15/05/2015

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 16 20-23

20 Em verdade, em verdade vos digo que haveis de chorar e gemer, e o mundo se há-de alegrar; haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há-de converter-se em alegria. 21 A mulher, quando dá à luz, está em sofrimento, porque chegou a sua hora, mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da sua aflição, pela alegria que sente de ter nascido um homem para o mundo. 22 Vós, pois, também estais agora tristes, mas hei-de ver-vos de novo e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos tirará a vossa alegria. 23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará.

Comentário:

Comento este trecho do Evangelho de São João sob o olhar maternal da Virgem de Fátima cuja imagem contemplo na “Capelinha”.

E… parece-me muito a propósito o texto neste local onde veem de todas as partes do mundo milhares de pessoas que vêm agradecer e pedir.

Quantos vergados ao peso das dificuldades, da dor, do desânimo e ansiedade encontram neste lugar santo a superação do que os aflige, a calma e paz que lhes têm faltado, recuperando a esperança e a confiança.

É verdade… vêm-se muitos olhos marejados de lágrimas e posturas como que esmagadas pela dor mas, basta olhar com “olhos de ver”, não se vêm sinais de tristeza!
Bem ao contrário há como que uma alegria latente nos semblantes e, sobretudo uma paz serena e confiada.

A Senhora a tudo preside, tudo recebe nas suas mãos amorosas para as levar ao Seu Filho Jesus!

Como não confiar?!

(ama, Fátima, comentário sobre Jo 16, 20-23, 2014.05.30)


Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv o espírito das bem-aventuranças

        É doutrina comum considerar que as Bem-Aventuranças recolhem e expressam toda a novidade que o espírito que Cristo revelou, do espírito da «nova criatura» que há-de ser a do cristão.
Portanto podemos dizer que as Bem-Aventuranças são a manifestação mais plena da verdadeira vida cristã, a consumação dos mandamentos.

        «O Decálogo, o Sermão da Montanha e a catequese apostólica descrevem-nos os caminhos que conduzem ao Reino dos Céus.
Avançamos por eles passo a passo mediante os actos de cada dia sustentados pela graça dos Espírito Santo.
Fecundados pela Palavra de Deus damos lentamente frutos na Igreja para a glória de Deus» ([1]).

        A Graça, uma vez mais recordamos, acrescenta no homem a condição de Filhos de Deus em Cristo Jesus à condição de criatura e da origem a um novo modo de viver que converte o humano em cristão, em divino sem deixar de ser completamente humano; mais, sendo ao mesmo tempo completamente humano.

        Este novo modo do viver cristão manifesta a sua «novidade» relativamente ao viver como criatura do homem religioso que quer dar glória a Deus.
A «novidade» é viver os Mandamentos com o novo espírito que Cristo nos manifestou no mandamento novo», com os espírito das Bem-Aventuranças.

        Existe algum contraste entre os Mandamentos e as Bem-Aventuranças?
As Bem-Aventuranças formam uma nova lei que substitui os Mandamentos ou, pelo menos, os relega para um segundo plano?
Se Cristo diz que quem O ama é aquele que cumpre os Mandamentos porquê ao enunciar as Bem-Aventuranças sublinha especialmente a felicidade que alcançam os que a vivem e não faz menção ao amor que lhe manifestam?

        A «novidade» que assinalámos realmente não supõe nenhum contrate entre Mandamento e Bem-Aventurança antes «plenitude»: os Mandamentos têm a sua realização plena nas Bem-Aventuranças.

        Não é difícil descobrir que os modos de viver anunciados e abençoados com a promessa das Bem-Aventuranças não podem nunca ser o fruto nem da vontade do homem nem da clarividência da inteligência.
O homem é incapaz de vislumbrar a felicidade num comportamento que por vezes se apresenta com facetas que ainda que não contradigam as suas tendências naturais lhe abrem uns horizontes novos totalmente inesperados que por vezes tornam difícil descobrir a felicidade escondida nessas exigências.

        Já os filósofos gregos descobriram a felicidade  no comportamento virtuoso, e o Livro da Sabedoria no Antigo Testamento também reflecte essa perspectiva do actuar humano.
«Mais vale não ter luxos e possuir a virtude porque a memória desta é imortal Deu e os homens estimam-na igualmente» ([2]).
Mas quem poderá ter chegado a pensar na felicidade dos «mansos», dos «misericordiosos»?

        Com efeito, o enunciado das Bem-Aventuranças manifesta-nos o «novo modo de viver cristão» somente possível de se desenvolver com as mesmas disposições que Cristo nos ensinou:
«Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração» ([3]); e «Dou-vos um Mandamento Novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» ([4]).
Sem estas disposições fundamentais é impossível que a Graça conclua o seu trabalho de conversão, que o espírito da Bem-Aventuranças deite raízes no espírito do homem.

        Como enraizar na alma essas disposições?
Ainda que este processo de conversão vá ser objecto da Segunda Parte adiantamos agora uma brevíssima reflexão.

        O primeiro passo da conversão para ser nova criatura é uma conversão de fé.
Como Abraão acreditou em Deus e lhe foi imputada a justiça ([5]), assim também o cristão acredita na palavra de Cristo e espera contra toda a esperança a realização da promessa contida em cada uma das Bem-Aventuranças: «o reino dos céus», «serão consolados», «alcançará misericórdia», «serão chamados filhos de Deus».

        Essa conversão de fé, e a esperança que a fé origina e sustém, só é possível de alcançar na contemplação amorosa de Deus, no seu rosto, que é Cristo: «O que me viu a Mim viu o Pai» ([6]).

        «Olharão para O que trespassaram».
Zacarias tinha anunciado esta contemplação de Cristo, João situa-a num primeiro momento, ao pé da cruz ([7]) e numa segunda reflexão passados dois anos e ante Cristo que nos lavou os nossos pecados com o seu sangue afirma que «todo o olho O verá até os que O trespassaram e por Ele farão luto todas as nações» ([8]).

        Contemplar Cristo crucificado, morto e ressuscitado é a caridade que nos leva à conversão na «dor» dos nossos pecados, que nos consolida na esperança porque «nos lavou dos nossos pecados».
E a Caridade faz-nos compreender que Jesus Cristo é o modelo vivo do Bem-aventurado, do homem renascido em Deus para sempre, da «nova criatura» que o Espírito Santo anseia engendrar em cada cristão.

        Quando mencionamos os motivos da Encarnação do Senhor recordamos entre eles o que há-de «ser para nós um modelo e exemplo de vida».
«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» ([9]).
Ele é com efeito o modelo das Bem-Aventuranças e a norma da nova lei: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei ([10]). Este amor tem como consequência a efectiva de si mesmo» ([11]).

        Toda a vida verdadeiramente cristã começa com um encontro com Cristo que é o Caminho, enraíza na alma quando o olhar de Cristo que é o Caminho, que é a Verdade. Descobre os mistérios insondáveis de Deus Pai, Filho, Espírito Santo e essa vida cristã cresce e desenvolve-se com o amor de Cristo e a Cristo que é Vida, quando conseguimos atingir que Ele deu a Sua vida por nós na esperança de que assim nos convençamos do seu Amor e de que nos transmitiu a Sua vida nos Sacramentos.

        Podemos dizer que só contemplando o viver de Cristo e só na perspectiva do amor de Cristo, e com as mesmas disposições de humildade e de mansidão que Ele viveu como acabamos de recordar, é possível compreender os espírito das Bem-Aventuranças e considerar a vida oculta nas Bem-Aventuranças com a plenitude vital e existencial do homem humano-cristão e assim abrir o espírito para o nascimento definitivo de Cristo em nós.

        Para nos facilitar a compreensão do sentido do enunciado de cada bem-aventurança recordemos s apresentação das promessas de Cristo na versão e na ordem recolhida por S. Mateus ([12]).
Sem esquecer que esse capítulo do Evangelho conclui com a frase que indica a vigência para todos os cristãos, para todos os homens, da verdade e da vida de cada uma e de todas as Bem-Aventuranças: «Vós, pois, sede perfeitos, como o vosso Pai celestial é perfeito» ([13]).

        «Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o reino dos céus.
        Bem-aventurados os que choram porque serão consolados
        Bem-aventurados os manso porque possuirão a terra
        Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão saciados
        Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia
        Bem-aventurados os limpos de coração porque verão a Deus
        Bem-aventurados os pacíficos porque serão chamados filhos de Deus
        Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça porque deles é o reino dos céus».

        São Mateus conclui a enumeração com uma nova Bem-Aventurança que de certo modo podemos considerar como o resumo ou pelo menos com umas palavras que se podem aplicar a todas as Bem-Aventuranças:

        «Bem-aventurados sereis quando vos injuriem, vos perseguirem e mentido digam toda a classe de mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande nos céus a vossa recompensa: da mesma forma perseguiram os profetas que os precederam».

        O Senhor anuncia esta nova vida a pessoas que já têm algum conhecimento dele e da sua doutrina ainda que pareça lógico pensar que a familiaridade dos discípulos com as palavras de Cristo era muito ténue e, nalguns casos, quase inexistente.
Todavia, de entre a multidão dos ouvintes alguns já são verdeiros discípulos escutaram-no em diferentes ocasiões e entre eles estarão aqueles que pouco tempo depois elegerá como Apóstolos.

        Sem fazer qualquer distinção entre uns e outros comunica a todos o seu desejo de que sejam os primeiros aquelas palavras em prática

        Como o faz e porquê?


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Catecismo, n. 1724
[2] Sab 4, 1
[3] Mt 11, 19
[4] Jo 13, 34
[5] Cfr. Rom 4
[6] Jo 14, 9
[7] Jo 19, 17
[8] Ap 1, 7
[9] Jo 14, 6
[10] Jo 15, 12
[11] Catecismo, n. 459
[12] Mt 5, 3-12
[13] Mt 5, 48

Meditações de Maio 15

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida e doçura, Esperança nossa, A vós bradamos, Degredados filhos de Eva, A vós suspiramos, Gemendo e chorando, Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, E depois deste desterro, Mostrai-nos Jesus, Bendito fruto do vosso ventre,

Ó clemente,

Pela tua mão conduz as nossas vidas ao perdão, à clemência para com todos os nossos irmãos principalmente aqueles que de alguma forma nos ofendem ou causam mal.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?

Cristo e a Igreja - 67

A novidade em Cristo


…/2

Mas isto não significa que o Senhor queira mudar tudo.
Não é um revolucionário ou um iluminado.
De facto, por exemplo, para falar da indissolubilidade do matrimónio, toma como ponto de partida o que Deus fez na origem, quando creó a mulher e o homem.[i]
Por isso declarou: não penseis que vim a abolir a Lei ou os Profetas; não vim a aboli-los mas a dar-lhes a sua plenitude;[ii] e, em repetidas ocasiões, advertiu os discípulos para que cumprissem fielmente os mandamentos que Moisés tinha comunicado ao povo de parte de Deus.

(cont)

(p. o'callaghan, CRISTO, 5 de Diciembre de 2008, trad. ama)





[i] Cfr. Mt 19, 3-9; Gn 2, 24.
[ii] Mt 5, 17.

14/05/2015

O que pode ver em NUNC COEPI em 14 de Maio


São Josemaria – Textos

A beleza de ser cristão (Ernesto Juliá), AMA - Comentários ao Evangelho Jo 15 9-17, Ernesto Juliá Diaz

AMA - Meditações de Maio – 2015


Agenda Quinta-Feira

Senhor, se quiseres podes curar-me

Não tenhas dúvidas: o coração foi criado para amar. Metamos, pois, Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os nossos amores. Senão, o coração vazio vinga-se, e enche-se das baixezas mais desprezíveis. (Sulco, 800)

Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como comportar-nos?

A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.. (...)


É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre até ao fundo da nossa alma. Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a verdade e dizer: Domine, si vis, potes me mundare, Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades. Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de haver pus. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino. (Cristo que passa, nn. 92–93)”

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)


Semana VI da Páscoa


São Matias – Apóstolo

Evangelho: Jo 15 9-17

9 Como o Pai Me amou, assim Eu vos amei. Permanecei no Meu amor. 10 Se observardes os Meus preceitos, permanecereis no Meu amor, como Eu observei os preceitos de Meu Pai e permaneço no Seu amor. 11 Disse-vos estas coisas, para que a Minha alegria esteja em vós e para que a vossa alegria seja completa. 12 «O Meu preceito é este: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei. 13 Não há maior amor do que dar a própria vida pelos seus amigos. 14 Vós sois Meus amigos se fizerdes o que vos mando. 15 Não mais vos chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de Meu Pai. 16 Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi, e vos destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo o que pedirdes a Meu Pai em Meu nome, Ele vo-lo conceda. 17 Isto vos mando: Amai-vos uns aos outros.

Comentário:

Podemos considerar duas passagens importantes contidas neste trecho do Evangelho de São João.

A primeira será muito consoladora já que o Senhor afirma que foi Ele Quem nos escolheu.
Assim de nos assaltar a dúvida dos merecimentos que possamos ter ou não para nos considerarmos como fazendo parte do Seu rebanho com todas as implicações que tal significa, o sabermos que Ele nos escolheu sabendo das nossas imperfeições e misérias é porque nos quer verdadeiramente tal como somos.

A segunda teremos uma vez mais a importância do amor a Deus - que é a plenitude do Amor - e o amor ao próximo, espelho e reflexo do Criador.

(ama, comentário sobre Jo  15, 9-17 2014,05.14)


Leitura espiritual

a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE


XIII os mandamentos da lei de deus

…/4

o amor a deus na vida social

                Todavia o ser humano não é chamado a viver plenamente no âmbito da família.
Deus criou o homem em família e estabeleceu uma série de vínculos entre os homens que os levam a viver em comunidade, em relação vital.
Nenhum ser humano é uma ilha.
Tampouco uma família.
Nenhum ser humano nem nenhuma família nem sequer um grupo de famílias é completamente independente e autónomo em referência aos outros seres humanos.
        E essa vida social que permite o desenvolvimento do homem em todas as facetas do seu ser é a que normal e fecundo a que estão chamados a proteger o sétimo e o oitavo mandamentos: Não roubar, não mentir.
Não só a proteger mas também a tornar possível que se viva em amor e confiança mútuas de forma a garantir um desenvolvimento normal e fecundo em serviço de todos.
        Com efeito o não roubar os bens alheios, sejam eles quais forem: materiais, intelectuais, espirituais, familiares, sociais etc., assegura que cada ser humano possa cooperar na convivência familiar, social e política com o que lhe é próprio, além de empregar esses bens para a sua perfeição humana, natural e sobrenatural, para a glória de Deus.

Só Deus pode retirar os talentos que Ele próprio concedeu ao ser humano ainda que por vezes o homem se aproprie indevidamente dessa capacidade e, de certo modo, se roube a si próprio e roube a sociedade algo que lhe era devido.

        Tal acontece quando o homem se fecha no egoísmo, deixa de considerar o mandamento como um caminho para viver no amor face a Deus e aos homens, em serviço e para glória de Deus e em serviço dos homens e refere qualquer riqueza de qualquer tipo que tenha à sua disposição única e exclusivamente a si próprio, para a sua própria satisfação e prazer, quebrando assim a ordem estabelecida por Deus.

        O oitavo Mandamento, não mentir, é dirigido a que permaneça sempre a confiança entre os homens, a que essa confiança que torna possível a boa ordem do viver social, não se perca nem diminua.
A Desconfiança em Deus originou o primeiro pecado de Adão, e a desconfiança nos «filhos de Deus» destroça os vínculos indispensáveis que tornam possível aos homens conviver entre eles e com Deus.
        O mentir pressupõe sempre a persistência do pecado do paraíso e por isso se diz com propriedade que o diabo é é «o pai da mentira».

Vencido o pecado e vivendo já na ordem da redenção, o cristão é chamado a ser testemunho vivo da verdade do homem e da verdade de Deus.
Como os outros Mandamentos o seu enunciado negativo absoluto pressupõe uma clara afirmação positiva.
Um convite a que a linguagem esteja ao serviço dos planos amorosos de Deus sobre o mundo.

        Daí que a maior mentira que um discípulo de Cristo poe expressar, mais que nas suas palavras está por vezes na sua vida quando os seus actos não reflectem a Fé, a Esperança e a Caridade que a Graça deveria fazer crescer no seu espírito.
Assim no lo recorda São João:
«Se dizemos que estamos em comunhão com Ele e caminhamos nas trevas, mentimos e não actuamos conforme a verdade»[1].

os mandamentos contra os inimigos da caridade

Talvez pareça mais difícil de compreender a relação directa com a fé, com a esperança e com a caridade que os últimos preceitos do decálogo possam guardar.
E todavia, esses mandamentos, o nono e o décimo – não desejarás a mulher do teu próximo, não cobiçarás os bens alheios – previnem o homem contra os grandes inimigos da caridade e da esperança e por conseguinte, também da fé.

        È comum sublinhar tudo quanto no nono Mandamento tem uma relação mais directa com o que foi estabelecido no sexto, a propósito da pureza da carne e do espírito para manter e engrandecer a pureza de espírito com respeito à caridade, à sexualidade e à verdade.
Este aspecto do Mandamento reflecte-o o Catecismo com estas palavras:
«Os corações limpos designam o que a sua inteligência e a sua vontade ajustaram às exigências da santidade de Deus principalmente nos três domínios: a caridade, a castidade ou rectidão sexual, o amor à verdade à ortodoxia na fé»[2].

        Depois destas afirmações, também podemos concentrar a nossa atenção uma particularidade deste Mandamento que talvez fique mais a descoberto se se lê a versão que o Êxodo recolhe e que diz assim:
«Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu burro nem nada que seja do teu próximo»[3].

        Não parece muito ousado pensar que Deus está fazendo o homem considerar que não deve permitir que a inveja deite raízes na sua alma.
A cobiça e o desejo dos bens alheios supõem criticar Deus ter sido injusto ao criar-nos por ter feito uma má distribuição dos dons e fechar o coração do homem a viver o agradecimento pelo recebido.
Não aceitar, em suma, a ordem da criação constituída.

        O acusar Deus de injustiça e a falta de agradecimento que o acompanha são acções que originam directamente a inveja e são, portanto, contrárias à caridade e impedem que o amor faça crescer no homem a fé em Deus.
A inveja impede o homem de conseguir alcançar a «purificação do coração».

        Algo semelhante, ainda que de outro género, acontece com o estabelecido no décimo Mandamento.
O enunciado do preceito é bem claro e sem lugar a dúvidas:
«Não cobiçarás os bens alheios».
E a indicação dirige-se directamente contra a avareza.
«O décimo Mandamento proíbe a avareza e o desejo de uma apropriação imoderada dos bens terrenos»[4].

        Quando o homem centra os eus principais interesses nso bens terenos é lógico que descuide a perspectiva da vida eterna.
E , então, é natural que as raízes da esperança cristã murchem.
O verdadeiro sentido da criação e da vida, que não acaba aqui na terra, mas está completamente aberta à vida eterna, perde os seus contornos e os seus horizontes e o homem, em suma, abandona a vida da graça e com ela os planos de Deus sobre ele.
O avarento pensa só na terra, o seu olhar nunca alcança a vida eterna.

        A Fé, a Esperança e a Caridade crescem no homem quando a sua vida transcorre pelos caminhos assinalados nos Mandamentos do Decálogo.
Ao mesmo tempo, estes preceitos tornam possível que o homem se mantenha nessa manifestação de verdadeiro amor a Deus e à ordem estabelecida por Deus no mundo.

Ao viver os preceitos divinos que os Mandamentos encerram como caminhos da sua vida cristã, o homem descobre o amor com que Deus o ama e saboreia a verdade das palavras de Cristo:

        «Se me amais guardareis os meus mandamentos»[5].

       
(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)





[1] 1 Jo 1, 6
[2] Catecismo, n. 2518
[3] Êx 20, 27
[4] Catecismo, n. 2536
[5] Jo 14, 15

Meditações de Maio 14

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, Vida e doçura, Esperança nossa, A vós bradamos, Degredados filhos de Eva, A vós suspiramos, Gemendo e chorando, Neste vale de lágrimas.
Eia pois advogada nossa, Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, E depois deste desterro, Mostrai-nos Jesus,

Bendito fruto do vosso ventre,

O vosso ventre puríssimo deu a vida humana ao Filho de Deus.

Bênção do Céu, magnificência de Deus Uno e Trino que quis dar-nos a suprema honra de, por Ele, ser-mos convertidos em Seus filhos.


(ama, meditações de Maio, Salve Rainha, 2015)

Pequena agenda do cristão


Quinta-Feira

(Coisas muito simples, curtas, objectivas)


Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?