Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
08/09/2018
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.
A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.
Lembrar-me:
Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.
Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Evidentemente que ter
"presença Deus" é ter consciência que Deus está presente na nossa
vida SEMPRE!
Que nos vê e nos ouve,
acompanhando os nossos passos, ouvindo o mais íntimo do nosso coração.
Ter esta consciência
condiciona a nossa vida?
Penso que sim ou, melhor,
acho que deve.
Isto pela simples razão
de, naturalmente queremos fazer o que Lhe agrada e evitar o que possa magoar o
Seu Coração Amantíssimo.
Como crianças, pois claro,
que desejam ver o sorriso no rosto do seu Pai e não vê-lo "franzir o
sobrolho".
Para uma criança o Pai tem
sempre razão por isso confia totalmente no que lhe diz, sugere ou aconselha.
A criança adolescente
inicia um percurso difícil que é o começar a pensar pela sua própria cabeça.
É aqui que também de certa
forma enfraquece a sua confiança "cega" no Pai questionando as suas
"razões" e debatendo consigo mesmo se o Pai ou está enganado ou,
pior, se não está a ser injusto.
Bom. Isto pode de facto
ser verdade porque os Pais são seres humanos e não têm o dom de infalibilidade.
Já quanto à injustiça
parece-me que tal não se coloca porque seria como que "contra
natura".
AMA,
reflexões, 28.05.2018
Evangelho e comentário
Natividade da Virgem
Santa Maria
Evangelho: Mt 1, 18-23
18
Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada
com José; antes de coabitarem, notou-se que tinha concebido pelo poder do
Espírito Santo. 19 José, seu esposo, que era um homem justo e não queria
difamá-la, resolveu deixá-la secretamente. 20 Andando ele a pensar nisto, eis
que o anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: «José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito
Santo. 21 Ela dará à luz um filho, ao qual darás o nome de Jesus, porque Ele
salvará o povo dos seus pecados.» 22 Tudo isto aconteceu para se cumprir o que
o Senhor tinha dito pelo profeta: 23 Eis que a virgem conceberá e dará à luz um
filho; e hão-de chamá-lo Emanuel, que quer dizer: Deus connosco. 24 Despertando
do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor, e recebeu sua esposa. 25 E,
sem que antes a tivesse conhecido, ela deu à luz um filho, ao qual ele pôs o
nome de Jesus.
Comentário:
O
Evangelista descreve com minúcia a Natividade da Santíssima Virgem que hoje
comemoramos.
É
um texto fundamental para consolidação da nossa fé.
O
mistério que rodeia o acontecimento maior da história da humanidade, ou seja,
quando verdadeiramente começam a cumprir-se os desígnios de Deus respeitantes à
salvação da humanidade, fica como que “garantido” pela própria Escritura.
Não
falta absolutamente nada nem sequer os momentos de dúvida do Santo Patriarca.
A
intervenção do Anjo é decisiva e fundamental para que os planos de Deus se
cumpram exactamente.
E
o Evangelista termina dizendo com toda a simplicidade:
«ela
deu à luz um filho, ao qual ele pôs o nome de Jesus.»
A
grandiosidade de Deus Nosso Senhor, Omnipotente tem esta característica: a
simplicidade.
Daqui
que a nossa identificação com Ele seja mais acessível, mais fácil e, sobretudo,
mais verdadeira, porque nada há mais simples que a VERDADE.
(AMA, comentário sobre Mt 1, 18-23, 18.05.2018)
Enamora-te e não "O" deixarás
Faz-me
tremer aquela passagem da segunda epístola a Timóteo, quando o Apóstolo se
lamenta por Demas ter escapado para Tessalónica, atrás dos encantos deste
mundo... Por uma bagatela e por medo às perseguições, um homem que São Paulo
noutras epístolas cita entre os santos atraiçoou o empreendimento divino.
Faz-me
tremer ao conhecer a minha pequenez; e leva-me a exigir-me fidelidade ao Senhor
até nos acontecimentos que podem parecer indiferentes, porque, se não me servem
para me unir mais a Ele, não os quero! (Sulco,
343)
O
desalento é inimigo da tua perseverança. – Se não lutares contra o desalento,
chegarás ao pessimismo, primeiro, e à tibieza, depois. – Sê optimista. (Caminho, 988)
Bendita
perseverança a do burrico de nora! – Sempre ao mesmo passo. Sempre as mesmas
voltas. – Um dia e outro; todos iguais.
Sem
isso, não haveria maturidade nos frutos, nem louçania na horta, nem o jardim
teria aromas.
Leva
este pensamento à tua vida interior. (Caminho,
998)
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
51
Além disso, esse serviço
humano, essa capacidade a que poderíamos chamar técnica, saber realizar o nosso
ofício, deve ter uma característica que foi fundamental no trabalho de S. José
e que devia ser fundamental em todo o cristão: o espírito de serviço, o desejo
de trabalhar para contribuir para o bem dos outros homens.
O trabalho de S. José não
foi um trabalho que visasse a auto-afirmação, embora a dedicação de uma vida
laboriosa tenha forjado nele uma personalidade madura, bem delineada.
O Santo Patriarca
trabalhava com a consciência de cumprir a vontade de Deus, pensando no bem dos
seus, Jesus e Maria, e tendo presente o bem de todos os habitantes da pequena
Nazaré.
Em Nazaré José era um dos
poucos artesãos da terra, se não era o único.
Possivelmente,
carpinteiro.
E, como é costume nas
pequenas povoações, também era capaz de fazer outras coisas: pôr a funcionar um
moinho que não funcionava ou arranjar, antes do inverno, as fendas de um tecto.
José tirava muita gente de
apuros, certamente com um trabalho bem acabado.
O seu trabalho
profissional era uma ocupação orientada para o serviço, para tornar agradável a
vida das outras famílias da aldeia, acompanhada de um sorriso, de uma palavra
amável, de um comentário feito como que de passagem, mas que devolve a fé e a
alegria a quem está a ponto de perdê-las.
52
Às vezes, quando se
tratava de pessoas mais pobres do que ele, José trabalharia aceitando alguma
coisa de pouco valor, que deixava a outra pessoa com a satisfação de pensar que
tinha pago.
Normalmente José cobraria
o que fosse razoável; nem mais nem menos.
Saberia exigir o que em
justiça lhe era devido, já que a fidelidade a Deus não significa renúncia a
direitos que na realidade são deveres; S. José tinha de exigir o que era justo,
porque tinha de sustentar a família que Deus lhe tinha confiado, com a
recompensa desse trabalho.
A exigência dos nossos
direitos não deve ser fruto de um egoísmo individualista.
Não se ama a justiça se
não se deseja vê-la também cumprida para com os outros.
Como também não é lícito
encerrar-se numa religiosidade cómoda, esquecendo as necessidades dos outros.
Quem deseja ser justo aos
olhos de Deus também se esforça para que a justiça se realize de facto entre os
homens.
E não apenas pelo bom
motivo de que o nome de Deus não seja injuriado, mas porque ser cristão
significa captar e corresponder a todos os anseios nobres do homem.
Parafraseando um texto
conhecido, do Apóstolo S. João, pode-se dizer que mente quem afirma que é justo
com Deus mas não é justo com os outros homens; e a verdade não habita nele.
Como todos os cristãos que
viveram aquele momento, recebi com emoção e alegria a decisão de festejar a
festa litúrgica de S. José Operário.
Esta festa, que é uma
canonização do valor divino do trabalho, mostra como a Igreja, na sua vida
colectiva e pública, se fez eco das verdades centrais do Evangelho, que Deus
quer que sejam especialmente meditadas nesta nossa época.
53
Já falámos muito deste
tema noutras ocasiões, mas permiti-me insistir de novo na naturalidade e na
simplicidade da vida de S. José, que não se distinguia da dos seus vizinhos nem
levantava barreiras desnecessárias.
Por isso, ainda que possa
ser conveniente nalguns momentos ou em algumas situações, habitualmente não
gosto de falar de operários católicos, de engenheiros católicos, de médicos
católicos, etc., como se se tratasse de uma espécie dentro dum género, como se
os católicos formassem um grupinho separado dos outros, dando assim a sensação
de que existe um fosso entre os cristãos e o resto da humanidade.
Respeito a opinião oposta,
mas penso que é muito mais correcto falar de operários que são católicos, ou de
católicos que são operários; de engenheiros que são católicos ou de católicos
que são engenheiros. Porque o homem que tem fé e exerce uma profissão
intelectual, técnica ou manual, está e sente-se unido aos outros, igual aos
outros, com os mesmos direitos e obrigações, com o mesmo desejo de melhorar,
com o mesmo empenho de se enfrentar com os problemas comuns e de lhes encontrar
a solução.
O católico, assumindo tudo
isto, saberá fazer da sua vida diária um testemunho de Fé, de Esperança e de
Caridade; testemunho simples, normal, sem necessidade de manifestações aparatosas,
pondo de manifesto - com a coerência da sua vida - a presença constante da
Igreja no mundo, visto que todos os católicos são, eles mesmos, Igreja, pois
são membros, com pleno direito, do único Povo de Deus.
54
As relações entre José e
Jesus
Há bastante tempo que
gosto de recitar uma comovedora invocação a S. José, que a própria Igreja nos
oferece entre as orações preparatória da Missa: José, varão bem-aventurado e
feliz, ao qual foi concedido ver e ouvir a Deus, a Quem muitos reis quiseram
ver e ouvir e não viram nem ouviram; e não só vê-Lo e ouvi-Lo mas trazê-Lo nos
braços, beijá-Lo, vesti-Lo e guardá-Lo: rogai por nós.
Esta oração servir-nos-á
para entrar no último tema que hoje vou tocar: a convivência íntima e carinhosa
de José com Jesus.
Para S. José, a vida de
Jesus foi uma contínua descoberta da sua vocação.
Recordámos acima aqueles
primeiros anos cheios de circunstâncias aparentemente contraditórias:
glorificação e fuga, majestade dos magos e pobreza da gruta, canto dos Anjos e
silêncio dos homens. Quando chega o momento de apresentar o Menino no Templo,
José, que leva a modesta oferenda de um par de rolas, vê como Simeão e Ana
proclamam que Jesus é o Messias.
Seu pai e sua mãe ouviram
com admiração, diz S. Lucas.
Mais tarde, quando o
Menino fica no templo sem que Maria e José o saibam, ao encontrá-Lo de novo
depois de O procurarem três dias, o mesmo evangelista narra que se
maravilharam.
José surpreende-se, José
admira-se.
Deus vai-lhe revelando os
seus desígnios e ele esforça-se por compreendê-los.
Como toda a alma que quer
seguir de perto Jesus, descobre logo que não é possível andar com passo
ronceiro, que não pode viver da rotina.
Porque Deus não se
conforma com a estabilidade num nível conseguido, com o descanso no que já se
tem. Deus exige continuamente mais e os seus caminhos não são os nossos
caminhos humanos.
S. José, como nenhum outro
homem antes ou depois dele, aprendeu de Jesus a estar atento para conhecer as
maravilhas de Deus, a ter a alma e o coração abertos.
55
Mas, se José aprendeu de
Jesus a viver de um modo divino, atrever-me-ia a dizer que, no aspecto humano,
ensinou muitas coisas ao Filho de Deus.
Há qualquer coisa que não
me agrada no título de pai adoptivo com que às vezes se designa José, porque
tem o perigo de fazer pensar que as relações entre José e Jesus eram frias e
externas.
Certamente que a nossa fé
nos diz que não era pai segundo a carne, mas não é essa a única paternidade.
A José - lemos num sermão
de Santo Agostinho - não só se lhe deve o nome de pai, mas este é-lhe devido
mais do que a qualquer outro. E continua: Como era pai? Tanto mais
profundamente pai, quanto mais casta foi a sua paternidade. Alguns pensavam que
era pai de Nosso Senhor Jesus Cristo da mesma forma que são pai os outros, que
geram segundo a carne e não recebem os seus filhos só como fruto do seu afecto
espiritual. Por isso, diz S. Lucas: pensava-se que era pai de Jesus.
Porque diz apenas
pensava-se?
Porque o pensamento e o
juízo humanos referem-se àquilo que costuma acontecer entre os homens.
E o Senhor não nasceu do
germe de José. Mas à piedade e caridade de José nasceu um filho da Virgem
Maria, que era Filho de Deus.
José amou Jesus como um
pai ama o seu filho, tratou-o dando-lhe tudo que de melhor tinha. José,
cuidando daquele Menino como lhe tinha sido ordenado, fez de Jesus um artesão:
transmitiu-lhe o seu ofício.
Por isso, os vizinhos de
Nazaré falavam de Jesus chamando-lhe indistintamente faber e fabri filius”:
artesão e filho do artesão. Jesus trabalhou na oficina de José e junto de José.
Como seria José, como
teria actuado nele a graça, para ser capaz de levar a cabo a tarefa de
desenvolver no aspecto humano o Filho de Deus?
Por isso, Jesus devia
parecer-se com José no modo de trabalhar, nos traços do seu carácter, na
maneira de falar.
No realismo de Jesus, no
seu espírito de observação, no seu modo de se sentar à mesa e de partir o pão,
no seu gosto por falar dum modo concreto tomando como exemplo as coisas da vida
corrente, reflecte-se o que foi a infância e a juventude de Jesus e, portanto,
a sua convivência com José.
Não é possível desconhecer
a sublimidade do mistério.
Esse Jesus que é homem,
que fala com o sotaque de uma determinada região de Israel, que se parece com
um artesão chamado José, esse é o Filho de Deus.
E quem pode ensinar alguma
coisa a Deus?
Mas é realmente homem e
vive normalmente: primeiro como menino; depois, como rapaz que ajuda na oficina
de José; finalmente como homem maduro, na plenitude da idade.
Jesus crescia em
sabedoria, em idade e em graça diante de Deus e dos homens.
(Continua)
07/09/2018
Doutrina – 449
Compêndio
PRIMEIRA SECÇÃO
A ECONOMIA SACRAMENTAL
CAPÍTULO PRIMEIRO
O MISTÉRIO PASCAL NOS
SACRAMENTOS DA IGREJA
Pergunta:
228. Qual é a relação dos
sacramentos com a fé?
Resposta:
Os
sacramentos não apenas supõem a fé como também, através das palavras e
elementos rituais, a alimentam, fortificam e exprimem.
Ao
celebrá-los, a Igreja confessa a fé apostólica.
Daí
o adágio antigo: «lex orandi, lex
credendi», isto é, a Igreja crê no que reza.
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Temas para reflectir e meditar
Mas no início desta
reflexão falávamos de crianças. O que têm a ver com o exame que nós, adultos,
nos propomos?
Uma criança faz exame
pessoal?
Evidentemente não porque
tal não tem cabimento na sua estrutura mental.
A conclusão parece saltar
evidente: ser como uma criança "poupa-nos" o esforço e a necessidade
de exame.
Para uma criança é
simples: fiz aquilo é o resultado foi este é, rapidamente toma uma decisão: não
torno a fazer tal coisa ou vou voltar a fazer o mesmo.
Se nos comportamos como
crianças temos assegurado que o exame não é Necessário.
Uma criança, por
princípio, faz o que lhe apetece mas à medida que vai crescendo habitua-se a
olhar primeiro para a Mãe ou o Pai como que a avaliar se o que lhe apetece
fazer vai ter aprovação daqueles cujo critério não discute.
E nós? O que fazemos?
Vamos para a frente ou detemo-nos a pensar se Deus aprovará ou não o que nos
propomos empreender?
Esta pergunta leva-nos
imediatamente a outra questão: o sentido da presença de Deus.
Acho que temos de
considerar que, independentemente da idade que temos, estamos nesta vida como
que "à experiência", ou seja passo a passo, dia a dia, teremos sempre
que dar contas dos actos pelos quais somos responsáveis.
E ter bem claro que a
responsabilidade é sempre nossa porque fomos nós quem tomou a decisão.
AMA,
reflexões, 27.05.2018
Evangelho e comentário
Evangelho: Lc 5, 33-39
33
Disseram-lhe eles: «Os discípulos de João jejuam frequentemente e recitam
orações; o mesmo fazem também os dos fariseus. Os teus, porém, comem e bebem!»
34 Jesus respondeu-lhes: «Podeis vós fazer jejuar os companheiros do esposo,
enquanto o esposo está com eles? 35 Virão dias em que o Esposo lhes será
tirado; então, nesses dias, hão-de jejuar.» 36 Disse-lhes também esta parábola:
«Ninguém recorta um bocado de roupa nova para o deitar em roupa velha; aliás,
irá estragar-se a roupa nova, e também à roupa velha não se ajustará bem o
remendo que vem da nova. 37 E ninguém deita vinho novo em odres velhos; se o
fizer, o vinho novo rompe os odres e derrama-se, e os odres ficarão perdidos.
38 Mas deve deitar-se vinho novo em odres novos. 39E ninguém, depois de ter
bebido o velho, quer do novo, pois diz: ‘o velho é que é bom!’»
Comentário:
Uma
aparente contradição?
Não
me parece.
Quem
não quer beber o vinho novo porque o “velho é que é bom” não está disposto a
mudar de vida, mantém-se fechado às insinuações do Espírito, conforma-se com o
que tem, acomoda-se com o que faz.
É
o aburguesamento, o estado terrível dos que se consideram muito bem naquilo que
fazem e sabem e se recusam a tentar fazer outra coisa melhor e a saber mais
detalhadamente as verdades da Fé.
É
o comodismo dos que não querem “incomodar-se” com novos desafios, ou outras
hipóteses de vida: mudar o quê e para quê?
Cumprem
os “mínimos” vão á Missa ao Domingo, procurando uma que seja breve e pouco
exigente, rezam “alguma coisa” só porque, enfim, não custa muito e sempre é
melhor prevenir…
São
os que, nas aflições que a vida traz, pedem, às vezes com fervor, mas,
raramente se lembram de dar graças por tantos benefícios que o Senhor dá, nomeadamente,
o dom da vida.
(AMA,
comentário sobre Lc 5, 33-39, 2009.05.04)
Aqui estou, porque me chamaste
Chegou
para nós um dia de salvação, de eternidade. Uma vez mais se ouvem os assobios
do Pastor Divino, as suas palavras carinhosas: "Vocavi te nomine tuo". – Chamei-te pelo teu nome. Como a nossa
mãe, Ele convida-nos pelo nome. Mais: pelo apelativo carinhoso, familiar. Lá,
na intimidade da alma, chama, e é preciso responder: "Ecce ego, quia vocasti me". Aqui estou, porque me chamaste;
decidido a que desta vez não passe o tempo como a água sobre os seixos rolados,
sem deixar rasto. (Forja, 7)
Um
dia (não quero generalizar; abre o coração ao Senhor e conta-lhe tu a história)
talvez um amigo, um cristão normal e corrente como tu, te tenha feito descobrir
um panorama profundo e novo e ao mesmo tempo tão antigo como o Evangelho.
Sugeriu-te a possibilidade de te empenhares seriamente em seguir Cristo, em ser
apóstolo de apóstolos. Talvez tenhas perdido então a tranquilidade e não a
terás recuperado, convertida em paz, até que, livremente, "porque muito
bem te apeteceu" – que é a razão mais sobrenatural – respondeste a Deus
que sim. E veio a alegria, vigorosa, constante, que só desaparece quando te
afastas d'Ele.
Não
me agrada falar de escolhidos nem de privilegiados. Mas é Cristo quem fala
disso, quem escolhe. É a linguagem da escritura: elegit nos in ipso ante mundi constitutionem – diz S. Paulo – ut essemus sancti, escolheu-nos antes da
criação do mundo para sermos santos. Eu sei que isto não te enche de orgulho,
nem contribui para que te consideres superior aos outros homens. Essa escolha,
raiz do teu chamamento, deve ser a base da tua humildade. Costuma levantar-se
porventura algum monumento aos pincéis dum grande pintor? Serviram para fazer
obras-primas mas o mérito é do artista. Nós – os cristãos – somos apenas
instrumentos do Criador do mundo, do Redentor de todos os homens.
Leitura espiritual
São Josemaria Escrivá
Cristo que passa
46
A fé e a vocação de
cristãos afectam toda a nossa existência e não só uma parte dela.
As relações com Deus são
necessariamente relações de entrega e assumem um sentido de totalidade.
A atitude de um homem de
fé é olhar para a vida, em todas as suas dimensões, com uma perspectiva nova: a
que nos é dada por Deus.
Vós, que hoje celebrais
comigo esta festa de S. José, sois todos homens dedicados ao trabalho em
diversas profissões humanas, formais diversos lares, pertenceis a diferentes
nações, raças e línguas. Adquiristes formação em centros de ensino, em oficinas
ou escritórios, tendes exercido durante anos a vossa profissão, estabelecestes
relações profissionais e pessoais com os vossos companheiros, participastes na
solução dos problemas colectivos das vossas empresas e da sociedade.
Pois bem: recordo-vos,
mais uma vez, que nada disso é alheio aos planos divinos.
A vossa vocação humana é
uma parte, e parte importante, da vossa vocação divina.
Esta é a razão pela qual
vos haveis de santificar, contribuindo ao mesmo tempo para a santificação dos
outros, vossos iguais, precisamente santificando o vosso trabalho e o vosso
ambiente: a profissão ou ofício que enche os vossos dias, que dá fisionomia
peculiar à vossa personalidade humana, que é a vossa maneira de estar no mundo:
o vosso lar, a vossa família; e a nação em que nascestes e que amais.
47
O trabalho acompanha
necessariamente a vida do homem sobre a terra.
Com ele nascem o esforço,
a fadiga, o cansaço, as manifestações de dor e de luta que fazem parte da nossa
existência humana actual e que são sinais da realidade do pecado e da
necessidade da redenção. Mas o trabalho, em si mesmo, não é uma pena nem uma
maldição ou castigo: os que assim falam não leram bem a Sagrada Escritura.
É a hora de nós, os
cristãos, dizermos bem alto que o trabalho é um dom de Deus e que não tem
nenhum sentido dividir os homens em diversas categorias segundo os tipos de
trabalho, considerando umas tarefas mais nobres do que outras.
O trabalho, todo o
trabalho, é testemunho da dignidade do homem, do seu domínio sobre a criação.
É um meio de
desenvolvimento da personalidade.
É um vínculo de união com
os outros seres; fonte de recursos para sustentar a família; meio de contribuir
para o melhoramento da sociedade em que se vive e para o progresso de toda a
Humanidade.
Para um cristão, essas
perspectivas alargam-se e ampliam-se, porque o trabalho aparece como
participação na obra criadora de Deus que, ao criar o homem, o abençoou
dizendo-lhe: Procriai e multiplicai-vos e enchei a terra e subjugai-a, e
dominai sobre todo o animal que se mova à superfície da terra.
Além disso, ao ser
assumido por Cristo, o trabalho apresenta-se-nos como uma realidade redimida e
redentora: é, não só o âmbito em que o homem vive, mas também meio e caminho de
santidade, realidade santificável e santificadora.
48
Convém não esquecer,
portanto, que esta dignidade do trabalho está fundamentada no Amor.
O grande privilégio do
homem é poder amar, transcendendo assim o efémero e o transitório.
O homem pode amar as
outras criaturas, dizer um tu e um eu cheios de sentido.
E pode amar a Deus, que
nos abre as portas do Céu, que nos constitui membros da sua família, que nos
autoriza a falar também de tu a Tu, face a face.
Por isso, o homem não pode
limitar-se a fazer coisas, a construir objectos.
O trabalho nasce do amor,
manifesta o amor, ordena-se ao amor. Reconhecemos Deus não só no espectáculo da
Natureza, mas também na experiência do nosso próprio trabalho, do nosso
esforço.
O trabalho é, assim, acção
de graças, porque nos sabemos colocados por Deus na terra, amados por Ele,
herdeiros das suas promessas.
É justo que se nos diga:
quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a
glória de Deus.
49
O trabalho é também
apostolado, ocasião de entrega aos outros homens, para lhes revelar Cristo e
levá-los até Deus Pai, consequência da caridade que o Espírito Santo derrama
nas almas.
Entre as indicações que S.
Paulo dá aos de Éfeso sobre como deve se manifestar a mudança que representou
para eles a sua conversão, a sua vocação ao Cristianismo, encontramos esta: o
que furtava, não furte mais, mas trabalhe, ocupando-se com as suas mãos nalguma
tarefa honesta, para ter com que ajudar a quem tenha necessidade.
Os homens têm necessidade
do pão da terra que sustente as suas vidas e também do pão do Céu que ilumine e
dê calor aos seus corações.
Com o vosso próprio
trabalho, com as iniciativas que se promovam a partir dessa ocupação, nas
vossas conversas, no convívio com os outros, podeis e deveis concretizar esse
preceito apostólico.
Se trabalhamos com este
espírito, a nossa vida, no meio das limitações próprias da condição terrena,
será uma antecipação da glória do Céu, dessa comunidade com Deus e com os
santos, na qual só reinará o amor, a entrega, a fidelidade, a amizade, a
alegria.
Na vossa ocupação
profissional, corrente e ordinária, encontrareis a matéria - real, consciente,
valiosa - para realizar toda a vida cristã, para corresponder à graça que nos
vem de Cristo.
Nas vossa ocupações
profissionais, realizadas face a Deus, pôr-se-ão em jogo a Fé, a Esperança e a
Caridade. Os incidentes, as relações e os problemas que o vosso trabalho traz
consigo alimentarão a vossa oração.
O esforço por cumprirdes
os vossos deveres correntes será o modo de viverdes a Cruz, que é essencial
para o Cristão.
A experiência da vossa
debilidade e os fracassos que existem sempre em todo o esforço humano
dar-vos-ão mais realismo, mais humildade, mais compreensão com os outros.
Os êxitos e as alegrias
convidar-vos-ão a dar graças e a pensar que não viveis para vós mesmos, mas
para o serviço dos outros e de Deus.
50
Para servir, servir
Para viver assim, para santificar
a profissão, é necessário, primeiro que tudo, trabalhar bem, com seriedade
humana e sobrenatural. Quero recordar-vos agora, por contraste, o que conta um
dos antigos relatos dos evangelhos apócrifos: O Pai de Jesus, que era
carpinteiro, fazia arados e jugos.
Uma vez - continua a
narração - foi-lhe encomendada uma cama, por certa pessoa de boa posição. Mas
aconteceu que um dos varais era mais curto que o outro, pelo que José não sabia
o que fazer.
Então o Menino Jesus disse
ao seu Pai: põe os dois paus no chão e acerta-os por uma extremidade.
Assim fez José. Jesus
põe-se do outro lado, pegou no varal mais curto e esticou-o, deixando-o tão
comprido como o outro.
José, seu Pai, ficou cheio
de admiração ao ver o prodígio e encheu o Menino de abraços e beijos dizendo:
ditoso de mim, porque Deus me deu este Menino
José, não daria graças a
Deus por estes motivos; o seu trabalho não podia ser assim. S. José não é o
homem das soluções fáceis e milagreiras, mas o homem da perseverança, do
esforço e, quando é necessário, do engenho.
O cristão sabe que Deus
faz milagres; que os realizou há séculos, que continuou a fazê-los depois e que
continua a fazê-los agora, porque non est abbreviata manus Domini, não diminuiu
o poder de Deus.
Mas os milagres são uma
manifestação da omnipotência salvadora de Deus, e não um expediente para
resolver as consequências da inépcia ou para facilitar o nosso comodismo.
O milagre que o Senhor vos
pede é a perseverança na nossa vocação cristã e divina, a santificação do
trabalho de cada dia: o milagre de converter a prosa diária em decassílabos, em
verso heróico, pelo amor com que realizais a vossa ocupação habitual.
Aí vos espera Deus para
que sejais almas com sentido de responsabilidade, com zelo apostólico, com
competência profissional.
Assim, como lema para o
vosso trabalho, posso indicar-vos este: para servir, servir.
Porque para fazer as
coisas, é necessário, em primeiro lugar, saber concluí-las.
Não acredito na rectidão
da intenção de quem não se esforça por conseguir a competência necessária para
cumprir bem os trabalhos de que está encarregado.
Não basta querer fazer o
bem; é preciso saber fazê-lo.
E, se queremos realmente,
esse desejo traduzir-se-á no empenho por utilizar os meios adequados para fazer
as coisas bem acabadas, com perfeição humana.
(Continua)
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