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22/02/2016

Temas para meditar - 586

Imperfeições


Muitas almas piedosas estão numa infidelidade quase contínua em "pequenas coisas"; são impacientes, pouco caritativas nos seus pensamentos, juízos e palavras, falsas na sua conversa e nas suas atitudes, lentas e relaxadas na sua piedade, não se dominam a si mesmas e são demasiado frívolas na sua linguagem, tratam com ligeireza a boa fama do próximo.
Conhecem os seus defeitos e infidelidades e acusam-nos, talvez, em confissão, mas não se arrependem deles com seriedade nem empregam os meios com que poderiam preveni-los.
Não pensam que cada uma destas imperfeições é como um peso de chumbo que as arrasta para baixo, não se dão conta que vão começando a pensar de forma puramente humana e a obrar unicamente por motivos naturais, nem de que resistem habitualmente às inspirações da graça e abusam dela.
A alma perde assim o esplendor da sua beleza, e Deus vai-Se retirando dela cada vez mais.
Pouco a pouco a alma perde os seus pontos de contacto com Deus: n'Ele não vê o Pai amoroso e amado a quem se entregava com filial ternura; algo se interpôs entre os dois.

(benedickt baur, En la intimidad con Dios, Herder, Madrid 1975, 10ª ed., nr. 74, trad ama)


05/01/2016

Temas para meditar - 558

Amor-próprio


A soberba tem manifestações em todos os aspectos da vida.
Nas relações com o próximo, o amor-próprio torna-nos susceptíveis, inflexíveis, soberbos, impacientes, exagerados na afirmação do próprio eu e dos direitos próprios, frios, indiferentes, injustos nos nossos juízos e nas nossas palavras.
Deleita-se em falar das acções próprias, as luzes e experiências interiores, das dificuldades, dos sofrimentos, ainda que sem necessidade de o fazer.
Nas práticas de piedade compraz-se em olhar os outros, observá-los e julgá-los; inclina-se a comparar-se e a julgar-se melhor que eles, a ver-lhes defeitos somente e a negar-lhes as boas qualidades, a atribuir-lhes desejos e intenções pouco nobres, chegando inclusive a desejar-lhes o mal.
O amor-próprio (…) faz com que nos sintamos ofendidos quando somos humilhados, insultados ou ignorados, ou não nos vemos considerados, estimados e obsequiados como esperávamos.

(benedickt baur, En la intimidad con Dios, nr. 89, trad ama)