Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
11/07/2020
Cuidar das pequenas coisas
Cuidar das pequenas coisas constitui uma mortificação constante,
caminho para tornar a vida mais agradável aos outros. (Sulco, 991)
Pensando naqueles que, à medida que o tempo passa, ainda se
dedicam a sonhar em
sonhos vãos e pueris, como Tartarin de
Tarascon com caçar leões nos corredores
de casa, onde se calhar só há ratos e pouco mais, pensando neles, insisto,
lembro a grandeza de actuar com espírito divino no cumprimento fiel das
obrigações habituais de cada dia, com essas lutas que enchem Nosso Senhor de alegria e que só Ele e cada
um de nós conhece.
Convençam-se de que normalmente não vão encontrar ocasiões para
grandes façanhas, entre outros motivos porque não é habitual que surjam essas
oportunidades. Pelo contrário, não faltam ocasiões de demonstrar o amor a Jesus
Cristo, através do que é pequeno, do normal. (...)
Portanto, tu e eu vamos aproveitar até as oportunidades mais
banais que se apresentarem à nossa volta, para santificá-las, para nos
santificarmos e para santificar os que compartilham connosco os mesmos afãs
quotidianos, sentindo nas nossas vidas o peso doce e sugestivo da co-redenção.
(Amigos de Deus, 8-9)
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
11 Pedro justifica o seu procedimento –
1*Os
Apóstolos e os irmãos da Judeia ouviram, entretanto, dizer que também os pagãos
tinham recebido a palavra de Deus. 2 E, quando Pedro subiu a Jerusalém, os
circuncisos começaram a censurá-lo, 3*dizendo-lhe: «Tu entraste em casa de
incircuncisos e comeste com eles.» 4 Pedro expôs-lhes, então, o caso, do
princípio ao fim, dizendo: 5*«Estava eu em oração na cidade de Jope quando, em
êxtase, tive uma visão: um objecto semelhante a uma grande toalha, descia do
céu, preso pelas quatro pontas, e chegou até junto de mim. 6 Fitando os olhos
nele, pus-me a observar e vi os quadrúpedes da terra, os animais ferozes, os
répteis e as aves do céu. 7 Ouvi também uma voz que me dizia: 'Vamos, Pedro,
mata e come.' 8 Mas eu respondi: 'De modo algum, Senhor! Nunca entrou na minha
boca nada de profano ou impuro!' 9 A voz fez-se ouvir do Céu, pela segunda vez:
'O que Deus purificou não o consideres tu impuro.' 10 Isto repetiu-se três
vezes; depois, tudo foi novamente elevado ao Céu. 11 Nesse instante,
apresentaram-se três homens na casa em que estávamos, enviados de Cesareia à
minha presença. 12*O Espírito disse-me que os acompanhasse, sem hesitar. Vieram
também comigo os seis irmãos, aqui presentes, e entrámos em casa do homem. 13 Ele
contou-nos que tinha visto um anjo apresentar-se em sua casa, dizendo-lhe:
'Envia alguém a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro; 14 ele
dir-te-á palavras que te hão-de trazer a salvação, a ti e a toda a tua casa.' 15*Ora,
quando principiei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, como sobre nós,
ao princípio. 16*Recordei-me, então, da palavra do Senhor, quando Ele dizia:
'João baptizou em água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo.' 17*Se
Deus, portanto, lhes concedeu o mesmo dom que a nós, por terem acreditado no
Senhor Jesus Cristo, quem era eu para me opor a Deus?» 18 Estas palavras
apaziguaram-nos, e eles deram glória a Deus, dizendo: «Deus também concedeu aos
pagãos o arrependimento que conduz à Vida!»
Fundação da igreja de Antioquia –
19*Entretanto,
os que se tinham dispersado, devido à perseguição desencadeada por causa de
Estêvão, adiantaram-se até à Fenícia, Chipre e Antioquia, mas não anunciavam a
palavra senão aos judeus. 20*Houve, porém, alguns deles, homens de Chipre e Cirene
que, chegando a Antioquia, falaram também aos gregos, anunciando-lhes a
Boa-Nova do Senhor Jesus. 21 A mão do Senhor estava com eles e grande foi o
número dos que abraçaram a fé e se converteram ao Senhor. 22*A notícia chegou
aos ouvidos da igreja de Jerusalém, e mandaram Barnabé a Antioquia. 23 Assim
que ele chegou e viu a graça concedida por Deus, regozijou-se com isso e
exortou-os a todos a que se conservassem unidos ao Senhor, de coração firme; 24
ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. Assim, uma grande
multidão aderiu ao Senhor. 25*Então, Barnabé foi a Tarso procurar Saulo.
26*Encontrou-o e levou-o para Antioquia. Durante um ano inteiro, mantiveram-se
juntos nesta igreja e ensinaram muita gente. Foi em Antioquia que, pela
primeira vez, os discípulos começaram a ser tratados pelo nome de «cristãos.»
Caridade dos primeiros cristãos –
27*Nesses
dias, uns profetas desceram de Jerusalém a Antioquia. 28Um deles, chamado
Agabo, ergueu-se e, sob a inspiração do Espírito, predisse que haveria uma
grande fome por toda a terra. Foi a que sobreveio no reinado de Cláudio. 29 Os
discípulos, cada qual segundo as suas posses, resolveram então enviar socorros
aos irmãos da Judeia, 30*o que fizeram, mandando-os aos anciãos, por intermédio
de Barnabé e de Saulo.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
III
VÓS
SOIS O AGORA DE DEUS
Jovens
dum mundo em crise
72.
Os Padres Sinodais destacaram, com tristeza, que «muitos jovens vivem em
contextos de guerra e padecem a violência numa variedade incontável de formas:
raptos, extorsões, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos,
escravidão e exploração sexual, estupros de guerra, etc.
Outros
jovens, por causa da sua fé, têm dificuldade em encontrar um lugar nas suas
sociedades e sofrem vários tipos de perseguição, que vai até à morte.
Numerosos
são os jovens que, por constrangimento ou falta de alternativas, vivem
perpetrando crimes e violências: crianças-soldado, gangues armados e
criminosos, tráfico de droga, terrorismo, etc.
Esta
violência destroça muitas vidas jovens.
Abusos
e dependências, bem como violência e extravio contam-se entre as razões que
levam os jovens à prisão, com incidência particular em alguns grupos étnicos e
sociais[1].
73.
Muitos jovens são mentalizados, instrumentalizados e utilizados como carne para
canhão ou como força de choque para destruir, intimidar ou ridicularizar
outros.
E o
pior é que muitos se transformam em sujeitos individualistas, inimigos e
desconfiados para com todos, tornando-se assim presa fácil de propostas
desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos políticos ou
poderes económicos.
74.
«Ainda mais numerosos no mundo são os jovens que padecem formas de
marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas.
Lembramos
a difícil situação de adolescentes e jovens que ficam grávidas e a praga do
aborto, bem como a propagação do SIDA/HIV, as várias formas de dependência
(drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situação dos meninos e
adolescentes de rua, que carecem de casa, família e recursos económicos»[2].
E
quando se trata de mulheres, estas situações de marginalização tornam-se
duplamente dolorosas e difíceis.
75.
Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos
jovens.
Não
devemos jamais habituar-nos a isto, porque, quem não sabe chorar, não é mãe.
Queremos
chorar para que a própria sociedade seja mais mãe, a fim de que, em vez de
matar, aprenda a dar à luz, de modo que seja promessa de vida. Choramos ao
recordar os jovens que morreram por causa da miséria e da violência e pedimos à
sociedade que aprenda a ser uma mãe solidária.
Esta
dor não passa, acompanha-nos, porque não se pode esconder a realidade.
A
pior coisa que podemos fazer é aplicar a receita do espírito mundano, que
consiste em anestesiar os jovens com outras notícias, com outras distracções,
com banalidades.
76.
Talvez «aqueles de nós que levamos uma vida sem grandes necessidades não
saibamos chorar.
Certas
realidades da vida só se vêem com os olhos limpos pelas lágrimas. Convido cada
um de vós a perguntar-se:
Aprendi
eu a chorar, quando vejo uma criança faminta, uma criança drogada pela estrada,
uma criança sem casa, uma criança abandonada, uma criança abusada, uma criança
usada como escravo pela sociedade?
Ou o
meu não passa do pranto caprichoso de quem chora porque quereria ter mais
alguma coisa?»[3]
Procura
aprender a chorar pelos jovens que estão pior do que tu.
A
misericórdia e a compaixão também se manifestam chorando. Se o pranto não te
vem, pede ao Senhor que te conceda derramar lágrimas pelo sofrimento dos
outros.
Quando
souberes chorar, então serás capaz de fazer algo, do fundo do coração, pelos
outros.
77.
Às vezes o sofrimento de alguns jovens é dilacerante, um sofrimento que não se
pode expressar com palavras, um sofrimento que nos fere como um soco.
Estes
jovens só podem dizer a Deus que sofrem muito, que é muito difícil para eles
continuar para diante, que já não acreditam em ninguém.
Mas,
neste grito desolador, fazem-se ouvir as palavras de Jesus: «Felizes os que
choram, porque serão consolados» (Mt 5, 4).
Há
jovens que conseguiram abrir caminho na vida, porque lhes chegou esta promessa
divina.
Junto
de um jovem atribulado, possa haver sempre uma comunidade cristã para fazer
ressoar aquelas palavras com gestos, abraços e ajuda concreta!
78.
É verdade que os poderosos prestam alguma ajuda, mas muitas vezes por um alto
preço.
Em
muitos países pobres, a ajuda económica de alguns países mais ricos ou de
alguns organismos internacionais costuma estar vinculada à aceitação de
propostas ocidentais relativas à sexualidade, ao matrimónio, à vida ou à
justiça social.
Esta
colonização ideológica prejudica de forma especial os jovens.
Ao
mesmo tempo, vemos como certa publicidade ensina as pessoas a estar sempre
insatisfeitas, contribuindo assim para a cultura do descarte, onde os próprios
jovens acabam transformados em material descartável.
79.
A cultura actual promove um modelo de pessoa estreitamente associado à imagem
do jovem.
Sente-se
belo quem se apresenta jovem, quem realiza tratamentos para cancelar as marcas
do tempo. Os corpos jovens são constantemente usados na publicidade comercial.
O
modelo de beleza é um modelo juvenil, mas estejamos atentos porque isto não é
um elogio para os jovens.
Significa
apenas que os adultos querem roubar a juventude para si mesmos, e não que
respeitam, amam e cuidam dos jovens.
80.
Alguns jovens «sentem as tradições familiares como opressivas e abandonam-nas
sob a pressão duma cultura globalizada que às vezes os deixa sem pontos de
referência.
Entretanto,
em outras partes do mundo, entre jovens e adultos não há um verdadeiro e
próprio conflito geracional, mas um distanciamento mútuo. Por vezes, os adultos
não procuram ou não conseguem transmitir os valores basilares da existência ou
então assumem estilos próprios dos jovens, transtornando o relacionamento entre
as gerações.
Assim,
a relação entre jovens e adultos corre o risco de se deter no plano afectivo,
sem tocar a dimensão educativa e cultural»[4].
Quanto
dano faz isto aos jovens, embora alguns não se dêem conta! Os próprios jovens
fizeram-nos notar que isto dificulta muito a transmissão da fé, «em alguns
países, onde não há liberdade de expressão vendo-se impedidos de participar na
vida da Igreja»[5].
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
Notas
[1]
Ibid., 41.
[2]
Ibid., 42.
[3]
Francisco, Discurso aos jovens (Manila 18 de Janeiro de 2015): L’Osservatore
Romano (ed. portuguesa de 22/I/2015), 10.
[4]
DF34.
[5]
Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I,1.
Doutrina – 535
CAPÍTULO
TERCEIRO
OS
SACRAMENTOS AO SERVIÇO DA COMUNHÃO E DA MISSÃO
O
SACRAMENTO DA ORDEM SACERDOTAL
324.
Qual o lugar do sacramento da Ordem no desígnio divino da salvação?
Na
Antiga Aliança, este sacramento é prefigurado no serviço dos Levitas, no
sacerdócio de Aarão e na instituição dos setenta «Anciãos» (Num 11,25). Estas
prefigurações encontraram realização em Cristo Jesus, o qual, com o sacrifício
da sua cruz, é o «único (...) mediador entre Deus e os homens» (1 Tim 2,5), o
Sumo-sacerdote à maneira de Melquisedec» (Heb 5,10). O único sacerdócio de
Cristo é tornado presente pelo sacerdócio ministerial.
«Só
Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros» (S. Tomás de
Aquino)
Pequena agenda docristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Orações sugeridas:
10/07/2020
Senhor, se quiseres podes curar-me
Não tenhas dúvidas: o coração foi criado para amar. Metamos, pois,
Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os nossos amores. Senão, o coração vazio
vinga-se, e enche-se das baixezas mais desprezíveis. (Sulco, 800)
Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como
comportar-nos?
A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito
Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas
propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade
do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com
Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de
que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.. (...)
É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre
até ao fundo da nossa alma. Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o
orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é
imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a
verdade e dizer: Domine, si vis, potes me
mundare, Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu
conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades.
Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de
haver pus. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu
peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino. (Cristo
que passa, 92–93)
Virtudes 10
Sem por isso ser
considerado ingénuo, o cristão tem boa disposição habitual para tudo o que vier
do próximo, pois realmente cada pessoa vale, cada pessoa conta; cada forma de
inteligência, quer seja especulativa, quer venha do coração, ilumina. A consciência
da dignidade dos outros evita cair na indiferença que humilha (Papa Francisco,
Bula Misericordiae Vultus (11-IV-2015), 15). O cristão, por vocação, está virado para os outros:
manifesta-se a eles sem preocupações excessivas por cair no ridículo ou ficar
mal visto. Há pessoas que provocam intimidação, por serem tímidas, em vez de
comunicarem luz e calor: pensam demasiado em si mesmas, no que hão-de dizer os
outros, talvez por um excessivo sentido de honra, da própria imagem, que
poderia encobrir orgulho ou falta de simplicidade.
Polarizar a atenção
sobre si mesmo, expressar repetidamente desejos excessivamente concretos e
singulares, enfatizar problemas de saúde mais ou menos comuns; ou, pelo
contrário, esconder de modo exagerado uma doença que os outros poderiam
conhecer para ajudar-nos melhor, com a sua oração e o seu apoio: tudo isto são
atitudes que precisam provavelmente de uma purificação. A humildade
manifesta-se também numa certa flexibilidade, num esforço por comunicar o que
vemos ou sentimos. Tu não podes ser mortificado se és susceptível, se só
vives os teus egoísmos, se dominas os outros, se não sabes privar-te do
supérfluo e, por vezes, até do necessário e, enfim, se te entristeces quando as
coisas não correm como tu tinhas previsto. Serás, pelo contrário, mortificado
se souberes fazer-te tudo para todos para salvar a todos. (1 Cor 9, 22). (São Josemaria,
Cristo que passa, 9).
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
10 Visão de Cornélio em
Cesareia –
1*Havia em Cesareia
um homem de nome Cornélio, centurião da coorte itálica. 2*Piedoso e temente a
Deus, como aliás toda a sua casa, dava largas esmolas ao povo e orava
continuamente a Deus.
3*Teve uma visão, cerca das três horas
da tarde, e viu distintamente o Anjo de Deus entrar, aproximar-se dele e dizer-lhe:
«Cornélio!» 4*Fixando nele os olhos, cheio de medo, respondeu: «Que é, Senhor?»
Respondeu o Anjo: «As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de
Deus, e Ele recordou-se de ti. 5 E agora, envia homens a Jope e manda chamar um
certo Simão, conhecido por Pedro. 6 Está hospedado em casa de um curtidor
chamado Simão, cuja casa fica à beira-mar.» 7 Quando o Anjo se retirou, depois
de lhe falar, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso, dos
que lhe eram pessoalmente dedicados, 8explicou-lhes tudo e mandou-os a Jope.
Visão de Pedro em Jope –
9*No dia seguinte,
enquanto eles iam a caminho e se aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço
para a oração do meio-dia. 10*Então, sentiu fome e quis comer alguma coisa.
Enquanto lhe preparavam de comer, foi arrebatado em êxtase. 11 Viu o Céu aberto
e um objecto, como uma grande toalha atada pelas quatro pontas, a descer para a
terra. 12 Estava cheia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e de todas as
aves do céu. 13 E uma voz dizia-lhe: «Vamos, Pedro, mata e come.» 14 Mas Pedro
retorquiu: «De modo algum, Senhor! Nunca comi nada de profano nem de impuro.»
15*E a voz falou-lhe novamente, pela segunda vez: «O que foi purificado por
Deus não o consideres tu impuro.» 16 Isto repetiu-se por três vezes e,
imediatamente, o objecto foi levado para o Céu. 17 Atónito, Pedro perguntava a
si próprio o que poderia significar a visão que acabara de ter, quando os
homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, se
apresentaram à porta. 18 Chamaram e indagaram se era ali que se encontrava
hospedado Simão, cujo sobrenome era Pedro. 19 E, como Pedro estava ainda a
reflectir sobre a visão, o Espírito disse-lhe: «Estão aí três homens a
procurar-te. 20 Ergue-te, desce e parte com eles sem qualquer hesitação, porque
fui Eu que os mandei cá.» 21 Pedro desceu, foi ter com os homens e disse: «Sou
eu quem procurais. Qual o motivo da vossa vinda?» 22 Responderam: «O centurião
Cornélio, homem justo e temente a Deus, do qual todo o povo judeu dá bom
testemunho, foi avisado por um anjo para te mandar chamar a sua casa e para
ouvir as palavras que tens a dizer-lhe.» 23*Então Pedro mandou-os entrar e
deu-lhes hospedagem. No dia seguinte, levantando-se, partiu com eles, e alguns irmãos
de Jope acompanharam-no. 24 Chegou a Cesareia, um dia depois. Cornélio estava à
espera deles com os seus parentes e amigos íntimos, que tinha reunido. 25 Na
altura em que Pedro entrava, Cornélio foi ao seu encontro e, caindo-lhe aos
pés, prostrou-se. 26 Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também
sou apenas um homem.» 27 E, a conversar com ele, foi para dentro, encontrando
muitas pessoas reunidas. 28*Pedro disse-lhes: «Vós sabeis que não é permitido a
um judeu ter contacto com um estrangeiro, ou entrar em sua casa. Mas Deus
mostrou-me que não se deve chamar profano ou impuro a homem algum. 29 Por isso,
não opus qualquer dificuldade ao vosso convite. Peço-vos apenas que me digais o
motivo por que me mandastes chamar.» 30 Cornélio respondeu: «Faz hoje três
dias, a esta mesma hora, estava eu em minha casa a fazer a oração das três
horas da tarde, quando surgiu de repente um homem com uns trajes
resplandecentes, diante de mim, 31 e me disse: 'Cornélio, a tua oração foi
atendida e as tuas esmolas foram recordadas diante de Deus. 32 Envia, pois, emissários
a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro. Está hospedado em casa de
Simão, curtidor, junto ao mar.' 33 Mandei-te imediatamente chamar e agradeço-te
teres vindo. E, agora, estamos todos na tua presença para ouvirmos o que Deus
te ordenou.»
Discurso de Pedro em casa de
Cornélio –
34*Então, Pedro tomou
a palavra e disse: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas,
35 mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é
agradável. 36*Enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a
Boa-Nova da paz, por Jesus Cristo, Ele que é o Senhor de todos. 37 Sabeis o que
ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou:
38*como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual
andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos
pelo diabo, porque Deus estava com Ele. 39*E nós somos testemunhas do que Ele
fez no país dos judeus e em Jerusalém. A Ele, que mataram, suspendendo-o de um
madeiro, 40*Deus ressuscitou-o, ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se,
41 não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a
nós que comemos e bebemos com Ele, depois da sua ressurreição dos mortos. 42*E
mandou-nos pregar ao povo e confirmar que Ele é que foi constituído, por Deus,
juiz dos vivos e dos mortos. 43*É dele que todos os profetas dão testemunho:
quem acredita nele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados.»
Baptismo dos primeiros pagãos
–
44*Pedro estava ainda
a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre quantos ouviam a palavra. 45 E
todos os fiéis circuncisos que tinham vindo com Pedro ficaram estupefactos, ao
verem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos,
46*pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus. Pedro, então, declarou:
47«Poderá alguém recusar a água do baptismo aos que receberam o Espírito Santo,
como nós?» 48 E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então
eles pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
III
VÓS
SOIS O AGORA DE DEUS
64.
Depois de observar a Palavra de Deus, não podemos limitar-nos a dizer que os
jovens são o futuro do mundo: são o presente, estão-no enriquecendo com a sua
contribuição.
Um
jovem já não é uma criança, encontra-se num momento da vida em que começa a
assumir várias responsabilidades, participando com os adultos no
desenvolvimento da família, da sociedade, da Igreja.
Mas
os tempos mudam, colocando-se a questão: Como são os jovens hoje? Que sucede
agora aos jovens?
Em
positivo
65.
O Sínodo reconheceu que os fiéis da Igreja nem sempre têm o comportamento de
Jesus.
Em
vez de nos dispormos a escutá-los profundamente, «prevalece a tendência de
fornecer respostas pré-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as
perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpelação» [1].
Mas,
quando a Igreja abandona esquemas rígidos e se abre à escuta pronta e atenta
dos jovens, esta empatia enriquece-a, porque «permite que os jovens dêem a sua
colaboração à comunidade, ajudando-a a individuar novas sensibilidades e a
colocar-se perguntas inéditas»[2].
66.
Hoje nós, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de
defeitos da juventude actual.
Alguns
poderão aplaudir-nos, porque parecemos especialistas em encontrar aspectos
negativos e perigos.
Mas,
qual seria o resultado deste comportamento?
Uma
distância sempre maior, menos proximidade, menos ajuda mútua.
67.
A clarividência de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens
consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece
quebrar-se (cf. Is 42, 3) mas ainda não partiu.
É a
capacidade de individuar percursos onde outros só vêem muros, é saber
reconhecer possibilidades onde outros só vêem perigos.
Assim
é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no
coração dos jovens.
Por
isso, o coração de cada jovem deve ser considerado «terra santa», diante da
qual nos devemos «descalçar» para nos podermos aproximar e penetrar no
Mistério.
Muitas
juventudes
68.
Poderíamos procurar descrever as características dos jovens de hoje, mas, antes
de mais nada, quero registar uma observação dos Padres Sinodais: a própria
«composição do Sínodo tornou visível a presença e a colaboração das diferentes
regiões do mundo, evidenciando a beleza de ser Igreja universal.
Embora
num contexto de crescente globalização, os Padres Sinodais pediram para
salientar as múltiplas diferenças entre contextos e culturas, inclusive dentro
do mesmo país. Existe uma pluralidade de mundos juvenis, a ponto de se tender,
nalguns países, a usar o termo “juventude” no plural.
Além
disso, a faixa etária considerada pelo presente Sínodo (16-29 anos) não
representa um todo homogéneo, mas compõe-se de grupos que vivem situações
peculiares»[3].
69.
Partindo do ponto de vista demográfico, alguns países têm muitos jovens,
enquanto outros possuem uma taxa de natalidade muito baixa.
«Outra
diferença deriva da história, que torna distintos os países e continentes de
antiga tradição cristã, cuja cultura é portadora de uma memória que não deve
ser perdida, dos países e continentes marcados por outras tradições religiosas
e onde o cristianismo tem uma presença minoritária e, por vezes, recente.
Além
disso, em outros territórios, as comunidades cristãs e os jovens que fazem
parte delas são objecto de perseguição»[4].
Deve
distinguir-se também os jovens «que têm acesso às crescentes oportunidades
oferecidas pela globalização de quantos, ao contrário, vivem à margem da
sociedade ou no mundo rural suportando os efeitos de formas de exclusão e
descarte»[5].
70.
Existem muitas outras diferenças, que seria complexo referir aqui em detalhe.
Por isso, não me parece oportuno demorar-me a oferecer uma análise exaustiva
dos jovens no mundo actual, de como vivem e do que lhes sucede. Mas, como
também não posso deixar de observar a realidade, assinalarei brevemente algumas
contribuições que chegaram antes do Sínodo e outras que pude recolher durante o
mesmo.
Algumas
coisas que acontecem aos jovens
71.
A juventude não é algo que se possa analisar de forma abstracta.
Na
realidade, «a juventude» não existe; o que há são jovens com as suas vidas
concretas.
No
mundo actual, cheio de progresso, muitas destas vidas estão sujeitas ao
sofrimento e à manipulação.
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
Notas:
[1] DF8.
[2] Ibid., 8.
[3] Ibid., 10.
[4] Ibid., 11.
[5]
Ibid., 12.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
09/07/2020
Não recusemos a obrigação de viver
Ficaste muito sério ao ouvir-me: aceito a morte quando Ele quiser,
como Ele quiser e onde Ele quiser; e, ao mesmo tempo, penso que é "um
comodismo" morrer cedo, porque temos de desejar trabalhar muitos anos para
Ele e, por Ele, ao serviço dos outros. (Forja, 1039)
Libertar-vos-ei do cativeiro, onde quer que estiverdes.
Livramo-nos da escravidão com a oração: sabemo-nos livres, voando num
epitalâmio de alma enamorada, num cântico de amor, que nos leva a desejar não
nos afastarmos de Deus... Um novo modo de andar na terra, um modo divino,
sobrenatural, maravilhoso! Recordando tantos escritores quinhentistas
castelhanos, talvez nos agrade saborear frases como esta: Eu vivo, porque não
vivo; é Cristo que vive em mim.
Aceita-se com todo o gosto a necessidade de trabalhar neste mundo,
durante muitos anos, porque Jesus tem poucos amigos cá em baixo. Não recusemos
a obrigação de viver, de nos gastarmos – bem espremidos– ao serviço de Deus e
da Igreja. Desta maneira, em liberdade: in
libertatem gloriae filiorum Dei, qua libertate Christus nos liberavit; com
a liberdade dos filhos de Deus, que Jesus Cristo nos alcançou morrendo no
madeiro da Cruz.
É possível que logo desde o princípio se levantem nuvens de poeira
e que, ao mesmo tempo, os inimigos da nossa santificação empreguem uma técnica
de terrorismo psicológico – de abuso de poder – tão veemente e bem orquestrada,
que arrastem na sua absurda direcção inclusivamente aqueles que durante muito
tempo mantinham uma conduta mais lógica e mais recta. E apesar de a sua voz
soar a sino rachado, não fundido em bom metal e bem diferente do assobio do
pastor, rebaixam a palavra, que é um dos dons mais preciosos que o homem
recebeu de Deus, presente belíssimo destinado a manifestar altos pensamentos de
amor e de amizade ao Senhor e às suas criaturas, até fazer com que se entenda por
que motivo disse S. Tiago que a língua é um mundo de iniquidade. Tantos danos
pode, realmente produzir! Mentiras, difamações, desonras, intrigas, insultos,
murmurações tortuosas... (Amigos de Deus, 297–298)
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