11/07/2020

Publicações

Publicações de hoje: 

        Clicar: 👇

 

NUNC COEPI







Cuidar das pequenas coisas


Cuidar das pequenas coisas constitui uma mortificação constante, caminho para tornar a vida mais agradável aos outros. (Sulco, 991)

Pensando naqueles que, à medida que o tempo passa, ainda se dedicam a sonhar em sonhos vãos e pueris, como Tartarin de Tarascon com caçar leões nos corredores de casa, onde se calhar só há ratos e pouco mais, pensando neles, insisto, lembro a grandeza de actuar com espírito divino no cumprimento fiel das obrigações habituais de cada dia, com essas lutas que enchem Nosso Senhor de alegria e que só Ele e cada um de nós conhece.
Convençam-se de que normalmente não vão encontrar ocasiões para grandes façanhas, entre outros motivos porque não é habitual que surjam essas oportunidades. Pelo contrário, não faltam ocasiões de demonstrar o amor a Jesus Cristo, através do que é pequeno, do normal. (...)
Portanto, tu e eu vamos aproveitar até as oportunidades mais banais que se apresentarem à nossa volta, para santificá-las, para nos santificarmos e para santificar os que compartilham connosco os mesmos afãs quotidianos, sentindo nas nossas vidas o peso doce e sugestivo da co-redenção. (Amigos de Deus, 8-9)

LEITURA ESPIRITUAL


ACTOS DOS APÓSTOLOS 

I.            EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM

11 Pedro justifica o seu procedimento –
1*Os Apóstolos e os irmãos da Judeia ouviram, entretanto, dizer que também os pagãos tinham recebido a palavra de Deus. 2 E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os circuncisos começaram a censurá-lo, 3*dizendo-lhe: «Tu entraste em casa de incircuncisos e comeste com eles.» 4 Pedro expôs-lhes, então, o caso, do princípio ao fim, dizendo: 5*«Estava eu em oração na cidade de Jope quando, em êxtase, tive uma visão: um objecto semelhante a uma grande toalha, descia do céu, preso pelas quatro pontas, e chegou até junto de mim. 6 Fitando os olhos nele, pus-me a observar e vi os quadrúpedes da terra, os animais ferozes, os répteis e as aves do céu. 7 Ouvi também uma voz que me dizia: 'Vamos, Pedro, mata e come.' 8 Mas eu respondi: 'De modo algum, Senhor! Nunca entrou na minha boca nada de profano ou impuro!' 9 A voz fez-se ouvir do Céu, pela segunda vez: 'O que Deus purificou não o consideres tu impuro.' 10 Isto repetiu-se três vezes; depois, tudo foi novamente elevado ao Céu. 11 Nesse instante, apresentaram-se três homens na casa em que estávamos, enviados de Cesareia à minha presença. 12*O Espírito disse-me que os acompanhasse, sem hesitar. Vieram também comigo os seis irmãos, aqui presentes, e entrámos em casa do homem. 13 Ele contou-nos que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa, dizendo-lhe: 'Envia alguém a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro; 14 ele dir-te-á palavras que te hão-de trazer a salvação, a ti e a toda a tua casa.' 15*Ora, quando principiei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós, ao princípio. 16*Recordei-me, então, da palavra do Senhor, quando Ele dizia: 'João baptizou em água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo.' 17*Se Deus, portanto, lhes concedeu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para me opor a Deus?» 18 Estas palavras apaziguaram-nos, e eles deram glória a Deus, dizendo: «Deus também concedeu aos pagãos o arrependimento que conduz à Vida!»

Fundação da igreja de Antioquia –
19*Entretanto, os que se tinham dispersado, devido à perseguição desencadeada por causa de Estêvão, adiantaram-se até à Fenícia, Chipre e Antioquia, mas não anunciavam a palavra senão aos judeus. 20*Houve, porém, alguns deles, homens de Chipre e Cirene que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando-lhes a Boa-Nova do Senhor Jesus. 21 A mão do Senhor estava com eles e grande foi o número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor. 22*A notícia chegou aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e mandaram Barnabé a Antioquia. 23 Assim que ele chegou e viu a graça concedida por Deus, regozijou-se com isso e exortou-os a todos a que se conservassem unidos ao Senhor, de coração firme; 24 ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim, uma grande multidão aderiu ao Senhor. 25*Então, Barnabé foi a Tarso procurar Saulo. 26*Encontrou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro, mantiveram-se juntos nesta igreja e ensinaram muita gente. Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de «cristãos.»

Caridade dos primeiros cristãos –
27*Nesses dias, uns profetas desceram de Jerusalém a Antioquia. 28Um deles, chamado Agabo, ergueu-se e, sob a inspiração do Espírito, predisse que haveria uma grande fome por toda a terra. Foi a que sobreveio no reinado de Cláudio. 29 Os discípulos, cada qual segundo as suas posses, resolveram então enviar socorros aos irmãos da Judeia, 30*o que fizeram, mandando-os aos anciãos, por intermédio de Barnabé e de Saulo.


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS

Jovens dum mundo em crise
72. Os Padres Sinodais destacaram, com tristeza, que «muitos jovens vivem em contextos de guerra e padecem a violência numa variedade incontável de formas: raptos, extorsões, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos, escravidão e exploração sexual, estupros de guerra, etc.
Outros jovens, por causa da sua fé, têm dificuldade em encontrar um lugar nas suas sociedades e sofrem vários tipos de perseguição, que vai até à morte.
Numerosos são os jovens que, por constrangimento ou falta de alternativas, vivem perpetrando crimes e violências: crianças-soldado, gangues armados e criminosos, tráfico de droga, terrorismo, etc.
Esta violência destroça muitas vidas jovens.
Abusos e dependências, bem como violência e extravio contam-se entre as razões que levam os jovens à prisão, com incidência particular em alguns grupos étnicos e sociais[1].
73. Muitos jovens são mentalizados, instrumentalizados e utilizados como carne para canhão ou como força de choque para destruir, intimidar ou ridicularizar outros.
E o pior é que muitos se transformam em sujeitos individualistas, inimigos e desconfiados para com todos, tornando-se assim presa fácil de propostas desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos políticos ou poderes económicos.

74. «Ainda mais numerosos no mundo são os jovens que padecem formas de marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas.
Lembramos a difícil situação de adolescentes e jovens que ficam grávidas e a praga do aborto, bem como a propagação do SIDA/HIV, as várias formas de dependência (drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situação dos meninos e adolescentes de rua, que carecem de casa, família e recursos económicos»[2].
E quando se trata de mulheres, estas situações de marginalização tornam-se duplamente dolorosas e difíceis.

75. Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens.
Não devemos jamais habituar-nos a isto, porque, quem não sabe chorar, não é mãe.
Queremos chorar para que a própria sociedade seja mais mãe, a fim de que, em vez de matar, aprenda a dar à luz, de modo que seja promessa de vida. Choramos ao recordar os jovens que morreram por causa da miséria e da violência e pedimos à sociedade que aprenda a ser uma mãe solidária.
Esta dor não passa, acompanha-nos, porque não se pode esconder a realidade.
A pior coisa que podemos fazer é aplicar a receita do espírito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras notícias, com outras distracções, com banalidades.

76. Talvez «aqueles de nós que levamos uma vida sem grandes necessidades não saibamos chorar.
Certas realidades da vida só se vêem com os olhos limpos pelas lágrimas. Convido cada um de vós a perguntar-se:
Aprendi eu a chorar, quando vejo uma criança faminta, uma criança drogada pela estrada, uma criança sem casa, uma criança abandonada, uma criança abusada, uma criança usada como escravo pela sociedade?
Ou o meu não passa do pranto caprichoso de quem chora porque quereria ter mais alguma coisa?»[3]
Procura aprender a chorar pelos jovens que estão pior do que tu.
A misericórdia e a compaixão também se manifestam chorando. Se o pranto não te vem, pede ao Senhor que te conceda derramar lágrimas pelo sofrimento dos outros.
Quando souberes chorar, então serás capaz de fazer algo, do fundo do coração, pelos outros.

77. Às vezes o sofrimento de alguns jovens é dilacerante, um sofrimento que não se pode expressar com palavras, um sofrimento que nos fere como um soco.
Estes jovens só podem dizer a Deus que sofrem muito, que é muito difícil para eles continuar para diante, que já não acreditam em ninguém.
Mas, neste grito desolador, fazem-se ouvir as palavras de Jesus: «Felizes os que choram, porque serão consolados» (Mt 5, 4).
Há jovens que conseguiram abrir caminho na vida, porque lhes chegou esta promessa divina.
Junto de um jovem atribulado, possa haver sempre uma comunidade cristã para fazer ressoar aquelas palavras com gestos, abraços e ajuda concreta!

78. É verdade que os poderosos prestam alguma ajuda, mas muitas vezes por um alto preço.
Em muitos países pobres, a ajuda económica de alguns países mais ricos ou de alguns organismos internacionais costuma estar vinculada à aceitação de propostas ocidentais relativas à sexualidade, ao matrimónio, à vida ou à justiça social.
Esta colonização ideológica prejudica de forma especial os jovens.
Ao mesmo tempo, vemos como certa publicidade ensina as pessoas a estar sempre insatisfeitas, contribuindo assim para a cultura do descarte, onde os próprios jovens acabam transformados em material descartável.

79. A cultura actual promove um modelo de pessoa estreitamente associado à imagem do jovem.
Sente-se belo quem se apresenta jovem, quem realiza tratamentos para cancelar as marcas do tempo. Os corpos jovens são constantemente usados na publicidade comercial.
O modelo de beleza é um modelo juvenil, mas estejamos atentos porque isto não é um elogio para os jovens.
Significa apenas que os adultos querem roubar a juventude para si mesmos, e não que respeitam, amam e cuidam dos jovens.

80. Alguns jovens «sentem as tradições familiares como opressivas e abandonam-nas sob a pressão duma cultura globalizada que às vezes os deixa sem pontos de referência.
Entretanto, em outras partes do mundo, entre jovens e adultos não há um verdadeiro e próprio conflito geracional, mas um distanciamento mútuo. Por vezes, os adultos não procuram ou não conseguem transmitir os valores basilares da existência ou então assumem estilos próprios dos jovens, transtornando o relacionamento entre as gerações.
Assim, a relação entre jovens e adultos corre o risco de se deter no plano afectivo, sem tocar a dimensão educativa e cultural»[4].
Quanto dano faz isto aos jovens, embora alguns não se dêem conta! Os próprios jovens fizeram-nos notar que isto dificulta muito a transmissão da fé, «em alguns países, onde não há liberdade de expressão vendo-se impedidos de participar na vida da Igreja»[5].

Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA

Notas
[1] Ibid., 41.
[2] Ibid., 42.
[3] Francisco, Discurso aos jovens (Manila 18 de Janeiro de 2015): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 22/I/2015), 10.
[4] DF34.
[5] Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I,1.

Doutrina – 535


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA


CAPÍTULO TERCEIRO

OS SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO E DA MISSÃO


O SACRAMENTO DA ORDEM SACERDOTAL

324. Qual o lugar do sacramento da Ordem no desígnio divino da salvação?


Na Antiga Aliança, este sacramento é prefigurado no serviço dos Levitas, no sacerdócio de Aarão e na instituição dos setenta «Anciãos» (Num 11,25). Estas prefigurações encontraram realização em Cristo Jesus, o qual, com o sacrifício da sua cruz, é o «único (...) mediador entre Deus e os homens» (1 Tim 2,5), o Sumo-sacerdote à maneira de Melquisedec» (Heb 5,10). O único sacerdócio de Cristo é tornado presente pelo sacerdócio ministerial.



«Só Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros» (S. Tomás de Aquino)

El reto del amor

Pequena agenda docristão

SÁBADO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

10/07/2020

Publicações

Publicações de hoje: 

        Clicar: 👇

 

NUNC COEPI







Senhor, se quiseres podes curar-me

Não tenhas dúvidas: o coração foi criado para amar. Metamos, pois, Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os nossos amores. Senão, o coração vazio vinga-se, e enche-se das baixezas mais desprezíveis. (Sulco, 800)

Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como comportar-nos?
A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.. (...)
É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma. Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a verdade e dizer: Domine, si vis, potes me mundare, Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades. Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de haver pus. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino. (Cristo que passa, 92–93)

Virtudes 10


Humildade 3
Sem por isso ser considerado ingénuo, o cristão tem boa disposição habitual para tudo o que vier do próximo, pois realmente cada pessoa vale, cada pessoa conta; cada forma de inteligência, quer seja especulativa, quer venha do coração, ilumina. A consciência da dignidade dos outros evita cair na indiferença que humilha (Papa Francisco, Bula Misericordiae Vultus (11-IV-2015), 15). O cristão, por vocação, está virado para os outros: manifesta-se a eles sem preocupações excessivas por cair no ridículo ou ficar mal visto. Há pessoas que provocam intimidação, por serem tímidas, em vez de comunicarem luz e calor: pensam demasiado em si mesmas, no que hão-de dizer os outros, talvez por um excessivo sentido de honra, da própria imagem, que poderia encobrir orgulho ou falta de simplicidade.
Polarizar a atenção sobre si mesmo, expressar repetidamente desejos excessivamente concretos e singulares, enfatizar problemas de saúde mais ou menos comuns; ou, pelo contrário, esconder de modo exagerado uma doença que os outros poderiam conhecer para ajudar-nos melhor, com a sua oração e o seu apoio: tudo isto são atitudes que precisam provavelmente de uma purificação. A humildade manifesta-se também numa certa flexibilidade, num esforço por comunicar o que vemos ou sentimos. Tu não podes ser mortificado se és susceptível, se só vives os teus egoísmos, se dominas os outros, se não sabes privar-te do supérfluo e, por vezes, até do necessário e, enfim, se te entristeces quando as coisas não correm como tu tinhas previsto. Serás, pelo contrário, mortificado se souberes fazer-te tudo para todos para salvar a todos. (1 Cor 9, 22). (São Josemaria, Cristo que passa, 9).


El reto del amor

LEITURA ESPIRITUAL

ACTOS DOS APÓSTOLOS
I.            EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM

10 Visão de Cornélio em Cesareia –
1*Havia em Cesareia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte itálica. 2*Piedoso e temente a Deus, como aliás toda a sua casa, dava largas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus.
3*Teve uma visão, cerca das três horas da tarde, e viu distintamente o Anjo de Deus entrar, aproximar-se dele e dizer-lhe: «Cornélio!» 4*Fixando nele os olhos, cheio de medo, respondeu: «Que é, Senhor?» Respondeu o Anjo: «As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de Deus, e Ele recordou-se de ti. 5 E agora, envia homens a Jope e manda chamar um certo Simão, conhecido por Pedro. 6 Está hospedado em casa de um curtidor chamado Simão, cuja casa fica à beira-mar.» 7 Quando o Anjo se retirou, depois de lhe falar, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso, dos que lhe eram pessoalmente dedicados, 8explicou-lhes tudo e mandou-os a Jope.

Visão de Pedro em Jope –
9*No dia seguinte, enquanto eles iam a caminho e se aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço para a oração do meio-dia. 10*Então, sentiu fome e quis comer alguma coisa. Enquanto lhe preparavam de comer, foi arrebatado em êxtase. 11 Viu o Céu aberto e um objecto, como uma grande toalha atada pelas quatro pontas, a descer para a terra. 12 Estava cheia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e de todas as aves do céu. 13 E uma voz dizia-lhe: «Vamos, Pedro, mata e come.» 14 Mas Pedro retorquiu: «De modo algum, Senhor! Nunca comi nada de profano nem de impuro.» 15*E a voz falou-lhe novamente, pela segunda vez: «O que foi purificado por Deus não o consideres tu impuro.» 16 Isto repetiu-se por três vezes e, imediatamente, o objecto foi levado para o Céu. 17 Atónito, Pedro perguntava a si próprio o que poderia significar a visão que acabara de ter, quando os homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, se apresentaram à porta. 18 Chamaram e indagaram se era ali que se encontrava hospedado Simão, cujo sobrenome era Pedro. 19 E, como Pedro estava ainda a reflectir sobre a visão, o Espírito disse-lhe: «Estão aí três homens a procurar-te. 20 Ergue-te, desce e parte com eles sem qualquer hesitação, porque fui Eu que os mandei cá.» 21 Pedro desceu, foi ter com os homens e disse: «Sou eu quem procurais. Qual o motivo da vossa vinda?» 22 Responderam: «O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, do qual todo o povo judeu dá bom testemunho, foi avisado por um anjo para te mandar chamar a sua casa e para ouvir as palavras que tens a dizer-lhe.» 23*Então Pedro mandou-os entrar e deu-lhes hospedagem. No dia seguinte, levantando-se, partiu com eles, e alguns irmãos de Jope acompanharam-no. 24 Chegou a Cesareia, um dia depois. Cornélio estava à espera deles com os seus parentes e amigos íntimos, que tinha reunido. 25 Na altura em que Pedro entrava, Cornélio foi ao seu encontro e, caindo-lhe aos pés, prostrou-se. 26 Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou apenas um homem.» 27 E, a conversar com ele, foi para dentro, encontrando muitas pessoas reunidas. 28*Pedro disse-lhes: «Vós sabeis que não é permitido a um judeu ter contacto com um estrangeiro, ou entrar em sua casa. Mas Deus mostrou-me que não se deve chamar profano ou impuro a homem algum. 29 Por isso, não opus qualquer dificuldade ao vosso convite. Peço-vos apenas que me digais o motivo por que me mandastes chamar.» 30 Cornélio respondeu: «Faz hoje três dias, a esta mesma hora, estava eu em minha casa a fazer a oração das três horas da tarde, quando surgiu de repente um homem com uns trajes resplandecentes, diante de mim, 31 e me disse: 'Cornélio, a tua oração foi atendida e as tuas esmolas foram recordadas diante de Deus. 32 Envia, pois, emissários a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro. Está hospedado em casa de Simão, curtidor, junto ao mar.' 33 Mandei-te imediatamente chamar e agradeço-te teres vindo. E, agora, estamos todos na tua presença para ouvirmos o que Deus te ordenou.»

Discurso de Pedro em casa de Cornélio –
34*Então, Pedro tomou a palavra e disse: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas, 35 mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é agradável. 36*Enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a Boa-Nova da paz, por Jesus Cristo, Ele que é o Senhor de todos. 37 Sabeis o que ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38*como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele. 39*E nós somos testemunhas do que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém. A Ele, que mataram, suspendendo-o de um madeiro, 40*Deus ressuscitou-o, ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se, 41 não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois da sua ressurreição dos mortos. 42*E mandou-nos pregar ao povo e confirmar que Ele é que foi constituído, por Deus, juiz dos vivos e dos mortos. 43*É dele que todos os profetas dão testemunho: quem acredita nele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados.»

Baptismo dos primeiros pagãos –
44*Pedro estava ainda a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre quantos ouviam a palavra. 45 E todos os fiéis circuncisos que tinham vindo com Pedro ficaram estupefactos, ao verem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos, 46*pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus. Pedro, então, declarou: 47«Poderá alguém recusar a água do baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» 48 E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então eles pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.

"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens


Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS
64. Depois de observar a Palavra de Deus, não podemos limitar-nos a dizer que os jovens são o futuro do mundo: são o presente, estão-no enriquecendo com a sua contribuição.
Um jovem já não é uma criança, encontra-se num momento da vida em que começa a assumir várias responsabilidades, participando com os adultos no desenvolvimento da família, da sociedade, da Igreja.
Mas os tempos mudam, colocando-se a questão: Como são os jovens hoje? Que sucede agora aos jovens?

Em positivo

65. O Sínodo reconheceu que os fiéis da Igreja nem sempre têm o comportamento de Jesus.
Em vez de nos dispormos a escutá-los profundamente, «prevalece a tendência de fornecer respostas pré-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpelação» [1].
Mas, quando a Igreja abandona esquemas rígidos e se abre à escuta pronta e atenta dos jovens, esta empatia enriquece-a, porque «permite que os jovens dêem a sua colaboração à comunidade, ajudando-a a individuar novas sensibilidades e a colocar-se perguntas inéditas»[2].

66. Hoje nós, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de defeitos da juventude actual.
Alguns poderão aplaudir-nos, porque parecemos especialistas em encontrar aspectos negativos e perigos.
Mas, qual seria o resultado deste comportamento?
Uma distância sempre maior, menos proximidade, menos ajuda mútua.
67. A clarividência de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece quebrar-se (cf. Is 42, 3) mas ainda não partiu.
É a capacidade de individuar percursos onde outros só vêem muros, é saber reconhecer possibilidades onde outros só vêem perigos.
Assim é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no coração dos jovens.
Por isso, o coração de cada jovem deve ser considerado «terra santa», diante da qual nos devemos «descalçar» para nos podermos aproximar e penetrar no Mistério.

Muitas juventudes
68. Poderíamos procurar descrever as características dos jovens de hoje, mas, antes de mais nada, quero registar uma observação dos Padres Sinodais: a própria «composição do Sínodo tornou visível a presença e a colaboração das diferentes regiões do mundo, evidenciando a beleza de ser Igreja universal.
Embora num contexto de crescente globalização, os Padres Sinodais pediram para salientar as múltiplas diferenças entre contextos e culturas, inclusive dentro do mesmo país. Existe uma pluralidade de mundos juvenis, a ponto de se tender, nalguns países, a usar o termo “juventude” no plural.
Além disso, a faixa etária considerada pelo presente Sínodo (16-29 anos) não representa um todo homogéneo, mas compõe-se de grupos que vivem situações peculiares»[3].
69. Partindo do ponto de vista demográfico, alguns países têm muitos jovens, enquanto outros possuem uma taxa de natalidade muito baixa.
«Outra diferença deriva da história, que torna distintos os países e continentes de antiga tradição cristã, cuja cultura é portadora de uma memória que não deve ser perdida, dos países e continentes marcados por outras tradições religiosas e onde o cristianismo tem uma presença minoritária e, por vezes, recente.
Além disso, em outros territórios, as comunidades cristãs e os jovens que fazem parte delas são objecto de perseguição»[4].
Deve distinguir-se também os jovens «que têm acesso às crescentes oportunidades oferecidas pela globalização de quantos, ao contrário, vivem à margem da sociedade ou no mundo rural suportando os efeitos de formas de exclusão e descarte»[5].
70. Existem muitas outras diferenças, que seria complexo referir aqui em detalhe. Por isso, não me parece oportuno demorar-me a oferecer uma análise exaustiva dos jovens no mundo actual, de como vivem e do que lhes sucede. Mas, como também não posso deixar de observar a realidade, assinalarei brevemente algumas contribuições que chegaram antes do Sínodo e outras que pude recolher durante o mesmo.

Algumas coisas que acontecem aos jovens
71. A juventude não é algo que se possa analisar de forma abstracta.
Na realidade, «a juventude» não existe; o que há são jovens com as suas vidas concretas.
No mundo actual, cheio de progresso, muitas destas vidas estão sujeitas ao sofrimento e à manipulação.


Franciscus


Revisão da versão portuguesa por AMA

Notas:
[1] DF8.
[2] Ibid., 8.
[3] Ibid., 10.
[4] Ibid., 11.
[5] Ibid., 12.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




09/07/2020

Publicações

Publicações de hoje: 

        Clicar: 👇

 

NUNC COEPI







Não recusemos a obrigação de viver


Ficaste muito sério ao ouvir-me: aceito a morte quando Ele quiser, como Ele quiser e onde Ele quiser; e, ao mesmo tempo, penso que é "um comodismo" morrer cedo, porque temos de desejar trabalhar muitos anos para Ele e, por Ele, ao serviço dos outros. (Forja, 1039)

Libertar-vos-ei do cativeiro, onde quer que estiverdes. Livramo-nos da escravidão com a oração: sabemo-nos livres, voando num epitalâmio de alma enamorada, num cântico de amor, que nos leva a desejar não nos afastarmos de Deus... Um novo modo de andar na terra, um modo divino, sobrenatural, maravilhoso! Recordando tantos escritores quinhentistas castelhanos, talvez nos agrade saborear frases como esta: Eu vivo, porque não vivo; é Cristo que vive em mim.
Aceita-se com todo o gosto a necessidade de trabalhar neste mundo, durante muitos anos, porque Jesus tem poucos amigos cá em baixo. Não recusemos a obrigação de viver, de nos gastarmos – bem espremidos– ao serviço de Deus e da Igreja. Desta maneira, em liberdade: in libertatem gloriae filiorum Dei, qua libertate Christus nos liberavit; com a liberdade dos filhos de Deus, que Jesus Cristo nos alcançou morrendo no madeiro da Cruz.
É possível que logo desde o princípio se levantem nuvens de poeira e que, ao mesmo tempo, os inimigos da nossa santificação empreguem uma técnica de terrorismo psicológico – de abuso de poder – tão veemente e bem orquestrada, que arrastem na sua absurda direcção inclusivamente aqueles que durante muito tempo mantinham uma conduta mais lógica e mais recta. E apesar de a sua voz soar a sino rachado, não fundido em bom metal e bem diferente do assobio do pastor, rebaixam a palavra, que é um dos dons mais preciosos que o homem recebeu de Deus, presente belíssimo destinado a manifestar altos pensamentos de amor e de amizade ao Senhor e às suas criaturas, até fazer com que se entenda por que motivo disse S. Tiago que a língua é um mundo de iniquidade. Tantos danos pode, realmente produzir! Mentiras, difamações, desonras, intrigas, insultos, murmurações tortuosas... (Amigos de Deus, 297–298)

Temas para reflectir e meditar


Malícia


(re: Spe Deus)