14/11/2020

Pequena agenda do cristão

  

SÁBADO

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

FILOSOFIA, RELIGIÃO, VIDA HUMANA.

 


Sabedoria

 

A natureza espiritual da pessoa humana encontra e deve encontrar a sua perfeição na sabedoria, que suavemente atrai o espírito do homem à busca e amor da verdade e do bem, e graças à qual é levado por meio das coisas visíveis até às invisíveis.

Mais que os séculos passados, o nosso tempo precisa de uma tal sabedoria, para que se humanizem as novas descobertas dos homens.

 

(Enc Gaudium et Spes, 15)

Reflexão

 


Humor

 

O distanciamento em relação aos outros e a nós próprios, obtido graças ao sentido de humor, permite-nos assim viver mais segundo o Evangelho.

 

(Tadeus Dajczer, Meditações sobre a Fé, Paulus, 4ª Ed., pg. 110)

13/11/2020

Novíssimos

  







Inferno


Ali os condenados sofrem as penas de dano e de sentido eternamente, de um modo que nós ignoramos nesta vida.


(Santa Teresa de Jesus - Vida, cp. 32, trad AMA)

Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade

 


Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: «qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum» – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)

 

Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

 

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.

Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

 

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)

 

Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.

Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

 

Leitura espiritual 13 Novembro

 

Evangelho

 

Jo XI, 1-20

 

 

Ressurreição de Lázaro

 

1 Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, terra de Maria e de Marta, sua irmã. 2 Maria, cujo irmão, Lázaro, tinha caído doente, era aquela que tinha ungido os pés do Senhor com perfume e lhos enxugara com os seus cabelos. 3 Então, as irmãs enviaram a Jesus este recado: «Senhor, aquele que amas está doente.» 4 Ouvindo isto, Jesus disse: «Esta doença não é de morte, mas sim para a glória de Deus, manifestando-se por ela a glória do Filho de Deus.» 5 Jesus era muito amigo de Marta, da sua irmã e de Lázaro. 6 Mas, quando recebeu a notícia de que este estava doente, ainda se demorou dois dias no lugar onde se encontrava. 7 Só depois é que disse aos discípulos: «Vamos outra vez para a Judeia.» 8 Disseram-lhe os discípulos: «Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar-te, e Tu queres ir outra vez para lá?» 9 Jesus respondeu: «Não tem doze horas o dia? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque tem a luz deste mundo. 10 Mas, se andar de noite, tropeça, porque não tem a luz com ele.» 11 Depois de ter pronunciado estas palavras, acrescentou: «O nosso amigo Lázaro está a dormir, mas Eu vou lá acordá-lo.» 12 Os discípulos disseram então: «Senhor, se ele dorme, vai curar-se!» 13 Mas Jesus tinha falado da sua morte, ao passo que eles julgavam que falava do sono natural. 14 Então, Jesus disse-lhes claramente: «Lázaro morreu; 15 e Eu, por amor de vós, estou contente por não ter estado lá, para assim poderdes crer. Mas vamos ter com ele.» 16 Tomé, chamado Gémeo, disse aos companheiros: «Vamos nós também, para morrermos com Ele.» 17 Ao chegar, Jesus encontrou-o sepultado havia quatro dias. 18 Betânia ficava perto de Jerusalém, a quase uma légua, 19 e muitos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para lhes darem os pêsames pelo seu irmão. 20 Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria ficou sentada em casa.

 


Amar a Igreja

1

               

Os textos da liturgia deste Domingo formam uma cadeia de invocações ao Senhor.

 

Dizemos-Lhe que é o nosso apoio, a nossa rocha, a nossa defesa.

 

A oração recolhe também esse motivo do intróito: “Tu nunca privas da tua luz aqueles que se estabelecem na solidez do teu amor”.

 

No gradual, continuamos a recorrer a Ele: “Nos momentos de angústia invoquei-Te, Senhor... livra, ó Senhor, a minha alma dos lábios mentirosos e das línguas que enganam. Senhor refugio-me em Ti”.

 

É comovente esta insistência de Deus, nosso Pai, empenhado em recordar-nos que devemos apelar para a sua Misericórdia a todo o momento, aconteça o que acontecer, e também agora, nestes tempos em que vozes confusas sulcam a Igreja; são tempos de extravio porque muitas almas não encontram bons pastores, outros Cristos, que as guiem para o amor do Senhor, mas, pelo contrário, ladrões e salteadores, que vêm para roubar, matar e destruir.

 

Não temamos.

 

A Igreja, que é o Corpo de Cristo há-de ser indefectivelmente o caminho e o redil do Bom Pastor, o fundamento robusto e a via aberta para todos os homens.

 

Acabamos de ler o Santo Evangelho:

 

«Vai até aos caminhos e os cercados e anima os que encontrares a quem venham, para que se encha a minha casa

 

2

               

Mas, o que é a Igreja?

 

Onde está a Igreja?

 

Muitos cristãos, aturdidos e desorientados, não recebem resposta segura a estas perguntas, e chegam talvez a pensar que os ensinamentos que o Magistério formulou através dos séculos - e que os bons Catecismos propunham com toda a precisão e simplicidade - foram superados e hão-de ser substituídos por outros novos.

 

Uma série de factos e de dificuldades parece ter convergido, para ensombrar o rosto límpido da Igreja.

 

Alguns afirmam: a Igreja está aqui, no empenho de acomodar-nos ao que chamam tempos modernos.

 

Outros gritam: a Igreja não é mais do que a ânsia de solidariedade dos homens; devemos modificá-la de acordo com as circunstâncias actuais.

 

Enganam-se.

 

A Igreja, hoje, é a mesma que Cristo fundou, e não pode ser outra. Os Apóstolos e os seus sucessores são vigários de Deus para o governo da Igreja, fundamentada na fé e nos Sacramentos da fé.

 

E assim como não lhes é lícito estabelecer outra Igreja, não podem também transmitir outra nem instituir outros sacramentos, porque pelos Sacramentos que jorraram do peito de Cristo pendente da Cruz é que foi construída a Igreja.

 

A Igreja há-de ser reconhecida por aquelas quatro notas indicadas na confissão de fé de um dos primeiros Concílios e que nós rezamos no Credo da Missa: uma única Igreja, Santa, Católica e Apostólica.

 

Essas são as propriedades essenciais da Igreja, que derivam da sua natureza, tal como Cristo a quis.

 

E, por serem essenciais, são também notas, sinais que a distinguem de qualquer outro tipo de união humana, embora nelas se ouça também pronunciar o nome de Cristo.

 

Há pouco mais de um século, o Papa Pio IX resumiu brevemente este ensinamento tradicional: a verdadeira Igreja de Cristo constituiu-se e reconhece-se, por autoridade divina, pelas quatro notas que no Símbolo afirmamos deverem crer-se; e cada uma dessas notas, de tal modo está unida às restantes, que não pode ser separada das outras. Daí que aquela que verdadeiramente se chama Católica, deva juntamente brilhar pela prerrogativa da unidade, da santidade e da sucessão apostólica.

 

É este, insisto, o ensinamento tradicional da Igreja, repetido novamente - embora nestes últimos anos alguns o esqueçam, levados por um falso ecumenismo - pelo Concílio Vaticano II: “Esta é a única Igreja de Cristo - que no Símbolo professamos Una, Santa, Católica e Apostólica - a que o nosso Salvador, depois da ressurreição, entregou a Pedro para que a apascentasse, encarregando-o a ele e aos outros Apóstolos de a difundirem e de a governarem e que erigiu para sempre como coluna e fundamento da verdade”.

 

 

 

3

               

A Igreja é Una

 

«Que sejam um, assim como nós, clama Cristo a Seu Pai; para que sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós».

 

Brota constantemente dos lábios de Jesus Cristo esta exortação à unidade, porque todo o reino, dividido em facções contrárias, será desolado; e toda a cidade ou família, dividida em bandos, não subsistirá.

 

Exortação que se converte em desejo veemente:

 

Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco; e importa que eu as traga, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor

 

De que forma maravilhosa pregou Nosso Senhor esta doutrina!

 

Multiplica as palavras e as imagens, para que a compreendamos e fique gravada na nossa alma a paixão da unidade.

 

«Eu sou a verdadeira vide e o meu Pai é o agricultor. Todo o sarmento que não dá fruto em Mim, ele cortá-la-á; e todo o que der fruto, podá-la-á para que dê mais abundante fruto... Permanecei em Mim, que Eu permanecerei em vós. Como o sarmento não pode de si mesmo dar fruto, se não estiver unido à videira, assim também vós se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira e vós as varas. O que permanece em Mim e Eu nele dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer».

 

Não vedes como aqueles que se separam da Igreja, estando às vezes cheios de frondosidade não tardam em secar e como os seus frutos se transformam em vermineira viva?

 

Amai a Santa Igreja, Apostólica, Romana, Una! Porque, como escreve São Cipriano: “Quem recolhe noutro lado, fora da Igreja, dissipa a Igreja de Cristo”.

 

E São João Crisóstomo insiste: “não te separes da Igreja. Nada é mais forte do que a Igreja. A tua esperança é a Igreja; a tua salvação é a Igreja; o teu refúgio é a Igreja. É mais alta do que o céu e mais larga do que a terra. Nunca envelhece e o seu vigor é eterno.”

 

Defender a unidade da Igreja traduz-se em viver muito unidos a Jesus Cristo, que é a nossa vide.

 

Como?

 

Aumentando a nossa fidelidade ao Magistério perene da Igreja: na verdade, não foi prometido o Espírito Santo aos sucessores de Pedro para que por sua revelação manifestassem uma nova doutrina, mas para que, com a sua assistência, santamente custodiassem e fielmente exprimissem a revelação transmitida pelos Apóstolos ou depósitos da fé.

 

Assim conservaremos a unidade, venerando esta Nossa Mãe sem mancha e amando o Romano Pontífice.

 

 

Pequena agenda do cristão

   


Sexta-Feira

Pequena agenda do cristão

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Perguntas e respostas

 


HOMOSSEXUALIDADE

4.

A. A HOMOSSEXUALIDADE EM GERAL

 

Pergunto:

Como se supera la homossexualidade?

 

Respondo:

É possível corrigir a homossexualidade, embora não seja fácil nem rápido, uma vez que as desordens sexuais criam dependência. Algumas vezes será necessário recorrer a um psiquiatra de confiança. Geralmente pode recomendar-se o seguinte:

Dominar os desejos sexuais evitando repeti-los tanto na realidade como no pensamento com o fim de esquecer a dependência do sexo. (Será mais ou menos custoso dependendo do grau de incidência; este esforço intenso é uma parte do preço a pagar para superar o problema).

Se não houve desordens sexuais, só se trata de superar a inclinação afetiva corrigindo sentimentos. Serão necessárias constância e paciência, até que essas sugestões se vão esquecendo.

Se apenas há maior sensibilidade afetiva face à beleza, não se trata de homossexualidade, mas será prudente exercitar-se no auto-controlo e orientar bem os sentimentos.

Em qualquer caso, as tendências homossexuais superam-se melhor com trabalho abundante (manter a cabeça ocupada) e com o serviço aos outros (tirando o coração do egoísmo e da solidão). Os sentimentos de auto-compaixão são contra producentes.

Também fará bem fomentar a vida espiritual para conseguir maior equilíbrio para pedir a ajuda divina.

Reflexão

 



Dar graças

Pode compreender-se porque volto ao mesmo tema:

 

Nunca darei graças suficientes!

 

Hoje a minha Querida Filha Bárbara trouxe o "abastecimento" habitual de víveres - e não só -, que costuma trazer.

Bom... o que isso de extraordinário... poder-se-ia perguntar?

Realmente, para mim... nada…  mas, eu sou um privilegiado!

E... os outros - e serão tantos! - que não têm absolutamente ninguém que lhes preste esta assistência?

E, então, tenho forçosamente que dar muitas graças.

 

(AMA, 2020)

12/11/2020

Novíssimos

 



INFERNO

 

4. O inferno existe?

 

Significa permanecer separados dEle - do nosso Criador e nosso fim – para sempre pela nossa escolha própria e livre. Este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados é o que se designa com a palavra inferno.

Morrer em pecado mortal, sem estar arrependido nem acolher o amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre.

O ensinamento da Igreja afirma a existência do inferno e da eternidade. As almas daqueles que morrem em pecado mortal descem aos infernos imediatamente depois da morte e ali sofrem as penas do inferno, “o fogo eterno”. A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus em quem unicamente o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e pelas quais aspira.

Jesus fala frequentemente da geena e do fogo que nunca se apaga, reservado para os que, até ao fim da vida, recusam acreditar e converter-se, e onde se pode perder ao mesmo tempo o corpo e a alma. A pena principal do inferno é a da separação eterna de Deus.

As afirmações da Escritura e os ensinamentos da Igreja a propósito do inferno são um chamamento à responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade em relação ao destino eterno. Constituem também um apelo urgente à conversão: “Entrai pela porta estreita porque é larga a porta e espaçoso o São Josemaria, Caminho que leva á perdição, e são muitos os que entram por ela, mas como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à Vida, e são poucos os que a encontram” (Mt 7, 13-14).

 

Há mil maneiras de rezar

 


Católico sem oração?... É como um soldado sem armas. (Sulco, 453)

 

Eu aconselho-te a que, na tua oração, intervenhas nas passagens do Evangelho, como um personagem mais. Primeiro, imaginas a cena ou o mistério, que te servirá para te recolheres e meditares. Depois, aplicas o entendimento, para considerar aquele rasgo da vida do Mestre: o seu Coração enternecido, a sua humildade, a sua pureza, o seu cumprimento da Vontade do Pai. Conta-lhe então o que te costuma suceder nestes assuntos, o que se passa contigo, o que te está a acontecer. Mantém-te atento, porque talvez Ele queira indicar-te alguma coisa: surgirão essas moções interiores, o caíres em ti, as admoestações. (…)Há mil maneiras de rezar, digo-vos de novo. Os filhos de Deus não precisam de um método, quadriculado e artificial, para se dirigirem ao seu Pai. O amor é inventivo, industrioso; se amamos, saberemos descobrir caminhos pessoais, íntimos, que nos levam a este diálogo contínuo com o Senhor. (…) Se fraquejarmos, recorreremos ao amor de Santa Maria, Mestra de oração; e a S. José, Pai e Senhor nosso, a quem tanto veneramos, que é quem mais intimamente privou neste mundo com a Mãe de Deus e – depois de Santa Maria – com o seu Filho Divino. E eles apresentarão a nossa debilidade a Jesus, para que Ele a converta em fortaleza. (Amigos de Deus, 253, 255)

Leitura espiritual 12 Novembro

 


Evangelho


Jo X, 22-42

 

Na festa de Dedicação

 

22 Em Jerusalém celebrava-se, então, a festa da Dedicação do templo. Era Inverno. 23 Jesus passeava pelo templo, debaixo do pórtico de Salomão.

 

O Pai e O Filho

 

24 Rodearam-no, então, os judeus e começaram a perguntar-lhe: «Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente.» 25 Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que Eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho a meu favor; 26 mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. 28 Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. 29 O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai.

 

Os judeus querem apederejar Jesus

 

30 Eu e o Pai somos Um.» 31 Então, os judeus voltaram a pegar em pedras para o apedrejarem. 32 Jesus replicou-lhes: «Mostrei-vos muitas obras boas da parte do Pai; por qual dessas obras me quereis apedrejar?» 33 Responderam-lhe os judeus: «Não te queremos apedrejar por qualquer obra boa, mas por uma blasfémia: é que Tu, sendo um homem, a ti próprio te fazes Deus.» 34 Jesus respondeu-lhes: «Não está escrito na vossa Lei: ‘Eu disse: vós sois deuses’? 35 Se ela chamou deuses àqueles a quem se dirigiu a palavra de Deus - e a Escritura não se pode pôr em dúvida – 36 a mim, a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, como é que dizeis: ‘Tu blasfemas’, por Eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’? 37 Se não faço as obras do meu Pai, não acrediteis em mim; 38 mas se as faço, embora não queirais acreditar em mim, acreditai nas obras, e assim vireis a saber e ficareis a compreender que o Pai está em mim e Eu no Pai.»

 

Jesus retira-Se para a outra margem do Jordão

 

39 Por isso procuravam de novo prendê-lo, mas Ele escapou-se-lhes das mãos. 40 Depois, Jesus voltou a retirar-se para a margem de além-Jordão, para o lugar onde ao princípio João tinha estado a baptizar, e ali se demorou. 41 Muitos vieram ter com Ele e comentavam: «Realmente João não realizou nenhum sinal milagroso, mas tudo quanto disse deste homem era verdade.» 42 E muitos ali creram nele.

 



Cristo que passa

 

186

        

Que há muita gente empenhada em comportar-se com injustiça? Sim, mas o Senhor insiste: “pede-Me, e Eu te darei as nações em herança, e os teus domínios irão até aos confins da Terra. Tu os governarás com vara de ferro, e quebrá-los-ás qual vaso de oleiro”.

São promessas fortes e são de Deus.

Por isso, não podemos dissimulá-las.

Não é em vão que Cristo é o Redentor do mundo, e reina, soberano, à direita do Pai.

É o terrível anúncio daquilo que espera a cada um de nós, quando a vida passar - porque passa - e a todos, quando a história acabar, se o coração se endurece no mal e na desesperança.

 

Contudo, Deus, que sempre pode vencer, prefere convencer: “E agora, ó reis, atendei: instruí-vos, vós que governais a Terra. Servi ao Senhor com temor, e louvai-o com alegria; com tremor, prestai-lhe vassalagem, para que não Se ire, e não pereçais fora do caminho, quando daqui a pouco se incendiar a sua indignação. Cristo é o Senhor, o Rei. E nós vos anunciamos que aquela promessa, que foi feita a nossos pais, Deus a cumpriu para nossos filhos, ressuscitando Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, eu te gerei hoje... Seja-vos, pois, notório, homens, irmãos, que por Ele vos é anunciada a remissão dos pecados e de tudo aquilo de que não pudestes ser justificados pela lei de Moisés. Por Ele é justificado todo aquele que crê. Tomai pois cuidado que não venha sobre vós o que foi fito pelos profetas: Vede, ó despertadores, e admirai-vos e desaparecei, que eu faço uma obra em vossos dias, uma obra que vós não crereis, se alguém vo-la contar”.

 

É a obra da salvação, o reinado de Cristo nas almas, a manifestação da misericórdia de Deus.

Bem-aventurados todos os que confiam n'Ele!

Nós, cristãos, temos direito a enaltecer a realeza de Cristo, porque, ainda que a injustiça abunde, ainda que muitos não desejem este reinado de amor, na própria história humana que é o cenário do mal, vai-se tecendo a obra da salvação eterna.

 

187

         

Anjos de Deus

 

Ego cogito cogitationes pacis, et non afilictionis, eu tenho pensamentos de paz e não de tristeza, diz o Senhor.

Sejamos homens de paz, homens de justiça, fazedores do bem, e o Senhor não será para nós juiz, mas amigo, irmão.

 

Que neste caminhar - alegre! - pela Terra, nos acompanhem os anjos de Deus.

Antes do nascimento do nosso Redentor tínhamos perdido a amizade dos Anjos” - escreve São Gregório Magno -.

O pecado original e os nossos pecados quotidianos tinham-se afastado da sua luminosa pureza...

Mas desde o momento que nós reconhecemos o nosso Rei, os anjos reconheceram-nos como concidadãos.

 

E como o Rei dos Céus quis tornar a nossa carne terrena, os Anjos já não se afastam da nossa miséria.

Não se atrevem a considerar inferior à sua esta natureza que adoram, vendo-a exaltada, acima deles, na pessoa do Rei do Céu; e não sentem já inconveniente em considerar o homem como companheiro.

 

Maria, a Mãe santa do nosso Rei, a Rainha do nosso coração, cuida de nós como só Ela sabe fazê-lo.

Mãe compassiva, trono da graça, pedimos-te que saibamos compor na nossa vida e na vida dos que nos rodeiam, verso a verso, o poema simples da caridade, quasi fluvium pacis, como um rio de paz.

Porque tu és mar de inesgotável misericórdia: os rios vão dar todos ao mar e o mar não se enche.