Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
19/10/2020
Pequena agenda do cristão
Outubro - Mês do Rosário
Com a leitura diária, pausada, - diria - detida e reflectida, encontraremos sempre algo novo, uma ideia, uma inspiração, um detalhe.
E, de facto, não é difícil fazê-lo, bem ao contrário acabamos por envolver-nos de tal forma que chegamos a compreender que Jesus Cristo está ali, ao nosso lado acompanhando a nossa leitura-meditação e abrindo-nos a alma e o entendimento para melhor compreender e guardar como tesouro precioso o que nos oferece.
18/10/2020
SACRAMENTOS
A
liturgia e os sacramentos em geral
A liturgia cristã é
essencialmente actio Dei que nos une a Jesus através do Espírito (cf. Ex. ap. Sacramentum Caritatis, n. 37).
1.
O Mistério pascal: mistério vivo e vivificante
As palavras e as
acções de Jesus durante a Sua vida oculta em Nazaré e no Seu ministério público
eram salvíficas e antecipavam a força do Seu ministério pascal. «Uma vez
chegada a sua “Hora” (cf. Jo 13, 1;
17, 1.), Jesus
vive o único acontecimento da história que não passa jamais: morre, é
sepultado, ressuscita de entre os mortos e senta-Se à direita do Pai “uma vez
por todas” (Rm 6, 10; Heb 7,
27; 9, 12).
É um acontecimento real, ocorrido na nossa história, mas único; todos os outros
acontecimentos da história acontecem uma vez e passam, devorados pelo passado.
Pelo contrário, o mistério pascal de Cristo não pode ficar somente no passado,
já que pela Sua morte, Ele destruiu a morte; e tudo o que Cristo É, tudo o que
fez e sofreu por todos os homens, participa da eternidade divina, e assim
transcende todos os tempos e em todos se torna presente. O acontecimento da
cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida» (Catecismo 1085).
Como sabemos, «no
início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o
encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte
e, desta forma, o rumo decisivo» (Bento
XVI, Enc. Deus Caritas Est, 25-XII-2005, 1) Daí que «a fonte da nossa fé e da liturgia
eucarística é o mesmo acontecimento: a doação que Cristo fez de Si próprio no
mistério pascal» (Bento XVI, Ex. ap.
Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 34. (Bento
XVI, Ex. ap. Sacramentum Caritatis, 22-II-2007, 34).
Juan
José Silvestre
Revisão
da versão portuguesa por AMA.
Bibliografia
básica
Catecismo
da Igreja Católica, 1066-1098; 1113-1143; 1200-1211 e 1667-1671.
Leituras
recomendadas
São
Josemaria, Homilia «A Eucaristia, mistério de fé e de amor», em Cristo que
Passa , 83-94; também os n. 70 e 80. Temas Actuais do Cristianismo, 115.
J. Ratzinger, Introdução ao Espírito da Liturgia, Edições Paulinas, 2002.
J.L. Gutiérrez-Martín, Belleza y misterio. La liturgia, vida de la Iglesia, EUNSA (Astrolabio), Pamplona 2006, pp. 53-84, 13-126.
União com Deus
União
com Deus
Procura
a união com Deus e enche-te de esperança - virtude segura! - porque Jesus te
iluminará, mesmo na noite mais escura, com a luz da Sua misericórdia. (Forja, 293)
Jesus
Christus, Deus Homo, Jesus Cristo,
Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei (Act II, 11), uma das maravilhas de
Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a Este Senhor que veio
trazer a paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2, 14), a todos
os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos
ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos
somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.
É
preciso ver o Menino, nosso Amor, no seu berço. Olhar para Ele, sabendo que
estamos perante um mistério. Precisamos de aceitar o mistério pela fé,
aprofundar o seu conteúdo. Para isso necessitamos das disposições humildes da
alma cristã: não pretender reduzir a grandeza de Deus aos nossos pobres
conceitos, ás nossas explicações humanas, mas compreender que esse mistério, na
sua obscuridade, é uma luz que guia a vida dos homens. (Cristo que passa, 13)
Leitura espiritual Outubro 18

Cartas
de São Paulo
1.ª
Timóteo 4
Os falsos mestres –
1
O Espírito diz abertamente que, nos últimos tempos, alguns hão-de apostatar da
fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas diabólicas, 2 seduzidos
pela hipocrisia de mentirosos, cuja consciência foi marcada com ferro em brasa.
3 Proibirão o casamento e o uso de alimentos, que Deus criou para serem
consumidos em acção de graças, pelos que têm fé e conhecem a verdade. 4 Pois
tudo o que Deus criou é bom e nada deve ser rejeitado, quando tomado com acção
de graças. 5 Com efeito, tudo é santificado pela palavra de Deus e pela oração.
Modelo dos fiéis –
6
Expondo estas coisas aos irmãos, serás um bom servo de Cristo Jesus, alimentado
com as palavras da fé e da boa doutrina que tão diligentemente tens seguido. 7 Mas
rejeita as fábulas ímpias, coisa de comadres. Exercita-te na piedade. 8 O
exercício físico de pouco serve, mas a piedade é útil para tudo, pois tem a
promessa da vida presente e da futura. 9 É digna de fé e de toda a aceitação
esta palavra. 10 Pois se nós trabalhamos e lutamos, é porque pomos a nossa
esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, sobretudo dos que
crêem. 11 Eis o que deves proclamar e ensinar. 12 Ninguém escarneça da tua
juventude; antes, sê modelo dos fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé,
na castidade. 13 Enquanto aguardas a minha chegada, aplica-te à leitura, à
exortação, ao ensino. 14 Não descures o carisma que está em ti, e que te foi
dado através de uma profecia, com a imposição das mãos dos presbíteros. 15 Toma
a peito estas coisas e persevera nelas, a fim de que o teu progresso seja
manifesto a todos. 16 Cuida de ti mesmo e da doutrina, persevera nestas coisas,
porque, agindo assim, salvar-te-ás a ti mesmo e aos que te ouvirem.
Cristo que passa
56
José foi, no aspecto humano,
mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou
dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este
varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança,
Mestre de vida interior?
A vida interior não é outra
coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com
Ele.
E José saberá dizer-nos
muitas coisas sobre Jesus.
Por isso, não deixeis nunca
de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase
tomada do Antigo Testamento.
Mestre da vida interior,
trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação
contínua com Jesus: este é José.
Ite
ad Joseph.
Com São José o cristão
aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o
mundo.
Ide a José e encontrareis
Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável
oficina de Nazaré.
57
Entramos no tempo da
Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão.
Não é fácil tarefa.
O cristianismo não é um
caminho cómodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem.
Na nossa vida, na vida dos
cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós
recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é
importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões
sucessivas.
É preciso manter a alma
jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão,
para facilitarmos o trabalho da graça divina nessas sucessivas conversões.
Invocabit me et ego exaudiam
eum,
lemos na liturgia deste Domingo: Se me chamardes, Eu vos escutarei, diz o
Senhor.
Reparai nesta maravilha que
é o cuidado que Deus tem por nós, sempre disposto a ouvir-nos, atento em cada
momento à palavra do homem.
Em qualquer altura - mas
agora de modo especial, porque o nosso coração está bem disposto, decidido a
purificar-se - Ele nos ouve e não deixará de atender ao que Lhe pede um coração
contrito e humilhado.
O Senhor ouve-nos para
intervir, para Se meter na nossa vida, para nos livrar do mal e encher-nos de
bem: eripiam eum et glorificabo eum, Eu o livrarei e o glorificarei, diz do
homem.
Portanto: esperança do Céu.
E aqui temos, como doutras
vezes, o começo desse movimento interior que é a vida espiritual.
A esperança da glorificação
acentua a nossa fé e estimula a nossa caridade. E, deste modo, as três virtudes
teologais - virtudes divinas que nos assemelham ao nosso Pai, Deus - põem-se em
movimento.
Haverá melhor maneira de
começar a Quaresma?
Renovamos a Fé, a Esperança,
a Caridade. Esta é a fonte do espírito de penitência, do desejo de purificação.
A Quaresma não é apenas uma
ocasião de intensificar as nossas práticas externas de mortificação; se
pensássemos que era isso apenas, escapar-nos-ia o seu sentido profundo na vida
cristã, porque esses actos externos são, repito, fruto da Fé, da Esperança e do
Amor.
58
A arriscada segurança do
Cristão
Qui habitat in adiutorio
Altissimi in protectione Dei coelí commorabitur -
Habitar sob a protecção de Deus, viver com Deus: eis a arriscada segurança do
cristão.
É necessário convencermo-nos
de que Deus nos ouve, de que está sempre solícito por nós, e assim se encherá
de paz o nosso coração. Mas viver com Deus é indubitavelmente correr um risco,
porque o Senhor não Se contenta compartilhando; quer tudo.
E aproximar-se d'Ele um
pouco mais significa estar disposto a uma nova rectificação, a escutar mais
atentamente as suas inspirações, os santos desejos que faz brotar na nossa alma,
e a pô-los em prática.
Desde a nossa primeira
decisão consciente de viver integralmente a doutrina de Cristo, é certo que
avançámos muito pelo caminho da fidelidade à sua Palavra.
Mas não é verdade que restam
ainda tantas coisas por fazer?
Não é verdade que resta,
sobretudo, tanta soberba?
É precisa, sem dúvida, uma
outra mudança, uma lealdade maior, uma humildade mais profunda, de modo, que,
diminuindo o nosso egoísmo, cresça em nós Cristo, pois illum oportet crescere,
me autem minui, é preciso que Ele cresça e que eu diminua.
Não é possível deixar-se
ficar imóvel.
É necessário avançar para a
meta que S. Paulo apontava: não sou eu quem vive; é Cristo que vive em mim.
A ambição é alta e
nobilíssima: a identificação com Cristo, a santidade. Mas não há outro caminho,
se se deseja ser coerente com a vida divina que, pelo Baptismo, Deus fez nascer
nas nossas almas. O avanço é o progresso na santidade; o retrocesso é negar-se
ao desenvolvimento normal da vida cristã.
Porque o fogo do amor de
Deus precisa de ser alimentado, de aumentar todos os dias arreigando-se na
alma; e o fogo mantém-se vivo queimando novas coisas.
Por isso, se não aumenta,
está a caminho de se extinguir.
Recordai as palavras de
Santo Agostinho: Se disseres basta, estás perdido. Procura sempre mais, caminha
sempre, progride sempre. Não permaneças no mesmo sítio, não retrocedas, não te
desvies.
A Quaresma coloca-nos agora
perante estas perguntas fundamentais: Avanço na minha fidelidade a Cristo?
Em desejos de santidade?
Em generosidade apostólica
na minha vida diária, no meu trabalho quotidiano entre os meus companheiros de
profissão?
Cada um que responda a
estas. perguntas, sem ruído de palavras, e verá como é necessária uma nova
transformação para que Cristo viva em nós, para que a sua imagem se reflicta
limpidamente na nossa conduta.
«Se alguém quer vir atrás
de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-Me».
Cristo repete-o a cada um de
nós, ao ouvido, intimamente: a Cruz de cada dia.
Não só - escreve São
Jerónimo - em tempo de perseguição, ou quando se apresenta a possibilidade do
martírio, mas em todas as situações, em todas as actividades, em todos os
pensamentos, em todas as palavras, neguemos aquilo que antes éramos e
confessemos o que agora somos, visto que renascemos em Cristo.
Estas considerações não são,
afinal, senão o eco das do Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz
no Senhor. Comportai-vos como filhos da luz, porque o fruto da luz consiste na
bondade, na justiça e na verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor.
A conversão é coisa de um
instante; a santificação é tarefa para toda a vida.
A semente divina da
caridade, que Deus pôs nas nossas almas, aspira a crescer, a manifestar-se em
obras, a dar frutos que correspondam em cada momento ao que é agradável ao
Senhor.
Por isso, é indispensável
estarmos dispostos a recomeçar, a reencontrar - nas novas situações da nossa
vida - a luz, o impulso da primeira conversão.
E essa é a razão pela qual
havemos de nos preparar com um exame profundo, pedindo ajuda ao Senhor para
podermos conhecê-Lo melhor e conhecer-nos melhor a nós mesmos.
Não há outro caminho para
nos convertermos de novo.
Pequena agenda do cristão
Outubro - Mês do Rosário
É uma cena comum, familiar e, ao mesmo tempo, de sociedade. E Cristo está presente como que a demonstrar que não Se alheia da vida comum dos Seus irmãos os homens por mais trivial ou simples que possa ser.
Sabemos por experiência própria que algumas vezes a vontade de Deus se apresenta como que difusa, pouco clara.
Outras vezes, trava-se uma luta no nosso íntimo entre aquilo que nos apetece fazer e o que sabemos nos convém que façamos.
E, o que nos convém, é sempre actuar com a meridiana certeza que fazemos o melhor que podemos em cada circunstância.
Os desejos, os propósitos têm sempre de estar estreitamente ligados à nossa consciência segura, bem formada que nunca deixará de nos alertar para o desvio, o desleixo, a comodidade.
17/10/2020
Filosofia, Religião, Vida Humana.
Virtudes
Fidelidade 3
Deus é fiel
O Antigo Testamento faz finca-pé na fidelidade de
Deus, salientando que é emet e hesed, verdadeiro e misericordioso: a sua
misericórdia é tão grande como o Céu, e a sua fidelidade como da terra às
nuvens (Cfr. Sal 53; Dt
7,9; 32,4; Is 49,7; Sal 144,13). A fidelidade vai unida à revelação de Deus. Ao dizer o seu nome, Deus
revela, ao mesmo tempo, a sua fidelidade, que é de sempre e para sempre. É-o a
respeito do passado, pois é o Deus dos nossos pais; é-o para o porvir, porque
estará sempre connosco (Cfr. Ex
3,6.12). “Deus, que revela
o seu nome como “Eu sou”, revela-se como o Deus que está sempre ali,
presente junto do seu povo para o salvar” (Catecismo da Igreja Católica, 207)
A FIDELIDADE É COMO
UMA FORÇA QUE CONQUISTA O TEMPO, NÃO POR RIGIDEZ OU INÉRCIA, MAS DE UM MODO
CRIATIVO, INTEGRANDO AS NOVAS CIRCUNSTÂNCIAS DE CADA DIA
Deus está sempre
presente e mantém sempre as Suas promessas(Cfr. Catecismo da Igreja Católica, 212). Daí a importância
de ter consciência da presença de Deus, uma das primeiras coisas que se
aprendem na vida interior: as orações jaculatórias, os olhares às imagens de
Nossa Senhora são modos concretos de actualizar, no trabalho, essa presença de Quem
nos escolheu, nos criou, nos mantém no ser, nos olha com amor de Pai. A
fidelidade de Deus é consequência desse amor, ou seja, do seu próprio ser: “Deus,
´Aquele que é´», revelou-se a Israel como aquele que é “rico em amor e
fidelidade” (Ex 34,6). Estes dois termos expressam de forma condensada as riquezas do Nome
divino” (Cfr.
Catecismo da Igreja Católica, 214). Quando somos fiéis, parecemo-nos mais a esse Deus que é amor e sempre
fiel. “Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões
insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o
que a torna divina. À vida humilde e santa de São José, Deus acrescentou - se
me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor..
Deus nunca se deixa ganhar em generosidade” (Cristo que passa,
40).
O amor casto entre um homem e uma mulher
Admira
a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu
lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade?
(Forja,
689)






