20/04/2011

Aborto - Contradição

Medicina e Apostolado

A  GRANDE  CONTRADIÇÃO

A ciência faz esforços para salvar o maior número de fetos com problemas e a lei do aborto elimina-os. Os médicos podem detectar e intervir sobre anomalias em gestações entre as 12 e as 20 semanas, mas a legislação deixa totalmente nas mãos da mulher a interrupção de uma vida humana às 14 semanas.
A ciência avança a passos largos e a tecnologia já permite, no campo da medicina fetal, reduzir nas gravidezes o número de amniocenteses em 5% e antecipar o diagnóstico de uma boa parte das alterações cromossómicas do futuro bebé.
Assim, desde que apareceram há cerca de 30 anos as novas técnicas de imagem, as grávidas contam com uma grande ajuda para detectar algumas  das doenças que o feto pode ter e, hoje em dia, em muitos casos, intervir para correcção desse defeito e salvar a sua vida.
Dado que o ser que começa a crescer no seio materno não pode manifestar o seu possível padecimento, é importante observá-lo mediante a ecografia para encontrar alguma possível anomalia fetal, o que acontece em 3% das gravidezes, ou alterações que possam terminar em anomalia (10%).
Todos os esforços da ciência, nesse aspecto, vão no sentido de salvar o máximo de vidas intra-uterinas, actuando o mais cedo possível, para evitar consequências na vida futura do bebé.
“ Há tanta resolução nos ecógrafos actuais que somos capazes de detectar pequenas subtilezas. Podemos observar num feto de 20 semanas se o cérebro, que teria de medir uns 2,5 cm, cresce a um ritmo normal”, afirma Eduard Gratacós, chefe de serviço de medicina materno-fetal do Hospital Clínico de Barcelona, numa informação publicada no diário A Vanguardia no passado dia 26 de Março.

TRÊS ECOGRAFIAS, TRÊS DIAGNÓSTICOS

Há três ecografias básicas que permitem trabalhar com esses objectivos: às 12 semanas, confirma-se a presença física do feto e classifica-se o risco. Podem detectar-se até 50% de malformações e observam-se marcadores para alterações cromossómicas nesse sentido que podem levar a detectar uma possível enfermidade, tais como o síndrome de Down ou atraso de crescimento.
Podem encontrar-se anomalias graves na formação do cérebro, com menos de 2 cm, ou detectar problemas do coração, que ronda nesse tempo os 5 cm.
Cerca das 20 semanas, a prova mais complicada de obstetrícia e ginecologia, podem-se detectar até 85% de malformações. Durante 25 ou 30 min, o especialista examina mais de 300 pontos de normalidade. O cérebro ronda então os 5 cm e o coração uns 2 cm.
Uma terceira ecografia às 32 semanas permitirá detectar problemas de crescimento em cerca de 5% das gestações e diagnosticar outros problemas, assim como obter dados sobre o risco de prematuridade.

O GRANDE PARADOXO

Perante esta realidade e a confirmação dos próprios especialistas de que se podem detectar anomalias e, em muitos casos, realizar tratamento fetal, a facilidade com a qual se pode abortar em Espanha demonstra um grande paradoxo e dá ocasião a perguntas.
Como se podem investir grandes verbas em investigação e avanços tecnológicos que procuram salvar o maior número possível de vidas humanas no estado fetal entre as 12 e as 20 semanas e, ao mesmo tempo, aprovar uma lei que permite abortar livremente até às 14 semanas? Um destes dois programas não consegue “encaixar”.
Convém recordar que a nova lei do aborto dá luz verde à opção de abortar nas primeiras 14 semanas. Ao mesmo tempo, facilita relativamente esse procedimento até às 22 semanas, quando exista um grave risco para a vida ou saúde das grávidas, ou risco de graves anomalias fetais. Inclusivamente, para além das 22 semanas, pode-se abortar quando se detectarem anomalias fetais incompatíveis com a vida ou quando se evidencie no feto “uma doença extremamente grave” e assim o “confirme um comité clínico”

FórumLibertas.com, trd als. 2011.04.20

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