30/07/2010

Posição da Igreja para as eleições no Brasil

A Igreja, comprometida com o bem comum e a defesa irrestrita da dignidade e dos direitos humanos, apóia as iniciativas que contribuam para garanti-los a todos e denuncia distorções inaceitáveis presentes em vários programas, que como veremos ferem os princípios que norteiam a doutrina social cristã. O que está em jogo é uma visão da pessoa humana e da sociedade, solidária com a dignidade de todos, a favor da vida e aberta ao transcendente.

Para iluminar este processo eleitoral, a comunidade eclesial – que pela sua universalidade não pode se identificar com interesses particulares, partidários ou de determinado candidato/a – busca oferecer critérios de escolha e discernimento para as pessoas de boa vontade e cidadãos responsáveis. Também deseja que sejam votados candidatos coerentes com a defesa dos princípios éticos e cristãos.

Em consonância com estes mesmos princípios apresentamos as seguintes orientações e critérios:

Antes de tudo, é necessário “valorizar o voto” que decide a vida pública do nosso País e dos nossos Estados nos próximos anos. O meu voto é precioso! Não se compra! Nele se manifesta a minha liberdade e a minha decisão. Recentemente obtivemos a vitória do projeto de lei denominado “Ficha Limpa” que por decisão do TSE se aplicará nestas eleições. Cabe agora vigiar e cuidar para eliminar do pleito aqueles candidatos corruptos que contaminam o cenário político e destroem a democracia.

1.    O primeiro critério para votar em um candidato é a defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Vida em todas as suas manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte. Rejeitamos veementemente toda forma de violência, bem como qualquer tipo de aborto, de exploração e mercado de menores, de eutanásia e qualquer forma de manipulação genética.

2.    O segundo critério é a defesa da Família na qual a pessoa cresce e se realiza. Por isso devem ser votados aqueles candidatos que incentivam, com propostas concretas, o desenvolvimento da família segundo o plano de Deus. Opõem-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homoafetivos, à legalização da prostituição, das drogas e ao tráfico de mulheres.

3.    O terceiro critério é a liberdade de Educação pela qual os pais têm o direito de educar os filhos segundo a visão de vida que eles julguem mais adequada. Isso comporta uma luta pela qualidade da escola pública e pela defesa da escola particular, defendendo o ensino religioso confessional e plural, de acordo com o princípio constitucional da liberdade religiosa, reconhecido também no recente Acordo entre o Brasil e a Santa Sé.

4.    O quarto critério é o princípio da solidariedade, segundo o qual o Estado e as famílias devem ter uma particular atenção preferencial pelos pobres, àqueles que são excluídos e marginalizados. Deve-se garantir uma cidadania plena para todos/as, assegurando o pleno exercício dos direitos sociais: trabalho, moradia, saúde, educação e segurança.

5.    O quinto critério é o princípio de subsidiariedade, ou seja, haja autonomia e ação direta participativa dos grupos, associações e famílias fazendo o que podem realizar, sem interferências ou intromissões do Estado. Este deve apoiar e subsidiar, nunca abafar ou sufocar as liberdades e a criatividade das pessoas. Assim elas poderão exercer uma cidadania ativa e gestora.

6.    Enfim, diante de uma situação de violência generalizada, os candidatos devem, de forma concreta e decidida, comprometer-se na construção de uma Cultura da Paz em todos os níveis, particularmente na educação e na defesa da infância e da adolescência. 
Do ponto de vista prático nas paróquias e em nossas associações e movimentos, se dê grande importância a este momento eleitoral e se realizem debates sempre com vários candidatos de vários partidos, em vista da realização do bem comum. Durante os eventos promovidos pela diocese ou pelas paróquias nunca devem aparecer faixas, cartazes ou outro tipo de sinais que identifiquem e apóiem os candidatos.

O trabalho político, ao qual todos somos chamados, cada um segundo a sua maneira de ser, é uma forma de mostrar a incidência do Evangelho na vida concreta, visando à construção de uma sociedade justa, fraterna e equitativa. Em conseqüência haverá uma esperança real para tantas pessoas céticas, desnorteadas e confusas com a política atual. É uma grande oportunidade que os católicos e todas as pessoas de boa vontade não podem perder.

OS BISPOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,
Regional LESTE 1 da CNBB

Textos de Reflexão para 30 de Julho

Evangelho: Mt 13, 54-58

.54 E, indo para a Sua terra, ensinava nas sinagogas, de modo que se admiravam e diziam: «Donde Lhe vem esta sabedoria e estes milagres? 55 Porventura não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Sua mãe Maria, e Seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 Suas irmãs não vivem todas entre nós? Donde, pois, Lhe vêm todas estas coisas?». 57 E estavam perplexos a Seu respeito. Mas Jesus disse-lhes: «Não há profeta sem prestígio a não ser na sua terra e na sua casa». 58 E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.
Meditação:

Os outros, sempre os outros! Quero ser visto e aplaudido, admirado e invejado!
Porquê?
São, assim, as minhas obras tão extraordinárias?
         Dá-me, Senhor, a simplicidade e a modéstia que necessito para que faça o que devo com os olhos postos em Ti, que és Quem me deve interessar, que me veja. 


(ama, meditação sobre Mt 13, 54-58, 2010.05. 01)

29/07/2010

Textos de Reflexão 29 de Julho

Evangelho: Jo 11, 19-27

19 Muitos judeus tinham ido ter com Marta e Maria, para as consolarem pela morte de seu irmão. 20 Marta, pois, logo que ouviu que vinha Jesus, saiu-Lhe ao encontro; e Maria ficou sentada em casa.21 Marta disse então a Jesus: «Senhor, se estivesses cá, meu irmão não teria morrido. 22 Mas também sei agora que tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». 23 Jesus disse-lhe: «Teu irmão há de ressuscitar». 24 Marta disse-Lhe: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia».25 Jesus disse-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; 26 e todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente. Crês isto?». 27 Ela respondeu: «Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vieste a este mundo».

Comentário:

A ressurreição é um dos principais temas que mais nos ocupa o pensamento. Inúmeras perguntas e questões ficam sem uma resposta completa, decisiva, o que não admira porque se trata de um mistério, que a nossa inteligência não consegue decifrar plenamente. Só pela Fé chegamos a compreender que, sendo a nossa alma um espírito criado directamente por Deus, a sua habitação no nosso corpo é apenas temporária, isto é, enquanto tivermos vida.
Poder-se-ia dizer que a alma é a vida e, se assim é, esta não pode perecer, antes continua de forma misteriosa mas real, na eternidade. O homem, de facto, não é eterno, mas sim imortal. Perece na sua substância mortal mas vive no seu ser espiritual.
As afirmações de Jesus – como esta que claramente faz a Marta – são uma garantia de que assim é.
Quando, no final dos tempos, o nosso corpo voltar a reunir-se à nossa alma, terá, então, outras características e qualidades que agora não possui, acompanhando a alma na eternidade, no lugar e condições que o julgamento divino determinar logo após a morte terrena. (ama, comentário sobre Jo 11, 19-27, 2010.06.30)

Cruz 1

A Cruz não faz vítimas… faz santos! Não provoca caras tristes, mas rostos alegres.

(Salvatore Canals, Ascética Meditada, Éfeso, nr. 50)

28/07/2010

Textos de Reflexão para 28 de Julho

Evangelho: Mt 13, 44-46

44 «O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que, quando um homem o acha, esconde-o e, cheio de alegria pelo achado, vai e vende tudo o que tem e compra aquele campo. 45 O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que busca pérolas preciosas 46 e, tendo encontrado uma de grande preço, vai, vende tudo o que tem e a compra.

Meditação:

Há muito que encontrei o meu tesouro, a minha pérola!
Que tenho feito com eles?
Como tenho malbaratado essas riquezas!
Enterrando, tantas vezes, o tesouro!
Esperando “melhores dias”, ocasião “mais oportuna”.
Quanto desperdício!
Tanto bem desaproveitado!
Nunc coepi! Sim, agora, agora começo outra vez a fazer render essas dádivas que graciosamente recebi, sem ter trabalho, sem esforço da minha parte. Tudo me foi dado – a pérola, o tesouro – com imensa magnanimidade e graciosamente.
Nunc coepi! Quero começar agora mas, como sou fraco, e débil, e pusilânime, nada conseguirei sem a Tua ajuda.
Ajuda-me, Senhor, a ser reconhecido e a fazer render, como esperas e é Teu direito, quanto me deste. (AMA, meditação sobre Mt 13, 44-46, Julho 2008)

Alegria Cristã 1

A alegria da existência e da vida; a alegria do amor honesto e santificado; a alegria tranquilizadora da natureza e do silêncio; a alegria por vezes austera do trabalho esmerado; a alegria e satisfação do dever cumprido; a alegria transparente da pureza, do serviço, do saber compartilhar; a alegria exigente do sacrifício. O cristão poderá purificá-las, completá-las, sublimá-las: não pode desprezá-las. A alegria cristã supõe um homem capaz de alegrias naturais.

(paulo VI, Exortação Apostólica Gaudete in Domino, Roma, 1975.05.09)  

27/07/2010

A CRUZ TRIUNFO DO AMOR SOBRE O MAL 2

2 - O mundo necessita da cruz: esta não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo que indica pertencer a um grupo qualquer na sociedade, e seu significado mais profundo nada tem a ver com alguma imposição forçada de um credo ou de uma filosofia. 
Ela fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não-violência sobre a opressão, fala de Deus que eleva os humildes, dá força aos fracos, faz superar as divisões e vencer o ódio com o amor. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a brutalidade continuariam desenfreadas, o fraco seria explorado e a ganância teria a última palavra.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

Cruz 2

2 - O mundo necessita da cruz: esta não é simplesmente um símbolo privado de devoção, não é um distintivo que indica pertencer a um grupo qualquer na sociedade, e seu significado mais profundo nada tem a ver com alguma imposição forçada de um credo ou de uma filosofia. 
Ela fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não-violência sobre a opressão, fala de Deus que eleva os humildes, dá força aos fracos, faz superar as divisões e vencer o ódio com o amor. Um mundo sem cruz seria um mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a brutalidade continuariam desenfreadas, o fraco seria explorado e a ganância teria a última palavra.

(bento XVI, Missa em Nicósia, 2010.06.05) Fonte: zenit.org

GRATIDÃO 3

Sinal certo de grandeza espiritual, é saber deixar que se lhe digam coisas: recebê-las com alegria e agradecimento.

(S. Canals, Ascética Meditada, pg. 20)

Textos de Reflexão para 27 de Julho

Evangelho: Mt 13, 36-43

36 Então, despedido o povo, foi para casa, e chegaram-se a Ele os Seus discípulos, dizendo: «Explica-nos a parábola do joio no campo». 37 Ele respondeu: «O que semeia a boa semente é o Filho do Homem.38 O campo é o mundo. A boa semente são os filhos do reino. O joio são os filhos do Maligno.39 O inimigo que o semeou é o demónio. O tempo da ceifa é o fim do mundo. Os ceifeiros são os anjos.40 De maneira que, assim como é colhido o joio e queimado no fogo, assim acontecerá no fim do mundo.41 O Filho do Homem enviará os Seus anjos e tirarão do Seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniquidade, 42 e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.43 Então resplandecerão os justos como o sol no reino de seu Pai. O que tem, ouvidos para ouvir, oiça.

Comentário:

A actualidade das palavras de Jesus
Olho para um escaparate onde estão expostas revistas aos olhos dos passantes. Publicações para crianças, jogos de palavras cruzadas e outros, revistas de figuras da “sociedade”, do mundo do espectáculo, jornais desportivos, revistas “só para homens” – pergunta-se: que homens? -, enfim, uma amálgama de páginas e páginas ali expostas como se tivessem sido despejadas de um saco ou atiradas com uma pá sem qualquer preocupação ou critério.
Olho, e vejo essa sementeira estranha, de sementes absolutamente estéreis que não vão produzir nada e algumas mais que, apesar da sua inutilidade, serão inócuas, e outras que são o autêntico joio de que nos fala o Evangelho, ali metidas, no meio das outras, as sugestivas porcarias das capas sugerindo a uma espreitadela rápida à imundície do interior. (ama, comentário sobre Mt 13, 36-43, 2010.06.29)

VIRTUDES 7

Tentar ser mais do que homem é conseguir as virtudes humanas e sobrenaturais para as quais estamos capacitados. Mas não é num aglomerado de qualidades pessoais o que faz o homem feliz. É antes uma síntese a que podemos chegar através da fidelidade, que quando entrelaçada na caridade – que é a forma de todas as virtudes -, na prudência – que é a sua condutora – e na humildade, que lhe serve de fundamento. A fidelidade é como que o coração de todas sãs virtudes. Por isso, ser fiel é um dever central entre todos os demais deveres, alento de toda a vida moral e fonte de plenitude.

(Javier Abad Goméz, Fidelidade, Quadrante, 1989, pg 43)

26/07/2010

O Último Cume



A propósito da entrevista de D. Carlos Azevedo

Caro António


D. Carlos Azevedo é uma voz sempre audível e não está só na procura de soluções em favor dos que precisam.
No espaço Católico, somos muitos, os disponíveis para contribuir com soluções para a sustentabilidade social e económica, justiça e paz. 
Sem criar conflito, temos capacidade mobilizadora para juntar vontades e consciencializar os crentes, e não só, que é possível superar a crise provocada pelo desregulamento financeiro que está a contribuir para aumento da pobreza. 

Um abraço.
Luís Plácido

25/07/2010

Textos de Reflexão para 26 de Julho

Evangelho: Mt 13, 16-17

Ditosos, porém, os vossos olhos, porque vêem e os vossos ouvidos, porque ouvem.17 Em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não o ouviram.

Meditação:

Eu, de facto, não Vos vejo como desejaria mas recebo-vos em Corpo, Alma e Divindade na Hóstia Consagrada.
Continuo a querer ver-vos – Vultum Tuum, Domine, requiram! – mas não desejo deixar de Vos receber.
Sei que quando finalmente Vos contemplar face a face tudo ficará satisfeito em mim e não terei mais necessidade de Vos comungar.
Mas, enquanto tal não depende do meu querer mas unicamente da Tua Vontade, o receber-te sim, está dentro das minhas capacidades e é o que quero, desejo e anseio, todos os dias que me concederes viver. (ama, meditação sobre Mt 13, 16-17, 2010.07.01)

VIRTUDES 6

Se queremos guardar a mais bela de todas as virtudes, que é a castidade, temos de saber que ela é uma rosa que somente floresce entre espinhos; e, por conseguinte, só a encontraremos, como todas as outras virtudes, numa pessoa mortificada.

(S. João Maria Vianey, Sermão sobre a penitência, colig. por ama)

Juíza recusa casamentos do mesmo sexo

BUENOS AIRES, 19 Jul. 10 (ACI) .- A juíza de paz de General Pico, Marta Covella, afirmou que "ainda que me custe o emprego, e ainda que me custe a vida", não casará casais do mesmo sexo; logo que isto fora aprovado pelo Senado na semana passada.

"Que me acusem do que queiram. Deus me diz uma coisa e eu a vou obedecer à risca, ainda que me custe o emprego, e ainda que me custe a vida, porque primeiro está o que Deus me diz", expressou. 

A juíza recordou suas raízes cristãs e afirmou que sabe o que Deus pensa. "Deus ama a toda as gentes mas não aprova as coisas más que as pessoas fazem. E uma relação entre homossexuais é uma coisa má diante dos olhos de Deus", indicou.  

24/07/2010

A propósito da entrevista do Revmº Senhor D. Carlos Azevedo

Estou convencido que durante muito tempo se vão multiplicar os dizeres, escritos e falados, sobre esta entrevista, achando uns que está muito bem, outros que se ficou aquém do que poderiam esperar e, outros, com mais ruído e virulência, manifestarão um incómodo que não conseguem disfarçar.
Sim, é verdade, as palavras do Senhor Bispo incomodam, diria eu, toda a gente.

Talvez na Igreja portuguesa haja quem pense que terá dito de mais; haverá católicos que talvez aduzam que, os Senhores Bispos, não se devem meter “nestas coisas”.

Outros desejariam que o Senhor D. Carlos tivesse marcado uma data, um local para dar início à enormíssima manifestação que desejam.
Por mim, estou muito contente e satisfeito com o que ouvi. Não houve uma escolha desmesuradamente cautelosa de palavras, não houve exaltação absolutamente nenhuma, não se viu, sequer, uma tomada de posição em nome de seja quem for. O Senhor D. Carlos Azevedo falou em nome próprio com a liberdade e o direito que é reconhecido a qualquer cidadão e com a justa medida que a sua experiência pastoral e profundo conhecimento da sociedade portuguesa lhe ditaram.

É verdade… lançou uma ideia para resolver alguns dos problemas mais prementes: o desconto voluntário de parte dos salários auferidos pelos políticos ou detentores de cargos públicos. Esta é uma sugestão do Senhor Bispo, não é uma recomendação da Igreja Católica Portuguesa.

Houve políticos, pelo menos um, que seraficamente adiantou uma citação evangélica: «não saiba a tua mão direita o que faz a esquerda». Esqueceu-se porém do contexto desta recomendação de Jesus Cristo. De facto Ele disse-o a propósito da esmola. (Mt 6, 2-3)

O Senhor Bispo não falou de esmolas, falou de justiça social que é algo completamente diferente.

Quem recebe proventos – salários ou pensões – que totalizam num mês aquilo que muitos portugueses não ganham em vários anos de trabalho, tem de concordar que se situa num patamar na escala social que a enormíssima maioria não conhece, ou sequer, sonha. Que esses proventos advêm de um trabalho de altíssima qualidade, em lugares de enorme responsabilidade… pode ser, à luz da lei, estará certo, mas nem por isso deixa de constituir uma desigualdade e um enormíssimo desrespeito para com a sociedade que servem ou serviram.
Também falou, o Senhor D. Carlos, sobre bancos e banqueiros. Existindo para ganhar dinheiro, obviamente, um banco não é uma instituição de misericórdia, fundamentalmente serve-se do dinheiro de uns a quem paga 1 para emprestar a outros de quem cobra 5, mas, de facto e como muito bem frisou, esse dinheiro não lhes pertence.

Porque é que estas coisas vêm à praça pública pela voz de um Bispo da Igreja Católica Portuguesa?

Porque o momento é gravíssimo, cresce diariamente o número de pessoas, famílias inteiras que mal vivem com o pouquíssimo que têm. A Igreja Católica Portuguesa que é o maior “benemérito” da nossa sociedade através das inúmeras obras de solidariedade social, institutos, hospitais, acções directas junto das populações numa lista interminável de apoios, subsídios, ajudas faz tudo isto com o dinheiro que os católicos portugueses lhe confiam, só que, agora, devido ao momento que vivemos, esses fundos não chegam para acudir ao número crescente dos que precisam.

Não vamos dissecar palavra por palavra o que o Senhor D. Carlos disse, estabelecendo comparações e aventando críticas.
Vamos fazer o que, no fim e ao cabo, pediu à sociedade portuguesa:
Vamos, todos, ajudar conforme pudermos e a nossa consciência nos dite!

Porto, 2010.07.24

Textos de Reflexão para 24 de Junho

Evangelho: Mt 13, 24-30

24 Propôs-lhes outra parábola, dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.25 Porém, enquanto os homens dormiam, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e foi-se.26 Tendo crescido a erva e dado fruto, apareceu então o joio.27 Chegando os servos do pai de família, disseram-lhe: “Senhor, porventura não semeaste tu boa semente no teu campo? Donde veio, pois, o joio?”.28 Ele, respondeu-lhes: “Foi um inimigo que fez isto”. Os servos disseram-lhe: “Queres que vamos e o arranquemos?”.29 Ele respondeu-lhes: “Não, para que talvez não suceda que, arrancando o joio, arranqueis juntamente com ele o trigo.30 Deixai-os crescer juntos até à ceifa, e no tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiramente o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro”».
Meditação:

Tenho esta noção meridiana que sou um dos campos onde o Senhor semeou a boa semente. E, também, tenho bem presente que, juntamente com o trigo esperado, nasceu e cresceu o joio dos meus defeitos e traições, das minhas faltas e indolências e, como consequência – tantas vezes – abafou o bom trigo que o Senhor espera mandar colher um dia para o guardar no Seu celeiro da eternidade.
E, agora, que faço? Sem me deter, corro em busca de auxílio, de ajuda de quem sabe muito bem como debelar esta “praga” do meu joio pessoal.
Na confidência com o meu amigo de confiança e, mais importante, no recolhimento do confessionário, hei-de abrir a minha alma expor o meu coração, mostrando sem medo e sem hesitações esse joio que estagna a minha vida de piedade, me impede de crescer. Forte, pujante, cheio de vida interior que se transforme em boas obras.
Assim, conseguirei, seguramente, arrancar esse joio, haste a haste, leve o tempo que levar, custe o que custar, até me parecer com esse campo fértil e pronto para a ceifa tal como o Senhor desejou que eu fosse, desde o princípio do mundo.

(AMA, Meditação, Mt 13, 24-43, Julho 2008)

Textos de Reflexão 25 de Julho

Evangelho: Lc 11, 1-13

1 Estando Ele a fazer oração em certo lugar, quando acabou, um dos Seus discípulos disse-Lhe: «Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos». 2 Ele respondeu-lhes: «Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome. Venha o Teu reino. 3 O pão nosso de cada dia dá-nos hoje 4 perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todos os que nos ofendem; e não nos deixes cair em tentação». 5 Disse-lhes mais: «Se algum de vós tiver um amigo, e for ter com ele à meia-noite para lhe dizer: Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um meu amigo acaba de chegar a minha casa de uma viagem e não tenho nada que lhe dar; 7 e ele, respondendo lá de dentro, disser: Não me incomodes, a porta está agora fechada, os meus filhos e eu estamos deitados; não me posso levantar para tos dar ;8 digo-vos que, ainda que ele não se levantasse a dar-lhos por ser seu amigo, certamente pela sua impertinência se levantará e lhe dará tudo aquilo de que precisar. 9 Eu digo-vos: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 10 Porque todo aquele que pede, recebe; quem procura, encontra; e ao que bate, se lhe abrirá. 11 «Qual de entre vós é o pai que, se um filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, em vez de peixe, lhe dará uma serpente? 12 Ou, se lhe pedir um ovo, porventura dar-lhe-á um escorpião? 13 Se pois vós, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que Lho pedirem».

Comentário:

Como Mestre autêntico, Jesus ensina como rezar. Talvez a nós, hoje, nos pareça desnecessária esta “aula” porque sabemos que rezar é falar com Deus. Mas os discípulos não, precisam de facto dessa “lição”, algo simples e, ao mesmo tempo, tão completo e profundo que abarque todas as necessidades que sentem.
Sabemos o Pai-Nosso e fazemos dele a nossa oração preferida, a mais comum, o que é normal, visto que foi o próprio Jesus quem no-la ensinou. Mas, já nos detivemos, com vagar e sossego, a meditar em cada frase, em cada palavra?
Grandes surpresas nos esperam quando o fizermos, quantas coisas novas descobriremos sempre que repetirmos a sua meditação. (ama, comentário sobre Lc 11, 1-4, 2010.06.29)

VIRTUDES 5

Se a virtude tivesse de ser imediatamente recompensada com um favor temporal, a virtude seria um bom negócio, a abstenção do pecado, um hábil empréstimo. Seria o fim de toda a moralidade: procuraríamos o bem-estar, nunca amaríamos o bem.

(Georges Chevrot, Jesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg. 77)