04/02/2021

Leitura espiritual Fev 04

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VII, 1-23

 

Jesus e os fariseus

1 Os fariseus e alguns doutores da Lei vindos de Jerusalém reuniram-se à volta de Jesus, 2 e viram que vários dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar. 3 É que os fariseus e todos os judeus em geral não comem sem ter lavado e esfregado bem as mãos, conforme a tradição dos antigos; 4 ao voltar da praça pública, não comem sem se lavar; e há muitos outros costumes que seguem, por tradição: lavagem das taças, dos jarros e das vasilhas de cobre. 5 Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e doutores da Lei: «Porque é que os teus discípulos não obedecem à tradição dos antigos e tomam alimento com as mãos impuras?» 6 Respondeu: «Bem profetizou Isaías a vosso respeito, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 Vazio é o culto que me prestam e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos. 8 Descurais o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens.» 9 E acrescentou: «Anulais a vosso bel-prazer o mandamento de Deus, para observardes a vossa tradição. 10 Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e ainda: Quem amaldiçoar o pai ou a mãe seja punido de morte. 11 Vós, porém, dizeis: "Se alguém afirmar ao pai ou à mãe: ‘Declaro Qorban’ - isto é, oferta ao Senhor - aquilo que poderias receber de mim...", 12 nada mais lhe deixais fazer por seu pai ou por sua mãe, 13 anulando a palavra de Deus com a tradição que tendes transmitido. E fazeis muitas outras coisas do mesmo género.» 14 Chamando de novo a multidão, dizia: «Ouvi-me todos e procurai entender. 15 Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa tornar impuro. Mas o que sai do homem, isso é que o torna impuro. 16 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça.» 17 Quando, ao deixar a multidão, regressou a casa, os discípulos interrogaram-no acerca da parábola. 18 Ele respondeu: «Também vós não compreendeis? Não percebeis que nada do que, de fora, entra no homem o pode tornar impuro, 19 porque não penetra no coração mas sim no ventre, e depois é expelido em lugar próprio?» Assim, declarava puros todos os alimentos. 20 E disse: «O que sai do homem, isso é que torna o homem impuro. 21 Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos, as prostituições, roubos, assassínios, 22 adultérios, ambições, perversidade, má fé, devassidão, inveja, maledicência, orgulho, desvarios. 23 Todas estas maldades saem de dentro e tornam o homem impuro.»

 

Texto:



  Trabalho

  De facto, trabalhar é colaborar com Deus de uma forma directa. Por isso mesmo, longe de um castigo, pena ou sujeição, o trabalho, qualquer que seja, é algo grandioso e de enorme valor.

«Ut operaretur» para que trabalhe, este foi o mandato do Criador ao primeiro ser humano. [1]

  E porquê, podemos perguntarmo-nos?

  Bom, não nos cabe questionar as decisões do Criador porque, em primeiro lugar, tem autoridade absoluta sobre a criatura e, portanto, determinar o que esta deve ou não fazer. E depois, acresce uma razão, a nosso ver, determinante: a criatura tem necessariamente uma função que é a razão pela qual foi criada.

  Não faz nenhum sentido - temos de usar termos humanos - criar alguma coisa, neste caso, um ser humano, só porque sim, isto é, sem nenhum objectivo concreto.

O Criador, de facto, não precisa de nada; e se fez uma Obra, um Mundo complexo e belo, povoado de seres animais e vegetais de uma infinidade de espécies, perfeitamente organizadas e interdependentes, num ''jogo'' espantoso de complexidade e harmonia, tudo isto e muitíssimo mais que nem se consegue descrever, foi por um acto da Sua Vontade soberana, tendo, como diz a Bíblia, «achado que tudo era bom» [2]; e, como último acto, criar o ser humano, foi, repete-se uma vez mais, por Amor.

  Sim, Amor com maiúscula porque é Amor Divino.

É que Deus, sendo a plenitude do Amor, não pode deixar de praticar actos de amor e, de facto, fá-lo constantemente quando cria uma nova alma para uma vida humana que se inicia.

  Bom, mas considerando todo o anterior, tendo concluído que o homem foi criado por Amor, porque é que Deus lhe deu esse mandato: ut operaretur, que trabalhasse?

  Só se encontra uma explicação coerente e que se resume no desejo do Criador, que o ser humano fosse como que ''um Seu colaborador'' na obra da Criação.

Tudo estava pronto, por assim dizer, mas havia, e há, algo que falta e que tem a ver não só com a própria evolução de tudo o criado - o ser humano também - mas com os segredos que continuam à espera de serem desvendados.

  Como é evidente, a evolução do conhecimento faz do homem de hoje um ser muito diferente dos primeiros progenitores.

No entanto, tudo quanto foi descoberto e dominado pelo homem ao longo da história da humanidade, já existia tal como no homem existiam, desde o princípio, as capacidades para o descobrir.

  Digamos, pois, que este é o mandato que se referiu, como se Deus dissesse: ‘tens aqui tudo quanto achei conveniente criar, agora, põe as tuas capacidades no domínio de tudo quanto existe, evoluindo tu mesmo nas tuas capacidades e potências, para conseguir esse objectivo. Por isso te dei uma alma que é a Minha Imagem impressa em ti e a fonte da inteligência. Nisto te diferencias de todos os outros seres existentes na Natureza, ou seja, és, de facto, superior a todos eles’.

  Posto desta forma prosaica, percebe-se o mandato e, uma vez mais, se revela o Amor de Deus dando ao homem tais capacidades.

  E o caminho continua e continuará até ao fim dos tempos.

  O homem vai produzindo trabalho, descobrindo coisas novas, aperfeiçoando técnicas, acrescentando saber, aumentando a sua capacidade de controlo e, nisto, realmente, o homem satisfaz-se e goza.

Na verdade, tudo depende do homem porque o Criador não estabeleceu nem regras, nem metas, nem calendários.

Foi, e é, o homem quem foi organizando tudo isso, aproveitando as diferentes capacidades e características de cada um, organizando as sociedades, regulamentando os processos e estabelecendo os caminhos a percorrer.

 

 



[1] Gen, cap. 2

[2] Cfr. Gen 1, 33



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

Correcção

 

"Corrigir os que erram" é um dever cristão. Corrigir não tem a ver com criticar. A crítica está sempre conectada com uma consideração pessoal ao passo que a correção tem de "estabelecer" a verdade sobre o que for.

Daqui que seja absolutamente necessário pedir, antes de actuar, a assistência do Divino Espírito Santo e, em particular, do Seu Dom de Ciência, para que o que fizermos estar de acordo com a sã Doutrina.

 

(AMA, 2020)

Oração pelos sacerdotes

                                           

                                           



Meu Senhor Jesus Cristo:

Dai à Vossa Igreja Sacerdotes Santos que se entreguem ao serviço exclusivo da Igreja e das almas, ao anúncio fiel da palavra de Deus, à administração dos Sacramentos, em especial da Eucaristia e da Penitência, obedientes ao Magistério da Igreja e observando amorosamente a Sagrada Liturgia, para exemplo e guia seguro do Povo de Deus.

(AMA, 2009)


Com autorização eclesiástica

Festas

 



S. JOÃO DE BRITO, presbítero e mártir

Pequena agenda do cristão - Quinta-Feira

 


Quinta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


03/02/2021

Quando se trabalha por Deus, nada é infecundo!

 

Em momentos de desorientação geral, quando clamas ao Senhor pelas suas almas!, parece que não te ouve, que está surdo aos teus apelos. Inclusivamente chegas a pensar que o teu trabalho apostólico é vão.- Não te preocupes! Continua a trabalhar com a mesma alegria, com a mesma vibração, com o mesmo afinco. Permite-me que insista: quando se trabalha por Deus, nada é infecundo! (Forja, 978)

Leitura espiritual Fev 03

 


Novo Testamento [i]


Evangelho


Mc VI, 34-56

 

Primeira multiplicação dos pães

34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. 35 A hora já ia muito adiantada, quando os discípulos se aproximaram e disseram: «O lugar é deserto e a hora vai adiantada. 36 Manda-os embora, para irem aos campos e aldeias comprar de comer.» 37 Jesus respondeu: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Eles disseram-lhe: «Vamos comprar duzentos denários de pão para lhes dar de comer?» 38 Mas Ele perguntou: «Quantos pães tendes? Ide ver.» Depois de se informarem, responderam: «Cinco pães e dois peixes.» 39 Ordenou-lhes que os mandassem sentar por grupos na erva verde. 40 E sentaram-se, por grupos de cem e cinquenta. 41 Jesus tomou, então, os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e dava-os aos seus discípulos, para que eles os repartissem. Dividiu também os dois peixes por todos. 42 Comeram até ficarem saciados. 43 E havia ainda doze cestos com os bocados de pão e os restos de peixe. 44 Ora os que tinham comido daqueles pães eram cinco mil homens.

 

Jesus caminha sobre o mar

45 Jesus obrigou logo os seus discípulos a subirem para o barco e a irem à frente, para o outro lado, rumo a Betsaida, enquanto Ele próprio despedia a multidão. 46 Depois de os ter despedido, foi orar para o monte. 47 Era já noite, o barco estava no meio do mar e Ele sozinho em terra. 48 Vendo-os cansados de remar, porque o vento lhes era contrário, foi ter com eles de madrugada, andando sobre o mar; e fez menção de passar adiante. 49 Mas, vendo-o andar sobre o mar, julgaram que fosse um fantasma e começaram a gritar, 50 pois todos o viram e se assustaram. Mas Ele logo lhes falou: «Tranquilizai-vos, sou Eu: não temais!» 51 A seguir, subiu para o barco, para junto deles, e o vento amainou. E sentiram um enorme espanto, 52 pois ainda não tinham entendido o que se dera com os pães: tinham o coração endurecido.

 

Outros milagres

53 Finda a travessia, aproximaram-se de Genesaré e aportaram. 54 Assim que saíram do barco, reconheceram-no. 55 Acorreram de toda aquela região e começaram a levar os doentes nos catres para o lugar onde sabiam que Ele se encontrava. 56 Nas aldeias, cidades ou campos, onde quer que entrasse, colocavam os doentes nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar pelo menos as franjas das suas vestes. E quantos o tocavam ficavam curados.

Texto:



 

  Trabalho

 

  O trabalho a que todo o ser humano è chamado constitui de facto uma obrigação à qual ninguém pode - deve –eximir-se.

  A especificidade das circunstâncias de cada um pode muitas vezes condicionar o trabalho.

  Um pintor de paredes não pode, em princípio ensinar matemática numa universidade mas, um professor de matemática poderá pintar uma parede.

Talvez não o faça tão bem como o pintor mas este não pode, de todo, fazer o trabalho daquele.

  Ao pintar uma parede, o professor universitário, não deixa de o ser; logo, a categoria da pessoa não se vê afectada pelo trabalho que desenvolve, nem o trabalho tem mais ou menos categoria segundo a pessoa que o faz.

  Daqui se pode concluir que o trabalho, seja qual for, tem uma categoria própria e intransmissível que não tem que ver com quem o executa mas sim como è levado a cabo.

É, em parte, por isto, que o trabalho só se admite quando é bem feito, quando quem o executa envolve nele todas as suas capacidades e conhecimentos.

  O que se pode exigir a um padeiro é que faça pão excelente, já essa exigência não tem razão de ser se lhe encomendarmos a reparação de um computador.

  Assim, o homem dignifica-se com o trabalho, seja ele qual for, desde que nele se aplique o melhor que sabe e pode.

  Há uma estação de rádio que a meio da semana começa a falar na Sexta-Feira pondo uma ênfase como se estivesse à vista o almejado fim de uma semana de trabalho, sacrifício, punição, tortura.

E, de facto, há muita gente que pensa assim, para quem o trabalho equivale a uma dolorosa punição que se arrasta numa sucessão de dias sem brilho, nem alegria.

  Estas pessoas nem sequer pensam nos muitos milhões de seres humanos que procuram um trabalho, seja qual for, sem sequer questionar a remuneração.

  Além de desajustados na sociedade e egoístas não, são dignos do trabalho que têm.

  Há sempre algo que se pode fazer e, mesmo que não se necessite da remuneração, deve ocupar-se o tempo em qualquer coisa que se revele útil para os demais.

  ‘Que já trabalhei muito e duramente, agora tenho direito a sopas e descanso.’

  Claro, direito até pode ter, se considerar que há tempo para trabalhar e tempo para descansar, só que, nenhum destes tempos é permanente, isto é, deve intervalar-se o trabalho com o merecido descanso.

  A questão reside no conceito de descanso.

  Para o sujeito que faz a afirmação acima é evidente que considera que descansar é não fazer nada e, isto, é absolutamente errado.

  Descansar é justamente intervalar o trabalho habitual com qualquer outra actividade útil.

  Dormir mais que o habitual pode ser útil para quem, normalmente, goza de poucas horas de sono.

Passear, deambular por terras ou locais que não se conhecem, constitui um bom descanso e, ao mesmo tempo, a possibilidade de conhecer e contactar coisas novas e, assim, enriquecer-se.

  Não fazer nada além de não ter justificação nenhuma é uma lamentável perda de tempo.

Um tempo que é sempre precioso e insubstituível já que é impossível recuperar o tempo que passou.

  Arrastar-se - na exactidão do termo - para o local de trabalho como um condenado a quem não resta alternativa, é uma figura comum e, infelizmente, frequente.

Nada, absolutamente, se fez ou fará sem trabalho e mais... sem trabalho dedicado e persistente, seja ele qual for, intelectual ou braçal, de enorme grandiosidade ou discreto e apagado.

O ser humano está chamado a contribuir com a parte que especificamente lhe couber, para o desenvolvimento do mundo, do ambiente, da sociedade em que vive.

E esta contribuição é a sua quota-parte no trabalho, no esforço comum.

  E, a verdade, como de resto já vimos, é esta: se escamotear esta contribuição fica um vazio que ninguém mais pode preencher porque, mesmo que quisesse nunca o faria como aquele que o não fez.

  Uma das grandes lições e exemplos neste campo vêm-nos exactamente de Jesus Cristo que passou a Sua vida a trabalhar, primeiro como jovem com as ocupações normais dos jovens: estudar, - trabalho intelectual - aprender uma profissão, ajudando o Seu Pai Adoptivo na profissão com que provia o sustento da família - trabalho braçal - até aos últimos três anos da Sua vida na terra na ocupação da pregação do Reino, tão extenuante que se refere muitas vezes nos Evangelhos, como, por exemplo, chegando a adormecer em pleno fragor de uma tempestade no mar, - trabalho espiritual -, tornando, deste modo todo o trabalho humano em trabalho divino.

 

 

 



[i] Sequencial todos os dias do ano

Reflexão

Não desanimemos ainda que o quadro da nossa vida actual apresente tonalidades tenebrosas. Jesus rezou por nós, oferecendo-nos a possibilidade de encher essa tela com a frescura, a cor e a alegria do divino.

 

(Javier Echevarria, Getsemani, Planeta, 3ª Ed. Pg. 133)

Virtudes

 

A alegria cristã 8

Os paradoxos do Cristianismo

 

O gaudium

A palavra clássica para alegria é gaudium do Latim. Na Vulgata, gaudium traduz praticamente sempre o xáQtg grego, e este termo grego serve também para presente, prémio, esmola e graça. Graça é o que se consegue sem esforço por parte de quem a recebe. Por isso, agradecer é reconhecer essa gratuidade. O gozo, a alegria, é resultado de possuir um bem, e precisamente um bem grande, que só de graça se pode receber. De todos esses bens, existe um de qualidade superior, o amor. O arquétipo do bem gratuitamente recebido é o amor. Por isso, o apaixonado, quando ama e é amado, entrega-se e recebe o dom, está alegre, satisfeito, canta. Por isso a alegria das crianças tem uma natureza particular: porque a sua vida é receber sempre amor, um amor especial dos pais, mas também de quase todos, que olham com benevolência para as crianças (volendo bene, diz-se em italiano).

 

Pequena agenda do cristão

  

Quarta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?


02/02/2021

Leitura espiritual Fevereiro 02

 Novo Testamento



Evangelho

Mc VI, 14-33

 

Morte de João Baptista

14 O rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois o seu nome se tornara célebre; e dizia-se: «Este é João Baptista, que ressuscitou de entre os mortos e, por isso, manifesta-se nele o poder de fazer milagres»; 15 outros diziam: «É Elias»; outros afirmavam: «É um profeta como um dos outros profetas.» 16 Mas Herodes, ouvindo isto, dizia: «É João, a quem eu degolei, que ressuscitou.» 17 Na verdade, tinha sido Herodes quem mandara prender João e pô-lo a ferros na prisão, por causa de Herodíade, mulher de Filipe, seu irmão, que ele desposara. 18 Porque João dizia a Herodes: «Não te é lícito ter contigo a mulher do teu irmão.» 19 Herodíade tinha-lhe rancor e queria dar-lhe a morte, mas não podia, 20 porque Herodes temia João e, sabendo que era homem justo e santo, protegia-o; quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas escutava-o com agrado. 21 Mas chegou o dia oportuno, quando Herodes, pelo seu aniversário, ofereceu um banquete aos grandes da corte, aos oficiais e aos principais da Galileia. 22 Tendo entrado e dançado, a filha de Herodíade agradou a Herodes e aos convidados. O rei disse à jovem: «Pede-me o que quiseres e eu to darei.» 23 E acrescentou, jurando: «Dar-te-ei tudo o que me pedires, nem que seja metade do meu reino.» 24 Ela saiu e perguntou à mãe: «Que hei-de pedir?» A mãe respondeu: «A cabeça de João Baptista.» 25 Voltando a entrar apressadamente, fez o seu pedido ao rei, dizendo: «Quero que me dês imediatamente, num prato, a cabeça de João Baptista.» 26 O rei ficou desolado; mas, por causa do juramento e dos convidados, não quis recusar. 27 Sem demora, mandou um guarda com a ordem de trazer a cabeça de João. O guarda foi e decapitou-o na prisão; 28 depois, trouxe a cabeça num prato e entregou-a à jovem, que a deu à mãe. 29 Tendo conhecimento disto, os discípulos de João foram buscar o seu corpo e depositaram-no num sepulcro.

 

Volta dos Apóstolos

30 Os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. 31 Disse-lhes, então: «Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. 32 Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. 33 Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles.

 

Texto


 

Exame

 

  Há fórmulas e esquemas variadíssimos para fazer esse exame e os autores espirituais dedicam-lhe muitas páginas de considerações e conselhos práticos para o levar a cabo.

Cabe a cada um encontrar a melhor forma, honesta e séria, que responda às suas necessidades de pacificação consigo mesmo e, também, de encontrar respostas adequadas aos problemas que sabe que tem.

  O exame exaustivo e pormenorizado de quanto se fez durante o dia não parece ser nem prático nem útil porque, além de difícil execução, pode conduzir a uma complexidade de avaliações que acabam, quase sempre, em sentimentos derrotistas e cheios de escrúpulos, deformando aquilo que se é e, tendencialmente, estabelecendo comparações com aquilo que se desejaria ser se fosse possível.

A maior parte das vezes não somos, de facto, quem gostaríamos de ser e, em muitas coisas, não procedemos como consideramos que seria o ideal.

  Porque, se temos uma ânsia, legítima, de perfeição, é preciso ter bem em conta se essa fasquia está de facto ao nosso alcance ou se não se trata de uma mera ambição impossível de conseguir.

  Está claro que para chegar a um ponto correcto de avaliação das nossas possibilidades concretas há que conseguir-se um conhecimento próprio muito completo que considere as nossas características principais, as nossas virtudes e defeitos, as tendências que apresentamos, como nos relacionamos, de uma forma geral, com os outros, o que preferimos e o que detestamos, se temos preconceitos ou irredutibilidade de opinião, se somos estáveis nas nossas convicções ou se, ao contrário, somos volúveis conforme as circunstâncias se nos apresentam. 

Há que ter a noção que nada disto se consegue num instante, por mais madura que seja a nossa consciência e apurada a nossa capacidade de análise, bem pelo contrário, convém estar preparado para um longo processo, feito de pequenos passos dados com segurança e lealdade para connosco próprios.

  Sim, lealdade para connosco porque, por vezes, somos tentados a mascarar a evidência com desculpas ou justificações que, na verdade, mais não são que tentativas de passar adiante e considerar o assunto como arrumado.

Aparentemente pode parecer ''coisa de religião'' exacerbada ou exigente, as pessoas ''normais'' não terão necessidade destas preocupações.

  Isto é profundamente errado e um sintoma evidente de soberba.

  Quem pode julgar-se impecável no seu comportamento, como e no que pensa, o quê e de que modo faz?

Quem, dotado de algum juízo, pode considerar que não tem nada a corrigir, a emendar, a rever?

Uma pessoa assim, revela-se intratável e pouco digna de confiança.

  Ocorre, a propósito, uma frase que deixou um lastro irremediável: ‘'Nunca me engano e raramente tenho dúvidas.’

  A irresponsabilidade de uma afirmação como esta só pode enraizar-se numa exacerbada vaidade pessoal, decerto grave e, de certeza ridícula.

  Mas será que muitas vezes não temos, cada um de nós, a mesma convicção interior?

Não temos, de facto uma atitude de superioridade, uma como que pretensa imunidade pessoal que nos torna singulares, especiais?

  Acontece que, a maior parte das vezes isto acontece exactamente por falta de exame pessoal.

Não gostamos que nos apontem um erro, que desqualifiquem uma opinião que emitimos, quanto mais sermos nós próprios a fazê-lo.

  ‘Até parece masoquismo ou autoflagelação’, pensamos.

  Vemos na crítica ou no apontamento desfavorável algo que nos diminui e envergonha. Afinal pode tratar-se de uma ocasião soberana para corrigir, a tempo algo que talvez, se o não fizermos, pode ter consequências pouco agradáveis.

O interessante está em que, nem mesmo assim, nos coibimos de atentar nos erros, verdadeiros ou imaginados por nós, que julgamos ver nos outros.

  A velha máxima da descoberta do argueiro no olho do vizinho e a incapacidade para detectar a trave no nosso.

  A obrigação de corrigir os próprios erros está intimamente ligada ao mesmo dever de corrigir o outro.

Temos de pensar e ter claro que o outro, sobretudo se é nosso amigo, tem direito a que o corrijamos tal como nós podemos legitimamente esperar que ele faça o mesmo convosco.

  ‘Quem sou eu para corrigir seja quem for?’

   Ouve-se com frequência esta alegação que, na verdade, revela indiferença, pelo menos, e, egoísmo, seguramente.

  Mas, repete-se, o médico pelo facto de estar doente fica incapacitado de receitar a outrem o medicamento necessário para a maleita que apresenta?

Atenção que se fala de correcção no verdadeiro sentido do termo, que é, deve ser, uma atitude construtiva, e não de crítica que é algo completamente diferente.

  A primeira é um desejo que o outro corrija algo que, a nosso ver, não é correcto.

A segunda é um apontamento de outro cariz ou seja, uma avaliação pura e simples.

 

 

 

Tu és sal, alma de apóstolo

 

Tu és sal, alma de apóstolo. - "Bonum est sal" - o sal é bom, lê-se no Santo Evangelho; "si autem sal evanuerit" - mas se o sal se desvirtua... de nada serve, nem para a terra, nem para o esterco; deita-se fora como inútil. Tu és sal, alma de apóstolo. - Mas se te desvirtuas... (Caminho, 921)

Os católicos têm de andar pela vida como apóstolos: com luz de Deus, com sal de Deus. Sem medo, com naturalidade, mas com tal vida interior, com tal união com Nosso Senhor, que iluminem, que evitem a corrupção e as sombras, que repartam o fruto da serenidade e a eficácia da doutrina cristã. (Forja, 969)