29/12/2017

Tudo pode e deve levar-nos a Deus

É urgente difundir a luz da doutrina de Cristo. Entesoura formação, enche-te de clareza de ideias, de plenitude da mensagem cristã, para poder depois transmiti-la aos outros. Não esperes umas iluminações de Deus, que não tem porque dá-las, já que dispões de meios humanos concretos: o estudo, o trabalho. (Forja, 841)


O cristão precisa de ter fome de saber. Desde o estudo dos saberes mais abstractos até à habilidade do artesão, tudo pode e deve conduzir a Deus. Efectivamente não há tarefa humana que não seja santificável, motivo para a nossa própria santificação e oportunidade para colaborar com Deus na santificação dos que nos rodeiam. A luz dos seguidores de Jesus Cristo não deve estar no fundo do vale, mas no cume da montanha para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus.

Trabalhar assim é oração. Estudar assim é oração. Investigar assim é oração. Nunca saímos afinal do mesmo: tudo é oração, tudo pode e deve levar-nos a Deus, alimentar a nossa intimidade contínua com Ele, da manhã à noite. Todo o trabalho honrado pode ser oração e todo o trabalho que é oração é apostolado. Deste modo, a alma fortalece-se numa unidade de vida simples e forte.


Vimos a realidade da vocação cristã, ou seja, como o Senhor confiou em nós para levar as almas à santidade, para as aproximar d'Ele, para as unir à Igreja e estender o reino de Deus a todos os corações. O Senhor quer-nos entregues, fiéis, dedicados, com amor. Quer-nos santos, muito seus. (Cristo que passa, nn. 10–11)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 217



Maria é tão silenciosa que os evangelistas pouco falam da Mãe de Deus.

Ela foi absorvida pela contemplação, a adoração e a oração.

Esconde-se no seu Filho, não existe a não ser pelo Filho.

Ela desaparece no seu Filho.



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo de Natal


Evangelho: Lc 2, 22-35

22 Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, 23 conforme está escrito na Lei do Senhor: «Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor» 24 e para oferecerem em sacrifício, como se diz na Lei do Senhor, duas rolas ou duas pombas. 25 Ora, vivia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso e esperava a consolação de Israel. O Espírito Santo estava nele. 26 Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor. 27  Impelido pelo Espírito, veio ao templo, quando os pais trouxeram o menino Jesus, a fim de cumprirem o que ordenava a Lei a seu respeito. 28 Simeão tomou-o nos braços e bendisse a Deus, dizendo: 29 «Agora, Senhor, segundo a tua palavra, deixarás ir em paz o teu servo, 30 porque meus olhos viram a Salvação 31 que ofereceste a todos os povos, 32 Luz para se revelar às nações e glória de Israel, teu povo.» 33 Seu pai e sua mãe estavam admirados com o que se dizia dele. 34 Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; 35 uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.»

Comentário:

Na simplicidade e na alegria do momento – simplicidade porque a Família não “dá nas vistas” procedendo como qualquer outra, alegria devido ao cumprimento da Lei – quando se cumpre a alegria é inerente – “nuvens negras” aparecem no horizonte.

«uma espada trespassará a tua alma» revela Simeão à Santíssima Virgem.

O seu jovem coração de Mãe deve ter estremecido e os seus braços, apertado com mais força o Menino junto ao seu peito.

Que “estranha” forma de Deus provar os que mais ama!

Á Mãe do Seu Filho nada lhe será poupado e desde o primeiro momento aparece a espada – símbolo da perseguição, da violência, do sofrimento – como que um sinal de uma vida atribulada.

Mas ela compreenderá muito bem sobretudo quando o próprio Filho declarar que veio ao mundo trazer a espada e que o Reino dos Céus se conquista com violência.

Recorda muito bem as palavras do Arcanjo São Gabriel, gravadas no seu coração para sempre.

Sabe, tem a certeza absoluta, que a Vontade de Deus se cumprirá até ao fim dos tempos.

(ama, comentário sobre Lc 2, 22-35, 12.10.2016)







Leitura espiritual

MARIA, A MÃE DE JESUS 6


DIMENSÕES DA MATERNIDADE DE MARIA

Tem-se afirmado com muita frequência que o Evangelho mariano por excelência é o de São Lucas. Nele, com efeito, encontramos a maior parte das informações que possuímos sobre a infância e a vida oculta de Cristo. No entanto, parece que não falta razão aos que, sem diminuírem em nada o valor ímpar das passagens marianas de São Lucas, pensam que é o Evangelho de São João que penetra com maior profundidade no mistério de Maria. No Evangelho de João, não encontramos nenhuma referência – a não ser muito indireta – às primeiras etapas da vida de Cristo. Após elevar-se, no prólogo, até às alturas da contemplação do mistério de Deus feito homem, João passa logo em seguida a narrar episódios da vida pública do Senhor. Que nos diz acerca de Maria? Se prestarmos atenção, perceberemos que as contadas referências que João faz à Virgem Santíssima não são, primordialmente, narrações de passagens da “vida de Maria”. João focaliza Maria apenas em alguns momentos de grande significação em que Ela está presente na missão de Jesus. Descreve esses momentos – esses fatos – no estilo sóbrio e objetivo que caracteriza todos os Evangelhos, mas a sua narração, sem dúvida alguma, vai além dos fatos: capta e transmite-nos uma “mensagem”. Percebe-se, nesses textos do seu Evangelho, que João compreendeu – e quer fazer entender aos seus leitores – a importância atribuída por Deus à colaboração de Maria nas etapas mais decisivas da missão salvadora de Cristo. São aqueles três anos em que Jesus se volta – e é da maior relevância atentar para isto – de maneira direta e total para os homens necessitados de salvação: anunciando-lhes que se completou o tempo e o Reino de Deus está próximo [i], atraindo-os para a luz da Verdade e entregando-se na Cruz para o seu resgate. Duas importantes cenas marianas emolduram, como intensos pontos de luz, o começo e o final da vida pública de Cristo no Evangelho de São João: o milagre das bodas de Caná, e as palavras dirigidas por Jesus a Maria e ao discípulo amado do alto da Cruz. Antes de focalizarmos com algum vagar essas cenas, podemos adiantar que é a partir do início da vida pública que vemos desvendar-se com a maior clareza uma especial “dimensão” da maternidade de Maria. Até o fim da vida oculta, essa maternidade concentrava-se primordialmente – quase exclusivamente – no Filho, em Jesus. Mal começa a vida pública, porém, contemplamos essa maternidade alargando-se, abrindo-se para os homens que Jesus veio salvar. Vai-se revelando assim mais plenamente a maternidade espiritual de Nossa Senhora em relação a todos e cada um dos homens [ii].
As duas passagens-chave de São João, antes citadas, projetam esclarecimentos decisivos sobre esta dimensão da maternidade de Nossa Senhora.

MARIA EM CANÁ DA GALILEIA

Quando Jesus, juntamente com sua Mãe, foi convidado às bodas de Caná, era ainda muito recente a vocação dos Apóstolos. Já começavam a acompanhar o Mestre e, conforme o costume da época, foram convidados também para o casamento [iii].
A cena é conhecida. Num dado momento da ruidosa festa campesina, fica faltando vinho. Ninguém o percebe. Ninguém, a não ser Maria. Com delicada intuição, pressente que a alegria dos esposos pode ficar toldada por uma imprevidência. Maria faz “seu” o problema, assume-o com sensibilidade materna, com um interesse impregnado de coração. E não hesita em falar confiadamente a Jesus: Não têm vinho. As suas palavras não são um simples comentário preocupado, mas encerram um discreto pedido. Assim o entende Jesus, quando lhe responde: Que importa isso a mim e a ti, mulher? Ainda não chegou a minha hora. A nossa lógica bem-comportada subscreveria as palavras de Jesus. Elas têm a aparência de uma compreensível e amável censura a um pedido saído do coração, mas pouco razoável. Maria, no entanto, não as entende assim. E Ela é quem tem a sintonia mais perfeita com a alma do Filho. Por isso, não duvida em solicitar imediatamente aos que servem: Fazei tudo o que Ele vos disser. Mostra saber que será escutada, sem que para isso possa ser obstáculo a dificuldade muito ponderável mencionada por Jesus: “Não chegou a minha hora”. O atendimento de Jesus ao pedido da Mãe não demora. Sob o olhar sorridente de Maria, Cristo manda aos servidores que encham de água seis grandes recipientes de pedra. Ordena-lhes depois que tirem a água já convertida em vinho e a apresentem ao mestre-sala, que não sai do seu assombro por julgar que os donos da festa tinham deixado o bom vinho guardado até agora. A cena termina com um comentário de João: Este primeiro milagre, fê-lo Jesus em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele [iv].
Falávamos há pouco da “mensagem” encerrada no fato que se acaba de sintetizar. Ela aparece aí de maneira muito clara. É patente que Maria está ativamente presente no começo do ministério público de Cristo, e está presente de uma forma central, não marginal. Prestemos atenção: * É por intercessão dEla que Cristo adianta misteriosamente a “hora” de iniciar os seus milagres, que serão “sinais” [v] da sua divindade e testemunhos visíveis da veracidade da sua doutrina. É por intercessão dEla que este primeiro sinal faz com que os discípulos creiam em Jesus. 
Finalmente, manifesta-se nesse instante a disposição de Jesus de acolher todos os pedidos que, mesmo em coisas pouco relevantes – “não têm vinho” –, cheguem a Ele por intermédio da solicitude da Mãe, que se mostra amorosamente atenta às necessidades espirituais e materiais dos homens, seus filhos. “Maria – comenta a propósito desta cena João Paulo II – põe-se de permeio entre o seu Filho e os homens na realidade das suas privações, das suas indigências, dos seus sofrimentos. Põese de permeio, isto é, faz de mediadora, não como uma estranha, mas na sua posição de mãe, consciente de que como tal pode – ou antes, “tem o direito de” – fazer presentes ao seu Filho as necessidades dos homens (...) E não é tudo: como Mãe, deseja também que se manifeste o poder messiânico do Filho, ou seja, o seu poder salvífico que se destina a socorrer as desventuras humanas, a libertar o homem do mal que, sob diversas formas e diversas proporções, faz sentir o peso na sua vida”. Contemplando esta passagem do Evangelho, a imaginação evoca algumas das cenas mais simples da piedade popular, que por vezes escandalizam os “sábios”. Como num filme, focalizamos mentalmente os rostos enxutos, requeimados pelo sol do sertão, de um grupo de romeiros que acaba de descer do ônibus na esplanada do Santuário de Aparecida. Os devotos, entrando na basílica, cravam o olhar esperançado no retrato da Mãe, a pequenina imagem de barro escurecido. E, de cada coração, eleva-se uma súplica: pelas necessidades cotidianas, pela saúde, pela volta ao bom caminho do marido, de um filho... “Dai-nos a bênção, ó Mãe querida!” Eles sabem por dentro, têm a certeza, de que – assim como em Caná – a Virgem Santa não deixará de dizer ao Filho: “Não têm...”. E o Filho a atenderá, o Filho lhe “obedecerá”... Não é evidente a sintonia existente entre a sincera devoção popular e o Santo Evangelho? Em Caná, Cristo disse com atos, mais expressivos do que as palavras, que, na realização da sua obra salvadora em favor dos homens, deseja que ocupe um lugar de destaque a mediação maternal de sua Mãe. Não era necessário que fosse assim, mas Deus quis que assim fosse. Maria tem verdadeiramente uma função de mediação materna entre Cristo e os homens. Não é certamente uma função autônoma, nem obscurece o fato incontestável de que Jesus Cristo é o único Mediador propriamente dito entre Deus e os homens [vi]. Mas, mesmo assim, fica em pé a existência de uma autêntica mediação de Maria, subordinada mas entranhadamente unida à mediação de Cristo [vii].
A mediação de Maria está nos desígnios de Deus. Não foi imaginada pela devoção dos cristãos, em épocas mais ou menos tardias. Pelo contrário, foi sendo descoberta pela fé, cada vez com maior profundidade, como um tesouro escondido, o que é muito diferente. Bem entendia esta verdade São Bernardo, o “trovador da Virgem”, quando pregava que Maria é “o aqueduto que, recebendo a plenitude da própria fonte do coração do Pai, no-la faz acessível... Com o mais íntimo, pois, da nossa alma, com todos os afetos do nosso coração e com todos os sentimentos e desejos da nossa vontade, veneremos Maria, porque esta é a vontade daquele Senhor que quis que tudo recebêssemos por Maria” [viii].
Antes de concluirmos o comentário às bodas de Caná, detenhamo-nos por uns instantes a olhar outras riquezas dessa cena. Tem sido observado, e com razão, que nessa passagem de Caná se encontram as únicas palavras dirigidas por Maria aos homens que o Evangelho registra: “Fazei tudo o que Ele vos disser” [ix].
Aí está o sentido da mediação de Maria: levar as almas para Cristo, mover os corações dos homens a aderir à vontade de Cristo e a “fazê-la” de facto: “tudo o que Ele vos disser”. Ao mesmo tempo, aí se compreende qual é o eixo da verdadeira devoção a Nossa Senhora, e o teste da sua autenticidade. A autêntica devoção a Maria sempre conduz a Cristo. É função do amor maternal de Maria “gerar” constantemente “irmãos” de seu Filho, que se disponham a viver até às últimas consequências a verdade e a vida que Jesus lhes oferece. Por isso, a devoção a Maria Santíssima não só não afasta ou desvia as almas da união com Cristo pela fé e pelo amor – e nisso reside a essência da vida cristã –, mas a facilita sobremaneira, tornando-a mais acessível e mais suave, e também mais eficaz. “A Jesus, sempre se vai e se «volta» por Maria” [x]. “A nossa alma – diz São Luís Maria Grignion de Montfort – só encontrará Deus em Maria... Só Deus habita nela e, longe de reter uma alma para si, Ela – muito ao contrário – a impele para Deus e a une a Ele” [xi].

(cont)

FRANCISCO FAUS. [xii]




[i] Mc 1, 15
[ii] Enc. Redemptoris Mater, n. 21
[iii] cfr. Jo 2, 2
[iv] cfr. Jo 2, 1-11
[v] cfr. Jo 6, 26
[vi] cfr. I Tim 2, 5
[vii] cfr. Const. Lumen Gentium, n. 62
[viii] São Bernardo, Sermo in Nativitate B. V. Mariae; in Migne, Patrologia Latina, 183, 437, ns. 4 e 7
[ix] Jo 2, 5
[x] Josemaría Escrivá, Caminho, 6ª. ed., Quadrante, São Paulo, 1983, n. 495
[xi] Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge, Ed. Secrétariat de Marie Médiatrice, 4ª. ed., Lovaina, 1952, cap. I, art. 1
[xii] MARIA, A MÃE DE JESUS QUADRANTE, São Paulo Copyright © 1987 Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais

Doutrina – 388

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

166. Porque é que a Igreja se chama católica?



A Igreja é católica, isto é, universal, porque nela está presente Cristo: «Onde está Cristo Jesus, aí está a Igreja católica» (S. Inácio de Antioquia). Ela anuncia a totalidade e a integridade da fé; leva e administra a plenitude dos meios de salvação; é enviada em missão a todos os povos, em todos os tempos e qualquer que seja a cultura a que eles pertençam.

Perguntas e respostas

A EUTANÁSIA



5. Alguém deseja a eutanásia?



Normalmente ninguém deseja a eutanásia. 
Só se propõe em casos excepcionais, como uma doença incómoda e incurável. Por exemplo, algumas paralisias, danos neuronais, Alzheimer avançado, estados de coma, fortes depressões... 
Nestes casos, a eutanásia tão pouco é correcta, mas surgem dúvidas.

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





28/12/2017

Piedosos como meninos

– Jesus, considerando agora mesmo as minhas misérias, digo-te: Deixa-te enganar pelo teu filho, como esses pais bons, carinhosos, que põem nas mãos do seu menino a dádiva que dele querem receber..., porque sabem muito bem que as crianças nada têm. E que alvoroço o do pai e o do filho, ainda que ambos estejam no segredo! (Forja, 195)


A vida de oração e de penitência e a consideração da nossa filiação divina transformam-nos em cristãos profundamente piedosos, como meninos pequenos diante de Deus. A piedade é a virtude dos filhos e, para que o filho possa entregar-se nos braços do seu pai, há-de ser e sentir-se pequeno, necessitado. Tenho meditado com frequência na vida de infância espiritual, que não se contrapõe à fortaleza, porque requer uma vontade rija, uma maturidade bem temperada, um carácter firme e aberto.

Piedosos, portanto, como meninos; mas não ignorantes, porque cada um há-de esforçar-se, na medida das suas possibilidades, pelo estudo sério e científico da fé. E o que é isto, senão teologia? Piedade de meninos, sim, mas doutrina segura de teólogos.

O afã por adquirir esta ciência teológica – a boa e firme doutrina cristã – deve-se, em primeiro lugar, ao desejo de conhecer e amar a Deus. Simultaneamente é consequência da preocupação geral da alma fiel por alcançar a mais profunda compreensão deste mundo, que é uma realização do Criador. Com periódica monotonia, há pessoas que procuram ressuscitar uma suposta incompatibilidade entre a fé e a ciência, entre a inteligência humana e a Revelação divina. Tal incompatibilidade só pode surgir, e só na aparência, quando não se entendem os termos reais do problema.


Se o mundo saiu das mãos de Deus, se Ele criou o homem à sua imagem e semelhança e lhe deu uma chispa da sua luz, o trabalho da inteligência deve ser – embora seja um trabalho duro – desentranhar o sentido divino que naturalmente já têm todas as coisas. E, com a luz da fé, compreendemos também o seu sentido sobrenatural, que resulta da nossa elevação à ordem da graça. Não podemos admitir o medo da ciência, visto que qualquer trabalho, se é verdadeiramente científico, tende para a verdade. E Cristo disse: Ego sum veritas. Eu sou a verdade. (Cristo que passa, 10)

Temas para meditar

A força do Silêncio, 204



O silêncio da morte de Jesus transforma, purifica e pacifica o homem.

Permite-lhe estar em comunhão com os sofrimentos e a morte de Cristo, entrar plenamente na vida divina. (…)



CARDEAL ROBERT SARAH

Evangelho e comentário

Tempo de Natal

Santos Inocentes

Evangelho: Mt 2, 13-18

13 Depois de partirem, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.» 14 E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egipto, 15 permanecendo ali até à morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor anunciou pelo profeta: Do Egipto chamei o meu filho. 16 Então Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo, conforme o tempo que, diligentemente, tinha inquirido dos magos. 17 Cumpriu-se, então, o que o profeta Jeremias dissera: 18 Ouviu-se uma voz em Ramá, uma lamentação e um grande pranto: É Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque já não existem.

Comentário:

Tendo ocorrido - um facto histórico - há dois mil anos, a matança dos inocentes continua infelizmente bem presente nos dias de hoje.

Não queremos que nasça, não desejamos que venha complicar-nos a vida, de alguma forma, estas, são as razões (sem razão) mais comuns hoje em dia, feitas por gente egoísta insensível que não hesita em matar um inocente antes que veja a luz do mundo.

Tudo isto vem de uma teoria errada que um filho é um direito, uma posse, uma pessoa que nos pertence e da qual podemos dispor à vontade.

Se matar inocentes nos serve, como a Herodes, para ‘proteger’ um direito, um capricho, resolver um problema, disfarçar um medo, então qual é a diferença entre as monstruosidades e quem as pratica?

(ama, comentário sobre Mt 2, 13-18, 28.12.2012)







Reflectindo

Querer e poder


É um dito que se ouve com frequência: “querer é poder”!

Só que querer não é a mesma coisa que poder. 
Evidentemente enquanto um é um sentimento o outro é uma expressão da vontade

Por isso se pode dizer: posso, mas não quero ou, claro está, o inverso.


O que o aforismo significa é que uma vontade forte ajuda a capacidade de actuar e a determinação para atingir um fim, um objectivo.



(AMA, reflexões, 01.08.2017)

Leitura espiritual

MARIA, A MÃE DE JESUS 5


A MÃE DO REDENTOR

Considerávamos nas páginas anteriores o facto da maternidade divina de Maria: Ela é verdadeira Mãe de Deus.
Agora vamos dar mais um passo, adentrando no mistério dessa maternidade e procurando ver o seu alcance, as suas dimensões.
Vimos que Maria não foi meramente receptora passiva das graças e dons de Deus. Foi “chamada” por Deus para ser a Mãe do Seu Filho, e correspondeu ao chamamento com um amor livre e uma entrega total. Poderia ter recusado. Não o fez. Pela sua livre e completa correspondência, quis ser Mãe. “Jesus nasceu – escreve Guitton – do consentimento de Maria” [i].
Não há dúvida de que Deus, querendo a resposta livre de Maria, mostrou que desejava contar com a sua cooperação para realizar a Redenção da humanidade.
O Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, expressa com clareza este desígnio de Deus: “É com razão que os Santos Padres consideram Maria não como um mero instrumento passivo, mas julgam-na cooperando para a salvação humana com livre fé e obediência. Pois Ela, como diz Santo Irineu, «obedecendo, fez-se causa de salvação tanto para si como para todo o gênero humano» [ii].
Esta colaboração de Maria não ficou limitada ao momento do “faça-se”, no dia da Anunciação, mas acompanhou todas as etapas da vida e da missão salvadora de Cristo, “desde o momento da sua conceição virginal até o momento da sua morte” [iii].

A VIDA OCULTA DE CRISTO

Pensemos, primeiro, na infância de Jesus.
Foi um período em que Deus confiou o seu Filho inteiramente aos cuidados de Maria. Dela Jesus dependia em tudo, como qualquer criança depende de sua mãe: da sua solicitude, do seu amor, da sua dedicação. Podemos até dizer que, falando humanamente, Jesus Menino subsistia ao amparo da maternidade de Maria. E foi no clima desse amor materno – e do aconchego dado também pelo amor de São José – que o Menino cresceu e se desenvolveu. Mas, já na infância o papel de Maria vai além dessa dedicação materna.
Por acaso já reparamos que foi precisamente a Virgem Santíssima quem, pela primeira vez, manifestou Jesus aos homens como seu Salvador?
É um facto. A graça de Cristo em favor dos homens começou a actuar no mundo pelas mãos de Maria. Foi aos pés de Nossa Senhora que desabrochou a fé dos pastores e dos Magos, os primeiros adoradores daquele recém-nascido que, como anunciaram os Anjos na noite de Natal, “é o Cristo, o Senhor” [iv].
Como é significativo que Deus tenha disposto que os primeiros encontros das almas com Jesus ocorressem através da Mãe! Vislumbra-se aí um desígnio divino, que o Evangelho irá explicitando cada vez mais. Ainda na infância de Cristo, é também Maria – acompanhada por seu esposo castíssimo, São José – quem apresenta Jesus no Templo de Jerusalém, oferecendo-o a Deus Pai. A apresentação do Menino vem a ser como um prenúncio da oferenda definitiva do Filho que Maria irá fazer trinta e três anos depois, ao pé da Cruz. No momento da apresentação, o Espírito Santo já vaticina à Mãe, através das palavras proféticas de Simeão, esta última e radical oferenda: Uma espada – uma espada de dor – transpassará a tua alma [v].
À infância de Jesus une-se, perfazendo trinta anos, a vida oculta no lar de Nazaré. Trinta anos! É a maior parte da vida do Senhor. Um longo período em que Cristo já está a salvar-nos. Porque esse período de vida oculta não foi um compasso de espera, sem relevo nem transcendência. Nesses anos, Jesus, vivendo junto de Maria e de José, estava redimindo a humanidade. Cada um dos seus atos, cada um dos seus gestos tinha infinito valor redentor. Pois bem, na vida oculta – como causa alegria considerar esta verdade! –, Cristo nos salva justamente cumulando de amor e de sentido divino as pequenas coisas da existência cotidiana: a vida em família, de que a Mãe é o centro; o trabalho na oficina de José; o descanso e as pequenas alegrias e sacrifícios do cotidiano..., enchendo de luz divina o caminho por onde discorre a vida da imensa maioria dos homens [vi].
Mas, se prestarmos atenção ao que o Evangelho nos relata sobre a vida oculta, descobriremos ainda algo mais. Como é que o Evangelho resume a atitude interior de Jesus ao longo desses trinta anos? De uma maneira muito simples, mas carregada de ensinamentos. São Lucas define com três palavras essa atitude: Era-lhes submisso [vii].
Quanto não diz esta breve frase! O Filho de Deus, o próprio Deus feito homem, quis passar a maior parte da sua vida obedecendo a Maria e a José – numa voluntária e amorosa submissão – e deixando-se guiar por eles. Sejam quais forem as consequências espirituais que se possam deduzir disto – e são muitas –, basta-nos agora sublinhar duas realidades: por um lado, Jesus Cristo quis ligar, vincular estreitamente a maior parte da sua vida terrena à vida de sua Mãe; por outro, decidiu – se nos é permitido falar assim – dar um enorme peso à vontade de sua Mãe, até o ponto de, como dizíamos, ter vivido trinta anos fazendo-lhe caso, obedecendo-lhe. Esta disposição de obediência de Cristo à Mãe é de grande importância para compreendermos o papel que Deus quis atribuir a Maria.

A VIDA PÚBLICA

A vida oculta de Jesus – envolta na normalidade do cotidiano no lar de Nazaré – teve, contudo, o seu termo. Com a idade de trinta anos, Cristo inicia uma nova etapa, completamente diferente: sai aos campos, às ruas e praças, prega a Boa Nova, faz milagres, rodeia-se de multidões... É a vida pública. Aparentemente, há uma ruptura radical com a sua anterior forma de existência. E também parece quebrar-se de maneira quase completa o encanto vivido no lar de Nazaré. Quem lê o Evangelho depara na vida pública com a ausência quase total de Maria. Teria Ela encerrado a sua missão? Não seria isso o que Jesus já teria insinuado aos doze anos, quando ficou no Templo, separando-se de seus pais? Após três dias de procura aflita, quando Maria e José reencontram o Menino conversando no Templo com os doutores da Lei, a Mãe pergunta-lhe com ansiedade: Filho, por que procedeste assim connosco? A resposta parece prenunciar que a futura missão do Messias deverá realizar-se com completa independência da Mãe: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? [viii]. Será que essas palavras excluem a Mãe de Jesus da sua vida pública, quando o Filho de Deus se ocupa plenamente nas coisas de seu Pai? Todas estas interrogações exigem que prestemos uma particular atenção a tudo o que o Evangelho nos diz sobre Maria ao longo da nova etapa que se abre na vida de Cristo com o seu ministério público.

(cont)

FRANCISCO FAUS. [ix]





[i] Jean Guitton, A Virgem Maria, Tavares Martins, Porto, 1959, pág. 233
[ii] Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, n. 56
[iii] Const. Lumen Gentium, n. 57
[iv] Lc 2, 11
[v] cfr. Lc 2, 22-35
[vi] cfr. Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, Quadrante, São Paulo, 1975, págs. 14-15
[vii] Lc 2, 51
[viii] cfr. Lc 2, 41-52
[ix] MARIA, A MÃE DE JESUS QUADRANTE, São Paulo Copyright © 1987 Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?