29/01/2014

Leitura espiritual para 29 Jan

Não abandones a tua leitura espiritual.
A leitura tem feito muitos santos.
(S. josemariaCaminho 116)


Está aconselhada a leitura espiritual diária de mais ou menos 15 minutos. Além da leitura do novo testamento, (seguiu-se o esquema usado por P. M. Martinez em “NOVO TESTAMENTO” Editorial A. 
O. - Braga) devem usar-se textos devidamente aprovados. Não deve ser leitura apressada, para “cumprir horário”, mas com vagar, meditando, para que o que lemos seja alimento para a nossa alma.

Para ver, clicar SFF.

Evangelho: Mc 4, 21-41

21 Dizia-lhes mais: «Porventura traz-se a lâmpada para se pôr debaixo do alqueire ou debaixo da cama? Não é para ser posta sobre o candelabro? 22 Porque não há coisa alguma escondida que não venha a ser manifesta, nem que seja feita para estar oculta, mas para vir a público. 23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, oiça». 24 Dizia-lhes mais: «Atendei ao que ouvis. Com a medida com que medirdes vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará. 25 Porque ao que tem, dar-se-lhe-á ainda mais e ao que não tem, ainda o que tem lhe será tirado». 26 Dizia também: «O reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. 27 Dorme e se levanta, noite e dia, e a semente germina e cresce sem ele saber como. 28 Porque a terra por si mesma produz, primeiramente a haste, depois a espiga, e por último a espiga cheia de grãos. 29 E, quando o fruto está maduro, mete logo a foice, porque chegou o tempo da ceifa». 30 Dizia mais: «A que coisa compararemos nós o reino de Deus? Com que parábola o representaremos? 31 É como um grão de mostarda que, quando se semeia no campo, é a menor de todas as sementes que há na terra; 32 mas, depois que é semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e cria ramos tão grandes que “as aves do céu podem vir abrigar-se à sua sombra”». 33 Assim lhes propunha a palavra com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de compreender. 34 Não lhes falava sem parábolas; porém, em particular explicava tudo aos Seus discípulos. 35 Naquele mesmo dia, ao cair da tarde, disse-lhes: «Passemos à outra margem». 36 Eles, deixando a multidão, levaram-n'O consigo, assim como estava, na barca. Outras embarcações O seguiram. 37 Então levantou-se uma grande tempestade de vento, e as ondas lançavam-se sobre a barca, de tal modo que a barca se enchia de água. 38 Jesus estava na popa a dormir sobre um travesseiro. Acordaram-n'O e disseram-Lhe: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». 39 Ele levantou-Se, ameaçou o vento e disse para o mar: «Cala-te, emudece». O vento amainou e seguiu-se uma grande bonança. 40 Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?». Ficaram cheios de grande temor, e diziam uns para os outros: 41 «Quem será Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?».




CARTA ENCÍCLICA

ANNI SACRI (*)

DO SUMO PONTÍFICE PAPA PIO XII
AOS VENERÁVEIS IRMÃOS PATRIARCAS, PRIMAZES,
ARCEBISPOS E BISPOS E OUTROS ORDINÁRIOS DO LUGAR
EM PAZ E COMUNHÃO COM A SÉ APOSTÓLICA

ORAÇÕES PARA A RENOVAÇÃO CRISTÃ E A CONCÓRDIA ENTRE OS POVOS

1. O Ano santo, em curso, já nos trouxe mais do que um motivo de alegria e consolação. De todas as partes do mundo vimos afluir multidões de fiéis a Roma, de onde se irradia inalterada, desde as origens da Igreja, a luz do ensinamento evangélico. Vieram à sé de Pedro não só para resgatar as suas culpas na penitência mas também para expiar os pecados do mundo e implorar a volta da sociedade a Deus, do qual somente pode nascer a verdadeira paz do coração, a concórdia civil e o bem-estar das nações. E sabemos que estes primeiros grupos de peregrinos são como que a vanguarda dos que chegarão mais numerosos durante a boa estação. É lícito, portanto, esperar disso frutos mais abundantes e salutares.

2. Porém se esses espectáculos nos deram consolações suavíssimas, não faltaram motivos de ânsia e de angústia para entristecer o nosso coração paterno. Primeiramente, mesmo que a guerra tenha acabado em todos os lugares, ainda não chegou a paz desejada, aquela paz estável e segura que possa conciliar felizmente os muitos e sempre crescentes motivos de discórdia. Muitas nações desconfiam mutuamente e, ao faltar a confiança, correm para os armamentos, deixando temerosos e duvidosos os ânimos de todos.

3. Aquele que parece ser não somente o mal mais grave, mas a raiz de todos eles é este: não raramente à verdade se opõe a mentira que é usada como meio de contenda. Não são poucos os que descuidam da religião como coisa de nenhuma monta, e em alguns lugares até é proibida no ambiente familiar e social como resto de velhas superstições. Enaltece-se o ateísmo privado e público, de tal forma que, eliminado Deus e sua lei, os comportamentos não têm mais nenhum fundamento. A imprensa demasiadas vezes insulta vulgarmente o sentimento religioso e não hesita em divulgar as obscenidades mais torpes, excitando e lançando no vício, com dano incalculável, especialmente a mais tenra idade e a juventude atraiçoada. Com promessas falsas engana-se o povo, que é incitado ao ódio, à rivalidade, à rebelião, especialmente quando se consegue desenraizar do seu coração a fé dos antigos, único alívio neste exílio terreno. Organizam-se e fomentam-se séria violência, tumultos e sublevações que abrem caminho à ruína da economia e causam dano irreparável ao bem comum.

4. Mais ainda, temos de deplorar com tristeza imensa que em não poucas nações são ofendidos e calcados os direitos de Deus, da Igreja e da própria natureza humana. Os ministros sagrados, mesmo os de mais alta dignidade, ou são afastados de suas sedes, exilados e aprisionados, ou impedidos de exercer o ministério a eles confiado. No ensino escolástico, quer inferior quer universitário, assim como nas publicações da imprensa, ou não se permite expor e defender a doutrina da Igreja ou é coarctada e controlada pela censura oficial de tal modo que parece ser elevado a princípio o propósito arbitrário de que a verdade, a liberdade e a religião devem estar submetidas e dóceis à autoridade civil.

5. Como esses inumeráveis males derivam, como dizíamos, de uma única fonte, isto é, do repúdio de Deus e do menosprezo da sua lei, é necessário, veneráveis irmãos, elevar a Deus orações fervorosas e revocar àqueles princípios dos quais somente pode vir a luz às mentes, a paz e a concórdia aos ânimos e uma justiça ordenada entre as várias classes sociais.

6. Como sabeis, tirado o sentimento religioso, não pode haver sociedade bem morigerada e bem regulada. Daqui a urgência de incitar os sacerdotes, sob vossa direcção, para que, especialmente durante o ano santo, não poupem fadigas para que as almas a eles confiadas, depostos os falsos preconceitos e as convicções erradas, apagados os ódios e pacificadas as discórdias, se alimentem da doutrina do Evangelho e participem na vida cristã, apressando a desejada renovação dos costumes. E como o sacerdote não pode chegar a tudo e a todos, e nem sempre a sua ação pode bastar adequadamente a toda necessidade, os militantes nas fileiras da Ação católica devem prestar a ajuda de sua experiência e da sua operosidade. A ninguém é permitido ser indolente e preguiçoso, enquanto sobranceiam tantos males e tantos perigos e ao passo que os que estão do outro lado trabalham tão alacremente para destruir as próprias bases da religião católica e do culto cristão. Nunca aconteça "que os filhos deste século sejam mais prudentes do que os filhos da luz" (Lc 16,8); nunca que aqueles sejam mais ativos do que estes.

7. Mas as forças humanas são ineficazes se não forem corroboradas pela graça divina. Exortamo-vos, portanto, veneráveis irmãos, a iniciar como que uma cruzada de orações entre os vossos fiéis para pedir do Pai das misericórdias e do Deus de toda consolação (cf. 2 Cor 1, 3) os remédios oportunos aos males presentes. Vivamente desejamos que, junto connosco, se elevem orações públicas, no dia 26 de março corrente, domingo da Paixão, quando os sagrados ritos da Igreja começam a comemorar os sofrimentos agudos com os quais o Redentor divino nos libertou da escravidão do demônio, readquirindo para nós a liberdade dos filhos de Deus. É nosso propósito descer naquele dia à basílica de s. Pedro, para unir as nossas orações não somente com os que aí estiverem, mas - como esperamos - com todo o mundo católico. Os que por causa de enfermidade, velhice ou outro motivo não puderem ir à Igreja, ofereçam a Deus, com ânimo humilde e confiante, suas dores e trepidações, para que seja única a oração, único o anelo e o voto de todos.

8. Unidos a nós na oração, peçam todos à misericórdia divina que da desejada restauração dos costumes surja uma nova ordem, enformada pela verdade, justiça e caridade. Seja iluminado pelo lume celeste o intelecto dos que têm nas mãos os destinos dos povos, reflitam eles que como a paz é obra de sabedoria e de justiça, assim a guerra é fruto da cegueira e do ódio; e pensem que um dia não somente deverão prestar contas à história mas também ao juízo eterno de Deus.

9. Os que de mãos cheias lançam as sementes da inveja, da discórdia e da rivalidade, os que escondida ou abertamente excitam as massas à revolta, os que iludem com vãs promessas a multidão fácil a agitar-se, cheguem a entender que à justiça requerida pelos princípios cristãos, promotora de equilíbrio entre as classes sociais e de concórdia fraterna, chega-se não com a força e a violência, mas com a aplicação do direito. Guiados pela luz suprema, impetrada pela oração coletiva, se convençam todos de que somente o Redentor divino pode compor as múltiplas e formidáveis contendas; somente Jesus Cristo, dizemos, que é o caminho, a verdade e a vida (cf. Jo 14, 6), o qual concede a celeste clareza às mentes obscurecidas e a força divina às vontades duvidosas e preguiçosas. "Sem caminho não se anda, sem verdade não se conhece, sem vida não se vive". (1) Somente ele pode dirigir com justiça os acontecimentos terrenos e compô-los na caridade; somente ele pode guiar à felicidade eterna os ânimos dos homens, unidos no vínculo da fraternidade.

10. Com fé, amor e esperança dirigimos a ele a nossa oração. Olhe ele, indulgente, especialmente durante este ano santo, a humanidade oprimida por tantas desventuras, atingida por tantos temores e pelos frutos de tantas discórdias. E como um dia acalmou com sua ordem a tempestade do lago da Galileia, assim acalme hoje as desventuras humanas.

11. Sejam manifestadas pela sua luz as mentiras dos maus; seja humilhada a pavorosa arrogância dos soberbos; os ricos sejam induzidos à justiça, à generosidade, à caridade; os pobres e miseráveis tomem como modelo a família de Nazaré, a qual se procurava o pão de cada dia com o trabalho; e, finalmente, os que têm em mãos o governo da coisa pública convençam-se de que não há base mais sólida do que o ensinamento cristão e da tutela da liberdade eclesiástica.

12. Desejamos, veneráveis irmãos, que deis a conhecer essas coisas aos fiéis confiados aos vossos cuidados e os exorteis a rezar fervorosamente connosco ao Senhor. Confiando que todos haverão de responder com generoso amor às nossas exortações, com efusão de ânimo concedemos a cada um de vós e a todos os vossos fiéis a bênção apostólica, penhor de nossa benevolência e auspício dos favores celestes.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 12 de Março de 1950, XII de nosso pontificado.

PIO PP. XII

Revisão da versão portuguesa por ama
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Notas:
(*) Pio PP. XII, Carta enc. Anni sacri com a qual se pedem orações públicas para uma renovação cristã dos costumes e para a concórdia entre os povos a realizar-se no domingo de Paixão.

(1) Imitação de Cristo, I. III, c. 56, v 5.

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