16/02/2014

Leitura espiritual para Fev 16

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. 
O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.
Evangelho: Mc 12, 35-44; 13, 1-13

35 Continuando a ensinar no templo, Jesus tomou a palavra e disse: «Como dizem os escribas que o Cristo é filho de David? 36 O mesmo David inspirado pelo Espírito Santo diz: “Disse o Senhor ao Meu Senhor: Senta-Te à Minha direita, até que Eu ponha os Teus inimigos debaixo dos Teus pés”. 37 O própio David, portanto, chama-Lhe Senhor; como é Ele, pois, seu filho?». A numerosa multidão ouvia-O com gosto. 38 Dizia-lhes ainda nos Seus ensinamentos: «Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com roupas largas, de serem saudados nas praças 39 e de ocuparem as primeiras cadeiras nas sinagogas e os primeiros lugares nos banquetes, 40 que devoram as casas das viúvas, sob o pretexto de longas orações. Serão julgados com maior rigor». 41 Estando Jesus sentado defronte do cofre das esmolas, observava como o povo deitava ali dinheiro. Muitos ricos deitavam em abundância. 42 Tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que valem um quarto de um asse. 43 Chamando os Seus discípulos, disse-lhes: «Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais que todos os outros que deitaram no cofre, 44 porque todos os outros deitaram do que lhes sobrava, ela porém deitou do seu necessário tudo o que possuía, tudo o que tinha para viver».
13 1 Quando saía do templo, disse-Lhe um dos Seus discípulos: «Olha, Mestre, que pedras e que construções!». 2 Jesus disse-lhe: «Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada». 3 Estando sentado no monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, Tiago, João e André interrogaram-n'O à parte: 4 «Diz-nos, quando sucederão estas coisas e que sinal haverá de que tudo isto está para se cumprir». 5 Então, Jesus começou a dizer-lhes: «Vede que ninguém vos engane. 6 Virão muitos em Meu nome, dizendo: “Sou eu”; e enganarão muitos. 7 Quando ouvirdes falar de guerras e de rumores de guerras, não temais; porque importa que estas coisas aconteçam, mas não será ainda o fim. 8 Levantar-se-á nação contra nação e reino contra reino. Haverá terramotos em diversas partes e fomes. Estas coisas serão o princípio das dores. 9 Estai alerta! Hão-de vos entregar aos tribunais, sereis açoitados nas sinagogas, por Minha causa sereis levados diante dos governadores e dos reis, para dar testemunho de Mim diante deles. 10 Mas, antes, deve ser pregado o Evangelho a todas as nações. 11 Quando, pois, vos levarem para vos entregar, não premediteis no que haveis de dizer, mas dizei o que vos for inspirado nessa hora, porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo. 12 Então o irmão entregará à morte o seu irmão, o pai o filho; os filhos levantar-se-ão contra os pais e lhes darão a morte. 13 Sereis odiados por todos, por causa do Meu nome. Mas o que perseverar até ao fim, esse será salvo.



JESUS CRISTO NOSSO SALVADOR

Iniciação à Cristologia

2. O ensinamento da Bíblia sobre a redenção do homem

a) O destino do homem e a felicidade e a origem dos males que padece

    A Palavra de Deus ensina-nos que estamos destinados a bens muito mais altos do que os que essas tentativas humanas nos propõem.
Jesus Cristo revelou-nos que Deus nos amou e destinou antes da criação do mundo a uma aliança connosco para nos fazer partícipes da sua vida imensamente feliz. Por isso criou o homem à sua própria imagem, capaz de uma comunhão de vida com Ele. E achou que a sua criação era «muito boa» (Gen 1,31).

    Todavia, deparamos que a realidade da actividade dos homens não é «tão boa», e «gememos interiormente esperando a adopção de filhos, a redenção do nosso corpo» (Rom 8,23). 
E a Bíblia ensina-nos que a origem de todos estes males e sofrimentos se encontra no «mistério de iniquidade» que é o pecado (cf. 2 Tes 2,7): principalmente no pecado original, mas também no pecado actual dos seres humanos que agora vivemos (no nosso egoísmo, na dureza de coração, na avidez de prazer e poder, na debilidade ante o mal, et.).

    Mas, ainda que a imagem de Deus na pessoa humana tenha ficado obscurecida e desfigurada pelo pecado, nunca foi completamente destruída.
O homem continua aspirando à felicidade plena, como reconhece Santo Agostinho:
«Criaste-nos, Senhor, para ti; e o nosso coração está inquieto até que descanse em ti»[1]

    Todavia, o homem só com as suas forças não pode libertar-se do pecado e das suas consequências, como são a privação de Deus, a proclividade ao mal, a desordem da concupiscência e a morte. Por isso, ainda que as tentativas humanas de libertação tenham uma raiz positiva, são insuficientes para curar a verdadeira raiz dos males que afligem a humanidade, que aninha no coração do homem.

b) A salvação do homem é iniciativa e obra de Deus, rico em misericórdia

    A salvação é obra da iniciativa divina, pois Deus nunca abandonou o homem pecador, antes, pelo contrário, movido pelo seu amor misericordioso, dispôs-se fazer uma Nova Aliança com o género humano par nos associar à sua vida e comunicar-nos o seu bem e libertar-nos de todo o mal. Esta Nova Aliança será estabelecida por meio de Cristo.

    A palavra de Deus ensina-nos que a libertação verdadeira e completa do homem procede unicamente de Deus, e é, antes de mais nada, dom misericordiosos de Deus à humanidade.

Ao entregar o seu Filho pelos nossos pecados, Deus manifesta o seu desígnio de amor benevolente que precede todo o mérito da nossa parte:

«A prova de que Deus nos ama é que Cristo, sendo nós todavia pecadores, morreu por nós» (Rom 5,8).

c) Principais expressões bíblicas sobre a salvação que Jesus Cristo realiza

    A revelação ensina-nos que o Filho de Deus feito homem, segundo desígnio divino, empregou a sua vida para nos libertar do pecado e ressuscitou par nos comunicar a nova vida (cf. 1 Cor 15,3; Rom 4,25).
Vejamos algumas explicações da Sagrada Escritura acerca de como esses mistérios de Cristo, têm eficácia salvífica para nós.

    Redenção ou resgate.

O valor salvador da vida e Morte de Cristo apresenta-se com frequência na Sagrada Escritura sob a imagem de um resgate ou redenção que nos liberta da escravidão do pecado:

«Entregou-se a si mesmo por nós para nos redimir de toda a iniquidade» (Tit 2,14), Ele deu a sua vida «em resgate por muitos» (Mt 20,28).

    «Redimir» ou «resgatar» é – em linguagem jurídica antiga – salvar alguém da prisão ou da escravidão dando algo em troca, a modo de preço. Seguindo esta imagem, diz-se que Jesus nos salva da escravidão do pecado, do diabo e da morte, dando a sua vida por nós: «Fostes resgatados (...) não com bens corruptíveis, prata ou ouro, mas com o sangue precioso de Cristo» (1 Pd 1,18-19).

    Libertação.

Unida à imagem do resgate está a ideia de uma «libertação» d escravidão do pecado e da carne: «Cristo libertou-nos para esta liberdade» (Gal 5,1) até chegar à «liberdade gloriosa dos filhos de Deus» (Rom 8,21).

    Sacrifício.

O Novo Testamento apresenta também a vida e a morte de Cristo na cruz sob a imagem de um sacrifício.

«Cristo amou-nos e entregou-se por nós em oblação e sacrifício de suave olor» (Ef 5,2).

    Sacrifício é oferta que se faz a Deus para entrar em comunicação com Ele.
E Jesus oferece a seu Pai, como Cabeça da humanidade, a entrega rendida da sua vida com o fim de reparar a desobediência do pecado e estabelecer a aliança que devolve ao homem a comunhão com Deus:

«É o meu sangue da Nova Aliança, que é derramado por muitos para a remissão dos pecados» (Mt 26,28).

    A Escritura apresenta também muitas outras imagens para se referir ao modo como Cristo nos liberta do pecado.
Por exemplo, a de uma vitória sobre o demónio, o pecado e a morte, a de uma reconciliação dos homens com Deus pois o pecado é como uma inimizade ou ruptura da união com Deus; etc.

d) Uma clarificação conveniente: o sentido teológico das expressões analógicas que se aplicam a Deus

    Por causa da transcendência do divino, a Sagrada Escritura e a teologia usam imagens e conceitos humanos e aplicam-nos a Deus em razão de alguma semelhança.
Nestes casos há que entender bem o sentido com que os atribuímos a Deus, pois só se usam segundo uma analogia e não em sentido unívoco.
Por isso, ao interpretar essas expressões, que são legítimas, não nos podemos deixar levar por impressões imediatas demasiado humanas que nos levam a tirar consequências equivocadas: não podemos imaginar Deus ao modo humano, pois Ele não é como nós.

Por exemplo, aqueles conceitos que encerram em si mesmos alguma imperfeição não se atribuem a Deus propriamente mas só em sentido figurado[2].

    No nosso caso é especialmente necessário entender o sentido das expressões que empregamos, pois a soteriologia serve-se de muitas metáforas e exemplo tomados das relações humanas para ilustrar a obra de Cristo (v. g.: ofensa, perdão;, castigo, satisfação; escravidão, resgate; inimizade, reconciliação, etc.).

De facto, têm-se dado explicações inadequadas da redenção que têm como base uma concepção muito humana de Deus e das elações entre Ele e os homens; por exemplo, quando a obra de Cristo se apresenta em termos de uma compensação a Deus por algum mal que se lhe tenha causado pelo pecado, ou como castigo pelos nossos pecados[3].
Por isso, procuremos agora clarificar alguns conceitos.

    O pecado.

O pecado é um acto desordenado da nossa vontade que nos aparta de Deus:

é um mal que está em nós, não é um mal inferido a Deus em si mesmo.

    Portanto, quando dizemos analogicamente que é uma «ofensa ou um agravo a Deus» significamos que o pecado é uma acção injusta que tem da nossa parte uma semelhança com aquelas que ofendem ou agravam a outro homem; mas não significamos que Deus tenha sofrido algum menosprezo, ou que se lhe tenha causado alguma pena ou tenha diminuído a sua felicidade.

A Igreja sempre sustentou a imutabilidade de Deus, que não pode mudar: não pode diminuir, nem sofrer. O mal produzido pelo pecado só se dá na criatura que erra, se envilece e, sobretudo, perde a união com Deus nosso bem.
Assim, ante a infidelidade do seu povo, pergunta o Senhor: «Mas acaso me ofendem a mim, não ofendem antes a eles mesmos, para sua vergonha?» (Jer 7,19).
O mal não sofre quem dá coices contra o aguilhão pontegudo (cf. Act 9,5 Vg).

    A reparação do pecado.

A reparação do pecado consiste na libertação da desordem, do mal introduzido no homem; é restaurar o homem caído segundo a imagem de Deus na qual foi criado.
Concretamente, consiste na conversão do homem a Deus mediante a graça que o une a Deus e corrige a sua separação d Deus (a culpa), e também na eliminação das penalidades que o pecado leva consigo (a pena).

    Portanto quando falamos analogicamente de satisfação do pecado» ou de «desagravo» significamos que se requerem algumas acções do homem para a completa reparação do pecado, o que tem uma semelhança com o que se costuma fazer entre os homens para o perdão de uma ofensa; mas não significamos que essas acções consistam em oferecer a Deus uma compensação adequada para restaurar o bem divino que estivesse diminuído pelo pecado, ou por um mal que a Ele se tivesse inferido.
Além do mais, que poderia dar o homem a Deus como compensação, que não tenha recebido d’Ele? (cf. 1 Cor 4,7; Rom 11, 35).

3. As principais explicações da Tradição patrística sobre a redenção

    Ao tratar da obra da salvação, os Padres da Igreja empregaram as imagens e a terminologia do Novo Testamento, mas, além disso, foram desenvolvendo outras explicações diferentes da obra de Cristo. Vejamos somente as linhas mais gerais.

    A divinização do homem, nos Padres orientais.

Os Padres gregos sublinham que Cristo veio comunicar-nos a semelhança com Deus perdida com o pecado O Verbo, com a sua própria Encarnação santifica tudo o que toca. Santo Atanásio e outros Padres orientais empregam com gosto a imagem do «intercambio»: o Verbo fez-se partícipe do nosso, da humanidade, para fazer-nos partícipes do seu, a divindade.

    Os Padres gregos fixam-se sobretudo no aspecto descendente e gratuito da salvação, ainda que também assinalem que a fonte da salvação, tornada possível pela Encarnação, é a Morte e Ressurreição de Cristo.

    O sacrifício redentor, nos Padres ocidentais.

Os padres latinos fixam-se sobretudo no aspecto ascendente da salvação, quer dizer, na obra realizada pela nossa Cabeça em nome de toda a humanidade para nos ganhar a salvação; ainda que assinalem também claramente que a redenção é pura graça.

Santo Ambrósio, Santo Agostinho e outros Padres ocidentais sublinham especialmente que Cristo, como nossa Cabeça, oferece a seu Pai o sacrifício perfeito da sua vida para reparar o nosso pecado e reconciliar-nos com Deus.

(continua)




[1] S. AGOSTINHO, Confissões, 1,1,1.
[2] É o caso de atribuir paixões a Deus (a tristeza, a ira, a vingança); ou o que supõe falta de bondade n’Ele (odiar ou causar o mal a alguém); ou falta de providência (não proteger ou abandonar alguém); ou o que supõe mudança n’Ele (arrepender-se, ser agravado ou ofendido pelo pecado, perdoar), etc.
[3] Cf. COMISIÓN TEOLÓGICA INTERNACIONAL, Cuestiones selectas sobre Dios redentor (1994), em Documentos 1969-1996, BAC, pp. 511-512; 527.

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