16/05/2015

Evangelho, comentário .L Espiritual (A beleza de ser cristão)



Semana VI da Páscoa

Evangelho: Jo 16 23-28

23 Naquele dia, não Me interrogareis sobre nada. «Em verdade, em verdade vos digo que, se pedirdes a Meu Pai alguma coisa em Meu nome, Ele vo-la dará. 24 Até agora não pedistes nada em Meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa. 25 «Disse-vos estas coisas em parábolas. Mas vem o tempo em que não vos falarei já por parábolas, mas vos falarei abertamente do Pai. 26 Nesse dia pedireis em Meu nome, e não vos digo que hei-de rogar ao Pai por vós, 27 porque o próprio Pai vos ama, porque vós Me amastes e acreditastes que saí do Pai. 28 Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo e vou para o Pai».

Comentário:

A alegria!
Nestes tempos conturbados, nós, filhos de Deus, temos der ter bem presentes estas palavras de Cristo.

Para que a nossa alegria seja completa temos de pedir a Deus o que necessitamos e, Ele, nos dará o que nos fizer falta e, sobretudo, for para nosso bem.

E não é verdade que quem obtém o que pede fica feliz e contente?

Não deixemos que as dificuldades sejam quais forem condicionem a nossa vida.
Para ser santos, que é o que desejamos, temos de ser alegres porque não há santidade sem alegria.

(ama, comentário sobre Jo 16, 23-28, 2013.05.11)

Leitura espiritual



a beleza de ser cristão

PRIMEIRA PARTE



xiv -o espírito das bem-aventuranças

…/2

        Por vezes podemos cair na tentação de considerar a em Cristo, o viver com Cristo, como «algo» acrescentado à nossa vida como ma «carga» que enriquece a nossa capacidade humana natural ou como uma «limitação» que Deus pôs sobre nós.

        Uma «carga» que ainda que sendo suave e ligeira, supõe para o homem principalmente uma obrigação nem sempre fácil de levar a cabo e por vezes até carente de um sentido segundo o nosso ponto de vista.
E uma «limitação» da qual não se compreende o sentido como se Deus pretendesse evitar o desenvolvimento natural da natureza humana como se a vida Graça fosse uma limitação à vida da natureza.

        Nenhuma dessas considerações corresponde à realidade.
A vida da Graça que já sabemos em que consiste, está enxertada na vida natural do homem e ao enxertar-se não se converte nem numa carga nem numa limitação.
A vida da Graça origina o desenvolvimento da riqueza recebida na natureza humana enriquecida pelo enxerto da participação na natureza divina.
A natureza do homem crescia preparada para receber o enxerto e não poderia culminar do seu desenvolvimento sem a nova seiva.

        A vida das Bem-Aventuranças é a manifestação de o enxero foi eficaz de que produziu fruto.

        As palavras do próprio Cristo depois de enunciar as Bem-Aventuranças abrem outros horizontes para a compreensão das modalidades dessa nova vida de que Ele se vai apresentar-se-nos como exemplo vivo.
A vida que se expressa nas Bem-Aventuranças manifesta que o homem natural se converteu em homem cristão.

        «Vós sois o sal da terra». «Vós sois a luz do mundo», diz o Senhor aos Seus discípulos.
E não se limita a uma simples afirmação antes sublinha a importância de que entendam claramente os que lhes quer dizer.

        «Vós sois o sal da terra». Mas se o sal se desvirtua com que se salgará? Já não serve para mais nada que para ser atirado fora e ser pisado pelos homens» [1].
O Senhor simplesmente sublinha a importância de O seguir, a importância que a nova vida nela deite raízes no espírito dos seus discípulos?

        A perspectiva que Cristo quer abrir na mente e no coração dos homens amplia-se ainda mais se lemos as palavras que a seguir pronuncia reforçando o que disse: «Vós sois a luz do mundo. Uma cidade situada no cimo de um monte não pode estar oculta. Nem tampouco se acende uma lâmpada para a colocar debaixo de um alqueire mas sim sobre o candelabro para que alumie todos os que estão em casa. Brilhe assim a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus» [2].

        Jesus Cristo afirmou de Si próprio que «enquanto estou no mundo sou a luz do mundo» [3].
Na realidade Cristo está sempre no mundo portanto nunca deixa de ser a «luz do mundo».
Uma vez ascendido ao Céu continua estando na terra na Eucaristia e em todos os Sacramentos e associa os seus discípulos convertidos pela vida das Bem-Aventuranças à sua missão de desterrar as trevas da terra.

        E fá-lo convertendo-os também em luz do mundo.
Como?
Continua vivendo neles pela acção da Graça nos Sacramentos.
Essa graça move os discípulos a levar a cabo todas as suas acções na terra: piedade, trabalho, vida de família, relações sociais, políticas, culturais, etc., com Cristo, por Cristo, em Cristo vivendo o espírito das Bem-Aventuranças.

        Esse desejo do Senhor de nos associar à sua missão permite-nos afirmar que Deus conta connosco que quis «ter necessidade do homem», para que u «seu» sal jamais falte na terra, para que a «sua» luz não diminua nem se apague no mundo.

        Só a vida das Bem-Aventuranças se converte em vida do cristão, ou melhor, só se o cristão se converte na vida das Bem-Aventuranças poderá ser realidade na pessoa de cada cristão audacíssima – e tão recordada – afirmação de São Paulo «vivo mas já não sou eu que vive mas Cristo que vive em mim» [4].

        Ao longo da história da Igreja entre os diferentes escritores espirituais e comentadores bíblicos abundaram as diferentes interpretações sobre o sentido real de cada uma das Bem-Aventuranças.
Nem todos entenderam da mesma forma o significado de «pobre de espírito». O que implica ser «manso», a quem se refere o Senhor quando fala de «os que têm fome e sede de justiça», et.
Esta variedade enriqueceu a compreensão de cada Bem-Aventurança.

        Por outro lado alguns autores trataram, e tratam, estabelecer relações entre as Bem-Aventuranças e os Dons do Espírito Santo.
Somente por curiosidade assinalamos os vínculos eu Santo Agostinho sugere entre umas e outros:

        A Bem-Aventurança dos pobres de espírito com o Dom do Temor de Deus;
        A dos mansos com o dom de piedade;
        A dos que choram e dom de ciência,
        A dos que têm fome e sede de justiça com o dom de fortaleza;
        A dos misericordiosos e o dom de conselho;
        A dos limpos de coração e o dom de entendimento;
A dos pacíficos com o dom de sabedoria.
A oitava Bem-Aventurança vem a ser a consumação e a perfeição das outras sete.

Por tudo quanto temos vindo a assinalar nestas páginas e nos capítulos anteriores podemos agora afirmar que cada uma das Bem-Aventuranças é fruto da Graça e da acção do Espírito Santo na alma do crente.
E isto de tal forma que chegar a viver a vida das Bem-Aventuranças é a consequência do crescimento da acção conjunta da Fé, da Esperança e da Caridade.

        A Fé, a Esperança e a Caridade constituem e manifestam – como já consideramos – a dimensão cristã da pessoa, dimensão sempre sustentada pelas capacidades da natureza humana: inteligência, memória e vontade.
As chamadas três virtudes teologais verificam-se amorosamente entrelaçadas em cada acto humano-cristão, com predomínio de uma e de outra segundo os casos, como acontece no obrar humano-natural, que requer o concurso,
 Nem sempre proporcionalmente igual, da inteligência, da memória e da vontade.

        De forma semelhante também podemos assinalar que todos os Dons do Espírito Santo influem e cada acção do cristão, fortificando e enriquecendo a Fé, a Esperança e a Caridade.

o sentido de cada bem-aventurança

        Com estes pressupostos e esclarecimentos, temos de entrar agora na breve exposição do sentido de cada Bem-Aventurança para tratar de conseguir uma visão mais precisa na medida parcial que cada um de nós, da vida que a «nova criatura em Cristo Jesus» está chamada a viver, pode alcançar.

        Na esperança que possam constituir ajuda para uma melhor compreensão assinalo algumas passagens do Evangelho em que Cristo nos dá exemplo da cada Bem-Aventurança.
E ao mesmo tempo sublinharemos a acção de uma das três Virtudes Teologais em viver cada Bem-Aventurança sem esquecer a acção conjunta das três.

        Em concreto quem podemos considerar como pobres de espírito?
Os que são conscientes das limitações que a sua condição de criaturas e de que a vida e todas as qualidades de que se vêm enriquecidos são dons gratuitos de Deus.
E com essa consciência que se manifesta num coração contrito e humilde, reza confiadamente a Cristo pedindo-lhe pelas suas necessidades e alegrando-se ao dirigirem-se ao seu Pai Deus.

        Cristo dá-nos exemplo deste viver «pobre de espírito» quando reza e agradece ao Pai que o escute: «Pei dou-te graças porque me escutaste, eu sei que me escutas sempre» [5].
Também quando sublinha a sua «dependência» do Pai: «porque não falei por mim mas sim pelo Pai que me enviou, mandou-me o que tenho de dizer e falar e eu sei que o seu mandamento é vida eterna. Por isso, as palavras que digo, digo-as como o Pai as disse a mim» [6].

        Nesta Bem-Aventurança podemos sublinhar o predomínio da acção da Fé.


(cont)

ernesto juliá, La belleza de ser cristiano, trad. ama)






[1] Mt 5, 13
[2] Mt 5, 14-16
[3] Jo 9, 5
[4] Ga 2, 20
[5] Jo 11, 41-42
[6] Jo 12, 49-50

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