22/02/2020

NUNC COEPI

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Amemos a direcção espiritual!


Abriste sinceramente o teu coração ao teu Director, falando na presença de Deus... E foi maravilhoso verificar como tu sozinho ias encontrando resposta adequada às tuas próprias tentativas de evasão. Amemos a direcção espiritual! (Sulco, 152)

Conhecem muito bem as obrigações do vosso caminho de cristãos, que os hão-de levar sem parar e com calma à santidade; também estão precavidos contra as dificuldades, praticamente contra todas, porque já se vislumbram desde o princípio do caminho. Agora insisto em que se deixem ajudar e guiar por um director de almas, a quem confiem todos os entusiasmos santos, os problemas diários que afectarem a vida interior, as derrotas que sofrerem e as vitórias.

Nessa direcção espiritual mostrem-se sempre muito sinceros: não deixem nada por dizer, abram completamente a alma, sem medo e sem vergonha. Olhem que, se não, esse caminho tão plano e tão fácil de andar complica-se e o que ao princípio não era nada acaba por se converter num nó que sufoca.

(...) Lembram-se da história do cigano que se foi confessar? Não passa de uma história, de uma historieta, porque da confissão nunca se fala e, além disso, estimo muito os ciganos. Coitadinho! Estava realmente arrependido: Senhor Padre, acuso-me de ter roubado uma arreata... – pouca coisa, não é? – e atrás vinha uma burra...; e depois outra arreata...; e outra burra... e assim até vinte. Meus filhos, o mesmo acontece no nosso comportamento: quando cedemos na arreata, depois vem o resto, a seguir vem uma série de más inclinações, de misérias que aviltam e envergonham; e acontece o mesmo na convivência: começa-se com uma pequena falta de delicadeza e acaba-se a viver de costas uns para os outros, no meio da indiferença mais gelada. (Amigos de Deus, 15)


THALITA KUM 109


THALITA KUM 109 

(Cfr. Lc 8, 49-56)


Coração de Jesus!

Como te moves, Senhor, pelo Teu Coração!

E, ainda bem, para nós homens, que tens um coração de carne como o nosso, um coração humano com todas as virtudes e capacidades de um coração puro e humilde.

Como gostas de Te chamar a Ti mesmo: «manso e humilde de coração[1]

O que espanta é que, considerando o Teu Poder Omnipotente, se possa pensar que, o homem que tem este Poder, tem um coração manso e humilde.

Manso porque não sabe o que é rebelar-se contra a vida, contra os outros; porque só sabe acatar a Vontade Divina em todas as coisas e em todas as circunstâncias, deixando-Se guiar pelas inspirações que o Espírito Santo Lhe envia a cada momento.

Manso, porque se “encolhe” gratuitamente para que não sobressaia senão a Vontade do Pai, numa atitude de submissão e entrega totais e perfeitas.
Manso, porque acata como o melhor, tudo aquilo que Lhe é sugerido pelo Senhor da Vida.
Manso, finalmente, porque os Seus únicos sentimentos são o amor pelos outros com total desprendimento de Si Mesmo.

Coração humilde porque voluntariamente Se reduz a uma dimensão humana quando a Sua essência é divina.
Humilde quando Se comprime na tristeza que Lhe causa a animosidade dos homens.
Humilde porque é esmagado e amarfanhado pelas Suas mãos chagadas para Se oferecer aos homens, a todos os homens.

Quantas vezes me ocorre aquela conhecidíssima jaculatória “Jesus, faz com que tenha um coração igual ao Vosso” e, na verdade, o que quero e devo dizer será:

«Jesus, toma o meu coração e faz dele o que Te aprouver que, eu, não sei o que hei-de fazer com ele.» [2]


(AMA, reflexões).






[1] Cfr. Mt 11, 29.
[2] AMA, orações pessoais

Evangelho e comentário


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Cadeira de São Pedro

Evangelho: Mt 16, 13-19

Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».

Comentário:

Eu, como Pedro, creio firmemente que Tu és Deus, meu Salvador e Redentor, que amo com todas as veras do meu coração, que sigo com incondicional entrega até ao momento que queiras chamar-me definitivamente para junto de Ti.

Como anseio por esse momento, Senhor!

Vultum Tuum requiram, Domine!

(AMA, comentário sobre Mt 16, 13-19, 28.06.2017)


Leitura espiritual


Novo Testamento

Cartas de São Paulo

Carta a Tito

Tt 2

Qualidades dos anciãos e dos jovens –

1 Tu, porém, ensina o que é conforme à sã doutrina. 2 Os anciãos sejam sóbrios, dignos, prudentes, firmes na fé, na caridade e na paciência. 3 Do mesmo modo, as anciãs tenham um comportamento reverente, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras de virtude, 4 a fim de ensinarem as jovens a amar os maridos e os filhos, 5 a serem prudentes, castas, boas donas de casa e dóceis aos maridos, de modo que a palavra de Deus não seja difamada. 6 Exorta igualmente os jovens a serem moderados, 7 apresentando-te em tudo a ti próprio como exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de dignidade, 8 de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários fiquem confundidos, por não terem nada de mal a dizer de nós.

Os escravos (1 Tm 6,1-2; 1 Pe 2,18-25)

9 Exorta os escravos a serem em tudo dóceis aos seus senhores, procurando agradar-lhes em tudo e não os contradizendo 10 nem defraudando, mas mostrando-se totalmente leais, a fim de honrarem em tudo a doutrina de Deus nosso Salvador. 11 Com efeito, manifestou-se a graça de Deus, portadora de salvação para todos os homens, 12 para nos ensinar a renúncia à impiedade e aos desejos mundanos, a fim de vivermos no século presente com sobriedade, justiça e piedade, 13 aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. 14 Ele entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar e constituir um povo de sua exclusiva posse e zeloso na prática do bem. 15 Assim é que deves falar, exortar e repreender com toda a autoridade. E que ninguém te despreze.



Doutrina – 523


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
Compêndio



SEGUNDA SECÇÃO

OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA

CAPÍTULO SEGUNDO

OS SACRAMENTOS DA CURA


306. Porque é que os pecados veniais podem ser também objecto da confissão sacramental?


A confissão dos pecados veniais é muito recomendada pela Igreja, embora não estritamente necessária, porque nos ajuda a formar uma consciência recta e a lutar contra as más inclinações, para nos deixarmos curar por Cristo e progredirmos na vida do Espírito.

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?




21/02/2020

NUNC COEPI

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Ide a José e encontrareis Jesus


Ama muito S. José, quer-lhe com toda a tua alma, porque é a pessoa que, com Jesus, mais amou Santa Maria e quem mais conviveu com Deus: quem mais o amou, depois da Nossa Mãe. Merece o teu carinho e convém-te dar-te com ele, porque é Mestre de vida interior e pode muito ante Nosso Senhor e ante a Mãe de Deus. (Forja, 554)

José foi, no aspecto humano, mestre de Jesus; conviveu com Ele diariamente, com carinho delicado, e cuidou dele com abnegação alegre. Não será esta uma boa razão para considerarmos este varão justo, este Santo Patriarca, no qual culmina a Fé da Antiga Aliança, Mestre de vida interior? A vida interior não é outra coisa senão o convívio assíduo e intimo com Cristo, para nos identificarmos com Ele. E José saberá dizer-nos muitas coisas sobre Jesus. Por isso, não deixeis nunca de conviver com ele; ite ad Joseph, como diz a tradição cristã com uma frase tomada do Antigo Testamento.

Mestre da vida interior, trabalhador empenhado no seu trabalho, servidor fiel de Deus em relação contínua com Jesus: este é José. Ite ad Joseph. Com S. José o cristão aprende o que é ser Deus e estar plenamente entre os homens, santificando o mundo. Ide a José e encontrareis Jesus. Ide a José e encontrareis Maria, que encheu sempre de paz a amável oficina de Nazaré. (Cristo que passa, nn. 56)

A Igreja inteira reconhece S. José como seu protector e padroeiro. Ao longo dos séculos tem-se falado dele, sublinhando diversos aspectos da sua vida, sempre fiel à missão que Deus lhe confiara. Por isso, desde há muitos anos, me agrada invocá-lo com um título carinhoso: Nosso Pai e Senhor.

S. José é realmente Pai e Senhor, protegendo e acompanhando no seu caminho terreno aqueles que o veneram, como protegeu e acompanhou Jesus enquanto crescia e se fazia homem. (Cristo que passa, nn. 39)


THALITA KUM 108


THALITA KUM 108

(Cfr. Lc 8, 49-56)


 O coração

O Coração de Cristo é, também, um coração humano, que se enternece, que estremece de alegria, que, por vezes, se encolhe com a tristeza. Temos, no Evangelho, tantos exemplos do coração humano de Cristo!

«O forno arde. Ao arder, queima todo o material, seja lenha ou outra matéria facilmente combustível.
O Coração de Jesus, o Coração humano de Jesus, queima com o amor que o enche. E este é o amor ao Pai Eterno e o amor aos homens: as filhas e os filhos adoptivos.
O forno, queimando, pouco a pouco apaga-se. O Coração de Jesus, ao contrário, é forno inextinguível. Nisto parece-se com a “sarça ardente” do Êxodo, em que Deus Se revelou a Moisés. A sarça ardia com o fogo, mas... não se consumia. [1]

Efectivamente, o amor que arde no Coração de Jesus é sobretudo o Espírito Santo, no qual Deus-Filho se une eternamente ao Pai. O Coração de Jesus, o Coração humano de Deus-Homem, está abrasado pela chama viva do Amor trinitário, que jamais se extingue.
Coração de Jesus, forno ardente de caridade. O forno, enquanto arde, ilumina as trevas da noite e aquece os corpos dos viajantes inteiriçados com o frio.

Hoje queremos pedir à Mãe do Verbo Eterno, para que no horizonte da vida de cada uma e cada um de nós não cesse nunca de arder o Coração de Jesus, forno ardente de caridade. Para que Ele nos revele o amor que não se extingue nem se deteriora jamais, o Amor que é eterno. Para que ilumine as trevas da noite terrena e aqueça os corações.
Dando-Lhe as graças pelo único amor capaz de transformar o mundo e a vida humana, dirigimo-nos com a Virgem Imaculada, no momento da Anunciação ao Coração Divino que não cessa de ser forno ardente de caridade. Ardente: como a sarça que Moisés viu ao pé do monte Horeb.» [2]

Quando não sabemos o que fazer com o nosso coração, porque se rebela contra o que nem por ser justo nos agrada, se entristece sem motivo justificado, quando parece que não nos obedece, que tem vida própria, entreguemo-lo a Jesus, Ele sabe o que fazer com ele.

 «Nestes breves minutos na Tua presença, real, verdadeira, no Santíssimo Sacramento presente no Sacrário, deixo o meu coração vir para fora do peito, aperto-o nas minhas mãos e ofereço-to todo inteiro, assim, amarfanhado pelas minhas mãos, num gesto simbólico da completa entrega de todas as minhas preocupações, inquietudes e medos.
Tu, Senhor, recebes este meu pobre coração e, embora saibas muito bem o que fazer com ele, atrevo-me a sugerir-te que não mo devolvas sem o teres transformado completamente, absolutamente purificado e cheio dos Teus dons.
Já vês, Senhor, o que Te peço é um coração novo, por estrear!» [3]


(AMA, reflexões).






[1] Ex 3,2
[2] são joão Paulo II, Angelus, 23.06.1985.
[3] AMA, orações pessoais

Temas para meditar e reflectir

Confissão frequente


As confissões frequentes, que são tantas vezes idênticas umas às outras aumentam o amor a Cristo, por causa, sem dúvida, da tristeza que concebemos por não poder provar-lhe melhor a nossa fidelidade; mas ainda mais porque em vez de estarmos sempre a examinar a nossa miséria, decidimo-nos de uma a vez a não ver senão a Sua bondade.



(Georges ChevrotJesus e a Samaritana, Éfeso, 1956, pg 163)


Evangelho e comentário


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São Pedro Damião – Doutor da Igreja

Evangelho: Mc 8, 34 – 9, 1

34 Chamando a si a multidão, juntamente com os discípulos, disse-lhes: «Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
1 Disse-lhes também: «Em verdade vos digo que alguns dos aqui presentes não experimentarão a morte sem terem visto o Reino de Deus chegar em todo o seu poder.»

Comentário:

A Sagrada Liturgia propõe-nos hoje – festa de São Pedro Damião, Doutor da Igreja – dois pequenos trechos do Evangelho escrito por São Marcos, precisamente dos capítulos 8 e 9.

Julgo que o melhor comentário será esta carta do Santo Doutor:

«Caríssimo, pediste-me que te escrevesse palavras de consolação, a fim de reconfortar o teu ânimo amargurado por tantos golpes dolorosos.
Mas se a tua prudência e sensatez não estão adormecidas, a consolação já chegou, porque as próprias palavras mostram sem sombra de dúvida que Deus te está instruindo como a um filho para alcançares a herança.
Assim o indicam claramente aquelas palavras: Filho, se queres servir a Deus, permanece na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação.
Onde existe o temor e a justiça, a prova de qualquer adversidade não é tormento de escravos, mas antes correcção paterna.
Porque até o bem-aventurado Job, quando diz no meio dos flagelos da infelicidade: Quem dera que Deus me esmagasse, que estendesse a sua mão e pusesse fim à minha vida, logo acrescenta: Terei a minha consolação, porque me atormenta com dores e não me poupa.
Para os eleitos de Deus, o castigo divino é consolação, porque, através das dores momentâneas que suportam, progridem a grandes passos na firme esperança de alcançar a glória da felicidade eterna.
É para isso que o martelo bate no ouro: para que o ourives possa extrair a escória; é para isso que se usa a lima: para que a veia do vibrante metal brilhe com mais fulgor. É no forno que se experimenta o vaso do oleiro, é na tribulação que se experimentam os homens justos. Porque também diz São Tiago: Considerai como motivo de grande alegria, irmãos, as diversas provações por que tendes passado.
É a bom título que se devem alegrar aqueles que neste mundo suportam a tribulação temporária pelos seus pecados, mas têm guardada para si no Céu uma recompensa eterna pelas boas obras que praticaram.
Portanto, caríssimo e dulcíssimo irmão, enquanto te atingem os golpes da desgraça, enquanto és castigado pelos açoites da correcção divina, não te deixes vencer pelo desalento, não te queixes nem murmures, não te deixes amargurar pela tristeza nem impacientar pela fraqueza de ânimo; mas conserva sempre a serenidade no teu rosto, a alegria no teu coração, a acção de graças na tua boca.
São certamente dignos de todo o louvor os desígnios de Deus, que atinge nesta vida os seus para os poupar aos flagelos eternos; abate para elevar, fere para curar, humilha para exaltar.
Portanto, caríssimo, robustece o teu espírito na paciência com estes e outros testemunhos das Escrituras divinas, e espera confiadamente a alegria que vem depois da tristeza.
Que a esperança daquela alegria te reanime e a caridade te inflame, de tal modo que o teu espírito, santamente inebriado, esqueça os sofrimentos exteriores e anseie com entusiasmo pelo que interiormente contempla.»

(Das Cartas de São Pedro Damião, (Liv. 8, 6: PL 144, 473-476) (Sec. XI)