02/04/2017

Epístolas de São Paulo – 33

1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

VI. A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS (15,1-58)

Capítulo 15

Cristo ressuscitou

1Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes 2e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão.
3Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; 4foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; 5apareceu a Cefas e depois aos Doze. 6Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. 7Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto.
9É que eu sou o menor dos apóstolos, nem sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus. 10Mas, pela graça de Deus, sou o que sou e a graça que me foi concedida, não foi estéril. Pelo contrário, tenho trabalhado mais do que todos eles: não eu, mas a graça de Deus que está comigo. 11Portanto, tanto eu como eles, assim é que pregamos e assim também acreditastes.

Os mortos também ressuscitam

12Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns de entre vós dizem que não há ressurreição dos mortos? 13Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. 14Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. 15E resulta até que acabamos por ser falsas testemunhas de Deus, porque daríamos testemunho contra Deus, afirmando que Ele ressuscitou a Cristo, quando não o teria ressuscitado, se é que, na verdade, os mortos não ressuscitam. 16Pois, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. 17E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé e permaneceis ainda nos vossos pecados. 18Por conseguinte, aqueles que morreram em Cristo, perderam-se. 19E se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
20Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. 21Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. 22E, como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida. 23Mas cada um na sua própria ordem: primeiro, Cristo; depois, aqueles que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. 24Depois, será o fim: quando Ele entregar o reino a Deus e Pai, depois de ter destruído todo o principado, toda a dominação e poder. 25Pois é necessário que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés. 26O último inimigo a ser destruído será a morte, 27pois Deus tudo submeteu debaixo dos pés dele. Mas quando diz: «Tudo foi submetido», é claro que se exclui aquele que lhe submeteu tudo. 28E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá àquele que tudo lhe submeteu, a fim de que Deus seja tudo em todos.
29Se assim não fosse, que procurariam os que se fazem baptizar pelos mortos? Se, de facto, os mortos não ressuscitam, porque motivo se fazem baptizar por eles? 30E nós também, porque nos expomos aos perigos a todo o momento? 31Todos os dias, arrisco-me à morte, tão certo, irmãos, quanto sois vós a minha glória em Jesus Cristo nosso Senhor. 32Se fosse apenas por motivos humanos, de que me adiantaria ter combatido contra as feras em Éfeso? Se os mortos não ressuscitam, comamos e bebamos porque amanhã morreremos.
33Não vos iludais: «As más companhias corrompem os bons costumes.» 34Sede sóbrios, como convém, e não continueis a pecar! Pois alguns de vós mostram que não conhecem a Deus: para vossa vergonha o digo.

O modo da ressurreição

35Mas dir-se-á: Como ressuscitam os mortos? Com que corpo regressam? 36Insensato! O que semeias não volta à vida, se primeiro não morrer. 37E o que semeias não é o corpo que há-de vir, mas um simples grão, por exemplo, de trigo ou de qualquer outra espécie. 38É Deus que lhe dá o corpo, como lhe apraz; dá a cada uma das sementes o corpo que lhe corresponde.
39Nem toda a carne é a mesma carne, mas uma é a dos homens, outra a dos animais, outra a dos pássaros, outra a dos peixes. 40Há corpos celestes e corpos terrestres, mas um é o esplendor dos celestes e outro o dos terrestres. 41Um é o esplendor do Sol, outro o da Lua e outro o das estrelas, e até uma estrela difere da outra em esplendor.
42Assim também acontece com a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo é ressuscitado incorruptível; 43semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; 44semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual. Se há um corpo terreno, também há um corpo espiritual. 45Assim está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito um ser vivente e o último Adão, um espírito que vivifica. 46Mas o primeiro não foi o espiritual, mas o terreno; o espiritual vem depois. 47O primeiro homem, tirado da terra, é terrestre; o segundo vem do céu. 48Tal como era o terrestre, assim são também os terrestres; tal como era o celeste, assim são também os celestes. 49E assim como trouxemos a imagem do homem da terra, assim levaremos também a imagem do homem celeste.
50Digo-vos, irmãos: o homem terreno não pode herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdará a incorruptibilidade. 51Vou revelar-vos um mistério: nem todos morreremos, mas todos seremos transformados; 52num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final - pois a trombeta soará - os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.
53É, de facto, necessário que este ser corruptível se revista de incorruptibilidade e que este ser mortal se revista de imortalidade. 54E, quando este corpo corruptível se tiver revestido de incorruptibilidade e este corpo mortal se tiver revestido de imortalidade, então cumprir-se-á a palavra da Escritura:
A morte foi tragada pela vitória.
55Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?
56O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57Mas sejam dadas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. 58Assim, meus queridos irmãos, sede firmes, inabaláveis, e progredi sempre na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é inútil no Senhor.


Leitura espiritual

A Cidade Deus
A CIDADE DE DEUS


Vol. 2

LIVRO X

CAPÍTULO XVI

Para se merecer a vida eterna tem que se acreditar nos anjos que para si exigem honras divinas ou nos que mandam servir em santa religião, não a si, mas ao único Deus?

Mas em que anjos elevemos acreditar a propósito da vida eterna? Nos que pretendem que sejam eles próprios honrados com ritos religiosos, pedindo aos mortais que lhes prestem culto e sacrifícios? Ou nos que declaram que esse culto é todo ele devido ao único Deus criador do universo e deve, com o eles próprios dizem, ser prestado com autêntica piedade Aquele, cuja contemplação faz a felicidade deles e, conforme prometem, fará a nossa? Realmente, a visão de Deus é visão de um a tal beleza, digna de um tão grande amor que, sem ela, o homem dotado e cumulado de todos os bens nem por isso deixa de ser, como Plotino não hesita em afirmar, o maior desgraçado. Quando, pois, diversos anjos, com sinais prodigiosos nos convidam a prestarmos culto de latria, uns ao Deus único, outros a eles próprios, proibindo, todavia, os primeiros que se adorem os segundos, não ousando estes proibir que se adore aquele — a quais de uns e outros se deve prestar crédito? Respondam os platónicos, respondam os filósofos de qualquer escola, respondam os teurgos ou antes os periurgos  — já que esta é a palavra que mais convém a todas estas práticas. Enfim, respondam os homens, se neles existe, uma parte que seja, daquele sentido da sua natureza que os torna racionais; respondam, digo eu:

Deve-se sacrificar a estes anjos ou deuses que o exigem para si próprios, ou só Àquele ao qual nos ordenam que o façamos ou que no-lo proíbem quer em sua honra quer em honra dos outros?

E se nem uns nem outros fizessem milagres, limitando-se uns a prescrever sacrifícios em sua própria honra, e outros a prescrevê-los para os reservarem ao único Deus — a piedade deveria bastar para distinguir o que provém de um orgulho insolente do que deriva dum espírito autenticam ente religioso. Direi mais: Se os que reclamam para si sacrifícios fossem os únicos a abalar as almas humanas pelos seus prodígios, e aqueles que as prescrevem para os reservarem ao Deus único não se dignassem fazer esses milagres visíveis, — seguram ente que a autoridade destes últimos deveria prevalecer, não aos olhos do corpo, mas ao juízo da razão. Mas Deus, para dar maior credibilidade às suas palavras de verdade, fez, por intermédio destes imortais mensageiros que proclamam, não o seu orgulho, mas a majestade de Deus, milagres maiores, mais autênticos, mais brilhantes, para que não tivessem qualquer facilidade de persuadir os piedosos débeis da sua falsa religião os que, com a ostentação dos prodígios sensíveis, exigem para si próprios sacrifícios. Quem é que gostará de ser louco ao ponto de não escolher a verdade que deve seguir precisam ente onde encontra os maiores sinais a admirar?

A história refere, realmente, alguns milagres dos deuses dos gentios. (Não me refiro aos fenómenos estranhos que, um a vez por outra, acontecem devido a causas ocultas da natureza, sempre estabelecidas e ordenadas pela providência divina; inusitados partos de animais, espectáculos insólitos no Céu e na Terra, simplesmente terríficos, mas às vezes também nocivos, que, a crer na astúcia enganadora dos demónios, são pelos seus ritos conjurados e mitigados. Falo antes desses prodígios que apresentam com bastante evidência com o um efeito da sua força e poderio, tais como: as imagens dos deuses Penates, que Eneias levou consigo ao fugir de Troia, andarem, ao que se diz, por si próprias de um lugar para o outro; Tarquínio cortar um penhasco com uma navalha; a serpente de Epidauro acompanhar Esculápio enquanto ele navegou até Roma; uma mulherzinha, para provar a sua castidade, conseguir mover e arrastar, atada a um cinto, a nau em que era transportada a imagem da Mãe — Frigia que se tinha mantido imóvel apesar dos esforços de tantos homens e bois; uma virgem Vestal cuja integridade era contestada, pôr fim à discussão enchendo um crivo de água do Tibre sem ela se derramar). Estes prodígios e outros quejandos em nada se comparam com o poder e a grandeza dos operados, como lemos, entre o povo de Deus. Muito menos comestes se comparam ainda aquelas práticas, mágicas e teúrgicas, tidas por dignas de serem proibidas e castigadas pela lei dos próprios povos que adoravam esses deuses! A maior parte de tais prodígios eram puras aparências com que enganavam os sentidos dos mortais utilizando um hábil jogo de imagens — com o era o caso de, com o diz Lucano, se fazer descer a Lua:

Até que, de perto derrame a sua baba sobre as ervas rasteiras [i].

Se alguns destes factos parecem igualar materialmente algumas das obras dos santos, o fim que as distingue manifesta a incomparável superioridade destas. No primeiro caso trata-se de uma multidão de deuses que merecem as honras dos sacrifícios tanto menos quanto mais as reclamam; no outro caso, é o Deus único que nos é recomendado: mas que — com o no-lo atestam as suas Escrituras e com o no-lo mostra, mais tarde, a abolição desses sacrifícios — não tem necessidade de semelhantes homenagens. Se, portanto, alguns anjos reivindicam para si o sacrifício, é necessário preferir-lhes aqueles que o não reclamam para si, mas sim para o Deus que servem, Criador de todas as coisas. É por aí, realmente, que eles mostram com que sincero amor nos amam, pois querem pelo sacrifício fazer de nós, não súbditos seus, mas antes súbditos d’Aquele cuja contemplação faz a sua felicidade, e querem ainda ajudar-nos a chegar até Àquele que jamais abandonaram. E se os anjos reclamam sacrifícios — não apenas para um, mas para vários, não para eles próprios mas para os deuses de quem são anjos — mesmo, então, é necessário preferir-lhes os que são anjos do único Deus dos deuses: estes anjos com tal força ordenam que só a Deus único se ofereçam sacrifícios, que chegam a proibir se ofereçam a qualquer outro — ao passo que nenhum dos outros anjos proíbe que se ofereçam sacrifícios Àquele ao qual estes ordenam que se ofereçam. Mas se, como o indica a sua soberba falácia, aqueles que reclamam sacrifícios, não para o único Deus Soberano, mas para si próprios, não são nem bons anjos nem anjos dos deuses bons, mas maus demónios — que protecção mais poderosa poderem os escolher contra eles do que a do Deus único de quem são servidores os anjos bons que nos prescrevem que ofereçam os sacrifícios não a eles, mas Àquele de quem nós próprios devemos ser o sacrifício?

CAPÍTULO XVII

Da Arca do Testamento e dos milagres que Deus operou para recomendar a autoridade da sua lei e das suas promessas.

Por isso é que a lei de Deus promulgada pelo ministério dos anjos, prescrevendo que se prestasse culto religioso ao único Deus dos deuses e proibindo que se prestasse a qualquer outro, foi colocada num a arca chamada Arca do Testemunho. Com este nom e se significa suficientemente que Deus, objecto de todo o culto, não costuma estar encerrado nem contido num lugar: em bora as suas respostas e certos sinais perceptíveis aos sentidos saíssem do lugar em que se encontrava a Arca, mais não eram do que testem unhos da sua vontade. Como já disse, a própria lei escrita em tábuas de pedra estava colocada na Arca; durante a viagem pelo deserto os sacerdotes transportavam-na com o respeito que lhe era devido, juntamente com uma tenda também chamada Tenda do Testemunho. Havia um sinal que aparecia durante o dia como uma nuvem e durante a noite brilhava como o fogo; quando esta nuvem se movia, levantava-se o acampamento quando ela parava, acampava-se. Grandes milagres — além dos factos já referidos e das vozes que saíam do lugar onde estava a Arca — prestavam testemunho a essa lei. A entrada da Terra Prometida, quando a Arca passou o Jordão, o rio reteve as suas águas a montante e deixou-as correr a jusante, permitindo que tanto o povo como ela atravessassem a pé enxuto. Depois a Arca foi passeada, sete vezes à volta da primeira cidade inimiga, que adorava, conforme era costume dos gentios, um grande número de deuses — e, repentinamente, as muralhas esboroaram-se sem qualquer exército as ter atacado, sem qualquer embate do aríete. Quando, ainda mais tarde, os hebreus já habitavam na Terra Prometida, foi a Arca tomada pelos inimigos em consequência dos seus pecados. Os que a tomaram colocaram-na com todas as honras no templo do deus que adoravam acima de todos, e aí a deixaram fechada. No dia seguinte, ao abrirem o templo, encontraram derrubado e vergonhosamente despedaçado, o ídolo a que dirigiam as suas preces. Depois, emocionados pelos prodígios e ainda mais vergonhosamente castigados, restituíram a Arca do divino Testemunho ao povo ao qual a tinham tomado. E vejam com o é que foi essa restituição! Colocaram a Arca sobre um a carroça jungida a duas novilhas às quais retiraram os vitelos que amamentavam, e deixaram-nas ir para onde quisessem, procurando desta forma pôr à prova o poder divino. E elas, sem condutor, sem guia, seguiram direitinhas em direcção aos hebreus, surdas aos mugidos das crias esfomeadas, e levaram este grande mistério (sacramentum) aos que o veneravam.

Estes prodígios e outros que tais são pequenos aos olhos de Deus, mas grandes pelos ensinamentos que devem prestar e pelo salutar temor que devem inspirar aos mortais. Se alguns filósofos, sobretudo os platónicos, são glorificados por serem mais sábios do que os outros ao ensinarem, com o um pouco atrás recordei, que a Divina Providência se ocupa dos mais pequeninos seres da Terra, como o com provam as belezas harmoniosas que revestem os corpos dos vivos, mesmo das plantas e até das ervas do campo — quão mais evidente é o testemunho prestado à divindade por todos estes prodígios realizados à hora em que é proclamada, no lugar em que é recomendada, uma religião que proíbe se ofereçam sacrifícios a qualquer criatura do Céu, da Terra, dos Infernos, e estabelece que eles sejam reservados ao único Deus que é o único que ama e que, amado, nos faz felizes! É Ele que, de antemão, delimita os tempos em que esses sacrifícios serão prescritos e anuncia que eles tomarão uma nova e melhor forma nas mãos de um sacerdote mais perfeito, atestando assim que não os desejava, mas que eles eram a figura de melhores realidades: por eles queria, não ser exaltado por tais honras, mas mover-nos a adorá-lo para felicidade nossa e não sua, e unir-nos a Ele inflamados pelo fogo do seu amor.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Lucano, Farsália, VI, 506

Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, 14 de Março de 2016

11. Não podemos ignorar que, entre nós, uma grande parte dos doentes, especialmente os mais pobres e isolados, não tem acesso aos cuidados paliativos, que são a verdadeira resposta ao seu sofrimento.

A legalização da eutanásia e do suicídio assistido contribuirá para atenuar a consciência social da importância e urgência de alterar esta situação, porque poderá ser vista como uma alternativa mais fácil e económica.


(cont)

Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Jo 11, 3-27

Naquele tempo, as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: «Senhor, o teu amigo está doente». Ouvindo isto, Jesus disse: «Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho do homem». Jesus era amigo de Marta, de sua irmã e de Lázaro. Entretanto, depois de ouvir dizer que ele estava doente, ficou ainda dois dias no local onde Se encontrava. Depois disse aos discípulos: «Vamos de novo para a Judeia». Ao chegar lá, Jesus encontrou o amigo sepultado havia quatro dias. Quando ouviu dizer que Jesus estava a chegar, Marta saiu ao seu encontro, enquanto Maria ficou sentada em casa. Marta disse a Jesus: «Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Disse-lhe Jesus: «Teu irmão ressuscitará». Marta respondeu: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Disse-lhe Jesus: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá. Acreditas nisto?». Disse-Lhe Marta: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Jesus comoveu-Se profundamente e perturbou-Se. Depois perguntou: «Onde o pusestes?». Responderam-Lhe: «Vem ver, Senhor». E Jesus chorou. Diziam então os judeus: «Vede como era seu amigo». Mas alguns deles observaram: «Então Ele, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito que este homem não morresse?». Entretanto, Jesus, intimamente comovido, chegou ao túmulo. Era uma gruta, com uma pedra posta à entrada. Disse Jesus: «Tirai a pedra». Respondeu Marta, irmã do morto: «Já cheira mal, Senhor, pois morreu há quatro dias». Disse Jesus: «Eu não te disse que, se acreditasses, verias a glória de Deus?». Tiraram então a pedra. Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: «Pai, dou-Te graças por Me teres ouvido. Eu bem sei que sempre Me ouves, mas falei assim por causa da multidão que nos cerca, para acreditarem que Tu Me enviaste». Dito isto, bradou com voz forte: «Lázaro, sai para fora». O morto saiu, de mãos e pés enfaixados com ligaduras e o rosto envolvido num sudário. Disse-lhes Jesus: «Desligai-o e deixai-o ir». Então muitos judeus, que tinham ido visitar Maria, ao verem o que Jesus fizera, acreditaram n’Ele.

Comentário:

Como impressiona a humanidade do Senhor! Comove-se e chora a morte de um amigo.

É tão visível esta sensibilidade que todos se dão conta e se sentem atraídos por este Homem tão extraordinário que opera milagres por­tentosos e que, não obstante, está tão próximo da humanidade sobre­tudo dos que sofrem.

A comoção de Jesus não se destina a mover a multidão nem para im­pressionar os que O rodeiam, não!

É sincera, intimamente sentida, como que uma explosão de sentimen­tos genuínos que não pode guardar dentro de Si.

O extraordinário milagre que se segue quase fica ofuscado por esta evidência da humanidade do Senhor, perfeito Deus e perfeito homem que implica o poder divino de ressuscitar os mortos e a sensibilidade delicada de um verdadeiro amigo.

(ama, comentário sobre Jo 11, 3-27, 13.12.2016)






Não queiramos esquivar-nos à sua Vontade

Esta é a chave para abrir a porta e entrar no Reino dos Céus: "qui facit voluntatem Patris mei qui in coelis est, ipse intrabit in regnum coelorum" – quem faz a vontade de meu Pai..., esse entrará! (Caminho, 754)


Não te esqueças: muitas coisas grandes dependem de que tu e eu vivamos como Deus quer. (Caminho, 755)

Nós somos pedras, silhares, que se movem, que sentem, que têm uma libérrima vontade. O próprio Deus é o estatuário que nos tira as esquinas, desbastando-nos, modificando-nos, conforme deseja, a golpes de martelo e de cinzel.
Não queiramos afastar-nos, não queiramos esquivar-nos à sua Vontade, porque, de qualquer modo, não poderemos evitar os golpes. – Sofreremos mais e inutilmente, e, em lugar de pedra polida e apta para edificar, seremos um montão informe de cascalho que os homens pisarão com desprezo. (Caminho, 756)

A aceitação rendida da Vontade de Deus traz necessariamente a alegria e a paz; a felicidade na Cruz. – Então se vê que o jugo de Cristo é suave e que o seu peso é leve. (Caminho, 758)

Um raciocínio que conduz à paz e que o Espírito Santo oferece aos que querem a Vontade de Deus: "Dominus regit me, et nihil mihi deerit" – o Senhor é quem me governa; nada me faltará.

Que é que pode inquietar uma alma que repita sinceramente estas palavras? (Caminho, 760)

Doutrina – 257

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ


«CREIO EM DEUS, PAI OMNIPOTENTE, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA»

36. Porque é que a profissão de fé começa com «Creio em Deus»?


Porque a afirmação «Creio em Deus» é a mais importante, a fonte das outras verdades respeitantes ao homem, ao mundo e à nossa vida de crentes n’Ele.

Pequena agenda do cristão

DOMINGO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Viver a família.

Senhor, que a minha família seja um espelho da Tua Família em Nazareth, que cada um, absolutamente, contribua para a união de todos pondo de lado diferenças, azedumes, queixas que afastam e escurecem o ambiente. Que os lares de cada um sejam luminosos e alegres.

Lembrar-me:
Cultivar a Fé

São Tomé, prostrado a Teus pés, disse-te: Meu Senhor e meu Deus!
Não tenho pena nem inveja de não ter estado presente. Tu mesmo disseste: Bem-aventurados os que crêem sem terem visto.
E eu creio, Senhor.
Creio firmemente que Tu és o Cristo Redentor que me salvou para a vida eterna, o meu Deus e Senhor a quem quero amar com todas as minhas forças e, a quem ofereço a minha vida. Sou bem pouca coisa, não sei sequer para que me queres mas, se me crias-te é porque tens planos para mim. Quero cumpri-los com todo o meu coração.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

01/04/2017

Fátima: Centenário - Poemas

SANTA MARIA

Um nome existe, sol de eterno encanto,
que doira a terra e inunda o Céu de luz:
outro não há mais belo nem mais santo,
excepto o do Homem-Deus, o de JESUS.

Nome que estanca a dor e enxuga o pranto,
nome que as almas torna doce a Cruz,
nome que encerra o mais formoso canto:
a Epopeia-Redenção traduz.

Um dia, o Arcanjo que baixou da glória
profere-o, como um hino de vitória,
por sobre a terra imersa em luto e dor,

e, ao ressoar, dos orbes na harmonia,
a vez primeira, o nome de MARIA,
o mundo inteiro estremeceu de amor!

Visconde de Montelo, Paráfrase da Ladainha Lauretana, 1956 [i]




[i] Cónego Manuel Nunes Formigão
1883 - Manuel Nunes Formigão nasce em Tomar, a 1 de Janeiro. 1908 - É ordenado presbítero a 4 de Abril em Roma. 1909 - É laureado em Teologia e Direito Canónico pela Universidade Gregoriana de Roma. 1909 - No Santuário de Lourdes, compromete-se a divulgar a devoção mariana em Portugal. 1917 - Nossa Senhora aceita o seu compromisso e ele entrega-se à causa de Fátima. 1917 / 1919 - Interroga, acompanha e apoia com carinho os Pastorinhos. - Jacinta deixa-lhe uma mensagem de Nossa senhora, ao morrer. 1921 - Escreve o livro: "Os Episódios Maravilhosos de Fátima". 1922 - Integra a comissão do processo canónico de investigação às aparições. 1922 - Colabora e põe de pé o periódico "Voz de Fátima". 1924 - A sua experiência de servita de Nossa Senhora em Lurdes, leva-o a implementar idêntica actividade em Fátima. 1928 - Escreve a obra mais importante: "As Grandes Maravilhas de Fátima". 1928 - Assiste à primeira profissão religiosa da Irmã Lúcia, em Tuy. Ela comunica-lhe a devoção dos primeiros sábados e pede-lhe que a divulgue. 1930 - Escreve "Fátima, o Paraíso na Terra". 1931 - Escreve "A Pérola de Portugal". 1936 - Escreve " Fé e Pátria". 1937 - Funda a revista "Stella". 1940 - Funda o jornal "Mensageiro de Bragança". 1943 - Funda o Almanaque de Nossa Senhora de Fátima. 1954 – Muda-se para Fátima a pedido do bispo de Leiria-Fátima 1956 - Escreve sonetos compilados na "Ladainha Lauretana". 1958 – Morre em Fátima. 06/01/1926 - Funda a congregação das Religiosas Reparadoras de Nossa Senhora das Dores de Fátima. 11/04/1949 – A congregação por ele fundada é reconhecida por direito diocesano. 22/08/1949 – Primeiras profissões canónicas das Religiosas. 16/11/2000 - A Conferência Episcopal Portuguesa concede a anuência por unanimidade, para a introdução da causa de beatificação e canonização deste apóstolo de Fátima. 15/09/2001 - Festa de Nossa Senhora das Dores, padroeira da congregação - É oficialmente aberto o processo de canonização do padre Formigão. 16/04/2005 – É oficialmente encerrado e lacrado o processso de canonização do padre Formigão.
Fátima, 28 Jan 2017 (Ecclesia) – Decorreu hoje a cerimónia de trasladação dos restos mortais do padre Manuel Nunes Formigão, conhecido como 'o apóstolo de Fátima, do cemitério local para um mausoléu construído na Casa de Nossa Senhora das Dores.
A celebração de trasladação deste sacerdote e servo de Deus começou com uma concentração, rua Francisco Marto, 203, com centenas de pessoas, seguida de saída para o cemitério da Freguesia de Fátima.
Na eucaristia inserida neste evento, na Basílica da Santíssima Trindade, do Santuário de Fátima, D. António Marto destacou uma figura que "se rendeu ao mistério e à revelação do amor de Deus, da beleza da sua santidade tal como brilhou aos pastorinhos de Fátima".
O bispo de Leiria-Fátima recordou ainda o padre Manuel Formigão como alguém que "captou de uma maneira admirável para o seu tempo, a dimensão reparadora da vivência da fé tão sublinhada na mensagem de Fátima".

Nota de AMA:
Este livro de Sonetos foi por sua expressa vontade, depois da sua morte, devidamente autografado, entregue a meu Pai. Guardo o exemplar como autêntica relíquia.

Fátima: Centenário - Oração diária

Doutrina – 256

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO PRIMEIRO CREIO EM DEUS PAI

OS SÍMBOLOS DA FÉ

35. Quais são os mais importantes Símbolos da fé?

São o Símbolo dos Apóstolos, que é o antigo Símbolo baptismal da Igreja de Roma, e o Símbolo niceno-constantinopolitano, fruto dos primeiros dois Concílios Ecuménicos de Niceia [1] e de Constantinopla [2], e que é, ainda hoje, comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.




[1] 325
[2] 381

Epístolas de São Paulo – 32

1ª Epístola de São Paulo aos Coríntios

V. OS CARISMAS (12,1-14,40)

Capítulo 14

Normas para o uso dos carismas

1Procurai o amor e aspirai aos dons do Espírito, mas sobretudo ao da profecia. 2Pois aquele que fala em línguas, não fala aos homens, mas a Deus: ninguém, de facto, o entende, pois no Espírito diz coisas misteriosas. 3Mas o que profetiza fala aos homens para os edificar, exortar e consolar. 4Quem fala em línguas, edifica-se a si mesmo, mas quem profetiza, edifica a assembleia. 5Quisera eu que todos vós falásseis em línguas, mas mais ainda que profetizásseis. Quem profetiza está acima daquele que fala em línguas, a não ser que também as interprete, para que a assembleia possa tirar proveito.
6Imaginai agora, irmãos, que eu ia ter convosco e vos falava em línguas: de que utilidade vos seria, se nada vos comunicasse nem por revelação, nem por ciência, nem por profecia, nem por ensinamento? 7O mesmo acontece com os instrumentos de música, como a flauta ou a cítara: se não emitirem sons distintos, como identificar a melodia tocada? 8E, se a trombeta só emitir sons confusos, quem é que se prepara para a guerra? 9Do mesmo modo vós: se a vossa língua não proferir um discurso inteligível, como se há-de saber o que dizeis? Sereis como quem fala ao vento. 10Há no mundo não sei quantas espécies de línguas, e todas têm o seu significado. 11Ora, se eu não conheço o significado de uma língua, serei como um bárbaro para aquele que fala e aquele que fala, também o será para mim.
12Assim também vós: já que estais ávidos dos dons do Espírito, procurai adquiri-los em abundância, mas para edificação da assembleia. 13Por isso, o que fala em línguas reze para obter o dom da interpretação. 14Porque, se eu rezo em línguas, o meu espírito está em oração, mas a minha inteligência não colhe frutos.
15Que fazer, então? Rezarei com o espírito, mas rezarei também com a inteligência; cantarei com o espírito, mas cantarei igualmente com a inteligência. 16De outro modo, se tu elevas um cântico de louvor só com o espírito, como pode o que participa como simples ouvinte responder «Ámen» à tua acção de graças, visto que não sabe o que dizes? 17A tua acção de graças será certamente muito bela, mas o outro não tira qualquer proveito. 18Graças a Deus, eu falo mais em línguas que todos vós. 19Mas, numa assembleia, prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência, para instruir também os outros, do que dez mil, em línguas.
20Irmãos, não sejais crianças, quanto à maneira de julgar; sede, sim, crianças na malícia; mas, quanto à maneira de julgar, sede homens adultos. 21Está escrito na Lei: Falarei a este povo por homens de outra língua e por lábios estranhos, e nem assim me hão-de escutar, diz o Senhor. 22Por conseguinte, o dom das línguas é um sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos; já a profecia não é para os descrentes, mas para os crentes. 23Se toda a assembleia estivesse reunida e todos começassem a falar em línguas, os simples ouvintes ou descrentes que entrassem, não diriam que estáveis loucos? 24Mas se todos começarem a profetizar e entrar ali um descrente qualquer ou simples ouvinte, há-de sentir-se tocado por todos, julgado por todos; 25os segredos do seu coração serão desvendados e, prostrando-se com o rosto por terra, adorará a Deus, proclamando que Deus está realmente no meio de vós.

Os carismas na assembleia

26Que devemos fazer, então, irmãos? Quando vos reunis, e cada um de vós tem um hino a cantar, um ensinamento a proferir, ou uma revelação, ou um discurso em línguas, ou uma interpretação, que tudo se faça de modo a edificar. 27Se se fala em línguas, que não sejam mais que dois ou no máximo três, cada um por sua vez, e que um as interprete. 28Se não houver intérprete, fiquem calados na assembleia e falem consigo mesmos e com Deus.
29Quanto aos profetas, que falem dois ou três e que os outros façam o discernimento. 30Mas se um outro entre os presentes recebe uma revelação, cale-se o anterior. 31Todos podeis profetizar, mas um após outro, para que todos sejam instruídos e exortados. 32Mas as inspirações dos profetas devem submeter-se aos profetas, 33porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz.
Como acontece em todas as assembleias de santos, 34as mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas. 35Se quiserem saber alguma coisa, perguntem em casa aos maridos, porque não é conveniente para uma mulher falar na assembleia.
36Porventura a palavra de Deus, partiu de vós ou só a vós foi comunicada? 37Se algum de vós julga ser profeta ou estar na posse dos dons do Espírito, deve reconhecer, no que vos escrevo, um preceito do Senhor. 38Mas se alguém não o reconhecer, também não será reconhecido. 39Assim, pois, irmãos, aspirai ao dom da profecia e não impeçais que se fale em línguas. 40Mas que tudo se faça com decoro e ordem.


Evangelho e comentário

Tempo da Quaresma


Evangelho: Jo 7, 40-53

Naquele tempo, alguns que tinham ouvido as palavras de Jesus diziam no meio da multidão: «Ele é realmente o Profeta». Outros afirmavam: «É o Messias». Outros, porém, diziam: «Poderá o Messias vir da Galileia? Não diz a Escritura que o Messias será da linhagem de David e virá de Belém, a cidade de David?» Houve assim desacordo entre a multidão a respeito de Jesus. Alguns deles queriam prendê-l’O, mas ninguém Lhe deitou as mãos. Então os guardas do templo foram ter com os príncipes dos sacerdotes e com os fariseus e estes perguntaram-lhes: «Porque não O trouxestes?». Os guardas responderam: «Nunca ninguém falou como esse homem». Os fariseus replicaram: «Também vos deixastes seduzir? Porventura acreditou n’Ele algum dos chefes ou dos fariseus? Mas essa gente, que não conhece a Lei, está maldita». Disse-lhes Nicodemos, aquele que anteriormente tinha ido ter com Jesus e era um deles: «Acaso a nossa Lei julga um homem sem antes o ter ouvido e saber o que ele faz?» Responderam-lhe: «Também tu és galileu? Investiga e verás que da Galileia nunca saiu nenhum profeta». E cada um voltou para sua casa.

Comentário:

Continuará sempre um mistério o motivo que terá levado Jesus a nunca esclarecer a Sua origem, o local do seu nascimento.

Parece evidente que o Senhor não queria que acreditassem nele por outros motivos que não fossem uma, sã vontade de esclarecer o que não sabiam.

A verdade é que sabemos que nem na "Sua terra", Nazaré, o acolhimento foi diferente, talvez porque conheciam bem as Suas origens.
A má-fé e os preconceitos condicionam sempre as boas disposições interiores.

Como quando rezarmos devemos fazê-lo mais para ouvir que para ser ouvidos, ou seja, dispostos a ouvir, compreender, aceitar e pôr em prática o que Deus nos sugere, em vez da nossa vontade, os nossos desejos ou conveniências, o que Ele quer, o que Ele prefere, o que Ele propõe.

(ama, comentário sobre Jo 7, 40-53, 2016.03.12)






Jesus Cristo e a Igreja – 152

Celibato eclesiástico: História e fundamentos teológicos

V. FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS DA DISCIPLINA DO CELIBATO

…/109

Fundamento histórico doutrinal


…/5

Essa interpretação do unius uxoris vir também era aceita no Oriente. Isto é provado pelo grande historiador da Igreja antiga, Eusébio de Cesaréia, que deve ser considerado bem informado, já que, como já afirmamos, participou no Concílio de Nicéia e, como amigo dos arianos, tinha defendido o uso do matrimónio por parte dos padres já casados. No entanto diz expressamente que, comparando o sacerdote do Antigo Testamento com o do Novo, se confronta a geração corporal com a espiritual, e que nisso consiste o sentido do unius uxoris vir: em que aqueles que foram consagrados e dedicados ao culto divino devem abster-se convenientemente, do momento da Ordenação em adiante, das relações sexuais com a esposa.


(cont)

(revisão da versão portuguesa por ama)

Ao esquecimento de si mesmo chega-se pela oração

A maior parte dos que têm problemas pessoais, "têm-nos" pelo egoísmo de pensar em si próprios. (Forja, 310)

Cada um de vós, se quiser, pode encontrar o caminho que lhe for mais propício para este colóquio com Deus. Não me agrada falar de métodos nem de fórmulas, porque nunca fui amigo de espartilhar ninguém; tenho procurado animar todas as pessoas a aproximarem-se do Senhor, respeitando cada alma tal como ela é, com as suas próprias características. Pedi-lhe vós que meta os seus desígnios na nossa vida: e não apenas na nossa cabeça, mas no íntimo do nosso coração e em toda a nossa actividade externa. Garanto-vos que deste modo evitareis grande parte dos desgostos e das penas do egoísmo e sentir-vos-eis com força para propagar o bem à vossa volta. Quantas contrariedades desaparecem, quando interiormente nos colocamos muito próximos deste nosso Deus, que nunca nos abandona! Renova-se com diversos matizes esse amor de Jesus pelos seus, pelos doentes, pelos entrevados, quando pergunta: que se passa contigo? Comigo... E, logo a seguir, luz ou, pelo menos, aceitação e paz.


Ao convidar-te para fazeres essas confidências com o Mestre, refiro-me especialmente às tuas dificuldades pessoais, porque a maioria dos obstáculos para a nossa felicidade nascem de uma soberba mais ou menos oculta. Pensamos que temos um valor excepcional, qualidades extraordinárias. Mas, quando os outros não são da mesma opinião, sentimo-nos humilhados. É uma boa ocasião para recorrer à oração e para rectificar, com a certeza de que nunca é tarde para mudar a rota. Mas é muito conveniente iniciar essa mudança de rumo quanto antes. (Amigos de Deus, 249)

Eutanásia: o que está em causa? Contributos para um diálogo sereno e humanizador

Nota Pastoral do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, 14 de Março de 2016

10. A mensagem que, através da legalização da eutanásia e do suicídio assistido, assim se veicula tem graves implicações sociais, que vão para além de cada situação individual. Esta mensagem não pode deixar de ter efeitos no modo como toda a sociedade passará a encarar a doença e o sofrimento.

Há o sério risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a estas situações, já que a solução não passaria por um esforço solidário de combate à doença e ao sofrimento, mas pela supressão da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminuída na sua dignidade. E é mais fácil e mais barato. Mas não é humano! Neste novo contexto cultural, o amor e a solidariedade para com os doentes deixarão de ser tão encorajados, como já têm alertado associações de pessoas que sofrem das doenças em questão e que se sentem, obviamente, ofendidas quando veem que a morte é apresentada como “solução” para os seus problemas. E também é natural que haja doentes, de modo particular os mais pobres e débeis, que se sintam socialmente pressionados a requerer a eutanásia, porque se sentem “a mais” ou “um peso”.

É este, sem dúvida, um perigo agravado num contexto de envelhecimento da população e de restrições financeiras dos serviços de saúde que implícita ou explicitamente se podem questionar: para quê gastar tantos recursos com doentes terminais quando as suas vidas podem ser encurtadas?


(cont)

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?