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12/04/2020

Temas para reflectir e meditar


Força de vontade



Deveria perguntar-me: quando digo que não posso, ou quando, depois de muitas tentativas, desisto e atribuo a desistência à falta de condições pessoais ou a mil obstáculos reais ou imaginários, já pensei nalguma vez que o problema real não está ali, nesses motivos, mas aqui, dentro de mim: na falta de força de vontade?

(Rafael Llano Cifuentes, Fortaleza, Quadrante, pg. 29)





22/04/2019

Temas para reflectir e meditar

Ansiedade



Se não existe uma convicção, uma certeza profunda da realidade próxima, íntima, de um Deus Criador, de um Deus Salvador, vencedor da morte e perpetuador da vida, o homem sente no mais profundo da alma que é simplesmente um projecto de existência absurdo, destinado à desintegração total. 

E o instinto de conservação – que é o instinto de eternidade – revolta-se em forma de ansiedade ou angústia.

rafael llano cifuentes Fortaleza Quadrante S. Paulo 1991 pg. 50,




27/01/2019

Leitura espiritual


Fortaleza
 
Os meios

Os meios para conseguir a fortaleza devem encaminhar-se em primeiro lugar para o robustecimento da fé

Não é a mesma coisa ter uma suspeita de fé ou uma certeza de fé.
É necessário que repassemos a vida de Cristo, que nos detenhamos nos Seus extraordinários milagres – garantias fidedignas da autenticidade da Sua vida divina -; que percorramos a história da Igreja, as maravilhas vividas ao longo dos séculos por esses homens de Deus que chamamos santos; que constatemos as misericórdias do Senhor e de Maria, Sua Mãe, estampadas em todas as épocas e em todos os lugares…

É necessário, em última instância, que aprofundemos nas verdades da fé, que nos deixemos impregnar por elas, para adquirir essa segurança e essa certeza que só uma fé inquebrantável pode comunicar.

É uma pena ver tantos cristãos vacilantes e indecisos na fé.
Talvez o estudo das verdades cristãs tenha ficado para eles estacionado num nível primário, enquanto a personalidade foi amadurecendo e os conhecimentos científicos e culturais se foram elevando até um nível superior, criando assim, porventura, um desequilíbrio entre a capacidade intelectual que atingiram e o carácter elementar da sua formação cristã.

Este fenómeno costuma provocar o que alguns chamam “dúvidas de fé” e que, na realidade, deveriam chamar-se dúvidas de ignorância.

A honestidade intelectual e a coerência de vida exigem um aprofundamento que revigore a fé.

O micróbio da dúvida não se pode instalar no núcleo das nossas convicções fundamentais.
A fé tem de se tornar inabalável.
E ela, por sua vez, tornará inabalável a nossa personalidade.

Mas uma fé isolada da vida não é suficiente.
A fé tem que ser operativa.
Mais ainda, a fé – como todas as virtudes – tem de se apoiar numa estrutura humana estável, consistente.

Um princípio fundamental da teologia católica diz-nos que a graça não destrói a natureza, antes a aperfeiçoa.

Isto é: Deus não dispensa o nosso esforço humano, mas complementa-o.

É frequente haver pessoas que se deixam enganar por um “espiritualismo”, beato.
Pensam: Deus ajudará, não temos razão para nos inquietarmos; vamos confiar, vamos deixar que a fé actue.


Esquecem-se da sabedoria do velho ditado cristão: “Ajuda-te e Deus te ajudará, que se fundamenta naquele princípio teológico enunciado por Santo Agostinho: “Deus que te criou sem ti não te salvará sem ti».

Não nos esqueçamos que existe uma profunda diferença entre o verdadeiro abandono à vontade de Deus e o “quietismo” herético que simplesmente canoniza a apatia e o desleixo.

É certo que muitos problemas humanos são problemas espirituais.

Quantas situações de depressão humana são uma falta de sentido espiritual para a vida!

Mas, com a mesma convicção, diríamos que muitos problemas espirituais são problemas humanos: não se progride na aquisição das virtudes próprias do cristão simplesmente porque falta carácter, porque falta empenho, luta verdadeira.

A fé necessita pois, de um forte hábito operativo, que reclama, por sua vez, uma luta séria, empenhada.

Veremos um possível roteiro dos principais pontos em torno dos quais se deve travar essa luta.



(Do Livro FORTALEZA (1991) de Rafael Llano Cifuentes)

(Revisão da versão portuguesa por AMA)





23/01/2019

Leitura espiritual


A FORTALEZA HOJE

Ainda que pareça reiterativo, é preciso voltar a insistir na ideia de que a fortaleza é indispensável para se viver dignamente. E isto precisamente em face das circunstâncias actuais, que não apenas nos rodeiam, mas em muitos casos nos assaltam, nos invadem.

(…)

A perda generalizada dos valores humanos básicos, o permissivismo hedonista, o materialismo histórico e pratico, a instabilidade gritante do matrimónio e o desabamento da estrutura familiar reclamam uma forte estrutura moral que resista a essa avalanche de correntes desumanizadas que tudo quer levar de roldão

A mulher que valoriza a sua intimidade e o respeito ao seu pudor, precisa, hoje mais que nunca, de uma fortaleza moral a toda a prova; ; como necessita dela qualquer homem que queira manter-se firme ante os apelos da pornografia que nos assaltam em qualquer esquina, em qualquer meio de comunicação; e o magistrado e o funcionário para não claudicarem perante a fácil tentação do suborno; e o político para enfrentar uma corrupção que invade a vida pública por todos os flancos; e o comerciante e o industrial para se limitarem a uma margem de lucro honesta nas suas transacções económicas; e os jovens para levarem uma vida limpa num ambiente de drogas e de sexo brutal.

Em todas as situações históricas e geográficas – não apenas na nossa época – sejam quais forem o estado e as condições de vida, a fortaleza é um requisito insubstituível para se manter a dignidade humana e cristã.
Pensemos que para se vivera fidelidade conjugal; para cumprirmos com exactidão o dever estafante do dia a dia; pois para sermos sinceros connosco mesmos, com os outros e com Deus, evitando a cobardia da mentira e a fraqueza da duplicidade; para vivermos sacrificadamente o esquecimento próprio e o espírito de serviço exigido pela caridade cristã; para permanecermos firmes na fé, navegando contra a corrente; para sofrermos em silêncio, com paciência e mansidão, as contrariedades, as incompreensões e as injustiças, a pobreza, a doença e a dor, para tudo isso e para muito mais nos é necessária – como o ar que respiramos - virtude da fortaleza.

A vivência continuada virtude da fortaleza, em todos estes aspectos, torna-se, no entanto, indispensável num sentido muito concreto: vai-nos preparando para podermos resistir aos grandes embates ou às situações difíceis que, por vezes, a vida nos reserva. Há, porventura nessas situações, dois ou três momentos em que temos de ser heróicos: ou somos heróicos ou não conseguiremos evitar o desmoronamento total.
Mas essa fortaleza suprema, extraordinária, só se consegue por meio dessa outra vivência contínua da fortaleza comum, ordinária, que pouco a pouco vamos adquirindo no nosso viver diário.

Até que chega uma circunstância em que ela se torna irrecusável: o momento em que nos assaltam as crises existenciais e, por fim, as angústias da morte próxima.
Porque, em conclusão, todas as depressões, todas as frustrações, todos os temores e apreensões, todas as nostalgias e solidões são como um pressentimento, com uma ressonância antecipada da morte.

É então que a fortaleza demonstra a sua verdadeira consistência e o seu carácter insubstituível.
Quantas pessoas que parecem fortes se sentem de repente no ar, apavoradas, perdidas, quando uma circunstância qualquer desmascara os convencionalismos enganosos- as mentiras dissimuladas – em que estão instaladas, e se encontram diante de uma vida sem sentido ou e uma morte sem eternidade.

(…)

Quando enxergamos de alguma maneira a morte no horizonte do nosso futuro – nessa horas de extrema fraqueza, depressão física ou psíquica, nesses momentos de crise existencial-, sentimos no mais fundo da alma a necessidade de um suporte fundamental mais forte que os abalos da vida e os temores da morte.

E esse suporte fundamental é a fé.

Senão existe uma convicção, uma certeza profunda da realidade próxima, íntima, de um Deus Criador, de um Deus Salvador, vencedor da morte e perpetuador da vida, o homem sente no mais profundo da alma eu é simplesmente um projecto de existência absurdo, destinado à desintegração total.
E o instinto de conservação – que é um instinto de eternidade – revolta-se em forma de ansiedade e angústia.

A fé, ao contrário, é como uma ponte entre o tempo e a eternidade.
Uma ponte segura que dilata a vida e a perpetua.



(Cfr FORTALEZA (1991) de Rafael Llano Cifuentes)

(Revisão da versão portuguesa por AMA)






30/06/2016

Temas para meditar - 648

Propósitos



Nada deforma tanto a consciência que fazer propósitos e, por fraqueza, não os cumprir.


(rafael llano cifuentesFortaleza, Quadrante, 1991, pg. 39)

25/05/2016

Temas para meditar - 639

Vontade


A vontade é o cerne da personalidade. 

Um homem que queira ter a cabeça de gelo e os braços de ferro deve ter primeiro uma vontade de aço.


(Rafael Llano CifuentesFortaleza, Quadrante, 1991, pg. 27)