11/04/2020

Sábado Santo

Empti enim estis pretio magno (I Cor VI, 20) !, tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.

PONTOS DE MEDITAÇÃO

1. Dos altos cargos que ocupam Nicodemos e José de Arimateia - discípulos ocultos de Cristo - intercedem por Ele. Na hora da solidão, do abandono total e do desprezo..., então expõem-se audacter (Mc XV, 43)...: valentia heróica!

Eu subirei com eles ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém mO poderá arrancar; e, aí, Senhor, descansai!

Mesmo que todos Vos abandonem e desprezem..., ,serviam!, servir-Vos-ei, Senhor.

2. Sabei que . fostes resgatados da vossa vã conduta..., não com prata ou ouro, que são coisas perecíveis, mas com o sangue precioso de Cristo (I Ped I, 18-19).

Não nos pertencemos. Jesus comprou-nos com a Sua Paixão e com a Sua Morte. Somos vida Sua. Só já há um único modo de viver na terra: morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, até que possamos dizer com o Apóstolo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gal II, 20).

3. A Paixão de Jesus é manancial inesgotável de vida.

Umas vezes, renovamos o gozoso impulso que levou o Senhor a Jerusalém. Outras, a dor da agonia que culminou no Calvário... Ou a glória do Seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mas, sempre, o amor - gozoso, doloroso, glorioso - do Coração de Jesus Cristo.

4. Pensa primeiro nos outros. Assim, passarás pela terra com erros, sim - que são inevitáveis -, mas deixando um rasto de bem.

E, quando chegar a hora da morte, que virá inexorável, acolhê-la-ás com júbilo, como Cristo, porque como Ele também ressuscitaremos para receber o prémio do Seu Amor.

5. Quando me sinto capaz de todos os horrores e de todos os erros que cometeram as pessoas mais vis, compreendo bem que posso não ser fiel... Mas essa incerteza é uma das bondades do Amor de Deus, que me leva a estar, como uma criança, agarrado aos braços do meu Pai, lutando cada dia um pouco para não me afastar d'Ele.

Assim, tenho a certeza de que Deus não me largará da Sua mão.

Pode a mulher esquecer-se do fruto do seu ventre, não se compadecer do filho da suas entranhas? Pois, ainda que ela se esqueça, eu não te esquecerei (Is XLIX, 15).

Temas para reflectir e meditar


Obediência



É uma grande lição (cfr. Mt 27, 21-26), que ensina os cristãos à submissão ao poder soberano, a finde que ninguém se permita desobedecer aos éditos de um rei da terra.

Se o Filho de Deus pagou o tributo, julgas que tu és maior para deixar de pagá-lo?

Até Ele, que nada possuía, pagou o tributo; e tu, que procuras os bens deste mundo, porque não reconheces as cargas do mesmo?

Porque te consideras acima do mundo?



(Santo Ambrósio, Comentário ao Evangelho de S. Lucas, IV, 73)







SÁBADO SANTO


Noite de Sábado Santo

Acabei de ver o filme da Paixão de Cristo [1]; absolutamente nada me impede dizer que chorei lágrimas verdadeiras que brotaram expon-tâneamente de um coração apertado e contrito.
Um coração esmagado pela crueza das imagens que não obstante contarem acontecimentos que muito bem conhecemos, todos os cristãos, devem ficar muito aquém da realidade.´
Alguém poderá aduzir que será talvez uma atitude desnecessária, a violência e horror das cenas são por demais “chocantes”.
Contraporei dizendo que, bem ao contrário, todos os cristãos deveríamos tê-las gravadas no nosso espírito – gravadas a fogo para que não se apaguem – e, muito possivelmente a sua lembrança nos impeça de ceder a tentações e misérias.
Os homens têm uma capacidade de sofrimento extraordinária que muitos não conhecem ou rejeitam. É lógico: ninguém gosta de sofrer.
Jesus Cristo também não sofreu por gostar do sofrimento mas sim porque era necessário que sofresse para poder salvar-nos definitivamente.
Sim o Seu sofrimento, a Sua Paixão dolorosíssima e a Sua Morte ignominiosa, devem-se a todos os homens de todos os tempos, dos que já passaram, do presente, e dos que estão para vir.
O pecado é uma ofensa de tal magnitude que só o perdão da Cruz o pode resgatar.
E, as minhas lágrimas, que são, sem dúvida de dor e pena, são também de alegria e acções de graças porque Jesus Cristo me salvou, me perdoou e me deu um Caminho, me mostrou a Verdade e concedeu a Vida.
Sim, Ele é O Caminho que convém andar, a Verdade que importa conhecer e a Vida que interessa viver.

(ama, 2016)






[1] de Mel Gibson

Sábado Santo

Num horto muito perto do Calvário, José de Arimateia tinha mandado lavrar, na rocha, um sepulcro novo. E, por ser a véspera da grande Páscoa dos judeus, põem Jesus ali. Depois, José rolou uma grande pedra, para diante da boca do sepulcro, e retirou-se (Mt XXVII, 60).

Sem nada veio Jesus ao mundo e sem nada - nem sequer o lugar onde repousa - se nos foi.

A Mãe do Senhor - minha Mãe - e as mulheres que seguiram o Mestre desde a Galileia, depois de observar tudo atentamente, partem também. Cai a noite.

Agora consumou-se tudo. Cumpriu-se a obra da nossa Redenção. Já somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a Sua morte resgatou-nos.

Empti enim estis pretio magno (I Cor VI, 20) !, tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.

PONTOS DE MEDITAÇÃO

1. Dos altos cargos que ocupam Nicodemos e José de Arimateia - discípulos ocultos de Cristo - intercedem por Ele. Na hora da solidão, do abandono total e do desprezo..., então expõem-se audacter (Mc XV, 43)...: valentia heróica!

Eu subirei com eles ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém m'O poderá arrancar; e, aí, Senhor, descansai!

Mesmo que todos Vos abandonem e desprezem..., ,serviam!, servir-Vos-ei, Senhor.

2. Sabei que . fostes resgatados da vossa vã conduta..., não com prata ou ouro, que são coisas perecíveis, mas com o sangue precioso de Cristo (I Ped I, 18-19).

Não nos pertencemos. Jesus comprou-nos com a Sua Paixão e com a Sua Morte. Somos vida Sua. Só já há um único modo de viver na terra: morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, até que possamos dizer com o Apóstolo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gal II, 20).

3. A Paixão de Jesus é manancial inesgotável de vida.

Umas vezes, renovamos o gozoso impulso que levou o Senhor a Jerusalém. Outras, a dor da agonia que culminou no Calvário... Ou a glória do Seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mas, sempre, o amor - gozoso, doloroso, glorioso - do Coração de Jesus Cristo.

4. Pensa primeiro nos outros. Assim, passarás pela terra com erros, sim - que são inevitáveis -, mas deixando um rasto de bem.

E, quando chegar a hora da morte, que virá inexorável, acolhê-la-ás com júbilo, como Cristo, porque como Ele também ressuscitaremos para receber o prémio do Seu Amor.

5. Quando me sinto capaz de todos os horrores e de todos os erros que cometeram as pessoas mais vis, compreendo bem que posso não ser fiel... Mas essa incerteza é uma das bondades do Amor de Deus, que me leva a estar, como uma criança, agarrado aos braços do meu Pai, lutando cada dia um pouco para não me afastar d'Ele.

Assim, tenho a certeza de que Deus não me largará da Sua mão.

Pode a mulher esquecer-se do fruto do seu ventre, não se compadecer do filho da suas entranhas? Pois, ainda que ela se esqueça, eu não te esquecerei (Is XLIX, 15). (Via Sacra, XIV Estação)

Pequena agenda do cristão

SÁBADO

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




Orações sugeridas:

LEITURA ESPIRITUAL

COMENTANDO OS EVANGELHOS

São Mateus

Cap. XI

1 Quando Jesus acabou de dar estas instruções aos doze discípulos, partiu dali, a fim de ir ensinar e pregar nas suas cidades. 2 Ora João, que estava no cárcere, tendo ouvido falar das obras de Cristo, enviou-lhe os seus discípulos 3 com esta pergunta: «És Tu aquele que há-de vir, ou devemos esperar outro?» 4 Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: 5 Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres. 6 E bem-aventurado aquele que não encontra em mim ocasião de escândalo.» 7 Depois de eles terem partido, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? 8 Então que fostes ver? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas aqueles que usam roupas luxuosas encontram-se nos palácios dos reis. 9 Que fostes, então, ver? Um profeta? Sim, Eu vo-lo digo, e mais que um profeta. 10 É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho. 11 Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele. 12 Desde o tempo de João Baptista até agora, o Reino do Céu tem sido objecto de violência e os violentos apoderam-se dele à força. 13 Porque todos os Profetas e a Lei anunciaram isto até João. 14 E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. 15 Quem tem ouvidos, oiça!» 16 «Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17 dizendo: ‘Tocámos flauta para vós e não dançastes; entoámos lamentações e não batestes no peito!’ 18 Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ 19 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras.» 20 Jesus começou então a censurar as cidades onde tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem convertido: 21 «Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sídon, de há muito se teriam convertido, vestindo-se de saco e com cinza. 22 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. 23 E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. 24 Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti.» 25 Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27 Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» 28 «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos. 29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. 30 Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

Comentários:

1-8 -

Compreende-se a atitude de João: quer que os seus enviados confirmem pessoalmente quanto lhes tem dito sobre Jesus Cristo. Ouvindo da boca do próprio Senhor o que tem feito na sua missão por terras de Israel, compreendem que tal corresponde ao que estava anunciado a respeito do Messias, ou seja, que as Escrituras se cumprem à letra na Pessoa de Cristo. Assim se confirma a sua fé e podem seguir sem medo os ensinamentos de João Baptista seguros que eles os levam ao Redentor.


2-11 -
       Será que, ao ler este trecho de São Mateus, podemos concluir que João não sabia quem era Jesus? Não! Em primeiro lugar eram primos, familiares próximos, João tinha – ainda no seio de sua mãe, Isabel, reconhecido Cristo como consta no trecho de São Lucas relativo à Visitação de Nossa Senhora – então, porque envia os seus discípulos a obter, directamente, uma confirmação do que já sabe? Pois… por eles mesmos, os seus discípulos que vendo o Senhor e ouvindo as Suas palavras ficam sem dúvidas ou quaisquer perguntas por responder. E, isto, é muito importante, porque serão estes mesmos discípulos de João que, mais tarde, se tornarão discípulos de Jesus, certos que seguem o caminho certo e a Pessoa que convém. Assim, o mestre, seja quem for, deve pôr à disposição dos seus seguidores a “chave” do conhecimento que tem e a origem do mesmo para que, quando oportuno, possam beber directamente da “fonte”, quanto lhes transmitiu e, assim, fortalecerem a sua fé e garantirem a verdade do que aprenderam.

11-15 -

Terão os ouvintes de Jesus percebido exactamente o que lhes disse sobre João Baptista? Talvez não e, por isso mesmo, o Senhor termina com um apelo: «Quem tem ouvidos, oiça!» Isto como se dissesse: Perguntai o que não sabeis, esclarecei o que não entenderdes, não vos fiqueis na dúvida, na interrogação, dando voltas à imaginação. Se quiserdes e assim pedirdes, tudo vos será explicado com meridiana clareza.

O Senhor discorre sobre a figura do Baptista com palavras simples que só podem ter uma interpretação. Deve-se ouvir mas também compreender o que se ouve. As dúvidas, se as houver, devem ser expostas de modo que fique bem ciente do que se ouviu e não haja “desculpas” para não proceder de acordo com o que se aprendeu.



11, 1. 16 -
A Liturgia apresenta-nos hoje o último versículo do capítulo 10 e o primeiro do capítulo 11 do Evangelho escrito por São Mateus. Acaba, por assim dizer, o longo discurso de instruções para a missão de Apóstolos com uma frase lapidar. Ele próprio declara que traz a espada ou seja, que a salvação dos homens não será feita sem luta – por vezes bem acesa – entre os inimigos do Reino de Deus e aqueles que o querem receber sem olhar a dificuldades e sacrifícios. Por outras palavras, diz-lhes que a missão que os espera será dura e, por vezes, exigente até à morte mas que, a implantação do Reino de Deus será levada a cabo e que, de alguma forma, se cumprirá o Seu desejo, de haja «um só rebanho e um só pastor». A espada significa exactamente esse corte definitivo e irreversível dos que que não aceitarem a condição necessária para a salvação: o cumprimento – em tudo – da vontade de Deus.

16-19 -

O que na realidade interessa na vida do cristão são as obras que leva a cabo e não as intenções que possa ter. Qualquer pessoa é avaliada pelo que faz e não pelo que apregoa ou sugere. Porquê? Porque o exemplo vem das acções e não das intenções e, para arrastar outros há que dar o exemplo.
Muitos pensam que basta falar apregoar até pregar para arrastar outros para o caminho que leva a Deus. Não chega! Sem o exemplo de obras concretas que correspondam tudo não passará de intenções e acabará por não resultar.
Quando, mais tarde, Jesus afirmar que «Elias já veio» não fará mais que confirmar as palavras do Arcanjo na sua mensagem a Zacarias. Confirma, portanto, que o Baptista é um profeta que, como Elias, tem como principal missão anunciar a vinda do Messias.

20-24 -

     João negará que seja Elias e não há aqui qualquer contradição, bem ao contrário, afirma o seu papel, a sua missão de Percursor. O Senhor que sabe tudo - o passado, o presente e o futuro - lamenta e deixa o Seu Coração Amantíssimo exprimir essa pena que sente. Ao mesmo tempo deixa um claro aviso: as acções divinas, os milagres, as graças, têm o objectivo claro de nos chamar a atenção para a necessidade de correcção de vida - emendatio vitae - enquanto temos tempo, isto é, agora! Esperar para mais tarde é um risco enorme que não devemos correr. Não sabemos nem o dia nem a hora. Portanto...
Jesus Cristo é O Profeta por excelência porque Ele sabe, conhece o passado, o presente e o futuro. Por isso mesmo não profetiza: afirma! Ao revelar o que acontecerá aquelas cidades quer que os que O ouvem tomem consciência da gravidade dos seus actos e as consequências destes no futuro. Apela à conversão e à penitência como o caminho a seguir – com urgência – para evitarem esses terríveis castigos.
Por vezes pode parecer-nos que Jesus Cristo tem um discurso algo “duro” e pronunciador de desgraças e cataclismos. Sim, também estes “elementos” fazem parte do discurso de Jesus porque, a Sua Missão principal – diria – é conduzir os homens ao arrependimento absolutamente necessário para obterem o perdão pelas suas faltas e, com esse perdão, conquistarem a Vida Eterna. Portanto, do que realmente se trata, é que o Senhor que só diz a verdade “doa a quem doer” e, a verdade que é por vezes difícil de aceitar, não pode ser escondida ou “camuflada” com belas palavras. Nunca – absolutamente – ninguém poderá dizer: ‘Se eu tivesse sabido a tempo…’
Os milagres que o Senhor prodigaliza destinam-se fundamentalmente a consolidar a fé dos que os constatam e a empreender uma revisão de vida conducente com o objectivo de alcançar a felicidade eterna. Não são um espectáculo mas sim sinais marcantes da verdade que O Senhor nos trouxe: «Quem puser em prática as Minhas palavras será salvo».

25-27 -
Nós cristãos dos dias de hoje, somos mais afortunados que os Apóstolos porque graças ao Espírito Santo conhecemos as verdades da nossa fé. Sabemos que Deus é Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo. De tal forma acreditamos que este é o Símbolo da nossa Fé.
Porquê o Senhor escondeu as verdades aos prudentes? O próprio Jesus Cristo aconselha os Seus discípulos a serem prudentes com as serpentes! Uma coisa não tem que ver com a outra. O conselho de Cristo refere-se ao apostolado, à difusão do Reino de Deus. As escolhas têm de obedecer a critérios que necessitam por sua vez de direcção espiritual. O que no Evangelho se refere é aquela prudência que leva muitos a tudo questionarem antes de aceitar seja o que for, mesmo que seja uma verdade evidente e venha de quem merece todo o crédito. Muitos dizem: ‘esperar para ver.´ É uma atitude cobarde e perigosa porque pode acontecer que essa espera não traga nenhum resultado.
Pode parecer que se as revelações de Jesus tivessem sido feitas aos sábios – os chefes do povo – estes poderiam ter acreditado e, assim, conduzirem por caminho seguro aqueles que deles dependiam. Mas, de facto, o Senhor falou sempre para todos e, a prova disso, é que vários chefes – do Sinédrio, como Nicodemos, ou de sinagogas – ouviram, entenderam e acreditaram. Mas, também de facto, os que acreditaram em Jesus e O seguiram, foram muito mais gente do povo anónimo, talvez sem grande instrução, mas sequiosos de uma doutrina que lhes trouxesse esperança e alívio ao mesmo tempo. Quem sabe muito tem muito maior responsabilidade, esta é a verdade, mas, quem sabe pouco tem em si mesmo uma muito maior disposição para ver e ouvir e, sobretudo, acreditar no que vêm e ouvem.
Uma e outra vez, a Liturgia apresenta este trecho do Evangelho escrito por São Mateus. A intenção é clara: que os cristãos fixem bem a importância – sim, digo bem – a importância que Jesus dá aos Seus irmãos os homens, a todos, sem fazer acepção de pessoas nem com critérios de cultura ou conhecimentos. Naturalmente que compreendemos que, quem mais precisa, serão aqueles que menos sabem, porque são menos dotados ou, simplesmente porque ninguém os ensina. As pessoas simples têm uma avidez - que não disfarçam – de ouvir as palavras de Jesus Cristo porque as compreendem e, compreendendo, acreditam e, acreditando, sabem que têm aberto o caminho para a salvação.
A revelação da figura de Deus Pai não está aberta a todos os homens? Segundo as palavras de Jesus Cristo, essa revelação depende exclusivamente da Sua vontade. Parece ser absolutamente natural já que "ninguém vai ao Pai senão através do Filho". Daí que seja fundamental conhecer intimamente o Filho antes de tudo o resto.


25-30 -
Acaso já pensámos que de facto somos esses "pequeninos" que o Senhor refere no Evangelho aos quais revela e mostra as verdades da fé, dando a conhecer o Pai? E, chegando a esta conclusão, não é natural e lógico que nos enchamos de alegria e demos frequentes graças por tão grandes benefícios? Aliás, a nossa vida inteira deveria ser uma constante acção de graças por tudo – absolutamente – tudo quanto temos e recebemos nos vem das mãos de Deus.
Nos dias de hoje a "pressão" sobre as pessoas é quase insuportável. Os "media" encarregam-se de nos fazer chegar em profusão notícias preocupantes de toda a ordem e, muitos, não sabemos os que fazer e, até, o que pensar. São as sociedades - os países - a desfazer-se nos princípios, nas raízes, nos costumes. É a "sanha" legislativa que atenta contra os mais elementares direitos das pessoas, das famílias, de sociedades inteiras impondo - ou pelo menos tentado impor - leis atentatórias da moral mais básica e elementar, os direitos decorrentes da própria dignidade do ser humano. De facto, nada disto é inteiramente novo, - basta-nos ler as Epístolas de São Paulo - mas a facilidade de comunicação e difusão actuais tornam-nos como que participantes involuntários e não podemos ignorar ou descartar o perigo - autêntico, real - para os mais novos, desprotegidos, ignorantes. Os "pequeninos" de que Jesus fala! Ponhamo-nos a Seu lado e confiemos na Sua protecção e Amor, rezemos sem descanso por todos esses "que não sabem o que fazem", mas que são nossos irmãos em Cristo.
A "escolha" de Deus a quem revelar as verdades da Fé, os princípios do comportamento dos Seus filhos de modo a merecerem o destino glorioso que lhes tem reservado, fica bem claro nas palavras de Jesus. A mim parece-me lógico e muito justo. Lógico porque os "sábios" não deveriam precisar de revelações, mas sim, utilizando os seus conhecimentos, chegarem a conhecer o que precisavam. Justo porque os "pequeninos" como Jesus lhes chama, não recebiam - como era seu direito - os ensinamentos fundamentais da doutrina. Apenas eram "massacrados" por um sem-fim de regras e disposições que os convertiam em "ovelhas sem pastor", ou seja, sem guia nem programa, auxílio ou refúgio. Nós somos, afortunadamente, esses pequeninos que o Senhor elegeu dando-nos os meios de salvação suficientes e seguros - os Sacramentos - e a possibilidade de a Ele recorrer sempre que necessário. Depois, o Espírito Santo infundiu em nós os Seus Dons tornando-nos aptos a compreender as verdades da Fé.
Jesus Cristo diz a respeito de Si próprio que é «manso e humilde de coração» duas virtudes que qualquer um de nós, cristãos, deve esforçar-se por cultivar. A mansidão é a virtude dos que «verão a Deus», segundo dirá no Sermão da Montanha. A humildade será, talvez, a mais perfeita e difícil de obter. A mansidão atrai, a humildade convence e não há apostolado credível sem que estas duas virtudes estejam presentes. Ambas são a expressão mais completa do cristão autêntico e, atrevo-me a dizer, arrastam com elas muitas outras virtudes necessárias para uma vida coerente e unidade de comportamento.
Somos, a maioria dos cristãos, pessoas normais e correntes, isto é, sem nenhuns atributos especiais que nos distingam. Somos, portanto, desses “pequeninos” que o Senhor elege com especial carinho. Que afortunados somos!

28-30 -

Mansidão o que é? Parece-me que a melhor definição se encontra no próprio Jesus Cristo: Ser como Ele foi em todas as circunstâncias da Sua vida terrena. Nunca deixou de afirmar e, por vezes com expressa veemência, a verdade, a justiça e, sempre, denunciando o erro, a hipocrisia, os falsos e pusilânimes. Ser manso não é fugir á luta quando é preciso lutar, evitar o confronto quando a verdade está em causa. Note-se que o Senhor, associa a mansidão à humildade e, se esta virtude é difícil de alcançar aquela não o será menos de conseguir.
Quer queiramos quer não, aceitemos ou repudiemos, Deus é o nosso Senhor. Criou-nos, mantém a nossa vida, pertence-lhe a decisão do momento da nossa morte. Ignorar estas verdades é andar pela vida de olhos fechados e ouvidos moucos comparando-nos aos irracionais que não pensam nem dominam a vontade. Para alguns, tal é limitar a sua liberdade que tanto estimam e defendem, mas estão errados porque o Senhor apenas convida não impõe. 
São Mateus encerra o capítulo 11 do Evangelho que escreveu com estas palavras de Jesus. São palavras de misericórdia, de esperança, de confiança. Deseja que todos saibam que, Ele, está sempre presente para nos ajudar e socorrer e que o que temos de fazer para obter esse auxílio e conforto não pesa, não esmaga, antes é suave e compensador.
Sabendo o que somos e como somos, conhecendo intimamente os nossos defeitos e debilidades o Senhor propõe-nos como que um contrato de amor adequado para cada um. Esse contrato de amor não é mais que aceitar e cumprir, em tudo, a Sua vontade tendo a certeza que não só é o melhor para nós como a garantia do Seu auxílio para o fazer. No fim e ao cabo: confiança e humildade!
Um jugo suave e uma carga leve! É com certeza o que desejamos. Por vezes a vida traz-nos cargas difíceis de suportar sofrimento amargura e não sabemos o que fazer para ultrapassar esses momentos. Outras vezes é o jugo dos nossos defeitos e vícios que nos mantém amarrados, incapazes de dar um passo em frente. (O jugo era um colar, normalmente de ferro que os conquistadores colocavam ao pescoço dos conquistados não só para marcar a sua propriedade mas, também, para mais facilmente os poderem amarrar obrigando-os a ir para onde queriam.) Rezar é a única solução. Não pedir ao Senhor que nos poupe até porque Ele nunca consentirá que sejamos provados além das nossas forças, mas antes oferecer essa provação pedindo que nos ajude a superá-la.
Quantas vezes não comprovámos a realidade prática destas palavras de Cristo! Sabemos muito bem recorrer a Ele quando os revezes da vida parecem esmagar-nos e não encontramos soluções. Espanta-me sempre a atenção com que O Senhor escuta os meus pedidos de ajuda como se eu merecesse! Depois penso que nunca merecerei e que apenas e exclusivamente se deve à Bondade do Senhor. Sim, é verdade, sou pronto e rápido na petição, mas, e em agradecer?

10/04/2020

Reflectir no sentido da morte de Cristo

A digressão que acabo de fazer tem por única finalidade pôr em evidência uma verdade central: recordar que a vida cristã encontra o seu sentido em Deus . Nós os homens não fomos criados apenas para edificar um mundo o mais justo possível: para além disso, fomos colocados na Terra para entrar em comunhão com o próprio Deus. Jesus não nos prometeu a comodidade temporal, nem a glória terrena, mas a casa de Deus-Pai, que nos espera no final do caminho.

A liturgia de Sexta-feira Santa inclui um hino maravilhoso: o Crux Fidelis. Nesse hino, somos convidados a cantar e celebrar o glorioso combate do Senhor, o troféu que é a Cruz, a esplêndida vitória de Cristo. O Redentor do Universo, ao ser imolado, triunfa. Deus, Senhor de toda a criação, não afirma a sua presença com a força das armas, nem sequer com o poder temporal dos seus, mas sim com a grandeza do seu amor infinito.

O Senhor não destrói a liberdade do homem: precisamente foi Ele que nos fez livres. Por isso mesmo não quer respostas forçadas, mas sim decisões que saiam da intimidade do coração. E espera de nós, cristãos, que vivamos de tal maneira que aqueles que convivam connosco, por cima das nossas próprias misérias, erros e deficiências, encontrem o eco do drama de amor do Calvário. Tudo o que temos, recebemo-lo de Deus, para sermos sal que dê sabor, luz que leve aos homens a alegre nova de que Ele é um Pai que ama sem medida. O cristão é luz do mundo, não porque vença ou triunfe, mas porque dá testemunho do amor de Deus. E não será sal se não servir para salgar; nem será luz se, com o seu exemplo e a sua doutrina, não oferecer um testemunho de Jesus, se perder aquilo que constitui a razão de ser da sua vida. (Cristo que passa, 100)

SEXTA - FEIRA SANTA

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Madrugada de Sexta-Feira Santa

A esta hora em que escrevo esta meditação já é Sexta-Feira.
O Senhor acaba de sair da casa do Sumo-Sacerdote depois de ser su­jeito a um simulacro de julgamento sem qualquer base sólida de acu­sação nem direito a contestação.
Várias “testemunhas” acusam e inventam, inventam e acusam.
Como numa peça de teatro medíocre os actores prestam-se a desem­penhos lamentáveis.
Jesus é atacado na Sua honra, no Seu bom-nome, na Sua dignidade.
Mas cala-se, não se defende, não reage.
Está triste e abatido, acabou de ouvir cá fora, no páteo, Pedro – o Seu Cefas – a jurar que não O conhecia.
Está ansioso por sair dali para lhe lançar um olhar sereno e amigo que fará o pobre Pedro debulhar-se em lágrimas.
Acabando com o “teatro medíocre” o Sumo-Sacerdote tem um gesto teatral que, pensa ele, é definitivo: rasga as vestes.
Até este acto é falso porque as vestimentas têm um lugar especial para serem rasgadas, mas isso não importa, é assim mesmo e todos sabem que tal significa o reconhecimento da ”gravidade das culpas” assacadas ao prisioneiro.
A partir daqui tudo se precipita num crescendo de violências, desaca­tos, faltas de respeito. O Senhor é levado aos empurrões, com uma corda ao pescoço através das vielas da cidade em direcção ao Pretório de Pilatos.
Sinto-me chocado com estas cenas e não aceito que o meu Senhor, o meu Jesus, seja tratado assim.
Não culpo os “juízes”, os Seus inimigos porque não posso; Ele dirá no alto da Cruz: «Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem».
Culpo-me a mim que sei muito bem o que faço e com as minhas misé­rias e pecados sem conta o “obriguei” a passar por este transe.
Ele quis salvar-me, desejou que fosse Seu seguidor e partilhasse com Ele a vida eterna.

E… tenho de aceitar, tal como Ele aceitou, esta dor e remorso de ser como sou, de “fazer o mal que não quero e não fazer o bem que quero”.
E, aceitando rendidamente a Vontade do meu Senhor, seco as minhas lágrimas e vou pelo que resta da noite, procurar a Santíssima Virgem.
Quero estar com ela, aninhar-me nos seus braços e dizer-lhe que a amo muito, muito, muito.
Ah! E pedir-lhe que me abençoe e que me leve por um caminho seguro [1] o resto dos dias que me for concedido viver, para me encontrar final­mente com o seu querido Filho, o meu Irmão Jesus.

(AMA, 2016)




[1] Iter para tuto

Temas para reflectir e meditar


Oração

Conta-se que João Paulo II, numa reunião com um grupo de Bispos no Vaticano, pediu que o dispensassem de participar no almoço que se seguiria; estava bastante constipado, com trinta e oito graus de febre e desejava aproveitar esse tempo, normalmente bastante longo, para descansar.
Quando os senhores Bispos se dirigiam para a sala onde decorreria o almoço, passaram por uma pequena capela e, através da porta meio aberta, puderam ver o Papa ajoelhado em oração profunda.

Para descansar, João Paulo II, procurara a companhia do Santíssimo Sacramento no Sacrário.

(P. Manuel Martinez, Recolecção, Porto 2005.05.02)



Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira

PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




SEXTA FEIRA SANTA


Num horto muito perto do Calvário, José de Arimateia tinha mandado lavrar, na rocha, um sepulcro novo. E, por ser a véspera da grande Páscoa dos judeus, põem Jesus ali. Depois, José rolou uma grande pedra, para diante da boca do sepulcro, e retirou-se (Mt XXVII, 60).

Sem nada veio Jesus ao mundo e sem nada - nem sequer o lugar onde repousa - se nos foi.

A Mãe do Senhor - minha Mãe - e as mulheres que seguiram o Mestre desde a Galileia, depois de observar tudo atentamente, partem também. Cai a noite.

Agora consumou-se tudo. Cumpriu-se a obra da nossa Redenção. Já somos filhos de Deus, porque Jesus morreu por nós e a Sua morte resgatou-nos.

Empti enim estis pretio magno (I Cor VI, 20) !, tu e eu fomos comprados por alto preço.

Temos de fazer vida nossa a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e a penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir, então, as pisadas de Cristo, com ânsia de co-redimir todas as almas.

Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus e nos fazemos uma só coisa com Ele.

PONTOS DE MEDITAÇÃO

1. Dos altos cargos que ocupam Nicodemos e José de Arimateia - discípulos ocultos de Cristo - intercedem por Ele. Na hora da solidão, do abandono total e do desprezo..., então expõem-se audacter (Mc XV, 43)...: valentia heróica!

Eu subirei com eles ao pé da Cruz, apertar-me-ei ao Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., despregá-Lo-ei com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o lençol novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém mO poderá arrancar; e, aí, Senhor, descansai!

Mesmo que todos Vos abandonem e desprezem..., ,serviam!, servir-Vos-ei, Senhor.

2. Sabei que . fostes resgatados da vossa vã conduta..., não com prata ou ouro, que são coisas perecíveis, mas com o sangue precioso de Cristo (I Ped I, 18-19).

Não nos pertencemos. Jesus comprou-nos com a Sua Paixão e com a Sua Morte. Somos vida Sua. Só já há um único modo de viver na terra: morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, até que possamos dizer com o Apóstolo: não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (Gal II, 20).

3. A Paixão de Jesus é manancial inesgotável de vida.

Umas vezes, renovamos o gozoso impulso que levou o Senhor a Jerusalém. Outras, a dor da agonia que culminou no Calvário... Ou a glória do Seu triunfo sobre a morte e o pecado. Mas, sempre, o amor - gozoso, doloroso, glorioso - do Coração de Jesus Cristo.

4. Pensa primeiro nos outros. Assim, passarás pela terra com erros, sim - que são inevitáveis -, mas deixando um rasto de bem.

E, quando chegar a hora da morte, que virá inexorável, acolhê-la-ás com júbilo, como Cristo, porque como Ele também ressuscitaremos para receber o prémio do Seu Amor.

5. Quando me sinto capaz de todos os horrores e de todos os erros que cometeram as pessoas mais vis, compreendo bem que posso não ser fiel... Mas essa incerteza é uma das bondades do Amor de Deus, que me leva a estar, como uma criança, agarrado aos braços do meu Pai, lutando cada dia um pouco para não me afastar d'Ele.

Assim, tenho a certeza de que Deus não me largará da Sua mão.

Pode a mulher esquecer-se do fruto do seu ventre, não se compadecer do filho da suas entranhas? Pois, ainda que ela se esqueça, eu não te esquecerei (Is XLIX, 15). (Via Sacra, XIV Estação)