Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
09/04/2020
A alegria da Quinta-Feira Santa
Como é fácil de explicar agora o clamor incessante dos cristãos diante da Hóstia Santa, em todos os tempos! Canta, ó língua, o mistério do Corpo glorioso e do Sangue precioso que o Rei dos povos, filho do ventre fecundo, derramou para resgate do mundo. É preciso adorar devotamente este Deus escondido. Ele é o mesmo Jesus Cristo que nasceu da Virgem Maria; o mesmo, que padeceu e foi imolado na Cruz; o mesmo, enfim, de cujo peito trespassado jorrou água e sangue.
Este é o sagrado banquete em que se recebe o próprio Cristo e se renova a memória da Paixão e, com Ele, a alma pode privar na intimidade com o seu Deus e possui um penhor da glória futura. Assim, a liturgia da Igreja resumiu, em breve estrofe, os capítulos culminantes da história da ardente caridade que o Senhor tem para connosco.
O Deus da nossa fé não é um ser longínquo, que contempla com indiferença a sorte dos homens, os seus afãs, as suas lutas, as suas angústias. É um pai que ama os seus filhos até ao ponto de enviar o Verbo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a fim, com a sua encarnação, morrer por nós e nos redimir. É ele ainda o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente para Si, mediante a acção do Espírito Santo que habita nos nossos corações.
A alegria da Quinta-Feira Santa parte, portanto, do facto de nós compreendermos que o Criador se desfez em carinho pelas suas criaturas. Nosso Senhor Jesus Cristo, como se já não fossem suficientes todas as outras provas da sua misericórdia, institui a Eucaristia para que possamos tê-Lo sempre perto de nós e porque - tanto quanto nos é possível entender - movido pelo seu Amor, Ele, que de nada necessita, não quis prescindir de nós. A Trindade apaixonou-se pelo homem, elevado à ordem da graça e feito à sua imagem e semelhança, redimiu-o do pecado - do pecado de Adão que se propagou a toda a sua descendência e dos pecados pessoais de cada um - e deseja vivamente morar na nossa alma, como diz o Evangelho: se alguém Me ama, guardará a minha palavra, e Meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada: (Cristo que Passa, 84)
Quaresma
Quaresma
Exame pessoal 7
Há que ter algum cuidado
neste aspecto do "propósito".
Talvez possa haver uma
intenção sincera de o levar a termo mas, é necessário que esse propósito seja
muito concreto fugindo às generalidades.
E também simples para ser
exequível.
Pode ser um propósito
composto, isto é, a levar a cabo por fazes, com tempo, não pretender que seja
tudo feito imediatamente como um objectivo que, em vez de ser
"acessível", se converta num fardo difícil de levar.
Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco
Devemos fazer nossas, por
assimilação, aquelas palavras de Jesus: «desiderio desideravi hoc Pascha
manducare vobiscum», desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco. De
nenhuma forma poderemos manifestar melhor o nosso máximo interesse e amor pelo
Santo Sacrifício, que observando esmeradamente até a mais pequena das
cerimónias prescritas pela sabedoria da Igreja.
E, além do Amor, deve
urgir-nos a "necessidade" de nos parecermos com Jesus Cristo, não só
interiormente, mas também externamente, movendo-nos - nos amplos espaços do
altar cristão - com aquele ritmo e harmonia da santidade obediente, que se
identifica com a vontade da Esposa de Cristo, quer dizer, com a Vontade do
próprio Cristo. (Forja, 833)
Reflexões na Semana Santa – 5ª Feira
Ei-los
à mesa da Ceia que será a última; a grande, a inesquecível Ceia de Páscoa.
Jesus
- tal como fizera já com o pão - acaba de passar o cálice com o vinho, agora transubstanciado
no Seu Sangue Preciosíssimo.
Os
Apóstolos reconhecem a gravidade do momento e a solenidade que o peso das
palavras de Jesus deixa entrever. Não compreendem bem, ou melhor, não alcançam
toda a dimensão do que o Mestre acabara de fazer, mas instintivamente, o
coração que cada um há muito entregou, sem reservas, a Cristo, diz que é algo grande
e transcendente.
A
conversa esbate-se em murmúrios, sente-se a tristeza de Jesus. De súbito aquela
frase inopinada: «Um de vós há-de trair-Me».
Olham-se
uns aos outros, tão pouco seguros estão de si, do seu amor, da sua entrega:
serei eu?
Também
eu me interrogo: serei eu?… Serei eu, meu Deus, quem Te entrega aos Teus
algozes, com as minhas negações, esquecimentos e faltas de toda a ordem? Serei
eu? Eu, que como contigo à mesma mesa que preparasTe para mim, que recebo o Teu
Corpo e o Teu Sangue, diariamente, por uma graça infinita, serei eu?
Decerto
que fui, e sou e serei ainda muitas vezes…. Como me dói pensar nisto, vejo os
Teus olhos tristes fixarem-se em mim num mudo desgosto e espanto. Desgosto
pelas faltas de que sou capaz, espanto porque não esperarias que, depois de Ter
recebido tanto seja tão mal agradecido.
Tudo
isto é uma conversa humana, porque eu sei que Tu sabes muito bem quem eu sou,
desde o princípio de todas as coisas. E eu, pobre de mim, atrevo-me a pensar:
Então se Ele sabe quem sou e como sou e, mesmo assim, me quer, então é porque
de facto me ama e me quer junto dele.
E
esta alegria profunda que me causa esta revelação, afasta para longe a tristeza
solene desta Ultima Ceia e eu levanto-me pronto para cantar o hino da alegria e
da confiança, da esperança e da fé no meu Senhor e no Meu Deus que me salva, me
quer e me redime para sempre.
(AMA, reflexões, 2002)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Participar na Santa Missa.
Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.
Lembrar-me:
Comunhões espirituais.
Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
LEITURA ESPIRITUAL
Cap IX
1 Depois disto, subiu para o barco,
atravessou o mar e foi para a sua cidade. 2 Apresentaram-lhe um paralítico,
deitado num catre. Vendo Jesus a fé deles, disse ao paralítico: «Filho, tem
confiança, os teus pecados estão perdoados.» 3 Alguns doutores da Lei disseram
consigo: «Este homem blasfema.» 4 Jesus, conhecendo os seus pensamentos,
disse-lhes: «Porque alimentais esses maus pensamentos nos vossos corações? 5 Que
é mais fácil dizer: ‘Os teus pecados te são perdoados’, ou: ‘Levanta-te e
anda’? 6 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder
para perdoar pecados - disse Ele ao paralítico: ‘Levanta-te, toma o teu catre e
vai para tua casa.» 7 E ele, levantando-se, foi para sua casa. 8 Ao ver isto, a
multidão ficou dominada pelo temor e glorificou a Deus, por ter dado tal poder
aos homens. 9 Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no
posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me!» E ele levantou-se e seguiu-o. 10 Encontrando-se
Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores
vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos. 11 Os fariseus, vendo isto,
diziam aos discípulos: «Porque é que o vosso Mestre come com os cobradores de
impostos e os pecadores?» 12 Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: «Não são os que
têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. 13 Ide aprender o que
significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os
justos, mas os pecadores.» 14 Depois, foram ter com Ele
os discípulos de João, dizendo: «Porque é que nós e os fariseus jejuamos e os
teus discípulos não jejuam?» 15 Jesus respondeu-lhes: «Porventura podem os
convidados para as núpcias estar tristes, enquanto o esposo está com eles?
Porém, hão-de vir dias em que lhes será tirado o esposo e, então, hão-de
jejuar.» 16 «Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o
remendo puxa parte do tecido e o rasgão torna-se maior. 17 Nem se deita vinho
novo em odres velhos; de contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho e
estragam-se os odres. Mas deita-se o vinho novo em odres novos; e, desta
maneira, ambas as coisas se conservam.» 18 Enquanto Jesus lhes dizia estas
coisas, aproximou-se um chefe que se prostrou diante dele e disse: «Minha filha
acaba de morrer, mas vem impor-lhe a tua mão e viverá.» 19 Jesus,
levantando-se, seguiu-o com os discípulos. 20 Então, uma mulher, que padecia de
uma hemorragia há doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe na orla do
manto, 21 pois pensava consigo: ‘Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes,
ficarei curada.’ 22 Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse-lhe: «Filha, tem
confiança, a tua fé te salvou.» E, naquele mesmo instante, a mulher ficou
curada. 23 Quando chegou a casa do chefe, vendo os flautistas e a multidão em
grande alarido, disse: 24 «Retirai-vos, porque a menina não está morta: dorme.»
Mas riam-se dele. 25 Retirada a multidão, Jesus entrou, tomou a mão da menina e
ela ergueu-se. 26 A notícia espalhou-se logo por toda aquela terra. 27 Ao sair
dali, seguiram-no dois cegos, gritando: «Filho de David, tem misericórdia de
nós!» 28 Ao chegar a casa, os cegos aproximaram-se dele, e Jesus disse-lhes:
«Credes que tenho poder para fazer isso?» Responderam-lhe: «Cremos, Senhor!»
29 Então, tocou-lhes nos olhos, dizendo: «Seja-vos feito segundo a vossa fé.»
30 E os olhos abriram-se-lhes. Jesus advertiu-os em tom severo: «Vede lá, que
ninguém o saiba.» 31 Mas eles, saindo, divulgaram a sua fama por toda aquela
terra. 32 Mal eles se tinham retirado, apresentaram-lhe um mudo, possesso do
demónio. 33 Depois que o demónio foi expulso, o mudo falou; e a multidão,
admirada, dizia: «Nunca se viu tal coisa em Israel.» 34 Os fariseus, porém,
diziam: «É pelo chefe dos demónios que Ele expulsa os demónios.» 35 Jesus percorria
as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do
Reino e curando todas as enfermidades e doenças. 36 Contemplando a multidão,
encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem
pastor. 37 Disse, então, aos seus discípulos: «A messe é grande, mas os
trabalhadores são poucos. 38 Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie
trabalhadores para a sua messe.»
Comentário:
1-8 -
Ter
amigos como este pobre paralítico é um bem inestimável. Querem
o melhor para o seu amigo e não se deixam vencer nem pelas dificuldades ou
circunstâncias desfavoráveis para levarem por diante o que se propõem.Mas,
mais, sabem que Jesus é O Médico Divino que cura todas as doenças e males por
maiores ou graves que sejam, assim, se o que os move é a amizade a Fé em Jesus
é singularmente definitiva para fazerem o que fizeram.Foi
esta Fé que Jesus se deu conta e O levou a actuar imediatamente.O
milagre é, sem dúvida, espectacular, mas, o mais importante é a lição, que –
talvez por isso mesmo – o Senhor quis dar aos circunstantes: a confirmação do
Seu poder, a Sua Divindade.
Há como que uma
aura de excepcional grandeza em todo este episódio que São Lucas também relata embora
com maior detalhe. Grandeza, desde
logo pela demonstração de amizade dos companheiros do paralítico, também pela
docilidade deste em deixar-se conduzir sem receio ou respeito humano pelo
insólito da situação. Grandeza pela
lição que, como sempre, o Senhor dá aos circunstantes numa catequese alicerçada
no exemplo, confirmada pela acção.
Sim! O que é
mais fácil: curar uma doença ou perdoar os pecados? Ambas são
curas, uma do corpo a outra da alma. A primeira pode
constatar-se imediatamente, a outra só pode confirmar-se pela Fé. Uma também pode
ser conseguida pela ciência humana a segunda pertence exclusivamente a Deus.
9-13 -
É
o próprio Mateus que relata o seu encontro com Jesus. Encontro,
talvez fortuito, mas definitivo e decisivo para a sua vida. Será
que – podemos perguntar-nos – já teria ouvido falar de Jesus? Estaria à espera
de O encontrar?Podemos
pensar que sim porque o Senhor acaba sempre por Se encontrar com aqueles que O
procuram e que, talvez, a indecisão tolha de dar o “passo em frente”. Um
dos resultados deste chamamento – e de o mesmo ter sido prontamente aceite –
foi a presença dos colegas de profissão de Mateus no banquete em sua casa. A
simplicidade com que o Senhor os apelida de “pecadores” – como eram tidos pelos
chefes do povo – não os ofende nem afasta, antes lhes confirma a sua vontade de
emendar os erros, corrigir os maus procedimentos.
Jesus
Cristo afirma claramente que: «Eu não vim
chamar os justos, mas os pecadores.» Esta
declaração deve encher-nos de alegria e consolação porque, efectivamente, todos
somos pecadores. E,
Ele, chama-nos constantemente, sem descanso nem tréguas. Procura-nos
onde estivermos sejam quais forem as circunstâncias e, se acaso não damos pela
Sua presença, voltará uma e outra vez até que oiçamos o que tem para nos dizer. Depois…
dependerá exclusivamente de nós acolher ou não o Seu convite para que O
sigamos. Da
escolha que fizermos dependerá, portanto, a nossa salvação eterna.
O
Senhor cruza-se constantemente connosco nos caminhos da vida. De
facto, procura-nos com verdadeiro e legítimo desejo de nos encontrar. Verdadeiro,
desde logo, porque, Ele, é a VERDADE! Legítimo
porque somos – todos os homens – Seus irmãos! O
que faz uma pessoa quando se encontra com um irmão? Pois,
naturalmente, sente uma grande alegria e vontade de conviver, saber o que se
passa com ele, contar-lhe o que se passa consigo. Se
descobrem pontos em comum – como é natural entre irmãos – a convivência
aprofunda-se cada vez mais até se tornaram “inseparáveis”. É o desejo
– íntimo do Senhor – tornar-se “inseparável” do homem que encontra, num
“crescendo de intimidade cada vez mais forte, de uma união sempre crescente até
que, possamos dizer como São Paulo: «Já
não sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim».
Evidentemente
que a “qualificação” de pecadores era, naquele tempo, altamente pejorativa e
muito pouco honesta. De facto, todos
somos pecadores e não aceitar esta realidade é – segundo as palavras do Senhor
- excluir-se dos planos de Deus para a nossa salvação
Este «segue-me» de Cristo deveria conter uma
força e convicção tais que tornavam o convite irresistível como a pronta
resposta de Mateus sugere. Jesus vem ter
connosco onde for e não perde tempo com explicações, convida claramente a
segui-Lo e deixa ao convidado a liberdade de aceitar ou não o convite. E, estes
convidados, quem são? Ele próprio
esclarece: 'não vim chamar os justos mas
os pecadores'. Então, sei,
tenho a certeza, veio chamar-me a mim!
O preconceito é
um dos piores defeitos e frequentemente gera juízos e atitudes que toldam a
justiça e ferem a caridade para com o próximo. Quase sempre
está associado a um orgulho pessoal que leva a um egreijamento próprio que
exclui liminarmente um são critério. Estas pessoas
vão pela vida como sendo detentores da verdade absoluta e consideram-se a si
próprios como modelos e paradigma. A sua visão
distorcida nem sequer os deixa ver nem o ridículo nem o repúdio que normalmente
se desenvolve a sua volta.
35-10.
1, 6-8 -
O milagre do
apostolado é exactamente estarmos dispostos e disponíveis fazer o que convém e
segundo as sugestões que nos são dadas na direcção espiritual. Milagre porque é
o Espírito Santo que nos urge e insinua a vencer a nossa resistência e, não
poucas vezes, apatia. Sim, é sempre
preciso um esforço da nossa parte em dar o que recebemos de graça, em trazer
outros para o reino de Deus.
27-31 -
Não
há outro caminho para conseguir do Senhor o que pedimos: Ter Fé! Aliás,
não faria muito sentido pedir algo sem ter a certeza de que Ele no-lo pode
conceder. Mas,
ter fé, não é algo adrede, que se tem “mais ou menos”. Ter fé – e tenhamos bem
claro que a Fé só Deus a pode dar – é acreditar sem reservas ou dúvidas no
poder de Deus e na Sua infinita misericórdia de nos conceder o que pedimos.
É
algo enigmática esta recomendação de Jesus: «Tende cuidado, para que ninguém o
saiba» Talvez
Jesus achasse que não seria conveniente que quem O procurasse o fizesse movido
pela curiosidade do milagre que efectuara. Cristo
não quer atrair as pessoas como “milagreiro” mas unicamente como o Salvador, o
Messias de Deus. Os
milagres se bem que convenientes para consolidar a fé das pessoas, não podem
ser o essencial da Sua missão que é, como bem sabemos, a conversão dos homens
ao Reino de Deus.
36-38 -
O
Senhor olha para a vastidão do mundo e os milhões de almas que não O conhecem
porque nunca ouviram falar a Seu respeito e sente uma enorme compaixão. Vê,
também, os muitos milhões de homens e mulheres atraídos por falsos profetas que
prometem o que não podem e acenam com maravilhosas profecias. Talvez que,
estes, sejam os mais dignos de dó. São
necessários homens e mulheres dedicados a evangelizar usando os meios que
melhor se adaptem à sua maneira de ser, à sua vida pessoal, à sua cultura e
conhecimentos. Não
são tão necessários “pregadores” esclarecidos e inflamados como pessoas de
todas as condições e origens que, no meio em que vivem, transmitam, sobretudo
pelo exemplo, as verdades da Fé Cristã, e conduzam por caminhos seguros os que
não sabem onde ir – hesitam – para alcançar o que é o “fim último” de qualquer
ser humano: A
salvação!
O Senhor foi o
primeiro a “arregimentar” os trabalhadores para a Sua messe, deu-nos o exemplo. Foi uma escolha
pessoal do Fundador da Igreja, do Dono da messe que é o mundo. Aqueles
primeiros Doze empenharam-se totalmente nesse trabalho e, o resultado, está à
vista: três séculos de evangelização sem paragens nem tréguas até aos confins
do mundo. Do exemplo
destes homens e mulheres dedicados e empenhados em espalhar a Palavra de Deus
temos de tirar lições para a nossa vida e pensar – seriamente pensar – que não
estamos excluídos, ninguém está dispensado - deste trabalho na Messe Divina. Com os meios e
capacidades que temos sob a direcção de guias seguros e de são critério,
conseguiremos trabalhar de forma tal que os frutos abundantes surgirão, para
glória de Deus e nossa salvação.
14-15-
Estar
com Jesus é viver a alegria mais completa que se pode aspirar. O
jejum - prática corrente de sacrifício – não é motivo de tristeza mas sim de
mortificação. Subentende-se
que, como refere noutro local, o Senhor criticava os fariseus pela publicidade
que faziam do seu jejum chegando a desfigurar o rosto para tornar mais
convincente a sua privação. O
jejum é algo muito sério mas quando feito discretamente e com moderação, para
ser “visto” por Deus e não constatação pública.
14-17 -
A
Liturgia prossegue a proclamação do capítulo 9 do Evangelho escrito por São
Mateus. É um capítulo de perguntas feitas pelos fariseus e chefes do povo
perguntas essas que escondem crítica, preconceito e animosidade. Parece-me
que o Senhor gosta dessas perguntas em primeiro lugar, talvez, porque embora
deformadas como já disse, são o desabafo de quem se sente, de alguma forma
perplexo; depois porque Lhe dá o ensejo de, ao responder-lhes, ensinar,
doutrinar, pôr as coisas no seu devido lugar. Este
Mestre Divino, tem uma paciência infinita e vai repetindo uma e outra vez os
ensinamentos fundamentais para esclarecimento das gentes que O rodeiam.
Os tempos são
outros, é o que Jesus quer que entendam. Como se
dissesse: ‘Chegou, está a
chegar comigo, outro tempo em que a Lei será renovada e aperfeiçoada. Será um tempo
de concretização e não de expectativa como este que tendes vivido. Virá um novo
reino aberto a todos sem excepção.’
As relações do
homem com Deus são sempre novas porque a vida evolui e assim a fé. Esta aumenta,
fortalece-se, fica mais esclarecida. E o que é
natural e assim deve ser. Não se trata de
uma atitude nova, mas diferente porque mais consciente e, mais consciente
porque melhor informada. Não se trata
der ir pondo remendos, acrescentar o quer que seja, mas, apenas considerar que
convém ao cristão estar ao par das mais recentes propostas duo Magistério.
Jejuar é uma
prática muito aconselhada por todos os directores espirituais como uma salutar
medida para fortalecer a temperança. Esta virtude
fundamental para o cristão, não se resume ao jejum, mas a toda a forma de viver
e comportar-se não apenas consigo próprio, mas sobretudo com os outros.
18-26 -
Como
se pode ver não é justo considerar os chefes do povo de Israel, neste caso um
chefe de Sinagoga, todos da mesma forma. Aqui,
neste trecho de São Mateus, fica bem claro que algumas das maiores
manifestações de fé em Jesus Cristo vêm precisamente dessa classe social. Impressiona,
de facto, a fé deste homem que diz com toda a clareza: «Minha filha acaba de morrer, mas vem
impor-lhe a tua mão e viverá.» Uma
fé assim não pode senão mover o Coração amantíssimo de Jesus levando-o a fazer
o que Se Lhe pede.
São Mateus tem
como principal preocupação escrever a sua versão do Evangelho para o povo judeu
e demonstrar o poder de Jesus Cristo como poder divino, isto é, que, de facto,
Ele é o Filho de Deus. Daí que a
descrição que faz dos milagres realizados por Jesus é feita com o rigor de um cronista,
isto é, na sequência em que, de facto aconteceram.
Neste trecho
tal é bem visível a caminho de acudir a uma súplica de um homem importante,
Jesus detém-se para atender uma pobre mulher em sofrimento. Como se fosse
uma prática habitual, corrente, na vida diária do Senhor e, de facto, noutras
ocasiões, nem sequer descreve os milagres portentosos limitando-se a dizer que
«curou a todos». (Cfr. Mt 8, 16)
Comentado
exaustivamente este trecho de São Mateus (Mt 9, 18-26) nunca deixa
de nos sugerir novos pontos de reflexão. Ao juntar estes
dois milagres o evangelista tem uma intenção clara: Destacar o
poder da fé e a eficácia da confiança em Jesus seja qual for a situação com que
nos deparamos. Curar uma
doença longa e grave ou ressuscitar alguém que morreu estão perfeitamente ao
alcance do poder divino de Cristo. Pedir e
confiar, confiar e pedir é quanto temos de fazer.
Podemos
perguntar a razão que levou o Evangelista a relatar num mesmo episódio dois
milagres operados por Jesus. Penso que a
intenção é justamente essa: Jesus é como que "urgido" a actuar movido
pelos sentimentos do Seu Coração Amantíssimo independentemente das
circunstâncias. Curar uma
doença persistente e limitadora ou ressuscitar alguém não são milagres
diferentes na importância ou magnitude. Para Cristo a
"importância" não existe nem a graça dispensada é maior ou menor mas
sim proporcional à Sua Suprema Justiça e ao Seu Amor pelos homens.
32-38 -
O demónio
dominava aquele pobre homem de tal forma que este não podia falar. Acontece-nos também a nós quando nos fechamos e, por
um motivo qualquer - o mais frequente são os respeitos humanos - não
confessamos as nossas faltas. É chamado "demónio mudo" contra o qual
devemos lutar com todas as nossas forças.
Os
sacerdotes trabalhadores por excelência da Messe do Reino de Deus, devem
merecer-nos mais que profundo respeito mas também o nosso apoio incondicional. Mais importante ainda são as
nossas orações por eles pedindo as graças e virtudes que tanto necessitam. Que sejam santos e guiem o
povo de Deus com segurança e bom critério.
O
dever que os cristãos têm de pedir a Deus vocações sacerdotais fica bem
expresso neste texto. Não
será tanto o pedir para que Deus sugira vocações mas, sobretudo, para que esses
que alguma vez sentiram o apelo do Senhor, tenham a coragem e determinação para
responder afirmativamente. Os
trabalhadores da messe de Deus têm as suas tarefas, o seu múnus, muito claro e
específico, trata-se, em última instância de servir activa e dedicadamente o
Reino de Deus. Estou
pessoalmente convencido que muitos que recusam esse apelo se conhecessem
verdadeiramente a grandeza da tarefa que lhes é pedida se apressariam a
corresponder.
35 -10 -
São
Mateus exagera quando escreve: «curando todas as enfermidades e doenças»? O
Evangelista conta o que viu, não inventa ou exagera. O
Médico Divino não deixa de acudir a quem a Ele recorre e, pela Sua enorme
bondade e misericórdia, transmite esse poder aos Doze que escolhe.
08/04/2020
Quaresma
Exame pessoal 6
Há duas posições que parecem
antagónicas mas, de facto não são.
A primeira é considerar-se
um desgraçado cheio de defeitos e debilidades incapaz de merecer o que for.
A segunda é ter-se como
alguém impecável que procede bem e credor de reconhecimento das suas
qualidades.
Como dizia parecem
antagónicas, mas na verdade têm pelo menos um ponto em comum: ambas são
exageradas e fogem à realidade.
Quando se tem uma
consciência bem formada, isto é, se consegue quase sem esforço distinguir o bem
do mal - não no sentido abstracto ou subjectivo mas no aspecto simples e formal
- o que pode ser conveniente ou o que não interessa, temos com certeza
facilidade em fazer exame.
Por exemplo:
O fiz hoje de bom?
O que fiz mal?
O que podia ter evitado?
O que deveria fazer melhor?
Perguntas simples e
concretas que requerem respostas ao mesmo nível.
Ah e sempre – condição
sine-qua-non, com honestidade intelectual.
Depois, naturalmente, como
consequência lógica, surgirá um propósito, um desejo de melhoria que pode
incluir compromisso de correcção.
(AMA,
reflexões, 2018)
Temas para reflectir e meditar
A dignidade do trabalho vem expressa num salário justo, base de toda a
justiça social; inclusive no caso em que se trate de um contrato livre, pois,
ainda que o salário estipulado fosse conforme a letra da lei, isto não legitima
qualquer retribuição que se acorde.
E se quem contrata (o director de uma academia, o construtor, o patrão, a
dona de casa…) quisesse aproveitar-se de uma situação em que houvesse excedente
de mão-de-obra, por exemplo, para pagar uns salários contrários à dignidade das
pessoas, ofenderia essas pessoas e o seu Criador, pois estas têm um direito
natural irrenunciável aos meios suficientes para a manutenção própria e a das
suas famílias, que está acima do direito da livre contratação.
(São Paulo VI, Encíclica Populorum
progressio, 1967.03.24, nr. 59)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos
Comunhão dos Santos. – Como to hei-de dizer? – Sabes o que são as
transfusões de sangue para o corpo? Pois assim vem a ser a Comunhão dos Santos
para a alma. (Caminho, 544)
Vivei uma particular Comunhão dos Santos: e cada um sentirá, à
hora da luta interior, e à hora do trabalho profissional, a alegria e a força
de não estar só. (Caminho,
545)
Aqui estamos, consummati in
unum, em unidade de petição e de intenções, dispostos a começar este tempo
de conversa com o Senhor com renovado desejo de sermos instrumentos eficazes
nas suas mãos. Diante de Jesus Sacramentado – como gosto de fazer um acto de fé
explícita na presença real do Senhor na Eucaristia! – fomentai nos vossos
corações o desejo de transmitir, pela vossa oração, um impulso fortíssimo que
chegue a todos os lugares da terra, até ao último recanto do planeta, onde
houver alguém gastando a sua existência ao serviço de Deus e das almas. Com
efeito, graças à inefável realidade da Comunhão dos Santos, somos solidários –
cooperadores, diz S. João – na tarefa de difundir a verdade e a paz do Senhor. (Amigos de Deus, 154)
Pequena agenda do cristão
PEQUENA AGENDA DO CRISTÃO
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
Quarta-Feira Santa
«Porventura sou eu, Mestre?»
E esta pergunta que faço minha,
Atormenta-me a alma.
Enraíza-se como erva daninha,
Tira-me a paz e a calma
Fico distante e absorto!
Serei eu, Senhor?
Esse que Te trai todos os dias
Fazendo mal que não quero
Não fazendo o bem que devo?
Serei eu, Senhor?
E… quase me atrevo
E sendo, por uma vez, sincero,
Dir-te-ei:
Ah! Se não me ajudas,
Como Judas,
Trair-te-ei!
(AMA, Quarta-Feira Santa, 2013.03.27)
LEITURA ESPIRITUAL
COMENTANDO OS EVANGELHOS
Cap. VIII
1 Ao descer do monte, seguia-o uma
enorme multidão. 2 Foi, então, abordado por um leproso que se prostrou diante
dele, dizendo-lhe: «Senhor, se quiseres, podes purificar-me.» 3 Jesus estendeu
a mão e tocou-o, dizendo: «Quero, fica purificado!» No mesmo instante, ficou
purificado da lepra. 4 Jesus, porém, disse-lhe: «Vê, não o digas a ninguém; mas
vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta que Moisés preceituou, para
que lhes sirva de testemunho.» 5 Entrando em Cafarnaúm,
aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos: 6 «Senhor, o meu
servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente.» 7 Disse-lhe Jesus: «Eu
irei curá-lo.» 8 Respondeu-lhe o centurião: «Senhor, eu não sou digno de que
entres debaixo do meu tecto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado.
9 Porque eu, que não passo de um
subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a
outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz.» 10 Jesus, ao
ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: «Em verdade vos digo: Não
encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! 11 Digo-vos que, do Oriente e do
Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob,
no Reino do Céu, 12 ao passo que os filhos do Reino serão lançados nas
trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.» 13 Disse, então,
Jesus ao centurião: «Vai, que tudo se faça conforme a tua fé.» Naquela mesma
hora, o servo ficou curado. 14 Entrando em casa de Pedro, Jesus viu que a sogra
dele jazia no leito com febre. 15 Tocou-lhe na mão, e a febre deixou-a. E ela,
levantando-se, pôs-se a servi-lo. 16 Ao entardecer, apresentaram-lhe muitos
possessos; e Ele, com a sua palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que
estavam doentes, 17 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores. 18 Vendo Jesus em
torno de si uma grande multidão, decidiu passar à outra margem. 19 Saiu-lhe ao
encontro um doutor da Lei, que lhe disse: «Mestre, seguir-te-ei para onde quer
que fores.» 20 Respondeu-lhe Jesus: «As raposas têm tocas e as aves do céu têm
ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.» 21 Um dos
discípulos disse-lhe: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar o meu pai.» 22 Jesus,
porém, respondeu-lhe: «Segue-me e deixa os mortos sepultar os seus mortos.» 23 Depois
subiu para o barco e os discípulos seguiram-no. 24 Levantou-se, então, no mar,
uma tempestade tão violenta, que as ondas cobriam o barco; entretanto, Jesus
dormia. 25 Aproximando-se dele, os discípulos despertaram-no, dizendo-lhe:
«Senhor, salva-nos, que perecemos!» 26 Disse-lhes Ele: «Porque temeis, homens
de pouca fé?» Então, levantando-se, falou imperiosamente aos ventos e ao mar, e
sobreveio uma grande calma. 27 Os homens, admirados, diziam: «Quem é este, a
quem até o vento e o mar obedecem?» 28 Chegado à outra margem, à região dos
gadarenos, vieram ao seu encontro dois possessos, que habitavam nos sepulcros.
Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29 Vendo-o,
disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui
atormentar-nos antes do tempo?» 30 Ora, andava a pouca distância dali, a
pastar, uma grande vara de porcos. 31 E os demónios pediram-lhe: «Se nos
expulsas, manda-nos para a vara de porcos.» 32 Disse-lhes Jesus: «Ide!» Então,
eles, saindo, entraram nos porcos, que se despenharam por um precipício, no
mar, e morreram nas águas. 33 Os guardas fugiram e, indo à cidade, contaram
tudo o que se tinha passado com os possessos. 34 Toda a cidade saiu ao encontro
de Jesus e, vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse daquela região.
Comentários:
1-4 -
Impressiona este diálogo tão simples entre o pobre
leproso e Jesus Cristo. Não são necessárias nem muitas palavras nem grandes
gestos. Uma afirmação de fé: «Se quiseres»!
Não
há pior lepra que o pecado. Se nos fosse dado ver o mal, o horror que constitui
a ferida aberta no Coração de Jesus por um pecado nosso ficaríamos arrepiados e
aturdidos.E, no entanto, como neste trecho do Evangelho, o Senhor estende a Sua
mão e toca-nos.Mais, humilha-se num pouco de pão consagrado e oferece-se como
alimento!Diria que, de facto, somos “curados” cada vez que recebemos a Comunhão
Eucarística, não prostrados como o leproso do Evangelho, mas com toda a vénia,
respeito e compunção que o nosso amor por Jesus nos obriga e sugere.
Com o Senhor
tudo é simples e claro.
A gente diz-lhe o que deseja sem duvidar um segundo
que Ele o pode fazer.
E se o pedido ê justo e a Fé verdadeira Ele nos dará o
que pedimos.
Sem dúvida que
este leproso fez o seu pedido da forma mais correcta e - atrevo-me – eficaz,
para obter o que desejava.
Mostra a sua confiança no poder de Jesus e na Sua
infinita misericórdia.
Reparemos bem:
Pede o que deseja com simplicidade sem se alongar em
palavras ou justificações desnecessárias, porque sabe, acredita, confia, que o
Senhor conhece o que ele precisa e tem o poder e o desejo de lho conceder.
5-11 -
Não
podemos deixar de reagir a este trecho de São Mateus! Reagir, naturalmente, com
admiração enorme e, ao mesmo tempo, surpresa. Admiração por constatar – como de
resto o próprio Jesus o afirma – uma fé tão profunda que traduz uma confiança
total e absoluta no poder de Jesus Cristo por parte de um homem que nem sequer
é considerado como “um crente”. Surpresa porque este homem – de posição
destacada – se preocupa e sofre com a saúde de um subalterno seu, contrariando
todos os sentimentos – comuns, sobretudo naquela época – em o que os “patrões”,
ou “senhores” tratavam os subalternos com profundo desprezo. Mais uma vez, vem
ao de cima a absoluta necessidade de sermos – os cristãos – pessoas se são
critério e isentos de preconceitos ou reservas em relação aos outros.
Este
acontecimento – que supomos ser o mesmo – é relatado de forma diferente por
outro evangelista, mas, o que interessa não é o pormenor, mas sim a
extraordinária lição de fé daquele homem que procura Jesus. Não é um judeu nem
sequer se poderia considerar um “crente” no sentido que lhe davam os chefes do
povo daquela época, e, por isso mesmo, constatamos que o Senhor não faz acepção
de pessoas e que ter fé não é privilégio de alguns, mas um dom que Deus concede
a quem muito bem entende. E a fé deste homem está alicerçada – profundamente –
no seu coração misericordioso porque o que pede não é para si, porque não se considera
digno, mas para um servo, um subalterno.
5-17
-
Jesus cura
todos os que a Ele recorrem com Fé e Confiança.
Não precisa de grandes manifestações porque o Seu
Coração Amantíssimo e Misericordioso vibra e comove-se com as necessidades e
carências dos Seus irmãos os homens. Pois se Ele deu a Sua vida por nós como
não fará o que lhe pedir-mos?
Estamos habituados, por assim dizer, aos pormenorizados
relatos que São Mateus faz da actividade diária de Jesus. Incansavelmente
percorre lugar após lugar, povoação após povoação movido pelo desejo de
encontrar quem precise da Sua assistência, conselho, auxílio. Na verdade, todos
precisam de algo e sabem que, Jesus pode satisfazer e atender as suas
necessidades.
Ao ler este
trecho do Evangelho de São Mateus, ficamos praticamente sem palavras porque a
Liturgia, seguramente com um objectivo muito concreto, quer dar-nos uma imagem
do verdadeiro Jesus Cristo Nosso Senhor e das suas relações com os homens.
Um milagre portentoso: A cura do servo do centurião;
outro de escasso relevo: A cura da sogra de Pedro; e, depois as curas incontáveis - todos os doentes o procuravam - e a
expulsão dos demónios. Ou seja, o poder de Jesus não tem nem medida nem obedece
a outro critério que não seja a Sua infinita misericórdia.
18, 22 -
Jesus Cristo
sendo Deus todo poderoso não tem nada de Seu nem sequer " onde reclinar a
cabeça"! Que chefe é este que espera seguidores fiéis e entusiasmados? Não
haverá algo que poderíamos chamar "visionário?" Seguramente que sim! O
Senhor é um visionário, um entusiasta que acredita nos homens e deseja
absolutamente os homens acreditem nele e O sigam. Porquê? Porque só se o
fizerem poderão salvar-se.
Quando, na vida
corrente, nos propõem algo, a nós cabe-nos ter uma de duas atitudes: aceitar ou
recusar. Não obtemos nenhum resultado positivo por tentar emitir as nossas
condições de acordo com as conveniências próprias. Quem o faz é quem faz a
proposta, o convite, porque, naturalmente, é quem sabe o que pretende de nós, o
que deseja que façamos. Assim com o chamamento que Cristo faz pessoalmente a
cada um em particular. Ele sabe para que nos quer, para que nos chama.
Uma pessoa séria de bom critério quando é chamada só tem
uma de duas respostas: Sim, aceito! Ou: Não,
recuso! Estamos a considerar o chamamento divino que num momento qualquer da
nossa vida o Senhor não deixará de nos fazer. Em primeiro lugar, ser chamado é
uma honra e um privilégio que, só por si, deveria ser mais que suficiente para
o nosso acolhimento imediato; depois considerando Quem chama não nos deve
preocupar para quê ou porquê porque só pode ser bom e conveniente para nós.
23-27 -
A
resposta de Jesus aos discípulos aterrados com a procela tem toda a razão de
ser. Talvez pudesse acrescentar: ‘Eu não estou aqui convosco? Como podeis
temer?’ Mas, como se vê pelo texto eles não tinham, ainda fé suficiente no
Senhor.Por isso ficam admirados com o poder do Senhor. Nós, também, não temos
nada a temer porque se o Senhor está connosco, na nossa alma em graça, nada –
absolutamente – nos poderá fazer mal. Confiar na Sua Infinita Misericórdia
SEMPRE, mesmo quando parece que está ausente, desinteressado ou a dormir.
Perante situações extremas - guerras, cataclismos da
natureza, perseguições e violências de toda a ordem, somos, por vezes, levados
a exclamar: Senhor, onde estás? Dormes? Não Te importas? Este “grito”
explica-se, é natural. Somos humanos e reconhecemos a nossa impotência. Mas,
Ele, não, pode tudo, é o Senhor de tudo. Não Se enfadará com o nosso “grito”,
bem ao contrário, actuará com a urgência que julgar conveniente.
28-14 -
Disseram em alta voz: «Que tens a ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos
antes do tempo?» Por aqui se vê que o demónio não só sabia quem era Jesus
como conhecia o que a Sua vinda à terra significava: que o domínio, quase
discricionário, que exercia sobre a humanidade, iria terminar com a instauração
do Reino de Deus.
28-34 -
O
demónio não tem outro objectivo senão fazer o mal. Ao pedirem a Jesus que os
enviasse para a vara dos porcos, precipitando-se no mar, como que quiseram
demonstrar que os gadarenos não acreditavam em Jesus Cristo, dando maior
importância aos bens materiais que à vida humana. E o Senhor não sabia o que
iria acontecer? Evidentemente que sim, Ele sabe tudo, mas não podia permitir
que acreditassem nele pela confissão do demónio que é o pai da mentira.
Muitos comentários se têm escrito sobre este trecho do
Evangelho. Talvez sem querer, ficamos algo decepcionados com Jesus ter
permitido que os demónios entrassem nos porcos com o resultado que se sabe. Talvez
possamos tirar duas ou três ilacções: A primeira é a confirmação que o demónio
existe o que, muitos, insistem em negar; A segunda será que Cristo não poderia
consentir que acreditassem nele pelo testemunho do demónio, que é o pai da
mentira; A terceira é a completa inversão de valores do gadarenos que dão mais
importância a perda dos porcos que à recuperação da saúde do seu conterrâneo; E,
uma quarta, - talvez a mais inesperada – é a sua reacção pedindo a Jesus que se
afaste do seu território, sem procurar compreender, sem fazer uma pergunta, se,
sequer, considerar o extraordinário do acontecimento. Preferem, de facto,
fechar os olhos e os ouvidos e ignorar o
que foi tão patente perante todos.
Já o dissemos: O Senhor não podia consentir que a Sua
Pessoa: Jesus Cristo fosse revelada pelo demónio que é o Pai da mentira. O
episódio com a vara de porcos revela claramente a maldade e desprezo do
tentador. Fica bem claro que dele só se pode esperar o mal e o ódio.
(AMA,
2018)
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