27/01/2018

Nunca actueis por medo ou por rotina

Atravessas uma etapa crítica: um certo vago temor; dificuldade em adaptares o plano de vida; um trabalho angustiante, porque não te chegam as vinte e quatro horas do dia para cumprir todas as tuas obrigações... Já experimentaste seguir o conselho do Apóstolo: "Faça-se tudo com decoro e com ordem", quer dizer, na presença de Deus, com Ele, por Ele e só para Ele? (Sulco 512)


E como é que vou conseguir – parece que me perguntas – actuar sempre com esse espírito, que me leve a concluir com perfeição o meu trabalho profissional? A resposta não é minha. Vem de S. Paulo: Trabalhai varonilmente, sede fortes. Que tudo, entre vós, se realize na caridade. Fazei tudo por Amor e livremente. Nunca actueis por medo ou por rotina: servi ao Nosso Pai Deus.

Gosto muito de repetir – porque tenho experimentado bem a sua mensagem – aqueles versos pouco artísticos, mas muito gráficos: Minha vida é toda amor / Se em amor sou entendido, / Foi pela força da dor, / Pois ninguém ama melhor / Que quem muito haja sofrido.

Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor. Faz tudo por Amor – insisto – e comprovarás as maravilhas que produz o teu trabalho, precisamente porque amas, embora tenhas de saborear a amargura da incompreensão, da injustiça, da ingratidão e até do próprio fracasso humano. Frutos saborosos, sementes de eternidade!


Acontece, porém, que algumas pessoas – são boas, bondosas – afirmam por palavras que aspiram a difundir o formoso ideal da nossa fé, mas se contentam na prática com uma conduta profissional superficial e descuidada, própria de cabeças-no-ar. Se nos encontrarmos com alguns destes cristãos de fachada, temos de ajudá-los com carinho e com clareza e recorrer, quando for necessário, a esse remédio evangélico da correcção fraterna: Irmãos, se porventura alguém for surpreendido nalguma falta, vós, os espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e tu, acautela-te a ti mesmo, não venhas também a cair na tentação. Levai os fardos uns dos outros e desse modo cumprireis a lei de Cristo. (Amigos de Deus, nn. 68–69)

Temas para reflectir e meditar

Tentações no deserto

A resposta de Jesus (à tentação no deserto) é um acto de confiança na providência paternal de Deus.

Quem O impeliu a ir para o deserto como preparação da Sua obra messiânica, ocupar-Se-á de que Jesus não desfaleça (...)

Assim, pois, Jesus, em contraste com o antigo Israel, que se impacientou perante a fome no deserto, entrega confiadamente o Seu cuidado à providência do Pai.

(Bíblia Sagrada anot. pela Fac. de Teol. da Univ. de Navarra, Comentário Mt 4 4)




Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Mc 4, 35-41

35 Naquele dia, ao entardecer, disse: «Passemos para a outra margem.» 36 Afastando-se da multidão, levaram-no consigo, no barco onde estava; e havia outras embarcações com Ele. 37 Desencadeou-se, então, um grande turbilhão de vento, e as ondas arrojavam-se contra o barco, de forma que este já estava quase cheio de água. 38 Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada. 39 Acordaram-no e disseram-lhe: «Mestre, não te importas que pereçamos?» Ele, despertando, falou imperiosamente ao vento e disse ao mar: «Cala-te, acalma-te!» O vento serenou e fez-se grande calma. 40 Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» 41 E sentiram um grande temor e diziam uns aos outros: «Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?»

Comentário:

Quantas vezes, Senhor, me ponho a pensar que dormes, que não vês o que se passa comigo.
Sofro, tenho necessidades – julgo ter necessidades – aquela pessoa que tanto gostava morreu, desfez-se uma família a quem tanto quero, sou humilhado, tenho necessidade de justiça, parece-me que estou sozinho entregue a mim mesmo e às minhas dificuldades e problemas.
Dormes, Senhor?
Como me admiro, que Tu, que me amas – sei que me amas – adormeças assim, alheio à minha situação!
Mas, depois, vejo que o sono é meu, a dormência é minha, o alheamento sou eu que o vivo.
Percebo que Te quero como um “Deus particular”, só para mim, que me resolva os problemas e aplane as dificuldades e esqueço-me do mais importante: ter fé inquebrantável em que, Tu, sabes mais, e que tudo, absolutamente, é para bem.
Omnia in bonum!

(ama, comentário sobre Mc 4, 35-41, 02.10.2017)








Leitura espiritual

CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO


1.       O encontro pessoal com Cristo.

…/2

E eis como, de um encontro pessoal, nascem de repente outros encontros pessoais; e quem conheceu Jesus dá-O a conhecer aos outros.
Eis, em suma, como se transmite a boa nova.
Um daqueles dois novos discípulos era João e o outro era André, André foi logo dizer a seu irmão Simão:
«’Encontrámos O Messias’ e levou-o a Jesus. E Jesus, fixando mele o olhar disse-lhe: ‘Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas, que quer dizer Pedra’» [i].
Foi deste modo que nasceu para a fé o próprio chefe dois Apóstolos: através do testemunho de alguém.
No dia seguinte sucede o mesmo.
Jesus diz a Filipe: Segue-me!
Filipe encontrou Natanael e diz-lhe: «Encontrei Jesus, Aquele de quem falou Moisés» e, às objecções de Natanael, responde Filipe repetindo as palavras de Jesus:
«Vem ver» [ii].

O cristianismo – como já muitas vezes foi dito e com razão – não é primordialmente uma doutrina, mas sim uma Pessoa, Jesus Cristo; consequentemente, o anúncio desta Pessoa e a relação com Ela é a coisa mais importante, o começo de toda a verdadeira evangelização e apropria condição da sua possibilidade.
Inverter esta ordem e colocar as doutrinas e os preceitos do Evangelho antes da descoberta de Jesus, seria como colocar num comboio, aas carruagens na frente da locomotiva que as deve puxar.
A pessoa de Jesus é Quem desbrava o caminho do coração para a aceitação de todo o resto.
Quem tomou conhecimento uma vez com Jesus vivo, já não tem necessidade de ser puxado; é Ele mesmo que arde de desejo de conhecer o Seu pensamento, a Sua vontade, a Sua Palavra.
Não é pela autoridade da Igreja que se aceita Jesus, mas é pela autoridade de Jesus que se aceita e se ama a Igreja.
A primeira coisa então que a Igreja deve fazer não é apresentar-se a si mesma aos homens, mas sim, apresentar Jesus Cristo.

A este respeito, existe um sério problema pastoral.
Tem-se vindo a verificar, proveniente dos mais variados quadrantes, o preocupante êxodo de numerosos fieis católicos para outras confissões cristãs, geralmente protestantes.
Se se quiser examinar mais de perto este fenómeno, nota-se que, em geral, esses fieis são atraídos por uma pregação mais simples e imediata, a qual faz o seu aliciamento sobre a aceitação de Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas.
Normalmente não se trata das maiores denominações protestantes, mas sim de pequenas Igrejas de renovação e outras vezes também de grupos ou seitas que fazem o seu aliciamento com “a segunda conversão”.
O fascínio da desta pregação sobre as pessoas é notável, e não se pode dizer que se trata de um fascínio superficial e efémero, porque muitas vezes muda mesmo a vida das pessoas.

As Igrejas que possuem grande tradição dogmática e teológica e um grande aparato legislativo encontram-se por vezes em situação desvantajosa devido à sua própria riqueza e complexidade de doutrina, quando têm que enfrentar uma sociedade que, em grande parte, perdeu a própria fé cristã e que necessita, por isso, de recomeçar de novo, isto é, pela redescoberta de Jesus Cristo.
É como se faltasse ainda um instrumento adequado para esta nova situação, que se está a passar em diversos países cristãos.
Pelo nosso passado estamos mais preparados para sermos pastores do que para sermos pescadores de homens, estamos mais preparados para apascentar as pessoas que permaneceram fieis à Igreja, do que trazer para o rebanho mais pessoas ou de “repescar” as que se afastaram.
Isto de monstra a necessidade urgente que temos de uma evangelização que, embora sendo católica, isto é, aberta a toda a plenitude da verdade e da vida cristã, deve também ser simples e essencial; isso obtém-se fazendo de Jesus Cristo o ponto inicial e fulcral de todas as coisas, o pondo do qual sempre se parte e para o qual se regressa sempre.

Esta insistência de um encontro pessoal com Jesus Cristo, não é um sinal de subjectivismo ou de sentimentalismo, mas sim a tradução, no plano espiritual e pastoral, de um dogma central da nossa fé:
Que Jesus Cristo «é uma pessoa».
Nesta meditação gostaria de demonstrar como é que o dogma que proclama Cristo «ume Pessoa» não é só um enunciado metafisico que já não interessa a ninguém, ou então que interessa só a alguns teólogos, mas que, pelo contrário, é o próprio fundamento do anúncio cristão e o segredo da sua força.
DE facto, o único modo para se conhecer uma pessoa é o de entrer numa relação viva com ela.

A Igreja, nos Concílios, resumiu o essencial da sua fé em Jesus Cristo em três afirmações:
Jesus Cristo é verdadeiro homem;
Jesus Cristo é verdadeiro Deus;
Jesus Cristo é uma só Pessoa.
Trata-se de uma espécie de triângulo dogmático, em que a humanidade e a divindade representam os dois lados e em que a unidade da pessoa representa o vértice.
O que é também verdade historicamente.
Primeiro, na luta contra a heresia gnóstica foi assegurada a humanidade de Cristo.
Mais tarde, no séc. IV, na luta contra o arianismo, foi assegurada a Sua divindade.
Finalmente, no séc. V, foi assegurada a unidade da Sua pessoa.


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Jo 1,42
[ii] Cfr. Jo 1,46

Devoción a la Virgen


El milagro de la Virgen de la Leche que abría los ojos a los transeúntes que pasaban por este callejón de Roma

Hoy el reto del amor es que mires a Cristo en sus caídas y le pidas el don de levantarte

Y JESÚS CAE POR TERCERA VEZ... 

El otro día salíamos del coro e íbamos directas a comer, pero, al salir todas a la vez y quitarnos las capas largas, más de una suele pegarse un tropezón. Ese día una hermana tropezó delante de mí. ¿Cuál fue mi reacción primaria nada más verla? Salir corriendo a ayudarla.

Cuando caigo por mis debilidades y pobrezas, el perfeccionismo muchas veces me hace dejar de ver a Cristo a mi lado, como si Él se alejase porque he fallado, porque no he sido capaz de amar en una situación concreta, porque he contestado mal...

Puede que a ti te pase lo mismo, piensas: "Siempre me confieso de las mismas cosas", caigo una y otra vez. Te sientes indigno de acercarte a Él, y hasta puede que caigas en ese victimismo de machacarte a ti mismo.

Si a nosotros cuando se cae alguien nos sale ir a ayudarle, ¿cuánto más Cristo va a salir a nuestro encuentro cuando caemos?

Nos acercamos al momento de la Pasión de Cristo, el momento de sus caídas, cuando estaba sin fuerzas y no podía con el peso que se le venía encima. Él caía y se levantaba una y otra vez. Él vivió las caídas para redimirlas, para comprender al ser humano caído. Él no se quedó en el suelo, se volvió a levantar.

Estos días pídele al Señor que te cambie la manera de pensar que la sociedad nos ha enseñado de "cuando uno es malo, se le castiga". Por eso nos miramos a nosotros mismos cuando caemos: hemos fallado y nos merecemos un castigo; pero Cristo quiere que le mires a Él. Que mires sus caídas, que mires su forma de actuar, que mires cómo se levanta de nuevo.

Vuélvete a Él, Cristo es capaz de levantarte, de devolverte la alegría y comenzar de nuevo. Lo realmente malo no es tanto el caer, sino el quedarse caído. Lo importante no es la caída, sino el levantarse después de ella.

¿Y qué es lo segundo que sale después de ver un tropezón? Reírte. Sí, aunque te hayas hecho un poco de daño, te sale reír.

Hoy el reto del amor es que mires a Cristo en sus caídas y le pidas el don de levantarte como lo hizo Él, de reírte dejando de lado el victimismo para poder disfrutar de nuevo de Él.


VIVE DE CRISTO

Pequena agenda do cristão

SÁBADO



(Coisas muito simples, curtas, objectivas)



Propósito:
Honrar a Santíssima Virgem.

A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador, porque pôs os olhos na humildade da Sua serva, de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas, santo é o Seu nome. O Seu Amor se estende de geração em geração sobre os que O temem. Manifestou o poder do Seu braço, derrubou os poderosos do seu trono e exaltou os humildes, aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel Seu servo, lembrado da Sua misericórdia, como tinha prometido a Abraão e à sua descendência para sempre.

Lembrar-me:

Santíssima Virgem Mãe de Deus e minha Mãe.

Minha querida Mãe: Hoje queria oferecer-te um presente que te fosse agradável e que, de algum modo, significasse o amor e o carinho que sinto pela tua excelsa pessoa.
Não encontro, pobre de mim, nada mais que isto: O desejo profundo e sincero de me entregar nas tuas mãos de Mãe para que me leves a Teu Divino Filho Jesus. Sim, protegido pelo teu manto protector, guiado pela tua mão providencial, não me desviarei no caminho da salvação.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





26/01/2018

A raça dos filhos de Deus

Filhos de Deus. Portadores da única chama capaz de iluminar os caminhos terrenos das almas, do único fulgor, no qual nunca poderão dar-se escuridões, penumbras nem sombras. Nosso Senhor serve-se de nós como archotes, para que essa luz ilumine... De nós depende que muitos não permaneçam em trevas, mas que andem por sendas que levem até à vida eterna. (Forja, 1)


Jesus Christus, Deus Homo, Jesus Cristo, Deus-Homem! Eis uma magnalia Dei, uma das maravilhas de Deus em que temos de meditar e que temos de agradecer a este Senhor que veio trazer a paz na terra aos homens de boa vontade, a todos os homens que querem unir a sua vontade à Vontade boa de Deus. Não só aos ricos, nem só aos pobres! A todos os homens, a todos os irmãos! Pois irmãos somos todos em Jesus; filhos de Deus, irmãos de Cristo. Sua Mãe é nossa Mãe.

Na terra há apenas uma raça: a raça dos filhos de Deus. Todos devemos falar a mesma língua: a que o nosso Pai que está nos Céus nos ensina; a língua dos diálogos de Jesus com seu Pai; a língua que se fala com o coração e com a cabeça; a que estais a usar agora na vossa oração. É a língua das almas contemplativas, dos homens espirituais por se terem dado conta da sua filiação divina; uma língua que se manifesta em mil moções da vontade, em luzes vivas do entendimento, em afectos do coração, em decisões de rectidão de vida, de bem-fazer, de alegria, de paz. (Cristo que passa, 13)

Temas para reflectir e meditar

Temor

O temor aos castigos que por nossos pecados merecemos dá-nos valor para tomar sobre nós os esforços diários, as renúncias as lutas sem as quais não podemos livrar-nos do pecado nem unir-nos plenamente a Deus.

Sempre temos motivos para nos sentirmos trespassados do temor de Deus à vista de muitas ocasiões de pecar, à vista da nossa fraqueza, da força dos costumes e apetências retorcidas, da inclinação da nossa natureza em deixar-se levar pelos atractivos da concupiscência e do mundo, das muitas faltas, descuidos e defeitos que cometemos todos dias.


(BENEDICKT BAUR, En La Intimidad con Dios, 153 trad AMA),



Evangelho e comentário

Tempo Comum


Evangelho: Lc 10, 1-9

1 Depois disto, o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. 2 Disse-lhes: «A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. 3 Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. 4 Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. 5 Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6 E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. 7 Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. 8 Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, 9 curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós’

Comentário:

O Príncipe da Paz envia mensageiros a todo o lado a levar a Sua Paz.

A Paz de Cristo!

Em muitos lugares da terra estes mensageiros da Paz são recebidos em clima de guerra aberta e declarada, sujeitos aos maiores vexames e ultrajes, muitas vezes, dando a sua própria vida em defesa da Paz de Cristo.

Sim... a paz gera a guerra porque os espíritos retorcidos e maquiavélicos obedecem às instruções do demónio que só consegue dominar os homens - o mundo - com a guerra, o ódio e a intolerância.                    
Temos o dever - sagrado dever - todos os cristãos, de rezar ao Príncipe da Paz que proteja esses Seus enviados e lhes dê, como prometeu, a força, a coragem e o ânimo para seguirem indómitos e corajosos no caminho que o Senhor lhes indicou.

 (AMA, comentário sobre Lc 10, 1-9, 14.02.2017)








Leitura espiritual

CAPÍTULO IV

«ELE É O VERDADEIRO DEUS E A VIDA ETERNA»            

Divindade de Cristo e anúncio da eternidade

3. Passar do dogma para a vida

5. Nostalgia da eternidade!

…/2

A presença da eternidade na Igreja e em cada um de nós, à maneira de primícias, tem um nome próprio: chama-se Espírito Santo.
O Espírito Santo é definido como «o penhor da nossa esperança» [i], e foi-nos dado a fim de que, tendo nós recebido as primícias, desejemos ardentemente a plenitude.
«Cristo – escreve Stº Agostinho – deu-nos o sinal do Espírito Santo com o qual Ele, que não nos poderia enganar, nos quis tornar seguros do cumprimento da Sua promessa, promessa que Ele certamente manteria sem esse mesmo sinal.
E que prometeu Ele?
Prometeu a vida eterna, da qual é sinal o Espírito eu Ele nos deu.
Avida eterna é possuída por aqueles que já chegaram à Sua morada; o Seu sinal é o lenitivo para aqueles que se encontram ainda em viajem.
É mais exacto dizer sinal do que penhor; os dois termos parecem semelhantes, mas existe entre eles uma diferença de significado: tanto com o penhor como com o sinal dá-se uma garantia de que se dá aquilo que se prometeu; mas, enquanto que o penhor volta a ser restituído quando se acaba de cumprir aquilo para o que havia sido recebido, o sinal, pelo contrário, não volta a ser restituído, mas sim acrescentado com o restante que é devido» [ii].
É pelo Espírito Santo que nós gememos interiormente, na esperança de entrarmos na glória dos filhos de Deus [iii].
Ele, que é «um Espírito eterno» [iv] é capaz de atear em nós a verdadeira nostalgia da eternidade e fazer novamente da palavra “eternidade” uma palavra viva e palpitante que suscite alegria e não temor.

O Espírito atrai para as alturas.
Ele é a Ruah Jahvé, o sopro de Deus.
Recentemente, foi inventado um método para trazer à superfície os barcos ou os objectos que jazem no fundo dos mares.
Consiste em insuflá-los mediante câmaras de ar especiais, de modo a puxá-los do fundo tornando-os mais leves que a água,
Nós, homens de hoje, somos como esses objectos caídos no fundo do mar.
Estamos “afundados” na temporalidade e na mundanidade.
Estamos “secularizados”.
O Espírito Santo foi derramado na Igreja com uma finalidade semelhante: para nos arrancar do fundo e para nos levantar até fazer-nos contemplar o céu e exclamar, cheios de gloriosa esperança:
“eternidade, eternidade!”


CAPÍTULO V

O SUBLIME CONHECIMENTO DE CRISTO
A finalidade destas reflexões sobre a Pessoa de Jesus Cristo – como já se disse no começo – é preparar o terreno para uma nova vaga de evangelização, agora que estamos a completara o segundo milénio da vinda de Cristo à Terra.
Mas qual é a finalidade principal de toda a evangelização e de toda a catequese?
Será, porventura, a de ensinar aos homens um certo número de verdades eternas, ou de transmitir à geração vindoura os valores cristãos?
Não; a finalidade principal da evangelização é levar  Seus “discípulos” homens a encontrarem-se pessoalmente com Jesus Cristo, único salvador, fazendo-os Seus “discípulos”.
O grande mandato de Cristo aos Apóstolos é este:

«Ide e ensinai todas as gentes» [v].

1.       O encontro pessoal com Cristo.

S. João, no início do seu evangelho, diz-nos como alguém se torna discípulo de Cristo, contando-nos a sua experiência e como ele próprio se tornou discípulo de Jesus.
Vale a pena reler este trecho, que é um dos primeiros e mais tocantes exemplares daquilo que hoje chamamos “dar testemunho” pessoal.
«No outro dia João estava lá novamente com dois dos seus discípulos, e, vendo Jesus que ia passando, disse: ‘Eis o Cordeiro de Deus!’
Ouvindo estas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus.
Jesus voltando-Se e, vendo que O seguiam, disse-lhes: ‘Que procurais?’ Eles responderam-Lhe: ‘Rabi (que quer dizer Mestre) onde moras?’ Respondeu-lhes Jesus: ‘Vinde ver’.
Eles seguiram-no e viram onde morava; e ficaram com Ele aquele dia; eram então quase quatro horas da tarde» [vi].

Não há nada de abstracto e de escolástico neste modo de se tornar discípulo de Jesus.
É um encontro de pessoas; trata-se de estabelecer um conhecimento, uma amizade e uma familiaridade, destinadas a durar toda a vida, ou antes, toda a eternidade.
Jesus, olha para trás e, apercebendo-se de que é seguido para e pergunta:
«Que procurais?
Respondem-Lhe:
«Rabi, Mestre, onde é que moras?»
E, assim, quase sem se aperceberem, proclamam-no seu Mestre e decidiram que seriam Seus discípulos.
Jesus não lhes dá livros para estudar, ou preceitos para decorar, mas diz, simplesmente:
«Vinde ver».
Convida-os a fazer-Lhe companhia.
Eles seguiram-No e ficaram com Ele.


(cont)
rainiero cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia.





[i] Cfr. Ef. 1,14; 2Cro 5,5
[ii] Stº Agostinho, Sermo 378,1
[iii] Cfr. Rm 8,20-23
[iv] Hb 9,14
[v] Mt 28,19
[vi] Jo 1,35-39

Doutrina – 396

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ
SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ
CAPÍTULO TERCEIRO

CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA

A Igreja é una, santa, católica e apostólica

174. Porque é que a Igreja é apostólica?



A Igreja é apostólica pela sua origem, sendo construída sobre o «fundamento dos Apóstolos» (Ef 2,20); pelo ensino, que é o mesmo dos Apóstolos; pela sua estrutura, enquanto instruída, santificada e governada, até ao regresso de Cristo, pelos Apóstolos, graças aos seus sucessores, os Bispos em comunhão, com o sucessor de Pedro.

Perguntas e respostas

A CLONAGEM


A. O QUE É A CLONAGEM?

2. Tipos de clonagem.


Há duas técnicas muito diferentes:

Clonagem por excisão embrionária.
É um processo similar ao que se produz quando nascem gémeos. Quando o embrião tem 4 ou 8 células, cada uma delas é totipotente e se se separa das restantes e pode originar um gémeo do outro. A separação artificial chama-se cisão gemela, embryo-splitting, ou clonagem por cisão.
Clonagem por transplante nuclear.

Toma-se um óvulo ou embrião unicelular e extrai-se o núcleo; toma-se uma célula adulta e se funde com a anterior; o resultado é uma célula com o núcleo e cromossomas da adulta, envolta num citoplasma de uma célula totipotente. Esta nova célula é também totipotente e desenvolve um novo ser, quase idêntico ao adulto inicial. Quase, pois também o citoplasma influi no resultado.

Devoción a la Virgen


Carmina, Premio Cari Filii 2017, regresa de Tierra Santa: «Belén nos emocionó mucho, allí empezó todo»

Pequena agenda do cristão

Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





25/01/2018

Que vos saibais perdoar

Com quanta insistência o Apóstolo S. João pregava o "mandatum novum"! "Amai-vos uns aos outros!". Pôr-me-ia de joelhos, sem fazer teatro – grita-mo o coração –, para vos pedir, por amor de Deus, que vos estimeis, que vos ajudeis, que vos deis a mão, que vos saibais perdoar. Portanto, vamos banir a soberba, ser compassivos, ter caridade; prestar-nos mutuamente o auxílio da oração e da amizade sincera. (Forja, 454)


Jesus Cristo, Nosso Senhor, encarnou e tomou a nossa natureza, para se mostrar à humanidade como modelo de todas as virtudes. Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, convida-nos Ele.

Mais tarde, quando explica aos Apóstolos o sinal pelo qual os reconhecerão como cristãos, não diz: porque sois humildes. Ele é a pureza mais sublime, o Cordeiro imaculado. Nada podia manchar a sua santidade perfeita, sem mácula. Mas também não diz: saberão que se encontram diante de discípulos meus, porque sois castos e limpos.

Passou por este mundo com o mais completo desprendimento dos bens da terra. Sendo Criador e Senhor de todo o universo, faltava-lhe até um sítio onde pudesse reclinar a cabeça. No entanto, não comenta: saberão que sois dos meus porque não vos apegastes às riquezas. Permanece quarenta dias e quarenta noites no deserto em jejum rigoroso, antes de se dedicar à pregação do Evangelho. E também não afirma aos seus: compreenderão que servis a Deus, porque não sois comilões nem bebedores.


A característica que distinguirá os apóstolos, os cristãos autênticos de todos os tempos, já a ouvimos: nisto – precisamente nisto – conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (Amigos de Deus, 224)

Temas para reflectir e meditar

Viver sozinho


Viver sozinho é algo estranho e confuso para quem viveu a maior parte da sua vida permanentemente acompanhado.

A imaginação ganha uma força e acuidade extraordinárias - diria exacerbadas - e, o seu controlo é difícil.

Não é um drama, evidentemente, mas pode tornar-se muito condicionante da vida normal e corrente.

Remédio?

Não tenho nem conheço nenhum.

Ajuda?

Sim, se for necessário, recorrer ao médico especialista e, sobretudo – porque esta decisão não é fácil de tomar -, pedir à Santíssima Virgem, ao Anjo da Guarda, auxílio, força, ânimo, coragem para ultrapassar, vencer, pôr de lado a relutância e indecisão.




(ama, reflexões, 2016.11.26)