21/01/2017

Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO X

Opiniões seguidas por aqueles que propuseram deuses diferen­tes para as diferentes partes do Mundo.

E porque é que lhe unem Juno como esposa, que se diz sua «irmã e cônjuge»? Porque, dizem, segundo a tradi­ção, Júpiter está no éter, Juno no ar e estes dois elementos, um superior e outro inferior, estão unidos. Já não é, portanto, aquele de quem foi dito:
tudo está cheio de Júpiter  [i].
pois também Juno enche uma parte. Será que os dois cônjuges enchem os dois elementos residindo ao mesmo tempo um e outro nos dois? Então, porque é que se atribui o éter a Júpiter e o ar a Juno? No fim de contas, estas duas divindades bastariam: para quê atribuir o mar a Neptuno e a terra a Plutão? E para que estes não fiquem também sem esposas, juntam Salácia a Neptuno e Prosérpina a Plutão. É que, dizem, assim como Juno reside no ar, isto é, na parte inferior do céu, assim também Salácia ocupa a parte inferior do mar e Prosérpina a parte inferior da terra. Procuram, mas não encontram, a maneira de remendar estas fábulas. Se assim fosse, os antigos teriam falado de três e não de quatro elementos do mundo para atribuírem a cada elemento uma parelha de deuses. Todavia, o que afirmam é bem diferente: o éter é uma coisa e o ar é outra. Quanto à água, superior ou inferior, não deixa de ser água. Imagina tu que é diferente: deixará ela por isso de ser água? E a terra «inferior» que outra coisa poderá ser senão terra, por muito diferente que seja? E eis que com estes quatro ou três elementos já o conjunto do mundo corpóreo está completo. Onde ficará Minerva? Que ocupará ela? Que é que preencherá? Encontrou um lugar no Capitólio ao mesmo tempo que eles, embora não seja filha de ambos. Se, como dizem, Minerva ocupa a parte superior do éter — e por essa razão os poetas fingem que ela nasceu da cabeça de Júpiter — porque não a consideram então como rainha dos deuses, mesmo acima de Júpiter? Porque seria indecoroso colocar a filha acima do pai? Porque é que não se observou a mesma justiça a propósito do próprio Júpiter para com Saturno? Porque este foi vencido? Então, combateram? Longe disso, dizem; palavrório de fábulas é que isso é! Vá — não acreditemos em fábulas e façamos dos deuses melhor juízo. Porque é que então não foi dado ao pai de Júpiter uma morada, se não mais sublime pelo menos de igual categoria? Por­que, dizem, Saturno é a duração do tempo. Portanto prestar culto a Saturno é prestar culto ao tempo e supor que Júpiter, rei dos deuses, nasceu do tempo. Que há de indigno em dizer-se que Júpiter e Juno nasceram do tempo — se aquele é o céu e esta a terra — sendo certo que o céu e a terra foram criados? De facto, também os seus doutores e sábios consignaram isto nos seus livros. Não foi segundo as ficções dos poetas mas segundo os livros dos filósofos que Vergílio escreveu:
Então, o Pai Omnipotente, o Éter, desceu em forma de chuva fecunda, ao seio da sua ditosa esposa [ii],
isto é, no seio de Telure, a Terra. Porque ainda aqui querem que haja diferenças. Julgam que na própria terra uma coisa é a Terra, outra Telure outra Telumão e que cada um destes deuses tem os seus próprios nomes, distingue-se pelas suas funções e é venerado em altares e com ritos próprios.

A esta mesma Terra chamam também a mãe dos deuses, e assim já as ficções dos poetas se tomam mais toleráveis, pois não é nos seus poemas mas nos livros sagrados que é chamada não só a «irmã e esposa» mas também a mãe de Júpiter. Querem ainda que a mesma Terra seja Ceres e também Vesta. Mas é frequente apresentarem Vesta como o fogo dos lares, sem o qual a cidade não poderia existir. E por isso eram virgens que costumavam consagrar ao seu serviço, porque, assim como nada nasce do fogo, também nada nasce de uma virgem. Todas estas frivolidades deviam com certeza vir a ser abolidas e extintas por quem nasceu duma virgem. Efectivamente, quem suportará que os que tributam tão grande honra (e até como que castidade) ao fogo, não se envergonhem de chamar Vénus a Vesta, desvanecendo assim a louvável virgindade das suas servidoras? É que, se Vesta é Vénus, como é que virgens podem correctamente servi-la, abstendo-se das obras de Vénus? Haverá duas Vénus — uma virgem e outra senhora (mulier)? Ou antes três — uma das virgens, que é tam­bém Vesta, outra das casadas e outra das meretrizes? Era a esta que os Fenícios davam de presente a prostituição das filhas antes de as vincularem aos maridos. Qual delas é a mulher de Vulcano? Com certeza que não é a virgem, pois tem um marido. Que seja a meretriz — nem pensar nisso: não vá parecer que se pretende fazer injúrias ao filho de Juno, ao colaborador de Minerva. Portanto, tem que se concluir que se trata da que respeita às casadas. Mas não queremos que a imitem no que ela fez com Marte. Lá voltas de novo às fábulas, dirão! Que justiça é essa que se inflama contra nós por isto afirmarmos dos seus deuses e não inflama contra si próprios os que no teatro assistem gostosamente a estes crimes dos seus deuses? E (o que não seria de acreditar se não se provasse sem contestação) estas representações teatrais dos crimes dos deuses foram instituídas em louvor desses mesmos deuses.

CAPÍTULO XL

Os doutores dos pagãos defendem a opinião de que os diversos deuses mais não são que um e o mesmo Júpiter.

Afirmem pois o que lhes apetecer baseados em argumentos de ordem física e em conclusões das suas controvérsias:
— umas vezes, que Júpiter é a alma deste mundo corpóreo, alma que enche e move toda esta mole formada e constituída por quatro, ou por quantos elementos lhes aprouver;
— outras vezes, que ele cede à irmã e aos irmãos a sua parte;
        — outras, que ele é o éter que envolve o ar desde Juno, lá em cima, até ao difundido cá por baixo;
— umas vezes, que ele próprio é o céu todo com o ar e que fecunda com as suas chuvas e sementes a Terra, simultaneamente sua esposa e mãe (pois que nada de torpe há entre os deuses);
— outras vezes, finalmente (para não desfiar todas as possibilidades), que ele é o deus único ao qual muitos atribuem o que foi dito pelo mais ilustre dos poetas:
o deus de facto percorre todas as terras, todas as extensões dos mares, todas as profundezas do Céu [iii];
— ele é Júpiter no éter e Juno nos ares;
— é Nephino nos mares e Salácia nas regiões inferiores do mar;
        — é na terra Plutão, e Prosérpina nas regiões inferiores da terra;
        — é Vesta nos lares domésticos e Vulcano na fornalha dos ferreiros;
— nos astros é o Sol, a Lua e as estrelas, e nos adivinhos é Apolo;
        — no comércio é Mercúrio, Jano no começo das coisas, Saturno no tempo, Marte e Belona nas guerras, Líder nas vinhas, Ceres nas searas, Diana nas florestas, Minerva nas artes;
— está, finalmente, na multidão dos deuses, a bem dizer ple­beus;
— é quem preside, com o nome de Libero, à emissão seminal dos homens e, com o nome de Libera, à das mulheres;
— é Diespáter, que leva a seu termo o parto;
— é a deusa Mena, que preside às regras das mulheres;
— é Lucina, invocada pelas parturientes;
— é quem, com o nome de Ópis, presta socorro aos recém-nascidos, recebendo-os do seio da terra;
— é quem, com o nome do deus Vaticano, lhes abre a boca para os vagidos;
— com o nome da deusa Levana, os ergue da terra;
— com o nome da deusa Cunina, vigia os berços;
— é ele e não outro quem, com o nome das deusas Carmentes, narra os destinos dos recém-nascidos;
— quem, com o nome de Fortuna, preside aos acontecimentos fortuitos;
— com o da deusa Rumina, munge a mama para o pequenino
— por isso é que os antigos chamaram ruma à mama;
— com o da deusa Potina, lhes administra a bebida;
— com o da deusa Edura, lhes fornece a comida;
— quem do pavor das crianças tira o nome de Pavência, o de Venília da esperança que vem, o de Volú­pia da voluptuosidade, o de Agenória do esforço.
— Dos estímulos com que o homem é impelido para o excesso de actividade, vem-lhe o nome de Stímula, e de Strénia da energia (strenuus) para a acção;
— a que ensina a contar (numerare) é Numeria e a que ensina a cantar (canere) é Canena;
— é ainda o deus Consus porque aconselha, a deusa Sência por­que inspira os pensamentos (sententia), a deusa Juventas que, chegada a idade de envergar a toga pretexta, apadrinha a entrada na idade juvenil;
— é a Fortuna barbuda que reveste de barba os adolescentes (a estes os quiseram honrar, considerando esta curiosa divindade pelo menos como um deus masculino, quer chamando-lhe Barbado, por causa da barba, como se chamou Nodato, por causa dos nós (nodus), quer chamando-lhe Fortúnio em vez de Fortuna ainda por causa das barbas);
— como deus Jugatino ele une os esposos;
— com o nome da deusa Virginiense é invocado quando se desaperta a cinta da noiva;
— ele é mesmo Mutuno ou Tutuno, ou seja, entre os gregos, Priapo.

Se ele não se envergonha de ser tudo o que disse e até o que não disse (pois não tenciono dizer tudo), isto é, que Júpiter sozinho seja todos os deuses e todas as deusas, quer sejam estas, como pretendem uns, partes dele ou potências dele, como parece a outros, a quem apraz ver nele a alma do mundo, o que constitui a opinião de muitos dos seus grandes doutores.

Se assim é (e qual seja não o indago por ora) — que perderiam, se adorassem, numa síntese mais sensata, um Deus apenas? Que poderiam «dele desprezar, adorando-o a ele próprio»? Se deviam evitar que se irassem algumas das partes que eram esquecidas ou postas de lado — então não é ele (Júpiter), como pretendem, a vida total do único animador que em si contém todos os deuses como po­tências suas, como membros seus, como partes suas; mas cada uma das suas partes tem vida própria, separada das outras, uma vez que uma pode irar-se com a exclusão de outra e que uma se amansa quando a outra se indigna. Se se disser que o próprio Júpiter todo inteiro se ofende, isto é, todas as suas partes ao mesmo tempo, no caso de não serem veneradas todas elas, uma a uma — diz-se uma tolice. Na verdade, uma parte não seria posta de parte quando fosse venerado o próprio Uno que a todas contém. Mas omito outras questões, que muitas são. Quando afirmam que todos os astros são partes de Júpiter, que todos vivem e têm alma racional, que, portanto, são indiscutivelmente deuses — não reparam quantos não veneram, a quantos não constroem templos nem levantam altares, pois entenderam que não os deviam levantar senão a muito poucos astros, aos quais deviam ser oferecidos sacrifícios em especial. Se, pois, se enfurecem os que não são venerados em especial, não haverá que recear, dado o pequeno número dos satisfeitos, viver na cólera de todo o céu?

Mas, se se veneram todos os astros honrando Júpiter que a todos contém, poderiam então elevar-lhes súplicas a todos os compreendidos em Júpiter (desta forma, nenhum teria que se encolerizar, já que, neste único, nenhum estaria posto de parte). Seria melhor do que reservar o culto para uns tantos, dando lugar a que injustificadamente se indignem os que — decerto muitos mais — tivessem sido preteridos, sobretudo quando do alto do céu onde brilham, vêem preferir-se-lhes um Priapo exibindo-se na sua obscena nudez.

CAPÍTULO XII

Opinião dos que consideram Deus como a alma do Mundo e o Mundo o corpo de Deus.

Quê? Isto não deve deixar de emocionar os homens argutos ou sejam eles o que forem, porque, se pusermos de parte a discussão apaixonada, não é preciso ser um grande génio para compreender que

se Deus é a alma do Mundo e o Mundo o corpo desta alma, então Deus é um ser vivo único, composto de um corpo e de uma alma;

e se Deus, no próprio seio da natureza, contém em si todas as coisas de maneira que da sua alma, como princípio vivificante de toda esta mole, derivam a vida e a alma de todos os seres vivos conforme a sorte que coube a cada um quando nasceu — então nada há que não seja parte de Deus.

Se assim é — quem não vê quanta impiedade e irreligiosidade daí de­corre: pois o que qualquer calcar, a Deus calcará, e ao m atar qualquer ser vivo, matará parte de Deus?

Não quero referir tudo o que pode ocorrer aos que nisto pensam, mas não pode ser referido sem vergonha.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Vergílio, Bucólicas, III, 60
[ii] Vergílio, Geórgicas, II, 325.
[iii] Vergílio, Georg., IV, 221.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 13


1.ª Viagem Missionária: [ii]

O Evangelho na Ásia Menor

13De Pafos, onde embarcaram Paulo e os companheiros, dirigiram-se a Perga da Panfília. João, porém, separando-se deles, voltou para Jerusalém. 14Quanto àqueles, deixaram Perga e, caminhando sempre, chegaram a Antioquia da Pisídia.

A um sábado, entraram na sinagoga e sentaram-se. 15Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os chefes da sinagoga mandaram-lhes dizer: «Irmãos, se tiverdes alguma exortação a dirigir ao povo, falai.»




[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28

Remédios para acabar com a tristeza - 5

Quinto remédio: tomar banho ou dormir


É verdade!

Pura sabedoria de São Tomás de Aquino.
É profundamente cristão entender que, para remediar um mal espiritual, é útil buscar um alívio corporal também. A partir do momento em que Deus se fez Homem e assumiu um corpo, superou-se a separação entre matéria e espírito.

Um preconceito muito difundido, no entanto, é que a visão cristã do homem se baseia na oposição entre corpo e alma, segundo a qual o corpo seria visto como um peso ou um obstáculo para a “vida espiritual”.



(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agendado cristão



SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





20/01/2017

Bendita perseverança a do burrico

Se não for para construir uma obra muito grande, muito de Deus – a santidade –, não vale a pena entregar-se. Por isso, a Igreja, ao canonizar os Santos, proclama a heroicidade da sua vida. (Sulco, 611)


Se a vida não tivesse por fim dar glória a Deus, seria desprezível; mais ainda, detestável. (Caminho, 783)


Bendita perseverança a do burrico de nora! – Sempre ao mesmo passo. Sempre as mesmas voltas. – Um dia e outro; todos iguais.

Sem isso, não haveria maturidade nos frutos, nem louçania na horta, nem o jardim teria aromas.

Leva este pensamento à tua vida interior. (Caminho, 998)


Qual é o segredo da perseverança? O Amor. – Enamora-te. e não "O" deixarás. (Caminho, 999)

A entrega é o primeiro passo de uma corrida de sacrifício, de alegria, de amor, de união com Deus. E, assim, toda a vida se enche de uma bendita loucura, que faz encontrar felicidade onde a lógica humana não vê senão negação, padecimento, dor. (Sulco, 2)

– Qual é o fundamento da nossa fidelidade?

– Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...


Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)

Reflectindo - 219

Reflectindo



Que falta faço eu? -3


Voltando ao tema “que falta faço eu” reparo que o que tenho para contar aos outros se resume a coisas sobre mim:

o que espero, o que me acontece, o que preciso, desejo ou quero... eu, eu, eu!


Toda a vida gira à minha volta e todos, seja quem for tem por obrigação fazer o mesmo porque, eu, sou importante, indispensável.

Eu!

Talvez tenha de concluir que, a ser assim, não faço falta absolutamente nenhuma!

ama, reflexões, 2016.10.04


Evangelho e comentário

 
Tempo comum

Evangelho: Mc 3, 13-19

13 Tendo subido a um monte, chamou a Si os que quis, e aproximaram-se d'Ele.14 Escolheu doze para que andassem com Ele e para os enviar a pregar,15 com poder de expulsar os demónios:16 Simão, a quem pôs o nome de Pedro;17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”;18 e André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Cananeu,19 e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou.

Comentário:

Jesus Cristo dá a estes doze uma missão específica: pregar!

E o que é pregar?

É sempre anunciar o Reino de Deus.

Ontem como hoje os cristãos são "enviados" tal como estes doze, a levar a todas as partes, a todas as gentes a Boa Nova recebida, directamente de Jesus Cristo.

Os Doze foram os primeiros e, depois, sucederam-se continuam a suceder-se milhões de homens e mulheres de todas as condições sociais, de todas as partes do mundo exactamente com a mesma missão.

A Santa Igreja fundada por Jesus Cristo continua viva e actuante alicerçada nesse trabalho dedicado e contínuo, a maior parte das vezes discreto e sem notoriedade, de apostolado.

Pregar é, pois, sobretudo, levar aos outros o exemplo da própria vida cristã pois não se pode pregar o que não se pratica.

Quem acreditará em alguém que sugere ou mesmo aconselha, que não faz o que propõe a outros que façam?

(ama, comentário sobre Mc 3, 13-19 Carvide, 2015.01.2




Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 



Vol. 1

LIVRO IV

CAPÍTULO VI

Ambição do rei Nino, que, para estender os seus domínios, co­meçou por declarar a guerra aos seus vizinhos.

Justino, que, seguindo Trogo Pompeio, escreveu uma História Grega, ou antes História Estrangeira, não somente em latim, como este, mas mais abreviada, começou assim a obra dos seus livros:

No princípio, o poder sobre os povos e as nações encontrava-se todo nas mãos dos reis, guindados a esta suprema dignidade, não pela ambição popular, mas pela sabedoria que os bons lhes reconheciam. O povo ainda não estava vinculado a leis; mais do que estendê-los, era costume proteger os limites do Estado! Para cada um, esses limites identificavam-se com as fronteiras da sua própria pátria. Nino, da Assíria, foi o primeiro que, impelido por uma ambição até então ignorada, mudou estes antigos e quase ancestrais hábitos. Foi ele o primeiro a declarar guerra aos seus vizinhos e a estender o seu domínio até às fronteiras da Líbia sobre populações ainda ignorantes da arte de se defenderem [i].

Depois acrescenta:

Nino consolidou por uma posse duradoura o vasto império que tinha conquistado. Vencidos que foram os seus vizinhos, cada vez mais forte com o aumento das suas tropas, marchou contra os outros povos, servindo cada vitória de instrumento para a segunda, e assim submeteu os povos de todo o Oriente.

Qualquer que seja a fidelidade aos factos referidos por este ou por Trogo (efectivamente, outros escritores mais fiéis evidenciam alguns dos seus erros), consta, porém, nos demais escritores que Nino estendeu e alargou o reino dos Assírios. Sua duração foi até superior à que o Império Romano até agora atingiu. Na verdade, como escreveram os que continuaram a história cronológica, manteve-se este reino durante mil duzentos e quarenta anos desde o primeiro ano em que Nino começou a reinar até passar para os Medos.

Levar a guerra aos vizinhos, avançar depois para novas conquistas, esmagar e submeter por pura ambição de domínio povos pacíficos — que outro nome merece isto senão o de imensa quadrilha de ladrões?

CAPÍTULO VII

Serão os reinos da Terra ajudados ou abandonados pelos deuses no decurso do seu progresso ou do seu retrocesso?

Se este reino foi tão extenso e tão duradouro sem o menor auxílio dos deuses, porquê atribuir aos deuses romanos tão amplo em extensão e tão longo no tempo, o domínio romano? Porque, qualquer que seja a causa daquele, tem que ser a mesma deste. Se se pretende que se deve atribuir aquele ao auxílio dos deuses, pergunto de quais. Porque os outros povos que Nino conquistou e subjugou não adoravam deuses alheios. Ou, se os Assírios tiveram deuses próprios, estes, obreiros mais hábeis na arte de construir e de conservar um império, terão morrido quando esse povo perdeu o seu império? Ou, porque lhes não era pago o devido salário ou porque receberam melhores ofertas, preferiram passar-se para os Medos e destes, mais tarde, para os Persas, a convite de Ciro que lhes fazia ofertas mais vantajosas? De resto, este povo, depois do Império de Alexandre da Macedónia, grande em tamanho, mas muito breve no tempo, perdura até hoje em extensas regiões do Oriente.

Se assim é — ou os deuses são uns traidores que abandonam os seus e se passam para os inimigos (o que nem um simples homem como Camilo fez, quando, depois de ter vencido e tomado de assalto a cidade mais encarniçada inimiga de Roma, sentiu a ingratidão desta; todavia, esqueceu logo a injúria e, lembrado da pátria, livrou-se mais uma vez dos Gauleses);
— ou não são tão fortes como convém aos deuses que se­jam fortes, eles que podem ser vencidos pelas decisões ou força humanas;
— ou guerreiam-se uns aos outros e são vencidos, não por homens mas por outros deuses próprios de cada cidade, alimentando portanto entre si inimizades que cada um exerce a favor da sua facção. Uma cidade não devia, por conseguinte, venerar os seus deuses de preferência a outros pelos quais os seus poderão não ser ajudados.

Enfim, de qualquer modo que se interprete essa passagem para o inimigo, ou essa fuga, ou essa migração ou essa defecção dos deuses em pleno combate, — ainda o nome de Cristo não tinha sido pregado nesses tempos e nessas regiões da Terra, quando aqueles impérios, no decurso de ingentes calamidades bélicas, se perderam ou passaram a outros. Mas, se a religião cristã já aí tivesse pregado um outro reino, esse eterno, e proscrito o culto sacrílego dos falsos deuses quando, depois de uma existência de mais de mil e duzentos anos, o seu reino tivesse sido arrebatado aos Assírios, — que não teriam dito os espíritos frívolos dessa nação, senão que um reino conservado durante tanto tempo não podia perecer senão por uma causa: o abandono da sua religião e a introdução de uma religião nova?

Fixem neste possível clamor da vaidade a sua atenção e, se lhes resta ponta de pudor, envergonhem-se de queixumes semelhantes. O Império Romano sofreu mais um duro choque do que uma mudança; suportou provas como as doutros tempos antes do nome de Cristo, das quais se refez. Não se deve, pois, desesperar, nos tempos que correm. Efectivamente, quem conhece, a este respeito, a vontade de Deus?

CAPÍTULO VIII

Com o patrocínio de que deuses julgam os Romanos que o Império se dilatou e manteve, uma vez que se convence­ram de que a protecção de cada coisa devia ser confiada a cada deus em particular.

Se estais de acordo, indaguemos agora qual é ou quais são, no meio de tamanha turba de deuses adorados pelos Romanos, qual ou quais os que eles julgam que dilataram e mantiveram o império. Em trabalho tão preclaro e tão cheio de dignidade não ousarão com certeza atribuir qualquer quinhão à deusa Cluacina nem a Volúpia — assim chamada devido à voluptuosidade; nem a Lubertina, cujo nome vem de libido [ii] nem a Vaticano, que preside aos vagidos das crianças; nem a Cunina, que vigia sobre os seus berços (cunae). Mas, como é que num só capítulo deste livro podem ser mencionados os nomes de todos os deuses e de todas as deusas que dificilmente poderão caber em grossos volumes que tratam dos ofícios de cada deus para cada tarefa? Acharam que nem sequer deviam confiar a um só deus os trabalhos de campo mas entregaram os plainos à deusa Rusina (nus — campo), os cumes (juga) dos montes a Jugatino, as encostas (collis) à deusa Collatina, os vales a Valónia. Nem mesmo puderam reservar só para Segetia as ceifas (segetes) — mas puseram a deusa Seia a presidir às sementes, enquanto estão debaixo da terra; a deusa Segetia, quando já estão acima da terra até à ceifa; a deusa Tutilina, à conservação do grão colhido e recolhido para se conservar em segurança (tuta). A quem é que não pareceria suficiente aquela Segetia a todo o desenvolvimento da messe desde que nasce até que a espiga amadureça? Tal não bastou, porém, a homens amantes de uma multidão de deuses — e assim prostituíram a sua mísera alma à turba de demónios, desprezando o casto abraço do único Deus verdadeiro. Puseram por isso Prosérpina a presidir à germinação do trigo, o deus Nóduto aos gomos e nós (nodus) dos caules, a deusa Volutina ao envoltório das folhas; a deusa Patelana à abertura dos folículos para que a espiga passe; a deusa Hostilina, quando as espigas vão igualando as suas barbas, pois os antigos para «igualar» (aequare) usavam o verbo hostire; a deusa Flora à floração do trigo; o deus Lactumus quando está leitoso; a deusa Matuta à maturação; a deusa Runcina quando se arrancam (run­care), isto é, quando o levam da terra. E não enumero a todos porque me aborrece o que a eles não causa vergonha.

O pouco que disse é para que se compreenda que os Romanos de nenhuma forma ousavam atribuir o estabelecimento do Império Romano, a sua dilatação, a sua manutenção a divindades que estavam de tal modo especializadas, cada uma em seu ofício, que a nenhuma foi confiado um emprego global. Como é que, portanto, Segetia teria tomado a seu cuidado o Império, ela a quem não era permitido ocupar-se ao mesmo tempo das searas e das árvores? Como é que Cunina poderia pensar nas armas, ela a quem não era permitido deixar o berço das crianças? Como é que Nóduto poderia prestar ajuda na guerra, ele que nem ao invólucro da espiga mas apenas aos nós dos caules estava vinculado? Cada um põe em sua casa apenas um porteiro e embora seja um só homem, basta perfeitamente; mas eles colocaram três deuses — Fórculo nas portas (fores), Cárdea nos gonzos (cardo), Limentino à soleira (limen). E assim Fórculo não podia guardar ao mesmo tempo os gonzos e a soleira.

CAPÍTULO IX

Se a extensão e a duração do Império Romano se devem atribuir a Júpiter, que os seus adoradores consideram como o maior dos deuses.

Deixemos, pelo menos por momentos, essa turba de minúsculos deuses, e procuremos, como devemos, o papel dos deuses maiores, graças ao qual Roma se tomou tão grande a ponto de dominar tantos povos desde há tanto tempo. De certeza que isto é obra de Júpiter. Querem, efectivamente, que ele seja o rei de todos os deuses e de todas as deusas: indica-o o seu cetro, indica-o o Capitólio no alto da colina. Declaram que é acertadíssimo, embora proferido por um poeta, este dito a res­peito deste deus:

Tudo está cheio de Júpiter [iii].

Varrão crê que ele é adorado mesmo por aqueles que adoram um só deus sem imagem, mas com outro nome. Se assim é, porque é que ele é tão maltratado em Roma, como de resto entre outros povos, erigindo-lhe uma está­ tua? Isto desagradava tanto ao próprio Varrão que, embora pressionado pelo costume perverso duma semelhante cidade, não receou dizer e escrever que os que levantaram estátuas aos deuses aos povos tiraram o medo, mas infundiram o erro.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Trogo Pompeio, um historiador romano de origem gaulesa, contemporâneo de Augusto, com o título de Historiae Philipicae escreveu uma história em quarenta e quatro livros, em continuação de Tito Lívio. Era a descrição da história de vários povos, excepto os Romanos, a partir da Macedónia, reino de Filipe. Toda a obra se perdeu e é actualmente conhecida apenas pelo resumo que dela fez no Séc. II Juniano Justino
[ii] Lascívia.
[iii] Vergílio, Bucólicas, III, 60.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

III. MISSÕES DE PAULO [i]

Capítulo 13

1.ª Viagem Missionária: [ii]

Evangelização de Chipre

4Enviados, pois, pelo Espírito Santo, Barnabé e Saulo desceram a Selêucia e ali meteram-se num barco, rumo à ilha de Chipre. 5Chegados que foram a Salamina, começaram a anunciar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar. 6Percorreram toda a ilha até Pafos e encontraram lá um mago, falso profeta, judeu, chamado Barjesus, 7que estava ao serviço do procônsul Sérgio Paulo, homem ponderado. Este mandou chamar Barnabé e Saulo, desejoso de ouvir a palavra de Deus. 8Mas o mago Elimas - assim se traduz o seu nome - opôs-se-lhe, procurando desviar da fé o procônsul. 9Então Saulo - também chamado Paulo - cheio do Espírito Santo, fitou nele os olhos 10e disse-lhe: «Ó criatura, cheia de todas as astúcias e de toda a iniquidade, filho do diabo, inimigo de toda a justiça, quando é que cessarás de perverter os rectos caminhos do Senhor? 11Mas agora a mão do Senhor está sobre ti: vais ficar cego e, durante algum tempo, não hás-de ver o sol.» No mesmo instante, caíram sobre ele o nevoeiro e as trevas e, voltando-se para todos os lados, procurava alguém que o guiasse pela mão. 12Vendo, então, o que se tinha passado, o procônsul abraçou a fé, vivamente impressionado com a doutrina do Senhor.



[i] (13,1-28,31)
[ii] 13,1-14,28

Remédios para acabar com a tristeza - 4

Quarto remédio: contemplar a verdade



Trata-se do fulgor veritatis de que falava Santo Agostinho. Contemplar o esplendor das coisas, a natureza, uma obra de arte, escutar uma boa música, surpreender-se pela beleza de uma paisagem são coisas que podem servir como um eficaz bálsamo contra a tristeza.



(cont.)


(Cinco Remédios de são tomás de aquino para acabar com a tristeza)


(Revisão da versão portuguesa por ama)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?