23/02/2017

Actos dos Apóstolos

Actos dos Apóstolos

IV. PAULO PRISIONEIRO DE CRISTO [i]

Capítulo 28

Paulo em Malta



(Nota de ama: Por graça de Deus pude estar já por duas vezes na gruta onde o Apóstolo viveu durante a sua estadia em Malta. Numa emoção que não posso descrever, verifiquei a simplicidade – pobreza- do local: um pequeno altar em pedra e o genuflexório onde se ajoelhou, também por duas vezes, outro Santo: São João Paulo II.)

1Depois de salvos, é que soubemos que a ilha se chamava Malta. 2Os nativos trataram-nos com invulgar humanidade, pois acenderam uma grande fogueira, junto à qual nos recolheram a todos, por causa da chuva que estava a cair e por causa do frio.
3Paulo juntou um braçado de lenha seca e, ao lançá-la à fogueira, o calor fez saltar uma víbora que se lhe enroscou na mão. 4Quando os nativos viram a serpente pendurada na mão dele, disseram uns aos outros: «Com certeza, esse homem é assassino, pois conseguiu salvar-se do mar, mas a justiça divina não o deixa viver.» 5Mas ele, sacudindo o réptil para o fogo, não sofreu dano algum, 6enquanto eles esperavam que viesse a inchar ou a cair repentinamente morto. Depois de terem aguardado muito tempo e verem que nada de anormal lhe acontecia, mudaram de opinião e começaram a dizer que ele era um deus.
7Nas proximidades daquele sítio, havia umas terras pertencentes ao Primeiro da ilha, que se chamava Públio, o qual nos recebeu e, durante três dias, nos hospedou da forma mais cordial. 8Ora, o pai de Públio estava retido no leito com febre e disenteria. Paulo foi vê-lo e, depois de orar, impôs-lhe as mãos e curou-o. 9Em consequência disso, os outros enfermos da ilha vieram também procurá-lo e foram curados. 10Eles, por sua vez, cumularam-nos de honras e, na altura da partida, proveram-nos do que era necessário.

De Malta a Roma

11Volvidos três meses, tomámos um barco de Alexandria com o emblema dos Dióscoros, que tinha passado o Inverno na ilha. 12Aportámos a Siracusa, onde ficámos três dias 13e, de lá, contornando a costa, chegámos a Régio. No dia imediato, levantou-se o vento sul e, em dois dias, alcançámos Putéolos, 14onde encontrámos irmãos, que nos convidaram a passar sete dias com eles. E assim é que fomos para Roma.
15Os irmãos desta cidade, prevenidos da nossa chegada, vieram ao nosso encontro até Foro de Ápio e Três Tabernas. Paulo, ao vê-los, deu graças a Deus e cobrou ânimo.

Paulo e os judeus de Roma

16Quando entrámos em Roma, Paulo foi autorizado a ficar em alojamento próprio com o soldado que o guardava. 17Três dias depois, convocou os principais dos judeus e, quando estavam todos reunidos, disse-lhes:
«Irmãos, embora nada tenha feito contra o povo ou contra os costumes paternos, fui preso em Jerusalém e entregue às mãos dos romanos. 18Estes, depois de me terem interrogado, queriam libertar-me, por não haver em mim crime algum digno de morte. 19Mas, como os judeus se opuseram, fui constrangido a apelar para César, sem querer, de modo algum, acusar o meu povo. 20Foi por este motivo que pedi para vos ver e falar, pois é por causa da esperança de Israel que trago estas cadeias.»
21Eles responderam-lhe: «Nós não recebemos da Judeia carta alguma a teu respeito, e não chegou aqui nenhum irmão que contasse ou dissesse mal de ti. 22Desejamos, porém, ouvir da tua boca o que pensas, pois, quanto à seita a que pertences, sabemos todos que, por toda a parte, encontra oposição.» 23Marcaram, então, o dia e vieram ter com ele, em maior número, ao seu alojamento. Desde a manhã até à tarde, Paulo não cessou de lhes dar testemunho do Reino de Deus e procurou convencê-los do que diz respeito a Jesus, invocando a lei de Moisés e os Profetas. 24Alguns deixaram-se persuadir com as suas palavras; outros, porém, mantiveram-se incrédulos. 25Estando em desacordo uns com os outros, começaram a separar-se. Paulo apenas disse estas palavras: «Com razão falou o Espírito Santo a vossos pais, pela boca do profeta Isaías, dizendo:
26Vai ter com esse povo e diz-lhe:
Ouvireis com os vossos ouvidos,
mas não compreendereis;
vereis com os vossos olhos,
mas não percebereis.
27Sim, o coração deste povo tornou-se endurecido.
Taparam os ouvidos
e fecharam os olhos,
não fossem ver com os olhos,
e ouvir com os ouvidos,
entender com o coração,
converterem-se, e Eu curá-los!
28Ficai, agora, sabendo: esta salvação de Deus foi enviada aos pagãos que a hão-de escutar.»
29Depois de ele ter dito estas palavras, os judeus retiraram-se, travando entre eles animada discussão.

Epílogo

30Paulo permaneceu dois anos inteiros no alojamento que alugara, onde recebia todos os que iam procurá-lo, 31anunciando o Reino de Deus e ensinando o que diz respeito ao Senhor Jesus Cristo, com o maior desassombro e sem impedimento.




[i] (21,27-28,31)

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