24/10/2016

Diálogos apostólicos

Diálogos apostólicos II Parte
18 - [1]

Continuando no mesmo tema, acontece que recentemente um desses casais se separou. Compreendo muito bem que os Filhos sofram com esta situação.
Concordas? Como minimizar?

Respondo:

Às vezes, por motivos vários, a situação altera-se e, uma “posição” normalmente ocupada por dois – Pai e Mãe – passa a ser desempenhada, principalmente, por um dos dois.
Esta alteração é sempre traumatizante para os filhos, sejam quais forem as razões que a ela conduziram, porque passa a haver uma lacuna real e substancial, no plano afectivo.
A confiança, como dizia acima, é factor importantíssimo na relação dos filhos com os Pais porque, entre outras razões, sabem que podem contar sempre com eles e consideram-nos incapazes de os enganar propositadamente.
O problema maior surge, exactamente, quando a confiança é abalada, quando um dos dois faz algo que é imprevisível, inesperado, estranho, fora do contexto das relações familiares normais.
O “ónus” do que fica com a maior responsabilidade, é sempre o daquele que se manteve fiel ao compromisso, exactamente porque não “beliscou” a confiança dos filhos.
Daqui que, voltando ao princípio, a atenção dos filhos, até aqui repar­tida por dois, se concentre mais num deles.
E, como é mais concentrada, é também mais insistente e exigente.
Insistente porque não tem alternativa e, instintivamente concentra-se naquele que foi fiel.
Exigente porque espera que este supra aquilo que encontrava nos dois, desde o afecto, ao amor e, sobretudo, à confiança.
Daí que a atenção dos filhos, nestes casos, passe a ser quase um escrutínio que desce ao pormenor, ao detalhe.
A exigência filial espera um progenitor impecável na forma como vive e se comporta, na segurança que transmite, na seriedade com que leva a vida familiar para a frente.
Por vezes, este “escrutínio” toma a forma de algum azedume ou exigência na relação. Isto não significa nem menos amor nem desequilíbrio relacional, mas a consequência natural de uma situação que os afectou profundamente.
É como se dissessem: ‘Não faças isso, porque isso, ou algo parecido, foi o que o outro fez!’ [i]


[1] Nota: Normalmente, estes “Diálogos apostólicos”, são publicados sob a forma de resumos e excertos de conversas semanais. Hoje, porém, dado o assunto, pareceu-me de interesse publicar quase na íntegra.



[i] (Cfr. ama, in Migalhas para o Caminho I, pg. 264)

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