19/11/2018

Recorramos ao bom pastor


Tu, pensas, tens muita personalidade: os teus estudos (os teus trabalhos de investigação, as tuas publicações), a tua posição social (os teus apelidos), as tuas actividades políticas (os cargos que ocupas), o teu património..., a tua idade – já não és nenhuma criança!... Precisamente por tudo isso, necessitas, mais do que outros, de um Director para a tua alma. (Caminho, 63)

A santidade da esposa de Cristo sempre se provou – e continua a provar-se actualmente – pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingénuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fiquemos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que – dando a vida pelos outros – quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor – àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo.

Se a vossa consciência vos reprova por alguma falta – embora não vos pareça uma falta grave – se tendes uma dúvida a esse respeito, recorrei ao sacramento da Penitência. Ide ao sacerdote que vos atende, ao que sabe exigir de vós firmeza na fé, delicadeza de alma, verdadeira fortaleza cristã. Na Igreja existe a mais completa liberdade para nos confessarmos com qualquer sacerdote que possua as necessárias licenças eclesiásticas; mas um cristão de vida limpa recorrerá – com liberdade! – àquele que reconhece como bom pastor, que o pode ajudar a erguer a vista para voltar a ver no céu a estrela do Senhor. (Cristo que passa, 34)

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Lc 18, 35-43

35 Quando se aproximavam de Jericó, estava um cego sentado a pedir esmola à beira do caminho. 36 Ouvindo a multidão que passava, perguntou o que era aquilo. 37 Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que ia a passar. 38 Então, bradou: «Jesus, Filho de David, tem misericórdia de mim!» 39 Os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem misericórdia de mim!» 40 Jesus parou e mandou que lho trouxessem. Quando o cego se aproximou, perguntou-lhe: 41 «Que queres que te faça?» Respondeu: «Senhor, que eu veja!» 42 Jesus disse-lhe: «Vê. A tua fé te salvou.» 43 Naquele mesmo instante, recobrou a vista e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, ao ver isto, deu louvores a Deus.

Comentário:

Quando na verdade desejamos algo que não só nos faz falta mas pode mudar radicalmente a nossa vida empenhamo-nos a sério, com persistência e sem receio de ser incómodo em conseguir o que aspiramos.

É o que faz este cego que esta cena evangélica nos retracta.
A sua necessidade é tal que pede aos gritos numa esperança incontida que Jesus que passa no caminho o oiça.

O que pede? Misericórdia daquele Jesus que, ele sabe, opera milagres, e demonstra a cada passo uma misericórdia sem limites.

E na resposta a Jesus que o interpela, não se perde em divagações ou louvaminhas destinadas a comover o Coração de Cristo. Simplesmente, com a maior franqueza e convicção diz o que quer:
«Senhor, que eu veja!»

É assim que deve ser a nossa petição: perseverante e simples.
Perseverante para “convencer” o Senhor da nossa fé, simples, porque Ele sabe muito bem o que necessitamos.

(AMA, comentário sobre Lc 18, 35-43, 02.10.2018)





Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 111


Amor aos outros


1 - Se for possível devemos participar na Santa Missa como se fosse a última da nossa vida e, na verdade, pode muito bem que seja.
Não há dramatismo mas conveniente precaução que nos ajudará a participar nessa Missa com maior compunção e amor.

Escrevo tantas vezes sobre este tema que poderá parecer como que uma fixação doentia.
Doentia tenho a certeza que não é, talvez,  antes algo que me absorve de forma irresistível sendo como que uma mola que pressiona e impele.
Acredito no amor, penso que não pode haver vida sem amor, tenho a certeza que só o amor salva o mundo.

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

SeGUNDa-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Sorrir; ser amável; prestar serviço.

Senhor que eu faça "boa cara" que seja alegre e transmita aos outros, principalmente em minha casa, boa disposição.

Senhor que eu sirva sem reserva de intenção de ser recompensado; servir com naturalidade; prestar pequenos ou grandes serviços a todos mesmo àqueles que nada me são. Servir fazendo o que devo sem olhar à minha pretensa “dignidade” ou “importância” “feridas” em serviço discreto ou desprovido de relevo, dando graças pela oportunidade de ser útil.

Lembrar-me:
Papa, Bispos, Sacerdotes.

Que o Senhor assista e vivifique o Papa, santificando-o na terra e não consinta que seja vencido pelos seus inimigos.

Que os Bispos se mantenham firmes na Fé, apascentando a Igreja na fortaleza do Senhor.

Que os Sacerdotes sejam fiéis à sua vocação e guias seguros do Povo de Deus.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







18/11/2018

El reto del amor



por El Reto Del Amor

Leitura espiritual

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LEGENDA MAIOR 

Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

CAPÍTULO IV

MULHERES SOCORRIDAS NA HORA DO PARTO

1. Havia na Eslavônia certa condessa, ilustre por sua nobreza, muito devota de São Francisco e afeiçoada à Ordem franciscana.
Veio a hora de ela dar à luz e sentia tantas dores e angústias, que o nascimento da criança prenunciava já a morte da Mãe. Não era possível que a criança nascesse viva, salvando-se a Mãe. Era mais um perecer do que aparecer aquele parto.
Vieram-lhe então à memória e mais ainda ao coração a fama, a virtude e a glória de São Francisco.
Cresceu a sua confiança e aumentou a sua devoção. Recorreu ao auxilio eficaz, ao amigo fiel, ao consolo de seus devotos, ao refúgio dos aflitos e disse: “Glorioso São Francisco, à tua piedade recorro com todas as veras da alma e não consigo explicar o que desejo prometer-te”.
E com extraordinária prontidão, às últimas palavras daquela mulher, cessaram as dores e foram o princípio de um parto feliz. No mesmo instante acabaram-se as angústias e deu à luz sem nenhum sofrimento.
Mandou construir uma linda igreja com seu dinheiro e depois de construída cedeu-a aos Irmãos para honrar o santo.

2. Uma senhora chamada Beatriz que vivia perto de Roma estava às portas do esperado parto, mas a criança morrera no ventre materno havia alguns dias. Por isso se viu a infeliz atormentada por angústias mortais e dores intoleráveis.
O feto morto provocava a morte; sem ter visto a luz do dia, punha em risco a vida da Mãe.
Recorreu a vários médicos, mas não se encontrava remédio humano para ela. A infeliz mulher arcava com uma maldição pesada demais, devida ao pecado original: transformada em sepultura de seu filho, ela mesma estava certa de em breve parar na sepultura.
Por fim, pondo toda a sua esperança nos Irmãos menores, mandou pedir deles, com toda fé e humildade, uma relíquia de São Francisco. Conseguiram encontrar um pedacinho de corda que o santo durante certo tempo usou como cíngulo.
Mal colocaram sobre o corpo aquele pedacinho de corda, a mulher em trabalho de parto sentiu desaparecer toda dor, expeliu com extrema facilidade o feto morto e causa de morte, e recuperou a saúde.

3. A esposa de um cavaleiro de Calvi, chamada Juliana, vivia sempre triste e desconsolada ao ver que não conseguia nenhum filho, pois todos eles morriam pouco depois de nascidos.
Como estivesse já no quarto mês de gestação, começou a temer, pela experiência dos casos anteriores, que o seu futuro parto seria antes a morte e não o nascimento de um filho; mas com grande confiança suplicava a São Francisco pela vida daquela criança que ainda não nascera.
Sucedeu, porém, que estando dormindo certa noite, apareceu-lhe em sonhos uma mulher que trazia em suas mãos um menino muito lindo e o oferecia a ela com grandes mostras de prazer. Mas como ela se negasse a recebê-lo, por medo de perdê-lo logo, aquela mulher lhe acrescentou:
“Recebe-o sem medo porque, compadecido de tuas lágrimas, é o próprio São Francisco quem te envia este, e tem plena certeza que viver e gozar de perfeita saúde”.
Acordou Juliana naquele instante e pela visão celeste compreendeu que o bem-aventurado Francisco viera em seu auxílio.
Desde então, repleta de extraordinária alegria, multiplicou as suas orações e promessas pelo filho que esperava ter.
Chegou enfim o tempo do parto, e ela deu à luz um menino, que a seguir cresceu, cheio de força e juventude vigorosa, como se São Francisco lhe houvesse dado um reforço de saúde e foi para os pais motivo de devoção ainda mais sentida para com Cristo e o santo.
Prodígio análogo realizou São Francisco na cidade de Tivoli.
Uma mulher, Mãe de muitas filhas, era atormentada pelo desejo de ter um filho homem.
Voltou-se a São Francisco com orações e votos e obteve a graça, superior a todas as suas esperanças, de dar à luz dois gémeos.

4. Uma mulher de Viterbo, aproximando-se a hora do parto, estava para morrer, atormentada de dores nas vísceras, além de angustiada com o trabalho normal do parto.
Baldados todos os recursos da medicina, por causa de sua debilidade, invocou com grande fervor a São Francisco.
 No mesmo instante ficou livre de suas dores e deu à luz com felicidade.
Obteve a graça, mas esqueceu-se de agradecer, entregando-se no dia seguinte, festa do santo, a trabalhos servis.
De repente, o braço direito da mulher ficou rido e tolhido e ao tentar colocá-lo em movimento com o esquerdo também este ficou inflexível.
Atemorizada a mulher com esse castigo, repetiu o seu voto e pela segunda vez se consagrou ao misericordioso e humilde santo, obtendo, pelos méritos dele, recuperar o uso dos membros, que havia perdido pela ingratidão e irreverência.

5. Uma senhora de Arezzo durante sete dias se encontrava nas dores de um parto perigoso, e todos a supunham desenganada, pois o corpo já estava completamente negro.
Fez promessa a São Francisco e, estando para morrer, começou a invocar o nome do santo.
Assim que fez a sua promessa, adormeceu e viu em sonho ao bem-aventurado Francisco que lhe falava suavemente. Perguntava-lhe o santo se lhe reconhecia a fisionomia e se sabia recitar a salve-rainha. Respondeu-lhe a senhora que o reconhecia e sabia aquela oração. E o santo lhe disse:
“Começa a oração e, antes de terminá-la, terás dado à luz sem dificuldades. Enquanto suplicava “esses olhos misericordiosos a nós volvei” e mencionava “bendito fruto do vosso ventre”, a mulher, livre de toda angústia, deu à luz um menino.
Deu então graças à “Rainha, Mãe de misericórdia”, que pelos méritos de São Francisco tivera misericórdia com ela.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

Mãe de Deus e nossa Mãe


Que humildade, a de minha Mãe Santa Maria! – Não a vereis entre as palmas de Jerusalém, nem – afora as primícias de Caná – na altura dos grandes milagres. – Mas não foge do desprezo do Gólgota; lá está, "iuxta crucem Iesu" – junto da cruz de Jesus, sua Mãe. (Caminho, 507)

Sempre foi esta a doutrina certa da fé. Contra os que a negaram, o Concílio de Éfeso proclamou que se alguém não confessa que o Emanuel é verdadeiramente Deus e que, por isso, a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, visto que gerou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema. (...).
A Trindade Santíssima, ao escolher Maria para Mãe de Cristo, homem como nós, pôs cada um de nós sob o seu manto maternal. É Mãe de Deus e nossa Mãe.
A Maternidade divina de Maria é a raiz de todas as perfeições e privilégios que a adornam. Por esse título, foi concebida imaculada e está cheia de graça, é sempre virgem, subiu ao céu em corpo e alma, foi coroada Rainha de toda a criação, acima dos anjos e dos santos. Mais que Ela, só Deus. A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, do bem infinito que é Deus. Não há perigo de exageros. Nunca aprofundaremos bastante este mistério inefável; nunca poderemos agradecer suficientemente à Nossa Mãe a Familiaridade que nos deu com a Santíssima Trindade.
Éramos pecadores e inimigos de Deus. A Redenção não só nos livra do pecado e reconcilia com o Senhor; mas converte-nos em filhos, entrega-nos uma Mãe, a mesma que gerou o verbo, segundo a Humanidade. Pode haver maior prodigalidade, maior excesso de amor? (Amigos de Deus, nn. 275–276)

Evangelho e comentário


Tempo comum



Evangelho: Mc 13, 24-32

24 «Mas nesses dias, depois daquela aflição, o Sol vai escurecer-se e a Lua não dará a sua claridade, 25 as estrelas cairão do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. 26 Então, verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os seus anjos e reunirá os seus eleitos dos quatro ventos, da extremidade da terra à extremidade do céu.» 28 «Aprendei, pois, a parábola da figueira. Quando já os seus ramos estão tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. 29 Assim, também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que Ele está próximo, às portas. 30 Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam. 31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão. 32 Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.»

Comentário:

Sem dúvida que o grande mistério da morte acompanha toda a vida do homem.

Parece um paradoxo – vida e morte – mas de facto não é porque a morte não existe de facto, a vida, sim.

O corpo nasce e morre; a alma, não!

Criada por Deus desde o primeiro instante da concepção, permanecerá para sempre sem conhecer a degradação porque não é física mas pu­ramente espiritual.

Tendo os necessários cuidados com o corpo, com a saúde, o que na verdade nos deve importar é cuidar da alma e do “bom estado” em que se encontra para, em qualquer momento, se encontrar face a face com Quem a criou.

(AMA, Comentário sobre Mc 13, 24-32, 10.05.2016)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 110


Solidão – 6

Penso em como as coisas - recordações  -; se vão desvanecendo com o tempo.

Mas há uma pergunta – honesta – a fazer:
Vão-se desvanecendo ou vamos aprendendo a viver com elas? [1]

AMA, reflexões.



[1] (From a Tri Star Release Pictures)


Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

17/11/2018

El reto del amor





por El Reto Del Amor

Leitura espiritual

Resultado de imagem para são francisco de assis
LEGENDA MAIOR 
Vida de São Francisco de Assis

ALGUNS MILAGRES REALIZADOS APÔS A MORTE DE SÃO FRANCISCO

CAPÍTULO V

PRISIONEIROS E ENCARCERADOS POSTOS EM LIBERDADE

1. Na Grécia, aconteceu que o servo de um senhor foi falsamente acusado de roubo.
O senhor  acorrentou-o e o pôs em duro cárcere. Mas a senhora da casa teve piedade dele. Estava convencida de que ele era inocente da acusação feita contra ele e rogou ao marido que o soltasse. Ele, porém, obstinadamente recusava-se a libertá-lo.
Então aquela senhora recorreu a São Francisco e recomendou o homem inocente à sua intercessão.
Francisco, protector dos pobres, respondeu imediatamente e foi visitar o prisioneiro. Soltou-lhe as correntes que o prendiam e abriu as portas da prisão. Em seguida, conduzindo-o pela mão, levou-o para fora e lhe disse: “Sou Francisco. A tua senhora confiou-te à minha intercessão”.
O prisioneiro ficou amedrontado. Como tivesse que fazer a volta pelo lado de um rochedo muito alto, repentinamente se encontrou, por auxílio do seu libertador, em terra plana.
Voltou à casa de sua senhora e referiu a ela, alegre e minuciosamente os pormenores do milagre, de sorte que ela se tornou mais devota ainda no seu amor a Cristo e a São Francisco.

2. Em Massa de São Pedro, um homem pobre devia a um cavaleiro uma certa quantia de dinheiro.
Na sua pobreza, não tinha recursos para lhe pagar a dívida. O credor então mandou prendê-lo. O pobre rogava-lhe que tivesse compaixão dele e lhe desse outra oportunidade, por amor a São Francisco.
O nobre, no entanto, cheio de orgulho, fazia-se surdo às súplicas do outro, desprezando como ridículo o amor do santo. E respondeu-lhe desdenhosamente: “Vou colocar-te num cárcere tão oculto e seguro, que nem esse Francisco nem outro qualquer poderão socorrer-te”. E fazendo o que ameaçara, procurou um cárcere escuro, e lá encerrou o desgraçado, carregado de pesadas cadeias.
Pouco depois, apareceu-lhe São Francisco, livrou-o daqueles ferros, abriu-lhe as portas e o deixou ir livre para sua casa.
O senhor orgulhoso ficou humilhado pela virtude poderosa de Francisco, que libertou o preso que se lhe havia recomendado e trocou, por verdadeiro milagre, a petulância daquele cavaleiro em mansidão exemplar.

3. Alberto de Arezzo foi lançado na prisão por dívidas que ele jamais contraiu; encomendou-se a São Francisco na sua inocência com toda humildade; era muito afeiçoado à Ordem e tinha veneração especial ao santo de Assis acima de qualquer outro.
O credor blasfemo afirmou que ninguém nem Deus nem São Francisco seriam capazes de livrá-lo das suas mãos.
Alberto, no entanto, na vigília da festa do santo, fez um jejum rigoroso e deu sua ração de comida a um mendigo por amor a São Francisco.
Naquela noite, enquanto vigiava, apareceu-lhe o santo. Assim que ele entrou na cela, caíram as
cadeias das mãos e dos pés do prisioneiro, as portas se abriram por si mesmas e as tábuas do tecto saltaram.
Libertou-se então aquele homem e voltou para casa. Cumpriu desde então a promessa que fez de sempre jejuar na véspera da festa de São Francisco e, como testemunho do seu crescente amor ao santo, a cada ano que passava acrescentava uma onça ao volume do círio que acendia em sua honra.

4. Quando o Papa Gregório IX pontificava, certo homem chamado Pedro, natural da cidade de Alife, acusado de heresia, foi preso em Roma por ordem do papa e levado ao bispo de Tivoli para ser custodiado.
Recebeu-o o bispo e, para não perder o bispado, mandou pôr-lhe cadeias e prendeu-o num cárcere escuro para não escapar, dando-lhe um pouco de pão e um pouco de água para sobreviver.
Vendo-se o prisioneiro em situação tão penosa, começou a invocar entre lá grimas e suspiros a protecção de São Francisco para que o socorresse, tanto mais porque ouvira que era a véspera da festa do santo.
E como a pureza de sua fé vencera a contumácia dos seus erros e se unira a Francisco com todas as veras de sua alma, mereceu ser ouvido por Deus pelos méritos de seu advogado Francisco.
Efectivamente, aproximando-se a noite da festa, e quando a luz do crepúsculo começava a desvanecer-se, apareceu ao prisioneiro no cárcere o seráfico Patriarca com semblante misericordioso, chamou-o por seu próprio nome e mandou-lhe que se levantasse imediatamente.
Atemorizado, perguntou quem era, e a aparição lhe disse que era Francisco.
Percebendo que estava livre das cadeias e que as portas do cárcere estavam abertas para sair, ficou tão perturbado, que não conseguia acertar o caminho de saída, e dando gritos diante da porta, fez correr os guardas que, às pressas, foram participar ao bispo que o preso estava livre das cadeias.
Logo chegou a notícia aos ouvidos do bispo, o qual, movido por sua devoção, foi até ao cárcere e, inteirado do acontecido, só teve que reconhecer a mão de Deus, adorando-o com acção de graças pelo prodígio.
As cadeias que haviam prendido aquele homem foram apresentadas ao Senhor Papa e aos cardeais que, vendo o sucedido, ficaram muito admirados e deram graças ao Senhor.

5. Guidolotto de São Geminiano foi acusado falsamente de ter envenenado um homem e de ter a intenção de exterminar do mesmo modo o filho dele e toda a família.
O magistrado decretou a sua prisão e mandou acorrentá-lo num cárcere escuro.
Ele, porém, entregou-se a Deus, encomendando-se à intercessão de São Francisco, seguro de sua inocência.
Entretanto, o magistrado reflectia de que modo poderia melhor arrancar ao suposto culpado a confissão do crime, por meio de torturas, e a que género de morte o condenaria assim que ele confessasse o crime.
Estava já determinado que no dia seguinte o réu seria levado ao lugar do suplício; mas naquela mesma noite foi visitado por São Francisco, que iluminou a prisão com uma luz esplêndida durante toda a noite; encheu-o de gozo e confiança e deu-lhe segurança para se evadir.
Pela manhã chegaram os carrascos, os quais tiraram o prisioneiro do cárcere e o suspenderam no cavalete, agravando os seus tormentos com grandes ferros. Várias vezes o faziam baixar e subir para que, revezando-se as penas, se visse obrigado a confessar o crime.
Mas a convicção de sua inocência se reflectia alegremente no seu rosto, sem deixar transparecer sombra alguma de tristeza em meio de suas penas.
Depois fizeram uma grande fogueira debaixo do condenado e não conseguiram queimar-lhe um só cabelo, apesar de ter a cabeça voltada para o chão.
Por fim, lançaram-lhe óleo fervente em grande quantidade, mas ele superou todos esses tormentos, ajudado por Francisco, a quem havia confiado sua defesa.
Com isso ficou livre de tudo e se foi São e salvo.

(cont

São Boaventura
Revisão da versão portuguesa por AMA

Constância, que nada te desoriente


O desalento é inimigo da tua perseverança. – Se não lutares contra o desalento, chegarás ao pessimismo, primeiro, e à tibieza, depois. – Sê optimista. (Caminho, 988)

Constância, que nada desoriente. – Faz-te falta. Pede-a ao Senhor e faz o que puderes para a obter; porque é um grande meio para te não separares do fecundo caminho que empreendeste. (Caminho, 990)

Não podes "subir". – Não é de estranhar: aquela queda!...
Persevera e "subirás". – Recorda o que diz um autor espiritual: a tua pobre alma é um pássaro que ainda tem as asas empastadas de lama.
É preciso muito calor do céu e esforços pessoais, pequenos e constantes, para arrancar essas inclinações, essas imaginações, esse abatimento, essa lama pegajosa das tuas asas.
E ver-te-ás livre. – Se perseverares, "subirás". (Caminho, 991)

Dá graças a Deus, que te ajudou, e rejubila com a tua vitória. - Que alegria tão profunda, a que sente a tua alma depois de ter correspondido! (Caminho, 992)

Evangelho e comentário


Tempo comum




Evangelho: Lc 18, 1-8

1 Depois, disse-lhes uma parábola sobre a obrigação de orar sempre, sem desfalecer: 2 «Em certa cidade, havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. 3 Naquela cidade vivia também uma viúva que ia ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário.’ 4 Durante muito tempo, o juiz recusou-se a atendê-la; mas, um dia, disse consigo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite os homens, 5 contudo, já que esta viúva me incomoda, vou fazer-lhe justiça, para que me deixe de vez e não volte a importunar-me.’» 6 E o Senhor continuou: «Reparai no que diz este juiz iníquo. 7 E Deus não fará justiça aos seus eleitos, que a Ele clamam dia e noite, e há-de fazê-los esperar? 8 Eu vos digo que lhes vai fazer justiça prontamente. Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará a fé sobre a terra?»

Comentário:

À perseverança podemos, sem medo, chamar teimosia?
Penso que nada tem de pejorativo porque, na realidade, tanto se persevera praticando o mal como fazendo o bem.

Os fins são, evidentemente diferentes e será sempre necessário teimar, insistir, voltar um e outra vez até se conseguir o se deseja.
O que pedimos ou o desejamos com todo o nosso coração e as nossas forças ou, então, deixará de haver motivo para “incomodar” o Senhor.

Falando com palavras humanas o coração de Deus move-se pelo amor e, este, quando expresso com firme veemência e persistência confiada não pode senão bater com mais força à porta daquele Coração Amantíssimo.

(AMA, comentário sobre Lc 18, 1-8, 18.11.2017)




Temas para reflectir e meditar


Formação humana e cristã – 109


Solidão – 5

Há uma outra consequência (muito comum), do estado de solidão.
Trata-se de não fazer nada, isto é, uma inércia paralisante que afasta a vontade de fazer seja o que for.
Aqui tem de jogar a capacidade inventiva. Escrever seja o que for, traduzir um livro, etc.
Mas para quê?
Talvez para nada concretamente mas apenas como uma ocupação real e concreta que se deve tomar a sério como um verdadeiro trabalho, o que, de facto, é.
Para melhor resultado convém fazê-lo programadamente fugindo ao "agora não me apetece".

AMA, reflexões.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?