «seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo o que passa disto procede do maligno» [1]

A grande dificuldade - enorme para muitos - é a tentação de agradar a todos e não desagradar a ninguém.

Por norma, evitam a resposta directa e clara, escondendo-se em evasivas que não comprometam.

Evidentemente que, muitas vezes, o fazem por ignorância mas, como não são capazes de a admitir, como seria correcto, evoluem em desconcertantes 'ouvi dizer', 'constou-me que', como se a responsabilidade do que dizem fosse de outros e não deles próprios.

Como se, por exemplo, um professor pudesse dar uma explicação séria e credível, deixando transparecer que não acredita no que explica.

Ou, ainda, aqueles - e serão bastantes - que no confessionário - expõem os seus pecados como se fossem cometidos por outros.

 

A dificuldade em assumir a responsabilidade dos próprios actos é a consequência de uma consciência deformada.

Pode dizer-se que 'sim, sim, não, não’, é radical e uma falta de urbanidade; mas, de facto, iludir a questão, com um ‘talvez’… ou, ‘vamos a ver’, não passa de uma deformação de carácter e, o pior, é que com o tempo e a sua prática continuada se vai tornando numa faceta sempre presente que se apresenta automaticamente.

É a chamada compulsão que significa exactamente fazer algo movido por um impulso a que (já) não se resiste, porque nem se dá por ele.

Muito facilmente esta pessoa cai na mentira, invenção ou manipulação de factos e realidades, acabando por criar uma personalidade artificial onde o verdadeiro se confunde com a fantasia.

Note-se que, curiosamente, esta forma de proceder tem origem numa ‘falsa preguiça’ que é, no fim e ao cabo, partir do princípio que é mais fácil proceder assim que criar obra própria e, dizemos ‘falsa preguiça’ porque, de facto, fazer uma cópia ou um decalque exige quase o mesmo esforço.

A continuação desta forma de proceder acaba, fatalmente, em formas mais graves de apropriação de obras de outros.

É o que se passa, por exemplo, com o plágio na escrita em que se começa por copiar pequenos trechos, modificando-os um pouco, até acabar na cópia pura e simples de trechos completos de obras alheias.

Alguma impunidade de que pode, durante algum tempo, gozar, leva-o a ‘avançar’ mais descaradamente ainda na apropriação do que não é obra sua.

Esta é uma forma de actuar quase compulsiva, um hábito, que, curiosamente, não tem nenhuma explicação lógica porque, ele próprio é capaz de produzir obra de semelhante valor.

Também, com enorme à vontade, se atribuem qualidades, experiências e, até, graus académicos que não têm.

Algumas chegam a contar histórias, acontecimentos, peripécias que foram vividas por outros, que, naturalmente, não estão presentes para colocar a verdade onde ela deve residir.

A grande - enorme - dificuldade para muitos é a tentação de agradar a todos e não desagradar a ninguém.

A incapacidade de dizer 'não sei' é real porque, intimamente, está convencido que sabe ou, pelo menos, conhece razoavelmente.

Uma das características desta pessoa é uma extraordinária capacidade inventiva o que, não raro, o leva a balançar-se em áreas muito específicas como seja, por exemplo, a expressão artística.

 

 



[1] Mt 5, 37

Santíssima Virgem

Maria Mestra de caridade

 

Maria cooperou com a sua caridade para que nascessem na Igreja os fiéis membros da Cabeça de que é efectivamente mãe segundo o corpo. Como Mãe, ensina; e, também como Mãe, as suas lições não são ruidosas. É preciso ter na alma uma base de finura, um toque de delicadeza, para compreender o que nos manifesta, mais do que com promessas, com obras.

 

J. A. Loarte

Filosofia e Religião, Vida Humana

 


CONCEITO CRISTÃO DE DEMOCRACIA

  Parte do princípio de que o homem é uma realidade espiritual e material,dotado de liberdade e de inteligência, com capacidade para comandar o seu próprio destino transcendente a si mesmo e ao mundo, à busca de uma realização temporal e eterna. Inserido na comunidade de todos os homens, com os quais se sente solidário, integra-se nela através de grupos naturais e electivos, que vão da família ao estado, passando pelas formas da escola, campos de trabalho, diversão e cultura, mediante associações livres, como a Igreja, sindicatos, empresas, comunidades cívicas, etc.

  Nesta concepção, o estado não tem apenas a função de “polícia” que vela pela ordem pública, como na mentalidade liberal, nem é o senhor omnipotente da ideologia marxista. Desempenha um verdadeiro papel na vida dos homens, promovendo o bem comum, o respeito pelos organismos intermédios, suprindo as suas carências, num verdadeiro princípio de subsidiariedade. O estado da verdadeira democracia estabelece orgãos de diálogo e participação entre os quais são de assinalar os meios de comunicação social, os partidos políticos, os sindicatos, através dos quais se torna possível a todos e a cada um ter parte activa e responsável nos diversos escalões davida social.

 

(A Ferraz, Cristãos e liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)

Reflexão na Quaresma

 


Olhar ao longe

 

Realmente, caminhar olhando para o chão pode ser uma medida preventiva de, por exemplo, não tropeçar nos obstáculos.

 

Mas, na verdade, se o olhar se dirigir em frente veremos na mesma os obstáculos mas com a vantagem de ter tempo de os evitar.

 

Convém pois, olhar em frente para se ter uma perspectiva mais completa e real do caminho que se percorre e, também, para não perder de vista o vulto de Cristo que nos guia.

 

(AMA, reflexões, 2019)

Pequena agenda do cristão - Sábado

   



SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

05/03/2021

Leitura Espiritual Mar 05

 


Novo Testamento

 

Evangelho

 

Lc IV, 14-32

 

Jesus na Galileia

14 Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 15 Ensinava nas sinagogas e todos o elogiavam.

 

Jesus prega na sinagoga de Nazaré

16 Veio a Nazaré, onde tinha sido criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para ler. 17 Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e, desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 18 «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, 19 a proclamar um ano favorável da parte do Senhor.» 20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Começou, então, a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir.» 22 Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?» 23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: ‘Médico, cura-te a ti mesmo.’ Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também aqui na tua terra.» 24 Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum profeta é bem recebido na sua pátria. 25 Posso assegurar-vos, também, que havia muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de Sídon. 27 Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»

 

Os habitantes de Nazaré querem matar Jesus

28 Ao ouvirem estas palavras, todos, na sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o precipitarem dali abaixo. 30 Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu caminho.

 

Jesus vai a Cafarnaúm

31 Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado. 32 E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.

 

Textos



Felicidade

  Todo o ser humano tem esta ânsia de felicidade e, muitas vezes, procura-a onde ela não se encontra.

 São Tomás de Aquino define-a lapidarmente:

  verdade.’ ([1])

 

Vocação

  Um professor de matemática, em casa, não tem - nem deve - ensinar matemática ao filho, mas sim transmitir-lhe a fórmula que um pai usa para o educar, de um modo geral, por exemplo, levá-lo a compreender a necessidade e vantagens de conhecer razoavelmente a matemática para poder evoluir capazmente no conjunto do plano de estudos.

Não se trata de uma dicotomia do tipo:

Em casa ensino humanista, na escola ensino técnico.

  O que pode definir um bom médico pode muito bem ser, além dos conhecimentos técnico-científicos, as capacidades pessoais de interpretação e execução e também a sua estrutura moral e cívica, enfim, o seu carácter.

 

O “querer” dos filhos

  Como pessoas que são, com uma individualidade singular, os filhos têm o seu querer, a sua vontade.

Podem e devem ter direito a ser-lhe concedida oportunidade de a manifestar, de forma correcta.

Esta forma correta quer dizer com respeito e com moderação ou, por outras palavras, nunca como uma imposição.

Mas, evidentemente, os filhos têm de aprender a querer, a educar a vontade, a ter uma noção da razoabilidade do que querem.

  Aqui entra a pedagogia da liberdade que é, no fim e ao cabo, a educação necessária e a que o filho tem direito de receber.

  Com este princípio muito básico: A liberdade pode resumir-se como sendo o respeito por si próprio e pelos outros; estabelecem-se, desde logo, os parâmetros, os limites, o enquadramento da liberdade individual.

  O filho entenderá que o seu querer não é absoluto mas sempre relativo porque não está isolado mas inserido num conjunto de quereres e conveniências de outros, nomeada e principalmente, da família próxima, os pais e os irmãos.

Não se trata aqui do querer da maioria mas sim de o querer pessoal contribuir para esse querer familiar.

Por isso, as famílias com um só filho têm alguma dificuldade de pesar ou avaliar o querer deste, já que não “joga” ou confronta nenhum outro querer.

Ele absorve toda a atenção e disponibilidade dos pais que não têm com quem reparti-las.

  Seguindo o ponto anterior, vamos abordar o tema:

O controlo da vontade e dos sentimentos, no caso, querer e desejar.

  Como é que se controla a vontade pessoal?

  Esta pergunta é legítima?

  Talvez seja desde que se tenha bem presente o que é, exactamente, a vontade pessoal. Concretamente não parece haver uma definição que satisfaça inteiramente porque tem a ver com a liberdade, tema já sobejamente abordado, logo, a vontade pessoal poderia definir-se como o uso que se dá a essa mesma liberdade pessoal.

Então, no fim e ao cabo, o que se trata é de controlar a liberdade pessoal ou, aquilo que entendemos como tal.

Nos casos que estamos a analisar: sentimentos, querer e desejar, - está bem de ver que a liberdade pessoal tem um âmbito tão vasto, abrangente e universal, que para um uso correcto -, que não fira nem o próprio nem os outros, tem de obedecer a regras e princípios.

Penso que a melhor forma de resolver o assunto - controlar a vontade ou a liberdade pessoais – é ter bem presente que todos os nossos actos, por mais insignificantes que possam ser, têm sempre consequências, causam efeitos, originam ondulações que, por vezes, nem sequer suspeitamos que possam vir a existir ou o alcance que virão a ter.

 

Não se trata de ir pela vida, circunspectamente, analisando, com o maior cuidado e rigor, o que se faz ou pensa e deseja porque, seguramente, se cairá no exagero exacerbado e tíbio de nunca fazer pensar ou desejar coisa nenhuma (se é que tal é possível), ou, pelo menos, ficar-se num imobilismo cómodo, cobarde e egoísta.

 

Em primeiro lugar há que ver quem somos na vida, o papel que ocupamos na sociedade e ter claro o que tal representa de responsabilidade e deveres.

 

A cada um compete ter evidente o que dele podem esperar, em primeiro lugar, aqueles com quem convive mais proximamente, na família, no trabalho, enfim, no ambiente e nas circunstâncias que lhe são próprias.

 

Este é um exercício, diria, de toda a vida, constante e sem pausa, porque, também, a evolução natural das circunstâncias e outras, como a idade, por exemplo, vão alterando os parâmetros, as condições, os pressupostos e, sobretudo as realidades.

 



[1] São tomás de aquino, Suma Teológica, Q. 3, a. 6.

Ano de São José

 


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA REDEMPTORIS CUSTOS

do SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II sobre a figura e a missão de SÃO JOSÉ na vida de CRISTO e da IGREJA

 

VI

 

PATRONO DA IGREJA DO NOSSO TEMPO

 

28. Em tempos difíceis para a Igreja, Pio IX, desejando confiá-la à especial protecção do Santo Patriarca José, declarou-o «Patrono da Igreja católica». (42) Esse Sumo Pontífice sabia que não estava a levar a efeito um gesto peregrino, porque, em virtude da excelsa dignidade concedida por Deus a este seu servo fidelíssimo, «a Igreja, depois da Virgem Santíssima, esposa dele, teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Bem-aventurado José e, no meio das angústias, de preferência foi a ele que recorreu». (43)

 

Quais são os motivos de tão grande confiança? O Papa Leão XIII expõe-nos assim: «As razões pelas quais o Bem-aventurado José deve ser considerado especial Patrono da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua protecção e do seu patrocínio, provêm principalmente do facto de ele ser esposo de Maria e pai putativo de Jesus (...). José foi a seu tempo legítimo e natural guardião, chefe e defensor da divina Família (...). É algo conveniente e sumamente digno para o Bem-aventurado José, portanto, que, de modo análogo àquele com que outrora costumava socorrer santamente, em todo e qualquer acontecimento, a Família de Nazaré, também agora cubra e defenda com o seu celeste patrocínio a Igreja de Cristo». (44)

 

29. Este patrocínio deve ser invocado e continua sempre a ser necessário à Igreja, não apenas para a defender dos perigos, que continuamente se levantam, mas também e sobretudo para a confortar no seu renovado empenho de evangelização do mundo e de levar por diante a nova evangelização dos países e nações «onde — como eu escrevia na Exortação Apostólica Christifideles laici — a religião e a vida cristã foram em tempos tão prósperas», mas «se encontram hoje submetidas a dura provação». (45) Para levar o primeiro anúncio de Cristo ou para voltar a apresentá-lo onde ele foi transcurado ou esquecido, a Igreja precisa de uma particular «força do Alto» (cf. Lc 24, 49), que é dom do Espírito do Senhor, certamente, mas não anda disjunta da intercessão e do exemplo dos seus Santos.

 

30. Além da confiança na protecção segura de José, a Igreja tem confiança no seu exemplo insigne, um exemplo que transcende cada um dos estados de vida e se propõe a toda a comunidade cristã, sejam quais forem a condição e as tarefas de cada um dos fiéis.

 

Como se diz na constituição do Concílio Vaticano II sobre a Divina Revelação, a atitude fundamental de toda a Igreja deve ser de «religiosa escuta da palavra de Deus»; (46) ou seja, de absoluta disponibilidade para se pôr fielmente ao serviço da vontade salvífica de Deus, revelada em Jesus. Logo no princípio da Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de Maria, precisamente em José, aquele que, se distingue pela execução fiel das ordens de Deus.

 

O Papa Paulo VI exortava a invocar o seu patrocínio, «como a Igreja, nestes últimos tempos, tem o costume de fazer, para si mesma, antes de mais nada, para uma espontânea reflexão teológica sobre o conúbio da acção divina com a acção humana na grande economia da Redenção, no qual, a primeira, a acção divina, é só por si totalmente suficiente, mas a segunda, a acção humana, a nossa, embora não seja capaz de fazer coisa alguma sozinha (cf. Jo 15, 5), nunca está dispensada de uma humilde, mas condicional e nobilitante colaboração. Além disso, a Igreja invoca-o como protector, por um desejo profundo e actualíssimo de rejuvenescer a sua existência secular, com autênticas virtudes evangélicas, como as que refulgem em São José». (47)

 

31. A Igreja transforma estas exigências em oração. Recordando que Deus confiou os inícios da nossa Redenção à guarda desvelada de São José, suplica-lhe: que lhe conceda colaborar fielmente na obra da salvação; e que lhe dê a mesma fidelidade e pureza de coração que animaram José no serviço do Verbo Incarnado; e, ainda, a graça de caminhar diante do mesmo Deus pelas vias da santidade e da justiça, amparados pelo exemplo e pela intercessão de São José. (48)

 

Há cem anos, exactamente, o Papa Leão XIII exortava o mundo católico a rezar para obter a protecção de São José, Patrono de toda a Igreja. A Carta Encíclica Quamquam pluries fazia apelo para aquele «amor paterno» que José «dedicava ao Menino Jesus» e recomendava-lhe, a ele «próvido guarda da divina Família, a preciosa herança que Jesus Cristo adquiriu com o próprio sangue». Desde então, a Igreja — como foi recordado mais acima — implora a protecção de São José, «em virtude daquele vínculo de caridade que o uniu à imaculada Virgem Mãe de Deus», e recomenda-lhe todas as suas solicitudes, também pelo que se refere às ameaças que incumbem sobre a família humana.

 

Nos dias de hoje, temos ainda numerosos motivos para rezar da mesma maneira: «Afastai de nós, ó pai amantíssimo, esta peste de erros e de vícios..., assisti-nos propício, do céu, nesta luta contra o poder das trevas ...; e assim como outrora livrastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim hoje defendei a santa Igreja de Deus das ciladas do inimigo e de todas as adversidades». (49) Hoje ainda temos motivos que perduram para recomendar todos e cada um dos homens a São José.

 

32. Desejo vivamente que esta evocação da figura de São José renove também em nós o ritmo da oração que, há um século atrás, o meu Predecessor estabeleceu que lhe fosse elevada. É fora de dúvida, efectivamente, que esta oração e a própria figura de São José se revestem de actualidade renovada para a Igreja do nosso tempo, em relação com o novo Milénio cristão.

 

O Concílio Vaticano II procurou sensibilizar-nos novamente a todos para «as grandes coisas de Deus» e para aquela «economia da salvação» de que São José foi particularmente ministro. Recomendando-nos, pois, à protecção daquele a quem o próprio Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos e maiores», (50) aprendamos com ele, ao mesmo tempo, a servir a «economia da salvação». Que São José se torne para todos um mestre singular no serviço da missão salvífica de Cristo, que, na Igreja, compete a cada um e a todos: aos esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa e às que são chamadas ao apostolado.

 

O homem justo, que trazia em si o património da Antiga Aliança, foi também introduzido no «princípio» da nova e eterna Aliança em Jesus Cristo. Que ele nos indique os caminhos desta Aliança salvífica no limiar do próximo Milénio, durante o qual deve perdurar e desenvolver-se ulteriormente a «plenitude dos tempos» própria do mistério inefável da Incarnação do Verbo.

 

Que São José obtenha para a Igreja e para o mundo, assim como para um de nós, a bênção do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

 

Dado em Roma, junto de São Pedro, a 15 de Agosto - solenidade da Assunção de Nossa Senhora - no ano de 1989, undécimo ano de Pontificado.

 

JOÃO PAULO II

 

Notas:

 

(42) Cf. Sacror. Rituum Congreg., Decr. Quemadmodum Deus (8 de Dezembro de 1870): l.c., p. 283.

(43) Ibid., l.c., pp. 282-283.

(44) Leão XIII, Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): l.c., pp. 177-179.

(45) Cf. Exort. Apost. pós-sinodal Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988), n. 34: AAS 81 (1989), p. 456.

(46) Const. dogm. sobre a Divina Revelação Dei Verbum, n. 1.

(47) Paulo, Alocução (19 de Março de 1969): Insegnamenti, VII (1969), p. 1269.

(48) Cf. Missale Romanum, Collecta; Super oblata in « Sollemnitate S. Joseph Sponsi B.M.V. »; e Post commun. in «Missa Votiva S. Joseph ».

(49) Cf. Leão XIII, « Oratio ad Sanctum Josephum », contida imediatamente a seguir ao texto da Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): Leonis XIII P.M. Acta, IX (1890), p. 183.

(50) Sacror. Rituum. Congreg., Decr. Quemadmodum Deus (8 de Dezembro de 1870): l.c., p. 282.

 

 

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Perguntas e respostas

 

O ESPIRITISMO

 



3. Os espíritos bons falam nessas reuniões?

Os anjos e os santos não se prestam a este tipo de práticas opostas à fé.

São seres livres e não estão obrigados a falar ainda que se usem palavras ou gestos estranhos.