10/03/2018

Renova a alegria de lutar

Em certos momentos angustia-te um princípio de desânimo, que mata todo o teu entusiasmo, e que mal consegues vencer à força de actos de esperança. Não importa; é a melhor hora de pedir mais graça a Deus, e avante! Renova a alegria de lutar, ainda que percas uma escaramuça. (Sulco, 77)


Com monótona cadência sai da boca de muitos o ritornello já tão vulgar, de que a esperança é a última coisa que se perde; como se a esperança fosse um apoio para continuarmos a deambular sem complicações, sem inquietações de consciência; ou como se fosse um expediente que permite adiar sine die a oportuna rectificação do procedimento, a luta para alcançar metas nobres e, sobretudo, o fim supremo de nos unirmos com Deus.



Eu diria que esse é o caminho para confundir a esperança com a comodidade. No fundo, não há ânsias de conseguir um verdadeiro bem, nem espiritual, nem material legítimo; a mais alta pretensão de alguns reduz-se a evitar o que poderia alterar a tranquilidade – aparente – de uma existência medíocre. Com uma alma tímida, acanhada, preguiçosa, a criatura enche-se de egoísmos subtis e conforma-se com o facto de os dias, os anos decorrerem sine spe nec metu, sem aspirações que exijam esforço, sem os perigos da peleja: o que importa é evitar o risco do desaire e das lágrimas. Que longe se está de obter uma coisa, se se malogrou o desejo de a possuir, por temor das exigências que a sua conquista comporta! (Amigos de Deus, n. 207)

Temas para meditar e reflectir

Doença


Todos nós sabemos como Jesus se apresentava ao homem na sua integridade, para o purificar completamente, no corpo, na psique e no espírito.

Com efeito, a pessoa humana é um único ser, e as várias dimensões podem e devem distinguir-se, mas são inseparáveis.



(BENTO XVI, Disc. no Dia mundial do doente, 2006.02.11)




Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Lc 18, 9-14

9 Disse também a seguinte parábola, a respeito de alguns que confiavam muito em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os demais: 10 «Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu e o outro, cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, fazia interiormente esta oração: ‘Ó Deus, dou-te graças por não ser como o resto dos homens, que são ladrões, injustos, adúlteros; nem como este cobrador de impostos. 12 Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de tudo quanto possuo.’ 13 O cobrador de impostos, mantendo-se à distância, nem sequer ousava levantar os olhos ao céu; mas batia no peito, dizendo: ‘Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador.’ 14 Digo-vos: Este voltou justificado para sua casa, e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.»

Comentários:

O respeito devido a Deus também se manifesta nas atitudes que tomamos.

Já o dissemos várias vezes: ajoelhar-se em frente do Sacrário ou durante os principais momentos da Santa Missa, como por exemplo durante a Consagração, é a atitude correcta a observar, não só por o ser, mas também pelo exemplo a que se dá aos outros.

A Santa Missa não é nem um acto qualquer ou cerimónia nem mais uma "obrigação" que cumprimos, é o maior e mais completo acto de louvor e acção de graças que prestamos a Deus por isso todas as nossas atitudes têm de reflectir estes sentimentos.


(AMA, comentário sobre Lc 18, 9-14, 05.03.2016) 


Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 18 O Baptismo e a Confirmação

O Baptismo outorga ao cristão a justificação. Com a Confirmação completa-se o património baptismal com os dons sobrenaturais da maturidade cristã.


Baptismo 1. Fundamentos bíblicos e instituição

De entre as numerosas prefigurações veterotestamentárias do Baptismo, destaca-se o dilúvio universal, a travessia do Mar Vermelho e a circuncisão, visto se encontrarem explicitamente mencionadas no Novo Testamento ao aludirem a este sacramento (cf. 1 Pe 3, 20-21; 1 Cor 10, 1; Cl 2, 11-12).
Com S. João Baptista, o rito da água, ainda sem eficácia salvadora, une-se à preparação doutrinal, à conversão e ao desejo da graça, pilares do futuro catecumenato.
Jesus é baptizado nas águas do rio Jordão no início do Seu ministério público (cf. Mt 3, 13-17), não por necessidade, mas por solidariedade redentora.
Nessa ocasião fica definitivamente indicada a água como elemento material do signo sacramental.
Além disso, abrem-se os céus, desce o Espírito Santo em forma de pomba e ouve-se a voz de Deus Pai que confirma a filiação divina de Cristo: acontecimentos que revelam nos primórdios da futura Igreja o que depois se realizará sacramentalmente nos seus membros.
Depois disso, teve lugar o encontro com Nicodemos, durante o qual Jesus afirma o vínculo pneumatológico que existe entre a água baptismal e a salvação, daí a sua necessidade: «quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus» (Jo 3, 5).

O mistério pascal confere ao baptismo o seu valor salvífico.
Jesus, com efeito, «já tinha falado da sua paixão, que ia sofrer em Jerusalém, como dum “baptismo” com que devia ser baptizado (Mc 10, 38; cf. Lc 12, 50).
O sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (cfr. Jo 19, 34) são tipos do Baptismo e da Eucaristia, sacramentos da vida nova» (Catecismo, 1225).
Antes de subir aos céus, o Senhor disse aos Apóstolos:
«Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20).

Este mandato é seguido fielmente a partir do Pentecostes e marca o sentido primordial da evangelização, que continua a ser actual. Comentando estes textos, disse S. Tomás de Aquino que a instituição do Baptismo foi múltipla: no que se refere à matéria, no Baptismo de João; a sua necessidade foi afirmada em Jo 3, 5; o seu começou quando Jesus enviou os seus discípulos a pregar e a baptizar; a sua eficácia provém da Paixão; a sua difusão foi imposta em Mt 28, 19 [1].

2. A justificação e os efeitos do Baptismo

Lê-se na Epístola aos Romanos (Rm 6, 3-4):
«Ou ignorais que todos nós, que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos baptizados na sua morte? Pelo Baptismo fomos, pois, sepultados com Ele na morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova».
O Baptismo, que reproduz no fiel a passagem de Jesus Cristo pela Terra e a sua acção salvadora, outorga ao cristão a justificação.
Para isto mesmo aponta Cl 2, 12: «Sepultados com Ele no Baptismo, foi também com Ele que fostes ressuscitados, pela fé que tendes no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos».
Acrescente-se agora a incidência da fé que, com o rito da água, nos «revestimos de Cristo», como afirma Gl 3, 26-27: «É que todos vós sois filhos de Deus em Cristo Jesus, mediante a fé; pois todos os que fostes baptizados em Cristo, revestistes-vos de Cristo mediante a fé».
Esta realidade de justificação pelo Baptismo traduz-se em efeitos concretos na alma do cristão, que a teologia apresenta como efeitos curativos e santificantes.
Os primeiros referem-se ao perdão dos pecados, como sublinha a pregação petrina:
«Pedro respondeu-lhes: “Convertei-vos e peça cada um o baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo”» (Act 2, 38).

Isto inclui o pecado original e, nos adultos, todos os pecados pessoais. Ocorre também a remissão da totalidade da pena temporal e eterna.
No entanto, permanecem no baptizado «certas consequências temporais do pecado, como os sofrimentos, a doença, a morte, ou as fragilidades inerentes à vida, como as fraquezas de carácter, etc., assim como uma inclinação para o pecado a que a Tradição chama concupiscência ou, metaforicamente, a “isca” ou “aguilhão” do pecado (“fomes peccati”)» (Catecismo, 1264).
O aspecto santificante consiste na efusão do Espírito Santo; com efeito, «num só Espírito, fomos todos baptizados» (1 Cor 12, 13).
Porque se trata do próprio «Espírito de Cristo» (Rm 8, 9), recebemos «um Espírito que faz de vós filhos adoptivos» (Rm 8, 15), como filhos no Filho.
Deus concede ao baptizado a graça santificante, as virtudes teologais e morais e os dons do Espírito Santo.
Com esta realidade de graça «o Baptismo marca o cristão com um selo espiritual indelével («charactere») da sua pertença a Cristo.
Esta marca não é apagada por nenhum pecado, embora o pecado impeça o Baptismo de produzir frutos de salvação» (Catecismo, 1272).
Como fomos baptizados num só Espírito «para formar um só corpo» (1 Cor 12, 13), a incorporação em Cristo é contemporaneamente incorporação na Igreja, e nela ficamos vinculados com todos os cristãos, também com aqueles que não estão em comunhão plena com a Igreja Católica.
Finalmente, recordemos que os baptizados são «linhagem escolhida, sacerdócio régio, nação santa, povo adquirido em propriedade, a fim de proclamarem as maravilhas daquele que os chamou das trevas para a sua luz admirável» (1 Pe 2, 9): participam do sacerdócio comum dos fiéis, «”devem confessar diante dos homens a fé que de Deus receberam por meio da Igreja” (LG 11 ) e participar na actividade apostólica e missionária do povo de Deus»(Catecismo, 1270).

3. Necessidade

A catequese neotestamentária afirma categoricamente de Cristo que «não há no Céu outro nome dado aos homens pelo qual sejamos salvos».
E visto que ser «baptizados em Cristo» equivale a ser «revestido de Cristo» (Gl 3, 27), devem entender-se com toda a sua força aquelas palavras de Jesus segundo as quais «quem acreditar e for baptizado será salvo; mas, quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 16). Daqui deriva a fé da Igreja sobre a necessidade do Baptismo para a salvação.

Deve-se entender esta última afirmação segundo a cuidadosa formulação do Magistério: «O Baptismo é necessário para a salvação de todos aqueles a quem o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento (cf. Mc 16, 16).
A Igreja não conhece outro meio a não ser o Baptismo para garantir a entrada na bem-aventurança eterna.
Por isso, tem cuidado em não negligenciar a missão que recebeu do Senhor de fazer “renascer da água e do Espírito” todos os que podem ser baptizados.
Deus ligou a salvação ao sacramento do Baptismo; mas Ele próprio não está prisioneiro dos seus sacramentos» (Catecismo, 1257).
Com efeito, existem situações especiais nas quais os principais frutos do Baptismo se podem adquirir sem a mediação sacramental.
Mas precisamente porque não há signo sacramental, não existe a certeza da graça conferida.
O que a tradição eclesial chamou Baptismo de sangue e Baptismo de desejo não são «actos recebidos», mas um conjunto de circunstâncias que concorrem num sujeito, determinando as condições para que se possa falar de salvação.
Entende-se assim «a firme convicção de que aqueles que sofrem a morte por causa da fé, sem terem recebido o Baptismo, são baptizados pela sua morte por Cristo e com Cristo» (Catecismo, 1258).
De modo análogo, a Igreja afirma que «todo o homem que, na ignorância do Evangelho de Cristo e da sua Igreja, procura a verdade e faz a vontade de Deus conforme o conhecimento que dela tem, pode salvar-se. Podemos supor que tais pessoas teriam desejado explicitamente o Baptismo se dele tivessem conhecido a necessidade» (Catecismo, 1260).
As situações de Baptismo de sangue e de desejo não incluem as crianças mortas sem Baptismo.
A essas, «a Igreja não pode senão confiá-las à misericórdia de Deus, como o faz no rito do respectivo funeral.
De facto, a grande misericórdia de Deus, “que quer que todos os homens se salvem” (1 Tm 2, 4) (...) permite-nos esperar que haja um caminho de salvação para as crianças que morrem sem Baptismo» (cf. Catecismo, 1261).

(cont)


Doutrina – 408

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

Os fiéis: hierarquia, leigos, vida consagrada

186. Como é que os Bispos exercem o ministério de santificar?



Os Bispos santificam a Igreja dispensando a graça de Cristo, mediante o ministério da palavra e dos sacramentos, em particular da Eucaristia, e também com a oração e o seu exemplo e trabalho.

Hoy el reto del Amor es buscarte en la Pasión del Señor.

UNA A UNA

Hace unos días comenzamos a poner los primeros cultivos. Los sacamos de los semilleros y los plantamos formando unas hileras con todo tipo de verduras: tomates, pimientos, lechugas, berenjenas...

Junto a cada hilera, formamos un surco para dejar correr el agua y que así recorriera el cultivo a modo de canal y fuera regando todo. Pero, al regar, nos dimos cuenta de que, como las plantas son aún muy pequeñitas, el surco del agua les quedaba demasiado lejos, y no alcanzaban para poder alimentarse.

Así que a la mañana siguiente fui derecha a coger una pequeña regadera y fui regando las plantitas una a una para que pudieran eran estar bien nutridas.

La verdad es que me llevó mucho tiempo hacerlo de esta forma, pero, según iba haciéndolo, el Señor me fue enseñando que esto mismo hizo Él en su Pasión.

Lety estos días nos está explicando el viacrucis, mostrándonos que la única manera que tenemos de vivirlo nosotros es dejando que Jesús muera y resucite en aquello nuestro que más lo estemos necesitando: que no podemos mirar la Pasión de lejos.

Su Pasión es un torrente de agua Viva que quiere llenar de vida a todos, pero, además de eso, en su Pasión te busca a ti y a mí personalmente, para poder morir y resucitar con aquello que creemos que es nuestro y que nos cuesta soltar. Así lo vemos en el evangelio, cuando, con una mirada, Pedro sintió que Jesús tocaba su corazón con inmensa misericordia; o el cirineo, ¿qué tuvo que experimentar al estar con Jesús para que desde entonces su vida y la de los suyos girara en torno a Cristo? O la inquietud que vivió Pilato, porque en el fondo vislumbraba la verdad...

Sólo tenemos que mirar las estaciones y volver a descubrir cómo en cada una de ellas se encuentra con una persona o con una realidad como la tuya y la mía: cada una de las caídas, el juicio... en su Pasión, Muerte y Resurrecion nos salvó a todos, pero, para que esto lo podamos acoger, necesitamos experimentar en nuestra propia vida que realmente Él se preocupa por lo nuestro, y que por ello muere y resucita.

Hoy el reto del Amor es buscarte en la Pasión del Señor. Cristo murió por nosotros para que resucitemos con Él; asómate a su Pasión y descubre cómo lo mismo que vives tú está reflejado en una de las personas con las que Jesús se encuentra.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





09/03/2018

Sim, tu e eu, é que precisamos de purificação!

"Cor Mariae perdolentis, miserere nobis!". Invoca o Coração de Santa Maria, com o ânimo e a decisão de te unires à sua dor, em reparação dos teus pecados e dos homens de todos os tempos. E pede-Lhe – para cada alma – que essa sua dor aumente em nós a aversão ao pecado, e que saibamos amar, como expiação, as contrariedades físicas ou morais de cada jornada. (Sulco, 258)


Segundo a Lei de Moisés, uma vez decorrido o tempo da purificação da Mãe, é preciso ir com o Menino a Jerusalém, para O apresentar ao Senhor (Lc II, 22).


E desta vez, meu amigo, hás-de ser tu a levar a gaiola das rolas. – Estás a ver? Ela – a Imaculada! – submete-se à Lei como se estivesse imunda.


Aprenderás com este exemplo, menino tonto, a cumprir a Santa Lei de Deus, apesar de todos os sacrifícios pessoais?


Purificação! Sim, tu e eu, é que precisamos de purificação! Expiação e, além da expiação, o Amor. – Um amor que seja cautério: que abrase a imundície da nossa alma, e fogo que incendeie, com chamas divinas, a miséria do nosso coração.



Um homem justo e temente a Deus, que, movido pelo Espírito Santo, veio ao templo – tinha-lhe sido revelado que não havia de morrer, antes de ver Cristo – toma o Messias nos braços e diz-Lhe: Agora, Senhor, agora sim; podes levar deste mundo, em paz, o Teu servo, conforme a tua promessa... porque os meus olhos viram o Salvador (Lc 2, 25–30). (Santo Rosário, IV mistério gozoso).

Temas para reflectir e meditar

Amar os inimigos


O cristão, como a criança pequena, não se ira se é insultado (…), não se vinga se é maltratado.

Mais ainda: o Senhor exige-Lhe que ore pelos seus inimigos, que deixe a túnica e o manto aos que lhos levam, que apresente a outra face a quem o esbofeteia.

(SÃO MÁXIMO DE TURIM, Homília, 58)





Evangelho e comentário

Tempo de Quaresma

Evangelho: Mc 12, 28-34

28 Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29 Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30 amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31 O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32 O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33 e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34 Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

Comentários:

 Este episódio demonstra bem o que já alguma vez dissemos. Entre os chefes do povo havia quem acreditasse em Jesus ou, pelo menos, se dispunha a escutá-lo com boa intenção.

Nunca devemos julgar ninguém e, muito menos, considerar toda uma classe ou grupo de pessoas pelo comportamento de alguns.

Basta para tanto pensarmos nesta verdade: Todos os homens são filhos de Deus, logo, nossos irmãos, e, assim, "candidatos" à Vida Eterna que deseja que todos alcancemos.

(AMA, comentário sobre Mc 12, 28-34, 25.03.2017)


Leitura espiritual

RESUMOS DA FÉ CRISTÃ

TEMA 9 A Encarnação

2. A Virgem Maria, Mãe de Deus

Maria é a Mãe do Redentor.

Por isso a sua maternidade divina comporta também a sua cooperação na salvação dos homens: «Maria, filha de Adão, aceitando a palavra divina, foi feita Mãe de Jesus, e abraçando a vontade salvífica de Deus com generoso coração e sem o impedimento de qualquer pecado, consagrou-se totalmente a si mesma, qual escrava do Senhor, à pessoa e à obra do seu Filho, servindo o mistério da Redenção com Ele e sob Ele, por graça de Deus omnipotente.
Com razão, pois, os Santos Padres estimam Maria, não como um mero instrumento passivo, mas como uma cooperadora na salvação humana pela fé livre e obediência» [i].

Esta cooperação manifesta-se também na sua maternidade espiritual.

Maria, nova Eva, é verdadeira mãe dos homens na ordem da graça, pois coopera no nascimento para a vida da graça e para o desenvolvimento espiritual dos fiéis: Maria «cooperou de modo inteiramente singular, com a sua fé, a sua esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural.
É, por essa razão, nossa Mãe, na ordem da graça» [ii], [iii].

Maria é também mediadora e a sua mediação materna, subordinada sempre à única mediação de Cristo, começou com o fiat da Anunciação e perdura no céu, já que «depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna…

Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro, mediadora» [iv], [v].
Maria é exemplo e modelo da Igreja: «A Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade.
Por isso é “membro eminente e inteiramente singular da Igreja” [vi], e constitui mesmo “a realização exemplar” (…) da Igreja [vii]» [viii].

Paulo VI, em 21-XI-1964, nomeou solenemente Maria Mãe da Igreja, para sublinhar, de modo explícito, a função maternal que a Virgem exerce no povo cristão [ix].

Compreende-se, face ao que acabámos de expor, que a piedade da Igreja para com Nossa Senhora pertença à própria natureza do culto cristão [x].

A Santíssima Virgem Maria «é com razão venerada pela Igreja com um culto especial.
E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de “Mãe de Deus”, e sob cuja protecção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades…
 Este culto… embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta por igual ao Verbo Encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e favorece-o poderosamente» [xi].

O culto a Santa Maria «encontra a sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus [xii], na oração mariana, como o Santo Rosário» [xiii].

3. Figuras e profecias da Encarnação

Vimos no tema anterior como, depois do pecado de Adão e Eva, nossos primeiros pais, Deus não abandonou o homem, antes lhe prometeu um Salvador [xiv].

Depois do pecado original e da promessa do Redentor, o próprio Deus volta a tomar a iniciativa e estabeleceu uma Aliança com os homens: com Noé depois do dilúvio [xv] e depois, sobretudo com Abraão [xvi], a quem prometeu uma grande descendência e fazer dela um grande povo, dando-lhe uma nova terra na qual um dia seriam abençoadas todas as nações.
A Aliança renovou-se depois com Isaac [xvii] e com Jacob [xviii].
No Antigo Testamento, a Aliança alcança a sua expressão mais completa com Moisés [xix].

Momento importante na história das relações entre Deus e Israel foi a profecia de Natan [xx], que anuncia que o Messias será da descendência de David e que reinará sobre todos os povos, não só sobre Israel.
Do Messias dir-se-á noutros textos proféticos que o seu nascimento teria lugar em Belém [xxi], que pertenceria à linhagem de David [xxii], que se lhe poria o nome de «Emanuel», isto é, Deus connosco [xxiii]; que se lhe chamará «Deus forte, Pai eterno, Príncipe da Paz» [xxiv], etc.

Para além destes textos que descrevem o Messias como rei e descendente de David, há outros que relatam, também de modo profético, a missão redentora do Messias, chamando-lhe Servo de Yahvé, servo de dores, que assumirá no seu corpo a reconciliação e a paz [xxv].

Neste contexto é importante o texto de Dn 7, 13-14 sobre o Filho do homem que, misteriosamente, através da humildade e do aniquilamento, supera a condição humana e restaura o reino messiânico na sua fase definitiva [xxvi].

As principais figuras do Redentor no Antigo Testamento são o inocente Abel, o sumo sacerdote Melquisedec, o sacrifício de Isaac, José vendido pelos seus irmãos, o cordeiro pascal, a serpente de bronze levantada por Moisés no deserto e o profeta Jonas.

4. Os nomes de Cristo

São muitos os nomes e títulos atribuídos a Cristo por teólogos e autores espirituais ao longo dos séculos.
Uns foram tomados do Antigo Testamento; outros, do Novo.
Alguns são utilizados ou aceites pelo próprio Jesus; outros foram-lhe aplicados pela Igreja ao longo dos séculos.
Veremos, a seguir, os nomes mais importantes e habituais.

Jesus [xxvii], que em hebreu significa «Deus salva»:
«quando na anunciação, o anjo Gabriel dá-Lhe como nome próprio o nome de Jesus, o qual exprime, ao mesmo tempo, a sua identidade e a sua missão» [xxviii], quer dizer, Ele é o Filho de Deus feito homem para salvar «o Seu povo dos seus pecados» [xxix].

O nome de Jesus «significa que o próprio Nome de Deus está presente na pessoa do seu Filho [xxx] feito homem para a redenção universal e definitiva dos pecados.
Ele é o único nome divino que traz a salvação [xxxi] e pode, desde agora, ser invocado por todos, pois a todos os homens Se uniu pela Encarnação» [xxxii].

O nome de Jesus está no centro da oração cristã [xxxiii].

Cristo [xxxiv], que vem da tradução grega do termo hebraico «Messias» e que quer dizer «ungido».
Só se torna nome próprio de Jesus «porque Ele cumpre perfeitamente a missão divina que tal nome significa.

Com efeito, em Israel eram ungidos, em nome de Deus, aqueles que lhe eram consagrados para uma missão d’Ele dimanada» [xxxv].
Era o caso dos sacerdotes, dos reis e, em raros casos, dos profetas.
Este devia ser, por excelência, o caso do Messias que Deus enviaria para instaurar definitivamente o seu Reino.

Jesus realizou a expectativa messiânica de Israel na sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei [xxxvi].

Jesus «aceitou o título de Messias a que tinha direito [xxxvii], mas não sem reservas, uma vez que esse título era compreendido, por numerosos dos seus contemporâneos, segundo um conceito demasiado humano [xxxviii], essencialmente político [xxxix]» [xl].

Jesus Cristo é o Unigénito de Deus, o Filho único de Deus [xli].

A filiação de Jesus em relação ao Pai não é uma filiação adoptiva como a nossa, mas a filiação divina natural, quer dizer, «a relação única e eterna de Jesus Cristo com Deus, seu Pai: Ele é o Filho único do Pai [xlii] e Ele próprio é Deus [xliii].

Para ser cristão é condição necessária crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus [xliv]» [xlv].

Os evangelhos «narram em dois momentos solenes, o baptismo e a transfiguração de Cristo, que a voz do Pai o designa como seu “Filho amado” [xlvi].

Jesus designa-Se a Si próprio como “o Filho único de Deus[xlvii] afirmando, por este título, a sua preexistência eterna» [xlviii].
Senhor [xlix]: «na tradução grega dos livros do Antigo Testamento, o nome inefável com o qual Deus se revelou a Moisés [l], YHWH, é traduzido por “Kyrios” [“Senhor”].
Senhor desde então, o nome mais habitual para designar a própria divindade do Deus de Israel.

É neste sentido forte que o Novo Testamento utiliza o título “Senhor” tanto para o Pai, como também – e aí está a novidade – para Jesus, assim reconhecido como Deus [li]» [lii].

Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, «as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o princípio [liii], que o poder, a honra e a glória devidos a Deus Pai, também são devidos a Jesus [liv] porque Ele é “de condição divina” [lv] e o Pai manifestou esta soberania de Jesus ressuscitando-O de entre os mortos e exaltando-O na sua glória [lvi]» [lvii]. A oração cristã, litúrgica ou pessoal, é marcada pelo título de «Senhor» [lviii].

(cont)

José Antonio Riestra





[i] Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 56.
[ii] Ibidem, 61.
[iii] cf. Catecismo, 968
[iv] Ibidem, 62.
[v] cf. Catecismo, 969
[vi] LG 53
[vii] LG 63
[viii] Catecismo, 967
[ix] Cf. AAS 56 (1964) 1015-1016.
[x] Cf. Paulo VI, Exh. Marialis Cultus, 56.
[xi] Concílio Vaticano II, Const. Lumen Gentium, 66.
[xii] cf. SC 103
[xiii] Catecismo, 971
[xiv] cf. Gn 3, 15; Catecismo, 410
[xv] cf. Gn 910
[xvi] cf. Gn 15-17
[xvii] cf. Gn 26, 2-5
[xviii] cf. Gn 28, 12-15; 35, 9-12
[xix] cf. Ex 6, 2-8; Ex 19-34
[xx] cf. 2 Sm 7, 7-15
[xxi] cf. Mq 5, 1
[xxii] cf. Is 11, 1; Jr 23, 5
[xxiii] cf. Is 7, 14
[xxiv] Is 9, 5
[xxv] cf. Ef 2,14-18): Is 42, 1-7; 49, 1-9; 50, 4-9; 52, 13-53, 12
[xxvi] cf. Catecismo, 440
[xxvii] cf. Catecismo, 430-435
[xxviii] Catecismo, 430
[xxix] Mt 1, 21
[xxx] cf. Act 5, 41; 3 Jo 7
[xxxi] cf. Jo 3, 18; Act 2, 21
[xxxii] Catecismo, 432
[xxxiii] cf. Catecismo, 435
[xxxiv] cf. Catecismo, 436-440
[xxxv] Catecismo, 436
[xxxvi] cf. ibid em
[xxxvii] cf. Jo 4, 25-26; 11, 27
[xxxviii] cf. Mt 22, 41-46
[xxxix] cf. Jo 6, 15; Lc 24, 21
[xl] Catecismo, 439
[xli] cf. Catecismo, 441-445
[xlii] cf. Jo 1, 14.18; 3, 16.18
[xliii] cf. Jo 1, 1
[xliv] cf. Act 8, 37; 1 Jo 2, 23
[xlv] Catecismo, 454
[xlvi] Mt 3, 17; 17, 5
[xlvii] Jo 3, 16
[xlviii] Catecismo, 444
[xlix] cf. Catecismo, 446-451
[l] cf. Ex 3, 14
[li] cf. 1 Cor 2, 8
[lii] Catecismo, 446
[liii] cf. Act 2, 3436
[liv] cf. Rm 9, 5; Tt 2, 13; Ap 5, 13
[lv] Fl 2, 6
[lvi] cf. Rm 10, 9; 1 Cor 12, 3; Fl 2, 11
[lvii] Catecismo, 449
[lviii] cf. Catecismo, 451