19/06/2017

Carícias de Deus

Estou doente, não me sinto bem, se calhar tenho a pressão alta, ou, talvez, baixa, está muito calor, provavelmente não me sustenho em pé...

Estas e muitas outras pretensas razões para servir de desculpa para não fazer algo cujo compromisso formal ou não se assumiu.

Se se cede e não se faz ficará, sempre, alguma amargura e tristeza resultado do inevitável confronto com a fraqueza pessoal e o reconhecimento do pouco que por nós próprios podemos e que precisamos de auxílio para fortalecer a vontade e resistir às próprias debilidades.

Esta reflexão tem uma raiz:
Levantei-me tarde depois de ter dormido muito bem umas boas dez horas, o que não é habitual.

Talvez por isso mesmo, sentia-me cansado, abúlico, sem vontade de fazer o que fosse.

Sim… é Domingo… tenho de ir à Missa, mas…
E comecei naquele arrazoado de pensamentos que acima descrevo, concluindo que, tinha razões de sobra para justificar uma falta.

Mas, de repente, saltei do confortável sofá, fui tomar banho, vesti-me e meti-me no automóvel a caminho da Igreja da Lapa. A Missa era às dezoito e quinze, mas, uma hora antes já lá estava.

Foi então que escrevi aquela reflexão.

Mas não acaba aqui porque, a Missa era por intenção do Centenário do Conservatório de Música do Porto que com a sua orquestra e coro magníficos cantou a Missa de Gounod conhecida como Missa de Santa Cecília.

Foi extraordinário, emocionante, empolgante e eu deixei-me “levar” por aquela música extraordinária.

Conclui – comovido em extremo – que o Senhor me tinha feito uma “carícia” apenas porá me mostrar o Seu agrado por eu ter tomado a decisão que tomei.

E senti-me pequeno, rasteiro, um “nada”, perante um Senhor assim que sem ter porque o fazer - cumpri uma obrigação – recompensa com extraordinário carinho e enormíssima magnanimidade, os pequenos actos de amor que – pobre de mim – consigo fazer.

E só me ocorreu dizer repetidas vezes, no regresso a casa:

Gratias Tibi! Gratias Tibi!



AMA, 18.06.2017

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