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07/12/2012
21/11/2012
20/10/2011
A laicidade não é laicismo 2
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| Card. Antonio Cañizares |
Neste sentido, aqui se codifica uma herança cristã essencial na sua forma específica de validade. Que há realidades, valores, direitos, que não são manipuláveis por ninguém, «sagrados», é a verdadeira garantia da nossa liberdade, da grandeza do ser humano, de um futuro para o homem: a fé vê nisso o mistério do Criador e a semelhança conferida por Ele ao homem; por isso, vê também a constatação do que está entranhado na máxima de Jesus: «dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César», tão acordo, além disso, com a recta razão, que pressupõe a limitação, o controlo e a transparência do poder, a não manipulação do direito e o respeito pelo seu próprio espaço intangível, e, finalmente, a fundamentação do direito sobre normas morais, sobre a verdade e o bem, o que é bom e verdadeiro por si mesmo.
Em tudo isso está implicado, de alguma forma, que se reflicta sobre o laicismo ideológico imperante, derivado de todo um processo de secularização ilustrada, que leve à sociedade actual – sobretudo a europeia – a situar-se ante o desafio de tomar uma nova decisão a favor de Deus, Criador.
A unidade e a convivência das gentes e dos povos só serão possíveis se surge, no actual horizonte da Historia, um sujeito social capaz de construí-las pacientemente, porque a sua experiência de vida e a sua resposta a interrogações fundamentais do homem o tornam capaz de amar a toda pessoa humana em tanto que pessoa, participe do mesmo mistério e da mesma vocação, por cima de qualquer outra determinação de raça, cultura e religião, povo, classe social ou filiação política. Tal reclama superar o processo de secularização que desembocou no laicismo radical e ideológico de alguns lugares.
Além do mais, «a absoluta profanidade que se construiu no Ocidente é profundamente alheia às culturas do mundo. Essas culturas fundamentam-se na convicção de que um mundo sem Deus não tem futuro» (J. Ratzinger, 1). Esta é, opino, uma das grandes questões e desafios que o islamismo coloca hoje ao mundo secularizado e submetido a um laicismo ideológico.
Card. antonio cañizares, trad ama
19/10/2011
A laicidade não é laicismo
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| Card. Antonio Cañizares |
Nele funda-se o indisponível, o inegociável, o inviolável, toda sacralidade, a sacralidade que é a pessoa humana, com a sua dignidade e destino irredutível, que é cada um dos seres humanos, que são os outros e as coisas últimas e decisivas, que é o terreno da consciência, que são os próprios direitos fundamentais do homem não negociáveis nem trocáveis. Os gregos antigos já tinham descoberto que não há democracia sna sujeição de todos a uma Lei, e que não há Lei que não esteja fundada na norma do transcendente do verdadeiro e o bom. Há algo, por isso, que não pode faltar na sociedade, e que significa um saudável limite ao poder, sempre mutável, dos homens: trata-se do limite do que, na recta razão, para viver dignamente e sobreviver não é manipulável nem dominável pelo homem, quer dizer, «o respeito àquilo que é sagrado para outros, e o respeito ao sagrado em geral, a Deus, um respeito perfeitamente exigível inclusive àquele que não está disposto a crer em Deus», porque, além do mais, pertence à razão, ou confirma a razão. Por isso, «ali onde se quebra este respeito, algo essencial se afunda na sociedade» (J. Ratzinger).
Nesse conjunto de sacralidade que tal respeito reclama, os direitos fundamentais do homem não são criados pelo legislador nem concedidos aos cidadãos, mas antes existem por direito próprio e hão-de de ser respeitados pelo legislador, pois antepõem-se a ele como valores superiores. A vigência da dignidade humana prévia a toda acção e decisão política remete em última instancia ao Criador: só Ele pode criar direitos que se baseiam na essência e verdade do ser humano e dos quais ninguém pode prescindir.
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Card. antonio cañizares, trad ama
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