24/02/2018

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTà

TEMA 11 Ressurreição, Ascensão e Segunda vinda de Jesus Cristo

A Ressurreição de Cristo é verdade fundamental da nossa fé, como diz São Paulo [i]. Com este facto, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e pô-la à disposição dos homens.
 
1. Cristo foi sepultado e desceu aos infernos.

Depois de padecer e morrer, o corpo de Cristo foi sepultado num sepulcro novo, não longe do lugar onde o tinham crucificado.
A sua alma, pelo contrário, desceu aos infernos. A sepultura de Cristo atesta que morreu verdadeiramente.
Deus dispôs que Cristo sofresse o estado de morte, quer dizer, de separação entre a alma e o corpo [ii].
Durante o tempo que Cristo permaneceu no sepulcro, quer a alma quer o corpo, separados entre si por causa da morte, continuaram unidos à sua Pessoa divina [iii].
Porque continuava a pertencer à Pessoa divina, o corpo morto de Cristo não sofreu a corrupção do sepulcro [iv].
A alma de Cristo desceu aos infernos. «Os “infernos” (não confundir com o inferno da condenação), ou mansão dos mortos, designam o estado de todos aqueles que, justos ou maus, morreram antes de Cristo» [v].
Os justos encontravam-se num estado de felicidade (diz-se que repousavam no “seio de Abraão”) embora não gozassem ainda da visão de Deus.
Dizendo que Jesus desceu aos infernos, entendemos a sua presença no “seio de Abraão” para abrir as portas do Céu aos justos que O tinham precedido.
«Com a alma unida à sua Pessoa divina, Jesus alcançou, nos infernos, os justos que esperavam o Redentor, para acederem finalmente à visão de Deus» [vi].
Com a descida aos infernos, Cristo mostrou o seu domínio sobre o demónio e sobre a morte, libertando as almas santas que estavam retidas para as levar à glória eterna.
Deste modo, a Redenção – que devia abranger os homens de todos os tempos – aplicou-se aos que tinham precedido Cristo [vii].

2. Sentido geral da glorificação de Cristo

A glorificação de Cristo consiste na sua Ressurreição e Exaltação nos céus, onde Cristo está sentado à direita do Pai.
O sentido geral da glorificação de Cristo está na relação com a sua morte na Cruz.
Como pela paixão e morte de Cristo, Deus eliminou o pecado e reconciliou o mundo consigo, de modo idêntico, pela ressurreição de Cristo, Deus inaugurou a vida do mundo futuro e pô-la à disposição dos homens.
Os benefícios da salvação não derivam apenas da Cruz, mas também da Ressurreição de Cristo.
Esses frutos aplicam-se aos homens pela mediação da Igreja e pelos sacramentos. Concretamente, pelo Baptismo recebemos o perdão dos pecados (do pecado original e dos pessoais) e o homem reveste-se, pela graça, com a nova vida do Ressuscitado.

3. A Ressurreição de Jesus Cristo

“Ao terceiro dia” (da sua morte), Jesus ressuscitou para uma vida nova. A sua alma e o seu corpo, plenamente transfigurados com a glória da sua Pessoa divina, voltaram a unir-se.
A alma assumiu de novo o corpo e a glória da alma comunicou-se na totalidade ao corpo.
Por este motivo, «a Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena.
O Seu corpo ressuscitado é Aquele que foi crucificado, e apresenta os vestígios da Sua Paixão, mas é doravante participante da vida divina, com as propriedades dum corpo glorioso» [viii].
A Ressurreição do Senhor é o fundamento da nossa fé, posto que atesta de modo incontestável que Deus interveio na história humana para salvar os homens.
É garantia da veracidade do que prega a Igreja sobre Deus, sobre a divindade de Cristo e a salvação dos homens. Pelo contrário, como diz São Paulo, «se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé» [ix].

Os Apóstolos não puderam enganar-se ou inventar a Ressurreição.
Em primeiro lugar, se o sepulcro de Cristo não tivesse estado vazio não teriam podido falar da ressurreição de Jesus; além disso, se o Senhor não lhes tivesse aparecido em várias ocasiões e a numerosos grupos de pessoas, homens e mulheres, muitos discípulos de Cristo não a tinham podido aceitar, como sucedeu inicialmente com o apóstolo S. Tomé.

Muito menos eles teriam podido dar a vida por uma mentira.
Como diz São Paulo:
«E se Cristo não ressuscitou (...) somos assim considerados falsas testemunhas de Deus, porque demos testemunho contra Deus dizendo que ressuscitou Cristo, a Quem não ressuscitou» [x].

E, quando as autoridades judaicas queriam silenciar a pregação do evangelho, São Pedro respondeu:
«Deve-se obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a Quem vós matastes suspendendo-O num madeiro. (...) Nós somos testemunhas destas coisas» [xi].

«Embora seja um acontecimento histórico, constatável e atestado através dos sinais e testemunhos, a Ressurreição, enquanto entrada da humanidade de Cristo na glória de Deus, transcende e supera a história, como mistério da fé» [xii].
Por este motivo Jesus ressuscitado, embora possuindo uma verdadeira identidade físico-corpórea, não está submetido às leis físicas terrenas e sujeita-se a elas apenas enquanto o deseja:
«Jesus ressuscitado é soberanamente livre de aparecer aos seus discípulos como Ele quer, onde Ele quer e sob aspectos diversos» [xiii].

A Ressurreição de Cristo é um mistério de salvação.

Mostra a bondade e o amor de Deus que recompensa a humilhação do seu Filho e emprega a sua omnipotência para encher os homens de vida. Jesus ressuscitado possui, na sua humanidade, a plenitude de vida divina para a comunicar aos homens.
«O Ressuscitado, vencedor do pecado e da morte, é o princípio da nossa justificação e da nossa ressurreição: a partir de agora, Ele garante-nos a graça da adopção filial que é participação real da sua vida de Filho unigénito; depois, no final dos tempos, Ele ressuscitará o nosso corpo» [xiv].
Cristo é o primogénito entre os mortos e todos ressuscitaremos por Ele e n’Ele.
Da Ressurreição de Nosso Senhor, devemos retirar para nós:
a) Fé viva:
«Aviva a tua fé. - Cristo não é uma figura que passou. Não é uma recordação que se perde na História. Vive! “Jesus Christus heri et hodie: ipse et in saecula!” – diz São Paulo – Jesus Cristo ontem e hoje e sempre!» [xv];

b) Esperança: «Nunca desesperes.
Morto e corrompido estava Lázaro: “iam foetet, quatriduanus est enim”: já fede, porque há quatro dias que está enterrado, diz Marta a Jesus.
Se ouvires a inspiração de Deus e a seguires (“Lazare, veni foras!”: Lázaro, vem para fora!), voltarás à Vida» [xvi];

c) Desejo de que a graça e a caridade nos transformem, levando-nos a viver vida sobrenatural, que é a vida de Cristo: procurando ser realmente santos [xvii].
Desejo de limpar os nossos pecados no sacramento da Penitência, que nos faz ressuscitar para a vida sobrenatural – se a tivéssemos perdido pelo pecado mortal – e recomeçar de novo: nunc coepi [xviii].

(cont)

ANTONIO DUCAY

Notas:




[i] cf. 1 Cor 15, 13-14
[ii] cf. Catecismo, 624
[iii] cf. Catecismo, 626
[iv] cf. Catecismo, 627; Act 13, 37
[v] Compêndio, 125
[vi] Compêndio, 125
[vii] cf. Catecismo, 634
[viii] Compêndio, 129
[ix] 1 Cor 15, 17
[x] 1 Cor 15, 14.15
[xi] Act 5, 29-30.32
[xii] Compêndio, 128
[xiii] Compêndio, 129
[xiv] Compêndio, 131
[xv] São Josemaria, Caminho, 584.
[xvi] Ibidem, 719.
[xvii] cf. Cl 3, 1 e seg
[xviii] Sl 76, 11

Hoy el reto del amor es dejarse empapar.

¡SORPRESA! 



El otro día me dejaron sola en la cocina. Me encanta... pero soy un peligro: en cuanto me sobran dos minutos, ¡me salgo del menú! Y esta vez, no fue diferente.


-¡Decidido! ¡Voy a sorprenderlas con un flan! 


Sartenes, cacerolas... y el flan. A punto estaba de pedir el don de la bilocación al Señor... Llegó el momento estrella. Abrí la olla express y me encontré... unas natillas metidas en la flanera. ¡No había cuajado! 


Dos cocciones más y, aunque todavía no era la consistencia perfecta, decidí desmoldarlo. Como quien da la vuelta a una tortilla, cogí un plato y di la vuelta al flan. Inmediatamente quedé transformada en una simpática fuente de estilo barroco: con el plato en alto, y agua derramándose por todas partes. ¿¿Cómo podía caber tanto en esa flanera??


Lo que pude reírme con el Señor... Es verdad que, a veces, las sorpresas no nos salen como nos gustaría: algún detalle que falta, alguna cosita que se estropea... Pero hay algo que no debe faltar nunca. Una sorpresa... siempre debe ir rebosante de amor, ¡tanto como mi flan rebosaba de agua! 


La receta decía que había que echar medio vaso de agua para cocer... ¡y yo eché dos jarras! Pues así le pasa a Cristo. Él tampoco controla mucho eso de las medidas. Cuando se trata de echar amor, ¡se vuelca por completo hasta inundarlo todo! Él no se ha reservado nada. Antes de que hicieras o dijeras nada, Él entregó hasta la última gota de su sangre por ti, sólo para mostrarte que te ama, que eres precioso a sus ojos. 


Hoy el reto del amor es dejarse empapar. Sí, pequeño flan, hoy te invito a entrar en la olla express que es la oración. Te invito a quedarte a solas un rato con el Agua Viva, dejar que te llene por completo. Pon en sus manos los proyectos de este día, pregúntale cómo realizarlos, preséntale a las personas con las que te encontrarás... Tal vez te parezca que la cocción es lenta pero, en cuanto salgas, ¡rebosarás de Su amor! ¿Preparado? Hoy sorprende a alguien, querido flan, endulza el día a la persona que el Señor te ponga en el corazón. ¡Feliz día! 



VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





23/02/2018

Nunca actueis por medo ou por rotina

Atravessas uma etapa crítica: um certo vago temor; dificuldade em adaptares o plano de vida; um trabalho angustiante, porque não te chegam as vinte e quatro horas do dia para cumprir todas as tuas obrigações... Já experimentaste seguir o conselho do Apóstolo: "Faça-se tudo com decoro e com ordem", quer dizer, na presença de Deus, com Ele, por Ele e só para Ele? (Sulco 512)

E como é que vou conseguir – parece que me perguntas – actuar sempre com esse espírito, que me leve a concluir com perfeição o meu trabalho profissional? A resposta não é minha. Vem de S. Paulo: Trabalhai varonilmente, sede fortes. Que tudo, entre vós, se realize na caridade. Fazei tudo por Amor e livremente. Nunca actueis por medo ou por rotina: servi ao Nosso Pai Deus.

Gosto muito de repetir – porque tenho experimentado bem a sua mensagem – aqueles versos pouco artísticos, mas muito gráficos: Minha vida é toda amor / Se em amor sou entendido, / Foi pela força da dor, / Pois ninguém ama melhor / Que quem muito haja sofrido.

Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor. Faz tudo por Amor – insisto – e comprovarás as maravilhas que produz o teu trabalho, precisamente porque amas, embora tenhas de saborear a amargura da incompreensão, da injustiça, da ingratidão e até do próprio fracasso humano. Frutos saborosos, sementes de eternidade!


Acontece, porém, que algumas pessoas – são boas, bondosas – afirmam por palavras que aspiram a difundir o formoso ideal da nossa fé, mas se contentam na prática com uma conduta profissional superficial e descuidada, própria de cabeças-no-ar. Se nos encontrarmos com alguns destes cristãos de fachada, temos de ajudá-los com carinho e com clareza e recorrer, quando for necessário, a esse remédio evangélico da correcção fraterna: Irmãos, se porventura alguém for surpreendido nalguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e tu, acautela-te a ti mesmo, não venhas também a cair na tentação. Levai os fardos uns dos outros e desse modo cumprireis a lei de Cristo. (Amigos de Deus, nn. 68–69)

Temas para reflectir e meditar

Frutos da meditação


A meditação considera minuciosamente, um a um, os objectos mais próprios a comover-nos, mas a contemplação lança um olhar simples e concentrado no objecto que ama; a consideração assim concentrada, produz um movimento mais vivo e forte.
Pode-se apreciar a beleza de uma rica coroa de duas formas: ou analisando um por um, todos os florões e pedras preciosas de que é composta, ou então, depois de examinar deste modo cada uma das peças, observando com um simples olhar o efeito brilhante do conjunto.
Na meditação parece que examinamos em separado as perfeições divinas que resultam dum mistério; na contemplação juntamo-las num total.

S. Francisco de Sales Tratado do Amor de Deus Livro VI Cap. V


Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Mt 5, 20-26

20 Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.» 21 «Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás. Aquele que matar terá de responder em juízo. 22 Eu, porém, digo-vos: Quem se irritar contra o seu irmão será réu perante o tribunal; quem lhe chamar ‘imbecil’ será réu diante do Conselho; e quem lhe chamar ‘louco’ será réu da Geena do fogo. 23 Se fores, portanto, apresentar uma oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 deixa lá a tua oferta diante do altar, e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão; depois, volta para apresentar a tua oferta. 25 Com o teu adversário mostra-te conciliador, enquanto caminhardes juntos, para não acontecer que ele te entregue ao juiz e este à guarda e te mandem para a prisão. 26 Em verdade te digo: Não sairás de lá até que pagues o último centavo.»

Comentários:

Este trecho do Evangelho pode considerar-se um autêntico e definitivo aviso de Jesus Cristo sobre o comportamento de qualquer ser humano.

Não há meias palavras nem tergiversações, mas tão só afirmações muito concretas e reais sobre o procedimento a ter como norma de vida.

Pagar o que se deve, ter atenção ao próximo e ás suas necessidades, viver, em suma, com inteireza e verdade nos actos como nas acções concretas.

Estas é que tem valor não as intenções nem os desejos.

Como posso estar "bem" com Deus quando estou "mal" com o meu próximo?

Acaso o Senhor poderia aceitar tal coisa?



(AMA, comentário sobre MT 5, 20-26, Carvide, 09.06.2016)

Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTà

TEMA 10 A Paixão e Morte na Cruz

4. Sacrifício e Redenção

Jesus morreu pelos nossos pecados (cfr. Rm 4, 25) para nos livrar deles e nos resgatar da escravidão que o pecado introduz na vida humana.
 A Sagrada Escritura diz que a paixão e morte de Cristo é:
a) sacrifício de aliança,
b) sacrifício de expiação,
c) sacrifício de propiciação e de reparação pelos pecados,
d) acto de redenção e libertação dos homens.

a)   Jesus, oferecendo a sua vida a Deus na Cruz, instituiu a Nova Aliança, quer dizer, a nova forma de união de Deus com os homens que tinha sido profetizada por Isaías [i], Jeremias [ii] e Ezequiel [iii].

O novo Pacto é a aliança selada no corpo de Cristo entregue e no seu sangue derramado por nós [iv].

b)   O sacrifício de Cristo na Cruz tem um valor de expiação, quer dizer, de limpeza e purificação do pecado [v].

c) A Cruz é sacrifício de propiciação e de reparação pelo pecado [vi].
Cristo manifestou ao Pai o amor e a obediência que os homens Lhe tínhamos negado com os nossos pecados.
A sua entrega fez justiça e satisfez o amor paterno de Deus, que tínhamos recusado desde a origem da história.

d) A Cruz de Cristo é acto de redenção e de libertação do homem.
Jesus pagou a nossa liberdade com o preço do seu sangue, quer dizer, dos seus sofrimentos e da sua morte [vii].
Mereceu com a sua entrega a nossa salvação para nos incorporar no reino dos céus:
«Ele livrou-nos do poder das trevas e transferiu-nos para o Reino do Seu muito amado Filho, no Qual temos a redenção, a remissão dos pecados» [viii].

5. Os efeitos da Cruz

Principal efeito da Cruz é eliminar o pecado e tudo o que se opõe à união do homem com Deus.

A Cruz, além de eliminar os pecados, livra-nos também do diabo, que dirige ocultamente a trama do pecado e da morte eterna.
O diabo nada pode contra quem está unido a Cristo [ix] e a morte deixa de ser separação eterna de Deus e fica apenas como porta de acesso ao último destino [x].
Removidos todos estes obstáculos, a Cruz abre a via da salvação para a humanidade, a possibilidade universal da graça.
Juntamente com a Ressurreição e a gloriosa Exaltação, a Cruz é causa da justificação do homem, quer dizer, não só da eliminação do pecado e dos outros obstáculos, mas também da infusão da vida nova (a graça de Cristo que santifica a alma).
Cada sacramento é um modo diverso de participar na Páscoa de Cristo e de se apropriar da salvação que dela provém. Concretamente, o Baptismo livra-nos da morte introduzida pelo pecado original e permite-nos viver a vida nova do Ressuscitado.
Jesus é a causa única e universal da salvação humana, o único mediador entre Deus e os homens.
Toda a graça de salvação dada aos homens provém da sua vida e, em particular, do seu mistério pascal.

6. Corredimir com Cristo

Como acabamos de dizer, a Redenção operada por Cristo na Cruz é universal, estende-se a todo o género humano.
Mas é preciso que chegue a aplicar-se a cada um o fruto e os méritos da Paixão e Morte de Cristo, principalmente por meio da fé e dos Sacramentos
Nosso Senhor Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens [xi].
Mas Deus Pai quis que fôssemos, não só redimidos, mas também co-redentores [xii].
Chama-nos a tomar a sua Cruz e a segui-Lo [xiii], porque Ele «sofreu por nós deixando-nos exemplo para que sigamos as Suas pegadas» [xiv].

São Paulo escreve:
a) «Estou pregado com Cristo na Cruz; vivo, mas já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» [xv]: para alcançar a identificação com Cristo há que abraçar a Cruz;
b) «Completo na minha carne o que falta à Paixão de Cristo, pelo seu Corpo que é a Igreja» [xvi]: podemos ser co-redentores com Cristo.
Deus não nos quis livrar de todas as adversidades desta vida, para que, aceitando-as, nos identifiquemos com Cristo, mereçamos a vida eterna e cooperemos na tarefa de levar aos outros os frutos da Redenção.
A doença e a dor, oferecidas a Deus em união com Cristo, obtêm grande valor redentor, como também a mortificação corporal praticada com o mesmo espírito com que Cristo padeceu, livre e voluntariamente, na sua Paixão por amor a fim de nos redimir expiando pelos nossos pecados.

Na Cruz, Jesus Cristo dá-nos exemplo de todas as virtudes:
a) de caridade: «não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos» [xvii];
b) de obediência: fez-se «obediente até à morte, e morte de Cruz» [xviii];
c) de humildade, mansidão, paciência: suportou os sofrimentos sem os evitar nem os suavizar, como manso cordeiro [xix];
d) de desprendimento das coisas terrenas:
o Rei dos Reis e Senhor dos que dominam aparece na Cruz nu, zombado, cuspido, açoitado e coroado de espinhos, tudo por Amor.
O Senhor quis associar a sua Mãe, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do Seu sofrimento redentor [xx].

Nossa Senhora ensina-nos a estar junto da Cruz do seu Filho [xxi].

ANTONIO DUCAY

Bibliografia básica
- Catecismo da Igreja Católica, 599-618. - Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 112-124.- S. João Paulo II, O Valor redentor da Paixão de Cristo, Catequese: 7-IX-1988, 28-IX1988, 5-X-1988, 19-X-1988, 26-X-1988. - S. João Paulo II, A Morte de Cristo: o seu carácter redentor, Catequese: 14-XII-88, 11I-89.
Leituras recomendadas
- São Josemaria, Homilia «A morte de Cristo vida do cristão», em Cristo que Passa, 95101. - Diccionario de Teología, C. Izquierdo et al. (ed.), vozes:Jesucristo (IV) e Cruz, Eunsa, Pamplona 2006.

Notas




[i] cfr. Is 42, 6
[ii] cfr. Jr 31, 31-33
[iii] cfr. Ez 37, 26
[iv] cfr. Mt 26, 27-28
[v] cfr. Rm 3, 25; Hb 1, 3; 1 Jn 2, 2; 4, 10
[vi] cfr. Rm 3, 25; Hb 1, 3; 1 Jn 2, 2; 4, 10
[vii] cfr. 1 Pe 1, 18
[viii] Cl 1, 13-14
[ix] cfr. Rm 8, 31-39
[x] cfr. 1 Co 15, 55-56
[xi] cfr. 1 Tm 2, 5
[xii] cfr. Catecismo, 618
[xiii] cfr. Mt 16, 24
[xiv] 1 Pe 2, 21
[xv] Gl 2, 20
[xvi] Cl 1, 24
[xvii] cfr. Jn 15, 13
[xviii] Fl 2, 8
[xix] cfr. Jr 11, 19
[xx] cfr. Lc 2, 35; Catecismo, 618
[xxi] Cfr. São Josemaria, Caminho, 508.

Devoción a la Virgen


Francisco honró mañana y tarde a la Inmaculada Concepción y le pidió que nos libre de «los virus de nuestro tiempo»

Doutrina – 404

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

182. Qual é a missão do Papa?


O Papa, Bispo de Roma e Sucessor de S. Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da Igreja.

É o vigário de Cristo, cabeça do colégio dos Bispos e pastor de toda a Igreja, sobre a qual, por instituição divina, tem poder, pleno, supremo, imediato e universal.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?