Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
10/07/2020
Senhor, se quiseres podes curar-me
Não tenhas dúvidas: o coração foi criado para amar. Metamos, pois,
Nosso Senhor Jesus Cristo em todos os nossos amores. Senão, o coração vazio
vinga-se, e enche-se das baixezas mais desprezíveis. (Sulco, 800)
Como poderemos dirigir-nos a Ele, como falar-Lhe, como
comportar-nos?
A vida cristã não está feita de normas rígidas, porque o Espírito
Santo não dirige as almas massivamente, mas infundindo em cada uma delas
propósitos, inspirações e afectos que ajudarão a captar e a cumprir a vontade
do Pai. Penso, no entanto, que em muitas ocasiões o nervo do nosso diálogo com
Cristo, na acção de graças depois da Santa Missa, pode ser a consideração de
que o Senhor é para nós, Rei, Médico, Mestre e Amigo.. (...)
É Médico e cura o nosso egoísmo, se deixarmos que a sua graça penetre
até ao fundo da nossa alma. Jesus disse-nos que a pior doença é a hipocrisia, o
orgulho que nos faz dissimular os nossos pecados. Com o Médico, é
imprescindível, pela nossa parte, uma sinceridade absoluta, explicar-lhe toda a
verdade e dizer: Domine, si vis, potes me
mundare, Senhor, se quiseres – e Tu queres sempre – podes curar-me. Tu
conheces as minhas fraquezas, tenho estes sintomas e estas debilidades.
Mostramos-lhe também com toda a simplicidade as chagas e o pus, no caso de
haver pus. Senhor, Tu, que curaste tantas almas, faz com que, ao ter-Te no meu
peito ou ao contemplar-Te no Sacrário, Te reconheça como Médico divino. (Cristo
que passa, 92–93)
Virtudes 10
Sem por isso ser
considerado ingénuo, o cristão tem boa disposição habitual para tudo o que vier
do próximo, pois realmente cada pessoa vale, cada pessoa conta; cada forma de
inteligência, quer seja especulativa, quer venha do coração, ilumina. A consciência
da dignidade dos outros evita cair na indiferença que humilha (Papa Francisco,
Bula Misericordiae Vultus (11-IV-2015), 15). O cristão, por vocação, está virado para os outros:
manifesta-se a eles sem preocupações excessivas por cair no ridículo ou ficar
mal visto. Há pessoas que provocam intimidação, por serem tímidas, em vez de
comunicarem luz e calor: pensam demasiado em si mesmas, no que hão-de dizer os
outros, talvez por um excessivo sentido de honra, da própria imagem, que
poderia encobrir orgulho ou falta de simplicidade.
Polarizar a atenção
sobre si mesmo, expressar repetidamente desejos excessivamente concretos e
singulares, enfatizar problemas de saúde mais ou menos comuns; ou, pelo
contrário, esconder de modo exagerado uma doença que os outros poderiam
conhecer para ajudar-nos melhor, com a sua oração e o seu apoio: tudo isto são
atitudes que precisam provavelmente de uma purificação. A humildade
manifesta-se também numa certa flexibilidade, num esforço por comunicar o que
vemos ou sentimos. Tu não podes ser mortificado se és susceptível, se só
vives os teus egoísmos, se dominas os outros, se não sabes privar-te do
supérfluo e, por vezes, até do necessário e, enfim, se te entristeces quando as
coisas não correm como tu tinhas previsto. Serás, pelo contrário, mortificado
se souberes fazer-te tudo para todos para salvar a todos. (1 Cor 9, 22). (São Josemaria,
Cristo que passa, 9).
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
10 Visão de Cornélio em
Cesareia –
1*Havia em Cesareia
um homem de nome Cornélio, centurião da coorte itálica. 2*Piedoso e temente a
Deus, como aliás toda a sua casa, dava largas esmolas ao povo e orava
continuamente a Deus.
3*Teve uma visão, cerca das três horas
da tarde, e viu distintamente o Anjo de Deus entrar, aproximar-se dele e dizer-lhe:
«Cornélio!» 4*Fixando nele os olhos, cheio de medo, respondeu: «Que é, Senhor?»
Respondeu o Anjo: «As tuas orações e as tuas esmolas subiram à presença de
Deus, e Ele recordou-se de ti. 5 E agora, envia homens a Jope e manda chamar um
certo Simão, conhecido por Pedro. 6 Está hospedado em casa de um curtidor
chamado Simão, cuja casa fica à beira-mar.» 7 Quando o Anjo se retirou, depois
de lhe falar, Cornélio chamou dois dos seus servos e um soldado piedoso, dos
que lhe eram pessoalmente dedicados, 8explicou-lhes tudo e mandou-os a Jope.
Visão de Pedro em Jope –
9*No dia seguinte,
enquanto eles iam a caminho e se aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço
para a oração do meio-dia. 10*Então, sentiu fome e quis comer alguma coisa.
Enquanto lhe preparavam de comer, foi arrebatado em êxtase. 11 Viu o Céu aberto
e um objecto, como uma grande toalha atada pelas quatro pontas, a descer para a
terra. 12 Estava cheia de todos os quadrúpedes e répteis da terra e de todas as
aves do céu. 13 E uma voz dizia-lhe: «Vamos, Pedro, mata e come.» 14 Mas Pedro
retorquiu: «De modo algum, Senhor! Nunca comi nada de profano nem de impuro.»
15*E a voz falou-lhe novamente, pela segunda vez: «O que foi purificado por
Deus não o consideres tu impuro.» 16 Isto repetiu-se por três vezes e,
imediatamente, o objecto foi levado para o Céu. 17 Atónito, Pedro perguntava a
si próprio o que poderia significar a visão que acabara de ter, quando os
homens enviados por Cornélio, tendo perguntado pela casa de Simão, se
apresentaram à porta. 18 Chamaram e indagaram se era ali que se encontrava
hospedado Simão, cujo sobrenome era Pedro. 19 E, como Pedro estava ainda a
reflectir sobre a visão, o Espírito disse-lhe: «Estão aí três homens a
procurar-te. 20 Ergue-te, desce e parte com eles sem qualquer hesitação, porque
fui Eu que os mandei cá.» 21 Pedro desceu, foi ter com os homens e disse: «Sou
eu quem procurais. Qual o motivo da vossa vinda?» 22 Responderam: «O centurião
Cornélio, homem justo e temente a Deus, do qual todo o povo judeu dá bom
testemunho, foi avisado por um anjo para te mandar chamar a sua casa e para
ouvir as palavras que tens a dizer-lhe.» 23*Então Pedro mandou-os entrar e
deu-lhes hospedagem. No dia seguinte, levantando-se, partiu com eles, e alguns irmãos
de Jope acompanharam-no. 24 Chegou a Cesareia, um dia depois. Cornélio estava à
espera deles com os seus parentes e amigos íntimos, que tinha reunido. 25 Na
altura em que Pedro entrava, Cornélio foi ao seu encontro e, caindo-lhe aos
pés, prostrou-se. 26 Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também
sou apenas um homem.» 27 E, a conversar com ele, foi para dentro, encontrando
muitas pessoas reunidas. 28*Pedro disse-lhes: «Vós sabeis que não é permitido a
um judeu ter contacto com um estrangeiro, ou entrar em sua casa. Mas Deus
mostrou-me que não se deve chamar profano ou impuro a homem algum. 29 Por isso,
não opus qualquer dificuldade ao vosso convite. Peço-vos apenas que me digais o
motivo por que me mandastes chamar.» 30 Cornélio respondeu: «Faz hoje três
dias, a esta mesma hora, estava eu em minha casa a fazer a oração das três
horas da tarde, quando surgiu de repente um homem com uns trajes
resplandecentes, diante de mim, 31 e me disse: 'Cornélio, a tua oração foi
atendida e as tuas esmolas foram recordadas diante de Deus. 32 Envia, pois, emissários
a Jope e manda chamar Simão, cujo sobrenome é Pedro. Está hospedado em casa de
Simão, curtidor, junto ao mar.' 33 Mandei-te imediatamente chamar e agradeço-te
teres vindo. E, agora, estamos todos na tua presença para ouvirmos o que Deus
te ordenou.»
Discurso de Pedro em casa de
Cornélio –
34*Então, Pedro tomou
a palavra e disse: «Reconheço, na verdade, que Deus não faz acepção de pessoas,
35 mas que, em qualquer povo, quem o teme e põe em prática a justiça, lhe é
agradável. 36*Enviou a sua palavra aos filhos de Israel, anunciando-lhes a
Boa-Nova da paz, por Jesus Cristo, Ele que é o Senhor de todos. 37 Sabeis o que
ocorreu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do baptismo que João pregou:
38*como Deus ungiu com o Espírito Santo e com o poder a Jesus de Nazaré, o qual
andou de lugar em lugar, fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos
pelo diabo, porque Deus estava com Ele. 39*E nós somos testemunhas do que Ele
fez no país dos judeus e em Jerusalém. A Ele, que mataram, suspendendo-o de um
madeiro, 40*Deus ressuscitou-o, ao terceiro dia, e permitiu-lhe manifestar-se,
41 não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus, a
nós que comemos e bebemos com Ele, depois da sua ressurreição dos mortos. 42*E
mandou-nos pregar ao povo e confirmar que Ele é que foi constituído, por Deus,
juiz dos vivos e dos mortos. 43*É dele que todos os profetas dão testemunho:
quem acredita nele recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados.»
Baptismo dos primeiros pagãos
–
44*Pedro estava ainda
a falar, quando o Espírito Santo desceu sobre quantos ouviam a palavra. 45 E
todos os fiéis circuncisos que tinham vindo com Pedro ficaram estupefactos, ao
verem que o dom do Espírito Santo fora derramado também sobre os pagãos,
46*pois ouviam-nos falar línguas e glorificar a Deus. Pedro, então, declarou:
47«Poderá alguém recusar a água do baptismo aos que receberam o Espírito Santo,
como nós?» 48 E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então
eles pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
III
VÓS
SOIS O AGORA DE DEUS
64.
Depois de observar a Palavra de Deus, não podemos limitar-nos a dizer que os
jovens são o futuro do mundo: são o presente, estão-no enriquecendo com a sua
contribuição.
Um
jovem já não é uma criança, encontra-se num momento da vida em que começa a
assumir várias responsabilidades, participando com os adultos no
desenvolvimento da família, da sociedade, da Igreja.
Mas
os tempos mudam, colocando-se a questão: Como são os jovens hoje? Que sucede
agora aos jovens?
Em
positivo
65.
O Sínodo reconheceu que os fiéis da Igreja nem sempre têm o comportamento de
Jesus.
Em
vez de nos dispormos a escutá-los profundamente, «prevalece a tendência de
fornecer respostas pré-fabricadas e receitas prontas, sem deixar assomar as
perguntas juvenis na sua novidade e captar a sua interpelação» [1].
Mas,
quando a Igreja abandona esquemas rígidos e se abre à escuta pronta e atenta
dos jovens, esta empatia enriquece-a, porque «permite que os jovens dêem a sua
colaboração à comunidade, ajudando-a a individuar novas sensibilidades e a
colocar-se perguntas inéditas»[2].
66.
Hoje nós, adultos, corremos o risco de fazer uma lista de desastres, de
defeitos da juventude actual.
Alguns
poderão aplaudir-nos, porque parecemos especialistas em encontrar aspectos
negativos e perigos.
Mas,
qual seria o resultado deste comportamento?
Uma
distância sempre maior, menos proximidade, menos ajuda mútua.
67.
A clarividência de quem foi chamado a ser pai, pastor ou guia dos jovens
consiste em encontrar a pequena chama que continua a arder, a cana que parece
quebrar-se (cf. Is 42, 3) mas ainda não partiu.
É a
capacidade de individuar percursos onde outros só vêem muros, é saber
reconhecer possibilidades onde outros só vêem perigos.
Assim
é o olhar de Deus Pai, capaz de valorizar e nutrir os germes de bem semeados no
coração dos jovens.
Por
isso, o coração de cada jovem deve ser considerado «terra santa», diante da
qual nos devemos «descalçar» para nos podermos aproximar e penetrar no
Mistério.
Muitas
juventudes
68.
Poderíamos procurar descrever as características dos jovens de hoje, mas, antes
de mais nada, quero registar uma observação dos Padres Sinodais: a própria
«composição do Sínodo tornou visível a presença e a colaboração das diferentes
regiões do mundo, evidenciando a beleza de ser Igreja universal.
Embora
num contexto de crescente globalização, os Padres Sinodais pediram para
salientar as múltiplas diferenças entre contextos e culturas, inclusive dentro
do mesmo país. Existe uma pluralidade de mundos juvenis, a ponto de se tender,
nalguns países, a usar o termo “juventude” no plural.
Além
disso, a faixa etária considerada pelo presente Sínodo (16-29 anos) não
representa um todo homogéneo, mas compõe-se de grupos que vivem situações
peculiares»[3].
69.
Partindo do ponto de vista demográfico, alguns países têm muitos jovens,
enquanto outros possuem uma taxa de natalidade muito baixa.
«Outra
diferença deriva da história, que torna distintos os países e continentes de
antiga tradição cristã, cuja cultura é portadora de uma memória que não deve
ser perdida, dos países e continentes marcados por outras tradições religiosas
e onde o cristianismo tem uma presença minoritária e, por vezes, recente.
Além
disso, em outros territórios, as comunidades cristãs e os jovens que fazem
parte delas são objecto de perseguição»[4].
Deve
distinguir-se também os jovens «que têm acesso às crescentes oportunidades
oferecidas pela globalização de quantos, ao contrário, vivem à margem da
sociedade ou no mundo rural suportando os efeitos de formas de exclusão e
descarte»[5].
70.
Existem muitas outras diferenças, que seria complexo referir aqui em detalhe.
Por isso, não me parece oportuno demorar-me a oferecer uma análise exaustiva
dos jovens no mundo actual, de como vivem e do que lhes sucede. Mas, como
também não posso deixar de observar a realidade, assinalarei brevemente algumas
contribuições que chegaram antes do Sínodo e outras que pude recolher durante o
mesmo.
Algumas
coisas que acontecem aos jovens
71.
A juventude não é algo que se possa analisar de forma abstracta.
Na
realidade, «a juventude» não existe; o que há são jovens com as suas vidas
concretas.
No
mundo actual, cheio de progresso, muitas destas vidas estão sujeitas ao
sofrimento e à manipulação.
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
Notas:
[1] DF8.
[2] Ibid., 8.
[3] Ibid., 10.
[4] Ibid., 11.
[5]
Ibid., 12.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Contenção; alguma privação; ser humilde.
Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.
Lembrar-me:
Filiação divina.
Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
09/07/2020
Não recusemos a obrigação de viver
Ficaste muito sério ao ouvir-me: aceito a morte quando Ele quiser,
como Ele quiser e onde Ele quiser; e, ao mesmo tempo, penso que é "um
comodismo" morrer cedo, porque temos de desejar trabalhar muitos anos para
Ele e, por Ele, ao serviço dos outros. (Forja, 1039)
Libertar-vos-ei do cativeiro, onde quer que estiverdes.
Livramo-nos da escravidão com a oração: sabemo-nos livres, voando num
epitalâmio de alma enamorada, num cântico de amor, que nos leva a desejar não
nos afastarmos de Deus... Um novo modo de andar na terra, um modo divino,
sobrenatural, maravilhoso! Recordando tantos escritores quinhentistas
castelhanos, talvez nos agrade saborear frases como esta: Eu vivo, porque não
vivo; é Cristo que vive em mim.
Aceita-se com todo o gosto a necessidade de trabalhar neste mundo,
durante muitos anos, porque Jesus tem poucos amigos cá em baixo. Não recusemos
a obrigação de viver, de nos gastarmos – bem espremidos– ao serviço de Deus e
da Igreja. Desta maneira, em liberdade: in
libertatem gloriae filiorum Dei, qua libertate Christus nos liberavit; com
a liberdade dos filhos de Deus, que Jesus Cristo nos alcançou morrendo no
madeiro da Cruz.
É possível que logo desde o princípio se levantem nuvens de poeira
e que, ao mesmo tempo, os inimigos da nossa santificação empreguem uma técnica
de terrorismo psicológico – de abuso de poder – tão veemente e bem orquestrada,
que arrastem na sua absurda direcção inclusivamente aqueles que durante muito
tempo mantinham uma conduta mais lógica e mais recta. E apesar de a sua voz
soar a sino rachado, não fundido em bom metal e bem diferente do assobio do
pastor, rebaixam a palavra, que é um dos dons mais preciosos que o homem
recebeu de Deus, presente belíssimo destinado a manifestar altos pensamentos de
amor e de amizade ao Senhor e às suas criaturas, até fazer com que se entenda por
que motivo disse S. Tiago que a língua é um mundo de iniquidade. Tantos danos
pode, realmente produzir! Mentiras, difamações, desonras, intrigas, insultos,
murmurações tortuosas... (Amigos de Deus, 297–298)
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
9 Conversão de Saulo –
1
Saulo, entretanto, respirando sempre ameaças e mortes contra os discípulos do
Senhor, foi ter com o Sumo Sacerdote 2 e pediu-lhe cartas para as sinagogas de
Damasco, a fim de que, se encontrasse homens e mulheres que fossem desta Via,
os trouxesse algemados para Jerusalém. 3 Estava a caminho e já próximo de
Damasco, quando se viu subitamente envolvido por uma intensa luz vinda do Céu.
4 Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: «Saulo, Saulo, porque me
persegues?» 5 Ele perguntou: «Quem és Tu, Senhor?» Respondeu: «Eu sou Jesus, a
quem tu persegues. 6 Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer.»
7 Os seus companheiros de viagem tinham-se detido, emudecidos, ouvindo a voz,
mas sem verem ninguém. 8 Saulo ergueu-se do chão, mas, embora tivesse os olhos
abertos, não via nada. Foi necessário levá-lo pela mão e, assim, entrou em
Damasco, 9 onde passou três dias sem ver, sem comer nem beber. 10 Havia em
Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor disse-lhe numa visão: «Ananias!»
Respondeu: «Aqui estou, Senhor.» 11 O Senhor prosseguiu: «Levanta-te, vai à
casa de Judas, na rua Direita, e pergunta por um homem chamado Saulo de Tarso,
que está a orar neste momento.» 12 Saulo, entretanto, viu numa visão um homem,
de nome Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista. 13 Ananias
respondeu: «Senhor, tenho ouvido muita gente falar desse homem e a contar todo
o mal que ele tem feito aos teus santos, em Jerusalém. 14 E agora está aqui com
plenos poderes dos sumos sacerdotes, para prender todos quantos invocam o teu
nome.» 15 Mas o Senhor disse-lhe: «Vai, pois esse homem é instrumento da minha
escolha, para levar o meu nome perante os pagãos, os reis e os filhos de
Israel. 16 Eu mesmo lhe hei-de mostrar quanto ele tem de sofrer pelo meu nome.»
17 Então, Ananias partiu, entrou na dita casa, impôs as mãos sobre ele e disse:
«Saulo, meu irmão, foi o Senhor que me enviou, esse Jesus que te apareceu no
caminho em que vinhas, para recobrares a vista e ficares cheio do Espírito
Santo.» 18 Nesse instante, caíram-lhe dos olhos uma espécie de escamas e recuperou
a vista. Depois, levantou-se e recebeu o baptismo.
Saulo em Damasco –
19
Depois de se ter alimentado, voltaram-lhe as forças e passou alguns dias com os
discípulos, em Damasco. 20 Começou, então, imediatamente, a proclamar nas
sinagogas que Jesus era o Filho de Deus. 21 Os que o ouviam ficavam
estupefactos e diziam: «Não era ele que, em Jerusalém, perseguia aqueles que
invocam o nome de Jesus? Não tinha ele vindo aqui expressamente para os levar,
presos, aos sumos sacerdotes?» 22 Mas Saulo fortalecia-se cada vez mais e
confundia os judeus de Damasco, demonstrando-lhes que Jesus era o Messias. 23 Passado
muito tempo, os judeus combinaram matá-lo, 24 mas Saulo foi avisado das suas
intenções. Até as portas da cidade eram guardadas, noite e dia, com o fim de o
matarem. 25 Então os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela
muralha abaixo, dentro de um cesto.
Saulo em Jerusalém –
26
Chegado a Jerusalém, Saulo procurava reunir-se aos discípulos, mas todos tinham
medo dele, não querendo acreditar que fosse um discípulo. 27 Barnabé tomou-o,
então, consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como ele, no caminho, tinha
visto o Senhor, que lhe falara, e com que coragem ele anunciara o nome de Jesus
em Damasco. 28 A partir desse dia, ficou com eles, indo e vindo por Jerusalém e
confessando corajosamente o nome do Senhor. 29 Dirigia-se também aos helenistas
e discutia com eles, mas estes planeavam a sua morte. 30 Os irmãos, porém, ao
saberem disto, levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso.
Pedro cura um paralítico –
31Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, crescia
como um edifício e caminhava no temor do Senhor e, com a assistência do
Espírito Santo, ia aumentando. 32 Pedro, que andava por toda a parte, desceu
também até junto dos santos que habitavam em Lida. 33 Encontrou lá, estendido
num catre, havia oito anos, um homem chamado Eneias, que era paralítico. 34 Pedro
disse-lhe: «Eneias, Jesus Cristo vai curar-te! Levanta-te e arranja a enxerga.»
E ele ergueu-se imediatamente. 35 Todos os habitantes de Lida e da planície de
Saron viram isso e converteram-se ao Senhor.
Ressurreição de Tabitá –
36
Havia em Jope, entre os discípulos, uma mulher chamada Tabitá, que significa
«Gazela.» Era rica em boas obras e nas esmolas que distribuía. 37 Ora, nesses
dias, caiu doente e morreu. Depois de a terem lavado, depositaram-na na sala de
cima. 38 Como Lida era perto de Jope e ouvindo os discípulos dizer que Pedro
estava lá, mandaram-lhe dois homens com o seguinte pedido: «Vem depressa ter
connosco!» 39 Pedro partiu imediatamente com eles. Logo que chegou, levaram-no
à sala de cima e encontrou lá todas as viúvas, que choravam e lhe mostravam as
túnicas e mantos feitos por Dórcada, enquanto ela estava na sua companhia. 40 Pedro
mandou sair toda a gente, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se depois para o
corpo, disse: «Tabitá, levanta-te!» Ela abriu os olhos e, ao ver Pedro,
sentou-se. 41 Tomando-a pela mão, Pedro ajudou-a a erguer-se. Chamando então os
santos e as viúvas, apresentou-lha viva. 42 Toda a cidade de Jope soube deste
acontecimento e muitos acreditaram no Senhor. 43 Pedro ficou em Jope bastante
tempo ainda, em casa de um curtidor chamado Simão.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
II
JESUS
CRISTO SEMPRE JOVEM
A
juventude da Igreja Maria, a jovem de Nazaré
43.
No coração da Igreja, resplandece Maria. É o grande modelo para uma Igreja
jovem, que deseja seguir Cristo com frescor e docilidade. Era ainda muito jovem
quando recebeu o anúncio do anjo, não se coibindo de fazer perguntas (cf. Lc 1,
34). Mas tinha uma alma disponível e disse: «Eis a serva do Senhor» (Lc 1, 38).
44.
«Sempre impressiona a força do “sim” de Maria, jovem. A força daquele “faça-se
em Mim” que disse ao anjo. Foi uma coisa diferente duma aceitação passiva ou
resignada, ou de um “sim” como quando se diz: “Bem; vamos tentar para ver o que
acontece”. Maria não conhecia esta expressão: vamos ver se dá. Era determinada:
compreendeu do que se tratava e disse “sim”, sem rodeios de palavras. Foi algo
mais, diferente. Foi o “sim” de quem quer comprometer-se e arriscar, de quem
quer apostar tudo, sem ter outra garantia além da certeza de saber que é
portadora duma promessa.
E eu
pergunto a cada um de vós: sentem-se portadores de uma promessa?
Que
promessa tenho no meu coração para levar adiante?
Sem
dúvida Maria teria uma missão difícil, mas as dificuldades não eram motivo para
dizer “não”. Com certeza teria complicações, mas não seriam as mesmas
complicações que acontecem quando a covardia nos paralisa por não vermos,
antecipadamente, tudo claro ou garantido. Maria não fez um seguro de vida!
Maria arriscou e por isso é forte, por isso é uma influencer, é a influencer de
Deus! O “sim” e o desejo de servir foram mais fortes do que as dúvidas e
dificuldades»[1].
45.
Sem ceder a evasões nem miragens, «Ela soube acompanhar o sofrimento do seu
Filho (...), apoiá-l'O com o olhar e protegê-l'O com o coração. Que dor sofreu!
Mas não A abateu. Foi a mulher forte do “sim”, que apoia e acompanha, protege e
abraça. É a grande guardiã da esperança (...). D’Ela, aprendemos a dizer “sim”
à paciência obstinada e à criatividade daqueles que não desanimam e
recomeçam»[2].
46.
Maria era a donzela de alma grande que exultava de alegria (cf. Lc 1, 47), era
a jovenzinha com os olhos iluminados pelo Espírito Santo, que contemplava a
vida com fé e guardava tudo no seu coração (cf. Lc 2, 19.51). Não ficava
quieta, punha-se continuamente a caminho: quando soube que sua prima precisava
d’Ela, não pensou nos próprios projectos, mas «dirigiu-Se à pressa para a
montanha» (Lc 1, 39).
47.
E, sendo necessário proteger o seu menino, partiu com José para um país
distante (cf. Mt 2, 13-14). Pelo mesmo motivo, permaneceu no meio dos
discípulos reunidos em oração à espera do Espírito Santo (cf. At 1, 14). Assim,
com a presença d’Ela, nasceu uma Igreja jovem, com os seus Apóstolos em saída
para fazer nascer um mundo novo (cf. At 2, 4-11).
48.
Aquela jovenzinha é, hoje, a Mãe que vela pelos filhos: por nós, seus filhos,
que muitas vezes caminhamos na vida cansados, carentes, mas desejosos que a luz
da esperança não se apague. Isto é o que queremos: que a luz da esperança não
se apague. A nossa Mãe vê este povo peregrino, povo jovem amado por Ela, que A procura
fazendo silêncio no próprio coração, ainda que haja muito barulho, conversas e
distracções ao longo do caminho. Mas, diante dos olhos da Mãe, só há lugar para
o silêncio cheio de esperança. E, assim, Maria ilumina de novo a nossa
juventude.
Jovens
santos
49.
O coração da Igreja está cheio também de jovens santos, que deram a sua vida
por Cristo, muitos deles até ao martírio. Constituem magníficos reflexos de
Cristo jovem, que resplandecem para nos estimular e tirar da sonolência.
O
Sínodo salientou que «muitos jovens santos fizeram resplandecer os
delineamentos da idade juvenil em toda a sua beleza e foram, no seu tempo,
verdadeiros profetas de mudança; o seu exemplo mostra do que os jovens são
capazes, quando se abrem ao encontro com Cristo»[3].
50.
«Através da santidade dos jovens, a Igreja pode renovar o seu ardor espiritual
e o seu vigor apostólico. O bálsamo da santidade gerada pela vida boa de muitos
jovens pode curar as feridas da Igreja e do mundo, levando-nos àquela plenitude
do amor para a qual, desde sempre, estamos chamados: os jovens santos
impelem-nos a voltar ao nosso primeiro amor (cf. Ap2, 4)»[4].
Há
santos que não conheceram a vida adulta, tendo-nos deixado o testemunho de
outra forma de viver a juventude. Recordemos ao menos alguns deles, de diferentes
momentos da história, que viveram, cada um à sua maneira, a santidade.
51.
São Sebastião - no século III - era um jovem capitão da guarda pretoriana.
Contam que falava de Cristo por toda a parte e procurava converter os seus
companheiros, até quando lhe foi ordenado que renunciasse à sua fé. Como não
aceitou, fizeram cair uma chuva de flechas sobre ele, mas sobreviveu e
continuou a anunciar Cristo sem medo. Por fim, açoitaram-no até à morte.
52.
São Francisco de Assis, ainda muito jovem e cheio de sonhos, ouviu a chamada de
Jesus para ser pobre como Ele e restaurar a Igreja com o seu testemunho. A tudo
renunciou com alegria e é o santo da fraternidade universal, o irmão de todos,
que louvava o Senhor pelas suas criaturas. Morreu em 1226.
53.
Santa Joana d'Arc nasceu em 1412. Era uma jovem do campo que, apesar da sua
jovem idade, lutou para defender a França dos invasores. Incompreendida pelo
seu aspecto e a sua forma de viver a fé, morreu na fogueira
54.
O Bem-Aventurado André Phû Yên, um jovem vietnamita do século XVII, era
catequista e ajudava os missionários. Foi preso por causa da sua fé e, por não
querer renunciar a ela, assassinaram-no. Morreu, dizendo «Jesus».
55.
No mesmo século, Santa Catarina Tekakwitha, jovem leiga nascida na América do
Norte, foi perseguida pela sua fé e, na sua fuga, percorreu a pé mais de 300
quilómetros através de espessas florestas. Consagrou-se a Deus e morreu
dizendo: «Jesus, eu te amo!»
56.
São Domingos Sávio oferecia a Maria todos os seus sofrimentos. Quando São João
Bosco lhe ensinou que a santidade implica estar sempre alegre, abriu o seu
coração a uma alegria contagiosa. Procurava estar perto dos seus companheiros
mais marginalizados e doentes. Morreu em 1857, com a idade de 14 anos, dizendo:
«Que maravilha estou vendo!»
57.
Santa Teresa do Menino Jesus nasceu em 1873. Com a idade de 15 anos, superando
muitas dificuldades, conseguiu entrar num convento carmelita. Viveu o «pequeno
caminho» da confiança total no amor do Senhor, propondo-se alimentar, com a sua
oração, o fogo do amor que move a Igreja.
58.
O Bem-Aventurado Zeferino Namuncurá era um jovem argentino, filho dum
importante chefe das populações indígenas. Tornou-se seminarista salesiano,
cheio de vontade de voltar à sua tribo para levar Jesus Cristo. Morreu em 1905.
59.
O Bem-Aventurado Isidoro Bakanja era um leigo do Congo que dava testemunho da
sua fé. Foi longamente torturado por ter proposto o cristianismo a outros
jovens. Morreu, perdoando o seu carrasco, em 1909.
60.
O Bem-Aventurado Pier Jorge Frassati, que morreu em 1925, «era um jovem de uma
alegria comunicativa, uma alegria que superava também as muitas dificuldades da
sua vida»[5].
Dizia
querer retribuir o amor de Jesus, que recebia na Comunhão, visitando e ajudando
os pobres.
61.
O Bem-Aventurado Marcelo Callo era um jovem francês, que morreu em 1945. Na
Áustria, foi preso num campo de concentração, onde, no meio de duros trabalhos,
confortava na fé os seus companheiros de cativeiro.
62.
A jovem Bem-Aventurada Clara Badano, que morreu em 1990, «experimentou como o
sofrimento pode ser transfigurado pelo amor (...). A chave da sua paz e da sua
alegria era a total confiança no Senhor e a aceitação também da doença como
expressão misteriosa da Sua vontade para o seu bem e para o bem de todos»[6].
63.
Que eles, juntamente com muitos jovens que, frequentemente no silêncio e
anonimato, viveram a fundo o Evangelho, intercedam pela Igreja para que esteja
cheia de jovens alegres, corajosos e devotados que ofereçam ao mundo novos
testemunhos de santidade.
Franciscus
Revisão
da versão portuguesa por AMA
[1]
Francisco, Discurso na Vigília da XXXIV Jornada Mundial da Juventude (Panamá 26
de Janeiro de 2019).
[2]
Francisco, Oração no final da Via-Sacra, durante a XXXIV Jornada Mundial da Juventude
(Panamá 25 de Janeiro de 2019): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de
29/I/2019), 14-15.
[3]
DF 65.
[4]
Ibid., 167.
[5]
São João Paulo II, Discurso aos jovens (Turim 13 de Abril de 1980), 4:
Insegnamenti 3,1 (1980), 905.
[6]
Bento XVI, Mensagem para a XXVII Jornada Mundial da Juventude (15 de Março de
2012): AAS 104 (2012), 359.
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
08/07/2020
Seguir Cristo: é este o segredo
Ao oferecer-te aquela História de Jesus, pus como dedicatória:
"Que procures a Cristo. Que encontres a Cristo. Que ames a Cristo". –
São três etapas claríssimas. Tentaste, pelo menos, viver a primeira? (Caminho,
382)
Como poderemos superar estes inconvenientes? Como conseguiremos
fortalecer-nos nessa decisão que começa a parecer-nos muito pesada?
Inspirando-nos no modelo que nos apresenta a Virgem Santíssima, nossa Mãe: uma
rota muito ampla, que passa necessariamente através de Jesus.
Neste esforço por nos identificarmos com Cristo, costumo falar de
quatro degraus: procurá-lo, encontrá-lo, conhecê-lo, amá-lo. Talvez pareça que
estamos na primeira etapa... Procuremo-lo com fome, procuremo-lo dentro de nós
com todas as forças! Se o fizermos com este empenho, atrevo-me a garantir que
já O encontrámos e que já começámos a conhecê-lo e a amá-lo e a ter a nossa
conversa nos céus.
Rogo a Nosso Senhor que nos decidamos a alimentar nas nossas almas
a única ambição nobre, a única que merece a pena: ir ter com Jesus Cristo, como
fizeram a sua Bendita Mãe e o Santo Patriarca, com ânsia, com abnegação, sem
descuidos. Participaremos na dita da amizade divina – num recolhimento
interior, compatível com os nossos deveres profissionais e sociais – e
agradecer-Lhe-emos a delicadeza e a caridade com que Ele nos ensina a cumprir a
Vontade do Nosso Pai que está nos céus.
Seguir Cristo: é este o segredo. Acompanhá-lo tão de perto, que
vivamos com Ele, como os primeiros doze; tão de perto, que com Ele nos
identifiquemos. Se não levantarmos obstáculos à graça, não tardaremos a afirmar
que nos revestimos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nosso Senhor reflecte-se na
nossa conduta como num espelho. Se o espelho for como deve ser, captará o rosto
amabilíssimo do nosso Salvador sem o desfigurar, sem caricaturas: e os outros
terão a possibilidade de O admirar, de O seguir. (Amigos de Deus, 299–303)
Temas para reflectir e meditar
Num misto de certezas e interrogações, apresento-me ao
Senhor, presente no Sacrário, com renovada esperança que Ele tenha piedade de
mim e me conceda a graça de uma fé a toda a prova.
(AMA, reflexões, 2017)
LEITURA ESPIRITUAL
I.
EXPANSÃO DA IGREJA FORA DE JERUSALÉM
8 Saulo, o perseguidor –
1
Saulo aprovava também essa morte. No mesmo dia, uma terrível perseguição caiu
sobre a igreja de Jerusalém. À excepção dos Apóstolos, todos se dispersaram
pelas terras da Judeia e da Samaria. 2 Entretanto, homens piedosos sepultaram
Estêvão e fizeram por ele grandes lamentações. 3 Quanto a Saulo, devastava a
Igreja: ia de casa em casa, arrastava homens e mulheres e entregava-os à
prisão.
Filipe leva o Evangelho à Samaria –
4
Os que tinham sido dispersos foram de aldeia em aldeia, anunciando a palavra da
Boa-Nova. 5 Foi assim que Filipe desceu a uma cidade da Samaria e aí começou a
pregar Cristo. 6 Ao ouvi-lo falar e ao vê-lo realizar milagres, as multidões
aderiam unanimemente à pregação de Filipe. 7 De facto, de muitos possessos
saíam espíritos malignos, soltando grandes gritos, e numerosos paralíticos e
coxos foram curados. 8 E houve grande alegria naquela cidade. 9 Encontrava-se
na cidade um homem chamado Simão, que praticava a magia e assombrava o povo de
Samaria, dizendo ser ele próprio algo de grande. 10 Do mais pequeno ao maior,
todos acreditavam nele. «Este homem, diziam, é a Força de Deus, chamada a
grande.» 11 Acreditavam nele porque, havia bastante tempo, tinham-se deixado
entusiasmar pelas suas habilidades mágicas. 12 Mas, quando acreditaram em
Filipe, que lhes anunciava a Boa-Nova do Reino de Deus e do nome de Jesus
Cristo, homens e mulheres começaram a receber o baptismo. 13 O próprio Simão
também acreditou e, depois de baptizado, andava sempre com Filipe; e, ao ver os
grandes milagres e portentos que ele fazia, ficava assombrado.
Pedro e João na Samaria –
14
Quando os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, tiveram conhecimento de que a
Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. 15 Estes
desceram até lá e oraram pelos samaritanos para eles receberem o Espírito
Santo. 16 Na verdade, não descera ainda sobre nenhum deles, pois tinham apenas
recebido o baptismo em nome do Senhor Jesus. 17 Pedro e João iam, então,
impondo as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo. 18 Ao ver que o
Espírito Santo era dado pela imposição das mãos dos Apóstolos, Simão
ofereceu-lhes dinheiro, 19 dizendo: «Dai-me também a mim esse poder, para que
aquele a quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo.» 20 Mas Pedro
replicou: «Vá contigo o teu dinheiro para a perdição, pois julgaste comprar o
Dom de Deus com dinheiro. 21 Neste assunto, não tens parte, nem herança, pois o
teu coração não é recto diante de Deus. 22 Arrepende-te, portanto, da tua má
intenção e roga ao Senhor que te perdoe - se for possível - o projecto do teu
coração. 23 Vejo-te, efectivamente, a transbordar de fel e nos laços da iniquidade.»
24 Simão respondeu: «Intercedei vós mesmos por mim junto do Senhor, para que
não me aconteça nada do que acabais de dizer.» 25 Quanto aos Apóstolos, depois
de terem dado o seu testemunho e anunciado a palavra do Senhor, regressaram a
Jerusalém, proclamando a Boa-Nova a muitas aldeias da Samaria.
Filipe e o eunuco etíope –
26
O Anjo do Senhor falou a Filipe e disse-lhe: «Põe-te a caminho e dirige-te para
o Sul, pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza, a qual se encontra
deserta.» 27 Ele pôs-se a caminho e foi para lá. Ora, um etíope, eunuco e alto
funcionário da rainha Candace, da Etiópia, e superintendente de todos os seus
tesouros, que tinha ido em peregrinação a Jerusalém, 28 regressava, na mesma
altura, sentado no seu carro, a ler o profeta Isaías. 29 O Espírito disse a Filipe:
«Vai e acompanha aquele carro.» 30 Filipe, acorrendo, ouviu o etíope a ler o
profeta Isaías e perguntou-lhe: «Compreendes, verdadeiramente, o que estás a
ler?» 31 Respondeu ele: «E como poderei compreender, sem alguém que me
oriente?» E convidou Filipe a subir e a sentar-se junto dele. 32 A passagem da
Escritura que ele estava a ler era a seguinte: Como ovelha levada ao matadouro,
e como cordeiro sem voz diante daquele que o tosquia, assim Ele não abre a sua
boca. 33 Na humilhação se consumou o seu julgamento, e quem poderá contar a sua
geração? Da face da terra foi tirada a sua vida! 34 Dirigindo-se a Filipe, o
eunuco disse-lhe: «Peço-te que me digas: De quem fala o profeta? De si mesmo ou
de outra pessoa?» 35 Então, Filipe tomou a palavra e, partindo desta passagem
da Escritura, anunciou-lhe a Boa-Nova de Jesus. 36 Pelo caminho fora,
encontraram uma nascente de água, e o eunuco disse: «Está ali água! Que me
impede de ser baptizado?» 37 Filipe respondeu: «Se acreditas com todo o
coração, isso é possível.» O eunuco respondeu: «Creio que Jesus Cristo é o
Filho de Deus.» 38 E mandou parar o carro. Ambos desceram à água, Filipe e o
eunuco, e Filipe baptizou-o. 39 Quando saíram da água, o Espírito do Senhor
arrebatou Filipe e o eunuco não o viu mais, seguindo o seu caminho cheio de
alegria. 40 Filipe encontrou-se em Azoto e, partindo dali, foi anunciando a
Boa-Nova a todas as cidades, até que chegou a Cesareia.
"Christus
vivit": Exortação Apostólica aos Jovens
Capítulo
II
JESUS
CRISTO SEMPRE JOVEM
A
sua juventude ilumina-nos
30.
Estes aspectos da vida de Jesus podem servir de inspiração a todo o jovem que
cresce e se prepara para cumprir a sua missão. Isto implica amadurecer na
relação com o Pai, na consciência de ser um dos membros da família e da aldeia,
e na disponibilidade para ser cumulado do Espírito e guiado no cumprimento da
missão que Deus lhe confia, a sua vocação. Nada disto deveria ser ignorado na
pastoral juvenil, para não criar projectos que isolem os jovens da família e do
mundo, ou que os transformem numa minoria selecta e preservada de todo o
contágio. Precisamos, sim, de projectos que os fortaleçam, acompanhem e lancem
para o encontro com os outros, o serviço generoso, a missão.
31.
Não é de longe nem de fora que Jesus vos ilumina, a vós jovens, mas a partir da
própria juventude que partilha convosco. É muito importante contemplar o Jesus
jovem que os Evangelhos nos mostram, porque foi verdadeiramente um de vós e,
n’Ele, é possível reconhecer muitos traços dos corações jovens. Vemo-lo, por exemplo,
nas seguintes características: «Jesus teve uma confiança incondicional no Pai,
cuidou da amizade com os seus discípulos e, até nos momentos de crise,
permaneceu fiel a eles. Manifestou uma profunda compaixão pelos mais fracos,
especialmente os pobres, os doentes, os pecadores e os excluídos. Teve a
coragem de enfrentar as autoridades religiosas e políticas do seu tempo; viveu
a experiência de Se sentir incompreendido e descartado; experimentou o medo do
sofrimento e conheceu a fragilidade da Paixão; dirigiu o seu olhar para o
futuro, colocando-Se nas mãos seguras do Pai e confiando na força do Espírito.
Em Jesus, todos os jovens se podem rever»[1].
32.
Por outro lado, Jesus ressuscitou e quer fazer-nos participantes da novidade da
sua ressurreição. Ele é a verdadeira juventude dum mundo envelhecido, e é
também a juventude dum universo que espera, entre «dores de parto» (Rm 8, 22),
ser revestido com a sua luz e com a sua vida. Junto d’Ele, podemos beber da
verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projectos e grandes ideais,
lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver. Em dois detalhes
interessantes do Evangelho de Marcos, podemos notar a chamada à verdadeira
juventude dos ressuscitados: na paixão do Senhor, aparece um jovem medroso que
procurava seguir Jesus, mas fugiu nu (cf. 14, 51-52), um jovem que não teve a
força de arriscar tudo para seguir o Senhor; enquanto, junto do túmulo vazio,
vemos um jovem «vestido com uma túnica branca» (16, 5), que convidava a vencer
o medo e anunciava a alegria da ressurreição (cf. 16, 6-7).
33.
O Senhor chama-nos a acender estrelas na noite de outros jovens; convida-nos a
olhar os verdadeiros astros, ou seja, aqueles sinais tão variados que Ele nos
dá para não ficarmos parados, mas imitarmos o semeador que observava as
estrelas para poder lavrar o campo. Deus acende estrelas para nós, a fim de
podermos continuar a caminhar: «Às estrelas que brilham alegremente nos seus
postos, Ele chama-as e elas respondem» (Br 3, 34-35). Mas o próprio Cristo é,
para nós, a grande luz de esperança e guia na nossa noite, pois Ele é «a
brilhante estrela da manhã» (Ap 22, 16).
A
juventude da Igreja
34.
Ser jovem, mais do que uma idade, é um estado do coração. Assim, uma
instituição antiga como é a Igreja pode renovar-se e voltar a ser jovem em cada
uma das várias fases da sua longa história. Com efeito, nos seus momentos mais
dramáticos, sente a chamada a retornar ao essencial do primeiro amor. Ao
recordar esta verdade, o Concílio Vaticano II afirmava que, «rica de um longo
passado sempre vivo, e caminhando para a perfeição humana no tempo e para os
destinos últimos da história e da vida, ela é a verdadeira juventude do mundo».
Nela, é sempre possível encontrar Cristo, «o companheiro e o amigo dos
jovens»[2].
Uma
Igreja que se deixa renovar
35.
Peçamos ao Senhor que liberte a Igreja daqueles que querem envelhecê-la,
ancorá-la ao passado, travá-la, torná-la imóvel. Peçamos também que a livre de
outra tentação: acreditar que é jovem porque cede a tudo o que o mundo lhe
oferece, acreditar que se renova porque esconde a sua mensagem e mimetiza-se
com os outros.
Não!
É jovem quando é ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de
Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada
dia. É jovem quando consegue voltar continuamente à sua fonte.
36.
Certamente nós, membros da Igreja, não precisamos parecer sujeitos estranhos.
Todos nos devem sentir irmãos e vizinhos, como os Apóstolos que «tinham a
simpatia de todo o povo» (At 2, 47; cf. 4, 21.33; 5, 13).
Ao
mesmo tempo, porém, devemos ter a coragem de ser diferentes, mostrar outros
sonhos que este mundo não oferece, testemunhar a beleza da generosidade, do
serviço, da pureza, da fortaleza, do perdão, da fidelidade à própria vocação,
da oração, da luta pela justiça e o bem comum, do amor aos pobres, da amizade
social.
37.
A Igreja de Cristo pode sempre cair na tentação de perder o entusiasmo, porque
deixa de escutar o apelo do Senhor ao risco da fé, a dar tudo sem medir os
perigos, e volta a procurar falsas seguranças mundanas. São precisamente os
jovens que a podem ajudar a permanecer jovem, não cair na corrupção, não parar,
não se orgulhar, não se transformar numa seita, ser mais pobre e testemunhal,
estar perto dos últimos e descartados, lutar pela justiça, deixar-se interpelar
com humildade. Os jovens podem conferir à Igreja a beleza da juventude, quando
estimulam a capacidade «de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada
exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas»[3].
38.
Quantos de nós já não são jovens precisam de ocasiões em que tenham próxima a
voz e o estímulo dos jovens, e «a proximidade cria as condições para que a
Igreja seja espaço de diálogo e testemunho de fraternidade que fascina»[4].
Precisamos
criar mais espaços onde ressoe a voz dos jovens: «A escuta torna possível um
intercâmbio de dons, num contexto de empatia. (…) Ao mesmo tempo, estabelece as
condições para um anúncio do Evangelho que alcance verdadeiramente, de modo
incisivo e fecundo, o coração»[5].
Uma
Igreja atenta aos sinais dos tempos
39.
«Enquanto Deus, a religião e a Igreja não passam de palavras vazias para
numerosos jovens, os mesmos mostram-se sensíveis à figura de Jesus, quando ela
é apresentada de modo atraente e eficaz»[6].
Por
isso é necessário que a Igreja não esteja demasiado debruçada sobre si mesma,
mas procure sobretudo reflectir Jesus Cristo. Isto implica reconhecer
humildemente que algumas coisas concretas devem mudar e, para isso, precisa
recolher também a visão e mesmo as críticas dos jovens.
40.
No Sínodo, reconheceu-se que «um número consistente de jovens, pelos motivos
mais variados, nada pede à Igreja, porque não a consideram significativa para a
sua existência. Aliás, alguns pedem-lhe expressamente para ser deixados em paz,
uma vez que sentem a sua presença como importuna e até mesmo irritante. Muitas
vezes este pedido não nasce dum desprezo acrítico e impulsivo, mas mergulha as
raízes mesmo em razões sérias e respeitáveis: os escândalos sexuais e económicos;
a falta de preparação dos ministros ordenados, que não sabem reconhecer de
maneira adequada a sensibilidade dos jovens; pouco cuidado na preparação da
homilia e na apresentação da Palavra de Deus; o papel passivo atribuído aos
jovens no seio da comunidade cristã; a dificuldade da Igreja de dar razão das
suas posições doutrinais e éticas perante a sociedade actual»[7].
41.
Embora haja jovens a quem agrada ver uma Igreja que se manifesta humildemente
segura dos seus dons e também capaz de exercer uma crítica leal e fraterna,
outros jovens reclamam uma Igreja que escute mais, que não passe o tempo a
condenar o mundo. Não querem ver uma Igreja calada e tímida, mas tão-pouco
desejam que esteja sempre em guerra por dois ou três assuntos que a obcecam. Para
ser credível aos olhos dos jovens, precisa às vezes de recuperar a humildade e
simplesmente ouvir, reconhecer, no que os outros dizem, alguma luz que a pode
ajudar a descobrir melhor o Evangelho. Uma Igreja na defensiva, que perde a
humildade, que deixa de escutar, que não permite ser questionada, perde a
juventude e transforma-se num museu. Como poderá uma Igreja assim receber os
sonhos dos jovens? Embora possua a verdade do Evangelho, isto não significa que
a tenha compreendido plenamente; antes, deve crescer sempre na compreensão
deste tesouro inesgotável[8].
42.
Por exemplo, uma Igreja demasiado temerosa e estruturada pode ser
constantemente crítica de todos os discursos sobre a defesa dos direitos das
mulheres, e apontar constantemente os riscos e os possíveis erros dessas
reclamações. Ao passo que uma Igreja viva pode reagir prestando atenção às
legítimas reivindicações das mulheres, que pedem maior justiça e igualdade;
pode repassar a história e reconhecer uma longa trama de autoritarismo por
parte dos homens, de sujeição, de várias formas de escravidão, abusos e
violência machista. Com este olhar, poderá fazer suas aquelas reclamações de
direitos e dará, convictamente, a sua contribuição para uma maior reciprocidade
entre homens e mulheres, embora não concorde com tudo o que propõem alguns
grupos feministas. Nesta linha, o Sínodo quis renovar o empenho da Igreja
«contra toda a discriminação e violência com base no sexo»[9].
Esta
é a reacção duma Igreja que se mantém jovem e se deixa interpelar e estimular
pela sensibilidade dos jovens.
Franciscus
(Revisão
da versão portuguesa por AMA)
[1]
DF 63.
[2]
Mensagem à humanidade: aos jovens (8 de Dezembro de 1965): AAS 58 (1966), 18.
[3]
Ibidem: o. c., 18.
[4]
DF 1.
[5]
Ibid., 8.
[6] Ibid.,50.
[7] Ibid., 53.
[8] Cf. Conc. Ecum. Vat. II,
Const. dogm. sobre a Revelação divina Dei Verbum, 8.
[9]
DF 150.
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