17/01/2021

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 17

 

Evangelho

Mt XXVI 30 - 56

Jesus prediz o abandono dos discípulos

30 Depois de cantarem os salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. 31 Jesus disse-lhes, então: «Nesta mesma noite, todos ficareis perturbados por minha causa, porque está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho serão dispersas. 32 Mas, depois da minha ressurreição, hei-de preceder-vos na Galileia.» 33 Tomando a palavra, Pedro respondeu-lhe: «Ainda que todos fiquem perturbados por tua causa, eu nunca me perturbarei!» 34 Jesus retorquiu-lhe: «Em verdade te digo: Esta mesma noite, antes de o galo cantar, vais negar-me três vezes.» 35 Pedro disse-lhe: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei!» E todos os discípulos afirmaram o mesmo.

Em Getzemani

36 Entretanto, Jesus com os seus discípulos chegou a um lugar chamado Getsémani e disse-lhes: «Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou além orar.» 37 E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. 38 Disse-lhes, então: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai comigo.» 39 E, adiantando-se um pouco mais, caiu com a face por terra, orando e dizendo: «Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. No entanto, não seja como Eu quero, mas como Tu queres.» 40 Voltando para junto dos discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora comigo! 41 Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é débil.» 42 Afastou-se, pela segunda vez, e foi orar, dizendo: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» 43 Depois voltou e encontrou-os novamente a dormir, pois os seus olhos estavam pesados. 44 Deixou-os e foi orar de novo pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Reunindo-se finalmente aos discípulos, disse-lhes: «Continuai a dormir e a descansar! Já se aproxima a hora, e o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 46 Levantai-vos, vamos! Já se aproxima aquele que me vai entregar.»

Entrega e prisão de Jesus

47 Ainda Ele falava, quando apareceu Judas, um dos Doze, e com ele muita gente, com espadas e varapaus, enviada pelos sumos sacerdotes e pelos anciãos do povo. 48 O traidor tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar, é esse mesmo: prendei-o.» 49 Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: «Salve, Mestre!» E beijou-o. 50 Jesus respondeu-lhe: «Amigo, a que vieste?» Então, avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-no. 51 Um dos que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a e feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe uma orelha. 52 Jesus disse-lhe: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada morrerão à espada. 53 Julgas que não posso recorrer a meu Pai? Ele imediatamente me enviaria mais de doze legiões de anjos! 54 Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais assim deve acontecer?» 55 Voltando-se, depois, para a multidão, disse: «Viestes prender-me com espadas e varapaus, como se eu fosse um ladrão! Todos os dias estava sentado no templo a ensinar, e não me prendestes. 56 Mas tudo isto aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas.» Então, todos os discípulos o abandonaram e fugiram.

 


Vocação

 

  A descoberta da vocação implica uma finura interior, de carácter, de estabilidade, de emoções e sentimentos que deram as pistas necessárias para que essa descoberta seja concretizada numa certeza: ‘Sim, é isto que eu, definitivamente, quero para a minha vida.’

  Sem estas características o homem debate-se em mil opções diferentes que lhe vão surgindo com diversos matizes, quase sempre, vagos ou pouco concretos.

  O pior é que pode passar o resto da sua vida neste estado de indecisão, movendo-se de uma opção para outra, mudando de sentido ou orientação ao sabor quer de conveniências que julga importantes, ou quimeras com pouca ou nenhuma profundidade ou sustentação.

  Daí surgem os maus profissionais que não cumprem o que é lícito esperar deles e que arrastam a tal vida medíocre e conformada que citámos antes.

  Se este factos têm uma importância fundamental na vida do indivíduo e da sua integração na sociedade, ajustando-se num lugar e papel que sabe ser o seu e para o qual tem aptidões que adquiriu, ou seja, se exerce aquilo para o qual a sua vocação o inclinou, parece legítimo deduzir-se que, na ausência destas linhas mestras, a pessoa tenda para um desajustamento e uma insatisfação pessoal permanentes, podendo cair na tentação de procurar soluções tardias que pode ser levado a experimentar na tentativa de colmatar essas faltas.

  Daqui o abandono da profissão, ou da família, que entretanto se foi formando, a troca das realidades estáveis pela cedência a impulsos criadores, quase sempre, de situações precárias de instabilidade.

  Infelizmente, esta parece ser, cada vez mais, uma situação comum, assistindo-se a um interminável cortejo de homens e mulheres, crianças e adultos, vivendo vidas que não os tornam felizes de forma estável mas, talvez, apenas por escasso tempo.

  Poderiam – a palavra é forte – chamar-se “desajustados” que arrastam atrás de si inúmeras pessoas que, de alguma forma, são afectadas por essas decisões.

  Perante a resposta de Cristo a quem Lhe perguntava sobre a indissolubilidade do matrimónio, alguém terá dito: «então é melhor não casar» [1] o que parece uma conclusão lógica se não se tiver em conta a magnitude do acto matrimonial, ou seja, se de facto não se está absolutamente seguro – ou se tem uma certeza razoável – de que o matrimónio celebrado com aquela pessoa concreta é, realmente, o que se deseja, quer e, em consciência, deve fazer, então, de facto, é preferível não casar.

  Consideremos que, se a descoberta da vocação indicar o matrimónio com o objectivo de constituir uma família – o principal e determinante objectivo –, a pessoa tem de ter a noção de que uma vida a dois não congela os anseios, desejos e esforços de melhoria pessoal, antes os torna num objectivo comum, cada um com a sua especificidade mas, evidentemente, numa troca constante e séria de ajudas, apoios e solidariedades nas coisas grandes e nas pequenas de cada dia.

  O próprio amor deve evoluir de um sentimento entusiasmante e cheio de promessas para uma certeza estável e comprometida, como se passasse a existir uma terceira pessoa entre os dois.

  Porquê?

  Porque se o amor não gera amor, acaba por definhar e morrer e acaba por quebrar-se o elo que unia os dois seres.

  A capacidade de amar não se esgota num acto, nem, sequer, numa vida longa e, não parece que se possa amar muito, muitíssimo ou amar muito pouco ou quase nada.

        Ou seja, amar é definitivo, para sempre.

  O amor não cresce, aprofunda-se, não se torna em hábito mas sim em algo sempre novo e renovado diariamente.

  Por ser algo muito sério é que o carácter tem uma importância determinante.

Mal formado, ou com lacunas, a pessoa está muito afectada e diminuída nessa capacidade de dar e receber que, no fim e ao cabo, é o amor.

  E os Pais, professores e outros formadores o que têm a ver com o amor?

Tudo! Têm tudo a ver.

  Ao contribuírem decisivamente para a formação do carácter da pessoa deram-lhe a chave para abrirem o caminho à capacidade de satisfação pessoal de acordo com as suas características pessoais e irrepetíveis que determinarão a sua escolha e opção de vida.

Mais… ao instilarem na pessoa esse desejo concreto de melhoria, enriquecimento da sua personalidade, estão não só a dar-lhe a chave, mas também, a proporcionar-lhe importantes capacidades para que a utilizem para abrir a porta do caminho que lhe convém à felicidade pessoal e à felicidade dos outros com quem se relacione.

 



[1] Cfr. Mt 19, 11

Reflexão

 

Importa muito – mais ainda, tudo – uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar (à meta), venha o que vier, aconteça o que acontecer, trabalhe-se o que se trabalhar, murmure quem murmurar, ainda que se morra no caminho, ainda que se afunde o mundo.


(Santa Teresa de Ávila, Camino de perfección, 21, 3)

SACRAMENTOS

O Matrimónio

 

3. Propriedades essenciais do matrimónio

 

Na sua pregação, Jesus ensinou sem equívocos o sentido original da união do homem e da mulher, tal como o Criador a quis no princípio: a permissão de repudiar a sua mulher, dada por Moisés, era uma concessão à dureza do coração (cf. Mt 19, 8): a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel: foi o próprio Deus que a estabeleceu: «Não separe, pois, o homem o que Deus uniu» (Mt 19, 6)» (Catecismo, 1614). Em virtude do sacramento, em que os esposos cristãos manifestam e participam do mistério da unidade e do amor fecundo entre Cristo e a Igreja (Ef 5, 32), a indissolubilidade adquire um novo sentido e mais profundo aumentando a solidez original do vínculo conjugal, de modo que “o matrimónio rato (isto é, celebrado entre baptizados) e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder humano, nem por nenhuma causa, além da morte” (CDC, 1141).

Pequena agenda do cristão

 


DOMINGO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



[i] Cfr. Lc 1, 38
[ii] AMA, orações pessoais
[iii] AMA, orações pessoais
[iv] AMA, orações pessoais
[v] Btº Álvaro del Portillo (oração pessoal)






























16/01/2021

Dar é próprio dos apaixonados

O teu talento, a tua simpatia, as tuas condições... perdem-se; não te deixam aproveitá-las. – Pensas bem nestas palavras de um autor espiritual: "Não se perde o incenso que se oferece a Deus. – Mais se honra o Senhor com o abatimento dos teus talentos do que com o seu uso vão". (Caminho, 684)

E, abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Detenhamo-nos um pouco para entender este passo do Santo Evangelho. Como é possível que nós, que nada somos e nada valemos, ofereçamos alguma coisa a Deus? Diz a Escritura: toda a dádiva e todo o dom perfeito vem do alto. O homem não consegue descobrir plenamente a profundidade e a beleza dos dons do Senhor: se tu conhecesses o dom de Deus... – responde Jesus à mulher samaritana. Jesus Cristo ensinou-nos a esperar tudo do Pai, a procurar antes de mais o Reino de Deus e a sua justiça, porque tudo o resto se nos dará por acréscimo e Ele conhece bem as nossas necessidades.

Na economia da salvação, o nosso Pai cuida de cada alma com amor e delicadeza: cada um recebeu de Deus o seu próprio dom; uns de um modo, outros de outro. Portanto, podia parecer inútil cansarmo-nos, tentando apresentar ao Senhor algo de que Ele precise; dada a nossa situação de devedores que não têm com que saldar as dívidas, as nossas ofertas assemelhar-se-iam às da Antiga Lei, que Deus já não aceita: Tu não quiseste os sacrifícios, as oblações e os holocaustos pelo pecado, nem te são agradáveis as coisas que se oferecem segundo a Lei. Mas o Senhor sabe que o dar é próprio dos apaixonados e Ele próprio nos diz o que deseja de nós. Não lhe interessam riquezas, nem frutos, nem animais da terra, do mar ou do ar, porque tudo isso lhe pertence. Quer algo de íntimo, que havemos de lhe entregar com liberdade: dá-me, meu filho, o teu coração. Vedes? Se compartilha, não fica satisfeito: quer tudo para si. Repito: não pretende o que é nosso; quer-nos a nós mesmos. Daí – e só daí – advêm todas as outras ofertas que podemos fazer ao Senhor. (Cristo que passa, 35)

 

Maria é Mãe da ciência

Maria é Mãe da ciência, porque com Ela se aprende a lição que mais importa: que nada vale a pena se não estamos junto do Senhor, que de nada servem todas as maravilhas da terra, todas as ambições satisfeitas, se no nosso peito não arde a chama de amor vivo, a luz da santa esperança, que é uma antecipação do amor interminável, na nossa Pátria definitiva.

Em mim encontra-se toda a graça de doutrina e de verdade, em mim toda a esperança de vida e de virtude. Com quanta sabedoria pôs a Igreja estas palavras na boca da nossa Mãe, para que nós, os cristãos, não as esqueçamos. Ela é a segurança, o Amor que nunca nos abandona, o abrigo constantemente aberto, a mão que acaricia e consola sempre.

 

J. A. Loarte

LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 16

 

Evangelho

 

Mt XXVI 1 - 29

 

Jesus prediz a Sua Morte

1 Tendo acabado todos estes discursos, Jesus disse aos discípulos: 2 «Como sabeis, a Páscoa é daqui a dois dias, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado.»

 Reunião do Sinédrio

3 Então, os sumos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se no palácio do Sumo Sacerdote, que se chamava Caifás, 4 e deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. 5 Diziam, porém: «Que não seja durante a festa, para não haver alvoroço entre o povo.»

Refeição em Betânia

6 Jesus encontrava-se em Betânia, em casa de Simão, o leproso. 7 Enquanto estava à mesa, aproximou-se dele uma mulher, que trazia um frasco de alabastro com um perfume de alto preço e derramou-lho sobre a cabeça. 8 Ao verem isto, os discípulos ficaram indignados e disseram: «Para quê este desperdício? 9 Podia vender-se por bom preço e dar-se o dinheiro aos pobres.» 10 Jesus apercebeu-se de tudo e disse: «Porque afligis esta mulher? Ela praticou uma boa acção para comigo. 11 Pobres, sempre os tereis convosco; mas a mim nem sempre me tereis. 12 Derramando este perfume sobre o meu corpo, ela preparou a minha sepultura. 13 Em verdade vos digo: Em qualquer parte do mundo onde este Evangelho for anunciado, há-de também narrar-se, em sua memória, o que ela acaba de fazer.»

Judas vende Jesus

14 Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. 16 E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

Jesus manda preparar a Última Ceia

 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 18 Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» 19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa.

Jesus indica o traidor

20 Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.» 22 Profundamente entristecidos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus.

Instituição da Eucaristia

26 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: «Tomai, comei: Isto é o meu corpo.» 27 Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. 28 Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. 29 Eu vos digo: Não beberei mais deste produto da videira, até ao dia em que beber o vinho novo convosco no Reino de meu Pai.»

 


Desejo de melhoria e bem comum (cont)

  O carácter é, chamemos-lhe assim, o disco formatado da nossa estrutura humana.

  É o conjunto de capacidades, virtudes, defeitos, desejos, anseios de cada um e a estrutura combinada destes mesmos atributos que nos leva a eleger a prática desta ou aquela acção, a aceitar ou repudiar este ou aquele sentimento.

  É o que os psicólogos chamam:

 Personalidade

   Sabemos que houve a tentativa de separar as duas definições como sendo, o carácter o conjunto que a pessoa tem desde que nasce, ao passo que, a personalidade seria a súmula dos conhecimentos adquiridos ao longo da vida.

  Não se deve concordar com esta articulação, principalmente porque, tal equivaleria dizer que o carácter se atém a uma imutabilidade inicial e, a personalidade, dependeria de uma variação constante, o que, não se pode considerar como possível.

  A personalidade forma-se, de facto, como o carácter, na sucessão de acontecimentos ao longo da vida mas, até um certo ponto, quer dizer, há um momento a partir do qual o carácter (a personalidade) estão definidos e assentes e já não mudam substancialmente na sua estrutura.

Esse momento é aquilo a que chamamos a “idade madura” ([1]) ou seja, quando a pessoa sabe, definitivamente o que quer e o que lhe convém e, também, o que não deve querer nem lhe deve interessar para a sua vida.

 Quando?

  Esse momento surge em cada um em tempo e de forma diferente e, claro dependendo do que recebeu, e quanto recebeu, nos primeiros anos de vida.

Daqui, repete-se, o contributo fundamental dos Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores depois.

  Mas não frisemos apenas o contributo fundamental, mas a obrigação inalienável, o dever grave, de cada um dos actores mencionados cumprir com rigor o seu papel.

  Quem não recebe esta formação em devido tempo terá muito maior dificuldade em afirmar-se na vida como ser individual e independente, com uma capacidade de opção e liberdade de escolha a que tem direito como qualquer ser humano.

Pode vir a colmatar esta lacuna no futuro, é evidente, mas, voltamos a mencionar, não existindo a formatação inicial, levá-lo-á a vaguear por conta própria por diversos caminhos que, se não o conduzirem a más soluções, pelo menos, o farão perder um tempo precioso porque, sempre, escasso.

  Chegado o momento das opções sérias que podem mudar de forma mais ou menos radical a própria vida, a pessoa deficientemente formada não tem capacidade de eleição e, até talvez, lhe passe despercebido esse chamamento íntimo, que normalmente se denomina como vocação própria.

  O que vou fazer da minha vida?

  Esta a questão fundamental com a qual, mais tarde ou mais cedo, o homem se depara.



[1] ‘Tenho que admitir que o termo maturidade (maturité, maturity reife), aplicado à personalidade é um tópico comum e de ampla circulação, cujo uso coloquial está muito espalhado entre os habitantes das mais diversas comunidades. Mas tenho de advertir que resisti durante muito tempo a empregá-lo – e quando o usei, fi-lo contra a minha vontade e com certa repugnância – devido à sua ambiguidade, indefinição, polisemia e anfibiologia. Compreendo, todavia, que quando alguém me fala de maturidade da personalidade” ou de uma pessoa “madura”, consigo entender, apesar do que acabo de afirmar, o que o meu interlocutor quer significar. Na realidade, o que acontece, na minha opinião, é que não dispomos de uma definição rigorosa e operativa para expressar de forma inconfundível, e de uma vez por todas, o que queremos significar com o termo maturidade.’  aquilino polaino-lorente, MATURIDADE PESSOAL E AMOR CONJUGAL, Factores psicológicos e psicopatlógicos, Quinta Edição, documentos do instituo de ciências para a família.

Reflexão

 

Há uma relação muito precisa entre a capacidade de amar e a capacidade de sofrer. Quem não é capaz de sofrer não é capaz de amar. Se os santos desejaram profundamente o sofrimento, é porque o seu amor por Cristo os levava a padecer com Ele. 

Se nós não desejamos o sofrimento, ou procuramos escapar-Lhe, é porque ainda nos amamos excessivamente. E talvez fosse muito útil examinarmos, de vez em quando, o estado do nosso amor à Cruz, para podermos apreciar o grau de amor de Deus encerrado nas nossas almas.

 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 274)

FILOSOFIA E RELIGIÃO

 

MATRIMÓNIO

A verdade é que o casamento, como instituição natural, tem, por Vontade do Criador, como fim primeiro e fundamental, não o aperfeiçoamento pessoal dos esposos, mas a procriação e educação dos filhos (...). Aos esposos que usam o matrimónio, como acto específico do seu estado, impõem a natureza e o Criador a função de prover á conservação do género humano.

 

Pio XII, alocução ás parteiras, Roma, Outubro 1951

Pequena agenda do cristão

 


SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

15/01/2021

Reflexão

 

Esse espaço de tempo que se ganha com a dilação (na resposta) deixa ampla margem à acção das forças obscuras do pecado, que podem pesar decisivamente na vitória da natureza sobre a graça e afogar ao nascer o fiat que ia decidir sobre a sorte futura da pessoa no sentido planeado por Deus.

 

(Federico Suarez, A Virgem Nossa Senhora, Éfeso, 4ª Ed. nr. 65)

Devemos santificar todas as realidades

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo. (Sulco, 219)

Estamos no Natal. Acodem-nos à memória os diversos factos e circunstâncias que rodearam o nascimento do Filho de Deus e o olhar detém-se na gruta de Belém, no lar de Nazaré. Maria, José, Jesus Menino ocupam de modo muito especial o centro do nosso coração. Que diz, que nos ensina a vida, simples e admirável ao mesmo tempo, dessa Sagrada Família? Entre as muitas considerações que poderíamos fazer, agora quero escolher sobretudo uma., Como refere a Escritura, o nascimento de Jesus significa o início da plenitude dos tempos, o momento escolhido por Deus para manifestar plenamente o seu amor aos homens, entregando-nos o seu próprio Filho. Essa vontade divina realiza-se no meio das circunstâncias mais normais e correntes: uma mulher que dá à luz, uma família, uma casa. A omnipotência divina, o esplendor de Deus passam através das coisas humanas, unem-se às coisas humanas. Desde esse momento, nós, os cristãos, sabemos que, com a graça do Senhor, podemos e devemos santificar todas as realidades sãs da nossa vida. Não há situação terrena, por mais pequena e vulgar que pareça, que não possa ser a ocasião de um encontro com Cristo e uma etapa da nossa caminhada para o Reino dos Céus. Por isso, não é de estranhar que a Igreja se alegre, que rejubile, contemplando a modesta morada de Jesus, Maria e José. (Cristo que passa, 22)

São José CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE 9

 

CARTA APOSTÓLICA PATRIS CORDE

DO PAPA FRANCISCO

POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DA DECLARAÇÃO DE SÃO JOSÉ COMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA

 

«Levanta-te, toma o menino e sua mãe» (Mt 2, 13): diz o anjo da parte de Deus a são José.

 

O objetivo desta carta apostólica é aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.

 

Com efeito, a missão específica dos Santos não é apenas a de conceder milagres e graças, mas de interceder por nós diante de Deus, como fizeram Abraão (Cf. Génesis 18, 23-32)  e Moisés, (Cf. Êxodo17, 8-13; 32, 30-35.) como faz Jesus, «único mediador» (1 Tm 2, 5), que junto de Deus Pai é o nosso «advogado» (1 Jo 2, 1), «vivo para sempre, a fim de interceder por [nós]» (Heb 7, 25; cf. Rm 8, 34).

 

Os Santos ajudam todos os fiéis «a tender à santidade e perfeição do próprio estado». (Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 42). A sua vida é uma prova concreta de que é possível viver o Evangelho.

 

À semelhança de Jesus que disse: «Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29), também os Santos são exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente São Paulo: «Rogo-vos, pois, que sejais meus imitadores» (1 Cor 4, 16). (Cf. I Coríntios 11, 1; Filipenses 3, 17; I Tessalonicenses 1, 6). O mesmo nos diz São José através do seu silêncio eloquente.

 

Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: «Então não poderás fazer o que estes e estas fizeram?» E, assim, chegou à conversão definitiva exclamando: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!» (Confissões, 8,11,17; 10,27,38: PL 32, 761; 795).

 

Só nos resta implorar, de São José, a graça das graças: a nossa conversão.

 

Dirijamos-lhe a nossa oração:

Salve, guardião do Redentor

e esposo da Virgem Maria!

A vós, Deus confiou o seu Filho;

em vós, Maria depositou a sua confiança;

convosco, Cristo tornou-Se homem.

 

Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós

e guiai-nos no caminho da vida.

Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,

e defendei-nos de todo o mal. Amen.

 

Roma, em São João de Latrão, na Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.

 

Francisco

 

© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

 

 

 

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LEITURA ESPIRITUAL Janeiro 15

 

Evangelho

 

Mt XXV 31 - 46

 

 

O Juízo Final

 

31 «Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32 Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33 À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34 O Rei dirá, então, aos da sua direita: ‘Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35 Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36 estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.’ 37 Então, os justos vão responder-lhe: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38 Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39 E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?’ 40 E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: ‘Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ 41 Em seguida dirá aos da esquerda: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42 Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43 era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.’ 44 Por sua vez, eles perguntarão: ‘Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?’ 45 Ele responderá, então: ‘Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.’ 46 Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»

 


Desejo de melhoria e bem comum

 

  A grande “chaga” dos tempos modernos, o capitalismo não passa da aplicação de uma visão cega e deformada do bem-estar da sociedade

  ‘A experiência mostra-nos, como regra geral, que um método deixa de ser qualquer coisa de puramente objectivo e inofensivo, e que necessariamente acaba por impor um carácter, uma determinada mentalidade a quem o utiliza: leva o homem a pensar como age. O exemplo mais claro a tal respeito é o do capitalismo. O capitalismo – se bem que inspirado na ideologia liberal – nunca se definiu como uma filosofia ou como um humanismo doutrinal, mas apenas como um método para produzir mais e melhor, um método cheio de boas intenções e promessas – porque, tornará ricos e felizes os homens – e que todos possam usar, independentemente da sua religião ou das suas ideologias. Todavia a história demonstrou, dolorosamente, até que ponto o uso deste simples meio de produção conseguiu impor a milhões de pessoas – digam-se elas teoricamente cristãs ou não – uma mesma mentalidade capitalista, ateia, anti-humana e manipuladora do homem e da sociedade, ao serviço do capital. Exactamente na mesma situação se encontram, em nosso parecer, aqueles que utilizam o método marxista de interpretação e acção histórica; isto é, encontram-se em sério perigo de chegar na prática – independentemente do que sugere a sua filosofia e o seu humanismo teórico – a uma visão igualmente economicista do homem e à consequente atitude manipuladora de quanto desta visão – queira-se ou não – deriva. [1]

  Na vida profissional de cada um, tem de existir o desejo de melhoria sob pena de que, o que se faz, não satisfaça nem o próprio nem os outros que têm direito a que faça o melhor que sabe.

  E, como fará o melhor que sabe se, o que sabe, é pouco e desactualizado?

  E se não estuda, não se interessa por conhecer o que há de novo na sua profissão, como pode aspirar a um melhor desempenho da mesma?

  O conhecimento não seria possível se não houvesse esta atitude de procura constante do ser humano, orientado para a descoberta de novos métodos, meios e soluções para os variados problemas e situações da vida corrente.

  Nada surge por acaso, alguém teve de o descobrir, trabalhando, dedicando a suas capacidades à descoberta do novo.

  O primeiro computador era um monstro que ocupava vários andares de um prédio, de uma complexidade tal que só os seus criadores e muito poucas outras pessoas sabiam manejá-lo.

Hoje em dia, as crianças dedilham, com frenesim eficaz, pequenos aparelhos com muito mais potência e incontáveis capacidades que aquele primeiro, que consumiu décadas a ser imaginado e construído.

Mas, é evidente, se não tivesse sido descoberto o princípio “base” do computador seria impossível ter, hoje em dia, essas crianças – e adultos – usufruindo de máquinas que de tão vulgarizadas que estão já quase não passamos em elas.

  Que tem isto a ver com o carácter?

  Tem tudo a ver porque, uma vez mais, tem de se ter a noção de que tudo quanto hoje fazemos, terá um efeito no futuro, próximo ou longínquo, e que muitas pessoas – nunca saberemos quantas – serão beneficiadas com essa nossa preocupação em evoluir.

Também, é verdade, temos de ter a certeza que, se não fizermos o que nos compete, ninguém o fará por nós, prejudicando assim a sociedade inteira talvez hipotecando o futuro próximo por causa de um alheamento actual.

  Esta noção de que cada ser humano é individual e irrepetível tem de levar-nos a uma constante preocupação por ocupar o nosso lugar da forma correcta, cumprindo o nosso papel, desenvolvendo a nossa actividade com as capacidades e potências que temos e vamos desenvolvendo ao longo da vida, desde que nascemos até ao último momento.

 Como “ninguém nasce ensinado”, a formação do carácter assume uma importância fundamental no normal desenvolvimento da pessoa humana.

  Os Pais, em primeiríssimo lugar, os professores e demais formadores têm aqui um papel crucial a levar a cabo junto dos jovens que começam a dar os primeiros passos na vida consciente.

Tal como na história dos computadores, a criança que não recebeu desde o início as noções, por primárias e incipientes que sejam, de como caminhar na vida, dificilmente se adaptará à mesma vida.

Descobrirá, inevitavelmente, muitas coisas por si mesma, mas não saberá formatá-las como necessita porque lhe falta o “disco” original que não recebeu em tempo.

 

 



[1] episcopado chilenoEvangelho, Política e Socialismo, nr. 47, in Maestre della fede, nr. 43, Torino-Leuman, LDC, 1973