06/03/2011

CULTURA: IGREJA CATÓLICA ESTÁ POUCO PRESENTE NO TEATRO

Observando
Musical «Wojtyla», inspirado na vida do Papa João Paulo II, atraiu 11 mil espectadores em Lisboa e Porto e há pedidos para mais representações

Lisboa, 01 Março (Ecclesia) – A encenadora do musical ‘Wojtyla’, uma evocação do Papa João Paulo II que esteve em cena em Lisboa e Porto entre 17 e 27 de Fevereiro, afirmou hoje que “pode e deve haver mais presença cristã no teatro”.

“A fé foi sempre tão inspiradora da arte que não sei porque é que estamos [Igreja católica] tão pouco no teatro”, disse Matilde Trocado à Agência ECCLESIA.

No entender da encenadora de 30 anos, as peças representadas em Portugal são frequentemente “muito pesadas”, levando os espectadores a sair da sala “com o peso do mundo às costas”.

“Há poucas coisas positivas e eu gostava de fazer mais, não só temas marcadamente cristãos como também realizações mais simples onde se transmitam esses valores”, declarou a autora de ‘Wojtyla’, que guarda reserva sobre os projectos que tem em mente.

Matilde Trocado desconhece porque é que a Igreja não tem aproveitado a oportunidade de veicular a sua mensagem através do teatro, quando, como se verificou no caso de deste musical, a procura excede as expectativas.

O espectáculo, que foi apresentado pela primeira vez em 2010, no Estoril (patriarcado de Lisboa), é cantado e dançado ao vivo, inspirando-se na vida de Karol Wojtyla, nascido na Polónia em 1920 e Papa desde 1978 até à data da morte, 2 de Abril de 2005.

Aos sete espectáculos inicialmente previstos para Lisboa e Porto (nos teatros Tivoli e Sá da Bandeira), juntaram-se quatro sessões extra, sempre com a lotação esgotada, num total de 11 mil espectadores.

Este ciclo possibilitou a actores amadores representarem em teatros com tradição: “Foi uma experiência extraordinária, não só pelas salas”, mas também por poderem “evangelizar”, realçou Matilde Trocado.

A estudante do mestrado em encenação sublinhou que o projecto “foi sempre rezado”, com orações antes e depois dos ensaios, além de catequeses sobre a vida de João Paulo II e explicações acerca das letras das músicas cantadas em palco.

A encenadora, que tem recebido pedidos de vários pontos do continente e ilhas para apresentar o espectáculo, considera que “Maio vai ser um mês muito especial” para quem integra o projecto, já que no dia 1 decorre a beatificação de João Paulo II, no Vaticano.

“Foi um privilégio ter sido anunciada a beatificação no dia em que estávamos a ensaiar”, referiu Matilde Trocado, que não sabe se a equipa vai assinalar aquela data - entre as hipóteses inclui-se uma representação ou a viagem até Roma para participar na celebração.

A reposição de ‘Wojtyla’ está a ser equacionada com “algum cuidado”, ainda que os actores tenham estabelecido “uma relação muito forte” e, no fim da última representação, a 27 de Fevereiro, no Porto, alguns se tenham inquietado com a possibilidade de ser a última.

“Este espectáculo é feito por alunos universitários, cuja prioridade na vida tem de ser estudar e ter boas notas, pelo que não podem inverter estes objectivos para andar a reboque de um espectáculo”, justificou a encenadora.

Os ensaios e as representações são “muito intensos”, obrigando os jovens a diminuírem o ritmo do estudo e a faltar às aulas, sendo necessário “um discernimento delicado”, explicou Matilde Trocado.

equipa de ‘Wojtyla’ integra 28 actores, 12 músicos, 10 membros da produção e oito técnicos, além de pessoal de apoio, totalizando cerca de 70 pessoas, das quais 60 são voluntárias.

RM
ecclesia

Música e oração

 Marco Frisina - Anima Christi - Chorus XI




selecção ALS

Evangelho do dia e comentário


Tempo comum - XI Semana

EvangelhoMt 7, 21-27

21 «Nem todo o que Me diz: “Senhor, Senhor”, entrará no Reino dos Céus, mas só o que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus. 22 Muitos Me dirão naquele dia: “Senhor, Senhor, não profetizámos nós em Teu nome, e em Teu nome expulsámos os demónios, e em Teu nome fizemos muitos milagres?”. 23 E então Eu lhes direi bem alto: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade”. 24 «Todo aquele, pois, que ouve estas Minhas palavras e as observa será semelhante ao homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, mas ela não caiu, porque estava fundada sobre rocha. 26 Todo aquele que ouve estas Minhas palavras e não as pratica será semelhante a um homem insensato que edificou a sua casa sobre areia. 27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram e investiram os ventos contra aquela casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína»

Meditação:

Que grande responsabilidade esta de produzir obras!

Claro, o que, no fundo, o Senhor quer, são os frutos que as obras sempre produzem.

Sem isso, apresentamo-nos na Sua presença com quê?
Intenções, propósitos, promessas...?

Mas, isso, que valor tem?

(ama, comentário sobre (Mt 7, 21-27, 2010.12.02)

05/03/2011

Diálogos apostólicos

Diálogos




Nem a data ou circunstâncias da sua morte estão registadas.

Não concordas que se trata da discrição mais absoluta?









AMA, 2011.03.05


cont dos diálogos sobre S. José

TEXTOS DE S. JOSEMARIA ESCRIVÁ

2011/03/05
"As almas santas têm que ser felizes"
Contava-te que até pessoas que não receberam o baptismo, me disseram comovidas: "É verdade, eu compreendo que as almas santas têm que ser felizes, porque olham os acontecimentos com uma visão que está por cima das coisas da terra, porque vêem as coisas com olhos de eternidade". – Oxalá não te falte esta visão! – acrescentei depois –, para que sejas consequente com o tratamento de predilecção que recebeste da Trindade. (Forja, 1017)


Asseguro-te que, se nós, os filhos de Deus, quisermos, contribuiremos poderosamente para iluminar o trabalho e a vida dos homens, com o resplendor divino – eterno! – que o Senhor quis depositar nas nossas almas.

– Mas "quem diz que mora em Jesus, deve seguir o caminho que Ele seguiu", como ensina S. João: caminho que conduz sempre à glória, passando – sempre também – através do sacrifício. (Forja, 1018)


– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913).  

       
http://www.opusdei.pt/art.php?p=21645
© Gabinete de Informação do Opus Dei na Internet

Pensamentos inspirados

À procura de Deus





Quanto mais pobre quero ser, mais rico em Ti posso viver.






jma, 2011.03.05

São José - Oração e música

Em honra de São José

Evangelho do dia e comentário

Tempo comum - VIII Semana

Mc 11, 27-33

27 Voltaram a Jerusalém. E, andando Jesus pelo templo, aproximaram-se d'Ele os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, 28 e disseram-Lhe: «Com que autoridade fazes Tu estas coisas? E quem Te deu o direito de as fazer?». 29 Jesus disse-lhes: «Eu também vos farei uma pergunta; respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço estas coisas. 30 O baptismo de João era do céu ou dos homens? Respondei-Me». 31 Mas eles discorriam entre si: «Se respondermos que era do céu, Ele dirá: “Porque razão, então, não crestes nele?”.32 Responderemos que é dos homens?». Temiam o povo, porque todos tinham a João como um verdadeiro profeta. 33 Então responderam a Jesus: «Não sabemos». E Jesus disse-lhes: «Pois nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas».

Comentário:

Exige-se uma explicação mas nega-se a resposta.

É a “exigência” que usam os de critério duvidoso e pouco correcto.

Alguém que faz o bem à sua volta – como é o caso de Jesus e dos Seus milagres – precisa de explicar de onde lhe vem a autoridade para actuar desse modo?

Que queriam que dissesse? “Eu faço isto porque Deus me dá esse poder”, pois não era evidente!

O que na verdade querem é que Jesus lhes diga que é o Messias, o Filho de Deus feito homem!
Mas porquê?
Porque, conhecendo as Escrituras sabiam muito bem que a vinda do Messias há muito esperado seria acompanhada de prodígios idênticos aos que Jesus realizava e não podiam conceber que, sendo assim, Ele se não tivesse apresentado primeiro aos Príncipes dos Sacerdotes e chefes do povo mas, antes, tivesse escolhido uma humilde família para se incorporar na raça humana e uma povoação sem destaque para viver. O Messias tem de ser como eles querem e não, como Deus quer que seja.

Também nós, por vezes, procuramos um Deus à nossa medida que nos resolva os problemas e aplane as dificuldades, um Deus particular para nosso uso e serviço.

Quem procura “este Deus” não o encontrará, porque não existe.

(ama, comentário sobre Mc 11, 27-33, 2010.02.22)

Tema para breve reflexão - Harmonia social

Tema para breve reflexão


A menos que os indivíduos sejam treinados na castidade, sobriedade, e noutras formas de auto controlo, farão coisas fora de controlo que usarão e prejudicaram outras pessoas.

A harmonia social constrói-se na harmonia interior dos indivíduos.


 (c. s. lewis, Mere Christianity, trad ama)

Como conservar o matrimónio?


Doutrina






O matrimónio conserva-se na medida que se mantêm os motivos que o originaram: o amor, o desejo de formar uma família, ter filhos e educá-los, o desejo de ajudar-se mutuamente, etc.


2011.03.05

Desprezo pela vida humana


Observando




O manifesto desprezo do homem, nesta resposta de Lenine, a alguém que lhe censurava o sacrifício de tantas vítimas nas suas experiências revolucionárias:

“Que  importa?  

Racha-se lenha: saltam cavacos! 

Ainda que fosse preciso empregar dez milhões de corpos humanos, na edificação dor comunismo, sempre haviam de sobejar os suficientes para povoar o nosso território”.

(henri  massis, A nova Rússia, Livraria Tavares Martins, Porto, I945, pag. 117)

04/03/2011

Viver a oração no dia-a-dia

Duc in altum
Apesar do ritmo acelerado da vida moderna, ainda há quem não dispense a oração e, precisamente no dia Mundial da Oração, que hoje se assinala, a Renascença falou com três trabalhadores que não dispensam rezar durante o seu dia.
Na central de Camionagem de Viseu, já sentado no autocarro com direcção a Lisboa, o condutor José Carlos Carneiro cumpre a sua rotina. Não põe o pé no acelerador sem se benzer primeiro. “Está aqui o terço para me benzer, quando começo a viagem e quando termino. É a fé que tenho”, diz o condutor, católico, que acredita que, desse modo, o seu dia corre melhor.
Já no quartel dos Bombeiros Voluntários de Viseu, é a imagem de S. Marçal que acompanha os soldados da paz. Bruno Boto é chamado para mais uma urgência e, à velocidade da luz, também ele tem o seu momento de oração: “Temos de orar, normalmente uma vez por dia, para as pessoas acreditarem em nós”, explica, adiantando que a oração lhe concede “muita calma, muita paciência, muita crença acima de tudo. Quando vamos buscar crianças ou pessoas idosas, gostam muito de rezar um Pai Nosso”.
Do outro lado da cidade de Viseu, na sala de partos da urgência da maternidade do Hospital S. Teotónio, duas imagens de Nossa Senhora iluminam o nascimento de uma nova vida.
O obstetra João Morgado explica que reza, sobretudo, para agradecer:
“Entrego todo o meu trabalho, todas as pessoas que trabalham na maternidade, a Nossa Senhora, para que ela nos ajude no nosso trabalho a servirmos melhor as mães e os bebés que vão nascer nesse dia”.

Pag 1 2011.03.04

Diálogos apostólicos

Diálogos




Nunca questiona a Vontade de Deus mesmo quando o assunto se apresenta com elevadíssimo grau de dificuldade, como, por exemplo, a ida para o Egipto.

Não te parece extraordinário?











AMA, 2011.03.04


cont dos diálogos sobre S. José

MESTRE DE BOM HUMOR


Entrevista ao Pe. José Luís Soria

O Pe. José Luís Soria conheceu São Josemaria no ano de 1953. Médico, ordenou-se sacerdote em 1956 e, desde esse momento até ao último dia que São Josemaria passou na terra, viveu a seu lado, em Roma. Actualmente desenvolve o seu trabalho sacerdotal no Canadá.

Considera que um dos traços mais característicos da personalidade de São Josemaria é o seu bom humor, até ao ponto de ter escrito um livro com esse título: Mestre do bom humor. Como se manifestava esta característica?

Efectivamente, no livro explico o que – em meu entender – foi uma característica da personalidade de São Josemaria. Por um lado, a sua atitude optimista e sorridente perante a vida, que dava um tom tão atractivo e positivo à convivência com ele. É o que se pode chamar, com propriedade, o seu bom humor, a sua alegria. Era uma consequência do seu temperamento, reforçado pelo modo sincero e radical como se sabia filho de Deus.

Por outro lado, a rapidez com que costumava responder a um interlocutor, com um comentário engraçado ou espirituoso, também indica um sentido de humor especial e desenvolvido, que é mais do que simples alegria. Parece-se ao que os ingleses chamam wit, ou seja a capacidade de perceber rapidamente o incongruente, o ambíguo ou o indelicado, e de reagir perante essa realidade de um modo - frase ou gesto - inesperado e divertido. São Josemaria era também um mestre neste sentido. Quando o víamos num ambiente familiar e à vontade era fácil sorrir ou mesmo rir francamente perante as suas saídas cheias de humor inteligente e carinhoso.

Contudo, São Josemaria possuía uma personalidade forte e um carácter vigoroso, dizia as coisas com muita clareza. Isto não poderia criar, em certas ocasiões, situações mais tensas? Como era a sua maneira de corrigir?

É verdade, o seu carácter era vigoroso, e o seu temperamento muito aragonês. Costumava dizer que essa era uma das razões pelas quais Deus o tinha escolhido para Fundador do Opus Dei, tendo em conta os obstáculos de toda a espécie que iria encontrar na sua tarefa de fazer a Obra. Isso podia originar às vezes situações mais tensas, principalmente se a pessoa não conhecia bem São Josemaria ou tinha um temperamento tímido. Toda a correcção dói, porque o nosso amor-próprio se sente sempre ferido. Mas ao longo de vinte e dois anos, recordo unicamente uma ocasião em que São Josemaria me corrigiu sem motivo. E quando se deu conta, pediu-me desculpa e manifestou-me com obras o seu carinho de sempre.

Diria que, qualquer correcção que fizesse, ia logo acompanhada de um detalhe especial de afecto, embora fosse insignificante para um observador externo. Recordo, por exemplo, o que costumava fazer se algum dos que trabalhavam com ele tinha sofrido alguma repreensão durante a manhã de trabalho. Às vezes, quando São Josemaria chegava à tertúlia que tínhamos com ele depois do almoço, fazia-o sorrindo e mostrando um rebuçado – só um – entre o polegar e o indicador da mão direita. Quando o víamos chegar assim, já sabíamos que o destinatário da guloseima ia ser alguém que tinha recebido nessa manhã uma repreensão. A entrega ia sempre acompanhada de algum dos carinhosos epítetos que São Josemaria usava em família: toma, meu malandro.

A vida a seu lado era agradável? Por vezes podemos pensar que não é fácil viver perto de um santo. Que nos diz a este respeito?

O próprio São Josemaria costumava repetir a mesma ideia com palavras diferentes, quando nos dizia, incluindo-se a si próprio, que devíamos evitar aquela noção de que “para aguentar um santo, são necessários dois santos”. Sempre interpretei essa ideia como expressão de quão difícil deve ser viver com alguém que se acha santo, porque então, aquilo que na realidade são manias ou opiniões pessoais podem quase converter-se em dogmas de fé. Mas isso não sucedia com São Josemaria, por duas razões principais. Primeiro, porque a sua santidade – e portanto a sua humildade e a sua caridade – era genuína. O Magistério da Igreja é agora o testemunho supremo e definitivo desse facto, embora São Josemaria se definisse como um pecador que ama Jesus Cristo. E segundo, porque tinha um grande amor à liberdade pessoal, sem impor dogmas, rectificando quando se dava conta que se tinha enganado e defendendo ardentemente a liberdade de cada um na Obra.

De facto, o bom humor não só é compatível com a caridade, pode ser até uma das suas formas mais delicadas. Entre os carismas que Deus concedeu ao Fundador do Opus Dei, há um que – para quem não o conheceu – poderia passar quase despercebido: o de aproximar as pessoas de Deus pelo plano inclinado do bom humor. Em Caminho escreveu que: a verdadeira virtude não é triste e antipática, mas amavelmente alegre, e assim procurou sempre viver. Por isso, era um prazer estar perto dele, embora não faltassem momentos em que o cansaço ou a doença se fizessem notar na vida em família. Talvez pudessem ser duros, mas todos sabíamos que eram como escolhos isolados num imenso oceano de carinho, paz e alegria.

Como reagia perante os acontecimentos objectivamente maus: calúnias, falta de fidelidade a Jesus Cristo, ou a doença grave ou morte de alguma pessoa querida?

Sempre o vi reagir com um grande sentido sobrenatural, como um homem de grande coração e de uma fé autêntica. Conforme a natureza da contradição, podia reagir com tristeza, se o acontecimento envolvesse uma falta de fidelidade a Jesus Cristo, quer fosse uma calúnia ou uma falta de generosidade com Deus. Mas aplicava a fórmula que sempre nos aconselhava: rezar, calar, sorrir, perdoar. Recordo a sua dor e, ao mesmo tempo, a sua paz, quando recebeu a informação médica acerca da doença que sofria (e de que veio a falecer) o Pe. José Maria Hernández Garnica, um dos três primeiros sacerdotes do Opus Dei. Pediu-me que lhe explicasse detalhadamente a informação, que estava redigida com termos técnicos. Estávamos só os dois numa sala, e quando comecei a explicar o significado do diagnóstico e do grave prognóstico clínico, São Josemaria começou a chorar desconsoladamente. Quando acabei de ler, disse-me: perdoa, filho, pelo mau exemplo que te dei, mas assim também viste que o Padre tem coração. E seguidamente recitou, muito devagar, como saboreando-a, a oração que tinha incluído no ponto 691 de Caminho: Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas. -Amen.- Amen.

E perante as pequenas coisas da vida normal, que podem ser difíceis e incómodas?

Nesse aspecto, a minha experiência é que habitualmente não se notava que essas pequenas coisas o afectassem, se se tratava de pequenas avarias mecânicas, faltas de luz, incómodos de saúde pessoais, etc. Penso que essa – digamos – aparente falta de reacção, era na realidade o resultado de um processo sobrenatural, em que entravam a aceitação da vontade de Deus, a fortaleza perante a incomodidade e o desprendimento de elementos de conforto pessoal, entre outras coisas. Estava consciente de que se encontrava perante uma mortificação passiva, e recebia-a de bom grado, com o desejo de santificar as coisas pequenas e habituais, que são tão próprias da espiritualidade do Opus Dei.

As coisas eram um bocado diferentes quando na contradição havia algum elemento humano que implicava falta de responsabilidade, negligência, preguiça, etc. A maior parte das vezes reagia, e, em algumas ocasiões energicamente, para corrigir e assim ajudar a pessoa em causa, mas fazia-o não porque o sucedido o incomodasse a ele, mas porque isso implicava uma ofensa ao Senhor ou, pelo menos, uma falta de amor a Deus.

Que gostaria de transmitir da sua experiência pessoal no Opus Dei, àqueles que chegaram depois?

Gostaria de lhes dizer que entendam bem a insistência com que São Josemaria exortava a cumprir as normas de piedade 1, que fazem parte do plano de vida espiritual dos fiéis da Prelatura: cumpri-me as Normas, dizia sem cessar. Mas é necessário, como também ensinou D. Álvaro del Portillo, seu sucessor imediato à frente do Opus Dei, que não seja meramente cumprir. Com um jogo de palavras, D. Álvaro explicava que “cumplimiento” (= cumprimento) não deve ser "cumplo-y-miento" (=cumpro e minto): faço-as como tarefas que têm de ser feitas, fazê-las com exactidão em quantidade, mas talvez sem cuidar tanto da sua qualidade. São Josemaria dizia que cada norma de piedade tem de ser um verdadeiro encontro com Jesus Cristo, quer dizer, não um simples acto piedoso, que se cumpre por obrigação, como quem se livra de uma tarefa para poder dedicar-se a outras coisas. Essa é a minha experiência: que descubram o valor santificador de cada uma das normas, fazendo-as com fidelidade e grande amor de Deus e com a maior atenção possível. Diria que as façam de tal modo que o seu nível de presença de Deus aumente depois de terem cumprido uma das normas. Assim, e só assim, chegarão a ser almas contemplativas no meio do mundo, como foi São Josemaria.

P. josé luís soria, Canadá 2009

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1 Estas normas de piedade, que os fiéis do Opus Dei praticam, têm como finalidade conhecer, ganhar intimidade e amar mais Jesus Cristo. Por exemplo, participar na Santa Missa, comungar, confessar-se com frequência, ler a Sagrada Escritura e outros textos espirituais, rezar o Terço, dedicar um tempo à oração, etc.