30/06/2012

A TUA ÁGUA, SENHOR


Chove lá fora
e a água escorre
nos vidros das janelas
lavando-os do pó
que foi levantado pelo vento
que passou na terra seca.
 
Dentro de mim,
do meu coração
o pó da minha secura
agarra-se,
quase desesperado,
como algo que não quer ser lavado,
como algo que ali está,
sempre esteve,
a obstruir os canais da vida,
o pulsar de um sangue novo,
que traz a vida nova
à vida envelhecida.

Abro o meu coração,
à Tua chuva Senhor,
água de vida nova,
água sempre a jorrar
que docemente,
gentilmente
quase sem se notar,
vai lavando o pó já velho
que não me deixa amar.

E chove agora um rio
um rio de água sem fim,
que lava tudo à passagem
e desperta a vida nova
no meu coração,
bem dentro de mim.

  
Sim é verdade
o dia está triste,
cinzento,
mas a verdade é que em mim
tudo é festa no momento
porque chove a água nova
que lava todo o pecado,
que dá força
e mata a sede,
a quem se abre à ventura
de se deixar encontrar
ao jorrar
do Teu amor.

Desse Teu amor sem fim.
corrente de água pura,
cristalina e santa,
que lava todo o pó
agarrado ao homem velho,
e que da semente já morta
germinada no amor,
regada na esperança,
faz nascer a vida nova,
vida que é para sempre,
porque essa vida…
és Tu,
só Tu,
e sempre Tu,
Senhor!


Monte Real, 7 de Abril de 2008

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