09/06/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS 

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO VII

Motivo do crime e obstinação de Caim que nem a palavra de Deus desviou do seu premeditado crime.

…/2

Contudo, não o deixa sem uma recomendação santa justa e boa, dizendo:

Sossega: ele voltará para ti e tu o dominarás [i].

Trata-se do irmão? Nada disso. De quê, pois, senão do pecado? Efectivamente, foi depois de ter dito pecaste que Deus acrescenta sossega: ele voltará para ti e tu o dominarás.  Pode, realmente, ser assim entendido: esta conversão (volta) para o homem deve ser a conversão (volta) do pecado, de m aneira que o homem saiba que a mais ninguém senão a si próprio deve atribuir o pecado. Este é que é o remédio salutar da penitência, este é que é o pedido oportuno do perdão — que nas palavras para ti a sua volta (ad te enim conversio ejus) — não se subentende «será», mas «seja» à maneira de um preceito, e não de uma predição. Porque cada um domina o seu pecado quando não se põe à sua frente, defendendo-o, mas a si o submete fazendo penitência. De outra forma será escravo do seu domínio se lhe presta protecção quando o comete.

Mas o pecado também pode significar a própria concupiscência carnal de que fala o Apóstolo:

A came tem desejos contrários ao espírito [ii];

e entre os frutos da carne enumera a inveja que espicaçava Caim e o incitava à morte de seu irmão. Convém que se subentenda «será», ficando assim: «para ti será o seu regresso (conversio) e tu o dominarás». Realmente, quando se perturba essa parte carnal a que o Apóstolo chama pecado ao dizer:

Não sou eu que o faço, mas o pecado que habita em mim [iii].

(parte da alma a que os filósofos chamam viciosa, porque não devia arrastar o espírito, mas submeter-se ao seu império e ser afastada, pela razão, das obras ilícitas) e quando perturbada, impele a alma ao cometimento de uma acção má, se se acalmar e obedecer à palavra do Apóstolo:

Não ofereçais os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade [iv]

- ela volta, domada e vencida, para o espírito e submete-se à autoridade da razão.

Foi isto que Deus prescreveu ao que ardia nas chamas da inveja contra seu irmão e queria suprimir aquele que devia imitar. «Sossega», diz-lhe; retém a tua mão fora do crime; não reine o pecado no teu corpo mortal para te tom ar dócil aos seus desejos; não ofereças ao pecado teus membros como instrumentos de iniquidade — porque «para
ti será o seu regresso» se, em vez de largares as rédeas ao pecado, o refreares com a tua calma. E «então tu o dominarás», isto é, quando do exterior se lhe não permita agir, ele se acostuma, sob o poder do espírito que o dirige com benevolência, a já se não agitar interiormente.

No mesmo livro sagrado diz-se algo de semelhante da mulher quando, após o pecado, Deus, perguntando e julgando, proferiu as sentenças de condenação contra o demónio representado na serpente, contra a mulher e contra o seu marido em suas próprias pessoas. Efectivamente, disse-lhe:

Multiplicarei as tuas tristezas e o teu gemido. Darás à luz com dores os teus filhos [v];

e a seguir acrescentou:

Voltarás para teu marido e ele te dominará [vi].


O que se disse a Caim acerca do pecado, ou acerca da concupiscência viciosa da carne, diz-se nesta passagem acerca da mulher que pecou; donde se deve entender que o varão para com andar sua mulher deve assemelhar-se ao espírito que com anda a carne. E por isso que o Apóstolo diz:

O que ama sua mulher a si próprio se ama; pois nunca ninguém à sua própria carne tem ódio [vii].

Devemos, pois, sanar estes males como sendo nossos e não os condenar com o se alheios fossem. Mas Caim recebeu aquele preceito de Deus como prevaricador e, subjugado pela inveja, armou uma cilada e matou o irmão.

Tal foi o fundador da cidade terrestre. Deste modo figurou também os Judeus, por quem foi morto Cristo, pastor das ovelhas que são os homens, que Abel, o pastor de ovelhas, que eram os animais, prefigurou. É uma alegoria profética de que me abstenho agora de falar. Recordo-me de dela ter falado contra o maniqueu Fausto.



(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Ge., IV,6-7.
[ii] Gál., V, 17.
[iii] Rom., VII, 17.
[iv] Rom., VI, 13.
[v] Gen., III, 16.
[vi] Ibid.
[vii] Efés., V, 28-29.

Hoy el reto del amor es pedirle a Cristo el don del perdón hacia esa persona que te quema

QUÉ TE QUEMA?

Ya estamos en plena Cuaresma, y en el monasterio, de lunes a sábado, es ayuno y abstinencia. Esto conlleva que llegues a la comida con un hambre enorme, ya que, del café con leche y el trozo de pan del desayuno, hacia media mañana ya no queda ni el recuerdo, y el ritmo de trabajo no disminuye.

Pues bien, llegué a comer y vi que de primero había un puré con una pinta buenísima. No me lo pensé dos veces: me serví y, con todas mis ganas, me metí una gran cucharada en la boca.

En cuanto el puré tocó mi boca me puse super colorada: ¡el puré estaba ardiendo! No sabía qué hacer, si devolverlo a la cuchara o tragármelo... Al final lo retuve en la boca hasta que lo tragué... La consecuencia fue que se me quemó todo el paladar y la lengua, así que el resto de la comida ya no me supo a nada. Pero no sólo ese día, tampoco los dos días siguientes. No notaba los sabores, tan sólo sentía un dolor fuerte en el paladar.

Cuántas veces me pasa que algo me quema por dentro: una mala contestación, una mala cara, una llamada inoportuna... Dentro de mí siento que me quema y me impide poder disfrutar del día en su plenitud.

Pero, si miro a Cristo, Él me da la fuerza para poder acercarme a esa persona que me está quemando y pedirle perdón. Entonces la Paz vuelve a mí, y ya puedo disfrutar del día.

Seguro que hoy tienes a alguien en tu corazón que te está impidiendo poder amar. Hoy quiero invitarte a que te acerques a esa persona. Sé que tu razón va a intentar convencerte de que tú tienes razón, que el otro se lo merece, que no has hecho nada malo... pero en el fondo de tu corazón sabes que no tienes Paz, y es por la falta de perdón y, sobre todo, de Amor.

Hoy el reto del amor es pedirle a Cristo el don del perdón hacia esa persona que te quema. Y después, con Su fuerza, acércate a ella y pídele perdón. Verás cómo tu corazón se libera, y vuelve a amar y disfrutar del día.


VIVE DE CRISTO

Doutrina – 325

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

104. O que é que nos ensina a vida oculta de Jesus em Nazaré?


Durante a vida oculta em Nazaré, Jesus permanece no silêncio duma vida normal.
Permite-nos assim estar em comunhão com Ele, na santidade duma vida quotidiana feita de oração, de simplicidade, de trabalho, de amor familiar.
A sua submissão a Maria e a José, seu pai putativo, é uma imagem da sua obediência filial ao Pai.

Maria e José, com a sua fé, acolhem o Mistério de Jesus, ainda que nem sempre o compreendam.

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 12, 35-37

35Ensinando no templo, Jesus tomou a palavra e perguntou: «Como dizem os doutores da Lei que o Messias é filho de David? 36O próprio David afirmou, inspirado pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: ‘Senta-te à minha direita, até que ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés’. 37O próprio David chama-lhe Senhor; como é Ele seu filho?» E a numerosa multidão ouvia-o com agrado.

Comentário:

Todo este capítulo doze do Evangelho escrito por São Marcos é profundamente doutrinal.

Jesus responde a perguntas – mesmo as capciosas e sem sentido – esclarece dúvidas, ensina.

Por isso mesmo «a numerosa multidão ouvia-o com agrado» e, seguramente, não esqueceria jamais o que tinha sido dito.

Jesus Cristo é, de facto, O Mestre por excelência e nenhum outro poderá igualar a Sua Sabedoria, bem como a forma tão simples e acessível de abordar assuntos – por vezes controversos ou, pelo menos de difícil compreensão – como Ele o faz.

Como devemos agradecer aos Evangelistas terem-nos deixado este legado precioso para nós, cristãos de todos os tempos, podermos encontrar com segurança os fundamentos da nossa Fé!


(AMA, comentário sobre Mc 12, 35-37, 02.02.2017) 

Reflectindo - 258

Ter tempo

Todos temos, mais ou menos, uma relação algo difícil com o tempo.
Quase sempre não temos tempo e, consequentemente, não fazemos ou adiamos.

Muitas vezes descobrimos que, afinal, tínhamos tempo, aliás, sobrou tempo mais que suficiente para o que convinha ou nos foi solicitado fazer.

Mas o nosso problema com o tempo não se resume ao que atrás disse, mas, também, a outra coisa talvez mais grave:

Perdemos tempo! 

Não temos esse direito nem prerrogativa porque o tempo não nos pertence, não podemos dispor dele adrede, mas usá-lo convenientemente.

O tempo perdido não se recupera, perdeu-se para sempre, não tem solução.

O tempo não é muito nem é pouco, é o que cada um dispõe, por isso mesmo é grave fazer perder tempo aos outros.


(ama, reflexões, 23.11.2016)


Pede a verdadeira humildade

A humildade nasce como fruto do conhecimento de Deus e do conhecimento de si próprio. (Forja, 184)

Essas depressões por veres ou por outros descobrirem os teus defeitos, não têm fundamento...
Pede a verdadeira humildade. (Sulco, 262)

Fujamos dessa falsa humildade que se chama comodismo. (Sulco, 265)

– Senhor, peço-te um presente: Amor..., um Amor que me deixe limpo. E mais outro presente: conhecimento próprio, para me encher de humildade. (Forja, 185)

São santos os que lutam até ao final da sua vida: os que se sabem levantar sempre depois de cada tropeção, de cada queda, para prosseguir valentemente o caminho com humildade, com amor, com esperança. (Forja, 186)

Se os teus erros te fazem mais humilde, se te levam a procurar agarrar com mais força a mão divina, são caminho de santidade: "felix culpa!", bendita culpa!, canta a Igreja. (Forja, 187)


A humildade leva cada alma a não desanimar ante os próprios erros. A verdadeira humildade leva... a pedir perdão! (Forja, 189)

Pequena agenda do cristão


Sexta-Feira


(Coisas muito simples, curtas, objectivas)




Propósito:

Contenção; alguma privação; ser humilde.


Senhor: Ajuda-me a ser contido, a privar-me de algo por pouco que seja, a ser humilde. Sou formado por este barro duro e seco que é o meu carácter, mas não Te importes, Senhor, não Te importes com este barro que não vale nada. Parte-o, esfrangalha-o nas Tuas mãos amorosas e, estou certo, daí sairá algo que se possa - que Tu possas - aproveitar. Não dês importância à minha prosápia, à minha vaidade, ao meu desejo incontido de protagonismo e evidência. Não sei nada, não posso nada, não tenho nada, não valho nada, não sou absolutamente nada.

Lembrar-me:
Filiação divina.

Ser Teu filho Senhor! De tal modo desejo que esta realidade tome posse de mim, que me entrego totalmente nas Tuas mãos amorosas de Pai misericordioso, e embora não saiba bem para que me queres, para que queres como filho a alguém como eu, entrego-me confiante que me conheces profundamente, com todos os meus defeitos e pequenas virtudes e é assim, e não de outro modo, que me queres ao pé de Ti. Não me afastes, Senhor. Eu sei que Tu não me afastarás nunca. Peço-Te que não permitas que alguma vez, nem por breves instantes, seja eu a afastar-me de Ti.

Pequeno exame:

Cumpri o propósito que me propus ontem?





08/06/2017

Fátima: Centenário - Oração diária


Senhora de Fátima:

Neste ano do Centenário da tua vinda ao nosso País, cheios de confiança vimos pedir-te que continues a olhar com maternal cuidado por todos os portugueses.
No íntimo dos nossos corações instala-se alguma apreensão e incerteza em relação a este nosso País.

Sabes bem que nos referimos às diferenças de opinião que se transformam em desavenças, desunião e afastamento; aos casais desfeitos com todas as graves consequências; à falta de fé e de prática da fé; ao excessivo apego a coisas passageiras deixando de lado o essencial; aos respeitos humanos que se traduzem em indiferença e falta de coragem para arrepiar caminho; às doenças graves que se arrastam e causam tanto sofrimento.
Faz com que todos, sem excepção, nos comportemos como autênticos filhos teus e com a sinceridade, o espírito de compreensão e a humildade necessárias para, com respeito de uns pelos outros, sermos, de facto, unidos na Fé, santos e exemplo para o mundo.

Que nenhum de nós se perca para a salvação eterna.

Como Paulo VI, aqui mesmo em 1967, te repetimos:

Monstra te esse Matrem”, Mostra que és Mãe.

Isto te pedimos, invocando, uma vez mais, ao teu Dulcíssimo Coração, a tua protecção e amparo.


AMA, Fevereiro, 2017

Fátima: Centenário - Oração jubilar de consagração


Salve, Mãe do Senhor,
Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!
Bendita entre todas as mulheres,
és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,
és a honra do nosso povo,
és o triunfo sobre a marca do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,
Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,
Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,
ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,
as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protector.
No teu Imaculado Coração,
sê o refúgio dos pecadores
e o caminho que conduz até Deus.

Unido/a aos meus irmãos,
na Fé, na Esperança e no Amor,
a ti me entrego.
Unido/a aos meus irmãos, por ti, a Deus me consagro,
ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, enfim, envolvido/a na Luz que das tuas mãos nos vem,
darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.


Ámen.

Leitura espiritual

A CIDADE DE DEUS

Vol. 2

LIVRO XV

CAPÍTULO VII

Motivo do crime e obstinação de Caim que nem a palavra de Deus desviou do seu premeditado crime.

Mas que é que aproveitou a Caim o que, na medida em que nos foi possível, já expusemos? Deus falou-lhe como costumava falar aos primeiros homens por intermédio de uma criatura submissa, de uma forma conveniente, como companheiro. Não realizou ele o crime concebido de matar o irmão, mesmo depois da palavra de admoestação divina? Deus tinha distinguido os sacrifícios de ambos, olhando com agrado para os de um e com displicência para os do outro — o que, sem dúvida alguma, se pôde reconhecer por um sinal visível e atestador — e Deus procedeu assim porque as suas obras eram más e boas as do irmão. Caim ficou muito triste e de aspecto abatido. Está, de facto, assim escrito:

E disse Deus a Caim: porque é que te entristeceste? Porque ficaste de rosto abatido? Se a tua oferenda é justa, mas não a partilhaste justamente, será que pecaste? Sossega: ele voltará para ti e tu dominá-lo-ás [i].


Nesta admoestação ou conselho que Deus deu a Caim, as palavras

Se a tua oferta é justa, mas não a partilhaste justamente, será que pecaste [ii]?



porque não se vê o porquê nem a que propósito foram pronunciadas, a sua obscuridade tem provocado muitas interpretações quando os comentadores das Sagradas Escrituras se esforçam por expô-las em conformidade com a regra da fé. Um sacrifício é justo quando é oferecido ao verdadeiro Deus, único a quem é devido. Mas não se «divide justamente» se não se tem bem em conta os lugares, os tempos, as coisas que se oferecem, quem as oferece, a quem se oferecem, por quem se distribui com o alimento o que se ofereceu. Por «divisão» temos que entender aqui:

se se oferece onde não convém ou o que não convém
aqui, mas noutra parte;

se se oferece quando não convém ou o que não convém então, mas noutro tempo;

se se oferece o que nunca nem em parte alguma se
devia oferecer;

ou quando o homem reserva para si coisas melhores
do que as que oferece a Deus;

ou quando da oblação se faz participante um profano ou alguém que a ela não tem direito. Não é fácil descobrir em qual destes pontos desagradou Caim a Deus. Mas porque o apóstolo João diz, quando fala dos seus irmãos:

Não como Caim que estava do lado do maligno e matou seu irmão. E por causa de quê o matou? Porque eram más as suas obras e justas as de seu irmão [iii]

— com isto se nos dá a entender que, se Deus se desvia das suas oferendas, é porque ele as partilhava mal, dando a Deus algo de seu mas reservando-se para si a sua própria pessoa.

É o que fazem todos os que não procuram a vontade de Deus, mas a sua, isto é, vivendo, não com um coração recto, mas perverso, e que, todavia, oferecem a Deus as suas oferendas, julgando que por esta forma compramos seus favores, não para curarem as suas depravadas paixões, mas para as satisfazerem. Isto é próprio da cidade terrestre: venerar a Deus ou aos deuses para, com a sua ajuda, reinar nas vitórias e na paz terrestre, não pela caridade que se devota, mas pela paixão que domina. Porque os bons utilizam-se do mundo para gozarem de Deus; mas os maus, pelo contrário, para gozarem do mundo, querem utilizar-se de Deus. Todavia, estes pelo menos já crêem que Deus existe e que cuida das coisas humanas. Há os que são muito piores — os que nem mesmo nisto crêem.

Conhecido que foi por Caim que Deus tinha olhado com agrado para o sacrifício de seu irmão e não para o seu, devia arrepender-se e imitar seu bom irmão em vez de, orgulhoso, o invejar. Mas entristeceu-se e ficou de rosto abatido. Este é o pecado que sobremaneira Deus repudia — a tristeza pela bondade de outrem, principalmente de um irmão. E isto o que lhe reprova ao perguntar-lhe:

Porque é que te entristeceste? Porque ficaste de rosto
abatido?
[iv].

Deus via a inveja para com seu irmão e reprovava-lha. Para os homens, para quem está escondido o coração dos outros, pode ser ambíguo e totalmente incerto se aquela tristeza era fruto da malícia com que conscientemente tinha desagradado a Deus ou da bondade de seu irmão na qual Deus se comprouve ao olhar para o seu sacrifício.

Mas ao explicar porque tinha rejeitado a sua oferta, Deus mostrou-lhe que devia desgostar-se precisamente de si em vez de se entristecer injustamente contra seu irmão — já que era injusto num a partilha injusta, isto é, por não viver rectamente, (o que o tornou indigno de ver que a sua oferta agradava), e mais injusto ainda porque odiava sem motivo a seu irmão que era justo.


(cont)

(Revisão da versão portuguesa por ama)



[i] Gen. IV, 6-7.
[ii] Ibid.
[iii] Jo, III, 12.
[iv] Gen., IV, 6-7.

Doutrina – 324

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA

Compêndio


PRIMEIRA PARTE: A PROFISSÃO DA FÉ

SEGUNDA SECÇÃO: A PROFISSÃO DA FÉ CRISTÃ

CAPÍTULO SEGUNDO

CREIO EM JESUS CRISTO, O FILHO UNIGÉNITO DE DEUS
«E EM JESUS CRISTO, SEU ÚNICO FILHO, NOSSO SENHOR»
«JESUS CRISTO FOI CONCEBIDO PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, E NASCEU DA VIRGEM MARIA»

103. Que ensina o Evangelho sobre os Mistérios do nascimento e da infância de Jesus?



No Natal, a glória do Céu manifesta-se na debilidade dum menino; a circuncisão de Jesus é sinal da pertença ao povo hebraico e prefiguração do nosso Baptismo; a Epifania é a manifestação do Rei-Messias de Israel a todas as gentes; na sua apresentação no templo, em Simeão e Ana é toda a esperança de Israel que vem ao encontro do seu Salvador; a fuga para o Egipto e a matança dos inocentes anunciam que toda a vida de Cristo estará sob o sinal da perseguição; o seu regresso do Egipto recorda o Êxodo e apresenta Jesus como o novo Moisés: Ele é o verdadeiro e definitivo libertador.

Evangelho e comentário

Tempo Comum

Evangelho: Mc 12, 28-34

28Aproximou-se dele um escriba que os tinha ouvido discutir e, vendo que Jesus lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» 29Jesus respondeu: «O primeiro é: Escuta, Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor; 30amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento e com todas as tuas forças. 31O segundo é este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que estes.» 32O escriba disse-lhe: «Muito bem, Mestre, com razão disseste que Ele é o único e não existe outro além dele; 33e amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo vale mais do que todos os holocaustos e todos os sacrifícios.» 34Vendo que ele respondera com sabedoria, Jesus disse: «Não estás longe do Reino de Deus.» E ninguém mais ousava interrogá-lo.

Comentário:

Uma boa resposta, bem fundamentada e segura, produz sempre um efeito “em cadeia” sobre aqueles que a ouvem.

Não importa a pergunta, note-se, mas a resposta porque, se esta começa, por exemplo com as palavras - ‘eu acho - parece-me - que’ – fica desde logo comprometida a credibilidade da mesma.

Quando nos perguntam algo esperam de nós apenas dois tipos de resposta: ‘Não sei’ ou ‘é assim…’

(Alguém que nos pergunta que que estrada seguir para chegar a determinado local só lhe interessa saber o que pergunta e não o que nos parece.)

Por isso, um cristão tem de estar bem informado sobre as verdades da sua Fé, da Doutrina para poder responder com segurança e credibilidade ao que lhe for perguntado.


(AMA, comentário sobre Mc 12, 28-34, 02.02.2017)

Temas para meditar 716

Temperança


Faz com que o corpo e os nossos sentidos encontrem o posto exacto que lhes corresponde no nosso ser humano.



SÃO JOÃO PAULO II, Disc. sobre a Temperança Roma, 22.11. 1986


Onde há humildade há sabedoria

"Quia respexit humilitatem ancillae suae" – porque olhou para a baixeza da sua escrava... Cada vez me persuado mais de que a humildade autêntica é a base sobrenatural de todas as virtudes. Fala com Nossa Senhora, para que Ela nos ensine a caminhar por esta senda. (Sulco, 289)

Se recorrermos à Sagrada Escritura, veremos como a humildade é um requisito indispensável para nos dispormos a ouvir Deus. Onde há humildade há sabedoria, explica o livro dos Provérbios. A humildade consiste em nos vermos como somos, sem disfarces, com verdade. E ao compreendermos que não valemos quase nada, abrimo-nos à grandeza de Deus. Esta é a nossa grandeza.

Que bem o compreendia Nossa Senhora, a Santa Mãe de Jesus, a criatura mais excelsa de todas as que existiram e hão-de existir sobre a terra! Maria glorifica o poder do Senhor, que depôs do trono os poderosos e elevou os humildes. E canta que n'Ela se realizou uma vez mais esta providência divina: porque olhou para a baixeza da sua escrava; portanto, eis que, de hoje em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.


Maria manifesta-se santamente transformada, no seu coração puríssimo, em face da humildade de Deus: o Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. E, por isso mesmo, o Santo que há-de nascer de ti será chamado Filho de Deus. A humildade da Virgem é consequência desse abismo insondável de graça, que se opera com a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade nas entranhas da sua Mãe sempre Imaculada. (Amigos de Deus, n. 96)