Padroeiros do blog: SÃO PAULO; SÃO TOMÁS DE AQUINO; SÃO FILIPE DE NÉRI; SÃO JOSEMARIA ESCRIVÁ
28/03/2018
Temas para reflectir e meditar
A concepção é o ponto de
arranque de nova vida humana e é também o termo de chegada de uma história
precedente na qual fomos objecto privilegiado de pensamentos, desejos e
promessas de outros.
Na concepção fundem-se um passado e um futuro
que, de alguma forma, se tornam chave indivisível do ser presente de cada
indivíduo.
(JAVIER
ECHEVARRÍA, Itinerários de Vida Cristiana,
Planeta, 2001, pg. 177, trad ama)
Evangelho e comentário
Semana Santa
Evangelho: Mt 26, 14-25
14 Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse-lhes: «Quanto me dareis, se eu vo-lo entregar?» Eles garantiram-lhe trinta moedas de prata. 16 E, a partir de então, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus. 17 No primeiro dia da festa dos Ázimos, os discípulos foram ter com Jesus e perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?» 18 Ele respondeu: «Ide à cidade, a casa de um certo homem e dizei-lhe: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo; é em tua casa que quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos.’» 19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa. 20 Ao cair da tarde, sentou-se à mesa com os Doze. 21 Enquanto comiam, disse: «Em verdade vos digo: Um de vós me há-de entregar.» 22 Profundamente entristeci-dos, começaram a perguntar-lhe, cada um por sua vez: «Porventura serei eu, Senhor?» 23 Ele respondeu: «O que mete comigo a mão no prato, esse me entregará. 24 O Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito acerca dele; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue. Seria melhor para esse homem não ter nascido!» 25 Judas, o traidor, tomou a palavra e perguntou: «Porventura serei eu, Mestre?» «Tu o disseste» - respondeu Jesus.
Comentário:
Trinta moedas foi o preço da traição?
Não!
A traição não tem não pode ser paga porque não tem preço.
Não importa o que está em causa, o traidor é alguém manifestamente desenraizado de todo o contexto e que não mede nem avalia o que está em causa com a sua traição.
Pode arrepender-se, mas, isso, servir-lhe-à de pouco se o traído não lhe perdoar e, tal não o pode fazer se não receber um pedido de perdão de quem o traiu.
O “caso” de Judas é paradigmático dos que não sabem nem o que é o arrependimento nem o perdão e, normalmente, acabam desgraçadamente sós e impenitentes porque, quando acabam por reconhecer a vileza que praticaram, não encontram nenhuma solução, nenhum remédio.
No fim e ao cabo, o que faltava a Judas era Fé no Senhor, porque se a tivesse poderia ter-se salvo.
(AMA, comentário sobre Mt 26, 14-25, 12.04.2017)
Leitura espiritual
Para a pessoa humana a vida
social não é uma coisa acessória, mas deriva da sociabilidade: a pessoa cresce
e realiza a sua vocação somente em união com os outros.
1.
A sociabilidade humana
Deus não criou o homem como
ser solitário, mas como “um ser social” (cf. Gn 1, 27; 2, 18. 20. 23). Para a
pessoa humana, a vida social não é alguma coisa acessória, mas deriva duma
importante dimensão inerente à sua natureza: a sociabilidade. O ser humano só
pode crescer e realizar a sua vocação em união com os outros[1]. Esta natural
sociabilidade torna-se patente à luz da fé, já que existe uma certa semelhança
entre a vida íntima da Santíssima Trindade e a comunhão (comum união,
participação) que se deve instaurar entre os homens; e todos foram igualmente
redimidos por Cristo e estão chamados ao único e mesmo fim[2]. A Revelação
mostra que o relacionamento humano deve estar aberto a toda a humanidade, sem
excluir ninguém; e deve caracterizar-se por plena gratuidade, já que no
próximo, mais do que um igual, se vê a imagem viva de Deus, por quem é
necessário estar disposto a dar-se até ao extremo[3]. O homem «está chamado a
existir “para” os outros, a converter-se num dom»[4], mesmo que não se limite a
isto: está chamado a existir não só “com” os outros ou “junto” dos outros, mas
“para” os outros, o que implica servir, amar. A liberdade humana «degrada se
quando o homem, deixando-se arrastar para uma vida de demasiadas facilidades,
se encerra como numa solidão doirada»[5]. No entanto, a dimensão natural e o
fortalecimento sobrenatural da sociabilidade não significa que as relações
sociais se possam deixar à pura espontaneidade: muitas qualidades naturais do
ser humano (por exemplo, a linguagem) requerem formação e prática para a sua
correcta execução. Assim sucede com a sociabilidade: é preciso um esforço
pessoal e colectivo para a desenvolver[6]. A sociabilidade não se limita aos
aspectos políticos e mercantis; ainda são mais importantes as relações baseadas
nos aspectos profundamente humanos: também no que diz respeito ao âmbito social
se deve pôr em primeiro plano o elemento espiritual[7]. Donde se conclui que a
real possibilidade de edificar uma sociedade digna das pessoas se encontra no
crescimento interior do homem. A história da humanidade não se move por um
determinismo interpessoal, mas pela interacção de diferentes gerações de
pessoas, cujos actos livres constroem a ordem social[8]. Tudo isto evidencia a
necessidade de conferir um relevo particular à autodeterminação, etc. E tudo
isto, tanto como regra de conduta pessoal como de esquema organizativo da
sociedade. A sociedade está ligada a outra característica humana: a igualdade
radical e as diferenças acidentais das pessoas. Todos os homens possuem a mesma
natureza e a mesma origem, foram redimidos por Cristo e chamados a participar
na mesma bem-aventurança divina: «Todos gozam, portanto, de igual dignidade»
(Catecismo, 1934). Com esta igualdade existem também diferenças, que devem ser
avaliadas positivamente se não são iníquas «Estas diferenças fazem parte do
plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que
os que dispõem de “talentos” particulares comuniquem os seus benefícios aos que
deles precisam» (Catecismo, 1937).
2.
A sociedade
A sociabilidade humana
exerce-se através do estabelecimento de diversas associações dirigidas a
alcançar diferentes finalidades: uma «sociedade é um conjunto de pessoas
ligadas de modo orgânico por um princípio de unidade que ultrapassa cada uma
delas» (Catecismo, 1880). Os objectivos humanos são múltiplos, bem como os
tipos de nexos: amor, etnia, idioma, território, cultura, etc. Por isso, existe
um amplo mosaico de instituições ou associações, podem ser constituídas por
poucas pessoas como a família, ou por um número sempre maior à medida que passa
das diversas associações às cidades, estados e à comunidade internacional.
Algumas sociedades, como a família e a sociedade civil, correspondem mais
imediatamente à natureza do homem e são-lhe necessárias, embora também possuam
elementos culturais que desenvolvem a natureza humana. Outras são de livre
iniciativa e correspondem ao que se poderia qualificar de “socialização” da
tendência natural da pessoa que, como tal, se há-de favorecer (cf. Catecismo,
1882; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 151). O estreito nexo que existe
entre as pessoas e a vida social explica o enorme influxo da sociedade no
desenvolvimento da pessoa e a deterioração humana que acontece quando uma
sociedade é defeituosamente organizada: o comportamento das pessoas depende, de
algum modo, da organização social, que é um produto cultural acerca da pessoa.
Sem reduzir o ser humano a um elemento anónimo da sociedade[9], convém recordar
que o desenvolvimento pleno da pessoa e o progresso social se influenciam
mutuamente[10]: entre a dimensão pessoal e a dimensão social do homem não
existe oposição mas complementaridade, mais ainda, são duas dimensões em íntima
conexão que se reforçam reciprocamente. Neste sentido, por causa dos pecados
dos homens, geram-se na sociedade estruturas injustas ou estruturas de
pecado[11]. Estas estruturas opõem-se à recta ordem da sociedade, tornam mais
difícil a prática da virtude e mais fáceis os pecados pessoais contra a
justiça, a caridade, a castidade, etc. Podem ser costumes imorais generalizados
(como a corrupção política e económica) ou leis injustas (como as que permitem
o aborto), etc.[12]. As estruturas de pecado devem ser eliminadas e
substituídas por estruturas justas. Um meio de capital importância para
desmontar as estruturas injustas e cristianizar as relações profissionais e
toda a sociedade, é o empenho por viver com coerência as normas de moral
profissional; tal empenho é além disso condição necessária para santificar o
trabalho profissional.
3.
A autoridade[13]
«Toda a comunidade humana
necessita de uma autoridade que a governe. Esta tem o seu fundamento na
natureza humana. Ela é necessária para a unidade da comunidade civil.
O seu papel consiste em
assegurar, quanto possível, o bem comum da sociedade» (Catecismo, 1898). Como a
sociedade é uma qualidade própria da natureza humana, deve-se concluir que toda
e qualquer autoridade legítima emanam de Deus, como Autor da natureza (cf. Rm
13, 1; Catecismo, 1899). Mas «a determinação do regime e a designação dos
governantes hão-de deixar-se à livre vontade dos cidadãos»[14]. A legitimidade
moral da autoridade não procede de si mesma: é instrumento de Deus (Rm 13, 4)
em ordem ao bem comum[15]. «Se a autoridade pública pode, às vezes, renunciar a
reprimir algo que, se proibido, provocaria um dano maior [cf. S. Tomás de
Aquino, Summa Theologiae, I-II. q. 96, a. 2], ela não poderá nunca aceitar como
direito dos indivíduos - ainda que estes sejam a maioria dos membros da
sociedade -, a ofensa infligida a outras pessoas através do menosprezo de um
direito tão fundamental como o da vida»[16]. Quanto aos sistemas políticos, «a
Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a
participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a
possibilidade de escolher e controlar os próprios governantes[17]. A ordenação
democrática do Estado é parte do bem comum. Mas «o valor da democracia vive ou
morre nos valores que ela encarna e promove: fundamentais e imprescindíveis são
certamente a dignidade de toda a pessoa humana, o respeito dos seus direitos
intangíveis e inalienáveis»[18]. «Uma democracia sem valores converte-se
facilmente num totalitarismo aberto ou dissimulado»[19].
4.
O bem comum
Por bem comum entende-se «o
conjunto das condições sociais que permitem, tanto aos grupos como a cada um
dos seus membros, atingir sua própria perfeição»[20]. O bem comum não só é de
ordem natural mas também espiritual (ambas interrelacionadas), e compreende
“três elementos essenciais” (Catecismo, 1906): - respeitar a pessoa e a sua
liberdade[21]; - procurar o bem estar social e o desenvolvimento integral[22];
- promover «a paz, quer dizer, a permanência e a segurança duma ordem justa»
(Catecismo 1909)[23].
Tendo presente a natureza do
homem, o bem de cada um está necessariamente relacionado com o bem comum e
este, por sua vez, deve estar orientado para o progresso das pessoas (cf.
Catecismo, 1905 e 1912)[24]. O âmbito do bem comum não abrange só a cidade e o
país, existe também um «bem comum universal. E este requer uma organização da
comunidade das nações» (Catecismo, 1911).
5.
Sociedade e dimensão transcendente da pessoa
A sociabilidade concerne
todas as características da pessoa e, portanto, a sua dimensão transcendente. A
profunda verdade sobre o homem, donde deriva a sua dignidade, consiste em ser
imagem e semelhança de Deus e estar chamado à comunhão com Ele[25]; por isso «a
dimensão teológica torna-se necessária para interpretar e resolver os problemas
actuais da convivência humana»[26]. - Isto explica a fatuidade das propostas
sociais que esquecem a dimensão transcendente. De facto, o ateísmo, nas suas
diferentes manifestações, é um dos fenómenos mais graves do nosso tempo e as
suas consequências são deletérias para a vida social[27]. Isto é
particularmente evidente no momento actual: à medida que se perdem as raízes
religiosas de uma comunidade, as relações entre os seus componentes tornam-se
mais tensas e violentas, porque se debilita e inclusive se perde a força moral
para actuar bem[28]. Se se quer que a ordem social tenha uma base estável, é
necessário um fundamento absoluto que não esteja à mercê das opiniões versáteis
ou dos jogos do poder, e só Deus é fundamento absoluto[29]. Deve-se, portanto,
evitar a separação, mais ainda, a contraposição entre as dimensões religiosa e
social da pessoa humana[30]. É necessário harmonizar estes dois âmbitos da
verdade do homem, que se implicam e promovem mutuamente: a busca incondicional
de Deus (cf. Catecismo, 358 e 1721; Compêndio da Doutrina Social da Igreja,
109) e a solicitação pelo próximo e pelo mundo, que sai reforçada pela dimensão
teocêntrica[31]. Como consequência, é indispensável o crescimento espiritual
para favorecer o desenvolvimento da sociedade: a renovação social nutre-se na
contemplação. Efectivamente, o encontro com Deus na oração introduz na história
uma força misteriosa que modifica os corações, move-os à conversão e é a
energia necessária para transformar as estruturas sociais.
Empenhar-se na mudança social,
sem um empenho sério na mudança pessoal, é uma miragem para a humanidade que
acaba em desilusão e, muitas vezes, numa forte degradação vital, Uma «nova
ordem social» realista e, portanto, sempre aperfeiçoável requer, actualmente,
acrescentar às competências técnicas e científicas necessárias[32], a formação
moral e a vida espiritual; daqui virá a renovação das instituições e das
estruturas[33]. Além disso, sem esquecer que o empenho por edificar uma ordem
social justa enobrece a pessoa que o realiza.
6.
Participação dos católicos na vida pública
Participar na promoção do
bem comum, cada um conforme o lugar que ocupa e o papel que desempenha, «é um
dever inerente à dignidade da pessoa humana» (Catecismo, 1913). «Ninguém se
deve conformar com uma ética individualista»[34]. Por isso, «os cidadãos devem,
tanto quando possível, tomar parte activa na vida pública» (Catecismo,
1915)[35]. O direito e o dever de participar na vida social deriva do princípio
de subsidiariedade: «Uma sociedade de ordem superior não deve interferir na
vida interna de uma sociedade de ordem inferior, privando-a das suas
competências, mas deve antes apoiá-la em caso de necessidade e ajudá-la a
coordenar a sua acção com a das outras componentes sociais, tendo em vista o
bem comum»[36]. Esta participação realiza-se, antes de mais, por meio do
cumprimento responsável dos próprios deveres familiares e profissionais (cf.
Catecismo, 1914) e das obrigações de justiça legal (como, por exemplo, o
pagamento de impostos)[37]. Também se realiza mediante a prática das virtudes,
especialmente da solidariedade. Tendo em conta a independência das pessoas e
dos grupos humanos, a participação na vida pública deve fazer-se com espírito
de solidariedade, entendido como empenho em prol dos outros[38]. A solidariedade
deve ser o critério para organizar a sociedade, não como simples desej0o
moralizante, mas também como explícita e legítima exigência do ser humano; em
boa medida, a paz do mundo depende dela (cf. Catecismo, 1939 e 1941)[39].
Embora a solidariedade diga respeito a todos os homens, motivos de urgência
tornam a solidariedade mais necessária quanto mais difíceis forem as situações
das pessoas: trata-se do amor preferencial pelos necessitados (cf. Catecismo,
1932, 2443-2449); Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 183-184).
Enquanto cidadãos, os fiéis
têm os mesmos deveres e direitos dos que se encontram em idêntica situação;
como católicos, têm responsabilidade crescida (cf. Tit 3, 1-2; Pe 2, 1315)[40].
Por isso, «os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na
política»[41]. Esta participação é particularmente necessária para lograr «que
as exigências da doutrina e da vida cristã impregnem as realidades sociais,
políticas e económicas» (Catecismo, 899). Como frequentemente as leis civis não
se ajustam ao ensino da Igreja, os católicos devem fazer o possível,
colaborando com outros cidadãos de boa vontade, para rectificar essas leis,
sempre no âmbito dos meios legítimos e com caridade[42]. Seja como for, devem
ajustar a sua conduta à doutrina católica, mesmo que tal lhes possa acarretar
inconvenientes, tendo em conta que se deve obedecer antes a Deus do que aos
homens (cf. Act 5, 29). Em conclusão, os católicos devem exercer os seus
direitos civis e cumprir os seus deveres; isto diz respeito especialmente aos
fiéis leigos, que estão chamados a santificar o mundo a partir do interior
deste, com iniciativa e responsabilidade, sem esperar que a Hierarquia resolva
os problemas com as autoridades civis ou lhes proponha as soluções que devem
adoptar[43].
ENRIQUE
COLOM
Bibliografia
básica
-
Catecismo da Igreja Católica : 1877-1917; 1939-1942: 2234-2249. - Compêndio da
Doutrina Social da Igreja: 34-43; 149-151; 164-170; 541-574.
Leituras
recomendadas:
-
São Josemaria, homilia «Cristo Rei», em Cristo que Passa: 179-187. -
Congregação para a Doutrina da Fé: Nota Doutrinal sobre algumas questões
relativas ao compromisso dos católicos na vida pública, 24-XI-2002.
Notas
[1]
Cf. Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes, 24-25; Congregação para a Doutrina
da Fé, Instr. Libertatis Conscientia, 32; Compêndio da Doutrina Social da
Igreja, 110. [2]«Estarmos em comunhão com Jesus Cristo envolve-nos no seu ser
“para todos”, fazendo disso o nosso modo de ser. Ele compromete-nos a ser para
os outros, mas só na comunhão com Ele é que se torna possível sermos
verdadeiramente para os outros, para a comunidade» (Bento X VI, Enc. Spe Salvi,
28, 30-XI-2007). [3]Cf. S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo rei socialis, 40,
30-XII-1987. [4]S. João Paulo II, Carta Ap. Mulieris DiGnitatem, 7,
15-VIII-1988. [5]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 31. [6]«A
sociabilidade humana não desemboca automaticamente na comunhão das pessoas, no
dom de si. Por causa da soberba e do egoísmo, o homem descobre em si gérmenes
de insociabilidade, de fechamento individualista e de opressão do outro
(Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 150). [7]Cf. Bento XVI, Enc. Spe
Salvi, 24 a). [8]«A sociedade historicamente existente promana do entrelace das
liberdades de todas as pessoas que nela interagem, contribuindo, mediante as
suas opções, para edificá-la ou para empobrecê-la» (Compêndio da Doutrina
Social da Igreja, 163). [9]«O princípio, e sujeito e o fim de todas as
instituições sociais é e deve ser a pessoa humana» (Concílio Vaticano II,
Const. Gaudium et Spes, 25). Cf. PIO XII, Radiomensagem de Natal, 24-XII-1942:
AAS 35 (1943) 12: João XXIII, Enc. Mater et magistra: AAS (1961) 453;
Catecismo, 1881; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 106). [10]Cf. S. João
Paulo II, Enc. Sollicitudo Rei Socialis, 38; Catecismo, 1888; Compêndio da
Doutrina Social da Igreja, 62, 82 e 124. [11]Cf. S. João Paulo II, Enc.
Sollicitudo Rei Socilais, 36. [12]«A Igreja, quando fala de situações de pecado
ou denuncia como pecados sociais certas situações ou certos comportamentos
colectivos (…), sabe e proclama que tais casos de pecado socia são o fruto, a
acumulação e a concentração de muitos pecados pessoais. Trata-se dos pecados
pessoalíssimos de quem gera ou favorece a iniquidade ou a desfruta; de quem,
podendo fazer alguma coisa para evitar, ou eliminar, ou pelo menos limitar
certos males sociais, deixa de o fazer por preguiça, por medo e temerosa
conivência, por cumplicidade disfarçada ou por indiferença; de quem procura
escusas na pretensa impossibilidade de mudar o mundo; e, ainda, de quem
pretende esquivar-se ao cansaço e ao sacrifício» (S. João Paulo II, Ex. ap.
Reconciliatio et poenitentia, 16, 2-XII-1984). [13]Cf. Concílio Vaticano II,
Const. Lumen Gentium, 36; S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 38,
1-V-1881; Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 570. Tratase, geralmente, de
um processo, não de uma mudança instantânea, a qual envolve que os fiéis muitas
vezes terão que conviver com essas estruturas e sofrer as suas consequências,
sem deixar-se corromper e sem perder o empenho por mudá-las. Convém meditar as
palavras de Nosso Senhor: «Não te peço que os tires do mundo mas que os
preserves do mal» (Jo 17, 15). [14]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes,
74, Cf. Catecismo, 1901. [15]«A autoridade só é exercida legitimamente na
medida em que procurar o bem comum do respectivo grupo e em que, para o
atingir, empregar meios moralmente lícitos. No caso de os dirigentes
promulgarem leis injustas ou tomarem medidas contrárias à ordem moral, tais
disposições não podem obrigar as consciências» (Catecismo, 1903). [16]S. João
Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 71, 25-III-1995. [17]S. João Paulo II, Enc.
Centesimus Annus, 46. [18]S. João Paulo II, Enc. Evangelium Vitae, 70. O Papa
refere-se em particular ao direito de cada ser humano inocente à vida, ao que
se opõem as leis do aborto. [19]S. João Paulo II. Enc. Centesimus Annus, 46.
[20]Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 26. Cf. Catecismo, 1906
[21]«Em nome do bem comum, os poderes públicos são obrigados a respeitar os
direitos fundamentais e inalienáveis da pessoa humana. A sociedade humana deve
empenhar-se em permitir, a cada um dos seus membros, realizar a própria
vocação. De modo particular, o bem comum reside nas condições do exercício das
liberdades naturais, indispensáveis à realização da vocação humana» (Catecismo,
1907). [22]A autoridade, respeitando o princípio de subsidiariedade e provendo
a iniciativa privada, deve procurar que cada um disponha do necessário para
levar uma vida digna: alimento, vestuário, saúde, trabalho, educação e cultura,
informação adequada, etc. (cf. Catecismo, 1908 e 2211). [23]A paz não é só
ausência de guerra. A paz não pode alcançar-se sem a salvaguarda da dignidade das
pessoas e dos povos: cf. Catecismo, 2304. A paz é a «tranquilidade da ordem»
(Santo Agostinho, De Civitate Dei, 19, 13). É obra da justiça (cf. Is 32, 17).
A autonomia deve procurar, por meios lícitos, «a segurança da sociedade e dos
seus membros. O bem comum está na base do direito à legítima defesa, pessoal e
colectiva» (Catecismo, 1909). [24]«A ordem social e o seu progresso devem
subordinar-se ao bem das pessoas (…) e não ao contrário» (Concílio Vaticano II,
Const. Gaudium
et Spes, 26). [25]Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 19. [26]S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 55. Cf.
Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 11 e 41. [27]Cf. S. João Paulo
II, Enc. Evangelium Vitae, 21. 24. S. João Paulo II, depois de falar do erro
das ideologias, acrescentava: «Se se questiona ulteriormente onde nasce aquela
errada concepção da natureza da pessoa e da subjectividade da sociedade, é
necessário responder que a sua causa primeira é o ateísmo. É na resposta ao
apelo de Deus, contido no ser das coisas, que o homem toma consciência da sua
dignidade (…). A negação de Deus priva a pessoa do seu fundamento e
consequentemente induz a reorganizar a ordem social, prescindido da dignidade e
responsabilidade da pessoa» (S. João Paulo II, Enc. Centesimus Annus, 13).
[28]O homem pode construir a sociedade e «organizar a terra sem Deus, mas, ao
fim e ao cabo, sem Deus não pode organizá-la senão contra o homem. O humanismo
exclusivo é um humanismo inumano» (Paulo VI, Enc. Populorum Progressio, 42,
26III-1967). Cf. João XXII, Enc. Mater et Magistra: AAS 53 (1961) 452-453;
Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 21; Bento XVI, Enc. Deus Caritas
est, 42, 25-XII2005. [29]Cf. Leão XIII, Enc. Diuturnum illud: acta Leonis XIII,
2 (1882), 227 e 278; Pio XII Caritate Christi: AAS 24 (1932) 183-184.
[30]Alguns «vêem o cristianismo como um conjunto de práticas ou actos de
piedade, sem perceberem a sua relação com as situações da vida corrente, com a
urgência de atender as necessidades dos outros e de se esforçar por remediar as
injustiças. (…). Outros, pelo contrário, têm tendência para imaginar que, para
poderem ser humanos, precisam de pôr em surdina alguns aspectos centrais do
dogma cristão e actuam como se a vida de oração, a intimidade habitual com
Deus, constituísse uma fuga das suas responsabilidades e um abandono do mundo.
Esquecem-se de que Jesus, precisamente, nos deu a conhecer até que extremos se
deve ir no caminho do amor e do serviço. Só se procurarmos compreender o arcano
do amor de Deus, deste amor que chega até à morte, seremos capazes de nos
entregar totalmente aos outros, sem nos deixarmos vencer pelas dificuldades ou
pela indiferença» São Josemaria, Cristo que Passa, 98). [31]Existe uma profunda
«interacção entre o amor a Deus e o amor ao próximo (…). Se na minha vida falta
totalmente o contacto com Deus, posso ver no outro sempre e apenas o outro e
não consigo reconhecer nele a imagem divina. Mas, se na minha vida negligencio
completamente a atenção ao outro, importando-me apenas com ser “piedoso” e
cumprir os meus “deveres religiosos”, então definha também a relação com Deus»
(Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 18. Cf. S. João Paulo II, Enc. Evangelium
Vitae, 35-36, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 40). [32]«Todo o trabalho
profissional exige uma formação prévia, e depois um esforço constante para
melhorar esta preparação e adaptá-la às novas circunstâncias que surjam. Esta
exigência constitui um dever particularíssimo para os que aspiram a ocupar
postos directivos na sociedade, visto que são chamados a um serviço também
muito importante, do qual depende o bem-estar de todos» (São Josemaria, Temas
Actuais do Cristianismo, 90). [33]«Só se contribui para um mundo melhor,
fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível»
(Bento XVI, Enc. Deus Caritas est, 31 b). [34]Concílio Vaticano II, Const.
Gaudium et Spes, 30. [35]«Um homem ou uma sociedade que não reaja diante das
tribulações ou das injustiças e se não esforce por as aliviar, não é um homem
ou uma sociedade à medida do amor do Coração de Cristo. Os cristãos –
conservando sempre a mais ampla liberdade quando se trata de estudar e de pôr
em prática as diversas soluções, segundo um pluralismo bem natural – terão de
convergir no mesmo anseio de servir a humanidade. Se não, o seu cristianismo
não será a Palavra e a Vida de Jesus: será um disfarce, um embuste feito a Deus
e aos homens» (São Josemaria, Cristo que Passa, 167). [36]S. João Paulo II,
Enc. Centesimus Annus, 48. Cf. Catecismo, 1883; Compêndio da Doutrina Social da
Igreja, 186 e 187. [37]A justiça legal é a virtude que indica à pessoa dar o
que o cidadão deve equitativamente à comunidade (cf. Catecismo, 2411).
[38]«Trata-se antes de tudo da interdependência apreendida como sistema
determinante de relações no mundo contemporâneo, com as suas componentes –
económica, cultural, política e religiosa – e assumida como categoria moral.
Quando a interdependência é reconhecida assim, a resposta correlativa, como
atitude moral e social e como “virtude”, é a solidariedade» (S. João Paulo II,
Enc. Sollicitudo Rei Socialis, 38). [39]Cf. Compêndio da Doutrina Social da
Igreja, 193-195. [40]Cf. Concílio Vaticano II, Const. Gaudium et Spes, 75.
[41]S. João Paulo II, Ex. Ap. Christifideles Laici, 42, 30-XII-1988. [42]Por
exemplo: «Quando não fosse possível esconjurar ou abrogar completamente uma lei
abortista, um deputado, cuja absoluta oposição pessoal ao aborto fosse clara e
conhecida de todos, poderia licitamente oferecer o próprio apoio a propostas
que visassem limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos
negativos no âmbito da cultura e da moralidade pública» (S. João Paulo II, Enc.
Evangelium Vitae, 73). [43]Corresponde aos leigos, «pelas suas livres
iniciativas e sem esperar passivamente ordens e directrizes, imbuir de espírito
cristão a mentalidade e os costumes, as leis e as estruturas da sua comunidade
de vida» (Paulo VI, Enc. Populorum Progressio, 81); cf. Concílio Vaticano II:
Const. Lumen Gentium, 31; Const. Gaudium et Spes, 43; S. João Paulo II, Ex. Ap.
Christifideles Laici, 15; Catecismo, 2442).
Doutrina – 412
Compêndio
PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO
DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO
DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO
CREIO NA SANTA IGREJA
CATÓLICA
Os fiéis: hierarquia,
leigos, vida consagrada
190. Como participam na sua
função profética?
Participam
nela acolhendo cada vez mais na fé a Palavra de Cristo e anunciando-a ao mundo
com o testemunho da vida e da palavra, a acção evangelizadora e a catequese.
Esta acção evangelizadora adquire uma particular eficácia pelo facto de ser realizada
nas condições ordinárias da vida secular.
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Simplicidade e modéstia.
Senhor, ajuda-me a ser simples, a despir-me da minha “importância”, a ser contido no meu comportamento e nos meus desejos, deixando-me de quimeras e sonhos de grandeza e proeminência.
Lembrar-me:
Do meu Anjo da Guarda.
Senhor, ajuda-me a lembrar-me do meu Anjo da Guarda, que eu não despreze companhia tão excelente. Ele está sempre a meu lado, vela por mim, alegra-se com as minhas alegrias e entristece-se com as minhas faltas.
Anjo da minha Guarda, perdoa-me a falta de correspondência ao teu interesse e protecção, a tua disponibilidade permanente. Perdoa-me ser tão mesquinho na retribuição de tantos favores recebidos.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
27/03/2018
Eu confio em Ti, sei que és meu Pai
Jesus ora no horto: Pater mi (Mt XXVI, 39), Abba, Pater (Mc XIV, 36)! Deus é meu Pai, ainda que me
envie sofrimento. Ama-me com ternura, mesmo quando me bate. Jesus sofre, para
cumprir a Vontade do Pai... E eu, que também quero cumprir a Santíssima Vontade
de Deus, seguindo os passos do Mestre, poderei queixar-me, se encontro por
companheiro de caminho o sofrimento? Constituirá um sinal certo da minha
filiação, porque me trata como ao Seu Divino Filho. E, então, como Ele, poderei
gemer e chorar sozinho no meu Getsemani; mas, prostrado por terra, reconhecendo
O meu nada, subirá ao Senhor um grito saído do íntimo da minha alma: Pater mi, Abba, Pater, ... fiat! (Via Sacra, 1ª Estação, n. 1)
Por motivos que não vem a propósito referir –
mas que são bem conhecidos de Jesus, que aqui temos a presidir no Sacrário – a
vida tem-me levado a sentir-me de um modo muito especial filho de Deus. Tenho
saboreado a alegria de me meter no coração de meu Pai, para rectificar, para me
purificar, para o servir, para compreender e desculpar a todos, tendo como base
o seu amor e a minha humilhação.
Por isso, desejo agora insistir na necessidade
de nos renovarmos, vós e eu, de despertarmos do sono da tibieza que tão
facilmente nos amodorra e de voltarmos a entender, de maneira mais profunda e
ao mesmo tempo mais imediata, a nossa condição de filhos de Deus.
O exemplo de Jesus, toda a vida de Cristo por
aquelas terras do Oriente ajuda-nos a deixarmo-nos penetrar por essa verdade.
Se admitimos o testemunho dos homens – lemos na Epístola – de maior autoridade
é o testemunho de Deus. E em que consiste o testemunho de Deus? De novo fala S.
João: Considerai o amor que nos mostrou o Pai em querer que nos chamemos filhos
de Deus, e que o sejamos... Caríssimos, agora já somos filhos de Deus.
Ao longo dos anos, tenho procurado apoiar-me
sem desfalecimento nesta feliz realidade. Em todas as circunstâncias, a minha
oração tem sido a mesma com tonalidades diferentes. Tenho-lhe dito: Senhor, Tu
colocaste-me aqui; Tu confiaste-me isto ou aquilo, e eu confio em Ti. Sei que
és meu Pai e tenho visto sempre que as crianças confiam absolutamente nos pais.
A minha experiência sacerdotal tem-me confirmado que este abandono nas mãos de
Deus leva as almas a adquirir uma piedade forte, profunda e serena, que impele
a trabalhar constantemente com rectidão de intenção. (Amigos de Deus, 143)
Temas para reflectir e meditar
Só acredita de verdade o que
pratica o que crê.
(SÃO
GREGÓRIO MAGNO, Homilias sobre os
Evangelhos, 26, 9)
Evangelho e comentário
Semana Santa
Evangelho: Jo 13, 21-23. 36-38
21 Tendo dito isto, Jesus perturbou-se interiormente e declarou: «Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entre-gar!» 22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. 23 Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito.
36 Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37 Disse-lhe Pedro: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» 38 Replicou Jesus: «Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não can-tará o galo, antes de me teres negado três vezes!»
Comentário:
A delicadeza do Senhor para com Judas espanta-nos?
Não, Jesus poderia ter dito claramente e de viva voz quem seria o traidor, mas, porque o não fez?
Em primeiro lugar – talvez – para evitar uma reacção natural dos outros discípulos presentes que, decerto, impediriam aquele de cometer o acto tão reprovável.
Mas, depois, porque as Escrituras tinham de cumprir-se plenamente até ao pormenor.
A perturbação de Jesus – de que o Evangelista fala – deve-se naturalmente à Sua profunda mágoa por ver um dos Seus escolhidos trair a Sua confiança e o Seu Amor.
Não… o Senhor não Se enganou na escolha dos doze porque até ao último momento – tal como connosco – espera uma reconvenção que nos afaste do caminho da traição.
O que é o pecado senão uma traição ao Amor Infinito que Deus tem pelos Seus filhos?
(AMA, comentário sobre Jo 13, 21-33. 36-38, 10.04.2017)
Leitura espiritual
O pecado é uma palavra, um
acto ou um desejo contrários à lei eterna. É uma ofensa a Deus, que lesa a
natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana.
1.
O pecado pessoal: ofensa a Deus, desobediência à lei divina
O pecado pessoal é um “acto,
palavra ou desejo contrário à lei eterna"[1]. Isto significa que o pecado
é um acto humano, dado que requer o concurso da liberdade[2], e expressa-se em
actos externos, palavras ou actos internos. Além disso, este acto humano é mau,
isto é, opõe-se à lei eterna de Deus, que é a primeira e suprema regra moral,
fundamento das outras. De modo mais geral, pode dizer-se que o pecado é
qualquer acto humano oposto à norma moral, isto é, à recta razão iluminada pela
fé. Trata-se, portanto, de uma toma de posição negativa a respeito de Deus e,
por contraste, um amor desordenado a nós mesmos. Por isso, também se diz que o
pecado é essencialmente aversio a Deo et
conversio ad creaturas. A aversio não representa necessariamente um ódio explícito
ou aversão, mas o afastamento de Deus, consequente à anteposição de um bem
aparente ou finito ao bem supremo do homem (conversio). Santo Agostinho
descreve-o como “o amor de si próprio que chega até ao desprezo de
Deus"[3]. “Por esta exaltação orgulhosa de si mesmo, o pecado é
diametralmente oposto à obediência de Jesus que realiza a salvação (cf. Fil 2,
6-9) (Catecismo, 1850)
O pecado é o único mal em
sentido plano. Os restantes males (por exemplo, uma doença) em si não afastam
de Deus, ainda que certamente são privação de algum bem.
2.
Pecado mortal e pecado venial
Os pecados podem dividir-se
em mortais ou graves e veniais ou leves (cf. Jo 5, 16-17), conforme o homem
perca totalmente a graça de Deus ou não[4]. O pecado mortal e o pecado venial
podem comparar-se entre si como a morte e a doença da alma. “É o pecado mortal
que tem como objecto uma matéria grave e que, além disso, é cometido com pleno
conhecimento e deliberado consentimento"[5]. “Com toda a tradição da
Igreja, chamamos pecado mortal a este acto pelo qual um homem, com liberdade e
advertência, rejeita Deus, a sua lei, a aliança de amor que Deus lhe propõe,
preferindo voltar-se para si mesmo, para qualquer realidade criada e finita,
para algo contrário ao querer divino (conversio
ad creaturam). Isto pode acontecer de modo directo e formal, como nos
pecados de idolatria, apostasia e ateísmo; ou de modo equivalente, como em
todas as desobediências aos mandamentos de Deus em matéria grave" Com toda
a tradição da Igreja, chamamos pecado mortal a este acto pelo qual um homem,
com liberdade e advertência, rejeita Deus, a sua lei, a aliança de amor que
Deus lhe propõe, preferindo voltar-se para si mesmo, para qualquer realidade
criada e finita, para algo contrário ao querer divino (conversio ad creaturam). Isto pode acontecer de modo directo e
formal, como nos pecados de idolatria, apostasia e ateísmo; ou de modo
equivalente, como em todas as desobediências aos mandamentos de Deus em matéria
grave[6]. - Matéria grave: significa que o acto é por si mesmo incompatível com
a caridade e, portanto, também com as exigências iniludíveis das virtudes
morais ou teologais. - Pleno conhecimento (ou advertência) do entendimento:
isto é, conhece-se que a acção é pecaminosa, quer dizer, contrária à lei de Deus.
- Deliberado (ou perfeito) consentimento da vontade: indica que se quer
abertamente essa acção, que se sabe contrária à lei de Deus. Isto não significa
que para que haja pecado mortal seja necessário querer ofender directamente a
Deus: basta que se queira realizar algo gravemente contrário à sua divina
vontade[7]. As três condições têm de se cumprir simultaneamente[8]. Se falta
alguma das três o pecado pode ser venial. Isto dá-se, por exemplo, quando a
matéria não é grave, ainda que haja plena advertência e perfeito consentimento;
ou então, quando não há plena advertência ou perfeito consentimento, ainda que
se trate de matéria grave. Logicamente, se não há advertência nem
consentimento, faltam os requisitos para que se possa falar de que uma acção é
pecaminosa, pois seria um acto impropriamente humano.
2.1
- Efeitos do pecado mortal
O pecado mortal “tem como
consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, quer
dizer, do estado de graça. Se não for resgatado pelo arrependimento e pelo
perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna do
inferno" (Catecismo, 1861)[9]. Quando se cometeu pecado mortal, e enquanto
se permaneça fora do “estado de graça", sem a recuperar pela confissão
sacramental, não se pode receber a Comunhão, pois não se pode querer ao mesmo
tempo estar unido e afastado de Cristo: cometer-se-ia um sacrilégio[10]. Ao
perder a união vital com Cristo pelo pecado mortal perde-se também a união com
o seu Corpo místico, a Igreja. Não se deixa de pertencer à Igreja, mas está-se
como membro doente, sem saúde, que produz um mal a todo o corpo. Também se
ocasiona dano à sociedade humana, porque se deixa de ser luz e fermento, ainda
que isto possa passar inadvertido. Pelo pecado mortal perdem-se os méritos adquiridos
– ainda que poderão recuperar-se ao receber o sacramento da Penitência – e
fica-se incapacitado de adquirir outros novos; o homem fica sujeito à
escravidão do demónio; diminui o desejo natural de fazer o bem e provoca-se
desordem das potências e dos afectos.
2.2
- Efeitos do pecado venial
«O pecado venial enfraquece
a caridade; traduz um afecto desordenado aos bens criados; impede o progresso
da alma no exercício das virtudes e na prática do bem moral; e merece penas
temporais. O pecado venial deliberado e não seguido de arrependimento, dispõe,
a pouco a pouco, para cometer o pecado mortal. Não entanto, o pecado venial não
quebra a Aliança com Deus. E é humanamente com a graça de Deus reparável. “Não
priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade, nem, portanto,
da bemaventurança eterna" (S. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et
paenitentia (2-XII-1984), 17)» (Catecismo, 1863).
Deus perdoa-nos os pecados
veniais na Confissão e também, fora deste Sacramento, quando realizamos um acto
de contrição e fazemos penitência, doendo-nos por não ter correspondido ao
infinito amor que nos tem. O pecado venial deliberado, ainda que não afaste
totalmente de Deus, é uma tristíssima falta que esfria a amizade com Ele. Há
que ter “horror ao pecado venial deliberado". Para uma pessoa que queira
amar de verdade Deus não faz sentido consentir em pequenas traições porque não
são pecado mortal[11]: isso conduz à tibieza[12].
2.3
- A opção fundamental
A doutrina da opção
fundamental[13], que repele a distinção tradicional entre os pecados mortais e
os veniais, afirma que a perda da graça santificante pelo pecado mortal, com
tudo o que isso supõe, compromete de tal modo a pessoa que somente pode ser
fruto de um acto de oposição radical e total a Deus, quer dizer, um acto de
opção fundamental contra Ele[14]. Assim entendido, segundo os defensores desta
opinião errónea, seria quase impossível incorrer em pecado mortal no devir das
nossas escolhas quotidianas; ou no seu caso recuperar o estado de graça mediante
uma penitência sincera; pois a liberdade, dizem, não seria apta para
determinar, na sua capacidade ordinária de escolha, de um modo singular e
decisivo, o sinal da vida moral da pessoa. Assim, dizem estes autores, ao
tratar-se de excepções pontuais a uma vida globalmente recta, poder-se-iam
justificar faltas de unidade e coerência de vida cristã; desgraçadamente ao
mesmo tempo se tirar-se-ia importância à capacidade de decisão e compromisso da
pessoa no uso do seu arbítrio. Muito relacionado com a anterior doutrina está a
proposta de uma tripartição do pecado, em veniais, graves e mortais. Os últimos
suporiam uma resolução consciente e irrevogável de ofender a Deus, e seriam os
únicos que afastariam de Deus e fechariam as portas à vida eterna. Desta forma,
a maioria dos pecados que, pela sua matéria, tradicionalmente foram
considerados como mortais não seriam mais que graves, já que não se cometeriam
com uma intenção positiva de repelir Deus. A Igreja assinalou em numerosas
ocasiões os erros que estão subjacentes a estas correntes de pensamento.
Encontramo-nos diante uma doutrina sobre a liberdade onde esta fica muito
debilitada, pois esquece que em realidade quem decide é a pessoa, que pode
decidir modificar as suas intenções mais profundas e que, de facto, pode
modificar os seus propósitos, as suas aspirações, os seus objectivos e o seu
completo projecto vital, através de determinados actos particulares e
quotidianos[15]. Por outro lado, “fica sempre firme o princípio de que a
distinção essencial e decisiva está entre o pecado que destrói a caridade e o
pecado que não mata a vida sobrenatural; entre a vida e a morte não existe uma
via intermédia"[16].
2.4
- Outras divisões
a) Pode-se distinguir entre
o pecado actual, que é o próprio acto de pecar, e o habitual, que é a mancha
deixada na alma pelo pecado actual, reato de pena e de culpa e, no pecado
mortal, privação da graça. b) O pecado pessoal distingue-se por sua vez do
original, com o qual todos nascemos e contraímos pela desobediência de Adão. O
pecado original é inerente a cada um, mesmo que não tenha sido cometido
pessoalmente. Poder-se-ia comparar a uma doença herdada, que se cura pelo
Baptismo – pelo menos, por desejo implícito de o receber –, ainda que permanece
uma debilidade que inclina a cometer novos pecados pessoais. O pecado pessoal,
portanto comete-se, enquanto o pecado original se contrai. c) Os pecados
externos são os que se cometem com uma acção que pode ser observada do exterior
(homicídio, roubo, difamação, etc.). Os pecados internos, pelo contrário,
permanecem no interior do homem, isto é, na sua vontade, sem se manifestarem em
actos externos (ira, inveja, avareza não exteriorizados, etc.). Qualquer
pecado, externo ou interno, tem a sua origem num acto interno da vontade: é
este o acto propriamente moral. Os actos puramente interiores podem ser pecado
e grave. d) Fala-se de pecados carnais ou espirituais, conforme se tenda
desordenadamente a um bem sensível (ou a uma realidade que se apresenta sob a
aparência de bem; por exemplo, a luxúria) ou espiritual (a soberba). Por si
mesmos, os segundos são mais graves; não obstante, os pecados carnais são
geralmente mais veementes, precisamente porque o objecto que atrai (uma
realidade sensível) é mais imediata. e) Pecados de comissão e de omissão:
qualquer pecado comporta a realização de um acto voluntário desordenado. Se
este se traduz numa acção, denomina-se pecado de comissão; se, pelo contrário,
o acto voluntário se traduz em omitir algo devido, chama-se de omissão.
3.
A proliferação do pecado
“O pecado cria uma
facilidade para o pecado, gera o vício pela repetição de actos. Daqui resultam
inclinações desviadas que obscurecem a consciência e corrompem a avaliação do
bem e do mal. Assim, o pecado tende a reproduzir-se e a reforçar-se, mas não
pode destruir o sentido moral até à sua raiz" (Catecismo, 1865). Chamamos
capitais aos pecados pessoais que especialmente induzem a outros, pois são como
a cabeça dos outros pecados. São a soberba – princípio de qualquer pecado ex
parte aversionis (cf. Sir 10, 12-13) -, avareza – princípio ex parte conversionis -, luxúria, ira,
gula, inveja e preguiça (cf. Catecismo, 1866). A perda do sentido do pecado é
fruto do voluntário obscurecimento da consciência que leva o homem, pela sua
soberba, a negar que os pecados pessoais sejam tais e inclusive a negar que
exista o pecado[17]. Às vezes não cometemos directamente o mal, mas de algum
modo colaboramos, com maior ou menor responsabilidade e culpa moral, numa acção
iníqua de outra pessoa “O pecado é um acto pessoal. Mas, além disso, nós temos
responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles cooperamos:
tomando parte neles, directa e voluntariamente; ordenando-os, aconselhando-os,
aplaudindo-os ou aprovando-os; não os denunciando ou não os impedindo, quando a
isso obrigados; protegendo os que praticam o mal" (Catecismo, 1868). Os
pecados pessoais dão lugar também a situações sociais contrárias à bondade
divina que se conhecem como estruturas de pecado[18]. Estas não são mais que a
expressão e efeito dos pecados de cada pessoa (cf. Catecismo, 1869)[19].
4.
As tentações
No contexto das causas do
pecado, temos de falar da tentação, que é a incitação ao Mal. “A causa do
pecado está no coração do homem" (Catecismo, 1873), mas este pode estar
atraído pela presença de bens aparentes. A atracção da tentação nunca poderá ser
tão forte que obrigue a pecar: “Não vos surpreendeu nenhuma tentação que
tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais
tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de
sair dela e a força para a suportar" (1 Cor 10, 13). Se não se procuram, e
se se aproveitam como ocasião de esforço moral, podem ter um significado
positivo para a vida cristã. As causas das tentações podem reduzir-se a três
(cf. 1 Jo 2, 16):
- O “ mundo": não como
criação de Deus, porque neste sentido é bom, mas enquanto que pela desordem do
pecado solicita a conversio ad creaturas, com um ambiente materialista e
pagão[20]. - O demónio: que instiga ao pecado, mas que não tem poder para nos
fazer pecar. As tentações do diabo afastam-se com oração[21]. - A “carne"
ou concupiscência: desordem das forças da alma como resultado dos pecados
(também chamada fomes peccati). Esta
tentação vence-se com a mortificação e a penitência, e com a decisão de não
dialogar e de ser sinceros na direcção espiritual, sem encobrir a tentação com
“arrazoadas sem-razões"[22]. Diante da tentação, há que lutar por evitar o
consentimento, dado que supõe a adesão da vontade à complacência, ainda não
deliberada, consequente à representação involuntária do mal que se dá na
sugestão. Para combater as tentações é preciso ser muito sincero com Deus,
consigo mesmo e na direcção espiritual. De contrário corre-se o risco de
provocar a deformação da consciência. A sinceridade é um grande meio para
evitar os pecados e alcançar a verdadeira humildade: Deus Pai vem ao encontro
de quem se confessa pecador, revelando aquilo que a soberba queria ocultar como
pecado. Além disso, tem de se fugir das ocasiões de pecado, isto é, daquelas
circunstâncias que se apresentam mais ou menos voluntariamente e supõem uma
tentação. Há que evitar sempre as ocasiões livres, e quando se trata de
ocasiões próximas (quer dizer, se há perigo sério de cair na tentação) e
necessárias (que não se podem evitar), deve-se fazer todo o possível para
afastar o perigo ou, dito de outro modo, empregar os meios para que tais
ocasiões passem de próximas a remotas. Também, na medida do possível, haverá
que evitar as ocasiões remotas, contínuas e livres, que acontecem na vida
espiritual e predispõem ao pecado grave.
PAU
AGULLES SIMÓ
Bibliografia
básica
-
Catecismo da Igreja Católica, 1846-1876 - S. João Paulo II, Ex. Ap.
Reconciliatio et paenitentia, 2-XII-1984, 14-18. - S. João Paulo II, Enc.
Veritatis Splendor, 6-VIII-1993, 65-70
Leituras
recomendadas
-
São Josemaria, Homilia “A luta interior", em Cristo que Passa, 73-82 - E.
Colom, A. Rodríguez Luño, Elegidos en Cristo para ser santos, Palabra, Madrid
2000, cap. XI. - A. Fernández, Teología Moral, vol. I, Aldecoa, Burgos 1995,
pp. 747-834
Notas
[1]Santo
Agostinho, Contra Faustum manichorum, 22, 27: PL. 42, 418. Cf. Catecismo, 1849
[2]Classicamente definiu-se o pecado como uma desobediência voluntária à lei de
Deus: se não fosse voluntária, não seria pecado, dado que não se trataria
sequer de um próprio e verdadeiro acto humano. [3]Santo Agostinho, De civitate
Dei, 14, 28. [4]Cf. S. João Paulo II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia,
2-XII-1984, 17. [5]Ibidem. Cf. Catecismo, 1857-1860. [6]S. João Paulo II, Ex.
ap. Reconciliatio et paenitentia, 17. [7]Comete-se um pecado mortal quando o
homem “sabendo-o e querendo-o, escolhe, seja pelo motivo que for, algo
gravemente desordenado. Com efeito, nesta escolha está já incluído um desprezo
do preceito divino, um rechaço do amor de Deus pela humanidade e por toda a
criação: o homem afasta-se de Deus e perde a caridade" (Ibidem.) [8]Cf. S.
João Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 6-VIII-1993, 70. [9]Apesar da
consideração do acto em si, convém assinalar que o juízo sobre as pessoas
devemos confiá-lo só à justiça e à misericórdia de Deus (cf. Catecismo, 1861).
[10]Só quem tenha motivo verdadeiramente grave e não lhe seja possível
confessarse, pode celebrar os sacramentos e receber a sagrada comunhão, depois
de fazer um acto de contrição perfeito, que inclui o propósito de se confessar
quanto antes (cf. Catecismo, 1452 e 1457). [11]Cf. São Josemaria, Amigos de
Deus, 243; Sulco, 139. [12]Cf. São Josemaria, Caminho, 325-331. [13]Cf. S. João
Paulo II, Enc. Veritatis Splendor, 65-70. [14]Cf. Ibidem, 69 [15]Cf. João Pauli
II, Ex. ap. Reconciliatio et paenitentia, 17; Veritatis Splendor, 70.
[16]Ibidem, 17. [17]Cf. Ibidem, 18 [18]Cf. S. João Paulo II, Enc. Sollicitudo
rei socialis, 30-XII-1987, 36 e ss. [19]Cf. S. João Paulo II, Ex. ap.
Reconciliatio et paenitentia, 16. [20]Para combater estas tentações é preciso
ir contra a corrente, sempre que for preciso, com fortaleza, em vez de se
deixar arrastar por costumes mundanos (cf. São Josemaria. Caminho, 376).
[21]Por exemplo, a oração a S. Miguel Arcanjo, vencedor de Satanás (cf. Ap 12,
7 e 20, 2). A igreja sempre recomendou também alguns sacramentais, como a água
benta, para combater as tentações do demónio. “De nenhuma coisa fogem mais os
demónios, para não voltar, que da água benta", dizia Santa Teresa de Ávila
(citado em São Josemaria, Caminho, 572). [22]Cf. São Josemaria, Caminho,
134 e 727.
Hoy el reto del amor es acompañar al Señor en la procesión
Esta mañana, al cruzar la
iglesia camino de la capilla, a todas nos ha llamado la atención la decoración
que tan delicadamente han preparado las sacristanas: enganchados a los
candelabros o entre la reja, los ramos de olivo
asoman por aquí y por allá, mientras unas preciosas palmas aguardan
expectantes el momento de la procesión por el claustro.
¡Ya ha llegado el Domingo de
Ramos! ¡Comienza la Semana Santa!
De pronto, viendo la belleza de
la decoración, me he acordado de la lectura de la vigilia de ayer por la noche:
«No pongamos bajo sus pies unas ramas inertes, que muy pronto perderán su
verdor, su fruto y su aspecto agradable...»
"¿Y qué deberíamos poner
hoy a tus pies, Señor?", me preguntaba más tarde en la oración.
Rememorando la lectura, pronto
supe la respuesta: ¡nuestra vida!
Vamos a comenzar las fiestas de
la Pasión, Muerte y Resurrección del Señor. Y hoy, le aclamamos como rey que
llega.
Creo que la Iglesia nos está
invitando a dejar que Cristo tome posesión de nuestro corazón, que entre en lo
más profundo de nuestra alma, que hoy pongamos a sus pies, no las ramas de
olivo, sino todo aquello que nos pesa, que nos mata.
Hoy se te ofrece la oportunidad
de hacer esta Semana Santa realmente "tuya". Cristo viene a tomar lo
tuyo, porque sabe que solo no puedes. ¡Viene libremente a morir y a resucitar
por ti! Las ramas de olivo de nuestra vida no se secarán, sino que, bañadas en
su Sangre, florecerán y darán frutos aún más exquisitos, los frutos de un Amor
que no procede de nosotros. ¿Aceptarás su invitación?
Hoy el reto del amor es
acompañar al Señor en la procesión, llevando tu ramo pero, sobre todo, llevando
tu vida, poniendo a sus pies aquellas personas o situaciones que esta Semana
Santa necesitas que el Señor tome en su Cruz para redimirlas y devolvértelas
resucitadas. ¡Cantemos la victoria de este Rey que sólo sabe amar hasta el
extremo! ¡Feliz domingo!
VIVE
DE CRISTO
Pequena agenda do cristão
(Coisas muito simples, curtas, objectivas)
Propósito:
Aplicação no trabalho.
Senhor, ajuda-me a fazer o que devo, quando devo, empenhando-me em fazê-lo bem feito para to poder oferecer.
Lembrar-me:
Os que estão sem trabalho.
Senhor, lembra-te de tantos e tantas que procuram trabalho e não o encontram, provê às suas necessidades, dá-lhes esperança e confiança.
Pequeno exame:
Cumpri o propósito que me propus ontem?
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