29/05/2015

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum VIII Semanas

Evangelho: Mc 11 11-26

11 Entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo observado tudo, como fosse já tarde, foi para Betânia com os doze. 12 Ao outro dia, depois de saírem de Betânia, teve fome. 13 Vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi lá ver se encontrava nela algum fruto. Aproximando-Se, nada encontrou senão folhas, porque não era tempo de figos. 14 Então disse à figueira: «Nunca mais alguém coma fruto de ti». Os discípulos ouviram-n'O. 15 Chegaram a Jerusalém. Tendo entrado no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo e derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam as pombas. 16 E não consentia que ninguém transportasse nenhum objecto pelo templo; 17 e os ensinava dizendo: «Porventura não está escrito: “A minha casa será chamada casa de oração por todas as gentes”? Mas vós fizestes dela “um covil de ladrões”». 18 Ouvindo isto os príncipes dos sacerdotes e os escribas procuravam o modo de O matar; porque O temiam, visto todo o povo admirar a Sua doutrina. 19 Quando se fez tarde, saíram da cidade. 20 No outro dia pela manhã, ao passarem, viram a figueira seca até às raízes. 21 Então Pedro, recordando-se, disse-Lhe: «Olha, Mestre, como se secou a figueira que amaldiçoaste». 22 Jesus, respondendo-lhe, disse-lhes: «Tende fé em Deus. 23 Em verdade vos digo que todo aquele que disser a este monte: “Tira-te daí e lança-te no mar”, e não hesitar no seu coração, mas tiver fé de que tudo o que disse será feito, assim acontecerá. 24 Por isso vos digo: Tudo o que pedirdes na oração, crede que o haveis de conseguir e o obtereis. 25 Quando estiverdes a orar, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. 26 Porque, se vós não perdoardes, também o vosso Pai que está nos céus, não perdoará os vossos pecados».

Comentário:

Parece algo impróprio de Jesus Cristo, lançar uma maldição sobre alguém ou alguma coisa como um simples figueira como se fosse uma “resposta” de mau-humor por não ver satisfeito um desejo: comer uns figos.

Tomado ao “pé da letra” é o que se pode inferir.
Mas, na verdade, Cristo, não amaldiçoou, nem podia, deu uma ordem, o que é diferente.

Por isso, na resposta a Pedro diz: se mandares a um monte que se plante no mar assim acontecerá.

Quer isto dizer que tudo quanto se mandar, mesmo insólito, em nome de Jesus, sucederá?

Evidentemente que quem, com são critério e correcta finalidade der uma ordem em nome de Cristo o fará com Fé e, aqui sim, aplica-se o dito corrente: 'a Fé move montanhas'.


(AMA, Meditação sobre o Evangelho, Mc 11, 11-26, 2012.06.01)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/5
       

o pai nosso


       
Mas livra-nos do mal.

        É opinião já generalizada que, aqui, o Mal não significa uma força oculta da natureza nem uma energia incómoda que domine o nosso actuar de uma forma desconhecida para nós.

        Não. Referimo-nos a um «alguém», a um ser que denominamos com diferentes nomes: Maligno, Demónio, Diabo, Satanás.

        Certamente que para pecar, os homens não necessitam da cooperação do Diabo: Todavia, Satanás coopera em dar força às tentações e no descoroçoar do espírito do homem e, por vezes, provoca-as para induzir a pecar.

        Em todo o caso, o homem não pode descarregar em Satanás a responsabilidade de todos os pecados descartando-se de toda a culpa da sua liberdade ao pecar.

        Pedimos a Deus que a nossa oração afaste de nós a acção de Satanás e que, ante ela, reajamos sempre vitoriosos.

* * *

disposições para a oração


        Depois de ter visto as razões que levam o homem a rezar e recordadas as características que a oração há-de ter convém-nos agora considerar brevemente as disposições que tornam possível que o coração do homem se abra à luz de Deus, que a sua inteligência se abra à palavra de Deus.

        Para que o diálogo que o homem estabelece com Deus na oração se converta num verdadeiro encontro: «A oração, saibamo-lo ou não é o encontro da sede de Deus e a sede do homem. Deus tem sede que o homem tenha sede dele» [1],[2] o homem há-de dirigir-se a Deus com uma disposição de espírito que se pode resumir com estas três características:

a) A oração há-de ser, em primeiro lugar, humilde: O homem há-de apresentar-se a Deus com um «coração contrito e humilhado».
«A humildade é a base da oração. ‘Nós não sabemos pedir como convém’ [3].
A humildade é uma disposição necessária para receber gratuitamente o dom da oração: o homem é um mendigo de Deus» [4].

        A humildade manifesta-se a miúde na acção de graças.
O homem humilde não quem se considera muito pouca coisa, inútil, sem nenhum talento ou algum tipo de mérito, etc.
A humildade não é uma disposição negativa.
O homem humilde é o que agradece a Deus todo o bem que vê em si porque sabe que é um dom de Deus.
O homem humilde aprecia com clareza que todo o bem que descobre em si é uma dádiva de Deus e dá graças; e ao mesmo tempo, consciente do pobre uso desses dons pede perdão.

        É a oração do publicano no templo em contraste com as palavras que fariseu dirige a Deus.
A acção do fariseu é a penas uma manifestação de vanglória que em nenhum momento se converte em oração.

b) Confiada.
Na oração, a humildade há-de ir acompanhada por uma disposição profunda de fé que se transforma em confiança em que Deus nos escuta sempre ainda que o que peçamos não nos seja concedido imediatamente da forma que solicitámos ou de nenhuma outra forma.
É o momento, talvez, de aplicarmos a frase de São Paulo que recolhemos antes: «não sabemos pedir como convém» e, ao mesmo tempo, pensar que o que Deus nos der será sempre para nosso bem se vemos os acontecimentos com perspectivas de eternidade.

        Antes de acontecer a ressurreição de Lázaro, Jesus Cristo dá-nos o exemplo desta disposição para com Deus Pai:
«Pai, dou-te graças por me teres escutado. Eu sabia que tu sempre me escutas mas disse-o por causa destes que me rodeiam para que acreditem que tu me enviaste» [5].

        É a recomendação que o Apóstolo São Tiago nos faz:
«Se algum de vós tem falta de sabedoria que a peça a Deus que a todos dá generosamente e sem nada cobrar, e dar-se-lhe-á. Mas que a peça com fé sem vacilar» [6].

c) Dócil.
E com a humildade, a confiança, o homem que ora a Deus necessita de uma disposição firme de docilidade para acolher como realmente vinda de Deus qualquer reposta que o Senhor deseje dar à oração, ainda que, num primeiro momento, não se entenda o que Deus quer dizer e dar.

        O cristão ora com a disposição de escutar Deus não de se ouvir a si próprio.
A disposição se docilidade abre o coração a todas as grandezas de Deus, permite ao homem confiar plenamente no amor que Deus lhe tem  e que seja qual for o resultado da nossa oração o recebamos conscientes de quem o fez brotar em nós esse desejo de acolher tudo como vindo das mãos de Deus foi o Espírito Santo.

        Na oração, não vamos procurar algo, vamos encontrar Alguém.
Mais, o cristão reza a Deus Pai, no Deus Filho e com Deus Filho e movido por Deus Espírito Santo.
Na oração o Espírito Santo prepara o coração do orante para que acolha Cristo e com Cristo se dirija a Deus Pai.


lugares para rezar e modos de viver a oração


        Com as disposições que assinalámos qualquer cristão em qualquer momento da sua vida, em qualquer situação corporal, espiritual, cultural em que se encontre pode dirigir-se a Deus e elevar a Ele o seu coração.
Pode viver a oração, pode viver de oração.

        E ao mesmo tempo, qualquer estado anímico de um crente pode converter-se em oração porque não há nada no homem que seja estranho ou alheio a Deus.
Assim a oração poderá ser uma adoração – quando o homem se reconhece criatura ante o Criador e goza na glória de Deus -; uma petição – ao suplicar à omnipotência de Deus que atenda as nossas necessidades a partir do pedido de perdão: «tem compaixão de mim que sou um pecador». Até pedir pelo «pão nosso de cada dia».

        Orar converte-se amiúde numa intercessão – ao ao dirigir-nos a Jesus Cristo solicitando alguma graça para pessoas que sabemos necessitadas: Estevão pede pelos seus verdugos e muito especialmente por Paulo e o Evangelho mostra-nos os cristãos rezando «pelos constituídos autoridade», pelos «perseguidores», pelas comunidades de fiéis pelos que «rejeitam o Evangelho», etc.

        E, logicamente, podemos elevar o coração a Deus com simplicidade para dar-lhe graças seguindo a recomendação do Apóstolo:
«Dai graças em tudo pois isto é o que Deus, em Cristo Jesus, quer de vós» [7], «sede perseverantes na oração velando nela com acções de graças» [8].

        Por estes caminhos e aproveitando todas as circunstâncias, a vida de oração vai assentando na alma e na ida e o crente orante vai descobrindo ne seu interior uma livre e ao mesmo tempo imperiosa necessidade de se dirigir a Deus e renovar a sua consciência de estar com Deus em qualquer momento da sua vida.
Ao mesmo tempo vê crescer no seu espírito desejo de amar sempre mais a Deus Pai, Filho e Espírito e amá-lo com coração de filho.

        «Vida de oração (…) porque a entrega, a obediência, a mansidão do cristão nascem do amor e para o amor se encaminham.
E o amor leva-os ao trato, à conversação, à amizade.
A vida do cristão requere um diálogo constante com Deus Uno e Trino e éa essa intimidade que o Espírito Santo nos conduz» [9].

        A oração do cristão deita raízes profundas no espírito quando cresce sendo uma oração filial.
É um filho que se dirige ao seu Pai Deus e fá-lo sem necessidade de seguir protocolos especiais.
Para viver a oração não são necessárias, portanto, de nenhuma condição ou circunstâncias chamativas ou especiais: nem de espaços, nem de tempos, nem de posições do corpo, nem sequer de estados de ânimo.
Em qualquer estado o homem poe dirigir-se a Deus.

        Não esqueçamos que Cristo ao dizer-nos que nos dirijamos a Deus chamando-lhe Pai Nosso, quis também indicar-nos que se une à nossa oração, que não nos deixa sozinhos ante o Pai mas que a partir do nosso interior e connosco, também Ele levanta a sua própria voz e enxerta a nossa voz na sua.





(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Cfr. Santo Agostinho, quest. 64, 4
[2] Catecismo, n. 2560
[3] Rom 8, 26
[4] Catecismo, n. 2559
[5] Jo 11, 41-42
[6] Tg 1, 5-6
[7] 1 Ts 5, 18
[8] Col 4, 2
[9] São Josemaria Escrivá, Es Cristo que passa, n. 134

Meditações de Maio 29


Como todos os anos desde 1917, neste mês de Maio, Portugal caminha para Fátima para colocar a teus pés as alegrias e tristezas, os pedidos e os  agradecimentos, a confiança e a esperança em ti Senhora de Fátima e Rainha de Portugal.



(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Cristo e a Igreja - 69

A novidade em Cristo


…/4

Em Cristo dá-se cumprimento às antigas promessas que Deus fez aos profetas.

Por outro lado, o chamamento do Senhor dirige-se de modo radical e peremptório não a um povo, mas a todos os homens, que chama um por um.

(cont)

(p. o'callaghan, CRISTO, 5 de Diciembre de 2008, trad. ama)


28/05/2015

O que pode ver em NUN COEPI em 28 de Maio

São Josemaria – Textos

AMA - Meditações de Maio – 2015

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Mc 10 46-52, Ernesto Juliá Diaz


Agenda Quinta-Feira

Tens de ser fermento

Dentro da grande multidão humana – interessam-nos todas as almas – tens de ser fermento, para que, com a ajuda da graça divina e com a tua correspondência, actues em todos os lugares do mundo como a levedura que dá qualidade, que dá sabor, que dá volume, com o fim de que depois o pão de Cristo possa alimentar outras almas. (Forja, 973)

Uma grande multidão acompanhara Jesus. Nosso Senhor ergue os olhos e pergunta a Filipe: Onde compraremos pão para dar de comer a toda esta gente?. Fazendo um cálculo rápido, Filipe responde: Duzentos dinheiros de pão não bastam para cada um receber um pequeno bocado. Como não dispõem de tanto dinheiro, lançam mão de uma solução caseira. Diz-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixes, mas que é isto para tanta gente.

Nós queremos seguir o Senhor e desejamos difundir a sua Palavra. Humanamente falando, é lógico que também perguntemos a nós mesmos: mas que somos nós para tanta gente? Em comparação com o número de habitantes da Terra, ainda que nos contemos por milhões, somos poucos. Por isso, temos de considerar-nos como uma pequena levedura, preparada e disposta a fazer o bem à humanidade inteira, recordando as palavras do Apóstolo: Um pouco de levedura fermenta toda a massa, transforma-a. Precisamos, portanto, de aprender a ser esse fermento, essa levedura, para modificar e transformar as multidões.


Se meditarmos com sentido espiritual no texto de S. Paulo, compreenderemos que temos de trabalhar em serviço de todas as almas. O contrário seria egoísmo. Se olharmos para a nossa vida com humildade, veremos claramente que o Senhor nos concedeu talentos e qualidades, além da graça da fé. Nenhum de nós é um ser repetido. O Nosso Pai criou-nos um a um, repartindo entre os seus filhos diverso número de bens. Pois temos de pôr esses talentos, essas qualidades, ao serviço de todos; temos de utilizar esses dons de Deus como instrumentos para ajudar os homens a descobrirem Cristo. (Amigos de Deus, nn. 256–258)

Evangelho, comentário, L. Espiritual (A beleza de ser cristão)



Tempo comum VIII Semanas

Evangelho: Mc 10 46-52

46 Chegaram a Jericó. Ao sair Jesus de Jericó, com os Seus discípulos e grande multidão, Bartimeu, mendigo cego, filho de Timeu, estava sentado junto ao caminho. 47 Quando ouviu dizer que era Jesus Nazareno, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!». 48 Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele cada vez gritava mais forte: «Filho de David, tem piedade de mim!».49 Jesus, parando, disse: «Chamai-o». Chamaram o cego, dizendo-lhe: «Tem confiança, levanta-te, Ele chama-te». 50 Ele, lançando fora a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. 51 Tomando Jesus a palavra, disse-lhe: «Que queres que te faça?». O cego respondeu: «Rabboni, que eu veja!». 52 Então Jesus disse-lhe: «Vai, a tua fé te salvou». No mesmo instante recuperou a vista, e seguia-O no caminho.

Comentário:

Nas asas da imaginação, voo ao encontro desta cena e “meto-me nela”:

Jesus recém-chegado olha para mim e repete a pergunta que fez a Timeu: «Que queres que te faça?»

Fico-me sem palavras como que atordoado e, no meu íntimo vou preparando a resposta:

Eu, Senhor, quero que me faças... e... nada me sai, eu, miserável, não consigo lembrar-me de uma única coisa que deva pedir.
Como o tempo passa e Jesus está ali, à espera da minha resposta, faço um esforço e digo-lhe:

Senhor, eu quero que me faças... tudo!

(ama, meditação sobre Mc 10, 46-52, 2011.03.03)

Leitura espiritual

  1.  

a beleza de ser cristão

SEGUNDA PARTE

COMO SER CRISTÃOS

II A ORAÇÃO




características gerais da oração

…/4
       


o pai nosso


       
        Faça-se a tua Vontade na terra como no céu.

        Com estas palavras que podemos considerar com as anteriores como uma só tri9pla petição unimo-nos em corpo e alma ao desejo de Deus Pai, Filho e Espírito Santo na criação, na redenção e na santificação do homem: «que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» [1]; e rogamos que esse anseio se realize.

        São Paulo diz-nos que «Deus nos deu a conhecer o mistério da Sua Vontade segundo o benévolo desígnio que se propôs e antemão… fazer com que tudo tenha Cristo por Cabeça… a ele por quem entrámos em herança, eleitos de antemão segundo o desígnio prévio do que tudo realiza conforme e a decisão da sua Vontade’ [2].
Pedimos com insistência que se realize plenamente este desígnio de benevolência na terra como já acontece no Céu» [3].

        Esta é a «Vontade de Deus» que no Pai-nosso pedimos que se realize.
E a este propósito parece necessário um esclarecimento.
       
Por vezes considera-se «vontade de Deus» com a perspectiva de um certo «fatalismo», como se Deus quisesse tudo quanto acontece na terra.
Deixando de lado qualquer tipo de acontecimentos naturais, desde um terramoto até às doenças e limitando-nos agora a considerar as acções dos homens, podemos claramente dizer que essa perspectiva não é verdadeira.

        A vontade de Deus é o bem, não o mal.
Nenhum homem que comete um pecado pode dizer que, se peca, é por vontade de Deus e que se Deus não quisesse ele não pecaria.

        Na realidade e em relação com as acções do homem pode estabelecer-se que Deus quer, permite, suporta e padece.

        Quer toda a boa acção que o homem leva a cabo em plena liberdade, permite as acções livres do homem que comportem uma ofensa a Ele, uma ofensa a outros homens; suporta o mal que o homem realiza contra Deus e contra o seu próximo; e padece o sofrimento dos que sofrem o mal feito por outros homens.

        Isto, logicamente, unido a que Deus pode e quere retirar algum bem de qualquer má acção que o homem leve a cabo na terra.
E essa é também a sua «vontade».
Com esta petição o cristão une-se ao mais profundo anseio de Deus, «que quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» [4].


***

       
        «Mediante as três primeiras petições somos confirmados na fé, colmatados na esperança e acesos na caridade.
Todavia como criaturas e pecadores devemos pedir para nós um «nós» que abarca o mundo e a história que oferecemos ao amor sem medida do nosso Deus.
Porque o nosso Pai cumpre o seu pleno de salvação para nós e para o mundo inteiro por meio do Nome de Cristo e do Reino do Espírito Santo» [5].

        Com efeito a nossa Fé assenta na Paternidade de Deus e reafirma-se na sua Transcendência e proximidade, a nossa Esperança prende as suas raízes na presença já em nós do Reino de Cristo e na sua vinda definitiva na vida eterna.; a nossa Caridade movida pelo Espírito Santo que é «Deus em nós» que torna possível a nossa oração acende-se no acto mais completo que o homem pode levar a cabo de amor a Deus: unir-se à Vontade de Deus no abandono total da oração, da adoração.

        Na primeira parte do Pai-nosso a mente e o coração do cristão apoiam-se em Deus e descobrem nele o seu amor aos homens e a perspectiva do seu próprio viver.

        Na segunda parte solicita a Deus tudo quanto precisa para poder levar a cabo o projecto que Deus tem para ele.

        Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia.

        - A confiança em Deus unida à convicção que o desejo de Deus de que nós homens partilhemos toda a Sua Glória levam o cristão a formular esta solicitude que é uma manifestação de esperança confiante e abandonada na Providência de Deus Pai.

        A petição nem se concretiza nem se limita às necessidades materiais, culturais, espirituais que todos os homens sentem e tratamos de resolver.
Ao referir-nos ao nosso pão de cada dia apresentamos ante Deus o nosso desejo de receber dele tudo quanto necessitamos para a nossa santificação, para que a nossa vida corra sempre na Sua companhia, para que a Sua glória se realize em nós, ainda que sem saber muito bem do que se trata e o que vamos receber.
É um acto de abandono confiado em Deus, um acto cheio de caridade, de esperança, de fé.

        Um bandono fruto de que a afirmação do Senhor - «o meu alimento é fazer a vontade de meu Pai»  [6] - se enraizou no espírito do crente.
E neste sentido já os Padres aplicaram «o pão de cada dia» à Eucaristia.
O Catecismo, n. 2837, recolhe estas palavras de Santo Agostinho:
«A Eucaristia é o nosso pão quotidiano. A virtude própria deste alimento é uma força de união: une-nos ao Corpo de Salvador e faz de nós seus membros para que venhamos a ser o que recebemos» [7].

        Perdoa-nos a nossas ofensas como também nós perdoamos aso que nos ofendem.

        - Até agora as petições feitas a Deus levam o homem directamente a colocar no Senhor a sua fé, a sua esperança, a sua caridade.

        As palavras que agora dirigimos são um rogo para libertar-nos do pecado e das suas consequências no espírito, para que assim libertados possamos preparar o nosso coração para receber todas as graças que Deus queira dar-nos.

        Estas palavras não significam simplesmente que desejamos ser perdoados por Deus como nós perdoamos aos outros.
Somos demasiado conscientes da dificuldade que todos vivemos para perdoar e da pequenez do nosso perdão.
Podemos compreender mais plenamente o seu sentido entendendo-as como uma oferta a Deus do nosso coração aberto ao perdão para que derrame em nós a riqueza do seu coração misericordioso, que tenha a alegria de ver a Redenção recebida por todos.
E só assim aprenderemos também a perdoar.

        Não nos deixeis cair na tentação.

        - Não rogamos ao Senhor que afaste de nós qualquer tentação, mas sim que não nos deixe cair em nenhuma.
«Deus que não é tentado pelo mel nem tenta ninguém» [8], quer sempre livra-nos do mal.

        A tentação forma parte de todo o nosso caminhar cristão na terra e assim será até ao fim dos dias de cada homem.
A razão parece clara: se ao viver com Cristo a nossa vida é redenção, a vitória sobre o pecado leva a suportar a carga que Ele suportou, «fazer-nos pecado» de modo semelhante como Cristo «se fez Pecado» [9], para redimir-nos a todos.
Sofrendo nós a tentação e vencendo-a com a ajuda da Graça, Cristo vence em nós e connosco o pecado que nos tenta e actualiza constantemente a sua obra redentora.

        A tentação não é só nem sequer principalmente um convite a pecar, a actuar contra Deus,
È antes uma oportunidade para que o cristão pedindo ajuda ao Senhor cresça em amor, em caridade e se una mais vitalmente a Deus.

        Essa ajuda de Deus não falta.
São Paulo recorda-no-lo com clareza: «Não sofrestes provação superior à medida humana. E fiel é Deus que não permitirá que sejais atentados para além das vossas forças, Antes, com a tentação, vos dará o modo de lhe poder resistir com êxito» [10].

        Também podemos mencionar que ao rogar ao Senhor que não nos deixe acir na tentação, em particular, estamos pedindo especialmente não cair na tentação que impediria toda a vida cristã: a tentação de não rezar, de não dirigir o nosso coração, a nossa mente a Deus.
Essa é com efeito a grande tentação do cristão porque deixar de rezar implicaria cortar a relação com Deus, não viver em amizade com Ele, não se deixar guiar pelo Espírito Santo e, por conseguinte, afogar na alma todas as raízes da Fé, da Esperança, da Caridade.




(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] 1 Tim2, 4
[2] Ef, 1 9-11
[3] Catecismo, n. 2832
[4] 1 Tm 2, 4
[5] Catecismo, n. 2806
[6] Jo 4, 34
[7] San Agustiín, Sermón, 57, 7, 7
[8] St 1, 13
[9] Cor 5, 21
[10] 1 Co 10, 13

Meditações de Maio 28

Querida Mãe:

Contemplo a maravilha desta Igreja a ti dedicada, repleta de maravilhosas flores oferecidas pelos teus filhos que muito te querem no passado Domingo dia da tua festa e... parece-me pouco!
Não deveria haver um canto, uma esquina, um lintel que não estivesse igualmente guarnecido.
Mas, depois, atento melhor e consigo ver o amor, o carinho, a ternura que aqui se respiram de forma tão palpável e evidente que me deixa envergonhado por ser tão parco e comedido.

Tu, Mãe, tens-me aqui a teus pés tal como se estivesse em Fátima, em Lourdes, no Céu, com todo o meu coração e a minha alma, todas as minhas potências, pequenas virtudes e enormes defeitos, como um pobre homem com alguma idade mas que se sente criança e não tem nenhuma vergonha de se aninhar nos teus braços amorosos e dizer-te repetidamente que te quero, que te amo.

Em cada flor deposito um beijo e, agora sim, não obstante serem tantos não chegam para expressar o meu amor por ti minha querida Mãe!

Igreja da Lapa 2015.05.10


(ama, meditações de Maio, 2015)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?