13/01/2017

Leitura espiritual


Leitura espiritual


A Cidade de Deus 


Vol. 1

LIVRO III

CAPÍTULO XIV

Guerra impiedosa dos Romanos contra os Albanos, e vitória al­cançada pela paixão de domínio.

Que aconteceu a seguir, depois de Numa, sob os outros reis? Quão grande mal foi, mesmo para os Romanos, a guerra que estes declararam aos Albanos! Com certeza que a longa paz de Numa se tinha deteriorado! Que incessantes carnificinas para os exércitos de Roma e de Alba até ao esgotamento das suas cidades! De facto foi provocada pelo rei Túlio Hostílio que aquela Alba, fundada por Ascânio, filho de Eneias, mãe de Roma mais chegada que a própria Tróia, entrou em guerra. Durante a luta, vibrou e recebeu duros golpes, até que de parte a parte se cansaram de tanta luta. Combinou-se então submeter a sorte da guerra a três irmãos de uma e outra parte. Apresentaram-se por parte dos Romanos os três Horácios e por parte dos Albanos os três Curiácios. Por três Curiácios foram vencidos e mortos dois Horários e depois por um Horácio os três Curiácios. E assim ficou Roma vitoriosa — mas, no combate final, com a desgraça de, a casa, só um dos seis ter voltado vivo. Para quem foi, de uma e outra parte, o prejuízo, para quem o luto, senão para a estirpe de Eneias, senão para os pósteros de Ascânio, senão para a prole de Vénus, senão para os netos de Júpiter? De facto, foi uma guerra mais que civil, esta em que a cidade-filha se bate contra a cidade-mãe.

Acresce a esta última pugna de três irmãos um mal atroz e horrível. Como ambos os povos eram antes amigos (pois eram vizinhos e parentes) a irmã dos Horácios estava noiva de um dos Curiácios. Porque ela chorava ao ver os despojos do seu noivo nas mãos do seu irmão vencedor, este matou-a.

Parece-me que o sentimento desta única mulher foi mais humano do que o de todo o povo romano. Chorando um homem a quem se mantinha fiel e talvez um irmão que matava aquele a quem prometera a irmã, não era ela, julgo eu, que derramava lágrimas culpáveis. Na verdade, porque é que, em Vergílio, o piedoso Eneias é louvado por ter chorado o inimigo morto às suas mãos? Porque é que Marcelo, ao recordar o prestígio e a glória de Siracusa, que, pouco depois, ia destruir com as suas próprias mãos, derramou lágrimas de piedade, comovido pela sorte comum dos mortais? Por favor, invoquemos o sentimento humano para vermos que uma mulher não comete crime por chorar o seu noivo assassinado pelo seu irmão — quando tantos homens foram louvados por chorarem os seus inimigos por si próprios vencidos. Mas quando esta mulher estava a chorar a morte do noivo perpetrada pelo irmão, regozijava-se então Roma por ter causado em batalha uma grande matança contra sua cidade mãe e por ter saído vitoriosa à custa do sangue fraterno derramado por ambas as partes.

 A que propósito me invocam a palavra louvor e a palavra glória? Removidos os obstáculos de uma louca opinião — vejamos os crimes na sua nudez, pesemo-los na sua nudez, julguemo-los na sua nudez! Proclama-se o crime de Alba como se proclamava o adultério de Tróia! Nada de tal, nada de semelhante se enxerga! foi apenas para despertar a coragem adormecida que
Tulo chama às armas e põe em pé de guerra as suas hostes desabituadas das vitórias [i]. Foi apenas este vício que perpetuou o tão grande crime de uma guerra entre associados e parentes. Foi a este enorme vício que Salústio de passagem se referiu, quando, depois de recordar, com fugidios louvores, os velhos tempos em que o homem vivia tranquilo, sem ambições, cada um satisfeito com o que tinha, acrescenta:
Mas, desde que começaram a submeter cidades e nações, — Ciro, na Ásia, os Lace demónios e os Atenienses, na Grécia— , declarava-se a guerra apenas por um motivo: a paixão do domínio, julgando-se que o máximo da glória estava no máximo do poder [ii] e o resto que se propunha dizer. A mim basta-me ter citado estas palavras. Esta paixão de domínio é que agita e esmaga o género humano com grandes males. Vencida então por esta paixão, Roma orgulhava-se por ter vencido Alba e dava ao seu crime o nome de glória. Diz a nossa Escritura:

O pecador é louvado pelos desejos da sua alma e o que pratica a iniquidade recebe bênçãos [iii].

Arranquemos pois aos factos as coberturas enganosas e o brilho ilusó­rio para os vermos num exame sincero. Ninguém me venha dizer: este ou aquele é grande porque combateu e venceu este ou aquele. Também os gladiadores lutam, também eles são vencedores, também essa crueldade tem o seu prémio de louvor. Mas julgo que é preferível ser punido por qualquer omissão, a buscar a glória daqueles combates. E, todavia, se na arena, um contra o outro, avançassem, para combaterem gladiadores, um dos quais fosse o pai e o outro o filho — quem suportaria tal espectáculo? Quem é que o não faria parar? 

Como é que então pode ser glorioso este conflito armado entre uma cidade mãe e uma cidade filha? Estará a diferença em que não havia arena mas largos campos, não com dois gladiadores mas cheios de cadáveres de numerosos filhos de dois povos? Ou estará em que esta luta se não desenrolou no recinto de um anfiteatro, mas no mundo inteiro e fornecendo um espectáculo ímpio aos vivos e aos vindouros em qualquer parte onde chegue a notícia do facto?

Todavia esses deuses protectores do Império Romano, contemplando estas lutas como espectadores de teatro, até ao momento em que a irmã dos Horácios foi atingida pelo ferro fraterno, sofriam contrariedade em seus desejos — porque, para três Curiácios mortos, era preciso, do lado dos Romanos, uma terceira vítima que se juntasse aos dois irmãos, para que Roma não contasse com menos mortos apesar de ter vencido. Seguidamente e como fruto da vitória, Alba foi destruída. Aí, depois de ílion, destruída pelos Gregos, depois de Lavínio, onde Eneias estabeleceu um reino de estrangeiros e de fugitivos, aí vieram habitar em terceiro lugar as divindades troianas. Mas talvez, segundo o seu costume, tenham já emigrado também de Alba — por isso, esta foi destruída. Tinham-se todos ido embora com certeza,    
abandonando altares e santuários, estes deuses [iv]
que mantinham de pé o Império! Já se tinham ido embora por três vezes para que, à quarta vez, Roma se encomendasse à sua grande providência! Na verdade, desagradava-lhes Alba, onde Amúlio reinava, depois de expulso o irmão; agradava-lhes Roma, onde Rómulo reinava, depois do assassínio do irmão. Dirão: mas antes que Alba fosse des­truída, o seu povo foi transferido para Roma, para que de uma e outra se fizesse uma só cidade.
Seja! Admito que assim tenha acontecido! Todavia aquela cidade, reino de Ascânio e terceiro domicílio dos deuses Troianos, foi cidade mãe, destruída pela cidade filha. E para fundir numa lamentável amálgama os restos dos dois povos poupados pela guerra, muito sangue se derramou de parte a parte. Para que hei-de eu contar em pormenor as demais guerras, sempre as mesmas, sob os restantes reis uma e outra vez repetidas? A vitória parecia que lhes punha cobro. Mas tantas vezes acabadas pelo preço de sangrentas carnificinas, depois da paz e de tratados, tantas e tantas vezes se reacenderam entre genros e sogros, entre filhos e netos! Não foi pequeno indício deste período calamitoso o facto de nenhum desses reis ter fechado as portas da guerra. Nenhum deles, portanto, reinou em paz sob a protecção de tantos deuses.

CAPÍTULO XV

O que foram a vida e a morte dos reis romanos.

Qual foi o fim destes reis? De Rómulo é testemunha a fábula aduladora que no-lo apresenta admitido no Céu. Mas alguns escritores relatam que, devido à sua ferocidade, foi esquartejado pelo Senado e que teriam subornado não sei que Júlio Próculo para dizer que ele lhe tinha aparecido e o tinha encarregado de avisar o Povo Romano de que era preciso que o venerassem entre os deuses. Deste modo se conteve e apaziguou o povo, que começava a insurgir-se contra o Senado. Verificou-se ainda um eclipse do Sol, que a multidão, ignorando que isso era devido a leis inalteráveis que regulam o seu curso, atribuiu aos méritos de Rómulo. Como se aquele suposto luto do Sol não indicasse antes que o rei tinha sido assassinado, denunciando a fuga da luz do dia a existência de um crime. Foi o que aconteceu, realmente, quando o Senhor foi crucificado pela crueldade e iniquidade dos Judeus. Esse obscurecimento do Sol não aconteceu conforme as leis normais do curso dos astros, pois era então a Páscoa judaica que se celebra na Lua cheia — e um eclipse regular do Sol só se produz na Lua nova.

Cícero dá mais ou menos a entender que a recepção de Rómulo entre os deuses é mais uma ficção do que uma realidade! Nos seus livros acerca da República louva-o com as palavras de Cipião:

Deixou de si um tão elevado conceito que, tendo desaparecido subitamente durante um eclipse do Sol, se julgou que ele tinha entrado na sociedade dos deuses — crença que jamais mortal algum conseguiu despertar sem uma alta fama de virtude [v].

(Com estas palavras eum subito non comparuisse— «tendo desapare­cido subitamente» — compreende-se na verdade que foi devido a tempestade violenta ou a morte criminosa secreta. Com efeito outros escritores acrescentam ao eclipse uma tempestade súbita que, sem dúvida, deu ocasião ao crime ou ela própria arrebatou Rómulo).

De Tulo Hostílio, terceiro rei de Roma, que foi fulminado por um raio, o citado Cícero refere, nos ditos livros, que não se acreditou na sua admissão entre os deuses a seguir a essa morte, com certeza porque essa honra legítima, isto é, geralmente reconhecida a Rómulo, não a quiseram os Romanos vulgarizar, aviltá-la, concedendo-a facilmente a outro. Cícero di-lo mesmo abertamente nas Catilinárias:

Ao fundador desta cidade, Rómulo, elevámo-lo nós de boa vontade à categoria dos deuses mortais, em face da fama adquirida [vi].

Estas palavras dão a entender que se trata não de um facto real, mas de uma opinião muito difundida por causa dos méritos da sua virtude. E Cícero no diálogo do Hortênsio, ao falar dos eclipses regulares do Sol, diz:

Para produzir as mesmas trevas que surgiram quando da morte de Rómulo, a qual se verificou durante um escurecimento do Sol [vii]

Pelo menos desta vez não teve o menor receio de falar da morte do homem, sendo então mais crítico do que panegirista.

E os restantes reis do Povo Romano, excepto Numa Pompílio e Anco Márcio, que morreram de doença, que horríveis fins tiveram! Tulo Hos­tílio, vencedor e destruidor de Alba, morreu queimado, como disse, por um raio, com toda a sua casa. Tarquínio Prisco foi assassinado pelos filhos do seu predecessor. Sérvio Túlio morreu devido a nefando crime de seu genro Tarquínio o Soberbo que lhe sucedeu no trono. E nem perante este parricídio cometido contra melhor rei daquele povo
depois de abandonados altares e santuários, se afastaram esses deuses [viii]
que, indignados com o adultério de Páris, abandonaram, diz-se, a mísera Tróia para permitirem aos Gregos que a destruíssem e a queimassem. Mais ainda: Tarquínio, depois de ter assassinado o sogro, sucedeu-lhe. E esses deuses viram este criminoso parricida reinar graças ao assassínio do sogro, gabar-se das suas numerosas guerras e vitórias, construir o Capitólio com os despojos dos vencidos, e não partiram; ficaram a ver Júpiter seu rei naquele altíssimo templo, isto é, na obra do parricida; e suportaram que Tarquínio os chefiasse e sobre eles reinasse! E não foi como homem inocente, ainda, que ele construiu o Capitólio, nem como um homem que só mais tarde seria expulso da Urbe pelos seus crimes. Foi devido ao cometimento do mais monstruoso dos crimes que chegou ao trono e construiu o Capitólio. Todavia, quando, posteriormente, os Romanos o destronaram e o expulsaram para fora dos muros da cidade, não foi por ter sido ele, mas seu filho quem violara Lucrécia na sua ausência e sem seu conhecimento. Nessa altura, sitiava ele a cidade de Árdea e conduzia a guerra pelo Povo Romano. Não sabemos o que ele faria se o crime de seu filho fosse levado ao seu conhecimento. E, contudo, sem conhecer o seu juízo, sem o aguardar, o povo tirou-lhe o poder, e quando o exército voltou, ordenou-lhe que o abandonasse, fechou-lhe as portas e proibiu-lhe a entrada. Seguiu-se uma guerra terrível em que ele, graças aos vizinhos que sublevou, esmagou os Romanos. Foi, porém, abandonado por aqueles com o concurso dos quais contava e não pôde reconquistar o poder. Retirou-se, segundo se conta, para Túsculo, perto de Roma, e aí viveu tranquilamente durante catorze anos, como simples cidadão, e lá envelheceu com sua mulher e teve uma morte sem dúvida mais invejável do que a do sogro que ele, seu genro, assassinou com a cumplicidade, conta-se, de sua filha. Todavia, os Romanos não chamaram a este Tarquínio «o cruel», ou «o cele­rado», mas «o soberbo», talvez porque a sua própria soberba não suportava a arrogância real. De facto, tiveram em tão pouca conta o homicídio por ele cometido contra o seu sogro — que tinham por um óptimo rei —, que dele fizeram seu rei. Fico assombrado ao pensar se recompensar um tão grande crime com tamanha honra não será crime maior ainda. E os deuses ainda desta vez não «abandonaram os seus santuários e os seus altares». A não ser que se alegue, em defesa destes deuses, que, se eles ficaram em Roma, foi mais para poderem punir com suplícios os Romanos do que para os socorrerem com benefícios, seduzindo-os com vãs vitórias e esmagando-os com terríveis guerras.

Foi esta a vida dos Romanos sob os reis, nos gloriosos tempos daquela república, até à expulsão de Tarquínio o Soberbo, durante cerca de duzentos e quarenta e três anos. Todas as vitórias foram alcançadas pelo preço de muito sangue e de grandes calamidades! E, todavia, com ela apenas se alargou o Império em vinte milhas à volta da Urbe — território que não se compara com o que hoje têm até algumas cidades da Getúlia.

(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)





[i] Vergílio, Eneida, VI, 814-815.
[ii] Salústio, Catilina, II, 2.
[iii] Salmo X, 3.
[iv] Vergílio, Eneida, II, 351.
[v] Cícero, De Republica, II, 10.
[vi] Id., Catii, III, 1.
[vii] Acerca do Hortensius, obra perdida de Cícero, veja-se: V. Michel Ruch, L ’Hortensius de Ciceron, Histoire et reconstitution, Paris, 1958
[viii] Vergílio, Eneida, II, 351.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 10

Baptismo dos primeiros pagãos

44Pedro estava ainda a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre quantos ouviam a palavra. 45E todos os fiéis circuncisos que tinham vindo com Pedro ficaram estupefactos, ao verem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos, 46pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus. Pedro, então, declarou: 47«Poderá alguém recusar a água do baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?»

48E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então eles pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.



[i] (6,8-12,25)

Las 12 intenciones por las que el Papa Francisco pide rezar cada mes de 2017

Resultado de imagem para papa franciscoEstas son las 12 intenciones por las que el Papa Francisco pide rezar cada mes de 2017
El Papa Francisco ha pedido que se rece por una intención cada mes
Desde 1879 el Papa ha confiado cada año al Apostolado de la Oración – hoy denominado Red Mundial de Oración- una intención universal por la que rezar. Y por ello durante más de un siglo millones de católicos han rezado por las intenciones de oración que les ha pedido el Santo Padre.

Para este 2017, el Papa Francisco les ha confiado una sola intención de oración al mes por las que hace falta una necesidad importante de rezar. Estas son las peticiones del Papa mes a mes:

Enero: Los cristianos al servicio de los desafíos de la humanidad  
Por todos los cristianos, para que, fieles a las enseñanzas del Señor, aporten con la oración y la caridad fraterna, a restablecer la plena comunión eclesial, colaborando para responder a los desafíos actuales de la humanidad.

Febrero: Acoger a los necesitados
Por aquellos que están agobiados, especialmente los pobres, los refugiados y los marginados, para que encuentren acogida y apoyo en nuestras comunidades.

Marzo: Ayudar a los cristianos perseguidos
Por los cristianos perseguidos, para que experimenten el apoyo de toda la Iglesia, por medio de la oración y de la ayuda material.

Abril: Jóvenes
Por los jóvenes, para que sepan responder con generosidad a su propia vocación; considerando seriamente también la posibilidad de consagrarse al Señor en el sacerdocio o en la vida consagrada.

Mayo: Cristianos de África, testigos de la paz
Por los cristianos de África, para que den un testimonio profético de reconciliación, de justicia y paz, imitando a Jesús Misericordioso.

Junio: Universal: Eliminar el comercio de las armas
Por los responsables de las naciones, para que se comprometan con decisión a poner fin al comercio de las armas, que causa tantas víctimas inocentes.

Julio: Los alejados de la fe cristiana
Por nuestros hermanos que se han alejado de la fe, para que, a través de nuestra oración y el testimonio evangélico, puedan redescubrir la cercanía del Señor misericordioso y la belleza de la vida cristiana.

Agosto: Por los artistas
Por los artistas de nuestro tiempo, para que, a través de las obras de su creatividad, nos ayuden a todos a descubrir la belleza de la creación.

Septiembre: Parroquias al servicio de la misión
Por nuestras parroquias, para que, animadas por un espíritu misionero, sean lugares de transmisión de la fe y testimonio de la caridad.

Octubre: Derechos de los trabajadores y desempleados
Por el mundo del trabajo, para que a todos les sean asegurados el respeto y la protección de sus derechos y se dé a los desempleados la oportunidad de contribuir a la construcción del bien común.

Noviembre: Testimoniar el Evangelio en Asia
Por los cristianos de Asia, para que, dando testimonio del Evangelio con sus palabras y obras, favorezcan el diálogo, la paz y la comprensión mutua, especialmente con aquellos que pertenecen a otras religiones.

Diciembre: Por los ancianos
Por los ancianos, para que sostenidos por las familias y las comunidades cristianas, colaboren con su sabiduría y experiencia en la transmisión de la fe y la educación de las nuevas generaciones.

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





12/01/2017

A tarefa dos pais de família é importantíssima

Admira a bondade do nosso Pai Deus: não te enche de alegria a certeza de que o teu lar, a tua família, o teu país, que amas com loucura, são matéria de santidade? (Forja, 689)


Comove-me que o Apóstolo qualifique o matrimónio cristão como "sacramentum magnum", sacramento grande. Também daqui deduzo que o trabalho dos pais de família é importantíssimo.


– Participais do poder criador de Deus e, por isso, o amor humano é santo, nobre e bom: uma alegria do coração, à qual Nosso Senhor, na sua providência amorosa, quer que outros livremente renunciemos.


Cada filho que Deus vos concede é uma grande bênção divina: não tenhais medo aos filhos! (Forja, 691)


Nas minhas conversas com tantos casais, insisto em que, enquanto eles viverem e os filhos também viverem, devem ajudá-los a ser santos, sabendo que na terra ninguém será santo. Não faremos mais que lutar, lutar e lutar.


E acrescento: – Vós, mães e pais cristãos, sois um grande motor espiritual, que manda aos vossos filhos fortaleza de Deus para essa luta, para vencer, para que sejam santos. Não os defraudeis! (Forja, 692)


Não tenhas medo de querer bem às almas, por Ele; e não te importes de amar ainda mais aos teus, sempre que, querendo-lhes muito, o ames a Ele milhões de vezes mais. (Sulco, 693)


Pela tua intimidade com Cristo, estás obrigado a dar fruto: Fruto que sacie a fome das almas, quando se aproximarem de ti, no trabalho, no convívio, no ambiente familiar... (Forja, 981)


Temas para meditar -684

Orgulho espiritual


Evitai qualquer espécie de singularidade, porque é normalmente o início do orgulho, especialmente do orgulho espiritual. 

(S. filipe de néri The Maxim’s of St Philip Neri F. W. Faber Cromwell Press SN12 8PH nr. 20 – 44 trad ama)

Evangelho e comentário

Tempo comum


Evangelho: Mc 1, 40-45

40 Foi ter com Ele um leproso que, suplicando e pondo-se de joelhos, Lhe disse: «Se quiseres podes limpar-me». 41 Jesus, compadecido dele, estendeu a mão e, tocando-o, disse-lhe: «Quero, fica limpo».42 Imediatamente desapareceu dele a lepra e ficou limpo. 43 E logo mandou-o embora, dizendo-lhe com tom severo: 44 «Guarda-te de o dizer a alguém, mas vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela purificação o que Moisés ordenou, para que lhes sirva de testemunho». 45 Ele, porém, retirando-se, começou a contar e a divulgar o sucedido, de modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas ficava fora nos lugares desertos, e de toda a parte vinham ter com Ele.

Comentário:

São Marcos deve ter ficado tão impressionado com este episódio – naturalmente ouvido da boca de São Pedro – que o descreve em pormenor.

Talvez que, o mais saliente, seja a afirmação de Fé do leproso: «Se quiseres podes limpar-me».

Uma lição para nós homens que precisamos de tudo e tudo pedimos ao Senhor e, por vezes, sem a Fé convicta e profunda demonstrada por este homem.

Porquê, se acreditamos que o Senhor pode tudo?

Porque a nossa confiança e fé são débeis e precisam, muitas vezes de um esforço da nossa parte que passará, naturalmente por Lhe dizer-mos com frequência:

‘Senhor, eu creio, mas aumenta a minha Fé’.

(ama, comentário sobre Mc 1, 40-45, 2016.11.02)






Pequena agenda do cristão




Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?



Leitura espiritual


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A Cidade de Deus 


Vol. 1

LIVRO III

CAPÍtULO X

Seria de desejar que o Império Romano crescesse à custa de tantas guerras, quando poderia manter-se em paz e segurança com o mesmo zelo que tinha havido no reino de Numa?

Responderão que o Império Romano não poderia alargar-se até tão distantes e largas paragens nem adquiriria fama por tão elevada glória se não fossem as guerras que continuadamente se foram sucedendo. Bela razão, não há dúvida! Porque é que o império, para ser grande tem que ser agitado? Não será melhor para os corpos humanos uma estatura pequena com saúde do que uma gigantesca corpulência com permanentes achaques e, depois de a atingir, não encontrar repouso, mas ser molestado por males tanto maiores quanto maiores são os membros? Ora que mal haveria, ou melhor, como seria bom que se mantivessem os tempos a que se refere Salústio ao dizer em resumo: No princípio os reis [i] (de facto foi este o primeiro nome da autoridade na terra) eram diferentes: uns exercitavam o espírito, outros os cor­pos. Naquela época a vida do homem desenvolvia-se sem cupidez, contentando-se cada um com o que possuía [ii].

Será que, para dilatar tanto o Império, era preciso que acontecesse o que Vergílio lamenta quando diz:

Pouco a pouco uma época pior e descolorida foi chegando, e chegou a fúria das guerras e a paixão da posse  [iii].

Claro que os Romanos têm uma boa defesa por terem empreendido e conduzido tão grandes guerras: eram obrigados, pois que inimigos sobre eles injustamente irrompiam , a resistir, não por avidez da conquista de glória humana, mas por necessidade de defesa da vida e da liberdade. Pois seja assim. De facto, o próprio Salústio escreve.

Quando o estado se desenvolveu sob o ponto de vista da legislação, dos costumes, do território, e pareceu bastante próspero e florescente — a sua opulência, como acontece às coisas humanas, provocou a inveja. Por isso os reis e povos vizinhos começaram com guerras; poucos dos seus amigos foram em seu auxílio porque os outros, atingidos pelo medo, afastaram-se do perigo. Mas os Romanos, sempre atentos, tanto na paz como na guerra, movem-se rapidamente, preparam-se, animam-se uns aos outros, correm ao encontro do inimigo, protegem com as armas a liberdade, a pátria e a família. Uma vez afastado corajosamente o perigo, correm em auxílio dos seus aliados e amigos e celebram alianças, mais prestando do que recebendo benefícios [iv].

Roma com estes métodos cresceu com dignidade. Mas, quando reinava Numa, para que tão longa paz houvesse, acaso os povos faziam excursões injustas, incitando-os à guerra? Ou antes, porque nada disto aconteceu, é que se pôde conservar aquela paz? Se de facto Roma era então inquietada por guerras, mas às armas não opunha armas — que meios utilizou para que os seus inimigos, sem terem sido vencidos em combate nem aterrados em ofensiva guerreira, se mantivessem calmos? Roma devia ter usado sempre destes processos e reinaria sempre na paz, mantendo fechadas as portas de Jano. Se isso não esteve ao seu alcance, é porque Roma não conservou a paz enquanto os deuses o quiseram, mas sim enquanto os vizinhos preferiram não a provocar com nenhum ataque. A não ser que, acaso, tais deuses tenham ousado vender ao homem o que depende do querer ou do não querer de outro homem! É de facto interessante saber até que ponto é permitido a estes demónios amedrontarem ou excitarem as mentes, já de si corrompidas com os vícios que lhes são próprios. Mas, se isso lhes fosse sempre possível sem tomarem outras decisões, movidos frequentemente por uma força superior e oculta contrária às pretensões dos deuses, teriam sempre à sua disposição o poder de concederem períodos de paz ou de vitórias na guerra, realidades que dependem quase sempre das paixões humanas. A maior parte das ve­zes, todavia, estes acontecimentos produzem-se contra a sua vontade, como o asseguram, não as fábulas mentirosas, que apenas insinuam ou significam algo de verdadeiro, mas sim a própria história de Roma.

CAPÍTULO XI

As lágrimas da estátua de Apoio Cumano revelaram, julgou-se, a derrota dos Gregos a quem ele não pôde prestar ajuda.

Não se sabe por que outro motivo esse Apoio de Cumas tivesse chorado durante quatro dias quando decorria a guerra contra os Aqueus e o rei Aristonico. Aterrados com este prodígio os arúspices julgaram que a sua imagem devia ser lançada ao mar. Mas os velhos cumanos opuseram-se e contaram que um prodígio semelhante ocorrera com a mesma imagem quando da guerra contra Antíoco e Perseu e testemunharam que, por essa guerra ter chegado ao fim com felicidade para os Romanos, um senato-consulto ordenou que se mandassem presentes ao mesmo Apoio. Chamaram-se então outros arúspices tidos por mais hábeis. Estes responderam que as lágrimas da imagem de Apoio eram favoráveis aos Romanos, visto Cumas ser uma colónia grega, e que, chorando, Apoio anunciava o luto e a derrota nas terras donde o tinham feito vir, isto é, da própria Grécia. Em breve foi anunciado que o rei Aristonico tinha sido vencido e aprisionado. É evidente que Apolo não queria esta derrota, dela se doía e até o mostrava com as lágrimas da sua imagem de pedra. Daqui se conclui que não é por vezes sem justeza, que em seus poemas, lendários sem dúvida, mas próximos da verdade, os poetas descrevem os costumes dos demónios. Assim, em Vergílio, Diana lamenta a sorte de Camila e Hércules chora Palas que vai morrer. É por isso que talvez Numa Pompílio, gozando de longa paz sem saber nem procurar saber a quem a devia, perguntava durante os seus lazeres, a que deuses confiaria o cuidado de vigiarem pela salvação dos Romanos e do seu reino. Mas, julgando que o verdadeiro, supremo e omnipotente Deus não curava das coisas terrestres, recordou-se de que os deuses troianos trazidos por Eneias não tinham podido salvar por muito tempo nem o reino de Tróia nem o de Lavínio fundado pelo próprio Eneias, e julgou que devia procurar outros protectores, que juntou aos anteriores, quer aos que já tinham passado para Roma com Rómulo, quer aos que haviam de passar quando Alba foi destruída, para deles fazer os custódios dos fugitivos ou os auxiliares dos inválidos.

CAPÍTULO XII

Quantos deuses acrescentaram os Romanos contra a Constitui­ção de Numa, cuja multidão em nada os ajudou.

Todavia, Roma não se dignou contentar-se com esses cultos tão numerosos que Pompílio aí havia constituído. Efectivamente ainda não tinha o principal templo do próprio Júpiter. Foi o rei Tarquínio quem construiu o Capitó­lio. Esculápio veio do Epidauro para Roma para exercer gloriosamente, na mais nobre das cidades, a sua arte como médico habilíssimo. Também a mãe dos deuses chegou não sei donde de Pessinunte. Era de facto indigno que seu filho já presidisse na colina do Capitólio e ela ficasse escondida num lugar ignorado. Pois, se ela era a mãe de todos os deuses, não só seguiu alguns dos seus filhos para Roma, como também precedeu outros que haviam de segui- -la. Sem dúvida que me surpreende que ela tenha gerado Cinocéfalo que veio do Egipto muito mais tarde. Se também dela nasceu a deusa Febre, o seu bisneto Esculápio o dirá. Mas de quem quer que ela tenha nascido, penso que os deuses estrangeiros não ousarão classificar de baixo nascimento uma deusa cidadã romana. Portanto, Roma, posta sob a protecção de tantos deuses (quem os poderá enumerar — indígenas e estrangeiros, celestes e terrestes, infernais e marinhos, deuses das fontes e dos rios, e, como diz Varrão, certos e incertos, e em todos os géneros de deuses, machos e fêmeas como os animais?), posta, portanto, sob a protecção de tantos deuses, Roma não poderia ter sido sacudida nem castigada por tão grandes e horríveis catástrofes, das quais, que muitas são, vou rememorar algumas, poucas. Realmente, com grande fumarada congregou, como a sinal dado, um tão exagerado número de deuses para a sua protecção. Instituindo e sustentando-lhes templos e altares, sacrifícios e sacerdotes, ofendia o verdadeiro Deus supremo, único a quem são legitimamente devidas estas homenagens. Com certeza que a sua vida seria mais feliz com menos deuses, mas, quanto mais crescia, mais ela julgava que devia admitir, tal como um grande navio reclama mais marinheiros, perdendo a esperança, julgo eu, de que esse reduzido número de deuses, sob os quais a sua vida foi melhor, em comparação com a sua queda posterior, pudesse constituir uma ajuda eficaz para a sua grandeza. Efectivamente já sob os reis, à excepção de Numa Pom­pílio de quem acabo de falar, que desgraça tamanha não ocasionou aquela luta de rivalidades que obrigou a dar a morte ao irmão de Rómulo!

CAPÍTULO XIII

Com que direito, por que tratado obtiveram os Romanos as primeiras mulheres em casamento.

Como é que nem Juno que, com o seu Júpiter, já
favorecia, os Romanos, senhores da terra, povo togado [v]

nem a própria Vénus pôde ajudar os seus enéadas [vi] para que merecessem casamentos segundo o bom e legítimo costume? Como é que desta falta resultou calamidade tamanha que tiveram de, com dolo, as raptar e, seguidamente, foram coagidos a lutar com os sogros de modo que as míseras das mulheres, ainda não reconciliadas com os maridos em consequência daquele ultraje, já «recebiam em dote o sangue dos pais»? É certo que os Romanos, neste conflito, venceram os seus vizinhos. Mas à custa de quantas e quão graves feridas de parte a parte, de quantas mortes dos seus chegados e vizinhos conseguiram estas vitórias?

Por causa de um só sogro, César, e de seu genro, Pompeio, quando a filha de César, mulher de Pompeio, estava já morta, com que profundo e justo sentimento de dor exclama Lucano:

Nós cantamos as guerras, piores que as civis, travadas nas planuras de Ematia, e o direito concedido pelo crime [vii].

Pois os Romanos venceram e, com as mãos ensanguentadas da carnificina dos sogros, arrancaram às suas filhas miseráveis abraços sem que elas ousassem chorar os pais assassinados para não ofende­rem os maridos vencedores, elas que, enquanto eles combatiam, não sabiam por quem oferecer votos.

Não foi Vénus mas Belona quem presenteou os Romanos com tais núpcias; ou talvez Alecto, aquela fúria infernal que, quando Juno já lhes era favorável causou mais danos do que quando era excitada pelos pedidos de Juno contra Eneias. Andrómaca foi mais feliz quando a aprisionaram do que aquelas mulheres quando casaram com os Romanos. Depois de ter recebido dela abraços, embora de escrava, Pirro nenhum troiano matou; mas os Romanos chacinaram em combate os sogros cujas filhas abraçavam no leito. Aquela (Andrómaca) submetida ao vencedor, mal pôde chorar — mas não temeu a morte dos seus. Estas, ligadas aos combatentes, receavam a morte de seus pais quando viram os maridos partirem para a batalha; e quando voltaram choravam-nos sem poderem exprimir nem temor nem dor. Na realidade, por causa da morte dos concidadãos e vizinhos, dos irmãos e dos pais, ou sofriam piedosamente ou se alegravam cruelmente com a vitória dos maridos. Acresce a isto que, segundo as alternativas da guerra, umas perderam os maridos às mãos dos pais, outras os pais e os maridos às mãos uns dos outros. Nem também entre os Romanos foram pequenas aquelas provas. Os Sabinos vieram visitar a sua cidade que, para se proteger, teve de fechar as portas. Abertas estas com arteirice e tendo entrado os inimigos nas muralhas, trava-se um atroz e criminoso combate no forum mesmo entre genros e sogros. Os raptores viam-se superados e fugiam atabalhoadamente para as suas casas, prejudicando assim gravemente as suas anteriores vitórias, já de si vergonhosas e deploráveis. Então Rómulo, desesperando da coragem dos seus, pediu a Júpiter para os deter na  fuga. Esta circunstância valeu a Júpiter o cognome de Stator. Mas não seria o fim de tamanho mal se aquelas raptadas não tivessem vindo, com os cabelos desgrenhados atirar- -se aos pés dos pais e não tivessem apaziguado a justíssima ira não pela vitória do amor, mas por súplicas piedosas. Depois, Rómulo, que não suportava o irmão como comparte, teve que aceitar como associado Tito Tácio rei dos Sabinos. Mas até quando o toleraria aquele que não suportava o irmão gémeo? Daí que, depois do seu assassínio para se tornar um deus maior, ficou sozinho no trono. Que contratos de casamento são esses, que fermentos de guerra, que pactos de fraternidade e de afinidade, de aliança e de divindade são estes? Em que se tornou, no fim de contas, a vida da cidade sob a tutela de tantos deuses? Vês quantas coisas poderia expor agora sobre este caso, se a nossa intenção não fosse a de prosseguir o nosso assunto sem demoras.



(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)




[i] Igitur initio reges
[ii] diversi pars ingenium, alii corpus exercebant; etiam turn vita hominum sine cupiditate agitabatur, sua cuique satis placebant. Salustio, Catilina, VI, 3-5
[iii] Deterior donec paulatim ac decolor aetas, Et belli rabies et amor successit habendi? Vergílio, Eneida, VIII, 326-327.
[iv] Postquam res corum legibus, moribus, agris aucta, satis prospera, satisque pollens videbatur, sicute pleraque mortalium habentur, invidia ex opulentia orta est. Igitur reges populique fmitimi bello temptare; paucis ex amiás auxilio esse: tiam ceteri metu perculsi a periculis aberant. A t Romani domi militiaeque intenti festinare, parare, alius alium hortari, hostibus obviam ire; libertatem, patriam, parentesque armis tegere. Post ubi pericula virtute propulerant, sodis at que amicis auxilia portabant magisque dandis quam acdpiendis benejiciis parabant. Salústio, Catilina, VI, 3-5.
[v] ... Fovebat Romanos rerum dominos gentemque togatam. Vergílio, Eneida, I, 280-281.
[vi] Assim como aos descendentes de Luso se chama Lusíadas, também aos descendentes de Eneias se chama Enéadas.
[vii] Bella per Emathios plusquam civilia campos Jusque datum sceleri canimus Lucano, Farsália, I, 1-2.

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

II. EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM [i]

Capítulo 10

Discurso de Pedro em casa de Cornélio

34Então, Pedro tomou a palavra e disse: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é agradável. 36Enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a Boa-Nova da paz, por Jesus Cristo, Ele que é o Senhor de todos. 37Sabeis o que ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou: 38como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com Ele. 39E nós somos testemunhas do que Ele fez no país dos judeus e em Jerusalém.

A Ele, que mataram, suspendendo-o de um madeiro, 40Deus ressuscitou-o, ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se, 41não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a nós que comemos e bebemos com Ele, depois da sua ressurreição dos mortos. 42E mandou-nos pregar ao povo e confirmar que Ele é que foi constituído, por Deus, juiz dos vivos e dos mortos. 43É dele que todos os profetas dão testemunho: quem acredita nele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados.»



[i] (6,8-12,25)

Padre Montes en Irak