12/07/2019

Leitura espiritual


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens 

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS

Desejos, feridas e buscas

81. Os jovens reconhecem que o corpo e a sexualidade são essenciais para a sua vida e para o crescimento da sua identidade.
Mas, num mundo que destaca excessivamente a sexualidade, é difícil manter uma boa relação com o próprio corpo e viver serenamente as relações afectivas.
Por esta e outras razões, a moral sexual é frequentemente «causa de incompreensão e afastamento da Igreja, pois é sentida como um espaço de julgamento e condenação».
Ao mesmo tempo, os jovens expressam de maneira explícita o desejo de se confrontar sobre «as questões relativas à diferença entre identidade masculina e feminina, à reciprocidade entre homens e mulheres, e à homossexualidade»[1].

82. No nosso tempo, «os progressos da ciência e das tecnologias biomédicas incidem fortemente na percepção do corpo, induzindo a pensar que se pode modificar sem limites.
A capacidade de intervir no DNA, a possibilidade de inserir elementos artificiais no organismo (cyborg) e o desenvolvimento das neurociências constituem um grande recurso, mas ao mesmo tempo levantam questões antropológicas e éticas»[2].
Podem levar-nos a esquecer que a vida é um dom, que somos seres criados e limitados, podendo facilmente ser instrumentalizados por quem detém o poder tecnológico[3].
«Além disso, em alguns contextos juvenis, difunde-se a atracção por comportamentos de risco como instrumento para se explorar a si mesmo, procurar emoções fortes e obter reconhecimento. (…)
Estes fenómenos, a que estão expostas as novas gerações, constituem um obstáculo para o amadurecimento sereno»[4].

83. Nos jovens, encontramos também, gravados na alma, os golpes recebidos, os fracassos, as recordações tristes.
Muitas vezes «são as feridas das derrotas da sua própria história, dos desejos frustrados, das discriminações e injustiças sofridas, de não se ter sentido amado ou reconhecido».
Além disso, temos «as feridas morais, o peso dos próprios erros, o sentido de culpa por ter errado»[5].

Jesus faz-Se presente nestas cruzes dos jovens, para lhes oferecer a sua amizade, o seu alívio, a sua companhia que cura, e a Igreja quer ser instrumento d’Ele neste percurso rumo à cura interior e à paz do coração.

84. Em alguns jovens, reconhecemos um desejo de Deus, embora não possua todos os contornos do Deus revelado.
Noutros, podemos vislumbrar um sonho de fraternidade, o que já não é pouco. Em muitos, existe um desejo real de desenvolver as capacidades de que são dotados para oferecerem algo ao mundo.
Em alguns, vemos uma sensibilidade artística especial, ou uma busca de harmonia com a natureza.
Em outros, pode haver uma grande necessidade de comunicação.
Em muitos deles, encontramos o desejo profundo de uma vida diferente.
Trata-se de verdadeiros pontos de partida, energias interiores que aguardam, disponíveis, uma palavra de estímulo, luz e encorajamento.

85. O Sínodo tratou de maneira especial três temas de grande importância, cujas conclusões desejo acolher textualmente, embora nos exijam ainda avançar numa análise mais ampla e desenvolver uma capacidade de resposta mais adequada e eficaz.

O ambiente digital

86. «O ambiente digital caracteriza o mundo actual. Grandes extensões da humanidade vivem mergulhadas nele de maneira ordinária e contínua. Já não se trata apenas de “usar” instrumentos de comunicação, mas de viver numa cultura amplamente digitalizada que tem impactos muito profundos na noção de tempo e espaço, na percepção de si mesmo, dos outros e do mundo, na maneira de comunicar, aprender, obter informações, entrar em relação com os outros.
Uma abordagem da realidade, que tende a privilegiar a imagem relativamente à escuta e à leitura, influencia o modo de aprender e o desenvolvimento do sentido crítico»[6].

87. A internet e as redes sociais geraram uma nova maneira de comunicar e criar vínculos, sendo «uma “praça” onde os jovens passam muito tempo e se encontram facilmente, embora nem todos tenham acesso igual, particularmente em algumas regiões do mundo. Em todo o caso, constituem uma oportunidade extraordinária de diálogo, encontro e intercâmbio entre as pessoas, bem como de acesso à informação e ao saber. Além disso, o mundo digital é um contexto de participação sociopolítica e de cidadania activa, podendo facilitar a circulação duma informação independente capaz de tutelar eficazmente as pessoas mais vulneráveis, revelando as violações dos seus direitos.
Em muitos países, a web e as redes sociais já constituem um lugar indispensável para se alcançar e envolver os jovens nas próprias iniciativas e actividades pastorais»[7].

88. Mas, para entender este fenómeno na sua totalidade, é preciso reconhecer que possui - como toda a realidade humana - limites e deficiências. Não é salutar confundir a comunicação com o simples contacto virtual.
De facto, «o ambiente digital é também um território de solidão, manipulação, exploração e violência, até ao caso extremo da dark web.
Os meios de comunicação digitais podem expor ao risco de dependência, isolamento e perda progressiva de contacto com a realidade concreta, dificultando o desenvolvimento de relações interpessoais autênticas.
Difundem-se novas formas de violência através das redes sociais, como o cyberbullying; a web é também um canal de difusão da pornografia e de exploração de pessoas para fins sexuais ou através do jogo de azar»[8].

89. Não se deve esquecer que «há interesses económicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controlo que são tão subtis quanto invasivas, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático.
O funcionamento de muitas plataformas acaba frequentemente por favorecer o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre as diferenças.
Estes circuitos fechados facilitam a divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódio.
A proliferação das notícias falsas é expressão duma cultura que perdeu o sentido da verdade e sujeita os factos a interesses particulares.
A reputação das pessoas é comprometida através de processos sumários on-line.
O fenómeno diz respeito também à Igreja e seus pastores»[9].

90. Em um documento preparado por trezentos jovens de todo o mundo antes do Sínodo, indicava-se que «as relações on-line podem tornar-se desumanas.
Os espaços digitais não nos deixam ver a vulnerabilidade do outro e dificultam a reflexão pessoal.
Problemas como a pornografia distorcem a percepção que o jovem tem da sexualidade humana.
A tecnologia usada desta maneira cria uma realidade paralela ilusória que ignora a dignidade humana»[10].
A imersão no mundo virtual favoreceu uma espécie de «migração digital», isto é, um distanciamento da família, dos valores culturais e religiosos, que leva muitas pessoas para um mundo de solidão e auto-invenção chegando ao ponto de sentir a falta de raízes, embora fisicamente permaneçam no mesmo lugar.
A vida nova e transbordante dos jovens, que impele a buscar a afirmação da própria personalidade, enfrenta actualmente um novo desafio: interagir com um mundo real e virtual no qual se entra sozinho como num continente desconhecido.
Os jovens de hoje são os primeiros a fazer esta síntese entre o pessoal, o específico de cada cultura e o global. Mas isto requer que eles consigam passar do contacto virtual a uma comunicação boa e saudável.

Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA


Notas:



[1] DF39.
[2] Ibid., 37.
[3] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de Maio de 2015), 106: AAS107 (2015), 889-890.
[4] DF37.
[5] Ibid., 67.
[6] Ibid., 21.
[7] Ibid., 22.
[8] Ibid., 23.
[9] Ibid., 24.
[10] Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I, 4.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





11/07/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM

São Bento – Padroeiro da Europa

Evangelho: Mt 19 27-29

27 Tomando a palavra, Pedro disse-lhe: «Nós deixámos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?» 28 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. 29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna.

Comentário:

A magnanimidade do Senhor fica aqui bem expressa.
Nada menos que sentados em tronos revestidos da dignidade de juízes!

Doze homens que revolucionaram o mundo pela sua fidelidade e amor a Jesus Cristo.

Quanto lhes devemos!

(AMA, comentário sobre Mt 19, 27-29, 11.07.2018)



Temas para reflectir e meditar

Desejos


Toma-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas debilidades; mas faz-me chegar a ser como Tu desejas.




(são joão Paulo I, Alocução 1978.09.13) 


Leitura espiritual


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens 

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS

Jovens dum mundo em crise

72. Os Padres Sinodais destacaram, com tristeza, que «muitos jovens vivem em contextos de guerra e padecem a violência numa variedade incontável de formas: raptos, extorsões, criminalidade organizada, tráfico de seres humanos, escravidão e exploração sexual, estupros de guerra, etc.
Outros jovens, por causa da sua fé, têm dificuldade em encontrar um lugar nas suas sociedades e sofrem vários tipos de perseguição, que vai até à morte.
Numerosos são os jovens que, por constrangimento ou falta de alternativas, vivem perpetrando crimes e violências: crianças-soldado, gangues armados e criminosos, tráfico de droga, terrorismo, etc.
Esta violência destroça muitas vidas jovens.
Abusos e dependências, bem como violência e extravio contam-se entre as razões que levam os jovens à prisão, com incidência particular em alguns grupos étnicos e sociais»


[1].

73. Muitos jovens são mentalizados, instrumentalizados e utilizados como carne para canhão ou como força de choque para destruir, intimidar ou ridicularizar outros.
E o pior é que muitos se transformam em sujeitos individualistas, inimigos e desconfiados para com todos, tornando-se assim presa fácil de propostas desumanizadoras e dos planos destrutivos elaborados por grupos políticos ou poderes económicos.

74. «Ainda mais numerosos no mundo são os jovens que padecem formas de marginalização e exclusão social, por razões religiosas, étnicas ou económicas.
Lembramos a difícil situação de adolescentes e jovens que ficam grávidas e a praga do aborto, bem como a propagação do SIDA/HIV, as várias formas de dependência (drogas, jogos de azar, pornografia, etc.) e a situação dos meninos e adolescentes de rua, que carecem de casa, família e recursos económicos»[2].

E quando se trata de mulheres, estas situações de marginalização tornam-se duplamente dolorosas e difíceis.

75. Não podemos ser uma Igreja que não chora à vista destes dramas dos seus filhos jovens.
Não devemos jamais habituar-nos a isto, porque, quem não sabe chorar, não é mãe.
Queremos chorar para que a própria sociedade seja mais mãe, a fim de que, em vez de matar, aprenda a dar à luz, de modo que seja promessa de vida. Choramos ao recordar os jovens que morreram por causa da miséria e da violência e pedimos à sociedade que aprenda a ser uma mãe solidária.
Esta dor não passa, acompanha-nos, porque não se pode esconder a realidade.
A pior coisa que podemos fazer é aplicar a receita do espírito mundano, que consiste em anestesiar os jovens com outras notícias, com outras distracções, com banalidades.

76. Talvez «aqueles de nós que levamos uma vida sem grandes necessidades não saibamos chorar.
Certas realidades da vida só se vêem com os olhos limpos pelas lágrimas. Convido cada um de vós a perguntar-se:
Aprendi eu a chorar, quando vejo uma criança faminta, uma criança drogada pela estrada, uma criança sem casa, uma criança abandonada, uma criança abusada, uma criança usada como escravo pela sociedade?
Ou o meu não passa do pranto caprichoso de quem chora porque quereria ter mais alguma coisa?»[3]

Procura aprender a chorar pelos jovens que estão pior do que tu.
A misericórdia e a compaixão também se manifestam chorando. Se o pranto não te vem, pede ao Senhor que te conceda derramar lágrimas pelo sofrimento dos outros.
Quando souberes chorar, então serás capaz de fazer algo, do fundo do coração, pelos outros.

77. Às vezes o sofrimento de alguns jovens é dilacerante, um sofrimento que não se pode expressar com palavras, um sofrimento que nos fere como um soco.
Estes jovens só podem dizer a Deus que sofrem muito, que é muito difícil para eles continuar para diante, que já não acreditam em ninguém.
Mas, neste grito desolador, fazem-se ouvir as palavras de Jesus: «Felizes os que choram, porque serão consolados» (Mt 5, 4).
Há jovens que conseguiram abrir caminho na vida, porque lhes chegou esta promessa divina.
Junto de um jovem atribulado, possa haver sempre uma comunidade cristã para fazer ressoar aquelas palavras com gestos, abraços e ajuda concreta!

78. É verdade que os poderosos prestam alguma ajuda, mas muitas vezes por um alto preço.
Em muitos países pobres, a ajuda económica de alguns países mais ricos ou de alguns organismos internacionais costuma estar vinculada à aceitação de propostas ocidentais relativas à sexualidade, ao matrimónio, à vida ou à justiça social.
Esta colonização ideológica prejudica de forma especial os jovens.
Ao mesmo tempo, vemos como certa publicidade ensina as pessoas a estar sempre insatisfeitas, contribuindo assim para a cultura do descarte, onde os próprios jovens acabam transformados em material descartável.

79. A cultura actual promove um modelo de pessoa estreitamente associado à imagem do jovem.
Sente-se belo quem se apresenta jovem, quem realiza tratamentos para cancelar as marcas do tempo. Os corpos jovens são constantemente usados na publicidade comercial.
O modelo de beleza é um modelo juvenil, mas estejamos atentos porque isto não é um elogio para os jovens.
Significa apenas que os adultos querem roubar a juventude para si mesmos, e não que respeitam, amam e cuidam dos jovens.

80. Alguns jovens «sentem as tradições familiares como opressivas e abandonam-nas sob a pressão duma cultura globalizada que às vezes os deixa sem pontos de referência.
Entretanto, em outras partes do mundo, entre jovens e adultos não há um verdadeiro e próprio conflito geracional, mas um distanciamento mútuo. Por vezes, os adultos não procuram ou não conseguem transmitir os valores basilares da existência ou então assumem estilos próprios dos jovens, transtornando o relacionamento entre as gerações.
Assim, a relação entre jovens e adultos corre o risco de se deter no plano afectivo, sem tocar a dimensão educativa e cultural»[4].

Quanto dano faz isto aos jovens, embora alguns não se dêem conta! Os próprios jovens fizeram-nos notar que isto dificulta muito a transmissão da fé, «em alguns países, onde não há liberdade de expressão vendo-se impedidos de participar na vida da Igreja»[5].

Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA


Notas




[1] Ibid., 41.
[2] Ibid., 42.
[3] Francisco, Discurso aos jovens (Manila 18 de Janeiro de 2015): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 22/I/2015), 10.
[4] DF34.
[5] Documento da Reunião Pré-sinodal de preparação para a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos (Roma 24 de Março de 2018), I,1.

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






Cuidar das pequenas coisas


Cuidar das pequenas coisas constitui uma mortificação constante, caminho para tornar a vida mais agradável aos outros. (Sulco, 991)

Pensando naqueles que, à medida que o tempo passa, ainda se dedicam a sonhar em sonhos vãos e pueris, como Tartarin de Tarascon com caçar leões nos corredores de casa, onde se calhar só há ratos e pouco mais, pensando neles, insisto, lembro a grandeza de actuar com espírito divino no cumprimento fiel das obrigações habituais de cada dia, com essas lutas que enchem Nosso Senhor de alegria e que só Ele e cada um de nós conhece.

Convençam-se de que normalmente não vão encontrar ocasiões para grandes façanhas, entre outros motivos porque não é habitual que surjam essas oportunidades. Pelo contrário, não faltam ocasiões de demonstrar o amor a Jesus Cristo, através do que é pequeno, do normal. (...)

Portanto, tu e eu vamos aproveitar até as oportunidades mais banais que se apresentarem à nossa volta, para santificá-las, para nos santificarmos e para santificar os que compartilham connosco os mesmos afãs quotidianos, sentindo nas nossas vidas o peso doce e sugestivo da coredenção. (Amigos de Deus, nn. 8-9)

10/07/2019

Evangelho e comentário


TEMPO COMUM



Evangelho: Mt 10, 1-7

1 Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças. 2 São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu. 5 Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 6 Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7 Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto.

Comentário:

Eis o Colégio Apostólico.

Nome muito apropriado a estes doze homens escolhidos pessoalmente por Jesus Cristo.

Apropriado porque, Ele é o Mestre que ensina e guia,

Os doze são os alunos que o seguem, aprendem e põem em prática o que lhes manda.


(AMA, comentário Sobre Mt 10, 1-7, 12.07.2017)




Temas para reflectir e meditar

Filiação divina


O pecado é um abandono da intimidade familiar que pressupõe uma trágica desnaturação - filhos desnaturados! - porque a natureza do filho de Deus é a natureza salva e elevada pela graça, que nos torna "divinae consortes naturae(2 Ped  1, 4).



(f. ocárizVivir como hijos de Dios, nr. 27-28, trad ama)

Leitura espiritual


"Christus vivit": Exortação Apostólica aos Jovens 

Capítulo II

JESUS CRISTO SEMPRE JOVEM

A juventude da Igreja Maria, a jovem de Nazaré

Capítulo III

VÓS SOIS O AGORA DE DEUS

64. Depois de observar a Palavra de Deus, não podemos limitar-nos a dizer que os jovens são o futuro do mundo: são o presente, estão-no enriquecendo com a sua contribuição.
Um jovem já não é uma criança, encontra-se num momento da vida em que começa a assumir várias responsabilidades, participando com os adultos no desenvolvimento da família, da sociedade, da Igreja.

Mas os tempos mudam, colocando-se a questão: Como são os jovens hoje? Que sucede agora aos jovens?

Em positivo

65. O Sínodo reconheceu que os fiéis da Igreja nem sempre têm o comportamento de Jesus.
Em vez de nos dispormos a escutá-los profundamente, «prevalece a tendência de fornecer respostas pré-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpelação»

[1].

Mas, quando a Igreja abandona esquemas rígidos e se abre à escuta pronta e atenta dos jovens, esta empatia enriquece-a, porque «permite que os jovens dêem a sua colaboração à comunidade, ajudando-a a individuar novas sensibilidades e a colocar-se perguntas inéditas»[2].

66. Hoje nós, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de defeitos da juventude actual.
Alguns poderão aplaudir-nos, porque parecemos especialistas em encontrar aspectos negativos e perigos.
Mas, qual seria o resultado deste comportamento?
Uma distância sempre maior, menos proximidade, menos ajuda mútua.

67. A clarividência de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece quebrar-se (cf. Is 42, 3) mas ainda não partiu.
É a capacidade de individuar percursos onde outros só vêem muros, é saber reconhecer possibilidades onde outros só vêem perigos.
Assim é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no coração dos jovens.
Por isso, o coração de cada jovem deve ser considerado «terra santa», diante da qual nos devemos «descalçar» para nos podermos aproximar e penetrar no Mistério.

Muitas juventudes

68. Poderíamos procurar descrever as características dos jovens de hoje, mas, antes de mais nada, quero registar uma observação dos Padres Sinodais: a própria «composição do Sínodo tornou visível a presença e a colaboração das diferentes regiões do mundo, evidenciando a beleza de ser Igreja universal.
Embora num contexto de crescente globalização, os Padres Sinodais pediram para salientar as múltiplas diferenças entre contextos e culturas, inclusive dentro do mesmo país. Existe uma pluralidade de mundos juvenis, a ponto de se tender, nalguns países, a usar o termo “juventude” no plural.
Além disso, a faixa etária considerada pelo presente Sínodo (16-29 anos) não representa um todo homogéneo, mas compõe-se de grupos que vivem situações peculiares»[3].

69. Partindo do ponto de vista demográfico, alguns países têm muitos jovens, enquanto outros possuem uma taxa de natalidade muito baixa.
«Outra diferença deriva da história, que torna distintos os países e continentes de antiga tradição cristã, cuja cultura é portadora de uma memória que não deve ser perdida, dos países e continentes marcados por outras tradições religiosas e onde o cristianismo tem uma presença minoritária e, por vezes, recente.
Além disso, em outros territórios, as comunidades cristãs e os jovens que fazem parte delas são objecto de perseguição»[4].

Deve distinguir-se também os jovens «que têm acesso às crescentes oportunidades oferecidas pela globalização de quantos, ao contrário, vivem à margem da sociedade ou no mundo rural suportando os efeitos de formas de exclusão e descarte»[5].


70. Existem muitas outras diferenças, que seria complexo referir aqui em detalhe. Por isso, não me parece oportuno demorar-me a oferecer uma análise exaustiva dos jovens no mundo actual, de como vivem e do que lhes sucede. Mas, como também não posso deixar de observar a realidade, assinalarei brevemente algumas contribuições que chegaram antes do Sínodo e outras que pude recolher durante o mesmo.

Algumas coisas que acontecem aos jovens

71. A juventude não é algo que se possa analisar de forma abstracta.
Na realidade, «a juventude» não existe; o que há são jovens com as suas vidas concretas.
No mundo actual, cheio de progresso, muitas destas vidas estão sujeitas ao sofrimento e à manipulação.


Franciscus

Revisão da versão portuguesa por AMA


Notas:



[1] DF8.
[2] Ibid., 8.
[3] Ibid., 10.
[4] Ibid., 11.
[5] Ibid., 12.

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?