11/04/2019

Evangelho e comentário



TEMPO DA QUARESMA



Evangelho: Jo 8, 51-59

51 Em verdade, em verdade vos digo: se alguém observar a minha palavra, nunca morrerá.» 52 Disseram-lhe, então, os judeus: «Agora é que estamos certos de que tens demónio! Abraão morreu, os profetas também, e Tu dizes: ‘Se alguém observar a minha palavra, nunca experimentará a morte’? 53 Porventura és Tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas morreram também! Afinal, quem é que Tu pretendes ser?» 54 Jesus respondeu: «Se Eu me glorificar a mim mesmo, a minha glória nada valerá. Quem me glorifica é o meu Pai, de quem dizeis: ‘É o nosso Deus’; 55 e, no entanto, não o conheceis. Eu é que o conheço; se dissesse que não o conhecia, seria como vós: um mentiroso. Mas Eu conheço-o e observo a sua palavra. 56 Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz.» 57 Disseram-lhe, então, os judeus: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?» 58 Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou!» 59 Então, agarraram em pedras para lhe atirarem. Mas Jesus escondeu-se e saiu do templo

Comentário:

A garantia da Vida Eterna!

Eis o que Cristo nos oferece.


Há uma condição única: guardar a Sua palavra.

Ou seja: guardar no nosso coração, na nossa vida, a Fé, a Confiança e o Amor a Jesus Cristo porque Ele É A PALAVRA DE DEUS!

(ama, comentário sobre Jo 8 51-59, 17.03.2016)

Temas para meditar e reflectir


Companhia ao SSS

Durante uma hora mais ou menos, fico aqui na igreja de Cristo Rei esperando a Santa Missa das 12.00.

Depois das orações habituais – de todos os dias -, cerca de trinta minutos, não faço nada, não digo nada, limito-me a fazer companhia ao Senhor presente no Sacrário.

Ele retribui dando-me um sentimento de profunda paz e tranquilidade.
Não oiço nada nem me dou conta de que se passa à minha volta, antes vou como que mergulhando cada vez mais fundo numa intimidade extraordinária que me espanta e faz bem.

Ah! Meu Senhor e meu Deus!
Eu não mereço, sei-o bem, por isso mesmo mais graças tenho de dar.

GT. GT.

AMA, reflexão,07.01.2019

Tens de conviver, tens de compreender


Tens de conviver, tens de compreender, tens de ser irmão dos homens teus irmãos, tens de pôr amor – como diz o místico castelhano – onde não há amor, para colher amor. (Forja, 457)

Jesus Cristo, que veio salvar todos os povos e deseja associar os cristãos à sua obra redentora, quis ensinar aos seus discípulos – a ti e a mim – uma caridade grande, sincera, mais nobre e valiosa: devemos amar-nos mutuamente como Cristo nos ama a cada um de nós. Só desta maneira, isto é, imitando o exemplo divino – dentro da nossa rudeza pessoal – conseguiremos abrir o nosso coração a todos os homens, amar de um modo mais elevado, inteiramente novo.

Que bem puseram os primeiros cristãos em prática esta caridade ardente, caridade que sobressaía e transbordava dos limites da simples solidariedade humana ou da benignidade de carácter. Amavam-se uns aos outros de modo afectuoso e forte, através do Coração de Cristo. Um escritor do século II, Tertuliano, transmitiu-nos o comentário dos pagãos, comovidos ao presenciarem o comportamento dos fiéis de então, tão cheio de atractivo sobrenatural e humano: Vede como se amam, repetiam.

Se notas que não mereces esse louvor agora ou em tantas ocasiões do dia-a-dia; que o teu coração não reage como devia às exigências divinas, pensa também que chegou o momento de rectificares.

O principal apostolado que nós, os cristãos, temos de realizar no mundo, o melhor testemunho de fé é contribuir para que dentro da Igreja se respire o clima de autêntica caridade. Quando não nos amamos verdadeiramente, quando há ataques, calúnias e inimizades, quem se sentirá atraído pelos que afirmam que pregam a Boa Nova do Evangelho? (Amigos de Deus, nn. 225–226)

Pequena agenda do cristão

Quinta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Participar na Santa Missa.


Senhor, vendo-me tal como sou, nada, absolutamente, tenho esta percepção da grandeza que me está reservada dentro de momentos: Receber o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade do Rei e Senhor do Universo.
O meu coração palpita de alegria, confiança e amor. Alegria por ser convidado, confiança em que saberei esforçar-me por merecer o convite e amor sem limites pela caridade que me fazes. Aqui me tens, tal como sou e não como gostaria e deveria ser.
Não sou digno, não sou digno, não sou digno! Sei porém, que a uma palavra Tua a minha dignidade de filho e irmão me dará o direito a receber-te tal como Tu mesmo quiseste que fosse. Aqui me tens, Senhor. Convidaste-me e eu vim.


Lembrar-me:
Comunhões espirituais.


Senhor, eu quisera receber-vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu Vossa Santíssima Mãe, com o espírito e fervor dos Santos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?






Leitura espiritual


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL
AMORIS LÆTITIA
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS AOS ESPOSOS CRISTÃOS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE O AMOR NA FAMÍLIA 


CAPÍTULO VIII

ACOMPANHAR, DISCERNIR E INTEGRAR A FRAGILIDADE.

A gradualidade na pastoral.

Os Padres consideraram também a situação particular de um matrimónio apenas civil ou mesmo, ressalvadas as distâncias, da mera convivência: «quando a união atinge uma notável estabilidade através dum vínculo público e se caracteriza por um afecto profundo, responsabilidade para com a prole, capacidade de superar as provas, pode ser vista como uma ocasião a acompanhar na sua evolução para o sacramento do matrimónio».[i]

Além disso, é preocupante que hoje muitos jovens não tenham confiança no matrimónio e convivam adiando indefinidamente o compromisso conjugal, enquanto outros põem termo ao compromisso assumido e imediatamente instauram um novo. Aqueles « que fazem parte da Igreja, precisam duma atenção pastoral misericordiosa e encorajadora».

Com efeito, aos pastores compete não só a promoção do matrimónio cristão, mas também «o discernimento pastoral das situações de muitas pessoas que deixaram de viver esta realidade», para «entrar em diálogo pastoral com elas a fim de evidenciar os elementos da sua vida que possam levar a uma maior abertura ao Evangelho do matrimónio na sua plenitude».

No discernimento pastoral, convém «identificar elementos que possam favorecer a evangelização e o crescimento humano e espiritual».

«Muitas vezes a escolha do matrimónio civil ou, em diversos casos, da simples convivência não é motivada por preconceitos ou relutância face à união sacramental, mas por situações culturais ou contingentes».

Nestas situações, poderão ser valorizados aqueles sinais de amor que reflectem de algum modo o amor de Deus.[ii]

Sabemos que «está em contínuo crescimento o número daqueles que, depois de terem vivido juntos longo tempo, pedem a celebração do matrimónio na Igreja. Muitas vezes, escolhe-se a simples convivência por causa da mentalidade geral contrária às instituições e aos compromissos definitivos, mas também porque se espera adquirir maior segurança existencial (emprego e salário fixo). Noutros países, por último, as uniões de facto são muito numerosas, não só pela rejeição dos valores da família e do matrimónio, mas sobretudo pelo facto de a cerimónia do casamento ser sentida como um luxo, pelas condições sociais, de modo que a miséria material impele a viver uniões de facto».

Mas «é preciso enfrentar todas estas situações de forma construtiva, procurando transformá-las em oportunidades de caminho para a plenitude do matrimónio e da família à luz do Evangelho. Trata-se de acolhê-las e acompanhá-las com paciência e delicadeza».

Foi o que Jesus fez com a Samaritana[iii]: dirigiu uma palavra ao seu desejo de amor verdadeiro, para a libertar de tudo o que obscurecia a sua vida e guiá-la para a alegria plena do Evangelho.

Nesta linha, São João Paulo II propunha a chamada «lei da gradualidade», ciente de que o ser humano «conhece, ama e cumpre o bem moral segundo diversas etapas de crescimento».[iv]

Não é uma «gradualidade da lei», mas uma gradualidade no exercício prudencial dos actos livres em sujeitos que não estão em condições de compreender, apreciar ou praticar plenamente as exigências objectivas da lei. Com efeito, também a lei é dom de Deus, que indica o caminho; um dom para todos sem excepção, que se pode viver com a força da graça, embora cada ser humano «avance gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus e das exigências do seu amor definitivo e absoluto em toda a vida pessoal e social».

O discernimento das situações chamadas «irregulares».

O Sínodo referiu-se a diferentes situações de fragilidade ou imperfeição. A este respeito, quero lembrar aqui uma coisa que pretendi propor, com clareza, a toda a Igreja para não nos equivocarmos no caminho: «Duas lógicas percorrem toda a história da Igreja: marginalizar e reintegrar. (...) O caminho da Igreja, desde o Concílio de Jerusalém em diante, é sempre o de Jesus: o caminho da misericórdia e da integração. (...) O caminho da Igreja é o de não condenar eternamente ninguém; derramar a misericórdia de Deus sobre todas as pessoas que a pedem com coração sincero (...). Porque a caridade verdadeira é sempre imerecida, incondicional e gratuita».[v]

Por isso, «temos de evitar juízos que não tenham em conta a complexidade das diversas situações e é necessário estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condição». Trata-se de integrar a todos, deve-se ajudar cada um a encontrar a sua própria maneira de participar na comunidade eclesial, para que se sinta objecto duma misericórdia «imerecida, incondicional e gratuita». Ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho! Não me refiro só aos divorciados que vivem numa nova união, mas a todos seja qual for a situação em que se encontrem. Obviamente, se alguém ostenta um pecado objectivo como se fizesse parte do ideal cristão ou quer impor algo diferente do que a Igreja ensina, não pode pretender dar catequese ou pregar e, neste sentido, há algo que o separa da comunidade[vi]. Precisa de voltar a ouvir o anúncio do Evangelho e o convite à conversão. Mas, mesmo para esta pessoa, pode haver alguma maneira de participar na vida da comunidade, quer em tarefas sociais, quer em reuniões de oração, quer na forma que lhe possa sugerir a sua própria inicia- iva discernida juntamente com o pastor[vii].

(cont)

(revisão da versão portuguesa por AMA)


[i] Ibid., 28. 314 Cf. ibid., 41.43; Relatio Finalis 2015, 70.
[ii] 315 Relatio Synodi 2014, 27. 316 Ibid., 26. 317 Ibid., 41. 318 Ibidem. 319 Relatio Finalis 2015, 71.
[iii] (cf. Jo 4, 1-26)
[iv] Cf. ibidem. 321 Relatio Synodi 2014, 42. 322 Ibid., 43.
[v] Exort. ap. Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 34: AAS 74 (1982), 123. 324 Ibid., 9: o. c., 90. 325 Cf. Francisco, Catequese (24 de Junho de 2015): L’Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 25/VI/2015), 12.
[vi] (cf. Mt 18, 17)
[vii] Idem, Homilia na Eucaristia celebrada com os novos Cardeais

10/04/2019

Evangelho e comentário



TEMPO DA QUARESMA




Evangelho: Jo 8, 31-42

31 Dizia então Jesus aos Judeus que n’Ele tinham acreditado: Se permanecerdes na Minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos, 32 conhecereis a verdade, e a verdade libertar-vos-á. 33 Eles responderam-Lhe: Nós somos da descendência de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém; como é Tu dizes: «ficareis livres»? 34 Retorquiu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado, 35 Ora o escravo não fica na casa para sempre; o filho é que fica para sempre. 36 Portanto, se o Filho vos libertar, sereis realmente livres. 37 Eu sei que sois a descendência de Abraão, mas vós procurais matar-Me, porque a Minha palavra não tem cabimento em vós. 38 Eu digo o que vi junto do Pai, e vós fazeis o que ouvistes ao vosso pai. 39 Retorquiram-Lhe eles: O nosso pai é Abraão! Se fosseis filhos de Abraão – disse-lhes Jesus – faríeis as obras de Abraão. 40 Mas vós procurais matar-Me, a Mim que vos disse a verdade que ouvi a Deus! Isso não fez Abraão! 41 Vós fazeis as obras do vosso pai. Disseram-Lhe eles: Nós não nascemos da prostituição; só temos um Pai, que é Deus! 42 Disse-lhes Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós amar-me-íeis, pois de Deus é que Eu saí e venho. É que eu não vim de Mim próprio, mas foi Ele que Me enviou.

Comentário:

Esta discussão que o Evangelista relata parece não ter solução.

Os interlocutores de Jesus parecem não ouvir – e de facto não ouvem – quanto o Senhor diz sobre Si próprio e Deus Seu Pai.

Explica-lhes que Abraão também é filho de Deus e, se assim o admitirem, não poderão negar que são, eles próprios filhos de Deus.

Este tipo de discussões – estéreis e sem conclusão – são as preferidas pelo inimigos de Jesus porque bastaria admitirem uma só das Suas afirmações para verem irremediavelmente comprometida a sua própria doutrina em que, por sua exclusiva conveniência, se fecham e refugiam.

(AMA, comentário sobre Jo 8, 31-42, 17.01.2019)

Temas para reflectir e meditar


Inquirição íntima

Quero o que não desejo, desejo mas não me apetece. Agora… Talvez mais tarde…Não sei bem quando…

Tudo gira à volta de mim, do que quero, do que desejo do que me apetece…

E, evidentemente, isto é muito pouco porque quem sou eu? Um super-homem? Um santo de altar?

Detenho-me um pouco neste frenesim de me escalpelizar tentando descobrir o que há de bom em mim e o que existe de muito mau e não chego a uma conclusão que me satisfaça.

Já sei: peço perdão e… pronto… sigo em frente e, o Senhor que me conhece melhor que eu mesmo me conheço diz-me, invariavelmente:
‘Deixa-te de subterfúgios… faz o que tens a fazer e acabou-se!
Talvez que este final seja dito num tom um pouco “farto”, cansado de desculpas e justificações que não justificam nem desculpam nada.
Talvez…

Mas, se assim for, Ele tem razão como sempre tem, de resto, porque eu, pobre de mim, não passo de um projecto de santidade adiada todos os dias por um sem número de razões – que não são razão nenhuma – que vou inventando e construindo com uma facilidade que “esperteza” que me espanta: propósitos… sim, compromissos… não!

Na “minha” entrega que desejo total, completa, sem intervalos, falta - sei – esse querer que é só a vontade que manda de: Ou é assim ou, então, não vale a pena!

Senhor, pergunto talvez com excessiva familiaridade: ‘Achas que vale a pena?’

Oiço-te:

‘António, meu filho, eu conheço-te, sei como és e de “massa” és feito.
É importante que não te enganes nem te deixes ir atrás dos teus devaneios, mas, o mais importante, meu filho, é que não tentes – nunca – enganar-me a Mim’.

AMA reflexão, 13.10.2018




As almas santas têm que ser felizes


Contava-te que até pessoas que não receberam o baptismo, me disseram comovidas: "É verdade, eu compreendo que as almas santas têm que ser felizes, porque olham os acontecimentos com uma visão que está por cima das coisas da terra, porque vêem as coisas com olhos de eternidade". – Oxalá não te falte esta visão! – acrescentei depois –, para que sejas consequente com o tratamento de predilecção que recebeste da Trindade. (Forja, 1017)


Asseguro-te que, se nós, os filhos de Deus, quisermos, contribuiremos poderosamente para iluminar o trabalho e a vida dos homens, com o resplendor divino – eterno! – que o Senhor quis depositar nas nossas almas.
– Mas "quem diz que mora em Jesus, deve seguir o caminho que Ele seguiu", como ensina S. João: caminho que conduz sempre à glória, passando – sempre também – através do sacrifício. (Forja, 1018)

– Meu Senhor Jesus: faz com que sinta, que secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o enchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor! (Forja, 913)

Pequena agenda do cristão

Quarta-Feira



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)






Propósito:

Simplicidade e modéstia.


Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.


Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.


Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.

Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?









Leitura espiritual


EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL
AMORIS LÆTITIA
DO SANTO PADRE
FRANCISCO
AOS BISPOS AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS AOS ESPOSOS CRISTÃOS E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS SOBRE O AMOR NA FAMÍLIA 

CAPÍTULO VII

REFORÇAR A EDUCAÇÃO DOS FILHOS.


Transmitir a fé.

A educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão da fé, que se vê dificultado pelo estilo de vida actual, pelos horários de trabalho, pela complexidade do mundo actual, onde muitos têm um ritmo frenético para poder sobreviver.

Apesar disso, a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. Isto começa no baptismo, onde – como dizia Santo Agostinho – as mães que levam os seus filhos «cooperam no parto santo».

Depois tem início o percurso de crescimento desta vida nova. A fé é dom de Deus, recebido no baptismo, e não o resultado duma acção humana; mas os pais são instrumentos de Deus para a sua maturação e desenvolvimento. Por isso, «é bonito quando as mães ensinam os filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração».

A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele, porque só assim «cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos proclamarão as [Suas] proezas» [i] e «o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade»[ii].

Isto requer que imploremos a acção de Deus nos corações, aonde não podemos chegar. O grão de mostarda, semente tão pequenina, transforma-se num [iii] grande arbusto, [iv] e, deste modo, reconhecemos a desproporção entre a acção e o seu efeito. Sabemos, assim, que não somos proprietários do dom, mas seus solícitos administradores. Entretanto o nosso esforço criativo é uma oferta que nos permite colaborar com a iniciativa divina. Por isso, «tenha-se o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos activos da catequese (...).
De grande ajuda é a catequese familiar, enquanto método eficaz para formar os pais jovens e torná-los conscientes da sua missão como evangelizadores da sua própria família».

A educação na fé sabe adaptar-se a cada filho, porque os recursos aprendidos ou as receitas às vezes não funcionam. As crianças precisam de símbolos, gestos, narrações. Os adolescentes habitualmente entram em crise com a autoridade e com as normas, pelo que é conveniente estimular as suas experiências pessoais de fé e oferecer-lhes testemunhos luminosos que se imponham simplesmente pela sua beleza. Os pais, que querem acompanhar a fé dos seus filhos, estão atentos às suas mudanças, porque sabem que a experiência espiritual não se impõe, mas propõe-se à sua liberdade. É fundamental que os filhos vejam de maneira concreta que, para os seus pais, a oração é realmente importante. Por isso, os momentos de oração em família e as expressões da piedade popular podem ter mais força evangelizadora do que todas as catequeses e todos os discursos. Quero exprimir a minha gratidão de forma especial a todas as mães que rezam incessantemente, como fazia Santa Mónica, pelos filhos que se afastaram de Cristo.[v]

 O exercício de transmitir aos filhos a fé, no sentido de facilitar a sua expressão e crescimento, permite que a família se torne evangelizadora e, espontaneamente, comece a transmiti-la a todos os que se aproximam dela e mesmo fora do próprio ambiente familiar. Os filhos que crescem em famílias missionárias, frequentemente tornam-se missionários, se os pais sabem viver esta tarefa duma maneira tal que os outros os sintam vizinhos e amigos, de tal modo que os filhos cresçam neste estilo de relação com o mundo, sem renunciar à sua fé nem às suas convicções. Lembremo-nos que o próprio Jesus comia e bebia com os pecadores[vi], podia deter-se a conversar com a Samaritana)[vii] e receber de noite Nicodemos[viii], deixava ungir os seus pés por uma mulher prostituta [ix] e não hesitava em tocar os doentes[x].

E o mesmo faziam os seus apóstolos, que não eram pessoas desprezadoras dos outros, fechadas em pequenos grupos de eleitos, isoladas da vida do seu povo. Enquanto as autoridades os perseguiam, eles gozavam da simpatia de todo o povo[xi].

«A família torna-se sujeito da acção pastoral, através do anúncio explícito do Evangelho e do legado de múltiplas formas de testemunho, nomeadamente a solidariedade com os pobres, a abertura à diversidade das pessoas, a salvaguarda da criação, a solidariedade moral e material para com as outras famílias, especialmente para com as mais necessitadas, o empenho na promoção do bem comum, inclusive através da transformação das estruturas sociais injustas, a partir do território onde vive a família, praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia».

Isto deve ser feito no contexto da convicção mais preciosa dos cristãos: o amor do Pai que nos sustenta e faz crescer, manifestado no dom total de Jesus Cristo, vivo no meio de nós, que nos torna capazes de enfrentar, unidos, todas as tempestades e todas as etapas da vida. E, no coração de cada família, deve ressoar também o querigma, a tempo e fora de tempo, para iluminar o caminho. Todos deveríamos poder dizer, a partir da vivência nas nossas famílias: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele»[xii].

Só a partir desta experiência é que a pastoral familiar poderá conseguir que as famílias sejam simultaneamente igrejas domésticas e fermento evangelizador na sociedade.

CAPÍTULO VIII

ACOMPANHAR, DISCERNIR E INTEGRAR A FRAGILIDADE.

Os Padres sinodais afirmaram que, embora a Igreja reconheça que toda a ruptura do vínculo matrimonial « é contra a vontade de Deus, está consciente também da fragilidade de muitos dos seus filhos».

Iluminada pelo olhar de Cristo, a Igreja «dirige-se com amor àqueles que participam na sua vida de modo incompleto, reconhecendo que a graça de Deus também actua nas suas vidas, dando-lhes a coragem para fazer o bem, cuidar com amor um do outro e estar ao serviço da comunidade onde vivem e trabalham».

Aliás esta atitude vê-se corroborada no contexto de um Ano Jubilar dedicado à misericórdia. Embora não cesse jamais de propor a perfeição e convidar a uma resposta mais plena a Deus, «a Igreja deve acompanhar, com atenção e solicitude, os seus filhos mais frágeis, marcados pelo amor ferido e extraviado, dando-lhes de novo confiança e esperança, como a luz do farol dum porto ou duma tocha acesa no meio do povo para iluminar aqueles que perderam a rota, ou estão no meio da tempestade»[xiii]

Não esqueçamos que, muitas vezes, o trabalho da Igreja é semelhante ao de um hospital de campanha.

O matrimónio cristão, reflexo da união entre Cristo e a sua Igreja, realiza-se plenamente na união entre um homem e uma mulher, que se doam reciprocamente com um amor exclusivo e livre fidelidade, se pertencem até à morte e abrem à transmissão da vida, consagrados pelo sacramento que lhes confere a graça para se constituírem como igreja doméstica e serem fermento de vida nova para a sociedade.
Algumas formas de união contradizem radicalmente este ideal, enquanto outras o realizam pelo menos de forma parcial e analógica.
Os Padres sinodais afirmaram que a Igreja não deixa de valorizar os elementos construtivos nas situações que ainda não correspondem ou já não correspondem à sua doutrina sobre o matrimónio.

(cont)

(revisão da versão portuguesa por AMA)


[i] (Sl 145/144, 4)
[ii] (Is 38, 19)
[iii] Cf. Relatio Finalis 2015, 13-14. 307 De sancta virginitate, 7, 7: PL 40, 400. 308 Francisco, Catequese (26 de Agosto de 2015): L’Osservatore Romano (ed. semanal portuguesa de 27/VIII/2015), 12.
[iv] (cf. Mt 13, 31-32)
[v] Relatio Finalis 2015, 89.
[vi] (cf. Mc 2, 16; Mt 11, 19)
[vii] (cf. Jo 4, 7-26
[viii] (cf. Jo 3, 1-21)
[ix] (cf. Lc 7, 36-50)
[x] (cf. Mc 1, 40-45; 7, 33)
[xi] (cf. At 2, 47; 4, 21.33; 5, 13)
[xii] (1 Jo 4, 16)
[xiii] Relatio Synodi 2014, 24. 312 Ibid., 25