30/05/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)


Tempo comum VIII Semanas

Evangelho: Mc 11 27-33

27 Voltaram a Jerusalém. E, andando Jesus pelo templo, aproximaram-se d'Ele os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, 28 e disseram-Lhe: «Com que autoridade fazes Tu estas coisas? E quem Te deu o direito de as fazer?». 29 Jesus disse-lhes: «Eu também vos farei uma pergunta; respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 30 O baptismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-Me». 31 Mas eles discorriam entre si: «Se respondermos que era do céu, Ele dirá: “Porque razão, então, não crestes nele?”. 32 Responderemos que é dos homens?». Temiam o povo, porque todos tinham a João como um verdadeiro profeta. 33 Então responderam a Jesus: «Não sabemos». E Jesus disse-lhes: «Pois nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».

Comentário:

A pergunta parece ter razão de ser. Se os chefes do povo não reconhecem Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, a questão “reforça” aos olhos dos circunstantes essa mesma posição.
Esta a verdadeira razão da pergunta.

Por vezes não fazemos exactamente o mesmo?

Formulamos uma pergunta com o objectivo de lançar uma dúvida sobre alguém como, por exemplo: Será que fulano é honesto?

E, quando nos respondem porque perguntamos tal coisa não aproveitamos o ensejo para dar o nosso “parecer”, opinião ou suspeitas?

(AMA, comentário sobre Mc 11, 27-33, 2012.06.02)


Leitura espiritual




a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/6
       

lugares para rezar e modos de viver a oração


        Torna-se assim mais patente ao nosso espírito a paternidade de Deus, os laços de família que Deus Pai, Filho e Espírito Santo desejam estabelecer com os homens para sempre.

        Esta misteriosa e entranhável relação de Deus com o homem na oração é expressa assim por S. Pedro Crisólogo:
«A consciência que temos da nossa condição de pecadores levar-nos-ia a meter-nos debaixo de terra, a nossa condição terrena desfazer-se-ia em pó se a autoridade do nosso próprio Pai e o Espírito do seu Filho não nos compelissem a proferir este grito: ‘Abba Pai’ [1]
Quando a debilidade de um mortal se atreve a chamar a Deus seu Pai senão somente quando o íntimo do homem está animado pelo poder do alt?» [2].


implantação da oração na alma


        Antes de concluir estas breves linhas sobre a importância da oração na vida cristã pessoal, surge a pergunta sobre a possibilidade que essa relação com Deus chegue se torne algo habitual e familiar no espírito de qualquer cristão.

        A ninguém são ocultados os obstáculos que podem apresentar-se – existem não poucos estudo sobre «as dificuldades na oração» - até alcançar esses graus de amizade familiar e filial com Deus ainda que sendo bem conscientes de que a oração é vivida por Cristo em nós e connosco.

        Josemaria Escrivá expressou a gradual e paulatina implantação da alma na oração no texto que a seguir transcrevemos.

        De forma muito esquemática e concisa fala do começo da oração, passa pelo estado de oração e conclui com a transformação que se experimenta na alma do crente, fruto da oração:
«Começamos com orações vocais que muitos repetimos desde criança: são frases ardentes e simples endereçadas a Deus e à sua Mãe que é nossa Mãe.
Todavia, pelas manhãs e pelas tardes, não um dia, habitualmente, renovo aquele oferecimento que os meus pais me ensinaram: ó Senhora minha, é minha Mãe! Eu me ofereço inteiramente a vós. E como prova do meu afecto filial vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha língua, o meu coração…
Não é isto – de alguma forma – um princípio de contemplação, demonstração evidente de confiado abandono?
Que se dizem os que se querem quando se encontram?
Como se comportam?
Sacrificam quanto são e quanto possuem pela pessoa que amam».

        Primeiro uma jaculatória e logo outra e outra… até que esse fervor parece insuficiente porque as palavras são pobres… e se dá lugar à intimidade divina, num olhar a Deus sem descanso e sem cansaço.
Vivemos então como cativos, como prisioneiros.
Enquanto realizamos com a maior perfeição possível, dentro dos nossos equívocos e limitações, as tarefas próprias da nossa condição e do nosso ofício, a alma anseia por escapar-se.
Vai-se a Deus como o ferro atraído pela força do íman.
Começa-se a amar Jesus de forma mais eficaz com um doce sobressalto» [3].

        De forma muito simples e clara o autor assinala o desenvolvimento de uma comunicação – mais que diálogo – confiada, leal, serena, levada a cabo dentro da maior normalidade de espírito entre a pessoa humana e Deus.
Inclusivamente parece que o caminho nem sequer tem sobressaltos nem grande vales aos quais descer nem grandes montanhas às quais subir.

        Na verdade, podemos dizer que a oração é a comunicação ordinária de cada filho de Deus em Cristo Jesus com o seu Pai Deus com Cristo Jesus movida e alentada por Deus Espírito Santo.


***
       
        Nos tratados que estudam os pormenores da oração é costume apresentar os diferentes modos que o homem tem à sua disposição para se relacionar com Deus, sem esquecer, em caso algum, que o verdadeiramente importante é o facto em si da oração e que qualquer modo de actuar do homem pode converter-se numa oração, num «elevar o coração a Deus.

        Segundo sejam os desejos que a pessoa anseie expressar a Deus, e como já comentámos, fala-se de oração: de louvor, de arrependimento, desagravo, petição, intercessão, agradecimento, adoração, etc.

        Se se quiser sublinhar o modo de dirigir-se a Deus divide-se a oração em vocal, mental ou meditação e contemplativa.
Em qualquer caso, temos de ter presente que na oração é a pessoa toda quem se relaciona com Deus, não só os lábios, a mente ou o fundo da alma.
Além disso, também podemos assinalar que toda a oração é, de certo modo, ao mesmo tempo vocal, mental e contemplativa.

        Recolhemos somente uns breves textos orientadores a propósito de cada um destes modos de viver a oração, remetendo a tratados clássicos, como por exemplo As Moradas de Santa Teresa, par um estudo mais detalhado e prolixo.

        «A oração vocal é a oração por excelência das multidões por ser exterior e tão plenamente humana.
Mas inclusivamente a mais interior das orações não poderia prescindir da oração vocal.
A oração torna-se interior na medida em que tomamos consciência daquele “a quem falamos” [4].
Por isso a oração vocal converte-se numa primeira forma de oração contemplativa» [5].

        «A meditação faz intervir o pensamento, a imaginação, a emoção e o desejo.
Esta mobilização é necessária para aprofundar nas convicções de fé, suscitar a conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir Cristo.
A oração cristã aplica-se preferentemente a meditar “os mistérios de Cristo” como na ‘lectio divina’ ou no Rosário.
Esta forma de reflexão orante é de grande valor, mas a oração cristã deve ir mais longe: até ao conhecimento do amor do Senhor Jesus, à união com Ele» [6].

        Essa união vital com Jesus Cristo consolida-se na oração chamada contemplação.
A propósito desta oração diz o Catecismo: «O que é esta oração? Santa Teresa responde: ‘Não é outra coisa, penso eu, senão tratar de amizade estando muitas vezes comunicando a sós com quem sabemos que nos ama’» [7].

        «A contemplação procura o ‘amado da minha alma’ [8]. Isto é, Jesus e, nele, o Pai. É procurado porque desejá-lo é sempre o começo do amor e é procurado na pura fé, esta fé que nos faz nascer dele e viver nele. Na contemplação também se pode meditar mas o olhar está centrado no Senhor» [9].

***

        Não obstante as boas disposições e os bons desejos com que nos dirigimos à oração, não é estranho que ao longo da vida todos os cristãos encontrem obstáculos para desenvolver com uma certa constância e normalidade uma vida de oração.

        «No combate da oração temos de encarar em nós próprios e à nossa volta conceitos erróneos sobre a oração.
Uns vêm nela uma simples operação psicológica, outros um esforço de concentração para alcançar um vazio mental.
Outros reduzem-na a atitudes e palavras rituais,
No inconsciente de muitos cristãos orar é uma ocupação incompatível com o muito que têm que fazer: não têm tempo.
Há os que procuram Deus por meio da oração mas logo se desalentam porque ignoram que a oração também vem do Espírito Santo e não somente deles» [10].

       

(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Rom 8, 15
[2] São Pedro Crisólogo, Sermón, 71
[3] São Josemaria Escrivá, Amigos de Deus, n. 296
[4] Santa Teresa de Jesus, cam. 6
[5] Catecismo, n. 2704
[6] Catecismo, n. 2708
[7] Santa Teresa de Jesus, Vida, 8
[8] Ct 1, 7; cfr. Ct 3, 1-4
[9] Catecismo, n. 2709
[10] Catecismo, n. 2726

Meditações de Maio 30




Ó Rainha de Portugal olha pelos teus súbditos que a ti recorrem pedindo-te que ilumines os legisladores para que produzam leis que não vão contra a Vontade do teu Filho e Nosso Senhor, Jesus.







(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


SÁBADO


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Tratado da vida de Cristo 5

Questão 27: Da santificação da Virgem Maria

Art. 5 — Se a Santa Virgem, pela santificação no ventre materno, obteve a plenitude ou a perfeição da graça.

O quinto discute-se assim. — Parece que a Santa Virgem, pela santificação no ventre materno, não obteve a plenitude ou a perfeição da graça.

1. — Pois, isso constitui privilégio de Cristo, segundo o Evangelho: Nós vimos a sua glória de Filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade. Ora o próprio de Cristo a ninguém mais deve ser atribuído. Logo, a Santa Virgem, não recebeu, na santificação, a plenitude das graças.

2. Demais. — Ao que tem a plenitude e a perfeição nada se lhe pode acrescentar, pois, perfeito é ao que nada falta, segundo Aristóteles. Ora, a Santa Virgem recebeu, depois da sua santificação um aumento de graça, quando concebeu a Cristo; pois, diz o Evangelho: O Espírito Santo descerá sobre ti. E ainda, quando foi da sua assunção para a glória. Logo, parece que não teve, na sua primeira santificação, a plenitude das graças.

3. Demais. — Deus não faz nada em vão, como diz Aristóteles. Ora, a Santa Virgem teria tido algumas graças em vão, cujo uso nunca exerceu; pois, o Evangelho não nos diz que ela tivesse ensinado, o que seria o exercício da sabedoria; nem que tivesse feito milagres, exercício da graça gratuita. Logo, não teve a plenitude das graças.

Mas, em contrário, o Anjo disse-lhe: Ave cheia de graça. O que Jerónimo explica assim: Na verdade, cheia de graça; pois, ao passo que os outros as recebem por partes, em Maria se lhe infundiu total e simultaneamente a plenitude das graças.

Quanto mais uma coisa se aproxima do princípio, num determinado género, tanto mais participa do efeito desse princípio; por isto diz Dionísio, que os anjos, mais próximos de Deus, mais, participam da bondade divina, que os homens. Ora, Cristo é o princípio da graça; pela divindade, como autor dela; pela humanidade, como instrumento. Donde o dizer o Evangelho: A graça e a verdade foram trazidas por Jesus Cristo. Ora, a Santa Virgem Maria foi a mais próxima de Cristo pela humanidade, pois dela ele recebeu a natureza humana. Por isso, mais que ninguém, devia receber de Cristo a plenitude da graça.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJECÇÃO. — Deus dá a cada um a graça conforme para o que é escolhido. E como Cristo, enquanto homem foi predestinado e escolhido para que fosse, no dizer do Apóstolo, predestinado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santificação, era-lhe próprio ter uma plenitude de graça tal que redundasse para os outros, conforme o Evangelho: Todos nós participamos da sua plenitude. A Santa Virgem Maria, porém, obteve a plenitude de modo a ser a mais chegada ao autor da graça; de maneira que recebesse em si o que é a plenitude de todas as graças e, dando-o a luz, a graça em algum sentido derivasse para todos.

RESPOSTA À SEGUNDA. — Na ordem natural, o que primeiro existe é a perfeição da disposição, por exemplo, a perfeição da matéria para receber a forma. Depois vem a perfeição da forma superior; assim, mais perfeito é o calor em si, proveniente da forma do fogo, que o que dispôs para a forma ígnea. Em terceiro lugar, vem a perfeição do fim: assim, o fogo tem as suas qualidades no grau mais perfeito, quando chegado ao seu lugar.

Semelhantemente, tríplice perfeição houve na Santa Virgem. — A primeira, e como dispositiva, que a tornava idónea para ser Mãe de Cristo. É essa foi a perfeição da santificação. — A segunda perfeição da graça foi na Santa Virgem, a presença do Filho de Deus incarnado no seu ventre. — A terceira foi a perfeição do fim, que desfruta na glória.

Ora, que a segunda perfeição é superior à primeira e à terceira, que a segunda, é claro, de um modo, pela liberação do mal. Pois, primeiro, pela sua santificação foi liberta da culpa original; depois, na concepção do Filho de Deus, foi totalmente purifica da concupiscência; enfim, em terceiro lugar pela sua glorificação, foi libertada também de todas as misérias da vida. — De segundo modo, pela ordenação para o bem. Assim, primeiro, na sua santificação, alcançou a graça, que inclina para o bem; depois, na concepção do Filho de Deus, consumou-se-lhe a graça, tendo sido confirmada no bem; e enfim na sua glorificação, consumou-se-lhe a graça, que lhe deu a fruição perfeita de todos os bens.

RESPOSTA À TERCEIRA. — Não podemos duvidar que a Santa Virgem recebesse, e excelentemente, o dom da sabedoria e a graça das virtudes e também a graça da profecia, como Cristo a teve. Não as recebeu, porém, de modo a ter o uso de todas essas graças e de outras semelhantes, como o teve Cristo; mas só na medida em que convinha à sua condição. — Assim, teve o uso da sabedoria, na contemplação, segundo o Evangelho: Maria conservava todas essas palavras, conferindo lá no fundo do seu coração umas com as outras. Mas, não teve o uso da sabedoria, porque ensinasse, pois isso não convinha ao sexo feminino, segundo aquilo do Apóstolo: Eu não permito à mulher que ensine. — Quanto à realizar milagre, não lhe convinha durante a vida, porque, nesse tempo a doutrina devia confirmar-se pelos milagres de Cristo; por isso só a Cristo e aos seus discípulos, portadores da doutrina de Cristo, convinha fazer milagres. Por isso, mesmo de João Batista diz o Evangelho, que não fez nenhum milagre; e isso para que todos buscassem a Cristo. — E enfim, o uso da profecia ela teve-o, como o declara o Cântico que fez: A minha alma magnifica o Senhor.

Nota: Revisão da versão portuguesa por ama.



29/05/2015

O que pode ver em NUN COEPI em 29 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 11 11-26, Ernesto Juliá Diaz

A novidade em Cristo, P O'Callaghan


Agenda Sexta-Feira

Não recusemos a obrigação de viver

Ficaste muito sério ao ouvir-me: aceito a morte quando Ele quiser, como Ele quiser e onde Ele quiser; e, ao mesmo tempo, penso que é "um comodismo" morrer cedo, porque temos de desejar trabalhar muitos anos para Ele e, por Ele, ao serviço dos outros. (Forja, 1039)

Libertar-vos-ei do cativeiro, onde quer que estiverdes. Livramo-nos da escravidão com a oração: sabemo-nos livres, voando num epitalâmio de alma enamorada, num cântico de amor, que nos leva a desejar não nos afastarmos de Deus... Um novo modo de andar na terra, um modo divino, sobrenatural, maravilhoso! Recordando tantos escritores quinhentistas castelhanos, talvez nos agrade saborear frases como esta: Eu vivo, porque não vivo; é Cristo que vive em mim.

Aceita-se com todo o gosto a necessidade de trabalhar neste mundo, durante muitos anos, porque Jesus tem poucos amigos cá em baixo. Não recusemos a obrigação de viver, de nos gastarmos – bem espremidos– ao serviço de Deus e da Igreja. Desta maneira, em liberdade: in libertatem gloriae filiorum Dei, qua libertate Christus nos liberavit; com a liberdade dos filhos de Deus, que Jesus Cristo nos alcançou morrendo no madeiro da Cruz.


É possível que logo desde o princípio se levantem nuvens de poeira e que, ao mesmo tempo, os inimigos da nossa santificação empreguem uma técnica de terrorismo psicológico – de abuso de poder – tão veemente e bem orquestrada, que arrastem na sua absurda direcção inclusivamente aqueles que durante muito tempo mantinham uma conduta mais lógica e mais recta. E apesar de a sua voz soar a sino rachado, não fundido em bom metal e bem diferente do assobio do pastor, rebaixam a palavra, que é um dos dons mais preciosos que o homem recebeu de Deus, presente belíssimo destinado a manifestar altos pensamentos de amor e de amizade ao Senhor e às suas criaturas, até fazer com que se entenda por que motivo disse S. Tiago que a língua é um mundo de iniquidade. Tantos danos pode, realmente produzir! Mentiras, difamações, desonras, intrigas, insultos, murmurações tortuosas... (Amigos de Deus, nn. 297–298)

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum VIII Semanas

Evangelho: Mc 11 11-26

11 Entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo observado tudo, como fosse já tarde, foi para Betânia com os doze. 12 Ao outro dia, depois de saírem de Betânia, teve fome. 13 Vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi lá ver se encontrava nela algum fruto. Aproximando-Se, nada encontrou senão folhas, porque não era tempo de figos. 14 Então disse à figueira: «Nunca mais alguém coma fruto de ti». Os discípulos ouviram-n'O. 15 Chegaram a Jerusalém. Tendo entrado no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam as pombas. 16 E não consentia que ninguém transportasse nenhum objecto pelo templo; 17 e os ensinava dizendo: «Porventura não está escrito: “A minha casa será chamada casa de oração por todas as gentes”? Mas vós fizestes dela “um covil de ladrões”». 18 Ouvindo isto os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam o modo de O matar; porque O temiam, visto todo o povo admirar a Sua doutrina. 19 Quando se fez tarde, saíram da cidade. 20 No outro dia pela manhã, ao passarem, viram a figueira seca até às raízes. 21 Então Pedro, recordando-se, disse-Lhe: «Olha, Mestre, como se secou a figueira que amaldiçoaste». 22 Jesus, respondendo-lhe, disse-lhes: «Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo que todo aquele que disser a este monte: “Tira-te daí e lança-te no mar”, e não hesitar no seu coração, mas tiver fé de que tudo o que disse será feito, assim acontecerá. 24 Por isso vos digo: Tudo o que pedirdes na oração, crede que o haveis de conseguir e o obtereis. 25 Quando estiverdes a orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. 26 Porque, se vós não perdoardes, também o vosso Pai que está nos céus, não perdoará os vossos pecados».

Comentário:

Parece algo impróprio de Jesus Cristo, lançar uma maldição sobre alguém ou alguma coisa como um simples figueira como se fosse uma “resposta” de mau-humor por não ver satisfeito um desejo: comer uns figos.

Tomado ao “pé da letra” é o que se pode inferir.
Mas, na verdade, Cristo, não amaldiçoou, nem podia, deu uma ordem, o que é diferente.

Por isso, na resposta a Pedro diz: se mandares a um monte que se plante no mar assim acontecerá.

Quer isto dizer que tudo quanto se mandar, mesmo insólito, em nome de Jesus, sucederá?

Evidentemente que quem, com são critério e correcta finalidade der uma ordem em nome de Cristo o fará com Fé e, aqui sim, aplica-se o dito corrente: 'a Fé move montanhas'.


(AMA, Meditação sobre o Evangelho, Mc 11, 11-26, 2012.06.01)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/5
       

o pai nosso


       
Mas livra-nos do mal.

        É opinião já generalizada que, aqui, o Mal não significa uma força oculta da natureza nem uma energia incómoda que domine o nosso actuar de uma forma desconhecida para nós.

        Não. Referimo-nos a um «alguém», a um ser que denominamos com diferentes nomes: Maligno, Demónio, Diabo, Satanás.

        Certamente que para pecar, os homens não necessitam da cooperação do Diabo: Todavia, Satanás coopera em dar força às tentações e no descoroçoar do espírito do homem e, por vezes, provoca-as para induzir a pecar.

        Em todo o caso, o homem não pode descarregar em Satanás a responsabilidade de todos os pecados descartando-se de toda a culpa da sua liberdade ao pecar.

        Pedimos a Deus que a nossa oração afaste de nós a acção de Satanás e que, ante ela, reajamos sempre vitoriosos.

* * *

disposições para a oração


        Depois de ter visto as razões que levam o homem a rezar e recordadas as características que a oração há-de ter convém-nos agora considerar brevemente as disposições que tornam possível que o coração do homem se abra à luz de Deus, que a sua inteligência se abra à palavra de Deus.

        Para que o diálogo que o homem estabelece com Deus na oração se converta num verdadeiro encontro: «A oração, saibamo-lo ou não é o encontro da sede de Deus e a sede do homem. Deus tem sede que o homem tenha sede dele» [1],[2] o homem há-de dirigir-se a Deus com uma disposição de espírito que se pode resumir com estas três características:

a) A oração há-de ser, em primeiro lugar, humilde: O homem há-de apresentar-se a Deus com um «coração contrito e humilhado».
«A humildade é a base da oração. ‘Nós não sabemos pedir como convém’ [3].
A humildade é uma disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus» [4].

        A humildade manifesta-se a miúde na acção de graças.
O homem humilde não quem se considera muito pouca coisa, inútil, sem nenhum talento ou algum tipo de mérito, etc.
A humildade não é uma disposição negativa.
O homem humilde é o que agradece a Deus todo o bem que vê em si porque sabe que é um dom de Deus.
O homem humilde aprecia com clareza que todo o bem que descobre em si é uma dádiva de Deus e dá graças; e ao mesmo tempo, consciente do pobre uso desses dons pede perdão.

        É a oração do publicano no templo em contraste com as palavras que fariseu dirige a Deus.
A acção do fariseu é a penas uma manifestação de vanglória que em nenhum momento se converte em oração.

b) Confiada.
Na oração, a humildade há-de ir acompanhada por uma disposição profunda de fé que se transforma em confiança em que Deus nos escuta sempre ainda que o que peçamos não nos seja concedido imediatamente da forma que solicitámos ou de nenhuma outra forma.
É o momento, talvez, de aplicarmos a frase de São Paulo que recolhemos antes: «não sabemos pedir como convém» e, ao mesmo tempo, pensar que o que Deus nos der será sempre para nosso bem se vemos os acontecimentos com perspectivas de eternidade.

        Antes de acontecer a ressurreição de Lázaro, Jesus Cristo dá-nos o exemplo desta disposição para com Deus Pai:
«Pai, dou-te graças por me teres escutado. Eu sabia que tu sempre me escutas mas disse-o por causa destes que me rodeiam para que acreditem que tu me enviaste» [5].

        É a recomendação que o Apóstolo São Tiago nos faz:
«Se algum de vós tem falta de sabedoria que a peça a Deus que a todos dá generosamente e sem nada cobrar, e dar-se-lhe-á. Mas que a peça com fé sem vacilar» [6].

c) Dócil.
E com a humildade, a confiança, o homem que ora a Deus necessita de uma disposição firme de docilidade para acolher como realmente vinda de Deus qualquer reposta que o Senhor deseje dar à oração, ainda que, num primeiro momento, não se entenda o que Deus quer dizer e dar.

        O cristão ora com a disposição de escutar Deus não de se ouvir a si próprio.
A disposição se docilidade abre o coração a todas as grandezas de Deus, permite ao homem confiar plenamente no amor que Deus lhe tem  e que seja qual for o resultado da nossa oração o recebamos conscientes de quem o fez brotar em nós esse desejo de acolher tudo como vindo das mãos de Deus foi o Espírito Santo.

        Na oração, não vamos procurar algo, vamos encontrar Alguém.
Mais, o cristão reza a Deus Pai, no Deus Filho e com Deus Filho e movido por Deus Espírito Santo.
Na oração o Espírito Santo prepara o coração do orante para que acolha Cristo e com Cristo se dirija a Deus Pai.


lugares para rezar e modos de viver a oração


        Com as disposições que assinalámos qualquer cristão em qualquer momento da sua vida, em qualquer situação corporal, espiritual, cultural em que se encontre pode dirigir-se a Deus e elevar a Ele o seu coração.
Pode viver a oração, pode viver de oração.

        E ao mesmo tempo, qualquer estado anímico de um crente pode converter-se em oração porque não há nada no homem que seja estranho ou alheio a Deus.
Assim a oração poderá ser uma adoração – quando o homem se reconhece criatura ante o Criador e goza na glória de Deus -; uma petição – ao suplicar à omnipotência de Deus que atenda as nossas necessidades a partir do pedido de perdão: «tem compaixão de mim que sou um pecador». Até pedir pelo «pão nosso de cada dia».

        Orar converte-se amiúde numa intercessão – ao ao dirigir-nos a Jesus Cristo solicitando alguma graça para pessoas que sabemos necessitadas: Estevão pede pelos seus verdugos e muito especialmente por Paulo e o Evangelho mostra-nos os cristãos rezando «pelos constituídos autoridade», pelos «perseguidores», pelas comunidades de fiéis pelos que «rejeitam o Evangelho», etc.

        E, logicamente, podemos elevar o coração a Deus com simplicidade para dar-lhe graças seguindo a recomendação do Apóstolo:
«Dai graças em tudo pois isto é o que Deus, em Cristo Jesus, quer de vós» [7], «sede perseverantes na oração velando nela com acções de graças» [8].

        Por estes caminhos e aproveitando todas as circunstâncias, a vida de oração vai assentando na alma e na ida e o crente orante vai descobrindo ne seu interior uma livre e ao mesmo tempo imperiosa necessidade de se dirigir a Deus e renovar a sua consciência de estar com Deus em qualquer momento da sua vida.
Ao mesmo tempo vê crescer no seu espírito desejo de amar sempre mais a Deus Pai, Filho e Espírito e amá-lo com coração de filho.

        «Vida de oração (…) porque a entrega, a obediência, a mansidão do cristão nascem do amor e para o amor se encaminham.
E o amor leva-os ao trato, à conversação, à amizade.
A vida do cristão requere um diálogo constante com Deus Uno e Trino e éa essa intimidade que o Espírito Santo nos conduz» [9].

        A oração do cristão deita raízes profundas no espírito quando cresce sendo uma oração filial.
É um filho que se dirige ao seu Pai Deus e fá-lo sem necessidade de seguir protocolos especiais.
Para viver a oração não são necessárias, portanto, de nenhuma condição ou circunstâncias chamativas ou especiais: nem de espaços, nem de tempos, nem de posições do corpo, nem sequer de estados de ânimo.
Em qualquer estado o homem poe dirigir-se a Deus.

        Não esqueçamos que Cristo ao dizer-nos que nos dirijamos a Deus chamando-lhe Pai Nosso, quis também indicar-nos que se une à nossa oração, que não nos deixa sozinhos ante o Pai mas que a partir do nosso interior e connosco, também Ele levanta a sua própria voz e enxerta a nossa voz na sua.





(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Cfr. Santo Agostinho, quest. 64, 4
[2] Catecismo, n. 2560
[3] Rom 8, 26
[4] Catecismo, n. 2559
[5] Jo 11, 41-42
[6] Tg 1, 5-6
[7] 1 Ts 5, 18
[8] Col 4, 2
[9] São Josemaria Escrivá, Es Cristo que passa, n. 134

Meditações de Maio 29


Como todos os anos desde 1917, neste mês de Maio, Portugal caminha para Fátima para colocar a teus pés as alegrias e tristezas, os pedidos e os  agradecimentos, a confiança e a esperança em ti Senhora de Fátima e Rainha de Portugal.



(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Cristo e a Igreja - 69

A novidade em Cristo


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Em Cristo dá-se cumprimento às antigas promessas que Deus fez aos profetas.

Por outro lado, o chamamento do Senhor dirige-se de modo radical e peremptório não a um povo, mas a todos os homens, que chama um por um.

(cont)

(p. o'callaghan, CRISTO, 5 de Diciembre de 2008, trad. ama)