A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemaria, Caminho 116)
Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.
1 Disse também a
Seus discípulos: «Um homem rico tinha um feitor, que foi acusado diante dele de
ter dissipado os seus bens. 2 Chamou-o, e disse-lhe: Que é isto que
eu oiço dizer de ti? Dá conta da tua administração; não mais poderás ser meu
feitor. 3 Então o feitor disse consigo: Que farei, visto que o meu
senhor me tira a administração? Cavar não posso, de mendigar tenho vergonha. 4
Já sei o que hei-de fazer, para que, quando for removido da administração, haja
quem me receba em sua casa. 5 E, chamando cada um dos devedores do
seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor? 6 Ele
respondeu: Cem medidas de azeite. Então disse-lhe: Toma o teu recibo, senta-te
e escreve depressa cinquenta. 7 Depois disse a outro: Tu quanto
deves? Ele respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o feitor: Toma o teu
recibo e escreve oitenta. 8 E o senhor louvou o feitor desonesto,
por ter procedido sagazmente. Porque os filhos deste mundo são mais hábeis no
trato com os seus semelhantes que os filhos da luz». 9 «Portanto, Eu
vos digo: Fazei amigos com as riquezas da iniquidade, para que, quando vierdes
a precisar, vos recebam nos tabernáculos eternos. 10 Quem é fiel no
pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no
muito. 11 Se, pois, não fostes fiéis nas riquezas iníquas, quem vos
confiará as verdadeiras? 12 E se não fostes fiéis no alheio, quem
vos dará o que é vosso? 13 Nenhum servo pode servir a dois senhores,
porque, ou odiará um e amará o outro, ou se afeiçoará a um e desprezará o
outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro». 14 Ora os fariseus,
que eram amigos do dinheiro, ouviam todas estas coisas e troçavam d'Ele. 15
Jesus disse-lhes: «Vós sois aqueles que pretendeis passar por justos diante dos
homens, mas Deus conhece os vossos corações; o que é excelente segundo os
homens é abominação diante de Deus.16 A Lei e os Profetas duraram
até João; desde então é anunciado o reino de Deus e todos se esforçam por
entrar nele com energia. 17 Ora é mais fácil passar o céu e a terra,
do que perder-se uma vírgula da Lei. 18 Todo aquele que repudia a
sua mulher, e toma outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada
por seu marido comete adultério». 19 «Havia um homem rico que se
vestia de púrpura e de linho fino e todos os dias se banqueteava esplêndidamente.
20 Havia também um mendigo, chamado Lázaro, que, coberto de chagas,
estava deitado à sua porta, 21 desejando saciar-se com as migalhas
que caíam da mesa do rico, e até os cães vinham lamber-lhe as chagas.22
«Sucedeu morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu
também o rico, e foi sepultado.23 Quando estava nos tormentos do
inferno, levantando os olhos, viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio. 24
Então exclamou: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda Lázaro que molhe em
água a ponta do seu dedo para refrescar a minha língua, pois sou atormentado
nestas chamas. 25 Abraão disse-lhe: Filho, lembra-te que recebeste
os teus bens em vida, e Lázaro, ao contrário, recebeu males; por isso ele é
agora consolado e tu és atormentado. 26 Além disso, há entre nós e
vós um grande abismo; de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem,
nem os daí podem passar para nós. 27 O rico disse: Rogo-te, pois, ó
pai, que o mandes à minha casa paterna, 28 pois tenho cinco irmãos,
para que os advirta disto, e não suceda virem também eles parar a este lugar de
tormentos. 29 Abraão disse-lhe: Têm Moisés e os profetas; oiçam-nos.
30 Ele, porém, disse: Não basta isso, pai Abraão, mas, se alguém do
reino dos mortos for ter com eles, farão penitência. 31 Ele
disse-lhe: Se não ouvem Moisés e os profetas, também não acreditarão, ainda que
ressuscite alguém dentre os mortos».
CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA
LUMEN GENTIUM
SOBRE A IGREJA
CAPÍTULO
VIII
A BEM-AVENTURADA VIRGEM
MARIA MÃE DE DEUS NO MISTÉRIO DE CRISTO E DA IGREJA
III. A VIRGEM SANTÍSSIMA E
A IGREJA
O
influxo salutar de Maria e a mediação de Cristo
60.
O nosso mediador é só um, segundo a palavra do Apóstolo: «não há senão um Deus
e um mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, que Se entregou a
Si mesmo para redenção de todos (1 Tim. 2, 5-6). Mas a função maternal de Maria
em relação aos homens de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de
Cristo, manifesta antes a sua eficácia. Com efeito, todo o influxo salvador da
Virgem Santíssima sobre os homens se deve ao beneplácito divino e não a qualquer
necessidade, deriva da abundância dos méritos de Cristo, funda-se na Sua
mediação e dela depende inteiramente, haurindo aí toda a sua eficácia, de modo
nenhum impede a união imediata dos fiéis com Cristo, antes a favorece.
A
maternidade espiritual
61.
A Virgem Santíssima, predestinada para Mãe de Deus desde toda a eternidade simultaneamente
com a encarnação do Verbo, por disposição da divina Providência foi na terra a
nobre Mãe do divino Redentor, a Sua mais generosa cooperadora e a escrava
humilde do Senhor. Concebendo, gerando e alimentando a Cristo, apresentando-O
ao Pai no templo, padecendo com Ele quando agonizava na cruz, cooperou de modo
singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para
restaurar nas almas a vida sobrenatural. É por esta razão nossa mãe na ordem da
graça.
A
natureza da sua mediação
62.
Esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção, desde o
consentimento, que fielmente deu na anunciação e que manteve inabalável junto à
cruz, até à consumação eterna de todos os eleitos. De facto, depois de elevada
ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme
intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna (185).
Cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que, entre perigos e angústias,
caminham ainda na terra, até chegarem à pátria bem-aventurada. Por isso, a
Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro,
medianeira (186). Mas isto entende-se de maneira que nada tire nem
acrescente à dignidade e eficácia do único mediador, que é Cristo (187).
Efectivamente,
nenhuma criatura se pode equiparar ao Verbo encarnado e Redentor, mas, assim
como o sacerdócio de Cristo é participado de diversos modos pelos ministros e
pelo povo fiel, e assim como a bondade de Deus, sendo uma só, se difunde diversamente
pelos seres criados, assim também a mediação única do Redentor não exclui,
antes suscita nas criaturas cooperações diversas, que participam dessa única
fonte.
Esta
função subordinada de Maria, não hesita a Igreja em proclamá-la, sente-a
constantemente e inculca-a aos fiéis, para mais intimamente aderirem, com esta
ajuda materna, ao seu mediador e salvador.
Maria
tipo da Igreja como Virgem e Mãe
63.
Pelo dom e missão da maternidade divina, que a une a seu Filho Redentor, e
pelas suas singulares graças e funções, está também a Virgem intimamente
ligada, à Igreja: a Mãe de Deus é o tipo e a figura da Igreja, na ordem da fé,
da caridade e da perfeita união com Cristo, como já ensinava S. Ambrósio (188).
Com efeito, no mistério da Igreja, a qual é também com razão chamada mãe e
virgem, a bem-aventurada Virgem Maria foi adiante, como modelo eminente e único
de virgem e de mãe (189). Porque, acreditando e obedecendo, gerou na
terra, sem ter conhecido varão, por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do
eterno Pai, nova Eva, que acreditou sem a mais leve sombra de dúvida, não na
serpente antiga, mas no mensageiro celeste. E deu à luz um Filho, que Deus
estabeleceu primogénito de muitos irmãos (Rom. 8,29), isto é, dos fiéis, para
cuja geração e educação Ela coopera com amor de mãe.
A
fecundidade virginal da Igreja
64.
Por sua vez, a Igreja que contempla a sua santidade misteriosa e imita a sua
caridade, cumprindo fielmente a vontade do Pai, toma-se também, ela própria,
mãe, pela fiel recepção da palavra de Deus: efectivamente, pela pregação e pelo
Baptismo, gera, para vida nova e imortal, os filhos concebidos por acção do
Espírito Santo e nascidos de Deus. E também ela é virgem, pois guarda
fidelidade total e pura ao seu Esposo e conserva virginalmente, à imitação da
Mãe do seu Senhor e por virtude do Espírito Santo, uma fé íntegra, uma sólida
esperança e uma verdadeira caridade (190).
Virtudes
de Maria
65.
Mas, ao passo que, na Santíssima Virgem, a Igreja alcançou já aquela perfeição
sem mancha nem ruga que lhe é própria (cfr. Ef. 5,27), os fiéis ainda têm de
trabalhar por vencer o pecado e crescer na santidade, e por isso levantam os
olhos para Maria, que brilha como modelo de virtudes sobre toda a família dos
eleitos. A Igreja, meditando piedosamente na Virgem, e contemplando-a à luz do
Verbo feito homem, penetra mais profundamente, cheia de respeito, no insondável
mistério da Encarnação, e mais e mais se conforma com o seu Esposo. Pois Maria,
que entrou intimamente na história da salvação, e, por assim dizer, reúne em si
e reflecte os imperativos mais altos da nossa fé, ao ser exaltada e venerada,
atrai os fiéis ao Filho, ao Seu sacrifício e ao amor do Pai. Por sua parte, a
Igreja, procurando a glória de Cristo, torna-se mais semelhante àquela que é
seu tipo e sublime figura, progredindo continuamente na fé, na esperança e na
caridade, e buscando e fazendo em tudo a vontade divina. Daqui vem igualmente
que, na sua acção apostólica, a Igreja olha com razão para aquela que gerou a
Cristo, o qual foi concebido por acção do Espírito Santo e nasceu da Virgem
precisamente para nascer e crescer também no coração dos fiéis, por meio da
Igreja. E, na sua vida, deu a Virgem exemplo daquele afecto maternal de que
devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja
tem de regenerar os homens.
IV. O CULTO DA
BEM-AVENTURADA VIRGEM NA IGREJA
Natureza
e fundamento do culto
66.
Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de
todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte
nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial.
E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com
o título de «Mãe de Deus», e sob a sua protecção se acolhem os fiéis, em todos
os perigos e necessidades (191). Foi sobretudo a partir do Concílio
do Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na
veneração e no amor, na invocação e na imitação, segundo as suas proféticas
palavras: «Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em
mim grandes coisas Aquele que é poderoso» (Lc.1,48). Este culto, tal como
sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente
do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao
Espírito Santo, e favorece-o poderosamente. Na verdade, as várias formas de
piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã
e recta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole
e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor
se conheça, ame e gloria fique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1,
15-16) e no qual «aprouve a Deus que residisse toda a plenitude» (Col. 1,19), e
também melhor se cumpram os seus mandamentos.
Espírito
da pregação e do culto
67.
Muito de caso pensado ensina o sagrado Concílio esta doutrina católica, e ao
mesmo tempo recomenda a todas os filhos da Igreja que fomentem generosamente o
culto da Santíssima Virgem, sobretudo o culto litúrgico, que tenham em grande
estima as práticas e exercícios de piedade para com Ela, aprovados no decorrer
dos séculos pelo magistério, e que mantenham fielmente tudo aquilo que no
passado foi decretado acerca do culto das imagens de Cristo, da Virgem e dos
santos (192). Aos teólogos e pregadores da palavra de Deus,
exorta-os instantemente a evitarem com cuidado, tanto um falso exagero como uma
demasiada estreiteza na consideração da dignidade singular da Mãe de Deus (193).
Estudando, sob a orientação do magistério, a Sagrada Escritura, os santos
Padres e Doutores, e as liturgias das Igrejas, expliquem como convém as funções
e os privilégios da Santíssima Virgem, os quais dizem todos respeito a Cristo,
origem de toda a verdade, santidade e piedade. Evitem com cuidado, nas palavras
e atitudes, tudo o que possa induzir em erro acerca da autêntica doutrina da
Igreja os irmãos separados ou quaisquer outros. E os fiéis lembrem-se de que a
verdadeira devoção não consiste numa emoção estéril e passageira, mas nasce da
fé, que nos faz reconhecer a grandeza da Mãe de Deus e nos incita a amar
filialmente a nossa mãe e a imitar as suas virtudes.
V. MARIA, SINAL DE SEGURA
ESPERANÇA E DE CONSOLAÇÃO PARA O POVO DE
DEUS PEREGRINANTE
Sinal
de Esperança e de consolação
68.
Entretanto, a Mãe de Jesus, assim como, glorificada já em corpo e alma, é
imagem e início da Igreja que se há-de consumar no século futuro, assim também,
na terra, brilha como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de
Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor (cfr. 2 Ped. 3,10).
Medianeira
para a unidade da Igreja
69.
E é uma grande alegria e consolação para este sagrado Concílio o facto de não
faltar entre os irmãos separados quem preste à Mãe do Senhor e Salvador o
devido culto, sobretudo entre os Orientais, que acorrem com fervor e devoção a
render culto à sempre Virgem Mãe de Deus (194). Dirijam todos os
fiéis instantes súplicas à Mãe de Deus e mãe dos homens, para que Ela, que
assistiu com suas orações aos começos da Igreja, também agora, exaltada sobre
todos os anjos e bem-aventurados, interceda, junto de seu Filho, na comunhão de
todos os santos, até que todos os povos, tanto os que ostentam o nome cristão,
como os que ainda ignoram o Salvador, se reunam felizmente, em paz e harmonia,
no único Povo de Deus, para glória da santíssima e indivisa Trindade.
Roma,
21 de Novembro de 1964.
PAPA
PAULO VI
NOTIFICAÇÕES
FEITAS PELO EX.MO SECRETÁRIO-GERAL DO SAGRADO CONCÍLIO, NA CONGREGAÇÃO GERAL
CXXIII, NO DIA 16 DE NOVEMBRO DE 1964
Notificações:
valor teológico das proposições
Foi
perguntado qual deve ser a qualificação teológica da doutrina exposta no
esquema De Ecclesia que se propõe à votação. A Comissão Doutrinal respondeu à
pergunta ao examinar os Modos referentes ao capítulo terceiro do esquema De
Ecclesia, com estas palavras:
«Como
é evidente, o texto conciliar deve sempre ser interpretado segundo as regras
gerais, de todos conhecidas». A Comissão Doutrinal, nesta ocasião, remete para
a sua Declaração do dia 6 de Março de 1964, cujo texto se transcreve aqui:
«Tendo
em conta a praxe conciliar e o fim pastoral do presente Concilio, este sagrado
Concilio só define aquelas coisas relativas à fé e aos costumes que abertamente
declarar como de fé.
Tudo
o mais que o sagrado Concílio propõe, como doutrina do supremo Magistério da
Igreja, devem-no os fiéis receber e abraçar segundo a mente do mesmo sagrado
Concílio, a qual se deduz quer do assunto em questão, quer do modo de dizer,
segundo as normas da interpretação teológica».
Por
autoridade superior comunica-se aos Padres uma nota prévia explicativa dos
«Modos» referentes ao capítulo terceiro do esquema De Ecclesia, é segundo o
espírito e o sentido desta nota que se deve explicar e entender a doutrina
exposta nesse capítulo terceiro.
NOTA
EXPLICATIVA PRÉVIA
«A
Comissão decidiu fazer preceder das seguintes observações gerais o exame dos
Modos:
1°
Colégio não se entende em sentido jurídico estrito, ou seja, de um grupo de
iguais, que delegam o seu poder ao que preside, mas no sentido de um grupo
estável, cuja estrutura e autoridade se devem deduzir da Revelação. Por isso,
na resposta ao Modo 12, se diz expressamente, acerca dos Doze, que o Senhor
constituiu-os em Colégio ou grupo estável. Cfr. também o Modo 53, c. - Pelo
mesmo motivo, ao tratar-se do Colégio dos Bispos, são também empregados a cada
passo os termos Ordem ou Corpo. O paralelismo entre Pedro e os restantes
Apóstolos por um lado, e o Sumo Pontífice e os Bispos pelo outro, não implica a
transmissão do poder extraordinário dos Apóstolos aos seus sucessores, nem,
como é evidente, a igualdade entre a Cabeça e os membros do Colégio, mas apenas
uma proporcionalidade entre a primeira relação (Pedro-Apóstolos) e a segunda
(Papa-Bispos). Daí ter a Comissão resolvido escrever no inicio do n.° 22 «pari
ratione» e não « eadem ratione». Cfr. Modo 57.
2.°
Uma pessoa torna-se membro do Colégio em virtude da sagração episcopal e pela
comunhão hierárquica com a Cabeça e com os membros do Colégio. Cfr. n.° 22, no
fim da primeira alínea.
Na
sagração é conferida a participação ontológica nos ofícios sagrados, como
indubitàvelmente consta da Tradição, mesmo litúrgica. Intencionalmente se
emprega a palavra munerum e não potestatum, porque esta última palavra poderia
entender-se como poder apto para o exercício. Ora, para que tal poder exista,
deve sobrevir a determinação canónica ou jurídica, por parte da autoridade
hierárquica. Esta determinação do poder pode consistir na concessão de um
ofício particular ou na atribuição de súbditos, e é dada segundo as normas
aprovadas pela autoridade suprema. Essa norma ulterior é exigida pela própria
natureza das coisas, visto tratar-se de poderes que devem ser exercidos por
diversas pessoas que, segundo a vontade de Cristo, cooperam hierarquicamente. E
evidente que esta «comunhão» sé foi exercendo na vida da Igreja, segundo as
circunstâncias dos tempos, mesmo antes de, por assim dizer, ser codificada no
direito.
Por
isso mesmo se diz expressamente que se requer a comunhão hierárquica com a
Cabeça e membros da Igreja. A comunhão é um conceito tido em grande veneração
na antiga Igreja (e ainda hoje, sobretudo no Oriente). Não se trata, porém, de
um sentimento vago, mas de uma realidade orgânica, que exige uma forma jurídica
e é ao mesmo tempo animada pela caridade. Por isso a Comissão resolveu, quase
por unanimidade, que se devia escrever: «pela comunhão hierárquica». Cfr. Modo
40 e também o que se diz acerca da missão canónica, no n. 24.
Os documentos dos últimos Sumos Pontífices
acerca da jurisdição dos Bispos, devem ser interpretados segundo esta
determinação necessária dos poderes.
3.°
Diz-se que o Colégio, que não pode existir sem cabeça, «é também sujeito do
supremo e pleno poder sobre toda a Igreja». Isto tem de se admitir necessariamente,
para que a plenitude do poder do Romano Pontífice não seja posta em questão. O
Colégio, com efeito, entende-se sempre e necessariamente com a sua Cabeça, a
qual, no Colégio, conserva integralmente o seu cargo de Vigário de Cristo e Pastor
da Igreja Universal. Por outras palavras, a distinção não se faz entre o Romano
Pontífice e os Bispos, tomados colectivamente, mas entre o Romano Pontífice só,
e o Romano Pontífice juntamente com os Bispos. E uma vez que o Sumo Pontífice é
a Cabeça do Colégio, só ele pode executar certos actos, que de modo nenhum
competem aos Bispos como, por exemplo, convocar e dirigir o Colégio, aprovar normas
de acção, etc. Cfr. Modo 81.
Ao
juízo do Sumo Pontífice, a quem foi entregue o cuidado de todo o rebanho de
Cristo, compete, segundo as necessidades da Igreja, que variam no decurso dos
tempos, determinar o modo mais conveniente de actuar esse cuidado, quer essa
actuação se faça de modo pessoal quer de modo colegial. Quanto a ordenar,
promover e aprovar o exercício colegial, procede o Romano Pontífice segundo a
sua própria discrição.
4.°
O Sumo Pontífice, visto ser o Pastor supremo da Igreja, pode exercer, como lhe
aprouver, o seu poder ern todo o tempo, exige-o o próprio cargo. O Colégio,
porém, embora exista sempre, nem por isso age permanentemente com uma acção
estritamente colegial, conforme consta da Tradição da Igreja.
Por
outras palavras, não está sempre «em exercício pleno». Mais ainda: sòmente por
intervalos age de uma maneira estritamente colegial e nunca sem o consentimento
da Cabeça. Diz-se, porém, «com o consentimento da Cabeça» para que não se pense
numa dependência de pessoa por assim dizer estranha, o termo «consentimento»
evoca, pelo contrário, a comunhão entre a Cabeça. e os membros e implica a
necessidade do acto que é próprio da Cabeça. Isto é afirmado explicitamente no
número 22 e explicado no mesmo lugar. A fórmula negativa «a não ser» compreende
todos os casos, e assim é evidente que as normas aprovadas pela Autoridade
suprema devem ser sempre observadas. Cfr. Modo 84.
Em
tudo isto, é também evidente que se trata da união dos Bispos com a sua Cabeça
e nunca de uma acção dos Bispos independentemente do Papa. Neste caso, faltando
a acção da Cabeça, os Bispos não podem agir colegial mente, como se depreende
da mesma noção de «Colégio». Esta Comunhão hierárquica de todos os Bispos com o
Sumo Pontífice é certamente habitual na Tradição.
N.
B. Sem a comunhão hierárquica, o cargo sacramental-ontológico, que se deve
distinguir do aspecto canónico-jurídico, não pode ser exercido. A Comissão,
porém, julgou que não devia entrar nas questões de liceidade e validade, que se
deixam à discussão dos teólogos, em especial no referente ao poder que de facto
se exerce entre os Orientais separados e para cuja explicação existem várias
sentenças».
Nota:
Revisão da versão portuguesa por ama.
________________________________________
Notas:
185.
Cfr. Kleugten, texto reformado De mysterio Verbi incarnati, cap. IV: Mansi 53,
290. Cfr. S. André Cret., In nat. Mariae serm. 4: PG 97, 865 A. S. Germano de
Constantin., In ann. Deiparae: PG 98, 321 BC, In dorm, Deiparae, III: col. 361
D.-S. João Damasceno, In dorm. B. V. Mariae, Hom. 1, 8: PG 96, 712 BC-713 A.
186.
Cfr. Leão XIII, Encícl. Adiutricem populi, 5 set. 1895: ASS 15 (1896-96) p.
303. -S. Pio X Enciel. Ad diem illum, 2 fev. 1904: Acta, 1, p. 154, Denz. 1978
a (3370). - Piq XI, Encícl. Miserentissimus, 8 maio 1928: AAS 20 (1928) p. 178.
Pio XII, Radiomensagem 13 maio 1946: AAS 38 (1946) p. 266.
187.
S. Ambrósio, Epist. 63: PL 16, 1218.
188. S. Ambrósio, Expos. U. II, 7: PL 15, 1555.
189.
Cfr. Ps. - Pedro Dam., Serm. 63: PL 144, 861 AB.-Godofredo de S. Victor. In nat. B. M., Ms. Paris, Mazarine, 1002, fol. 109 r.
- Gerhohus Reich, De gloria et honore Filii hominis, 10: PL 194, 1105 AB.
190.
S. Ambrósio, Expos. Lc. II, 7 e X, 24-25: PL 15, 1555 e 1810. S. Agostinho, In
Io. Tr. 13, 12: PL 35, 1499. Cfr. Serm. 191, 2, 3: PL 38, 1010, etc. Cfr.
também Ven. Beda, In Lc. Expos. I, cap. 2: PL 92, 330. - Isaac de Stella, Serm.
31: PL 194, 1863 A.
191.
Cfr. Breviarium Romanum, anta «Sub tuum praesidium», das primeiras Vésperas do
Oficio menor de Nossa Senhora.
192.
Cfr. Conc. Niceno II, em 787: Mansi 13, 378-379: Denz. 302 (600-601) , Conc. Trident.,
sess. 25: Mansi 33, 171-172.
193.
Cfr. Pio XII, Radiomensagem, 24, out. 1954: AAS 46 (1954) p. 679. Encícl. Ad
coeli Reginam, 11 out. 1954: AAS 46 (1954) p. 637.
194.
Cfr. Pio XI, Encícl. Ecclesiam Dei, 12 nov. 1923: AAS 15 (1923) p. 581. - Pio
XII, Encícl. Fulgens corona, 8 set. 1953: AAS 45 (1953) pp. 590-591.
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