Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
07/03/2021
Pequena agenda do cristão - Domingo
06/03/2021
Leitura Espiritual Mar 06
Novo Testamento
Evangelho
Lc
IV, 33-44; V, 1-11
Jesus liberta um possesso do
demónio
33 Encontrava-se na sinagoga um homem
que tinha um espírito demoníaco, o qual se pôs a bradar em alta voz: 34 «Ah!
Que tens que ver connosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos arruinar? Sei quem
Tu és: o Santo de Deus!» 35 Jesus ordenou-lhe: «Cala-te e sai desse homem!» O
demónio, arremessando o homem para o meio da assistência, saiu dele sem lhe
fazer mal algum. 36 Dominados pelo espanto, diziam uns aos outros: «Que palavra
é esta? Ordena com autoridade e poder aos espíritos malignos, e eles saem!» 37
A sua fama espalhou-se por todos os lugares daquela região.
Jesus cura a sogra de Pedro e
outros doentes
38 Deixando a sinagoga, Jesus entrou em
casa de Simão. A sogra de Simão estava com muita febre, e intercederam junto
dele em seu favor. 39 Inclinando-se sobre ela, ordenou à febre e esta deixou-a;
ela erguendo-se, começou imediatamente a servi-los. 40 Ao pôr do sol, todos
quantos tinham doentes, com diversas enfermidades, levavam-lhos; e Ele, impondo
as mãos a cada um deles, curava-os. 41 Também de muitos saíam demónios, que
gritavam e diziam: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Ele repreendia-os e não os
deixava falar, porque sabiam que Ele era o Messias.
Jesus prega em várias cidades
42 Ao romper do dia, saiu e retirou-se
para um lugar solitário. As multidões procuravam-no e, ao chegarem junto dele,
tentavam retê-lo, para que não se afastasse delas. 43 Mas Ele disse-lhes:
«Tenho de anunciar a Boa-Nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois
para isso é que fui enviado.» 44 E pregava nas sinagogas da Judeia.
Pesca milagrosa
V 1 E aconteceu que, apertando-o a multidäo, para
ouvir a palavra de Deus, estava ele junto ao lago de Genesaré; 2 E viu dois barcos junto à praia do lago; e os
pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes. 3 E, entrando num dos barcos, que era o de Simão,
pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco
a multidão. 4 E, quando acabou de falar,
disse a Simão: Faz-te ao mar alto, e lançai a rede para pescar. 5 E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre,
havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sob a tua palavra,
lançarei a rede. 6 E, fazendo assim,
colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede. 7 E fizeram sinal aos companheiros que estavam
no outro barco, para que os fossem ajudar. E foram, e encheram ambos os barcos,
de maneira tal que quase iam a pique. 8
E vendo isto Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Senhor,
afasta-te de mim, que sou um homem pecador. 9
Pois que o espanto se apoderara dele, e de todos os que com ele estavam,
por causa da pesca que haviam feito. 10
E, de igual modo, também de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram
companheiros de Simão. E disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante
serás pescador de homens. 11 E, levando
os barcos para terra, deixaram tudo, e seguiram-nO.
Textos
Como o “ter” modifica a pessoa.
Muitas vezes somos
levados a pensar que se estivéssemos no lugar de alguém que tem determinada
posição social, a nossa atitude seria bem diferente.
Não tenho, na
verdade, tanta certeza que assim seja.
Adiantando,
estabeleço, desde já, que a posse - seja de um bem material, espiritual ou
outro, o cargo ou posição social que se desempenha ou ocupa - condiciona e, de
certa forma, “formata” o comportamento das pessoas.
Parece indiscutível
que são deploráveis os resultados das acções irresponsáveis praticadas por quem
tem responsabilidades.
Há muitíssimos anos,
ouvi sem querer uma conversa ao telefone em que alguém contestava uma proposta
que outro lhe fazia para ocupar um determinado lugar público: 'Mas, dizia, eu
não tenho categoria para desempenhar esse lugar'!
Na altura - teria os
meus dezoito anos - não entendi porque a pessoa em questão acabou por aceitar o
tal lugar onde acabaria por permanecer doze anos mas, depois, fiquei a saber
que o argumento que o convencera fora: 'Basta que o meu amigo seja igual a si
mesmo'!
Igual a si mesmo!
Esta frase que ouvi
desde que me conheço traduz uma profundidade que, confesso, levei muito tempo a
alcançar.
Entendi a amplitude
do seu significado, quando a contrapus com as palavras de Cristo: «seja o vosso falar: sim, sim; não, não. Tudo
o que passa disto procede do maligno» [1]
A grande dificuldade
- enorme para muitos - é a tentação de agradar a todos e não desagradar a
ninguém.
Por norma, evitam a
resposta directa e clara, escondendo-se em evasivas que não comprometam.
Evidentemente que,
muitas vezes, o fazem por ignorância mas, como não são capazes de a admitir,
como seria correcto, evoluem em desconcertantes 'ouvi dizer', 'constou-me que',
como se a responsabilidade do que dizem fosse de outros e não deles próprios.
Como se, por exemplo,
um professor pudesse dar uma explicação séria e credível, deixando transparecer
que não acredita no que explica.
Ou, ainda, aqueles - e serão bastantes
- que no confessionário - expõem os seus pecados como se fossem cometidos por
outros.
A dificuldade em
assumir a responsabilidade dos próprios actos é a consequência de uma
consciência deformada.
Pode dizer-se que
'sim, sim, não, não’, é radical e uma falta de urbanidade; mas, de facto,
iludir a questão, com um ‘talvez’… ou, ‘vamos a ver’, não passa de uma
deformação de carácter e, o pior, é que com o tempo e a sua prática continuada
se vai tornando numa faceta sempre presente que se apresenta automaticamente.
É a chamada compulsão
que significa exactamente fazer algo movido por um impulso a que (já) não se
resiste, porque nem se dá por ele.
Muito facilmente esta
pessoa cai na mentira, invenção ou manipulação de factos e realidades, acabando
por criar uma personalidade artificial onde o verdadeiro se confunde com a
fantasia.
Note-se que,
curiosamente, esta forma de proceder tem origem numa ‘falsa preguiça’ que é, no
fim e ao cabo, partir do princípio que é mais fácil proceder assim que criar
obra própria e, dizemos ‘falsa preguiça’ porque, de facto, fazer uma cópia ou
um decalque exige quase o mesmo esforço.
A continuação desta
forma de proceder acaba, fatalmente, em formas mais graves de apropriação de
obras de outros.
É o que se passa, por
exemplo, com o plágio na escrita em que se começa por copiar pequenos trechos,
modificando-os um pouco, até acabar na cópia pura e simples de trechos
completos de obras alheias.
Alguma impunidade de
que pode, durante algum tempo, gozar, leva-o a ‘avançar’ mais descaradamente
ainda na apropriação do que não é obra sua.
Esta é uma forma de
actuar quase compulsiva, um hábito, que, curiosamente, não tem nenhuma
explicação lógica porque, ele próprio é capaz de produzir obra de semelhante
valor.
Também, com enorme à
vontade, se atribuem qualidades, experiências e, até, graus académicos que não
têm.
Algumas chegam a
contar histórias, acontecimentos, peripécias que foram vividas por outros, que,
naturalmente, não estão presentes para colocar a verdade onde ela deve residir.
A grande - enorme -
dificuldade para muitos é a tentação de agradar a todos e não desagradar a
ninguém.
A incapacidade de
dizer 'não sei' é real porque, intimamente, está convencido que sabe ou, pelo
menos, conhece razoavelmente.
Uma das
características desta pessoa é uma extraordinária capacidade inventiva o que,
não raro, o leva a balançar-se em áreas muito específicas como seja, por
exemplo, a expressão artística.
Santíssima Virgem
Maria Mestra de caridade
Maria cooperou com a sua
caridade para que nascessem na Igreja os fiéis membros da Cabeça de que é
efectivamente mãe segundo o corpo. Como Mãe, ensina; e, também como Mãe, as
suas lições não são ruidosas. É preciso ter na alma uma base de finura, um
toque de delicadeza, para compreender o que nos manifesta, mais do que com
promessas, com obras.
J. A. Loarte
Filosofia e Religião, Vida Humana
CONCEITO CRISTÃO DE DEMOCRACIA
Parte do princípio de que o homem é uma
realidade espiritual e material,dotado de liberdade e de inteligência, com
capacidade para comandar o seu próprio destino transcendente a si mesmo e ao
mundo, à busca de uma realização temporal e eterna. Inserido na comunidade de
todos os homens, com os quais se sente solidário, integra-se nela através de
grupos naturais e electivos, que vão da família ao estado, passando pelas
formas da escola, campos de trabalho, diversão e cultura, mediante associações
livres, como a Igreja, sindicatos, empresas, comunidades cívicas, etc.
Nesta concepção, o estado não tem apenas a
função de “polícia” que vela pela ordem pública, como na mentalidade liberal,
nem é o senhor omnipotente da ideologia marxista. Desempenha um verdadeiro
papel na vida dos homens, promovendo o bem comum, o respeito pelos organismos
intermédios, suprindo as suas carências, num verdadeiro princípio de
subsidiariedade. O estado da verdadeira democracia estabelece orgãos de diálogo
e participação entre os quais são de assinalar os meios de comunicação social, os
partidos políticos, os sindicatos, através dos quais se torna possível a todos
e a cada um ter parte activa e responsável nos diversos escalões davida social.
(A Ferraz, Cristãos e
liberdades democráticas, BROTÈRIA, Vol. 99, 1974)
Reflexão na Quaresma
Olhar ao longe
Realmente, caminhar olhando para o chão pode ser uma
medida preventiva de, por exemplo, não tropeçar nos obstáculos.
Mas, na verdade, se o olhar se dirigir em frente veremos
na mesma os obstáculos mas com a vantagem de ter tempo de os evitar.
Convém pois, olhar em frente para se ter uma perspectiva
mais completa e real do caminho que se percorre e, também, para não perder de
vista o vulto de Cristo que nos guia.
(AMA, reflexões, 2019)
Pequena agenda do cristão - Sábado
05/03/2021
Leitura Espiritual Mar 05
Novo Testamento
Evangelho
Lc IV, 14-32
Jesus na Galileia
14 Impelido pelo Espírito, Jesus voltou
para a Galileia e a sua fama propagou-se por toda a região. 15 Ensinava nas
sinagogas e todos o elogiavam.
Jesus prega na sinagoga de
Nazaré
16 Veio a Nazaré, onde tinha sido
criado. Segundo o seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e
levantou-se para ler. 17 Entregaram-lhe o livro do profeta Isaías e,
desenrolando-o, deparou com a passagem em que está escrito: 18 «O Espírito do
Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me
a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a
mandar em liberdade os oprimidos, 19 a proclamar um ano favorável da parte do
Senhor.» 20 Depois, enrolou o livro, entregou-o ao responsável e sentou-se.
Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21 Começou, então,
a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de
ouvir.» 22 Todos davam testemunho em seu favor e se admiravam com as palavras
repletas de graça que saíam da sua boca. Diziam: «Não é este o filho de José?»
23 Disse-lhes, então: «Certamente, ides citar-me o provérbio: ‘Médico, cura-te
a ti mesmo.’ Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaúm, fá-lo também
aqui na tua terra.» 24 Acrescentou, depois: «Em verdade vos digo: Nenhum
profeta é bem recebido na sua pátria. 25 Posso assegurar-vos, também, que havia
muitas viúvas em Israel no tempo de Elias, quando o céu se fechou durante três
anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra; 26 contudo, Elias
não foi enviado a nenhuma delas, mas sim a uma viúva que vivia em Sarepta de
Sídon. 27 Havia muitos leprosos em Israel, no tempo do profeta Eliseu, mas
nenhum deles foi purificado senão o sírio Naaman.»
Os habitantes de Nazaré querem
matar Jesus
28 Ao ouvirem estas palavras, todos, na
sinagoga, se encheram de furor. 29 E, erguendo-se, lançaram-no fora da cidade e
levaram-no ao cimo do monte sobre o qual a cidade estava edificada, a fim de o
precipitarem dali abaixo. 30 Mas, passando pelo meio deles, Jesus seguiu o seu
caminho.
Jesus vai a Cafarnaúm
31
Desceu, depois, a Cafarnaúm, cidade da Galileia, e a todos ensinava ao sábado.
32 E estavam maravilhados com o seu ensino, porque falava com autoridade.
Textos
Felicidade
Todo o ser humano tem esta ânsia de
felicidade e, muitas vezes, procura-a onde ela não se encontra.
São Tomás de Aquino define-a lapidarmente:
verdade.’ ([1])
Vocação
Um professor de matemática, em casa, não tem
- nem deve - ensinar matemática ao filho, mas sim transmitir-lhe a fórmula que
um pai usa para o educar, de um modo geral, por exemplo, levá-lo a compreender
a necessidade e vantagens de conhecer razoavelmente a matemática para poder
evoluir capazmente no conjunto do plano de estudos.
Não se trata de uma
dicotomia do tipo:
Em casa ensino
humanista, na escola ensino técnico.
O que pode definir um bom médico pode muito
bem ser, além dos conhecimentos técnico-científicos, as capacidades pessoais de
interpretação e execução e também a sua estrutura moral e cívica, enfim, o seu
carácter.
O “querer” dos filhos
Como pessoas que são, com uma individualidade
singular, os filhos têm o seu querer, a sua vontade.
Podem e devem ter
direito a ser-lhe concedida oportunidade de a manifestar, de forma correcta.
Esta forma correta
quer dizer com respeito e com moderação ou, por outras palavras, nunca como uma
imposição.
Mas, evidentemente,
os filhos têm de aprender a querer, a educar a vontade, a ter uma noção da
razoabilidade do que querem.
Aqui entra a pedagogia da liberdade que é, no
fim e ao cabo, a educação necessária e a que o filho tem direito de receber.
Com este princípio muito básico: A liberdade
pode resumir-se como sendo o respeito por si próprio e pelos outros;
estabelecem-se, desde logo, os parâmetros, os limites, o enquadramento da
liberdade individual.
O filho entenderá que o seu querer não é
absoluto mas sempre relativo porque não está isolado mas inserido num conjunto
de quereres e conveniências de outros, nomeada e principalmente, da família
próxima, os pais e os irmãos.
Não se trata aqui do
querer da maioria mas sim de o querer pessoal contribuir para esse querer
familiar.
Por isso, as famílias
com um só filho têm alguma dificuldade de pesar ou avaliar o querer deste, já
que não “joga” ou confronta nenhum outro querer.
Ele absorve toda a
atenção e disponibilidade dos pais que não têm com quem reparti-las.
Seguindo o ponto anterior, vamos
abordar o tema:
O controlo da vontade e dos sentimentos, no caso, querer
e desejar.
Como é que se controla a vontade
pessoal?
Esta pergunta é legítima?
Talvez seja desde que se tenha bem
presente o que é, exactamente, a vontade pessoal. Concretamente não parece
haver uma definição que satisfaça inteiramente porque tem a ver com a
liberdade, tema já sobejamente abordado, logo, a vontade pessoal poderia
definir-se como o uso que se dá a essa mesma liberdade pessoal.
Então, no fim e ao cabo, o que se trata é de controlar a liberdade pessoal
ou, aquilo que entendemos como tal.
Nos casos que estamos a analisar: sentimentos, querer e desejar, - está bem
de ver que a liberdade pessoal tem um âmbito tão vasto, abrangente e universal,
que para um uso correcto -, que não fira nem o próprio nem os outros, tem de
obedecer a regras e princípios.
Penso
que a melhor forma de resolver o assunto - controlar a vontade ou a liberdade
pessoais – é ter bem presente que todos os nossos actos, por mais
insignificantes que possam ser, têm sempre consequências, causam efeitos,
originam ondulações que, por vezes, nem sequer suspeitamos que possam vir a
existir ou o alcance que virão a ter.
Não
se trata de ir pela vida, circunspectamente, analisando, com o maior cuidado e
rigor, o que se faz ou pensa e deseja porque, seguramente, se cairá no exagero
exacerbado e tíbio de nunca fazer pensar ou desejar coisa nenhuma (se é que tal
é possível), ou, pelo menos, ficar-se num imobilismo cómodo, cobarde e egoísta.
Em
primeiro lugar há que ver quem somos na vida, o papel que ocupamos na sociedade
e ter claro o que tal representa de responsabilidade e deveres.
A
cada um compete ter evidente o que dele podem esperar, em primeiro lugar,
aqueles com quem convive mais proximamente, na família, no trabalho, enfim, no
ambiente e nas circunstâncias que lhe são próprias.
Este
é um exercício, diria, de toda a vida, constante e sem pausa, porque, também, a
evolução natural das circunstâncias e outras, como a idade, por exemplo, vão
alterando os parâmetros, as condições, os pressupostos e, sobretudo as
realidades.
Ano de São José
EXORTAÇÃO APOSTÓLICA REDEMPTORIS CUSTOS
do
SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II sobre a figura e a missão de SÃO JOSÉ na vida de
CRISTO e da IGREJA
VI
PATRONO
DA IGREJA DO NOSSO TEMPO
28.
Em tempos difíceis para a Igreja, Pio IX, desejando confiá-la à especial
protecção do Santo Patriarca José, declarou-o «Patrono da Igreja católica».
(42) Esse Sumo Pontífice sabia que não estava a levar a efeito um gesto
peregrino, porque, em virtude da excelsa dignidade concedida por Deus a este
seu servo fidelíssimo, «a Igreja, depois da Virgem Santíssima, esposa dele,
teve sempre em grande honra e cumulou de louvores o Bem-aventurado José e, no
meio das angústias, de preferência foi a ele que recorreu». (43)
Quais
são os motivos de tão grande confiança? O Papa Leão XIII expõe-nos assim: «As
razões pelas quais o Bem-aventurado José deve ser considerado especial Patrono
da Igreja, e a Igreja, por sua vez, deve esperar muitíssimo da sua protecção e
do seu patrocínio, provêm principalmente do facto de ele ser esposo de Maria e
pai putativo de Jesus (...). José foi a seu tempo legítimo e natural guardião,
chefe e defensor da divina Família (...). É algo conveniente e sumamente digno
para o Bem-aventurado José, portanto, que, de modo análogo àquele com que
outrora costumava socorrer santamente, em todo e qualquer acontecimento, a
Família de Nazaré, também agora cubra e defenda com o seu celeste patrocínio a
Igreja de Cristo». (44)
29.
Este patrocínio deve ser invocado e continua sempre a ser necessário à Igreja,
não apenas para a defender dos perigos, que continuamente se levantam, mas
também e sobretudo para a confortar no seu renovado empenho de evangelização do
mundo e de levar por diante a nova evangelização dos países e nações «onde —
como eu escrevia na Exortação Apostólica Christifideles laici — a religião e a
vida cristã foram em tempos tão prósperas», mas «se encontram hoje submetidas a
dura provação». (45) Para levar o primeiro anúncio de Cristo ou para voltar a
apresentá-lo onde ele foi transcurado ou esquecido, a Igreja precisa de uma
particular «força do Alto» (cf. Lc 24, 49), que é dom do Espírito do Senhor,
certamente, mas não anda disjunta da intercessão e do exemplo dos seus Santos.
30.
Além da confiança na protecção segura de José, a Igreja tem confiança no seu
exemplo insigne, um exemplo que transcende cada um dos estados de vida e se
propõe a toda a comunidade cristã, sejam quais forem a condição e as tarefas de
cada um dos fiéis.
Como
se diz na constituição do Concílio Vaticano II sobre a Divina Revelação, a
atitude fundamental de toda a Igreja deve ser de «religiosa escuta da palavra
de Deus»; (46) ou seja, de absoluta disponibilidade para se pôr fielmente ao
serviço da vontade salvífica de Deus, revelada em Jesus. Logo no princípio da
Redenção humana, nós encontramos o modelo da obediência encarnado, depois de
Maria, precisamente em José, aquele que, se distingue pela execução fiel das
ordens de Deus.
O
Papa Paulo VI exortava a invocar o seu patrocínio, «como a Igreja, nestes
últimos tempos, tem o costume de fazer, para si mesma, antes de mais nada, para
uma espontânea reflexão teológica sobre o conúbio da acção divina com a acção
humana na grande economia da Redenção, no qual, a primeira, a acção divina, é
só por si totalmente suficiente, mas a segunda, a acção humana, a nossa, embora
não seja capaz de fazer coisa alguma sozinha (cf. Jo 15, 5), nunca está
dispensada de uma humilde, mas condicional e nobilitante colaboração. Além
disso, a Igreja invoca-o como protector, por um desejo profundo e actualíssimo
de rejuvenescer a sua existência secular, com autênticas virtudes evangélicas,
como as que refulgem em São José». (47)
31.
A Igreja transforma estas exigências em oração. Recordando que Deus confiou os
inícios da nossa Redenção à guarda desvelada de São José, suplica-lhe: que lhe
conceda colaborar fielmente na obra da salvação; e que lhe dê a mesma
fidelidade e pureza de coração que animaram José no serviço do Verbo Incarnado;
e, ainda, a graça de caminhar diante do mesmo Deus pelas vias da santidade e da
justiça, amparados pelo exemplo e pela intercessão de São José. (48)
Há
cem anos, exactamente, o Papa Leão XIII exortava o mundo católico a rezar para
obter a protecção de São José, Patrono de toda a Igreja. A Carta Encíclica
Quamquam pluries fazia apelo para aquele «amor paterno» que José «dedicava ao
Menino Jesus» e recomendava-lhe, a ele «próvido guarda da divina Família, a
preciosa herança que Jesus Cristo adquiriu com o próprio sangue». Desde então,
a Igreja — como foi recordado mais acima — implora a protecção de São José, «em
virtude daquele vínculo de caridade que o uniu à imaculada Virgem Mãe de Deus»,
e recomenda-lhe todas as suas solicitudes, também pelo que se refere às ameaças
que incumbem sobre a família humana.
Nos
dias de hoje, temos ainda numerosos motivos para rezar da mesma maneira:
«Afastai de nós, ó pai amantíssimo, esta peste de erros e de vícios...,
assisti-nos propício, do céu, nesta luta contra o poder das trevas ...; e assim
como outrora livrastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim hoje
defendei a santa Igreja de Deus das ciladas do inimigo e de todas as
adversidades». (49) Hoje ainda temos motivos que perduram para recomendar todos
e cada um dos homens a São José.
32.
Desejo vivamente que esta evocação da figura de São José renove também em nós o
ritmo da oração que, há um século atrás, o meu Predecessor estabeleceu que lhe
fosse elevada. É fora de dúvida, efectivamente, que esta oração e a própria
figura de São José se revestem de actualidade renovada para a Igreja do nosso
tempo, em relação com o novo Milénio cristão.
O
Concílio Vaticano II procurou sensibilizar-nos novamente a todos para «as
grandes coisas de Deus» e para aquela «economia da salvação» de que São José
foi particularmente ministro. Recomendando-nos, pois, à protecção daquele a
quem o próprio Deus «confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos e
maiores», (50) aprendamos com ele, ao mesmo tempo, a servir a «economia da
salvação». Que São José se torne para todos um mestre singular no serviço da
missão salvífica de Cristo, que, na Igreja, compete a cada um e a todos: aos
esposos e aos pais, àqueles que vivem do trabalho das próprias mãos e de todo e
qualquer outro trabalho, às pessoas chamadas para a vida contemplativa e às que
são chamadas ao apostolado.
O
homem justo, que trazia em si o património da Antiga Aliança, foi também
introduzido no «princípio» da nova e eterna Aliança em Jesus Cristo. Que ele
nos indique os caminhos desta Aliança salvífica no limiar do próximo Milénio,
durante o qual deve perdurar e desenvolver-se ulteriormente a «plenitude dos
tempos» própria do mistério inefável da Incarnação do Verbo.
Que
São José obtenha para a Igreja e para o mundo, assim como para um de nós, a
bênção do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Dado
em Roma, junto de São Pedro, a 15 de Agosto - solenidade da Assunção de Nossa
Senhora - no ano de 1989, undécimo ano de Pontificado.
JOÃO
PAULO II
Notas:
(42) Cf. Sacror. Rituum Congreg., Decr. Quemadmodum
Deus (8 de Dezembro de 1870): l.c., p. 283.
(43)
Ibid., l.c., pp. 282-283.
(44)
Leão XIII, Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): l.c., pp.
177-179.
(45)
Cf. Exort. Apost. pós-sinodal Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988), n.
34: AAS 81 (1989), p. 456.
(46)
Const. dogm. sobre a Divina Revelação Dei Verbum, n. 1.
(47)
Paulo, Alocução (19 de Março de 1969): Insegnamenti, VII (1969), p. 1269.
(48)
Cf. Missale Romanum, Collecta; Super oblata in « Sollemnitate S. Joseph Sponsi
B.M.V. »; e Post commun. in «Missa Votiva S. Joseph ».
(49)
Cf. Leão XIII, « Oratio ad Sanctum Josephum », contida imediatamente a seguir
ao texto da Carta Enc. Quamquam pluries (15 de Agosto de 1889): Leonis XIII
P.M. Acta, IX (1890), p. 183.
(50)
Sacror. Rituum. Congreg., Decr. Quemadmodum Deus (8 de Dezembro de 1870): l.c.,
p. 282.
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Perguntas e respostas
O ESPIRITISMO
3. Os espíritos bons falam
nessas reuniões?
Os anjos e os santos não se
prestam a este tipo de práticas opostas à fé.
São seres livres e não estão
obrigados a falar ainda que se usem palavras ou gestos estranhos.











