01/06/2017

Temas para meditar 714

Procurar Deus

Há quem não seja capaz, nem sequer, de mudar de local, por Deus.

Querem sentir gosto e consolos de Deus sem fazer mais esforços sem tragar o que Ele lhes deita na boca, e gozar do que lhes põe no coração sem mortificar-se eles próprios em nada; sem deixar os seus prazeres e veleidades.

Mas esperam em vão.

Porque enquanto não saiam para procurar Deus, por muito que O chamem, não o encontrarão.

SÃO JOÃO DA CRUZ, Cântico Espiritual 3 2



Hoy el reto del amor es ir ante un Sagrario y pedirle a Él que sea fuerte en ti.

CRISTO TE ESPERA EN LA DEBILIDAD

Las Jornadas Monásticas son impresionantes, ves al Señor pasar por la vida de las personas, ves muchos milagros. Pero no os podéis imaginar la coordinación que hay que tener aquí dentro para sacarlas adelante.

El fin de semana pasado tuvimos una y, como siempre vamos a última hora, me agobiaba un poco el hecho de que faltasen cosas. Cuando se lo entregué al Señor pude ver cómo cada hermana era importantísima. Me impresionó cómo cada una iba haciendo pequeñas tareas de la Jornada: fotocopiar temas, hacer los rosarios, preparar la liturgia... Yo me imaginaba haciendo todo eso sola y no podría, necesitábamos unas de otras para que todo estuviese a punto. Eso fue trabajo en equipo.

Hay momentos muy fuertes de debilidad en los que te supera el trabajo, te superan los hijos, te supera la muerte de un ser querido. En esos momentos te invito a apoyarte en tus hermanos, en la Iglesia, que es Madre. No estás sola ante el peligro, Cristo siempre está para hacerse fuerte en ti. Es un misterio que el Señor permita algunas situaciones, sin embargo, Él las aprovecha para encontrarse contigo. Es verdad que solemos ir de fuertes por la vida, pero hay situaciones en las que nos sentimos tan débiles que... ¿a qué podemos agarrarnos? En esos momentos, sólo queda Cristo. Es en esos momentos cuando empezamos a contar con los hermanos que Él nos regala.

Deja que Él entre en tu corazón. Cristo te espera en esa debilidad, en cada hermano que va a prestarte su ayuda. Cristo no predicó al mundo solo; contó con sus discípulos. Él era hombre, pero también era Dios, podría haberlo hecho solo perfectamente, sin embargo, no lo hizo... y, si Él no fue de fuerte, se mostró débil y necesitado de hermanos, ¿por qué nosotros nos obcecamos en ir solos por la vida?

Hoy el reto del amor es ir ante un Sagrario y pedirle a Él que sea fuerte en ti. Tú no tienes que serlo. Entrégale eso que te supera. Te aseguro que vas a encontrar mucha paz para que ese acontecimiento no te mate, sino que te haga crecer en confianza. Déjate cuidar por los hermanos, deja que ellos te ayuden en eso a lo que tú sola no llegas.


VIVE DE CRISTO

Epístolas de São Paulo – 93

Carta aos Hebreus

Apesar de ser habitualmente conhecido como “Carta”, este escrito do Novo Testamento não apresenta um início de carácter epistolar, mais parecendo o exórdio de um sermão (1,1-4). Tem um tom oratório, e o autor nunca aparece a dizer que escreve, mas sempre a dizer que fala (2,5; 5,11; 6,9; 8,1; 9,5; 11,32). Só nos últimos versículos (13,22-25) é que temos um final de Carta precedido por uma frase solene (13,20-21), que funciona como peroração. Considera-se, por isso, que estamos diante de um sermão destinado a ser pronunciado oralmente (1,1-13,21) e de um pequeno bilhete (13,22-25), que lhe foi acrescentado. Trata-se, então, mais de um discurso do que de uma Carta em sentido próprio.

DESTINATÁRIOS

Não encontramos no texto nenhuma referência aos Hebreus como destinatários, e nada indica que o grego em que está escrito seja uma tradução do hebraico. É, portanto, difícil dizer quais os seus destinatários, embora o título «aos Hebreus» seja muito antigo (séc. II).
Pode facilmente admitir-se que fosse dirigida a judeo-cristãos, saudosos do culto judaico que antes praticavam. O título parece justificar-se ainda mais, se tivermos em conta o conteúdo da Carta, pois ela pressupõe leitores bem conhecedores do culto e da liturgia judaica.

AUTOR, LOCAL E DATA
São igualmente imprecisos o autor, o local e a data da sua composição. As Igrejas do Oriente consideraram-na sempre como uma Carta paulina, apesar de muitos reconhecerem as suas diferenças em relação às outras Cartas de Paulo, sobretudo no que se refere à forma literária, à linguagem e estilo, à maneira de citar o AT e mesmo quanto à doutrina. A Igreja do Ocidente negou-lhe a autoria paulina até ao séc. IV e pôs, por vezes, em questão a sua condição de escrito inspirado e canónico.
A questão continuou controversa ao longo da história da exegese católica e protestante, mas actualmente é quase unânime a negação da autenticidade paulina. No entanto, admite-se que a Carta aos Hebreus tenha tido origem num companheiro ou discípulo de Paulo, pois há vários pontos de convergência entre ela e a doutrina do Apóstolo: a paixão de Cristo como obediência voluntária, a ineficácia da Lei antiga, a dimensão sacrificial e sacerdotal da redenção e alguns aspectos da cristologia. Trata-se, sem dúvida, de um sermão cristão, cuja origem remonta à Igreja Apostólica, e constitui, por isso, parte integrante da Palavra de Deus.
Há apenas um dado que pode apontar-nos para o lugar de composição. Trata-se de 13,24: «Os da Itália saúdam-vos.» Mas trata-se de uma expressão que nada ajuda, por ser muito vaga e se prestar a várias localizações.
Quanto à data de composição, não pode aceitar-se uma época muito tardia, pois Clemente de Roma cita-a por volta do ano 95. Por outro lado, a relativa afinidade entre a sua teologia e a das Cartas do cativeiro (Ef, Cl, Flm), aponta para uma data próxima do martírio de Paulo, situado pelo ano 67. Uma vez que o autor se refere à liturgia do templo de Jerusalém como uma realidade ainda actual, tudo parece convergir para que os últimos anos antes da destruição de Jerusalém e do Templo, ocorrida no ano 70, sejam a data mais provável da sua composição.

ESTRUTURA E CONTEÚDO
Não é fácil encontrar uma única estrutura para este livro. No entanto, propomos a seguinte:
Prólogo (1,1-4).
I. O Filho de Deus é superior aos anjos (1,5-2,18): prova escriturísti-ca (1,5-14); exortação (2,1-4); Cristo, irmão dos homens (2,5-18).
II. Jesus, Sumo Sacerdote fiel e misericordioso (3,1-5,10): fidelidade de Moisés e fidelidade de Jesus (3,1-6); entrada no repouso de Deus, pela fé (3,7-4,13); Jesus, Sumo Sacerdote misericordioso (4,14-5,10).
III. Sacerdócio de Jesus Cristo (5,11-10,18): normas de vida cristã (5,11-6,12); promessa e juramento de Deus (6,13-20).
1. Cristo é superior aos sacerdotes levitas (7,1-28): Melquisedec (7,1-10); sacerdote segundo a ordem de Melquisedec (7,11-28).
2. Sumo Sacerdote de uma nova aliança (8,1-9,28): o novo santuário e a nova aliança (8,1-13); insuficiência do culto antigo (9,1-10); o sacrifício de Cristo é definitivo (9,11-14); Cristo, o mediador da nova aliança pelo seu sangue (9,15-22); o perdão dos pecados pelo sacrifício de Cristo (9,23-28).
3. Recapitulação: sacrifício de Cristo superior ao de Moisés (10,1-18): ineficácia dos sacrifícios antigos (10,1-10); eficácia do sacrifício de Cristo (10,11-18).
IV. A fé perseverante (10,19-12,29): apelo a evitar a apostasia (10,19-39); a fé exemplar dos antepassados (11,1-40); o exemplo de Jesus (12,1-13); fidelidade à vocação cristã (12,14-29).
Apêndice (13,1-25): últimas recomendações (13,1-19); bênção e saudação final (13,20-25).

TEOLOGIA
Este escrito estabelece uma relação entre o Antigo e o Novo Testamento numa perspectiva cristológica. O tema central é o sacerdócio de Cristo e o culto cristão. A novidade é grande: uma pessoa, Jesus Cristo, Filho de Deus e irmão dos homens, é o Sumo Sacerdote superior a Moisés e comparável à figura misteriosa de Melquisedec. Pela sua morte e glorificação, Ele é o mediador entre Deus e os homens; o seu sacrifício substitui todos os sacrifícios antigos, que já não têm capacidade para elevar o homem até Deus. Pela sua morte, Cristo realiza o perdão dos pecados uma vez por todas, estabelece uma aliança nova e eterna com a humanidade e inaugura um novo culto, imagem do culto celeste.
A Carta apresenta várias vezes a Igreja como povo de Deus a caminho, e os cristãos, como alguém que partilha o destino de Cristo e é convidado a entrar no seu repouso. Há um itinerário cristão a percorrer, que passa pela conversão, pela fé perseverante, pela aprendizagem da Palavra de Deus e por uma vivência da caridade fraterna.
O cristão é aquele que se une a Cristo através da sua própria existência e não deve separar o culto da vida. Através de Cristo, o cristão oferece continuamente a Deus um sacrifício de louvor, no qual inclui toda a sua vida e particularmente o seu serviço aos outros e a sua caridade. Precisa de manter-se integrado na comunidade cristã, de escutar a Palavra e de se manter em comunhão com os responsáveis, pois não pode chegar a Deus sem estar unido a Cristo e aos irmãos.

A oferta de Cristo ao Pai «uma vez para sempre» (10,10.14; ver 9,26.28) constitui o grande acontecimento escatológico. Por meio deste gesto histórico cumpriu-se o plano salvífico de Deus, embora continue a caminhada histórica da humanidade até à sua entrada na glória. Quando todos os inimigos forem submetidos a Cristo e for vencida a morte e todas as forças históricas, teremos então a realização do último acto da História salvífica.

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







31/05/2017

Fátima: Centenário - Música


Centenário das aparições da Santíssima Virgem em Fátima

Louvando a Santíssima Virgem - Roberto Carlos (em Jerusalém)




Neste mês de Maio a ti excelsa Mãe de Deus e nossa Mãe, te repetiremos sem cessar:

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum, benedicta tu in mullieribus et benedictus fructis ventris tui, Jesus.













Santa Maria, Mater Dei, ora pro nobis pecatoribus, nunc et in hora mortis nostra. Ámen.

Nossa Senhora e o mês de Maio




Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Evangelho e comentário


Tempo de Páscoa

Visitação de Nossa Senhora

Evangelho: Lc 1, 39-56

39Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. 40Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? 44Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. 45Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor.» 46Maria disse, então: «A minha alma glorifica o Senhor 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. 48Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. 49O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. 50A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. 51Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. 52Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. 53Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. 54Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre.» 56Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa.

Comentário:

Este é um Evangelho onde pela primeira vez aparece bem marcada a acção do Espírito Santo

O conhecimento de Santa Isabel sobre a Santíssima Virgem, a "agitação" do menino no seio de sua mãe, o Magnificat que irrompe espontaneamente dos lábios da Virgem Santíssima.

Estão presentes nesta cena entranhável as Duas Pessoas da Santíssima Trindade que a partir daqueles momentos acompanharão para sempre a humanidade:

O Jesus Cristo que vem redimir e salvar e O Paráclito que ficará para consolidar na Fé a mesma humanidade.


(AMA, comentário sobre Lc 1,39-56, 31,6,2016)





Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XXIII

Teria havido procriação no Paraíso mesmo que ninguém tivesse pecado? Teria lá a ordem da castidade lutado contra o ardor
libidinoso?

Quem disser que não se poderiam unir nem procriar se não tivessem pecado — que mais diz senão que o pecado foi necessário para aumentar o número dos santos? Com efeito, se tivessem ficado sós por não terem pecado (pois que, como julgam, sem o pecado não podiam procriar), com certeza que, para haver, não apenas dois juntos, mas uma multidão, o pecado foi necessário. Se isto é  um absurdo, deve-se antes pensar que o número dos santos preciso para encher a cidade bem-aventurada teria sido tão grande, se ninguém tivesse pecado, como o é agora que a graça de Deus o colhe da multidão dos pecadores, enquanto os filhos deste século vão procriando e sendo procriados.

Por isso as núpcias dignas da felicidade do Paraíso, se não tivesse havido o pecado, teriam gerado filhos dignos de amor e não teriam vergonha da volúpia (libido). Mas como poderia isso acontecer — não é possível mostrá-lo agora com um exemplo. Não deve, todavia, parecer incrível que só este órgão teria podia obedecer sem a volúpia à vontade à qual tantos órgãos obedecem agora. Não movemos nós as mãos e os pés, quando querem os, para os actos que se devem realizar com estes membros, sem qualquer resistência, com tão grande facilidade com o que nós admiramos tanto em nós com o nos outros, principalmente nos artífices de qualquer trabalho corporal em que a mais ágil perícia auxilia a natureza mais tarda e mais débil? E não poderem os crer que, para a obra da geração dos filhos, se não houvesse volúpia (que é o salário do pecado da desobediência), estes órgãos, tais como os outros, poderiam obedecer ao homem a um sinal da vontade? Ao tratar da diferença de governos no seu livro De republica (Da República) e ao utilizar uma imagem da natureza humana, não disse Cícero que se dão ordens aos membros do corpo como, devido à sua facilidade em obedecer, se dão ordens às crianças 
— mas que as partes viciosas da alma, essas devem ser constrangidas como escravos a uma sujeição mais dura?

Na ordem natural a alma sobrepõe-se ao corpo; todavia, a alma tem mais fácil domínio sobre o corpo do que sobre si própria. Todavia, esta paixão libidinosa, de que agora estamos a tratar, excita a vergonha tanto mais quanto mais o espírito

nem se mostra capaz de a si próprio se dominar eficazmente para se não deixar deleitar inteiram ente nessa paixão,
nem sobre o corpo tem pleno domínio para que seja precisamente a vontade (e não a paixão) a excitar as regiões vergonhosas: se assim fosse já nem seriam vergonhosas. O que agora é vergonhoso para a alma é a resistência que lhe opõe o corpo que, por sua natureza inferior, lhe está submetido. Quando, nas outras paixões, ele a si próprio resiste, fica menos sujeito à vergonha porque, quando é por si vencido, a si próprio vence. E certo que desordenada e viciosamente, já que a vitória vem das partes que devem estar submetidas à razão. Mas no fim de contas são partes suas e por isso, com o disse, é por si próprio vencido. Quando o espírito se vence ordenadamente, submetendo os movimentos irracionais à mente e a razão — contanto que, também esta, esteja submetida a Deus — então tudo é louvável e virtuoso. Mas o espirito envergonha-se menos quando a si não obedecem as suas partes viciosas do que quando o corpo, dele distinto e a ele inferior e que, por natureza, sem ele não era capaz de viver, não cede à sua vontade e aos seus comandos.

Mas quando o comando da vontade retém os outros membros, sem os quais os excitados contra essa vontade pela paixão libidinosa não podem alcançar o que desejam, guarda-se a castidade e não desaparece, embora não permitido, o prazer do pecado. No Paraíso as núpcias não
teriam esta oposição, esta repugnância, esta luta entre a vontade e a libido ou, pelo menos, esta deficiência da libido ao apelo da vontade, se a desobediência culpável não provocasse o castigo duma desobediência; esses membros obedeceriam, com o todos os outros, à vontade.
E desta forma o órgão para isso criado semearia o campo da geração como agora a mão do homem semeia a terra. O pudor impede-nos, mesmo que o quiséssemos, de tratar desta questão com mais cuidado e obriga-nos, por respeito aos ouvidos castos, a pedir escusa. Mas então nenhum motivo havia para tal e poder-se-ia falar livremente de tudo o que diz respeito a estes órgãos sem qualquer receio de obscenidade; não haveria mesmo palavras que pudessem qualificar-se de obscenas — mas tudo o que a este respeito se dissesse seria tão decente como se se tratasse de outras partes do corpo.

Quem quer que seja, portanto, que acolher estas palavras com impudica disposição, acuse-se a si próprio e não à natureza; condene a indecência dos seus actos e não as palavras de que temos necessidade. Um leitor ou ouvinte pudico e religioso me perdoa tais palavras facilmente quando refuto a infidelidade baseando a minha argumentação, não em crenças sem fundamento, mas na experiência dos sentidos. Lerá isto sem se escandalizar aquele que não receia ouvir o Apóstolo condenar o crime abominável das mulheres que

trocaram um uso natural por outro que é contra a natureza [i],


— tanto mais que, por agora, não mencionamos nem condenamos, como ele, um a obscenidade condenável, mas ao explicarmos, o melhor que nos foi possível, os efeitos da procriação humana, evitamos, como ele, as frases obscenas.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Rom., I, 26.

Doutrina – 316


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

95. «…Nascido da Virgem Maria»: porque é que Maria é verdadeiramente Mãe de Deus?

Maria é verdadeiramente Mãe de Deus porque é a mãe de Jesus [i]. Com efeito, Aquele que foi concebido por obra do Espírito Santo e que se tornou verdadeiramente Filho de Maria é o Filho eterno de Deus Pai. É Ele mesmo Deus.




[i] Jo 2,1; 19,25

Epístolas de São Paulo – 92

Carta a Filémon - cap 1

Apresentação e saudação

- 1Paulo, prisioneiro por causa de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a Filémon, nosso querido colaborador, 2à irmã Ápia, a Arquipo, nosso companheiro de luta, e à igreja que se reúne em tua casa: 3a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo!

Acção de graças

- 4Dou graças ao meu Deus, lembrando-me sempre de ti nas minhas orações, 5por ouvir falar do teu amor e da tua fé: fé no Senhor Jesus e amor para com todos os santos. 6Que a tua comunhão de fé se torne eficaz, no reconhecimento de tudo aquilo que entre nós é considerado bom em relação a Cristo. 7De facto, foi grande a alegria e a consolação que tive com o teu amor, porque os corações dos santos foram reconfortados por meio de ti, irmão.

Pedido a respeito de Onésimo

- 8Por isso, embora tenha toda a autoridade em Cristo para te impor o que mais convém, 9levado pelo amor, prefiro pedir como aquele que sou: Paulo, um ancião e, agora, até prisioneiro por causa de Cristo Jesus. 10Peço-te pelo meu filho, que gerei na prisão: Onésimo, 11que outrora te era inútil, mas agora é, para ti e para mim, bem útil. 12É ele que eu te envio: ele, isto é, o meu próprio coração. 13Eu bem desejava mantê-lo junto de mim, para, em vez de ti, se colocar ao meu serviço nas prisões que sofro por causa do evangelho. 14Porém, nada quero fazer sem o teu consentimento, para que o bem que fazes não seja por obrigação, mas de livre vontade. 15É que, afinal, talvez tenha sido por isto que ele foi afastado por breve tempo: para que o recebas para sempre, 16não já como escravo, mas muito mais do que um escravo: como irmão querido; isto especialmente para mim, quanto mais para ti, que com ele estás relacionado tanto humanamente como no Senhor. 17Se, pois, me consideras em comunhão contigo, recebe-o como a mim próprio. 18E se ele te causou algum prejuízo ou alguma coisa te deve, põe isso na minha conta. 19Sou eu, Paulo, que o escrevo pela minha própria mão: serei eu a pagar. Isto, para não te dizer que me deves a tua própria pessoa. 20Sim, irmão, possa eu sentir-me satisfeito contigo no Senhor: reconforta o meu coração em Cristo. 21Escrevo-te porque confio na tua obediência: sei que até farás mais do que aquilo que digo. 22Mas, ao mesmo tempo, prepara também alojamento para mim, pois espero, graças às vossas orações, poder brevemente ser entregue a vós.

Saudações e bênção


- 23Saúdam-te Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, 24assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores. 25A graça do Senhor Jesus Cristo esteja convosco.

Pequena agenda do cristão


Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?







30/05/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XIV

CAPÍTULO XXII

Acerca da união conjugal desde as origens instituída e abençoada por Deus.

Nós é que não temos a menor dúvida de que, conforme a bênção de Deus, «crescer, multiplicar-se e encher a Terra» é um dom das núpcias que Deus instituiu desde o princípio, antes do pecado do homem, quando os criou homem e mulher, diferença de sexo que ficou bem patente na carne. Efectivamente, foi logo após esta obra de Deus que se seguiu a sua bênção.

Na verdade, quando a Escritura disse:

Fê-los homem e mulher [i],

acrescentou imediatamente:

E Deus abençoou-os dizendo: Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e dominai-a, etc.
[ii].

Tudo isto se poderia reportar sem inconveniente a um sentido espiritual, mas as palavras «homem» (masculus) e «mulher» (femina) não se podem entender como qualquer coisa de semelhante a um só homem, com o se nele uma fosse a parte que com anda e a outra a que é comandada.

Mostra-se com toda a evidência que foram criados «homem» e «mulher», com corpos de sexo diferente para que, gerando filhos, «crescessem, se multiplicassem e enchessem a Terra»: negá-lo seria um grande absurdo.

Não é de um espírito que com anda nem duma carne que obedece que se trata, nem dum a alma racional que governa e dum desejo irracional que é governado, nem duma virtude contemplativa que domina e duma virtude activa que se submete, nem do intelecto da mente e do  sentido do corpo: trata-se sim, e bem claramente, do vínculo conjugal pelo qual os dois sexos se unem um ao outro e a propósito do qual o Senhor foi interrogado se era permitido repudiar a mulher por qualquer causa

— pois que Moisés, por causa da dureza de coração dos Israelitas, permitiu que se passasse um bilhete (libellus) de repúdio.

Mas ele respondeu:

Não lestes que, quem no princípio os fez, homem e mulher os fez e disse: Por causa disso deixará o homem pai e mãe e unir-se-á à sua esposa, e serão dois numa só came? É que já não são dois, mas uma só carne. Pois então não separe o homem o que Deus uniu [iii].

E, portanto, certo que eles foram instituídos «homem e mulher» desde o princípio, com o vemos e reconhecemos agora os homens em dois sexos diferenciados. E quando se diz que são um só, isso se diz por causa da sua união ou então por causa da origem da mulher criada do «lado» do «homem» (masculus). Por isto o Apóstolo, devido a este primeiro exemplo que o próprio Deus propôs, exorta cada um em particular a que os varões amem as suas esposas.



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(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Gén., I, 27.
[ii] Gen., I, 27-28.
[iii] Mt., X IX, 4-6.