05/06/2020

LEITURA ESPIRITUAL


São Marcos

Cap. XIV




1 Dali a dois dias era a Páscoa e os Ázimos; os príncipes dos sacerdotes e os escribas andavam buscando o modo de O prender à traição, para O matar.2 Porém, diziam: «Não convém que isto se faça no dia da festa, para que não se levante nenhum motim entre o povo».3 Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão o leproso, enquanto estava à mesa, veio uma mulher trazendo um frasco de alabastro cheio de um perfume feito de verdadeiro nardo, de um grande valor e, quebrando o frasco, derramou-Lho sobre a cabeça.4 Alguns dos que estavam presentes indignaram-se e diziam entre si: «Para que foi este desperdício de perfume? 5 Pois podia-se vender por mais de trezentos denários e dá-los aos pobres». E irritavam-se contra ela. 6 Mas Jesus disse: «Deixai-a. Porque a molestais? Ela fez-Me uma boa obra, 7 porque pobres sempre os tereis convosco, e quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; porém a Mim, não Me tereis sempre. 8 Ela fez o que podia: ungiu com antecipação o Meu corpo para a sepultura. 9 Em verdade vos digo: Onde quer que for pregado este Evangelho por todo o mundo, será também contado, para sua memória, o que ela fez». 10 Então, Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os príncipes dos sacerdotes para lhes entregar Jesus. 11 Eles ouvindo-o, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro. E ele procurava ocasião oportuna para O entregar.12 No primeiro dia dos Ázimos, quando imolavam a Páscoa, os discípulos perguntaram-Lhe: «Onde queres que vamos preparar-Te a refeição da Páscoa?». 13 Então, Ele enviou dois dos Seus discípulos e disse-lhes: «Ide à cidade e encontrareis um homem levando uma bilha de água; ide atrás dele, 14 e, onde entrar, dizei ao dono da casa: “O Mestre manda dizer: Onde está a Minha sala onde hei-de comer a Páscoa com os Meus discípulos?”. 15 E ele vos mostrará uma sala superior, grande, mobilada e já pronta. Preparai-nos lá o que é preciso». 16 Os discípulos partiram e chegaram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes tinha dito, e prepararam a Páscoa. 17 Chegada a tarde, foi Jesus com os doze. 18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: «Em verdade vos digo que um de vós, que come comigo, Me há-de entregar». 19 Então começaram a entristecer-se, e a dizer-Lhe um por um: «Porventura sou eu?». 20 Ele disse-lhes: «É um dos doze que se serve comigo do mesmo prato. 21 O Filho do Homem vai, segundo está escrito d'Ele, mas, ai daquele homem por quem for entregue o Filho do Homem! Melhor fora a esse homem não ter nascido». 22 Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, depois de pronunciada a bênção, partiu-o, deu-lho e disse: «Tomai, isto é o Meu corpo». 23 Em seguida, tendo tomado o cálice, dando graças, deu-lho, e todos beberam dele. 24 E disse-lhes: «Isto é o Meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por todos. 25 Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até àquele dia em que o beberei novo no reino de Deus». 26 Cantados os salmos, foram para o monte das Oliveiras. 27 Então Jesus, disse-lhes: «Todos vós vos escandalizareis, pois está escrito: “Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão”. 28 Mas, depois de Eu ressuscitar, preceder-vos-ei na Galileia». 29 Pedro, porém, disse-Lhe: «Ainda que todos se escandalizem a Teu respeito, eu não». 30 Jesus disse-lhe: «Em verdade te digo que hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante a segunda vez, Me negarás três vezes». 31 Porém, ele insistia ainda mais: «Ainda que seja preciso morrer contigo, não Te negarei». E todos diziam o mesmo. 32 Chegando a uma herdade, chamada Getsemani, Jesus disse aos Seus discípulos: «Sentai-vos aqui enquanto vou orar». 33 Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a sentir pavor e angústia. 34 E disse-lhes: «A Minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai». 35 Tendo-Se adiantado um pouco, prostrou-Se por terra e pedia que, se era possível, se afastasse d'Ele aquela hora.36 Dizia: «Abba, Pai, todas as coisas Te são possíveis; afasta de Mim este cálice; porém, não se faça o que Eu quero, mas o que Tu queres». 37 Depois, voltou e encontrou-os a dormir, e disse a Pedro: «Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? 38 Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito, na verdade, está pronto mas a carne é fraca». 39 Tendo-Se retirado novamente, pôs-Se a orar, repetindo as mesmas palavras. 40 Voltando, encontrou-os outra vez a dormir, porque tinham os olhos pesados pelo sono. Não sabiam que responder-Lhe. 41 Voltou terceira vez, e disse-lhes: «Dormi agora e descansai. Basta!, é chegada a hora; eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. 42 Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que Me há-de entregar». 43 Ainda falava, quando chega Judas Iscariotes, um dos doze, e com ele muita gente armada de espadas e varapaus, enviada pelos príncipes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos. 44 O traidor tinha-lhes dado um sinal dizendo: «Aquele a quem eu beijar, é esse; prendei-O e levai-O com cuidado». 45 Logo que chegou, aproximando-se imediatamente de Jesus, disse-Lhe: «Mestre!», e beijou-O. 46 Então eles lançaram-Lhe as mãos e prenderam-n'O. 47 Um dos presentes, tirando a espada, feriu um servo do sumo sacerdote e cortou-lhe uma orelha. 48 Jesus tomando a palavra, disse-lhes: «Como se Eu fosse um ladrão viestes prender-Me com espadas e varapaus? 49 Todos os dias estava entre vós ensinando no templo e não Me prendestes. Mas isto acontece para que se cumpram as Escrituras». 50 Então, os discípulos, abandonando-O, fugiram todos. 51 Um jovem seguia Jesus coberto somente com um lençol e prenderam-no. 52 Mas ele, largando o lençol, escapou-se-lhes nu. 53 Levaram Jesus ao sumo sacerdote e juntaram-se todos os príncipes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas. 54 Pedro foi-O seguindo de longe, até dentro do pátio do sumo sacerdote. Estava sentado ao fogo com os criados, e aquecia-se. 55 Os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para O fazerem morrer, e não o encontravam. 56 Muitos depunham falsamente contra Ele, mas não concordavam os seus depoimentos. 57 Levantaram-se uns que depunham falsamente contra Ele, dizendo: 58 «Nós ouvimo-l'O dizer: “Destruirei este templo, feito pela mão do homem, e em três dias edificarei outro, que não será feito pela mão do homem”». 59 Porém, nem estes testemunhos eram concordes. 60 Então, levantando-se do meio da assembleia o sumo sacerdote, interrogou Jesus, dizendo: «Não respondes nada ao que estes depõem contra Ti?». 61 Ele, porém, estava em silêncio e nada respondeu. Interrogou-O de novo o sumo sacerdote e disse-Lhe: «És Tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?». 62 Jesus respondeu: «Eu sou, e vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu». 63 Então, o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: «Que necessidade temos de mais testemunhas? 64 Ouvistes a blasfémia. Que vos parece?». E todos O condenaram como réu de morte. 65 Então começaram alguns a cuspir-Lhe, a cobrir-Lhe o rosto e a dar-Lhe murros, dizendo-Lhe: «Profetiza!». Os criados receberam-n'O a bofetadas. 66 Entretanto, estando Pedro em baixo no átrio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote. 67 Vendo Pedro, que se aquecia, encarando-o disse: «Tu também estavas com Jesus Nazareno». 68 Mas ele negou: «Não sei, nem compreendo o que dizes». E saiu para fora, para a entrada do pátio, e o galo cantou. 69 Tendo-o visto a criada, começou novamente a dizer aos que estavam presentes: «Este é daqueles». 70 Mas ele o negou de novo. Pouco depois, os que ali estavam presentes diziam de novo a Pedro: «Verdadeiramente tu és um deles, porque também és galileu». 71 Ele começou a fazer imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais». 72 Imediatamente cantou o galo segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus tinha dito: «Antes que o galo cante duas vezes, Me negarás três». E começou a chorar.

Comentários:

Está absolutamente definido: para Deus, o mais importante é o AMOR. Foi e é, o Amor, que moveu e continua movendo, Deus, como Criador, como Pai, como Dono e Senhor de quanto existe. Ama o homem por aquilo que ele é: uma criatura fruto do Seu amor. Não se pode amar o que não se conhece e, Deus, conhece-nos intima­mente com todos os nossos defeitos e fraquezas e, também, as nossas virtudes e boas acções. Mesmo quando nos afastamos dele continua a amar-nos porque o Seu amor por nós não é condicionado pelo nosso amor por Ele.
Levanta-se uma questão a respeito deste trecho do Evangelho: “Quem não ama Deus não ama o próximo, ou, se se ama o próximo tem de se amar a Deus?” Parece óbvio que o amor é um só: o amor de Deus pelos homens! De facto Deus não só criou o homem por amor mas criou-o para amar. Sendo verdade que Deus ama todos os homens e que estes são o reflexo, a própria imagem de Deus, não será possível haver como que uma “divisão” do amor entre o amor a Deus e o amor ao próximo. Assim, aquele que ama o próximo, ama de facto a Deus embora, por qualquer razão, possa não O conhecer. Por isso é tão importante o apostolado, que mais não é que um serviço para que todos conheçam Deus.
         São Marcos descreve o que ouviu de São Pedro com a riqueza de detalhes que nos garante um relato fidedigno do que se passou. Jesus Cristo é um "adivinho"? Não!
Jesus Cristo sendo Deus conhece o passado o actual e o futuro, aliás, para Ele, tudo é presente.
                A prudência é uma virtude importantíssima na vida cristã. sobretudo nas tarefas de apostolado deve ter-se muito em conta que agir imprudentemente pode não só deitar a perder o esforço já feito como até fazer ou dizer algo que não seja de todo conveniente. O homem prudente é avisado, não age nem por impulso nem por entusiasmo. Prepara convenientemente a sua acção tomando conselho apropriado de quem melhor o poderá guiar. Nosso Senhor dá-nos, neste trecho de São Marcos, uma autêntica lição de prudência ficando claríssimo que não se trata nem de medo ou receio mas, de agir em conformidade com o que é aconselhável.
         Jesus Cristo quer que tudo se cumpra como está determinado nos planos da Redenção, por isso mesmo, usa a precaução que se impõe para que não se saiba onde vai celebrar a Páscoa com os Doze. Convém até que, um dos Doze, não saiba de antemão, onde será. Todos os factos, episódios e acontecimentos que antecedem a Paixão são importantes mas, neles, avulta a Última Ceia porque, justamente será durante a mesma, que Cristo, depois da saída de Judas, instituirá o Sacerdócio ao dar aos Seus Apóstolos a faculdade de repetirem para todo o sempre o milagre da Consagração Eucarística. De facto, é onde O Senhor decide, com uma generosidade e humildade que nos espanta, ficar para sempre connosco para ser o nosso alimento, o Viático para a Vida Eterna.
         Uma vez mais, Jesus, mostra-nos como é necessária prudência nas coisas que a Ele respeitam. Prudência que não tem que ver nem com medo ou cobardia mas, tão só, não desprezar as medidas e atitudes que as circunstâncias aconselhem. Ao enviar dois discípulos com instruções algo “misteriosas” para escolherem a sala onde iriam comer a Páscoa, Jesus quer pôr a recato a possibilidade de Judas, que sabia, o iria trair, se poder adiantar no seu torpe desígnio. Assim, ninguém saberia, de antemão, onde Se encontraria Jesus e os Seus discípulos antes da hora que, desde sempre, estava destinada a ser a hora da prisão, no Getzemani.
         O poder da Fé! Assim se poderia titular este trecho de São Marcos. Os exemplos dados são propositadamente exagerados e até estranhos - ninguém mandará um monte plantar-se no mar - para que fique bem claro que Deus pode tudo e a oração pode obter tudo. O que pedirmos não deixará de ser atendido se o pedido for conveniente segundo os critérios divinos.
         A honestidade intelectual é algo que muitos desdenham e, no entanto, ela é fundamental para agir com verdade e são critério. Procurar razões onde não existem, perguntas capciosas e mal intencionadas, isto é o que fazem muitos que se propõem a eles próprios como mestres e guias. Mas, o pior é que haverá sempre quem os ouça e siga, iludidos e enganados na sua busca da verdade. É a verdade é só uma: Jesus Cristo: Ele É a Verdade!

Virtudes 7


Fortaleza 7

Aquele que perseverar até ao fim, será salvo (Mt 10, 22)

A paciência está em estreita correspondência com a perseverança. Esta costuma ser definida como a persistência no exercício de obras virtuosas apesar da dificuldade e do cansaço derivado de sua demora no tempo. Mais precisamente costuma-se falar de constância quando se trata de vencer a tentação de abandonar o esforço perante o aparecimento de um obstáculo concreto; enquanto se fala de perseverança quando o obstáculo é apenas o prolongar no tempo desse esforço (Cf. Ángel Rodríguez Luño, Scelti in Cristo per essere santi III. Morale speciale, EDUSC, Roma 2008, p. 298).
Não se trata somente de uma qualidade humana, necessária para alcançar objetivos mais ou menos ambiciosos. A perseverança, à imitação de Cristo, que foi obediente ao desígnio do Pai até o final (Cf. Fl. 2, 8), é necessária para a salvação, segundo as palavras evangélicas: «mas aquele que perseverar até o fim será salvo» (Mt 10, 22). Entende-se então a verdade da afirmação de (São Josemaria: “Começar é de todos; perseverar, de santos((São Josemaria, Caminho, n. 983)
  Daí o amor que este sacerdote santo revelava pelo trabalho bem acabado, que descrevia como um saber colocar as “últimas pedras” em cada trabalho realizado (“Gosto das últimas [pedras], que supõem o termo de um longo e paciente esforço” ((São Josemaria, Entrevista para “El Cruzado Aragonés”, 3 de Maio de 1969, n. 16).
Toda a fidelidade deve passar pela prova mais exigente: o tempo […]. É fácil ser coerente por um dia, ou por alguns dias […]. Só pode chamar-se fidelidade a uma coerência que dura toda uma vida(João Paulo II, Homilia na Catedral Metropolitana, México, 26 de janeiro de 1979). Estas palavras de São João Paulo II ajudam a compreender a perseverança sob uma luz mais profunda, não como mero persistir, mas antes de tudo como autêntica coerência de vida; uma fidelidade que acaba por merecer o louvor do Senhor da parábola dos talentos, e que pode considerar-se como uma fórmula evangélica de canonização: «Muito bem, servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-se com o teu senhor» (Mt 25, 23).

El reto del amor

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




04/06/2020

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Orar é falar com Deus. Mas de quê?

Escreveste-me: "Orar é falar com Deus. Mas de quê?". De quê?! D'Ele e de ti; alegrias, tristezas, êxitos e fracassos, ambições nobres, preocupações diárias..., fraquezas; e acções de graças e pedidos; e Amor e desagravo. Em duas palavras: conhecê-Lo e conhecer-te – ganhar intimidade! (Caminho, 91)


Uma oração ao Deus da minha vida. Se Deus é vida para nós, não deve causar-nos estranheza que a nossa existência de cristãos tenha de estar embebida de oração. Mas não penseis que a oração é um acto que se realiza e se abandona logo a seguir. O justo encontra na lei de Iavé a sua complacência e procura acomodar-se a essa lei durante o dia e durante a noite. Pela manhã penso em ti; e, durante a tarde, dirige-se a ti a minha oração como o incenso. Todo o dia pode ser tempo de oração: da noite à manhã e da manhã à noite. Mais ainda: como nos recorda a Escritura Santa, também o sono deve ser oração.

(...) A vida de oração tem de fundamentar-se, além disso, em pequenos espaços de tempo, dedicados exclusivamente a estar com Deus. São momentos de colóquio sem ruído de palavras, junto ao Sacrário sempre que possível, para agradecer ao Senhor essa espera – tão só! – desde há vinte séculos. A oração mental é diálogo com Deus, de coração a coração, em que intervém a alma toda: a inteligência e a imaginação, a memória e a vontade. Uma meditação que contribui a dar valor sobrenatural à nossa pobre vida humana, à nossa vida corrente e diária.

Graças a esses tempos de meditação, às orações vocais, às jaculatórias, saberemos converter a nossa jornada, com naturalidade e sem espectáculo, num contínuo louvor a Deus. Manter-nos-emos na sua presença, como os que estão enamorados dirigem continuamente o seu pensamento à pessoa que amam, e todas as nossas acções – inclusivamente as mais pequenas – encher-se-ão de eficácia espiritual.

Por isso, quando um cristão se lança por este caminho de intimidade ininterrupta com o Senhor – e é um caminho para todos, não uma senda para privilegiados – a vida interior cresce, segura e firme; e o homem empenha-se nessa luta, amável e exigente ao mesmo tempo, por realizar até ao fim a vontade de Deus. (Cristo que passa, 119)

Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 125

A beleza do perdão - 2


Parece descabida esta reflexão?

Talvez... mas será que nunca nos aconteceu pensar que não termos nenhum pecado para confessar?

O que fazer então?

Se depois de um exame sério não encontramos matéria para confessar digamo-lo com toda a simplicidade ao Confessor e, depois, sujeitamos à confissão todos os pecados da vida passada nomeadamente aqueles que por esquecimento involuntário ou omissão possam ter existido deixando um "lastro" que é sempre um peso e, sobretudo, um reato de pena por saldar.

A Confissão adquire assim a sua verdadeira dimensão de perdoar os pecados e pacificar a consciência.



(ama, reflexões, 2015)

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS


São Marcos

Cap. XIII


1 Ao sair do templo, um dos discípulos disse-lhe: «Repara, Mestre, que pedras e que construções!» 2 Jesus respondeu: «Vês estas grandiosas construções? Não ficará delas pedra sobre pedra; tudo será destruído.» 3 E, estando sentado no Monte das Oliveiras frente ao templo, Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe em particular:  4«Diz-nos quando tudo isto acontecerá e qual o sinal de que tudo está para acabar.» 5 Jesus começou a dizer-lhes: «Acautelai-vos para que ninguém vos iluda. 6 Surgirão muitos com o meu nome, dizendo: ‘Sou eu’. E seduzirão a muitos. 7 Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não vos alarmeis; é preciso que isso aconteça, mas ainda não será o fim. 8 Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino; haverá terramotos em vários lugares, haverá fome. Isto apenas será o princípio das dores.» 9 «Tomai cuidado convosco! Hão-de entregar-vos aos tribunais, sereis açoitados nas sinagogas e comparecereis diante dos governadores e dos reis por minha causa, para dar testemunho diante deles. 10 Mas, antes disso, deve proclamar-se o Evangelho a todas as nações. 11 Quando vos levarem para serdes entregues, não vos inquieteis com o que haveis de dizer; dizei o que vos for dado nessa hora, pois não sereis vós a falar, mas sim o Espírito Santo. 12 O irmão entregará à morte o seu irmão, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e causar-lhes a morte. 13 E sereis odiados por todos, por causa do meu nome; mas quem perseverar até ao fim será salvo.» 14 «Quando virdes a abominação da desolação instalada onde não deve estar - entenda quem lê! - então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; 15 quem estiver no terraço não desça nem entre a tomar coisa alguma da sua casa. 16 E quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a capa. 17 Ai das que estiverem grávidas e das que andarem a amamentar nesses dias! 18 Orai para que isto não suceda no Inverno, 19 pois nesses dias a angústia será tal, como nunca houve desde que Deus criou o mundo até agora, nem voltará a haver. 20 E se o Senhor não abreviasse esses dias, nenhuma criatura se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou esses dias.» 21 «Então, se alguém vos disser: ‘Aqui está o Messias’ ou: ‘Ei-lo ali’, não acrediteis; 22 pois surgirão falsos messias e falsos profetas que farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os eleitos. 23 Portanto, ficai atentos; de tudo vos preveni.» 24 «Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, 25 as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. 26 Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» 28 «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. 29 Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. 30 Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. 31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. 32 Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.» 33 «Tomai cuidado, vigiai, pois não sabeis quando chegará esse momento. 34 É como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, delegou a autoridade nos seus servos, atribuiu a cada um a sua tarefa e ordenou ao porteiro que vigiasse. 35 Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar o galo, se de manhãzinha; 36 não seja que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. 37 O que vos digo a vós, digo a todos: vigiai!»

Comentários:

         O que se tem escrito e comentado sobre a parusia e, nomeadamente, estas palavras de Cristo! A seriedade do tema e, consequentemente, das palavras não deve ser considerada mais que isso: o tema é sério logo, as palavras são sérias. Dramatizar este anúncio é o que o demónio deseja para que, os fracos e temerosos desviem a atenção do verdadeiramente importa:  estar preparados para o que vier e quando vier. Não saber nem o dia nem a hora é muito conveniente para uns e para outros. Quer dizer, para os que gostam de deixar tudo para o fim, a última hora, como para os que se precipitam numa ânsia de que lhes falte o tempo. Estar atento, vigilante, prevenido é que se nos pede e o que nos convém.
        Sem dúvida que o grande mistério da morte acompanha toda a vida do homem. Parece um paradoxo – vida e morte – mas de facto não é porque a morte não existe de facto, a vida, sim. O corpo nasce e morre; a alma, não! Criada por Deus desde o primeiro instante da concepção, permanecerá para sempre sem conhecer a degradação porque não é física mas, puramente espiritual. Tendo os necessários cuidados com o corpo, com a saúde, o que na verdade nos deve importar é cuidar da alma e do “bom estado” em que se encontra para, em qualquer momento, se encontrar face a face com Quem a criou.
         Como estar preparado? É uma pergunta de fácil resposta porque a encontramos no Evangelho: Fazer, em tudo, a Vontade de Deus! Mas...não é lógico e absolutamente compreensível? A cada” novo momento”  da nossa vida existem sempre duas opções: Fazer o que nos apraz, ou o que Deus deseja que façamos. Como somos livres, liberdade que o Criador nos concede, podemos, de facto, eleger e, portanto, o mais seguro e conveniente, é pedirmos insistentemente ao Senhor que nos ensine e guie a compaginar a nossa vontade com a Sua. A Sua Graça, que nunca nos faltará, conseguiremos e, assim, estaremos a salvo. Não se trata de abdicar da nossa vontade, nem de uma “submissão”, bem pelo contrário, trata-se de  colocar nas Mãos Divinas a nossa vida inteira, com os nossos desejos e anseios, decisões e obras, como, quando crianças, fazíamos o que o nosso Pai nos indicava. E que somos nós – todos os homens – senão filhos pequenos de um Deus Imenso e Universal?




El reto del amor

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





03/06/2020

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Não ponhas o coração em nada caduco


Não ponhas o coração em nada caduco: imita Cristo, que se fez pobre por nós e não tinha onde reclinar a cabeça. Pede-lhe que te conceda, no meio do mundo, um desprendimento efectivo, sem atenuantes. (Forja, 523)


Somos homens da rua, cristãos correntes, metidos na corrente circulatória da sociedade e o Senhor quer-nos santos, apostólicos, precisamente no nosso trabalho profissional, isto é, santificando-nos nesse trabalho, santificando esse trabalho e ajudando os outros a santificarem-se com esse trabalho. Convencei-vos de que Deus vos espera nesse ambiente, com solicitude de Pai, de Amigo. Pensai que com a vossa actividade profissional realizada com responsabilidade, além de vos sustentardes economicamente, prestais um serviço directíssimo ao desenvolvimento da sociedade, aliviais as cargas dos outros e ajudais a manter muitas obras assistenciais – a nível local e universal – em prol dos indivíduos e dos povos mais desfavorecidos.

Ao comportarmo-nos com normalidade – como os nossos semelhantes – e com sentido sobrenatural, não fazemos mais que seguir o exemplo de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Reparai que toda a sua vida está cheia de naturalidade. Passa trinta anos oculto, sem chamar a atenção, como qualquer outro trabalhador e conhecem-no na sua aldeia como o filho do carpinteiro. Ao longo da sua vida pública, também não se nota nada que destoe, que pareça estranho ou excêntrico. Rodeava-se de amigos, como qualquer dos seus concidadãos, e no seu porte não se diferenciava deles. De tal maneira que Judas, para o denunciar, precisa de combinar um sinal: aquele a quem eu beijar, é esse. Não havia em Jesus nenhum indício extravagante. A mim, emociona-me esta norma de conduta do nosso Mestre, que passa como mais um entre os homens. (Amigos de Deus, nn. 120–121)

Perfeição

Ânsia de Perfeição 1

A ânsia de perfeição pode ser má? Pode, realmente, pode.
Até pode ser uma tentação. Quando nos deixamos absorver e dominar por esse anseio ficamos como que tolhidos para fazer o que devemos quando devemos.
Aparecem as distracções ou falta de concentração - por exemplo - na oração o que nos incomoda sobremaneira, um desejo quase absorvente de estabelecer prioridades, devaneios, sonhos.
Está bem, Jesus recomendou a luta pela perfeição e é o que devemos fazer a todo o custo porque é a única forma de progredir na nossa vida como cristãos.
O que acontece algumas vezes - talvez bastantes vezes é que em vez de encarar esta luta com calma e ponderação nos "atiramos" como que num frenesim atabalhoado de numa ilusão pateta de concluir.
Tal comportamento é - seguramente - a cedência pura e simples à tentação do demónio, nada interessado no nosso progresso na vida interior. Por isso, contemos que se encarniçará, usando como principal alvo a nossa imaginação: a "louca da casa" como lhe chamava Santa Teresa de Jesus.
Há que pedir com insistência ao Divino Espírito Santo que nos ilumine e nos outorgue os Seus Dons, nomeadamente, de Paciência, Entendimento e Sabedoria.
Só poderemos progredir se os nossos passos forem determinados, seguros, por um campo recto sem desvios,  com um objectivo nítido no horizonte próximo. Sim, refiro horizonte próximo porque é o que nos deve interessar.  O que está longe num futuro que não sabemos, terá o seu tempo... se lá chegarmos.
Temos de ter claríssimo que o que convém é o "hoje" e o "agora: - NUNC COEPI - principalmente porque não sabemos se o amanhã chegará para nós.
Claro está  que este modo de proceder envolve luta e, por vezes, renhida já que o comodismo e a impaciência nos levam à negligência e à precipitação.
Voltamos à pergunta com que iniciei esta reflexão: A ânsia de perfeição pode ser má? Parece-me que sim, que pode ser se a deixarmos dominar o nosso espírito e condicionar as nossas acções.

(AMA, reflexões, 2019)

LEITURA ESPIRITUAL


São Marcos

Cap. XII




1 Jesus começou a falar-lhes em parábolas: «Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. 2 A seu tempo enviou aos vinhateiros um servo, para receber deles parte do fruto da vinha. 3 Eles, porém, prenderam-no, bateram-lhe e mandaram-no embora de mãos vazias. 4 Enviou-lhes, novamente, outro servo. Também a este partiram a cabeça e cobriram de vexames. 5Enviou outro, e a este mataram-no; mandou ainda muitos outros, e bateram nuns e mataram outros. 6 Já só lhe restava um filho muito amado. Enviou-o por último, pensando: ‘Hão-de respeitar o meu filho’. 7 Mas aqueles vinhateiros disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa’. 8 Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. 9 Que fará o dono da vinha? Regressará e exterminará os vinhateiros e entregará a vinha a outros. 10 Não lestes esta passagem da Escritura: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular. 11 Tudo isto é obra do Senhor e é admirável aos nossos olhos?» 12 Eles procuravam prendê-lo, mas temiam a multidão; tinham percebido bem que a parábola era para eles. E deixando-o, retiraram-se. 13 Em seguida, enviaram-lhe alguns fariseus e partidários de Herodes, a fim de o apanharem em alguma palavra. 14 Aproximando-se, disseram-lhe: «Mestre, sabemos que és sincero, que não te deixas influenciar por ninguém, porque não olhas à condição das pessoas, mas ensinas o caminho de Deus, segundo a verdade. Diz-nos, pois: é lícito ou não pagar tributo a César? Devemos pagar ou não?» 15 Jesus, conhecendo-lhes a hipocrisia, respondeu: «Porque me tentais? Trazei-me um denário para Eu ver.» 16 Trouxeram-lho e Ele perguntou: «De quem é esta imagem e a inscrição?» Responderam: «De César.» 17 Jesus disse: «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.» E ficaram admirados com Ele. 18 Vieram ter com Ele os saduceus, que negam a ressurreição, e interrogaram-no: 19«Mestre, Moisés prescreveu-nos que se morrer o irmão de alguém, deixando a mulher e não deixando filhos, seu irmão terá de casar com a viúva para dar descendência ao irmão. 20 Ora havia sete irmãos, e o primeiro casou e morreu sem deixar filhos. 21 O segundo casou com a viúva e morreu também sem deixar descendência, e o mesmo aconteceu ao terceiro; 22 e todos os sete morreram sem deixar descendência. Finalmente, morreu a mulher. 23 Na ressurreição, de qual deles será ela mulher? Porque os sete a tiveram por mulher.» 24 Disse Jesus: «Não andareis enganados por desconhecer as Escrituras e o poder de Deus? 25 Quando ressuscitarem de entre os mortos, nem eles se casarão, nem elas serão dadas em casamento, mas serão como anjos no Céu. 26 E acerca de os mortos ressuscitarem, não lestes no livro de Moisés, no episódio da sarça, como Deus lhe falou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob? 27 Não é um Deus de mortos, mas de vivos. Andais muito enganados.» 28 Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32 O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34 Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo. 35 Ensinando no templo, Jesus tomou a palavra e perguntou: «Como dizem os doutores da Lei que o Messias é filho de David? 36 O próprio David afirmou, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: ‘Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37 O próprio David chama-lhe Senhor; como é Ele seu filho?» E a numerosa multidão ouvia-o com agrado. 38 Continuando o seu ensinamento, Jesus dizia: «Tomai cuidado com os doutores da Lei, que gostam de exibir longas vestes, de ser cumprimentados nas praças, 39 de ocupar os primeiros lugares nas sinagogas e nos banquetes; 40 eles devoram as casas das viúvas a pretexto de longas orações. Esses receberão uma sentença mais severa.» 41 Estando sentado em frente do tesouro, observava como a multidão deitava moedas. Muitos ricos deitavam muitas. 42 Mas veio uma viúva pobre e deitou duas moedinhas, uns tostões. 43 Chamando os discípulos, disse: «Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou no tesouro mais do que todos os outros; 44 porque todos deitaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua penúria, deitou tudo quanto possuía, todo o seu sustento.»

Comentários:

Na vinha que o Senhor nos entrega existe quanto precisamos para que trabalhando consigamos bons e abundante frutos. Podemos utilizar-nos deles, mas não podemos esquecer que o Senhor, que é o dono tem direito a uma parte. Também não podemos esquecer que a vinha não nos pertence, mas nos foi entregue em confiança para que possamos dizer com inteira verdade: O Senhor olha por mim, nada me faltará.
Quem aduz que Jesus Cristo tinha um discurso pouco claro, enigmático, difícil de entender tem aqui a resposta: «tinham percebido bem que a parábola era para eles». Pouco há a acrescentar além da confirmação - que todos os cristãos reconhecemos – que mesmo os corações empedernidos e os espíritos preconceituosos e malévolos entendem muito bem a mensagem de Cristo. A diferença, o mal, estão em não aceitar e proceder de acordo com o que se entende e compreende.
O Senhor não nos entrega uma simples vinha para que cuidemos dela. Tem todos os cuidados, um lagar, uma torre de vigia… A única coisa que temos de fazer é tratar dela, fazer as podas em devido tempo, vindimar na época própria. E… depois? Não é de justiça devolver ao Dono da vinha parte do fruto colhido? Aquilo que terá sido ajustado tem de ser cumprido porque não fomos obrigados a nada, bem ao contrário, fizemos um acordo que, naturalmente, seria vantajoso para nós, quando não, não o faríamos. Mas, na parábola, não há só uma falha – grave – da confiança subjacente ao acordo feito, existem tentativas repetidas de se tomar posse de algo que tem um dono. Infelizmente, vai sempre assim ao longo dos tempos, os homens hão-de tentar fazer seu aquilo que Deus lhes entrega em plena confiança.
Deus nosso senhor confia-nos inúmeros bens para que trabalhando com eles não só os façamos render para nosso sustento como para os valorizar e com essas mais-valias possamos devolver ao seu legítimo dono o que lhe pertence. Infelizmente há cada vez mais quem considere esses bens como definitivamente seus e os use unicamente em proveito próprio. Como confiar pouco que seja a gente desta? Tarde ou cedo terão de prestar contas. E que apertadas serão!
Para sempre ficou esta resposta de Jesus. «Dar a César o que é de César e, a Deus o que é de Deus». Revela uma sabedoria tal que nos espanta pela simplicidade lógica e irrefutável. A lição a tirar é bem clara: sabermos exactamente o que fazer – o que devemos fazer e como – em relação às nossas obrigações e deveres como membros da sociedade humana. Falamos muito dos nossos direitos, dos valores que dizemos nos são absolutamente próprios e indiscutíveis, mas, talvez, em muitos casos nos esquecemos o que da nossa parte temos de fazer para merecer esses mesmos direitos. Como poderemos exigir o que nos é devido quando nos eximimos a cumprir o que devemos?
Eximir-se de pagar os impostos parece ser uma prática comum e, até, para alguns, sinal de “esperteza”. Fica claro pelas palavras de Jesus que pagar o que está legislado que se pague é um dever que não se pode escamotear. Uma coisa é discutir ou aclarar se o que nos querem cobrar é justo e corresponde ao que deveras devemos, outra coisa é inventar subterfúgios ou tentar iludir a autoridade legítima.
Julgo não haver muito a comentar sobre este trecho de São Marcos. É por demais conhecida a resposta lapidar de Jesus sobre o assunto. O que é devido deve pagar-se mesmo que possamos considerar que haja engano, exagero, erro. Não pagar não é solução, esta reside em aclarar as coisas com quem de direito, tentar perceber a razão, o motivo o porquê. Isto, sim, é honesto e recomendável. Não pagar porque não estou de acordo ou porque, na minha opinião, o assunto não está correcto, nem será solução – bem ao contrário, trará inexoravelmente incómodos de toda a ordem – e não nos é permitida tal decisão. Quem manda pode mandar mal, mas nem por isso a nossa obrigação de obedecer – desde que não vá contra a nossa consciência – é indeclinável. Os nossos “meios de defesa” não estão no incumprimento, mas no esclarecimento.
É mais frequente que o que possamos julgar haver pessoas que negam a existência de Deus, ou se declaram ateus, emitirem opiniões sobre a Igreja, a Fé, a Doutrina. Como é possível discorrer sobre algo que se nega? Estamos perante verdadeiros casos de desonestidade intelectual que só encontram raiz na visão sectária e absolutamente despropositada. Como acontece com a pergunta dos Saduceus – patética, trocista, sem nenhum sentido – tais situações não devem preocupar-nos e nem devemos sequer, perder tempo com elas.  Livros que sabemos abordam assuntos que os autores desconhecem em profundidade, que apenas têm como motivo levantar suspeitas, troçar e, evidentemente, o lucro económico. Mas, dir-me-ão: como posso discutir sobre – por exemplo – um determinado livro se não o ler primeiro? Não discutindo, sendo claro e incisivo e corajoso: ‘Sobre esse livro não sei absolutamente nada!’
Devemos ter bem claro que nem todas as perguntas merecem resposta. Sobretudo se são capciosas e desonestas, apenas destinadas a confundir ou encontrar um tema de discussão, não devemos ceder à tentação de responder porque, na verdade, não somos nem mestres nem sabemos tudo. Mais, responder a tais perguntas poderá fazer descair a conversa para um nível que não nos interessa ou, pelo menos, admitir que o assunto sobre o qual nos questionam tem razão de ser.
A pergunta sobre o que espera – na vida eterna - os casais humanos, era de facto necessária? Sim, sem dúvida porque mereceu uma resposta de Cristo muito útil para os que O escutavam. Útil porque esclarece, um pouco, sobre o que é a vida futura, na eternidade. Somos, muitas vezes, levados a pensar que o ente querido que partiu, o voltaremos a encontrar na vida eterna e é verdade mas o que o amor e a saudade nos fazem supor de como que uma renovação da vida que tivemos nesta terra, com o carinho, o amor, a companhia não o será exactamente assim. Evidentemente que não sabemos como será, mas, segundo as palavras de Jesus, algo muito diferente nos espera. De facto, se pensarmos na suprema felicidade que viveremos por estar na contemplação do Rosto de Deus, na Sua companhia para sempre, tudo o resto fica como que em segundo plano. O nosso amor e felicidade ficarão totalmente preenchidos que não haverá lugar para mais nada.
Uma boa resposta, bem fundamentada e segura, produz sempre um efeito “em cadeia” sobre aqueles que a ouvem. Não importa a pergunta, note-se, mas a resposta porque, se esta começa, por exemplo com as palavras - ‘eu acho - parece-me - que’ – fica desde logo comprometida a credibilidade da mesma. Quando nos perguntam algo esperam de nós apenas dois tipos de resposta: ‘Não sei’ ou ‘é assim…’ (Alguém que nos pergunta que que estrada seguir para chegar a determinado local só lhe interessa saber o que pergunta e não o que nos parece.) Por isso, um cristão tem de estar bem informado sobre as verdades da sua Fé, da Doutrina para poder responder com segurança e credibilidade ao que lhe for perguntado.
Este trecho demonstra bem o que já alguma vez dissemos. Entre os chefes do povo havia quem acreditasse em Jesus ou, pelo menos, se dispunha a escutá-lo com boa intenção. Nunca devemos julgar ninguém e, muito menos, considerar toda uma classe ou grupo de pessoas pelo comportamento de alguns. Basta para tanto pensarmos nesta verdade: Todos os homens são filhos de Deus, logo, nossos irmãos, e, assim, "candidatos" à Vida Eterna que deseja que todos alcancemos.
É bem patente, neste trecho do Evangelho, o que na verdade é o Reino de Deus: O Amor! Porque, Deus que é o Amor, não poderia ter um reino diferente. Para pertencer ao Reino há que amar, a sério, Deus e a principal obra da Sua Criação: os homens! Não há outro caminho! Amar, que é a capacidade que o homem tem de se dar a si mesmo, é, pois, a única “credencial” verdadeiramente válida para se ser, de pleno direito, súbdito desse Reino.
Como fica bem patente neste trecho de São Marcos, nunca se deve julgar toda uma classe de pessoas como um todo. Há sempre excepções. Como neste caso, embora a pergunta tenha sido feita para “pôr à prova” a seriedade de Jesus e dos Seus ensinamentos, a verdade á que o próprio Senhor aprecia elogiando o escriba pela sua sabedoria e boa doutrina. «Não estás longe do Reino de Deus.» É assim que Jesus Cristo termina a conversa como que dizendo aos circunstantes: ‘neste podeis acreditar e seguir as suas palavras’.
A atitude deste escriba é rara nos relatos evangélicos. Quase sempre esta classe, como os fariseus e doutores da Lei actuam sempre em confronto – aberto ou camuflado – quando se encontram com Jesus. Mas, como já se disse, não se pode nem deve tomar o todo pela parte e, como acabamos de ler, há gente pertencente a estas classes que é honesta intelectualmente, não actua por sectarismo ou “ideias feitas”, deseja conhecer a verdade tal qual é. Assim, connosco no apostolado. Todas as pessoas sejam quem forem nos devem merecer cuidado e atenção quando não actuaremos como aqueles cuja conduta reprovamos.
Para todo o sempre ficou esta frase lapidar de Jesus Cristo. «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. Não há nenhum mandamento maior que estes». Encerra em si mesma a máxima sabedoria e justiça mais liminar. Assim pode - e deve - constituir todo um programa de vida para qualquer ser humano.
Todo este capítulo doze do Evangelho escrito por São Marcos é profundamente doutrinal. Jesus responde a perguntas – mesmo as capciosas e sem sentido – esclarece dúvidas, ensina. Por isso mesmo «a numerosa multidão ouvia-o com agrado» e, seguramente, não esqueceria jamais o que tinha sido dito. Jesus Cristo é, de facto, O Mestre por excelência e nenhum outro poderá igualar a Sua Sabedoria, bem como a forma tão simples e acessível de abordar assuntos – por vezes controversos ou, pelo menos de difícil compreensão – como Ele o faz. Como devemos agradecer aos Evangelistas terem-nos deixado este legado precioso para nós, cristãos de todos os tempos, podermos encontrar com segurança os fundamentos da nossa Fé!
Jesus serve-se da Lei e dos Doutores da Lei como prova do que afirma: Que, Ele mesmo, é o Filho de Deus. Os argumentos que usa são uma citação directa e indesmentível dos que, negando a Sua Divindade, não explicam o que ensinam como sendo a própria Lei. Não sabem… ou porque não querem? Por mim penso que, de facto não sabem como explicar a aparente contradição exposta por Jesus. São chamados “Doutores da Lei” mas não passam de “aplicadores” da Lei porque um verdadeiro “Doutor da Lei”, deveria, estudando esta em pormenor e em profundidade, atingir o conhecimento que lhes falta.
Evidentemente que o Senhor não aconselha a que dê nos peditórios nas Igrejas tudo quanto se possui. Não é disso que se trata mas sim de generosidade. Sabemos bem, os cristãos, quantas Paróquias vivem com enormíssimas dificuldades quando o seu único “provento” vem dos óbulos dos cristãos. Podemos – e devemos – rever o nosso critério dentro do razoável e, sobretudo, do justo. O Senhor disse clarissimamente que «nos deitarão no regaço uma medida cheia, bem calcada, a transbordar». E nós? Temos alguma medida ou limitamo-nos a procurar no fundo dos bolsos umas moeditas para lançar na bandeja que recolhe os óbulos?

El reto del amor

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?